Noam Chomsky – concentração de renda e poder

Os dez princípios de concentração de renda e poderLiteratura,Blog do Mesquita 

Ficamos muito impressionados quando assistimos a um debate nos Estados Unidos — aliás, na Europa também — sobre a atual dificuldade econômica. O grande problema humano não está no déficit público — mas no desemprego. O desemprego tem um efeito devastador na sociedade. Quero dizer com isso que são terríveis as consequências para as pessoas desempregadas e suas famílias. No entanto, há também um tremendo efeito econômico, cujas razões, por sinal, são bastante óbvias: quando as pessoas estão sem trabalho, há recursos que poderiam servir para desenvolver a economia que não são usados — simplesmente são desperdiçados.

Talvez pareça desumano falar sobre a questão desta forma, e o custo humano é a pior parte dela. Mas de um franco ponto de vista econômico, é como se, por alguma razão, as pessoas decidissem deixar as fábricas ociosas. Para entender melhor a situação, faça uma viagem à Europa, ao Japão, ou até mesmo à China, e depois volte para os Estados Unidos. Uma das primeiras coisas que o deixará impressionado é que parece que nosso país está se desmantelando, como se, muitas vezes, a sensação seja de voltar para um país do terceiro mundo. A infraestrutura se esfacelou, o serviço de saúde está em ruínas, o sistema de ensino foi destroçado, apesar dos incríveis recursos disponíveis. Para fazer com que as pessoas permaneçam impassíveis, simplesmente observando essa realidade, é necessário lançar mão de uma propaganda política muito eficiente. É basicamente isso o que está acontecendo — temos uma grande força de trabalho ávida por trabalhar, formada por gente altamente qualificada, numa situação em que há muita coisa para ser feita. Aliás, o país está precisando de muita coisa.

Instituições financeiras não gostam da ideia de déficit e também não querem muito governo. Essa postura foi levada ao extremo por pessoas como Grover Norquist, homem muito influente. Ele conseguiu a promessa dos republicanos — um acordo ao qual eles realmente se comprometem —, de não permitir o aumento de impostos, e o dever de reduzir o governo. Da forma como foi expressa, basicamente queria acabar com o governo. Do ponto de vista dos senhores da nação, é meio que compreensível. Acontece que o governo, quando a democracia é legítima e realmente funciona, age em favor dos interesses da população. Este é o verdadeiro significado de democracia. Porém, eles prefeririam ter o controle total de tudo, sem a interferência do povo. Contentam-se em ver o governo encolhido — com duas condições. Uma é a garantia de que poderão contar com um Estado poderoso, capaz de mobilizar os contribuintes para socorrê-los e também para enriquecê-los ainda mais. A segunda é uma grande força militar para garantir que o mundo está sob controle.

É a isso que eles querem reduzir a função do Estado — nada para que as pessoas idosas tenham assistência médica, ou que uma viúva inválida tenha uma pensão suficiente para uma vida digna. Acham que isso não é problema deles, não está de acordo com a máxima vil, cabe a eles concentrar-se apenas no problema do déficit. Acontece que, para o povo, a falta de emprego é questão muito mais importante. Apesar disso, com poucas exceções como a de Paul Krugman, os debates públicos continuam concentrados no problema do déficit governamental.

De forma quase absoluta, as discussões sobre o assunto são moldadas pelos donos do mundo: “preocupem-se com o déficit e esqueçam tudo o mais.” Contudo, mesmo quando alguém se ocupa com a questão do déficit, é estarrecedor o fato de que eles omitem qualquer coisa relacionada com as causas que o geram. As causas são muito claras. Uma delas é o gasto extraordinário com nosso aparato militar, que chega a ser quase o mesmo de todas as nações do mundo juntas. Por sinal, isso não acontece por causa de uma questão de segurança (isso é outra história) — aliás, não nos fornece segurança nenhuma, a não ser para os senhores que controlam o mundo, assim como seus interesses. E isso é praticamente intocável.”

“Se uma pessoa estudar a história da regulamentação legal das atividades empresariais — como a da exploração do setor de transportes ferroviários, a do mercado financeiro e de outros mais —, descobrirá que é bem comum ter sido uma iniciativa tomada por quem está sendo regulado, ou é apoiada por eles. E a razão disso está no fato de eles saberem que, mais cedo ou mais tarde, conseguirão controlar os reguladores e administrar as agências. Afinal de contas, eles podem oferecer coisas equivalentes a suborno — como cargos ou qualquer outro benefício sedutor. O fato é que acaba sendo vantajoso para os fiscais desses órgãos contemporizarem com a vontade dos poderosos. É algo que acontece naturalmente, de muitas formas, e termina com o que se costuma chamar de “cooptação das agências reguladoras”. Ser regulamentado significa, na verdade, controlar as agências reguladoras. De fato, pois bancos e seus lobistas são os que fazem as leis de regulamentação financeira — chegou-se a esse extremo. É o que vem acontecendo ao longo da história e, como eu disse, uma tendência comum que verificamos quando examinamos a estrutura e a distribuição do poder.

A lei Glass-Steagall

Durante a Grande Depressão, uma das normas legais instituídas foi separar bancos comerciais, que são os estabelecimentos em que os depósitos bancários são garantidos pelo governo federal, de bancos de investimento, que simplesmente assumem riscos e para cujas transações não existem garantias federais. Eles foram separados pelas disposições daquela que ficou conhecida como Lei Glass-Steagall.

Na década de 1990, os programas econômicos do governo Clinton foram comandados principalmente por Robert Rubin e seus assessores — pessoas advindas, sobretudo, de instituições financeiras — e eles queriam revogar essa lei, aprovada na década de 1930. Em 1999, eles conseguiram fazer isso, demolindo a Lei Glass-Steagall com a cooperação de Republicanos da ala mais à direita do partido, Phil Gramm e outros mais. Isso fez com que, basicamente, as operações de risco de bancos de investimento acabassem voltando a ter garantias legais do governo. Ora, era fácil entender para onde isso nos levaria — e foi o que aconteceu. Ao mesmo tempo, eles conseguiram barrar a regulamentação de operações com derivativos — exóticos instrumentos do setor financeiro —, o que significa dizer que eles seguiram desregulamentados. Agora, talvez pareçam relativamente seguras, dado que o governo irá socorrê-los se necessário for.

Os conflitos de interesses

Aliás, aquilo que o próprio Robert Rubin tratou de fazer, depois de ajudar a desmontar a Lei Glass-Steagall, foi voltar para o setor financeiro, onde se tornou diretor do Citigroup — um dos maiores bancos do mundo — e se aproveitar das novas leis. Lá, ajudou a assumir o controle de uma grande seguradora e fez outras coisas mais. Ele ganhou muito dinheiro. Só que o grupo quebrou. Ele deixou a instituição onde ganhou muito dinheiro, voltou como principal consultor de Barack Obama, e então o governo socorreu o Citigroup financeiramente — tal como vinha fazendo desde o início dos anos de 1980. O fato de senadores, deputados e assessores políticos deixarem o governo, indo para os setores comercial e industrial (a esta altura, mais financeiros do que qualquer outra coisa), os quais, em tese, eles vinham regulamentando, é quase uma consequência natural de assumirem impunemente o controle de fato de órgãos reguladores e fiscalizadores. É nisso que repousam suas relações de fidelidade. Eles ficam num eterno vaivém de um setor para outro. Isso indica que existem estreitíssimas relações entre ambos os lados — é um dos aspectos da “rotatividade de cargos”. Depois de se tornarem legisladores, se transformam em lobistas, e, como lobistas, querem controlar a legislação.

Lobismo

Uma das coisas que mais se expandiu durante os anos 1970, época em que o mundo dos negócios passou a mobilizar-se intensamente para tentar controlar o poder legislativo, foi o lobismo.2 Houve um esforço gigantesco dos lobistas para tentar até mesmo criar leis. O mundo dos negócios estava muito preocupado com os avanços no bem-estar social da década de 1960, principalmente com os decorrentes das intervenções de Richard Nixon — embora muitos não entendam isto bem, ele foi o último presidente do New Deal, o que os homens de negócio consideravam uma traição à classe.

Basta considerarmos que, em seu governo, houve a implementação da legislação de proteção ao consumidor (que resultou na criação da agência independente — CPSC, na sigla em inglês), o estabelecimento de normas de segurança e higiene no ambiente de trabalho (OSHA) e a criação da Agência de Proteção Ambiental (EPA). Logicamente, o empresariado não gostou — tanto do aumento dos impostos quanto da regulamentação. E iniciou um esforço coordenado para tentar anular esses avanços, levando a um imenso crescimento nas práticas lobistas. Avançados institutos de pesquisas interdisciplinares foram criados para tentar controlar o sistema ideológico, tal como a Heritage Foundation. Os gastos com campanhas eleitorais aumentaram muito — em parte, por causa da televisão. Além disso, houve também um aumento simplesmente incrível do papel do setor financeiro na economia. Com isso, a desregulamentação começou de forma realmente impetuosa.

2: Ver “Como Lobistas das Grandes Empresas Passaram a Controlar a Democracia Americana”, New America Weekly, New America, Lee Drutman, 20 de abril de 2015, na página 108.

Desregulamentação e bancarrotas no mercado financeiro

Não houve quebras no mercado financeiro nas décadas de 1950 e 1960, pois o aparato regulatório do New Deal ainda estava em vigor. Porém, à medida que, por pressão das grandes empresas e de políticos, o programa começou a ser desmontado, foram ocorrendo mais e mais quebras de instituições, tendo isso continuado por vários anos. O processo de desregulamentação começou na década de 1970, mas foi nos anos de 1980 que o número de falências aumentou muito de fato.

Tomemos o exemplo do que aconteceu no governo Reagan: em vez de deixar que arcassem com o custo e as consequências de seus atos, ele socorreu bancos tal como o Continental Illinois, protagonista, em 1984, da maior operação de resgate da história americana à época. No início dos anos 1980, os Estados Unidos entraram na mais grave recessão desde a Grande Depressão, sendo resgatados com várias formas de subsídios, entre outras coisas mais. Em 1987, houve mais uma crise financeira — outra Segunda-Feira Negra, ou algo bem próximo disso. Aliás, Reagan chegou ao fim do mandato em meio a uma gigantesca crise financeira — a crise das instituições de empréstimos e poupança. Mais uma vez, o governo interveio e salvou instituições.

Grandes demais para a cadeia

A crise das instituições de empréstimo e poupança foi um pouco diferente da crise financeira de 2008, pois os perpetradores da primeira foram levados aos tribunais, em cujo julgamento soube-se muita coisa a respeito de esquemas fraudulentos, manobras escusas, trapaças e crimes cometidos por seus agentes. O mesmo não aconteceu com a crise de 2008. É que o poder dos bancos aumentou tanto que agora eles não são apenas “grandes demais para quebrar”, mas também, nas palavras de um economista, “grandes demais para a cadeia”. Assim, as únicas investigações criminais que podem ser feitas são as que envolvem, por exemplo, tráfico de informações privilegiadas ou confidenciais, prática na qual o criminoso prejudica outras empresas, logo é possível fazer alguma coisa. Contudo, nas situações em que eles estejam roubando o povo, seguem agindo impunemente.

O processo de desregulamentação se materializou no governo Clinton. Bill foi na onda, deixando o barco correr, o que levou a um surto especulativo no setor de tecnologia. No final da década de 1990, outra bolha estourou, a bolha das ponto.com. Em 1999, as normas regulatórias que impunham uma separação entre bancos comerciais e bancos de investimentos estavam aniquiladas. Desta vez, foi Bush quem foi na onda e aí tivemos o boom imobiliário, cuja existência, por incrível que pareça, os elaboradores de políticas econômicas não perceberam — ou simplesmente ignoraram o fato de que havia uma bolha imobiliária de cerca de 8 trilhões de dólares sem relação com o custo dos imóveis residenciais. Obviamente, isso estourou em 2007, quando trilhões de dólares simplesmente desapareceram — riqueza fraudulenta, pura e simplesmente. Essa situação levou à maior crise financeira desde a Grande Depressão, mas aí vieram as operações de socorro financeiro de Bush e Obama, as quais reconstruíram as mesmas instituições poderosas — os perpetradores da crise — e deixaram todos os demais à deriva. Os mais severamente prejudicados foram as pessoas comuns, que perderam casas, empregos etc. E é nesta situação que estamos hoje. Tudo isso foi feito com total impunidade e, ainda assim, eles estão preparando a próxima jogada.

O Estado-babá

Toda vez que acontece uma crise, as autoridades lançam mão dos vultosos recursos do contribuinte para socorrer financeiramente os que a provocaram, que são, em número cada vez maior, as grandes instituições financeiras. Numa economia capitalista, esse tipo de coisa não deveria ser feita. Num sistema capitalista de verdade, um desastre financeiro varreria do mapa os investidores que fizeram investimentos arriscados. No entanto, os ricos e poderosos não querem um sistema capitalista. Eles querem dispor de um “Estado-babá” para socorrê-los assim que se metem numa enrascada, de modo que acabem sendo socorridos pelo contribuinte. Eles recebem uma generosa apólice de seguros governamental, o que vale dizer que não importa o sem-número de vezes que eles se arrisquem temerariamente, pois, se entrarem em apuros, o dinheiro público os socorrerá, pois são grandes demais para quebrar. É algo que vem se repetindo sem parar.

O poder deles é tão grande que qualquer tentativa de lidar com esse estado de coisas é rechaçada. Tentativas sóbrias de enfrentar o problema têm sido feitas, como a Lei Dodd-Frank, mas a execução de seus dispositivos acaba sendo cerceada por lobistas. Em todo caso, são medidas que não atacam de fato os principais problemas. E as razões para isso são muito fáceis de compreender. Há laureados com o Prêmio Nobel de Economia que discordam dos rumos que estamos tomando — pessoas como Joseph Stiglitz, Paul Krugman, entre outras —, mas nenhuma delas foi procurada ou consultada. As pessoas escolhidas para enfrentar a crise foram as mesmas que a criaram — a turma de Robert Rubin e o pessoal do Goldman Sachs. Criaram a crise, mas estão mais poderosos do que nunca. Esse aumento de poder é mera coincidência? Ora, claro que não, já que foram eles os escolhidos para criar um plano econômico. Portanto, o que poderíamos esperar dessa situação?

A última operação de resgate financeiro foi algo sem precedentes. As grandes empresas socorridas foram mantidas economicamente viáveis num período em que, numa economia capitalista, elas teriam ido à falência. Porém, de fato, não temos uma economia capitalista — os grandes homens de negócios não aceitariam esse tipo de coisa e têm poder suficiente para impedi-lo. Desse modo, o povo, por assim dizer, acaba sendo chamado: despeja, literalmente, trilhões de dólares nas mãos dos donos de grandes empresas em processo de falência e passa a sustentá-las. Esse é o caso, de várias formas. Tanto que existe um importante estudo técnico em torno de operações de socorro financeiro realizadas ao longo de vários anos em que seus autores concluem que provavelmente 25 por cento delas — aliás, é um estudo sobre as cem maiores corporações constantes na lista da Fortune, feito por dois economistas muito reconhecidos — sobreviveram a desastres financeiros graças aos subsídios dos contribuintes. O estudo indica também que a maior parte das demais grandes empresas ganhou com isso. Portanto, embora esses acontecimentos sejam em escala sem precedentes, não são novos. A situação se repete depois de cada crise financeira.3

3: Ver A Lógica da Reestruturação Econômica Mundial: A Gestão de Empresas Subsidiárias em Complexos Industriais Rivais, Winfried Ruigrok e Rob van Tulder, 1995, na página 110.

Externalidades e risco sistêmico

O sistema financeiro apresenta características próximas às de um sistema de economia de mercado — realmente, está mais para uma economia de mercado, ao contrário do sistema produtivo, que sofre a influência do enorme poder e da intervenção do Estado para mantê-lo funcionando. Numa economia de mercado, existem problemas conhecidos, como o fato de os participantes de uma transação comercial pensarem prioritariamente em si mesmos. Não dão a mínima para os efeitos que isso possa causar às demais pessoas. A título de exemplo, digamos que você queira me vender um carro. Logicamente, você tentará obter lucro na transação, ao passo que eu vou querer comprar um bom carro, mas nós dois nem sequer pensamos no impacto que isso pode ter sobre outras coisas: problemas ambientais, congestionamentos, aumento do preço dos combustíveis e assim por diante. Acontece que, embora, individualmente, esses fatores possam ser pequenos, eles se avolumam. São denominados “externalidades” na terminologia econômico-financeira.

Já no caso de um grande banco de investimentos, como o Goldman Sachs, quando seus executivos fazem um investimento ou um empréstimo, eles tentam calcular os riscos que correrão — mas, logicamente, isso é muito fácil, já que sabem que serão socorridos se necessário, pois são considerados grandes demais para quebrar. Todavia, algo que eles não levam em conta é o que se chama de “risco sistêmico”. Trata-se do risco presente numa situação em que, caso os investimentos fracassem, o sistema inteiro pode quebrar. Ora, foi isso que aconteceu, tendo-se repetido várias vezes, e que provavelmente voltará a acontecer. E essa situação foi agravada pela desregulamentação, e também pela criação de intricadíssimos instrumentos financeiros que, vale repetir, não deram nenhuma contribuição à economia, mas tornam possível a divisão de riscos por meio de mecanismos complexos.

Foi o que aconteceu com a crise do setor imobiliário. Os corretores de hipotecas imobiliárias estavam oferecendo financiamentos para a compra da casa própria concedendo hipotecas de alto risco a pessoas que sabiam que não conseguiriam pagar, e os bancos endossavam essas transações. No entanto, os credores não precisavam preocupar-se com o risco, pois faziam a chamada “securitização” — dividiam os empréstimos em pequenos passivos e os negociavam com terceiros, na forma de débitos garantidos por caução real. Acontece que, na maioria das vezes, os investidores nem sequer sabiam o que estavam comprando e, por outro lado, os instrumentos que permitiam a compra eram, na verdade, o seguro para protegê-los contra um possível fracasso daquilo que estavam fazendo. Em tese, isso deveria reduzir riscos. Na prática, aumentou os riscos de tal forma que, quando o sistema entrou em colapso — isso aconteceu com o advento da crise dos créditos imobiliários —, os efeitos foram gigantescos. E, mais uma vez, os contribuintes foram usados para o resgate. Foi uma operação de socorro que não envolveu apenas o resgate dos bancos, mas também centenas de bilhões de dólares jorrando dos cofres do Federal Reserve e do Departamento do Tesouro americano, com vistas a oferecer crédito barato entre outras coisas.

Não que haja algo de surpreendente nisso — são os mesmos mecanismos de sempre. Portanto, se a sociedade permitir que isso continue a funcionar, os resultados serão sempre os mesmos, tais como descritos. Será assim até a próxima crise financeira — que é dada como tão certa que as agências de avaliação de risco estão incluindo em seus cálculos o montante que o contribuinte precisará desembolsar no próximo resgate. Os beneficiários dessa avaliação de risco, tais como os grandes bancos, conseguem tomar empréstimos a juros mais baixos, anulando assim a concorrência de rivais menores, e aumentando cada vez mais a concentração do poder econômico.

E, para onde quer que voltemos nossa atenção, veremos que as políticas econômicas são elaboradas com isso em mente, o que não é surpresa para ninguém. É o que acontece quando permitimos transferir o poder para as mãos de uma pequena parcela dos super-ricos, os quais vivem empenhados em aumentar seu próprio poderio — tal como se esperaria.

Deixem o livre mercado comandar tudo

A definição mais simples de “neoliberalismo” é “deixem o livre mercado comandar tudo.” Em outras palavras, façam com que o governo fique de fora da elaboração de políticas públicas, exceto quando for para incentivar as atividades do livre mercado. Na verdade, nenhum dos preconizadores desse princípio quer exatamente isso. Essas medidas são para os pobres, não para eles. Essa ideia vem persistindo ao longo de toda a história da economia moderna, desde o século XVII até os dias atuais. A única diferença é que, naqueles tempos, eles não chamavam isso de neoliberalismo.

Tomemos como exemplo as recomendações de Adam Smith às recém-independentes colônias americanas. Ele era o grande economista da época e dava conselhos às colônias — é quase a mesma coisa que o Banco Mundial e o FMI fazem com os países pobres e com os pobres dos Estados Unidos. Disse que as colônias deveriam concentrar-se naquilo que sabiam fazer bem — mais tarde, isso foi chamado de “vantagens relativas” —, ou seja, exportar bens primários, tais como produtos agrícolas, peixes e peles de animal, e importar os superiores produtos de origem britânica. Além disso, obviamente para defender o interesse do colonizador, sugeriu que não tentassem monopolizar. Naqueles dias, o principal produto econômico era o algodão. Ele tinha uma importância equivalente à do combustível no início da Revolução Industrial. Segundo ele, isso melhoraria a produção econômica das colônias, e assim por diante.4

Logicamente, como as colônias constituíam um país independente a essa altura, tinham total liberdade para ignorar o conselho e adotarem princípios de uma “economia saudável”, tal como se denominava então. Desse modo, impuseram altas tarifas alfandegárias aos tais superiores produtos britânicos para impedir que entrassem em seu território — inicialmente, sobre os têxteis e, mais tarde, sobre o aço, e assim por adiante. Com isso, conseguiram desenvolver sua indústria interna. Lançaram-se num grande esforço para tentar monopolizar e, aliás, quase conseguiram, a exploração do algodão — essa foi a grande motivação por trás da questão da conquista do Texas e de metade do México.5 As razões eram bem claras: os presidentes jacksonianos diziam que, se eles conseguissem monopolizar a exploração do algodão, poderiam muito bem ter a Grã-Bretanha a seus pés. Calcularam que o império não conseguiria manter toda a sua potência econômica se eles controlassem esse produto. Assim, sem entrar em maiores detalhes, as ex-colônias fizeram exatamente o contrário das recomendações neoliberais (o que, aliás, a Grã-Bretanha fizera também durante seu processo de desenvolvimento). Simultaneamente, os pobres e oprimidos eram vítimas dos esforços para lhes enfiar esses princípios goela abaixo. Desse modo, Índia, Egito, Irlanda entre outros foram desindustrializados, devastados — algo que, por sinal, prossegue até os dias atuais.

E isso acontece bem diante de nossos olhos. Vejam, por exemplo, os Estados Unidos — aqui, martelam na cabeça da maior parte da população o princípio de que ela tem de “deixar o mercado comandar os rumos da economia”. Portanto, que as autoridades tratem de cortar o número de benefícios sociais, de reduzir a previdência social ou acabar com ela de uma vez, de diminuir ainda mais o limitado serviço de saúde pública, enfim, deixem o livre mercado comandar tudo. Mas não para os ricos. Para estes, o Estado deve ser uma entidade poderosa, sempre pronta para intervir e resgatá-los sempre que se meterem em apuros financeiros. Tomemos o exemplo de Reagan, um ícone do neoliberalismo, do livre mercado entre outras coisas. Ele foi o presidente mais protecionista na história do pós-guerra americano, tendo dobrado as barreiras de importação, na tentativa de proteger os incompetentes dirigentes americanos da superioridade dos produtos japoneses. Assim, mais uma vez, ele socorreu bancos, em vez de deixá-los arcar com seus custos. Na verdade a economia americana cresceu durante o governo Reagan, tornando-se um ícone do neoliberalismo. Devo acrescentar que seu programa “Guerra nas Estrelas” foi abertamente propagandeado no mundo dos negócios como um incentivo do governo, como uma espécie de profícua vaca-leiteira em cujas tetas eles podiam mamar. Mas isso era apenas para os ricos. Já no caso dos pobres, que deixassem que os princípios do livre mercado conduzissem os rumos da economia e que não esperassem nenhum auxílio do governo. Enfim, o governo era o problema, não a solução, e por aí vai. Basicamente falando, isso é neoliberalismo. Ele tem esse caráter dualístico, algo que perdura na história econômica. Um conjunto de regras para os ricos. Outro diametralmente oposto para os pobres.”

4: Ver Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, Adam Smith, 1776, na página 110.

5: Ver Presidente John Tyler em carta enviada ao filho, coronel Tyler, 17 de abril de 1850, na página 111.

“Como eu disse, concentração de riqueza gera concentração de poder político, principalmente numa situação em que o custo das campanhas eleitorais não para de crescer. O sistema democrático é simplesmente retalhado pelo rápido aumento da capacidade de decidir eleições com dinheiro. Consideremos o exemplo do caso da Citizens United, a respeito do qual a Suprema Corte de Justiça tomou uma importantíssima decisão em 2009. Esse caso tem uma história sobre a qual devemos refletir.1

A Décima Quarta Emenda da Constituição americana tem uma cláusula estipulando que os direitos de uma pessoa não podem ser violados sem o devido processo legal (aliás, essa disposição consta também na Quinta Emenda, mas foi ampliada na Décima Quarta), e o objetivo, claramente, foi proteger escravos libertos. É como se ela dissesse: “OK, eles estão protegidos por lei agora.” Não acho que ela tenha sido usada uma única vez em relação a casos de escravos libertos — se isso aconteceu, foi apenas em alguma situação isolada. Na verdade, foi usada quase imediatamente em negócios privados — ou seja, por grandes empresas. Afinal, os direitos delas não podem ser violados sem o devido processo legal. Isso representou um forte ataque aos princípios liberais clássicos e foi condenado por conservadores daquela época. No entanto, essa tendência continuou até o início do século 20, quando ficou estabelecido que as grandes empresas também tinham direitos individuais, e ampliou-se progressivamente ao longo do século quando elas se tornaram pessoas inclusive do ponto de vista legal.

Personalidade jurídica

Grandes corporações são uma ficção legal criada pelo Estado. Talvez isso seja bom; talvez não. Em todo caso, chamá-las de pessoas é, de certo modo, ultrajante. Por exemplo, consideremos a questão dos acordos de livre comércio, no caso, digamos, do NAFTA. As autoridades deram às grandes empresas direitos muito além daqueles que as pessoas têm. Assim, se a General Motors investir no México, ela passa a gozar dos direitos federais desse país, os mesmos direitos de um negócio privado mexicano. No entanto, se um mexicano vier a Nova York e disser “Quero ter esses mesmos direitos”, nem é necessário dizer o que acontece. Portanto, embora a noção de personalidade jurídica tenha sido ampliada para incluir corporações, ela foi restringida no caso das pessoas.

Se interpretarmos os termos da Décima Quarta Emenda literalmente, nenhum estrangeiro ilegal pode ser privado dos direitos de qualquer outra pessoa física. Com o correr dos anos, os tribunais suprimiram isso de suas interpretações do texto legal e passaram a afirmar que estrangeiros ilegais não são propriamente pessoas. Portanto, imigrantes ilegais que moram aqui, constroem edifícios, cuidam dos jardins e assim por diante, não são pessoas, mas a General Electric é uma pessoa superpoderosa, um ente imortal. Essa inversão de um valor moral fundamental e a deturpação do significado da lei são simplesmente inacreditáveis.”

1: Ver A Disputa Judicial entre James L. Buckley e Francis Valeo, Suprema Corte dos Estados Unidos, 30 de janeiro de 1976, na página 120.

Além da urna eleitoral

Em minha opinião, a extravagância eleitoral que acontece de quatro em quatro anos deveria tomar, no máximo, uns dez minutos do nosso tempo, literalmente. O primeiro minuto deveria ser gasto com aritmética. Eleitoralmente falando, existe uma questão muito simples — se você mora num estado decisivo para o resultado das eleições, um estado em que o desfecho eleitoral ainda esteja indefinido e acaba se abstendo, não votar em Hillary Clinton equivale a votar em Trump ou vice-versa. Simples aritmética. Levamos um minuto para a questão aritmética; levaremos dois minutos para avaliar os méritos de ambos os partidos. E não apenas deles, logicamente, mas dos candidatos também. Nas circunstâncias atuais, reitero que não leva mais do que dois minutos. Os últimos sete minutos são para ir à urna eleitoral depositar o voto.

Depois que tivermos gastado aqueles dez minutos, poderemos nos voltar para o que realmente interessa, que não é eleição, mas sim o esforço constante para criar e organizar movimentos populares de pessoas engajadas que continuarão a lutar ininterruptamente em prol do que precisa ser feito. É um processo que não envolve apenas manifestações de protesto, pressionar candidatos entre outras coisas, mas também a criação de um sistema eleitoral que signifique algo de verdadeiro e bom para todos. Afinal, não se pode criar uma democracia que funcione melhor, ou até mesmo um partido, votando a cada quatro anos.

Se você quer um partido alternativo, um partido independente, não basta votar nele de quatro em quatro anos. Você tem de continuar na luta constantemente — desenvolvendo o sistema, que vai desde conselhos escolares a câmaras municipais e assembleias legislativas, abrangendo, enfim, todas as instâncias até chegar ao Congresso. E existem pessoas na extrema-direita que fizeram isso. Foi assim que se organizou o movimento Tea Party — com bastante dinheiro e muito raciocínio — e os resultados vieram. O problema é que as pessoas que estão interessadas num partido progressista independente simplesmente não fizeram isso. Ficaram presas na armadilha de uma propaganda política enganosa, que preconiza a ideia de que a única coisa que importa é a extravagância eleitoral. É verdade que não se pode ignorá-la — ela existe mesmo —, mas, como eu disse, ela só deve ocupar dez minutos de nosso tempo. No entanto, as coisas que realmente importam precisam ser feitas constantemente.”

“Existe uma força organizada que, apesar de todas as imperfeições, sempre se manteve na linha de frente dos esforços para melhorar a vida da população como um todo. Ela é formada pelas organizações sindicais. É a única barreira capaz de deter o avanço desse círculo vicioso, que nos conduz a um Estado em que impera a tirania empresarial.

Por isso, uma das principais razões para o concentrado e quase fanático ataque contra sindicatos e trabalhadores sindicalizados está no fato de que eles são uma força democratizante. Eles funcionam como uma barreira na defesa dos direitos dos trabalhadores, mas também dos direitos da população de maneira geral. Isso interfere nas prerrogativas e no poder dos donos e administradores da sociedade.

Devo dizer que o sentimento antissindical existente nas elites dos Estados Unidos é tão forte que o componente fundamental dos direitos trabalhistas — o princípio elementar previsto pela Organização Internacional do Trabalho, que é o direito de livre associação e, como consequência natural, o direito de organizar sindicatos — nunca foi ratificado neste país. Nesse aspecto, acho que os Estados Unidos devem estar sozinhos em meio às grandes sociedades do planeta. Ele é considerado um direito tão absurdo na esfera política americana que, literalmente, nunca foi nem sequer analisado.

A classe empresarial é movida por um forte espírito de classe e, desse modo, todo vislumbre de ascensão do poder popular sempre causou grandes preocupações neles, que sempre acharam que “democracia demais” é muito perigoso.”

O New Deal

Franklin Delano Roosevelt tinha alguma simpatia a leis progressistas que beneficiassem a população como um todo, mas precisava antes aprová-las. Tanto que ele dizia a líderes do movimento operário: “Forcem-me a fazer isso. Se vocês conseguirem, terei satisfação em fazê-lo.” Com essas palavras, ele queria dizer o seguinte: “Saiam às ruas em manifestações, organizem-se, protestem, desenvolvam o movimento operário, façam greve e tudo o mais. Quando a pressão popular for suficiente, terei condições de fazer com que aprovem as leis que vocês querem.” Portanto, havia uma espécie de combinação entre um governo simpático à causa trabalhista que estava interessado em superar o tremendo abalo e as consequências desastrosas da Grande Depressão — por sinal, causada também por uma crise financeira que eles estavam igualmente interessados em vencer — e a criação de leis que beneficiassem o povo de uma forma geral.

O mundo dos negócios, na verdade, ficou dividido durante os anos do New Deal, a década de 1930. As empresas de alta tecnologia voltadas para o mercado internacional apoiavam o New Deal. Elas não faziam objeções à concessão de direitos trabalhistas, salários dignos e outras coisas mais. E gostavam do aspecto de interesses político-comerciais globais abrangidos pelas diretrizes do New Deal. No caso, porém, da Associação Nacional de Fabricantes,2 que reúne representantes do setor muito mais dependentes de mão de obra e com interesses bem mais voltados para o mercado interno, seus membros se opunham veementemente ao New Deal. Como se vê, havia uma divisão entre os donos do mundo. Por exemplo, o presidente da General Electric foi um dos maiores apoiadores de Roosevelt. E isso ajudou, juntamente com os maciços levantes populares, a permitir que Roosevelt seguisse adiante com a aprovação e execução das leis do New Deal, muito bem-sucedidas, por sinal. Isso assentou as bases para o crescimento econômico americano no pós-guerra, bem como para a superação dos piores efeitos da Grande Depressão. Não, porém, do problema do desemprego — esse perdurou até a Segunda Guerra Mundial.

Portanto, houve uma espécie de combinação de governo favorável à população e, em meados da década de 1930, um ativismo popular muito significativo. Ocorreram atos de protesto no interior das fábricas, como greves brancas, consideradas assustadoras por donos de negócios. Estes se viam obrigados a reconhecer que essas greves de ocupação e paralisação equivalem a uma situação em que os trabalhadores estão apenas a um passo de dizer: “Não precisamos de patrões. Podemos administrar isto aqui sozinhos.” E os empresários ficaram horrorizados. Quando lemos matérias da imprensa corporativa de fins da década de 1930, vemos coisas como: “O perigo que os industriais têm pela frente com a ascensão do poder político das massas”, o qual, logicamente, eles achavam que tinha de ser debelado. E também do tipo: “[Temos que travar] a incessante batalha pela conquista das mentes de certos homens para doutrinar o povo com a história do capitalismo” e por aí vai. Pode soar um marxismo vulgar, mas as classes empresariais tendem a ser marxistas vulgares mesmo ao combater a luta de classes. A literatura da área de negócios da década de 1930, aliás, nos faz lembrar o Memorando Powell: “Estamos perdidos. Está tudo arruinado.” O mundo dos negócios começou a desenvolver, ademais, o que chamaram na época de métodos científicos de prevenção de greves. Como atos de violência não estavam funcionando, foram buscar formas mais sofisticadas para minar o movimento operário.

A Grande Depressão só terminou com a Segunda Guerra Mundial, quando foram criados enormes incentivos pelo governo à produção industrial — que praticamente quadruplicou —, fazendo com que as pessoas retomassem os postos de trabalho. Esse acontecimento preparou o terreno para o crescimento e desenvolvimento sem precedentes do pós-guerra, com estímulos e a injeção de recursos muito significativos na economia por parte do governo. (Se examinarmos corretamente o passado, veremos que os computadores, a Internet e outras inovações se desenvolveram consideravelmente graças ao que poderíamos chamar de setor estatal da economia. Aliás, a maior parte do setor de alta tecnologia se desenvolveu dessa forma.)

A ofensiva dos empresários

Com isso, as ações contra os interesses dos trabalhadores ficaram suspensas durante a Segunda Guerra Mundial, mas, imediatamente após o fim do conflito, a ofensiva dos empresários foi retomada com força total. Por exemplo, da instituição da Lei Taft-Hartley (limitava as ações e o poder dos sindicatos de 1947), e macartismo, com maciças campanhas empresariais de propaganda ideológica — com ataques a sindicatos, ambicionando o controle do sistema de ensino e das ligas esportivas, infiltrando-se em igrejas, enfim, controlar tudo mesmo —, algo simplesmente gigantesco. O que não falta são bons estudos sobre essa época.

A par de tudo isso, providenciaram também para que as pessoas fossem induzidas a ter uma atitude ambivalente em relação ao governo. Assim, por um lado, elas deveriam ser levadas a odiar e temer o governo, pois, afinal, ele podia ser um grande instrumento de concretização dos anseios populares. Simultaneamente, as grandes empresas privadas ficam livres de toda necessidade de prestação de contas por seus atos, criando, desse modo, uma forma de tirania oculta — quanto mais poder elas tivessem e quanto menor o poder nas mãos do governo, melhor seria, do ponto de vista dos ricos e poderosos. Então, por um lado, as pessoas tinham que ser induzidas a odiar o governo e, por outro, precisavam apoiá-lo, já que a iniciativa privada depende amplamente do apoio governamental em setores da economia que vão da alta tecnologia a finanças, passando pela possibilidade de ser socorrido financeiramente se necessário, de poder contar com uma grande força militar internacional e assim por diante. Enfim, um vasto espectro.

Nos anos do governo Reagan, a campanha aumentou tremendamente. Reagan disse mais ou menos o seguinte aos homens de negócios: “Se vocês querem acabar ilegalmente com as ações sindicais e as greves de forma ilegal, sigam em frente” — e realmente, os atos à margem da lei de cessação e debelação de greves deram um salto enorme, resultando na triplicação das demissões ilegais. Até mesmo antes, em 1978, o presidente do sindicato United Auto Workers, Doug Fraser, lamentou o fato de que, nas palavras dele: “Os homens de negócios estão travando uma luta desigual com a classe trabalhadora.”3 Ela continuou até os anos 1990 e, logicamente, se intensificou muito com George W. Bush. Nos dias atuais, menos de sete por cento dos trabalhadores do setor privado estão sindicalizados, embora isso não aconteça porque eles não queiram filiar-se. Pesquisas indicam que, em sua grande maioria, eles querem isso, mas não podem fazê-lo.

Alguns anos atrás, mais precisamente em 2011, vimos um exemplo impressionante de apoio público aos sindicatos — em Madison, Wisconsin, e em vários outros estados —, quando os esforços para aniquilar de vez os remanescentes do movimento operário pelo governador Walker e seus apoiadores super-ricos, os irmãos Koch e os membros do Partido Republicano, integrantes do Legislativo, provocaram maciças manifestações de protesto. Em Madison, dezenas de milhares de pessoas saíam às ruas todos os dias para “ocupar” a sede do Poder Legislativo do Estado. Elas tiveram um apoio popular enorme e pesquisas indicaram que a maioria da população os apoiava. Nem isso, porém, foi suficiente para fazer os legisladores recuarem em seus intentos, mas, se esse apoio popular continuasse, pudesse muito bem levar a um tipo de situação em que um governo simpático à causa pudesse reagir instituindo políticas destinadas a enfrentar os verdadeiros problemas do país (e não os que são alvos da preocupação das instituições financeiras). O efeito das campanhas de ofensiva empresarial do pós-guerra foi o de ter conseguido dissolver as costumeiras forças contrárias a assaltos lançados pela zelosa classe corporativista do empresariado.”

2 Ver “Discurso de Harry Truman em Louisville, Kentucky”, 30 de setembro de 1948, na página 136.

3 Ver Carta de exoneração do dirigente sindical Douglas Fraser apresentada ao Comitê Consultivo sobre Questões Trabalhistas do governo Carter, 17 de julho de 1978, na página 13

China; O império comunista (hahaha) ataca

É assim que a China quer dominar o mundo

Ilustração de Artur Galocha com foto de Getty.
Ilustração de Artur Galocha com foto de Getty.

O presidente chinês, Xi Jinping, deseja que Pequim ocupe o vácuo geopolítico deixado pelos EUA. Seus investimentos em diplomacia, armamentos e inteligência artificial são prova disso.

“Esconder a força e aguardar o momento.”

Deng Xiaoping, o grande protagonista da abertura econômica chinesa, recomendava manter a China em segundo plano no cenário global, enquanto o país lutava para sair da pobreza e deixar para trás o marasmo de 10 anos de Revolução Cultural. Mas essa etapa ficou no passado. Na “nova era” proclamada pelo presidente Xi Jinping, o gigante asiático está decidido a ocupar o papel de protagonista da arena global, que, aos seus olhos, a história lhe deve. Através de Xi, o líder mais poderoso do país em décadas e que continuará no poder além dos 10 anos inicialmente previstos, a nação quer moldar a ordem mundial para se consolidar como referente e criar oportunidades estratégicas para si e suas empresas, além de legitimar seu sistema de governo. E já não hesita em divulgar esses planos.

“Nunca o mundo teve tanto interesse na China, nem precisou tanto dela”, declarava solenemente no mês passado o Jornal do Povo, o mais oficial das publicações oficiais de Pequim. E o atual momento – em que os Estados Unidospresididos por Donald Trump abrem mão de seu papel de líder global, a Europa está presa em suas próprias divisões e o mundo ainda arrasta as consequências da crise financeira de 2008 – apresenta uma “oportunidade histórica” que, segundo o comentário, “abre-nos um enorme espaço estratégico para manter a paz e o desenvolvimento e ganhar vantagem”. A assinatura como “Manifesto” indicava que o texto representava a opinião dos mais altos dirigentes do Partido.

Essa ambição não é nova: a catástrofe que significou o Grande Salto Adiante(1958-1962) foi provocada, no fim das contas, pela vontade de Mão Tsé-Tung de transformar a China numa potência industrial em tempo recorde. A novidade, de fato, é que isso seja agora proclamado – e cada vez mais alto. Em seu discurso no XIX Congresso Nacional do Partido Comunista, em outubro, quando renovou seu mandato por outros cinco anos, Xi anunciou a meta de transformar o país “num líder global em termos de fortaleza nacional e a influência internacional” até 2050. A data não é casual: até lá, a China já terá esgotado seu dividendo demográfico (hoje a estrutura etária de sua mão de obra, ainda relativamente jovem, é benéfica para o crescimento econômico do país).

Aos olhos de Pequim, a China nunca teve esse objetivo tão ao seu alcance. A diferença não é pautada apenas pelas circunstâncias geopolíticas ou por seu auge econômico, mas também por sua situação interna. Nunca, desde os tempos de Mao, um líder chinês havia contado com tanto poder, nem tinha se sentido tão seguro no cargo.

Xi não deixa de acumular postos e títulos, oficiais e extraoficiais. Secretário-geral do Partido, presidente da Comissão Militar Central, chefe de Estado, “núcleo” do Partido e agora lingxiu, o líder, um tratamento que só havia sido concedido a Mão e ao seu sucessor imediato, Hua Guofeng. Universidades do país inteiro abrem centros de estudo dedicados ao seu pensamento; as ruas de qualquer cidade estão cheias de cartazes pedindo que a população aplique suas ideias. De uma forma marcante, não vista em décadas, a lealdade ao Partido, e em consequência a Xi, é a condição essencial para se ter sucesso em qualquer atividade que tenha a ver com o onipotente Estado.

Xi se apresentou como o grande defensor da luta contra as mudanças climáticas, a globalização e os tratados de livre comércio

A consolidação do poder de Xi vai ser coroada na sessão anual da Assembleia Nacional Popular, o Legislativo chinês, que será inaugurada na próxima semana no Grande Palácio do Povo de Pequim. Os deputados aprovarão, entre outras coisas, a eliminação do limite temporário de dois mandatos que a Constituição impõe ao presidente, abrindo caminho para que o mandatário continue à frente do país por tempo indefinido.

A China multiplicou sua expansão internacional já durante o primeiro mandato de Xi. Seu Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura completará três anos concedendo empréstimos equivalentes a mais de 13,4 bilhões de reais. Sua nova Rota da Seda – um plano para construir uma rede de infraestrutura ao redor do mundo – acaba de incorporar oficialmente a América Latina, mira o Ártico e se dispõe e realizar sua segunda reunião internacional em 2019. Seus investimentos em diplomacia têm sido vastos. Em 2017, o país destinou a essa área o equivalente a 25,5 bilhões de reais, um aumento de 60% em relação a 2013. Já os EUA propuseram cortar 30% das despesas com o serviço exterior.

Enquanto Washington abandona seus compromissos internacionais, a China está disposta a preencher esse vazio. Xi Jinping se apresentou como o grande defensor da globalização, da luta contra a mudança climática, dos tratados de comércio internacionais. Pequim já mantém acordos de livre comércio com 21 países – um a mais que Washington – e, segundo suas autoridades, negocia ou planeja incluir outros 10.

Os investimentos do Governo e das empresas da China e no exterior são um dos principais pilares dessa estratégia. Na América Latina, o país já concedeu mais créditos que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ano passado, investiu o equivalente a 390 bilhões de reais em 6.236 empresas de 174 países, segundo seu Ministério do Comércio. Como parte do plano de se tornar um país líder em tecnologia e fazer com que esse setor seja uma das principais fontes de seu PIB, a China comprou empresas fundamentais em áreas estratégicas, como a líder alemã em robótica Kuka e a fabricante de chips britânica Imagination. Já é um referente em inteligência artificial.

Mas sua presença no exterior não se limita ao terreno diplomático e comercial. Ser uma potência global requer não apenas ter acesso aos recursos e conexões com o resto do mundo, mas também defendê-los e se defender. E a China, com o equivalente a 490 bilhões de reais, é o segundo país com maior gasto militar, atrás dos EUA, e moderniza rapidamente seu Exército. Já conta com sua primeira base militar no exterior, em Djibuti, e, segundo o Afeganistão, estuda construir uma segunda base num canto remoto desse país.

Mas se a China hoje inspira mais simpatia que os EUA em diversos países – incluindo aliados tradicionais de Washington, como México e Holanda, segundo informou o Pew Research Center em 2017 –, seu auge também gera desconfiança. O Eurasia Group descreveu a influência chinesa em meio a um vazio de liderança global como o primeiro risco geopolítico para este ano. “[A China] está fixando padrões internacionais com a menor resistência já vista”, afirma a consultoria. “O único valor político que a China exporta é o princípio de não ingerência nos assuntos internos de outros países. Isso é atrativo para os Governos, acostumados às exigências ocidentais de reformas políticas e econômicas em troca de ajuda financeira.” Menção especial, entre outras coisas, merece o investimento chinês em inteligência artificial. “[Esse investimento] procede do Estado, que se alinha com as instituições e companhias mais poderosas do país e trabalha para garantir que a população se comporte como o Estado deseja. É uma força estabilizadora para o Governo autoritário e capitalista do Estado chinês. Outros Governos acharão esse modelo sedutor.”

Xi Jinping, em 24 de outubro, no XIX Congresso do Partido Comunista.
Xi Jinping, em 24 de outubro, no XIX Congresso do Partido Comunista. NICOLAS ASFOURI (AFP / GETTY )
Outras vozes também demonstram alarme. O primeiro-ministro australiano, Malcom Turnbull, denunciou em dezembro a influência da China nos assuntos políticos de seu país, mediante lobbies e doações, e apresentou um projeto de lei que busca frear isso. O diretor do FBI, a polícia federal dos EUA, Christopher Wray, também advertiu que Pequim pode ter infiltrado agentes até mesmo nas universidades. Um relatório do think tank alemão MERICS e do Global Public Policy Institute alerta para a crescente penetração da influência política da China na Europa, especialmente nos países do Leste. E um grupo de acadêmicos conseguiu, graças aos protestos do ano passado, que a editora Cambridge University Press restabelecesse artigos censurados por não coincidirem com a visão do governo chinês em assuntos como Tiananmen e Tibete.

A crescente assertividade de Pequim pode beirar a arrogância ou o desdém pelas normas internacionais. No mar do Sul da China, onde suas reivindicações de soberania enfrentam as de outras cinco nações, o país tem construído ilhas artificiais em áreas em disputa, apesar dos protestos dos Estados vizinhos e dos EUA. Recentemente, a imprensa recriminou a Suécia por suas pressões pela libertação de Gui Minhai, o livreiro sueco detido no mês passado quando viajava a Pequim escoltado por dois diplomatas.

Além dos alarmes, começam a soar também – de modo ainda muito incipiente – propostas para contra-atacar essa pujança ou os aspectos menos benevolentes dela. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu a unidade dos 27 parceiros da União Europeia para não perderem terreno para a China. A Casa Branca começou a impor tarifas a alguns produtos para frear o que considera concorrência desleal da China no intercâmbio comercial. Japão, Índia, Austrália e EUA estudam apresentar um plano internacional alternativo ao da Rota da Seda.

Claro que nem sequer o todo-poderoso Xi pode considerar tudo como garantido, e a China da nova era padece de fraquezas importantes. No momento, o apoio popular ao presidente e sua gestão parece sólido. Mas mantê-lo, em uma sociedade de fortes desigualdades sociais, pode ser uma tarefa complicada. As jovens classes médias, nascidas e criadas depois da Revolução Cultural e de Mao, não conheceram o sofrimento de seus progenitores e demandam um bem-estar econômico que dão como certo, assim como padrões de vida semelhantes aos do Ocidente.

Isto inclui a poluição, um dos grandes males da China. Depois de medidas como um plano de urgência para o inverno, padrões de emissões para veículos e fechamento de fábricas com elevados níveis de poluição, este ano a qualidade do ar em Pequim melhorou notavelmente. Mas organizações como o Greenpeaceenfatizam que essa melhora se deu, em parte, ao custo de transferir a poluição para regiões mais pobres e menos visíveis.

Garantir padrões de vida cada vez melhores – a China se comprometeu a acabar até 2020 com a pobreza rural, que em 2015 afetava 55 milhões de pessoas – obriga também a uma reforma econômica. Ao chegar ao poder, há cinco anos, Xi prometeu deixar que o mercado seguisse seu ritmo. É uma aspiração que se mostrou complicada. Em 2015, a revista Caixin indicava que, entre as 113 áreas suscetíveis de reforma, somente 23 avançavam a bom ritmo, os progressos eram lentos em 84 e nada se conseguira em 16.

O que está por fazer é o mais difícil: as empresas de propriedade estatal, gigantescas e ineficientes, mas básicas no sistema socioeconômico chinês atual; o excesso de crédito e de capacidade de produção; a completa liberalização do yuan. Reformas necessárias, mas que vão requerer enorme habilidade para que não prejudiquem o índice de desemprego ou a estabilidade social, a grande prioridade do Governo.

Em prol dessa estabilidade social, a China de Xi Jinping pôs em prática ambiciosos programas de controle e vigilância dos cidadãos, ajudada pela inteligência artificial. O fluxo das informações e as redes sociais são ferreamente supervisionados. Todas as empresas, incluindo as multinacionais estrangeiras, precisam contar com uma unidade do Partido Comunista em sua estrutura. Os meios de comunicação estatais – os principais  – receberam instruções da boca do próprio presidente: “Vocês devem se nomear Partido”.

A tendência é a de redução da tolerância a qualquer manifestação cultural que não reforce o papel dominante do Partido Comunista nem se ponha a serviço de seus objetivos. E isso inclui o tratamento às minorias e a prática da religião, sobre a qual recentemente foram impostos novos regulamentos. As pessoas incômodas – sejam dissidentes políticos, advogados de direitos humanos ou ativistas de causas sociais– são presas e, às vezes, condenadas a longas penas de prisão. No ano passado, o Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo morreu de câncer de fígado enquanto cumpria uma pena de 11 anos.

Mas o tempo corre, para Xi, para Pequim e para implementar as reformas. Um dos grandes obstáculos que o país enfrenta é precisamente seu rápido envelhecimento. A desastrosa política do filho único faz com que o dividendo demográfico esteja se esgotando. Apesar do fim da proibição em 2015, a natalidade não dá mostras de aumentar. Em 2020, 42 milhões de idosos não poderão cuidar de si mesmos e 29 milhões superarão os 80 anos. Um grande desafio para sistemas de previdência social e de saúde ainda muito frágeis.

Para 2050, quando o país espera ter se tornado uma grande potência, contará com 400 milhões de aposentados. Por essa época, terá completado seus ambiciosos planos de reforma militar e econômica; a prioridade será atender a esse grande segmento de população envelhecida. O prazo de “oportunidade estratégica” terá expirado.

A nova era de Xi tem, portanto, pressa. Hoje pode mobilizar a população em busca do sonho chinês; amanhã poderá ser tarde. Dentro de alguns anos, esta nova era pode ter ficado velha demais.
ElPais

Fatos & Fotos – 10/11/2017

Ballet – Natalia Osipova

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Arte – Joel Meyerowitz – Chichester CanalJoel Meyerowitz- Chichester Canal

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Como fabricar monstros para garantir o poder em 2018

Protesto contra o MAM
Manifestantes protestam no MAM em repúdio à apresentação do coreógrafo Wagner Schwartz no dia 30 de setembro
TIAGO QUEIROZ ESTADÃO CONTEÚDO

Enquanto o país é tomado por assaltantes do dinheiro público, parte dos brasileiros está ocupada caçando pedófilos em museus. 

Pense. Preste atenção na sua vida. Olhe bem para seus problemas. Observe a situação do país. Você acredita mesmo que a grande ameaça para o Brasil – e para você – são os pedófilos? Ou os museus? Quantos pedófilos você conhece? Quantos museus você visitou nos últimos anos para saber o que há lá dentro? Não reaja por reflexo. Reflexo até uma ameba, um indivíduo unicelular, tem. Exija um pouco mais de você. Pense, nem que seja escondido no banheiro.

Seria fascinante, não fosse trágico. Ou é fascinante. E também é trágico. No Brasil atual, os brasileiros perdem direitos duramente conquistados numa velocidade estonteante. A vida fica pior a cada dia. E na semana em que o presidente mais impopular da história recente se safou pela segunda vez de uma denúncia criminal, desta vez por obstrução da justiça e organização criminosa, e se safou distribuindo dinheiro público para deputados e rifando conquistas civilizatórias como o combate ao trabalho escravo, qual é um dos principais assuntos do país?

A pedofilia.

Desde setembro, quando a mostra QueerMuseu – Cartografia da Diferença na Arte Brasileira foi fechada, em Porto Alegre, pelo Santander Cultural, após ataques liderados por milícias como o Movimento Brasil Livre (MBL), arte, artistas e instituições culturais têm sido atacados e acusados de estimular a pedofilia e/ou de expor as crianças à sexualidade precoce no Brasil. Resumindo: enquanto os brasileiros têm seus direitos roubados, uma parte significativa da população está olhando para o outro lado. Ou, dito de outro modo: sua casa foi tomada por assaltantes de dinheiro público e ladrões de direitos constitucionais, mas você está ocupado caçando pedófilos em museus.

Conveniente, não é? E para quem? A resposta é tão óbvia que qualquer um pode chegar a ela sem ajuda.

Uma pergunta simples: por que os movimentos que ergueram a bandeira anticorrupção para derrubar Dilma Rousseff (PT), uma presidente ruim, mas que a maioria dos brasileiros elegeu, não estão fazendo nenhum movimento para derrubar Michel Temer (PMDB), um homem que só se tornou presidente por força de um impeachment sem base legal, ligado a uma mala de dinheiro e que tem como um dos principais aliados outro homem, Geddel Vieira Lima (PMDB), ligado a mais de 51 milhões de reais escondidos num apartamento? Ou Aécio Neves (PSDB), que em conversa gravada pediu dois milhões de reais a Joesley Batista, um dos donos da JBS, para pagar os advogados que o defendem das denúncias da Operação Lava Jato?

Isso não é corrupção? Isso não merece movimento? Quem mudou? E por quê?

Responda você.

Outra pergunta simples: por que, em vez disso, parte destes movimentos, que se converteu em milícia, criou um problema que não existe justamente num momento em que o Brasil tem problemas reais por todos os lados?

A não ser que você realmente acredite que o problema da sua vida, o que corrói o seu cotidiano, são pedófilos em museus, sugiro que você mesmo responda a essa pergunta. Eu vou buscar responder a algumas outras.

1) Como criar monstros para manipular uma população com medo?

A criação de monstros para manipular uma população assustada não é nenhuma novidade. Ela se repete ao longo da história, com resultados tenebrosos, seguidamente sangrentos. Como muitos já lembraram, a Alemanha nazistaatacou primeiro exposições de arte. Os nazistas criaram o que se chamou de “arte degenerada” e destruíram uma parte do patrimônio cultural do mundo. E, mais tarde, assassinaram 6 milhões de judeus, ciganos, homossexuais e pessoas com algum tipo de deficiência.

Dê um monstro a uma população com medo, para que ela o despedace, e você está livre para fazer o que quiser. Mas hoje há uma diferença com relação a outras experiências ocorridas na história: a internet. A disseminação do medo e do ódio é muito mais rápida e eficiente, assim como a fabricação de monstros para serem destroçados.

Mas a internet é uma novidade também em outro sentido, que está sendo esquecido pelos linchadores: as imagens nela disseminadas estarão circulando no mundo para sempre. A história não conheceu a maioria dos rostos dos cidadãos comuns que tornaram o nazismo e o holocausto uma realidade possível, apenas para ficar no mesmo exemplo histórico. Eles se tornaram, para os registros, o “cidadão comum”, o “alemão médio” que compactuou com o inominável. Ou mesmo que aderiu a ele.

Aqueles que hoje chamam artistas de “pedófilos” se esquecem de que sua imagem e suas palavras permanecerão para sempre nos arquivos do mundo

Hoje, no caso do Brasil e de outros países que vivem situação parecida, o “cidadão comum” que aponta monstros com o rosto distorcido e estimula o ódio não é mais anônimo e apagável. Ele está identificado. Seus netos e bisnetos o reconhecerão nas imagens. Seu esgar de ódio permanecerá para a posteridade.

Será interessante acompanhar como isso mudará o processo de um povo lidar com sua memória. E com sua vergonha. Tudo é tão instantâneo e imediato na internet, tão presente contínuo, que muitos parecem estar se esquecendo de que estão construindo memória sobre si mesmos. Memória que ficará para sempre nos arquivos do mundo.

2) Como criar uma base eleitoral para “botar ordem na casa” sem mudar a ordem da casa?

A fabricação de monstros é uma forma de controle de um grupo sobre todos os outros. A escolha do “monstro” da vez é, portanto, uma escolha política. O que se cria hoje no Brasil é uma base eleitoral para 2018. Uma capaz de votar em alguém que controle o descontrole, alguém que “bote ordem na casa”. Mas que bote ordem na casa sem mudar a ordem da casa. Este é o ponto.

A escolha do “monstro” da vez é uma escolha política

Primeiro, derrubou-se a presidente eleita com a bandeira anticorrupção. Mas aqueles com os quais esses movimentos se aliaram eram corruptos que tornaram a mala de dinheiro uma referência ultrapassada, ao lançar o apartamento de dinheiro. Personagens desacreditados, políticos desacreditados, como então manter as oligarquias no poder para que nada mude mas pareça mudar? Capturando o medo e o ódio da população mais influenciável e canalizando-os para outro alvo.

A técnica é antiga e segue muito eficiente. Enquanto a turba grita diante de museus (museus!), às suas costas o butim segue sendo dividido entre poucos. Rastreia-se qualquer exposição cultural com potencial para factoides, o que é bem fácil, já que o nu faz parte da arte desde a pré-história, e alimenta-se o ódio e os odiadores com monstros fictícios semana após semana. Aos poucos, a sensação de que o presente e o futuro estão ameaçados infiltra-se no cérebro de cada um.

E é um fato. O presente e o futuro estão ameaçados no Brasil porque há menos dinheiro para saúde e educação, porque a Amazônia está sendo roubada e porque direitos profundamente ligados à existência de cada um estão sendo exterminados por um Congresso formado em grande parte por corruptos. Mas como isso está deslocado, parece que a ameaça está em outro lugar. Neste caso, na arte, nos artistas, nos museus. Com o ódio deslocado para um monstro que não existe, homens que pregam e praticam monstruosidades aumentam suas chances de serem eleitos e reeleitos e as monstruosidades históricas seguem se perpetuando.

Com o ódio deslocado para um monstro que não existe, oprimidos votam em opressores acreditando que se libertam

É assim que se cria uma base eleitoral que vota para botar ordem na casa, mas não para mudar a ordem da casa. É assim que oprimidos votam em opressores acreditando que se libertam. É assim que se faz uma democracia sem povo – uma impossibilidade lógica que se realizou no Brasil.

3) Por que o “pedófilo” é o “monstro” perfeito para o momento político?

Por que o “pedófilo” e não outro? Esta é uma pergunta que vale a pena ser feita. Há muitas respostas possíveis. Já se tentou – e ainda se tenta – monstrificar muita gente. O aborto foi a moeda eleitoral da eleição de 2010 e os defensores do direito de as mulheres interromperem uma gestação indesejada foram chamados de “assassinos de fetos”. Gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros estão sempre na mira, como os episódios homofóbicos e o assassinato de LGBTs nos últimos anos mostraram. Feminismo e feministas, em algumas páginas do Facebook, viraram palavrões.

A tentativa acaba de ser reeditada com os protestos contra a palestra da filósofa americana Judith Butler no SESC, em São Paulo. Ela participará do ciclo de debates intitulado Os fins da democracia, entre 7 e 9 de novembro. Acusam-na, vejam só, de “inventar a ideologia de gênero”. A vergonha alheia só não é maior porque quem tem um presidente como Donald Trump é capaz de entender em profundidade tanto o oportunismo quanto a burrice.

Mas, se as tentativas de monstrificar pessoas são constantes, há grupos organizados para defender os direitos das mulheres sobre o seu corpo e para denunciar a homofobia e a transfobia. E estes grupos não permitem mais a conversão de seus corpos em monstruosidades e de seus direitos em monstruosidades. Nestes campos, há resistência. E ela é forte.

Qual é, então, o monstro mais monstro deste momento histórico, o monstro indefensável? O pedófilo, claro. Quem vai defender um adulto que abusa de crianças? Ninguém.

Mas há um problema. Os pedófilos não andam por aí nem são uma categoria. A maioria, aliás, como as estatísticas mostram, está dentro de casa ou muito perto dela. Ao contrário de muitos que apontam o dedo diante de museus, eu já escutei vários pedófilos reais como repórter. E posso afirmar que são humanos e que a maioria sofre. E posso afirmar também que uma parte deles foi abusada na infância. Posso afirmar ainda que nem todos sofrem, mas todos precisam de ajuda. Ajuda que, aliás, eles (e elas) não têm.

Como então criar uma epidemia de pedofilia sem pedófilos disponíveis? Fabricando pedófilos. Espelhando-se em Hitler e criando uma “arte degenerada”. Manipulando todos os temores ligados à sexualidade humana. E manipulando especialmente uma ideia de criança pura e de infância ameaçada.

Como criar uma epidemia de pedofilia sem pedófilos disponíveis? Espelhando-se em Hitler e criando uma “arte degenerada”

A infância está, sim, ameaçada. Mas pela falta de investimento em educação e em saúde, pela destruição da floresta amazônica e pela corrosão das fontes de água, pela contaminação dos alimentos, pela destruição dos direitos que não terão mais quando chegarem à vida adulta. São estas as maiores ameaças contra as crianças brasileiras de hoje – e não falsos pedófilos em museus.

As crianças e seu futuro, aliás, estão ameaçados porque há menos museus do que deveria, menos centros culturais do que deveria e muito menos acesso aos que ainda existem do que seria necessário. Estas são as ameaças reais à infância deste momento do Brasil.

Nenhum dos artistas acusados de pedofilia ou de estimular a pedofilia é pedófilo. Mas quando provarem isso na justiça, caso dos que estão sendo investigados, sua vida ou uma parte significativa dela já foi destruída. E quem se responsabilizará pela destruição de uma vida humana? Quem se responsabilizará pelo ataque à cultura, já tão maltratada neste país?

Você, que grita e aponta o dedo e o celular, fabricando falsificações, precisa se responsabilizar pelas vidas que destrói

Você, que grita e aponta o dedo e a câmera do celular, destruindo vidas e fabricando falsificações, precisa se responsabilizar pelos seus atos. Porque vidas humanas estão sendo destruídas de fato. E são as daqueles que estão sendo acusados injustamente de serem o que a humanidade definiu como “monstros”. E é a vida de todos nós que teremos ainda menos acesso à cultura num país em que sobram muros e presídios, mas faltam escolas, centros culturais e museus.

4) Por que manipular os tabus relacionados à sexualidade é uma forma eficiente de criar uma base eleitoral?

Como fazer para criar uma base eleitoral que vote naqueles que acabaram de espoliá-la? Apele para a moralidade. Não há maneira mais eficiente de fazer isso que manipular os temores que envolvem a sexualidade. Os exemplos históricos são infinitos. Quem controla a sexualidade controla os corpos. Quem controla os corpos controla as mentes. Quem controla as mentes leva o voto para onde quiser. E também arregimenta apoio para projetos autoritários.

De repente, uma parcela de brasileiros, incitada pelas milícias de ódio, decidiu que a nudez humana é imoral. E fabricaram uma equação esdrúxula: corpo adulto nu + criança = pedofilia. Pela lógica, se esse pessoal fosse a Florença, na Itália, tentariam destruir a machadadas o Davi de Michelangelo, porque ele tem pinto.

Quem controla a sexualidade, controla os corpos. Quem controla os corpo e as mentes, leva o voto para onde quiser

Não há registro de que as milhões de crianças que tiveram o privilégio de ver a estátua ao vivo, levadas por pais ou por professores em visitas escolares, tenham se sentido sexualmente abusadas ou tenham vivido algum trauma. Mas há inúmeros registros de crianças traumatizadas na infância pela repressão à sexualidade inerente aos humanos.

Crianças têm pênis, crianças têm vagina, crianças têm sexualidade. É lidando de modo natural com essa dimensão da existência humana que se forma adultos capazes de respeitar a sexualidade, o desejo e a vida do outro. É conversando sobre isso e não reprimindo que se forma adultos capazes de respeitar os limites impostos pelo outro na experiência sexual compartilhada. É informando e não desinformando sobre essa dimensão da existência humana que se forma adultos que não se tornarão abusadores de crianças.

5) Por que a arte e os artistas são os alvos do momento?

A decisão que o Museu de Arte de São Paulo (MASP) tomou, de proibir a exposição Histórias da Sexualidade, aberta em 20 de outubro, para menores de 18 anos, é uma afronta à arte – e uma afronta à cidadania. É compactuar com o oportunismo das milícias de ódio. É aceitar que nudez e pornografia são o mesmo. É destruir a ideia do que é uma exposição de arte. E é, principalmente, abdicar do dever ético de resistir ao obscurantismo. Do mesmo modo, foi abjeta a decisão do Santander Cultural de encerrar a exposição Queermuseu depois dos ataques.

Os oportunistas e seu projeto de poder vencem e o pior acontece pelas concessões e recuos de instituições que têm a obrigação de resistir

Que uma turba incitada por milícias de ódio ataque exposições de arte é lamentável. Mas que as instituições se dobrem a elas é ainda pior. A resistência é necessária justamente quando é mais difícil resistir. É pelas fissuras que se abrem, pelas concessões que são feitas, pelos recuos estratégicos que os oportunistas e seu projeto de poder vencem e o pior acontece. Também isso a história já mostrou. Não é hora de se dobrar. É hora de riscar o chão e resistir.

Por que a arte e os artistas? Esta é uma pergunta interessante. Mesmo que isso não seja óbvio para todos, é a arte que expande a nossa consciência mais do que qualquer outra experiência, justamente por deslocar o lugar do real. Ao fazer isso, ela amplia a nossa capacidade de enxergar além do óbvio – e além do que nos é dado a ver. Não há nada mais perigoso para a manutenção dos privilégios e do controle de poucos sobre muitos do que a arte.

A arte é o além do mundo que, depois de nos tirar do lugar, nos devolve ao lugar além de nós mesmos. Somos, a partir de cada experiência, nós e além de nós. Esta é uma vivência transgressora e à prova de manipulações. E esta é uma vivência profundamente humana, como mostram as pinturas encontradas nas cavernas deixadas por nossos ancestrais pré-históricos. Por isso não é por acaso que regimes de opressão começaram com ataques contra a arte e os artistas.

Não há nada mais perigoso para a manutenção dos privilégios e do controle de poucos sobre muitos do que a arte

Ao literalizar a arte, interpretando o que é representação como realidade factual, assassina-se a arte. Quando Salvador Dalí faz um relógio derretido em uma paisagem de sonho, ele não está afirmando que relógios derretidos existem daquela maneira nem paisagens como aquela podem ser vistas no mundo de fora, mas está invocando outras realidades que nos habitam e que vão provocar reflexões diferentes em cada pessoa. Literalizar a arte é uma monstruosidade que tem sido cometida contra obras e artistas desde que o cotidiano de exceção se instalou no Brasil.

O outro motivo é mais prosaico. Artistas podem ser muito populares e influenciadores do momento político. A admiração pela obra seguidamente é transferida para a pessoa. E por isso essa pessoa, quando fala e opina, é ouvida. É nesta chave que pode ser compreendida a tentativa de destruição de Caetano Veloso, acusando-o de pedofilia por ter tido relações sexuais com sua mulher, Paula Lavigne, quando ela tinha 13 anos.

Essa história é conhecida há décadas, pela voz da própria Paula. Mas só agora despontou colada a uma acusação de pedofilia. Caetano Veloso é um dos artistas que mais se posiciona politicamente no Brasil atual. Recentemente, foi Paula Lavigne que liderou uma reação dos artistas a um dos ataques de Temer e da bancada ruralista contra a floresta amazônica. Minar a influência de ambos, assim como a sua vontade de se posicionar e manifestar-se por medo de mais ataques, é uma estratégia. Afinal, quem ouviria a opinião política ou as denúncias feitas por um “pedófilo”? Por mais que se lute, e poucos têm tantas condições de resistir como Caetano Veloso e Paula Lavigne, uma acusação deste porte costuma deixar marcas internas.

6) Quem são os políticos e as religiões que se aliam aos fabricantes de pedófilos com o olhar fincado em 2018?

Quando o momento mais agudo da disputa passar, se passar, haverá muitos mortos pelo caminho. Em especial os invisíveis, aqueles que terão medo de tocar nos próprios filhos pelo temor de serem acusados de pedofilia, os professores que optarão por livros sem menções à sexualidade para não correrem o risco de serem linchados por pais enlouquecidos e demitidos por diretores pusilânimes, as pessoas que cada vez mais têm medo de se contrapor à turba, os artistas que preferirão não fazer. E os que deixarão o Brasil por não suportar os movimentos brasileiros livres de inteligência ou temerem por sua vida diante dos odiadores. As marcas invisíveis, mas que agem sobre as funduras de cada um, são as piores e as mais difíceis de serem superadas.

Quando a gente via no cinema as turbas enlouquecidas assistindo às execuções medievais como se fossem uma festa, gritando por mais sangue, mais sofrimento, mais mortes, era possível pensar que algo assim já não seria possível depois de tantos séculos. Mas mesmo que as fogueiras (ainda) não tenham sido acesas, o que se vive hoje no Brasil é muito semelhante.

Os pedófilos de hoje são as bruxas de ontem. E são tão pedófilos quanto as bruxas eram bruxas

Os pedófilos de hoje são as bruxas de ontem. E são tão pedófilos quanto as bruxas eram bruxas. E as fogueiras começam na internet, mas se alastram pela vida. Há muitas formas de destruir pessoas. A crueldade é sempre criativa. E as milícias já deixaram um rastro de devastação. Vale tudo para cumprir o propósito de limpar o campo político para 2018.

Para isso, contam menos com a ala conservadora da Igreja Católica e mais com parte das igrejas pentecostais e neopentecostais, com o fenômeno que se pode chamar de “fundamentalismo evangélico à brasileira” e sua crescente influência política e também partidária. Quem acompanha grupos de WhatsApp dos fieis fundamentalistas recebe dia após dia vídeos de pastores falando contra a arte e a pedofilia. A impressão é que o Brasil virou Sodoma e Gomorra e que um pedófilo saltará sobre seu filho, neto ou sobrinho assim que abrir a porta da casa. Grande parte destas pessoas – e isso não é culpa delas – jamais teve acesso a um museu ou a uma exposição de arte.

As articulações que estão sendo feitas para 2018 são cada vez mais fascinantes, não fossem assustadoras. Na apresentação do artista Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), realizada em 26 de setembro, o coreógrafo fazia uma interpretação de Bicho, uma obra viva de Lygia Clark, constituída por uma série de esculturas com dobradiças que permite que as pessoas saiam do lugar de espectadoras passivas e se tornem parte ativa da obra. Nesta leitura de Bicho, que resultou em ataques de ódio, o coreógrafo, nu e vulnerável, podia ser tocado e colocado em qualquer posição pela plateia. Um vídeo divulgado pela internet mostrando uma criança tocando o performer, devidamente acompanhada por sua mãe, foi o suficiente para protestos de ódio. O artista foi chamado de “pedófilo” – e o museu foi acusado de incentivar a pedofilia.

Observe bem os dois políticos que se alçaram a protetores das crianças brasileiras ameaçadas pela arte: João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC)

Vale a pena observar quem foram os dois candidatos a presidenciáveis que se manifestaram por meio de vídeos divulgados na internet: João Doria(PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC). Doria, que gosta de posar como culto e cidadão do mundo, mostrou mais uma vez até onde pode chegar em sua luta pelo poder. Classificou a coreografia como “cena libidinosa”. Afirmou que a performance “fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e, ao ferir, ele está cometendo uma impropriedade, uma ilegalidade, e deve ser imediatamente retirado, além de condenado”. E aplicou o bordão: “Tudo tem limites!”.

Doria, o protetor das crianças brasileiras, dias atrás anunciou (e depois das críticas recuou momentaneamente) que incluiria um “alimento” feito com produtos próximos do vencimento na merenda escolar das crianças de São Paulo.

Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército e em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para 2018, vociferou: “É a pedofilia!”. E, em seguida: “Canalhas! Mil vez canalhas! A hora de vocês está chegando!”. Justamente ele, que não se cansa de repetir que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos assassinos da ditadura, é o seu herói.

Ustra, apenas para lembrar de um episódio, levou os filhos de Amélia Teles, presa nos porões do regime, para que vissem a mãe torturada. Amelinha, como é mais conhecida, estava nua, vomitada e urinada. Seus filhos tinham quatro e cinco anos. A menina perguntou: “Mãe, por que você está azul?”. A mãe estava azul por causa dos choques elétricos aplicados em todo o seu corpo e também nos genitais. Este é o farol de Bolsonaro, o protetor das crianças brasileiras.

7) Como parte do empresariado nacional se articula com os ataques à arte enquanto apoia o retrocesso em nome do lucro?

Nenhuma distopia foi capaz de prever o Brasil atual. Parte da explicação pode ser encontrada no artigo de Flávio Rocha, presidente do Riachuelo, um dos principais grupos do setor têxtil do país, e vice-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), publicado na página de Opinião do principal jornal brasileiro, em 22 de outubro. No texto, intitulado “O comunista está nu”, o empresário ressuscita a ameaça do comunismo, discurso tão presente nos dias que antecederam o golpe civil-militar de 1964, que mergulhou o Brasil numa ditadura que durou 21 anos. O empresário escreveu este texto, vale lembrar, num Brasil tão à direita que até a esquerda foi deslocada para o centro. Diz este expoente da indústria nacional:

“O movimento comunista vem construindo um caminho que, embora sinuoso, leva ao mesmo destino: a ditadura do proletariado exaltada pelo marxismo. (…) Nas últimas semanas assistimos a mais um capítulo dessa revolução tão dissimulada e subliminar quanto insidiosa. Duas exposições de arte estiveram no centro das atenções da mídia ao promoverem o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu, tudo inadequado para a faixa etária. (…) São todos tópicos da mesma cartilha, que visa à hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo. Ante tal estratégia, Lênin e companhia parecem um tanto ingênuos. À imensa maioria dos brasileiros que não compactua com ditaduras de qualquer cor, resta zelar pelos valores de nossa sociedade”.

A indigência intelectual de uma parcela significativa da elite econômica brasileira só não é maior do que o seu oportunismo

A indigência intelectual de uma parcela significativa da elite econômica brasileira só não é maior do que o seu oportunismo. É também parte da explicação da face mais atrasada do Brasil. É ainda um constrangimento, talvez uma falha cognitiva. Mas certo tipo de empresário está aí, pontificando em arena nobre. Sem esquecer jamais que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) de Paulo Skaf apoiou diretamente os movimentos que lideraram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff , tornando-se uma das principais responsáveis pela atual configuração do governo corrupto que está no poder.

Há algo interessante sobre Flávio Rocha, esse personagem amigo de João Doria e, como o prefeito de São Paulo, apoiado pelo MBL. Como mostrou reportagem da Repórter Brasil, uma das fontes sobre trabalho escravo mais respeitadas do país, o grupo Riachuelo tem sido acusado nos últimos anos por abusos físicos e psicológicos de trabalhadores. Flávio Rocha, como já demonstrou, é um dos interessados em “flexibilizar” a legislação e a fiscalização. Para isso, conta com o apoio do MBL, que chegou a convocar um protesto contra o Ministério Público do Trabalho em Natal, no Rio Grande do Norte.

Em 16 de outubro, o governo Temer publicou uma portaria, claramente inconstitucional, que reduz os casos que podem ser enquadrados em trabalho escravo. O problema é gravíssimo no Brasil, que ainda convive com situações de escravidão contemporânea. Hoje, a portaria está temporariamente cassada por liminar concedida pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do partido Rede Sustentabilidade. Restringir o combate à escravidão foi parte do pagamento de Michel Temer aos deputados que o absolveram na semana passada e às oligarquias que representam. Estes “liberais” querem voltar a escravizar livremente. E estão conseguindo.

Mas, claro, o problema do Brasil são os pedófilos em museus. E, como o presidente do grupo Riachuelo tem a gentileza de nos alertar, a volta dos comunistas que comem criancinhas.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum

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Só dói quando eu rioHumor,Políticos,Duke,Blog do Mesquita
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” Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves da alma.”
( Cora Coralina )

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Não sou somente eu quem “pastora”, há anos, as maquinações do tesoureiro da NWO. As ONGs no Brasil e na Amazônia – 125mil somente na Amazônia – cerca de 80% são financiadas por ele através da “Open Society Foundation”. Tanto as de “esquerda” como as de “direita” atuam conforme o decidido lá em 1944 na Conferência de Bretton Woods, USA. Da TFP ao MST. Dos Patos aos Mortadelas. Imaginem o quanto ele atua no bordel do Congresso Nacional.

No total, ele apoia mais de 500 organizações ao redor do mundo e doou nas últimas duas décadas uma estimativa de 11 bilhões de dólares a à diversas organizações. Todas existem para gerar o caos nas nações. “Divide & Conquer”.

Soros é um dos maiores defensores das benesses da imigração para a economia europeia. Aí os tolos acreditam que os “barbudins” se explodem em busca do paraíso com 70 virgens e rios de mel – aliás tal paraíso não existe no Corão.

Soro contola diretamente e financia;
Open Society Fondation;; Univ.Centro Européia;Quantum Group of Founds;Soros Fund Management; MoveON;International Crisis Group;Democracy Alliance;Black Lives Matter;The Center for American Progress;America Coming Together;The Pro-Marijuana Drug Policy Aliance;Zimbabwe`s Movevent for Democratic Change;The Georgian Open Society Foundation.

Acessem o site da arapuca do Soros para terem uma ideia da capilaridade de atuação do Húngaro-Americano, o manipuladorr da Desordem Mundial, a serviço do Globalismo.
https://www.opensocietyfoundations.org/

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Como confiar num judiciário – siiiiiiim. Há quem o faça – que recebe como “punição” aposentadoria com salário integral?
E também há Tapuias que acreditam ainda que justiça é igual para todos.
“CNJ condena juízes que fraudaram precatório bilionário. O Conselho aplicou a pena máxima: aposentadoria compulsória.
CNJ condena juízes que fraudaram precatório bilionário. Conselho aplicou a pena máxima: aposentadoria compulsória”
Só perguntando a visceral opinião de Golfado, meu vomitador oficial.

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Exército Brasileiro em patrulhamento na floresta

Tropas do Brasil, Peru e Colômbia iniciaram uma operação de treinamento conjunto para atuar em emergências humanitárias na cidade brasileira de Tabatinga, no Estado do Amazonas, nesta segunda-feira. A ação conta com o apoio dos Estados Unidos.

Segundo o Ministério da Defesa do Brasil, este é um ótimo exercício logístico “sem precedentes na América do Sul”, que acontecerá até 13 de novembro na fronteira tripla entre o Brasil, a Colômbia e o Peru.

Estes exercícios, denominados AmazonLog17, terão a participação de 1.940 soldados, dos quais 1.550 são brasileiros e “observadores militares de nações amigas”, de acordo com o ministério.

A Colômbia envia 150 militares, o Peru outros 120 e os EUA cerca de trinta soldados, enquanto países como Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão terão menos de dez representantes cada.

A maioria dos exercícios envolvem transporte, logística, manutenção, evacuação e engenharia em caso de catástrofes. Durante o treinamento serão realizadas simulações relacionadas aos sistemas de ferimento e evacuação da área.

Ministro Raul Jungmann
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O centro de operações será a Base Integrada de Logística Multinacional, a partir da qual serão coordenados os Problemas Militares Simultâneos e as ações com tropas e meios, que constituem a dinâmica de execução do exercício multinacional.

Além dos exercícios militares, haverá também uma ação cívico-social para beneficiar a população local, além de visitas médicas e dentárias fornecidas pelo Hospital da Campanha.

E não é só: de acordo com o Exército brasileiro, o evento deixará um legado nesta pequena cidade de 20 mil habitantes localizada no meio da Amazônia.

Em face do evento, uma parte da rede elétrica foi melhorada e a área onde os exercícios estão centralizados pode se tornar um parque público no futuro.

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Arquitetura – EscadasArquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1Arquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1 Arquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1

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Dinheiro está sobrando na Prefeitura do Rio de Janeiro.
Os gastos do “santo” Crivella
Apesar das frequentes queixas de problemas financeiros no caixa do município, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (), ganhou o direito de gastar mais em suas viagens ao exterior.

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Blog do Mesquita,Mortadela

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Fotografia de Hanni Juni de Kuching,Malasya,2017
Bagan in the morning,Hanni Juni de Kuching,MalasyaArte,Fotografia,Bagan in the morning,Hanni Juni de Kuching,Malasya,2017

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ResistênciaResistência,Blog do Mesquita

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Criaturas “ariadas” ponham a funcionar o meio neurônio que possuem.
Criatura 1 – Não estou aqui argumentando sobre a competência do jornalista, mas a serviço de quem e do que essa competência está a serviço.
Criatura 2 – “Ah!, mas ele não é racista. Foi só uma maneira jocosa de se expressar”. Foi né? Jocosa né?
Já ouviste falar em um tal de Freud? Em ato falho? Não né? Então tá.

Fatos & Fotos – 20/10/2017

“É estranha a facilidade com a qual os maus creem no êxito das suas maldades.”
Victor Hugo

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A pergunta é; Quem perdeu com o Impeachment?
Os que fecharam seus negócios, os que perderam emprego, os que perderam a condição de morar e comprar comida.
Os esquerdopatas, que fizeram tanto barulho rinchando “é golpe”, continuam em suas boas vidas, cargos e mandatos, com mordomias quais às da “Nomenklatura Soviética”, e que até aumentaram o ganho de popularidade, fingem, com o cinismo dos ladravazes que Lula, minha nossa, irá recuperar tudo. Os fascistas dos patos não lhes ficam atrás. Perderam até o cabo das panelas. Com a impunidades dos Lulas, Temers, Aécios, Renans, Jucás “et caterva”, nem o povo catequizado, nem a elite corporativa pendurada nas benesses dos BNDEs, REFIS e “boutades” outras fiscais, nem Zés nem Marias, os trabalhadores e “ninguéns”. Muito menos o país que está se esvaindo na combustão dos insensatos, têm a chance de renascer das cinzas como uma Fênix, pois já se lhe arderam as asas da dignidade.Sem teto,Brasil,Blog do Mesquita

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Mais um. PQP! STF concede HC para Nuzman. Quem foi mesmo que não compensa?

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Aqui no Bananil, diverso confunde histeria com ideologia.
Acham que fígado é lugar de neurônios – e usam as redes sociais não para argumentar, mas para ofender.
No meu espaço não censuro. Até para expor os linchadores digitais.
Eles ameaçam dizendo que vão descurtir a página. Se você faz esse perfil, não pense duas: nunca encontrará, pelo menos da minha parte, qualquer estímulo para ficar na página.
Já quem diverge, critica, aponta erros, argumenta, são bem-vindos.Comportamento,Blog do Mesquita,Cérebro,Inteligência

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Futuristas relacionam crise no jornalismo com risco a democracias

O futuro do jornalismo tem sido tema de muitos debates, mas poucas empresas de comunicação têm envolvido suas equipes em planejamento ou tomado ações concretas para sobreviver às mudanças, cada vez mais impactantes, da Era da Informação Digital. A constatação é de uma pesquisa feita pelo Future Today Institute, divulgada no encontro anual da Online News Association, em Washington (DC) no início de outubro.

A preocupação com o futuro pessoal é bem mais frequente entre os jornalistas (94%) que a média da população dos Estados Unidos (32%), mas quase 70% dos profissionais que atuam em organizações dos Estados Unidos, Canadá, América Latina, Europa e Sudeste Asiático consultados na pesquisa disseram que não há nas redações um monitoramento efetivo de tendências tecnológicas que podem impactar a produção e distribuição de notícias além dos próximos 5 ou 10 anos.

O levantamento constatou que a maioria dos gestores, supostamente com maiores responsabilidades estratégicas, têm se concentrado em resolver questões de impacto imediato, como escassez de recursos e manutenção de equipes.

Não é possível considerar a modelagem do futuro da mídia sem intervenções no presente. É consenso entre os futuristas que os dados pessoais, capturados pelas diversas plataformas, vão se tornar ainda mais valiosos (data = next oil). Que computadores e smartphones tendem a se tornar cada vez mais “vestíveis”. Que sistemas que usam “Machine Learning” vão ser capazes de tomar decisões lógicas com muita rapidez, mas ainda estarão sujeitos a equívocos graves. E especialmente, que apenas 9 grandes empresas de tecnologia, com evidentes vantagens no uso da Inteligência Artificial, tendem a controlar toda a distribuição de notícias no planeta.

IMPACTOS

Os pesquisadores buscam estabelecer conexões entre inovações tecnológicas capazes de gerar tendências e a partir delas, construir cenários para o futuro do jornalismo tanto do ponto de vista da empresas quanto da sociedade.

Porque Jornalistas deveriam se preocupar com Visual Computing?

Visual Computing é uma tecnologia que pode equipar ferramentas capazes de reconhecer e distinguir pessoas, objetos, lugares em vários contextos. Tende a se popularizar pelo uso em vários tipos de dispositivos. Desde satélites (na órbita da Terra) menores e mais baratos a equipamentos portáteis capazes de análises detalhadas, com aplicações na saúde, psicologia, marketing, segurança, etc… Tem sido implantado na China, com grande apoio do governo, preocupado com o controle social. A tecnologia tem potencial para contribuir na produção e na interação do público com o conteúdo.

Cenário otimista

Ponto de vista do Jornalismo: Visual Computing se torna uma poderosa ferramenta para produção de matérias jornalísticas. É usado também como plataforma de distribuição. Organizações de notícias desenvolvem um modelo de negócios para tornar o noticiário mais visual, atraente e sustentável.

De ponto de vista da Sociedade: os pesquisadores encontram solução para o jornalismo tendencioso.
Tudo o que podemos ver poderá ser pesquisado e confirmado. Compreenderemos melhor o mundo e tomaremos melhores decisões.

Cenário Pragmático

Do ponto de vista do Jornalismo: as organizações de notícias não terão um modelo de negócios que incorpore as ferramentas de Visual Computing. A distribuição de notícias fica ainda mais difusa, tornando mais difícil sustentar as empresas de comunicação. Algumas abandonam o negócio.

Do ponto de vista da Sociedade: o jornalismo tendencioso se generaliza. Continuaremos ensinando computadores a reconhecer e aprender a partir de estereótipos. Advento de discriminação digital generalizada. As empresas prometem melhorar os algoritmos, mas muito poucas mudanças serão constatadas.

Cenário Catastrófico

Do ponto de vista do Jornalismo: Visual Computing conquista o mercado. As empresas de comunicação não possuem um modelo comercial pronto. Eles perdem anunciantes e market share para novas plataformas de notícias com mais recursos tecnológicos e visuais. Jornalistas desempregados.

Do ponto de vista da Sociedade: se tornará ainda mais difícil detectar notícias falsas em função da proliferação de novos recursos de sabotagem de conteúdo. Máquinas, treinadas a partir de estereótipos horríveis, agora tomam decisões que afetam nossas vidas.

Modelo probabilístico
😄 Cenário Otimista = 0%
😐 Cenário Pragmático = 70%
😢 Cenário Catastrófico =30%

Porque jornalistas deveriam se preocupar com Interface de Voz?

Porque 50% das pessoas em países industrializados que interagem com computadores usarão voz até 2021. Em muito pouco tempo as pessoas estarão depositando muita confiança nas máquinas e serão os algoritmos a tomar decisões por nós. Nesse contexto há risco de que marcas de organizações de comunicação deixem de participar do diálogo.

Cenário Otimista

Do ponto de vista do Jornalismo: as organizações de notícias investem e priorizam interfaces de reconhecimento de voz em todas as unidades de negócios. Os gestores começam a testar e trabalhar com modelos comerciais radicalmente diferentes. As empresas de comunicação prosperam com a popularização dessas interfaces praticamente “invisíveis”.

Do ponto de vista da Sociedade: os jornalistas desenvolvem formas de autenticar o vídeo antes de distribuí-lo. Facebook, Google e Twitter desenvolvem sistemas de autenticação, rejeitam ou bloqueiam vídeos falsos. As pessoas ficam mais bem informadas.

Cenário Pragmático

Do ponto de vista do Jornalismo: as organizações de notícias continuam a lançar ferramentas com interfaces de voz, mas não desenvolvem uma estratégia de negócios para esse recurso. Uma vez que as grandes corporações tecnológicas dominam as interfaces, as empresas de comunicação tendem a perder receitas rapidamente.

Do ponto de vista da Sociedade: como as grandes corporações tecnológicas não se preocupam em estabelecer parcerias reais com as empresas de comunicação tradicionais, notícias falsas proliferam e repórteres são enganados. A confiança no jornalismo cai, a desinformação se generaliza a sociedade civil entra em tensão.

Cenário catastrófico

Do ponto de vista do Jornalismo: as empresas de comunicação nunca desenvolvem um modelo de negócios para a era das interfaces invisíveis. Elas não encontram uma maneira razoável de monetizar seu conteúdo. Falência generalizada; jornalistas sem trabalho.

Do ponto de vista da Sociedade: notícias falsas enganam e influenciam líderes globais. Distúrbios generalizados, confusão, violência. A opinião pública está mal informada. Acabamos em uma guerra cibernética ou nuclear.

Modelo Probabilístico:
😄 Cenário Otimista = 0%
😐 Cenário Pragmático = 80%
😢 Cenário Catastrófico= 20%

Porque jornalistas do futuro deveriam se preocupar com a qualidade das notícias?

Porque velocidade da apuração é incongruente com a qualidade, especialmente nesta era da aprendizagem de máquinas.Os sistemas de distribuição modernos foram construídos para priorizar a velocidade, e não a precisão do conteúdo jornalístico. E é preciso considerar nesse contexto outros fatores que podem influenciar a produção de conteúdo.

Nos próximos 10 anos as plataformas digitais e os distribuidores de conteúdo enfrentarão iniciativas de regulamentação governamental que podem estimular ainda mais a tendência de estabelecimento das chamadas “splinternets”, espécie de barreira tecnológica que pode filtrar a experiência de uso e acesso a conteúdos da internet a partir de questões políticas, ideológicas, comerciais, segurança, etc. Outro impacto importante é o da adoção de novos protocolos digitais e descentralizados para validar relações comerciais, como o blockchain.

Cenário Otimista

Do ponto de vista do Jornalismo: as organizações de notícias se unem e firmam posição quanto aos valores de verificação e a transparência.
As empresas de comunicação reconquistam participação no mercado, os consumidores pagam pelo acesso, a indústria de mídia se tornar sustentável.

Do ponto de vista da Sociedade:

As “splinternets” são evitadas. Os ciclos de produção e distribuição de notícias é reduzido para uma taxa mais razoável. Os consumidores consomem muito menos notícias falsas. A humanidade está mais bem informada.

Cenário Pragmático

Do ponto de vista do Jornalismo: o ciclo de produção e distribuição de notícias acelera.
Os jornalistas gastam o mesmo tempo na correção de registros de informações quanto da produção de novos conteúdos.

Do ponto de vista da Sociedade: a confiança na mídia — toda — desmorona. As splinternets regionais tornam-se uma coisa real. Google e Facebook gastam centenas de milhões de dólares para desenvolver sistemas regionais. Erros são cometidos. Notícias falsas aumentam.

Cenário Catastrófico

Do ponto de vista do Jornalismo: as organizações de notícias perdem participação de mercado para startups que publicam notícias com alta frequência. As notícias geradas por máquinas, a partir de sentimentos e outros detalhes captados do público tornam-se padrão. Colapso das organizações de notícias.

Do ponto de vista a Sociedade: os distribuidores não conseguem lidar com um sistema global de “splinternets“. Os sistemas se demonstram vulneráveis a ataques. Campanhas de desinformação se generalizam. A democracia se desmorona.

Modelo Probabilístico
😄 Cenário Otimista = 0%
😐 Cenário Pragmático = 50%
😢 Cenário Catastrófico = 50%

Diante da adesão nula aos prognósticos otimistas, a especialista Amy Webb, CEO do Future Today Institute, fez questão de enfatizar que a boa notícia é que os cenários projetados não ocorreram ainda. Espera-se que possam ser modificados a partir de novas ideias, mas principalmente pelo engajamento em ações concretas e decisões de cada indivíduo (não apenas de profissionais de comunicação) disposto a se posicionar diante dos valores que deseja preservar no futuro.

Reberson Ricci Ius é jornalista de TV e Mídias Digitais, consultor de Gestão de Comunicação e Estratégias de Conteúdo na plataforma Arbache Innovations.

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Só dó quando eu rioAécio,Corrupção,Humor,Nani,Blog do Mesquita

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Será que é da gênese da raça? Independente de quem, como e onde? O Bananil exporta corrupção até em batinas. Chiquinho – o colérico manso – em operação Lava-Cáligas* – despacha Cardeal Tapuia que, qual um Eduardo Cunha Curial, cometia estripulias nada santificadas no Banco do Vaticano.
Blog do Mesquita,Falsidade
*A grafia é essa mesma.
O Sr. Gilmar Mendes diz que, “apesar de trabalhar arduamente, não me acho escravo”. Bravo ex-celência! Realmente não és escravo.
Escravos somos nós, os Tapuias, que trabalhamos como tal, para sustentar as mordomias e ineficiências e judicatura politiqueira.Gilmar Mendes,STF,Justiça,Brasil,Blog do Mesquita

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Fatos & Fotos – 19/10/2017

O homem, perante a noite, abate-se, ajoelha-se, prosterna-se, atira-se ao chão, arrasta-se para um covil ou busca asas. Quase sempre quer evitar a presença do desconhecido. Victor Hugo

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“Você acha que pobre tem hábito alimentar? Ele tem que dar graças a Deus”
João Prefake Dória sobre a ração processada que pretende servir aos pobres.

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Trabalho escravo,Brasil,Blog do Mesquita

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CCJ da Câmara opta por permanecer na lama.

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Lava jato serve para chantagens que protegem Temer

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PMDB), e o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PMDB), e o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer JOÉDSON ALVES EFE

No momento mais crítico da investigação, a Operação Lava Jato deixou de oferecer risco e virou uma oportunidade para o Congresso. Essa é a avaliação de especialistas entrevistados pelo EL PAÍS sobre a nova vitória do presidente Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Nesta quarta-feira, Temer obteve 39 votos favoráveis e 26 votos contrários ao relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), pelo arquivamento da segunda denúncia contra o presidente.

Parecia um momento grave. Pela primeira vez na história, um presidente da República foi denunciado no Brasil no exercício do cargo. Temer quebrou esse recorde duas vezes, com duas denúncias. Nesta segunda denúncia, Temer é acusado de obstrução de Justiça e de chefiar a organização criminosa composta pelo PMDB na Câmara dos Deputados.

Mas as denúncias contra Temer viraram apenas um atalho para parlamentares barganharem benesses do governo federal. Em troca da blindagem, com a rejeição da abertura de ação penal no Supremo Tribunal Federal durante o mandato presidencial, Temer concedeu diversas vantagens aos parlamentares. Nas últimas semanas, Temer afrouxou regras da fiscalização ao trabalho escravo por meio de uma portaria, negociou mais de 200 milhões de reais em emendas orçamentárias e se empenhou na derrubada das medidas cautelares contra o senador Aécio Neves (PSDB), de acordo com parlamentares de oposição.

Esse atalho ficou ainda mais fácil depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu na semana passada que quaisquer medidas cautelares da corte contra parlamentares, como o afastamento do mandato ou a prisão, precisam ser referendadas pelo Congresso.

O arquivamento da segunda denúncia contra Temer ainda precisa ser confirmado no plenário da Câmara. Mas a expectativa do governo é de vitória. A primeira denúncia foi arquivada por 41 votos a 24 na Comissão de Constituição e Justiça e, no plenário, por 263 votos favoráveis à blindagem de Temer contra 227 que defenderam a abertura de ação penal.

Tanto na primeira vitória de Temer como neste segundo triunfo, o custo da vitória de Temer deve recair para a população, seja pelo preço no uso do orçamento público para emendas e benesses do governo federal a parlamentares, como para a sociedade como um todo que volta algumas casas em avanços sociais conquistados nas últimas décadas.

Nas discussões dos parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça, predominaram defesas de Temer como se essa blindagem ao presidente garantisse a recuperação da economia ou como se as denúncias não tivessem provas de crimes. Todos argumentos considerados falsos e rejeitados pela oposição. O deputado Alessandro Molon (REDE-RJ) foi um dos que defendeu a abertura de ação penal contra o presidente e seus aliados. “Temer e seus ministros precisam ser processados por seus crimes”, afirmou.

Mas integrantes da bancada na mira da Operação Lava Jato se juntaram à tropa de choque de Temer e a outros alvos de investigações. É o caso de Arthur Lira (PP-AL), réu na operação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, que votou pelo arquivamento da segunda denúncia, assim como Luiz Fernando Faria (PP-MG) (acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro), e também Paes Landim (PTB-PI), e Beto Mansur (PRB-SP), investigados pelo recebimento de doações irregulares. Todos eles votaram pelo arquivamento da denúncia.

Até o deputado Paulo Maluf (PP), condenado no Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro e velho sobrevivente de escândalos de corrupção, deu o ar da graça, elogiando o relatório de Andrada que blindou Temer. “É um primor”, afirmou. Não faltou quem defendesse a blindagem de Temer pela “estabilidade” do país. “Querem destituir o presidente há um ano das eleições para causar mais caos, sofrimento e instabilidade no país. Mas o povo não aguenta mais”, afirmou o deputado Pastor Franklin (PP).

Discursos empolados, dois pesos e duas medidas, benesses negociadas pela salvação de Temer, nada difere da história do Brasil desde o período colonial, avalia a historiadora Adriana Romeiro, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e autora do livro Corrupção e Poder no Brasil. “A impunidade sempre foi uma constante na história do Brasil. Nossas elites têm mais de 500 anos de aprendizado de ilegalidade e de impunidade. Vemos que práticas patrimonialistas ainda estão em vigor. A expectativa era que a Operação Lava Jato fosse um combate à corrupção”, afirmou.

Temer tinha alavancagem para se preservar da Operação Lava Jato com concessões a parlamentares, mas esse preço ficou cada vez caro. Depois das delações do doleiro Lúcio Funaro, antigo operador do PMDB, que também acusa Temer de envolvimento em crimes de corrupção, esse preço de sobrevida também aumentou. Para Christian Dunker, coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da Universidade de São Paulo e estudioso das relações de poder, o preço para Temer se manter no poder ficou ainda maior pela falta de legitimidade que ele enfrenta no cargo.

“É um sistema de chantagens mútuas em que quem está governando não tem poder de manobra para alterar as regras pelas quais o poder é redistribuído. Temer precisa pagar um preço cada vez mais alto e mais caro para obter o mesmo efeito. Isso explica também a falta de constrangimento de apresentar propostas com 3% de aprovação nas pesquisas”, afirma Dunker.

Para Dunker, a blindagem a Temer no Congresso, com a rejeição de abertura de ações penais, é também uma demonstração de como a legislação pode ser corrompida em prol de interesses particulares.  “A lei tem uma finalidade interessante, mas é instrumentalizada para corrupção”, avalia.

Na prática, a proteção da Câmara, com a rejeição de abertura de ações penais, apenas adia que Temer seja processado. Essa blindagem permite que ele só seja processado criminalmente, pelas mesmas acusações, depois do término do mandato presidencial. Temer ganha tempo, pode inclusive ficar mais perto da prescrição dos crimes e de novos entendimentos da Justiça. Mas os parlamentares ganham muito mais.
Daniel Haidar/ElPais

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Bananil; onde aparência é realidade, e onde a metafísica, mesmo após Kant, persiste como fogo de monturo.Leitão,Globo,Blog do Mesquita

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Reunião de eletrodomésticos

Aécio,Ronaldo,Hulk,Blog do Mesquita

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Arte – Pinturas – Hugh Bolton Jones – Landscape,1927

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Um ano depois do golpe na democracia podemos ver que o Brasil é pior e mais corrupto que nunca. Juízes que são militantes políticos, um congresso corrupto, um povo provinciano, classe média que ama o regime de castas e injustiça social fazem do Brasil um antro de cinismo, fascismo e atraso.Foto,Blog do Mesquita

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Noam Chomsky,Blog do Mesquita

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Eleições 2018 – Fotos que não permito que criem poeira.Aécio,Marina,Blog do Mesquita,Eleições 2018

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Aécio Neves e os 44 cúmplices do bordel.
E ninguém faz nada; ninguém reage. O que está acontecendo no Bananil?Aécio,Brasil,Políticos,Corrupção,Impunidade,Blog do Mesquita

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Hoje uma foto dessa é mais rara que retrato de sogra em carteira de genro.
Hoje uma foto dessa é mais rara que retrato de sogra em carteira de genro,Blog do Mesquita

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PT, PMDB e PSDB, terão uma surpresa bastante desagradável nas próximas eleições, a não ser que os brasileiros não tenham vergonha na cara.Vomitar,Blog do Mesquita,Corrupção,Eleições 2018,PT,PMDB,PSDB

Fatos & Fotos – 17/10/2017

Você é linda como uma flor
Vinícius de Moraes

Como uma jovem rosa, a minha amada…
Morena, linda, esgalga, penumbrosa
Parece a flor colhida, ainda orvalhada
Justo no instante de tornar-se rosa.

Ah, porque não a deixas intocada
Poeta, tu que es pai, na misteriosa
Fragrância do seu ser, feito de cada
Coisa tão frágil que perfaz a rosa…

Mas (diz-me a Voz) por que deixá-la em haste
Agora que ela é rosa comovida
De ser na tua vida o que buscaste

Tão dolorosamente pela vida ?
Ela é rosa, poeta… assim se chama…
Sente bem seu perfume… Ela te ama…

José Mesquita,Pinturas,Flores,2017,Acrílica sobre tela,030 x 034 cm,Ref.1704FLW26José Mesquita, Flores, 2017
Acrílica s/cartão – 021 x 029.3 cm – Disponível
José Mesquita Art Gallery

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Design Hot RoadDesign,Hot Roads,Blog do Mesquita

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Bom dia.

“O amor sendo cego, os enamorados não podem ver as loucuras que cometem.”
Shakespeare

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STF impedirá a prisão de Lula?

Prisão em segunda instância, do jeito que está a justiça, é cometer injustiças todos os dias. Prisão está clara na constituição, é só em trânsito em julgado. Contudo é evidente que a impunidade “faz parte do projeto” de justiça no Brasil.

O problema não é ‘só’ o STF… Amigos, nós vivemos numa republiqueta de 5ª categoria…não sejam tolos em defender uma ideologia(esquerda, direita, social democrata e e outras besteiras) nesse paizeco. Isso funciona em países desenvolvidos e com população culta. O que nós temos aqui são gangues que querem chegar ao poder e roubar o máximo possível. São ladões que usam uma nomenclatura para enganar você, bobinho.

Hoje está mais do que evidente o papel dos três poderes: desviar verbas, legislar em causa própria e se auto proteger.

A realidade é uma só. Ou a população se une e mostra nas ruas sua força ou infelizmente seguiremos com esta impunidade e privilégio da classe elitizada. Este STF que hoje temos é uma vergonha e já foi composto com este objetivo. Só não enxerga isso quem não quer.

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Fechem a porcaria do DNOCS e entreguem às FFAA
Exército Brasileiro conseguiu encontrar água ao perfurar um poço em Caicó,RN. A água jorrou com força e foi encontrada em um terreno onde atualmente funcionam várias creches que são abastecidas por carros pipas.

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Há muito tempo o STF testa a paciência dos brasileiros.

Não há como acreditar um corte que muda a jurisprudência conforme o réu. Em uma democracia o Judiciário não faz nem modifica leis, só executa as que o Legislativo escreve e aprova. Se o Brasil quiser reformar-se democraticamente, o único caminho para fazê-lo é através do Legislativo.

Pois é, Eike Batista ganhou as ruas já, Adriana Ancelmo está em seu amplo apartamento, Aécio pleiteando a liberdade, Renan, Jucá, Sarney livres, leves, soltos, Lula xingando Moro nas ruas, Temer na presidência… Brasil parado! O que teria tudo isso a ver com os mais de 16% de analfabetismo no Nordeste? Alagoas, com mais de 20%??? Essa corja acaba com o país, inclusive o STF!

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Ao permitir censura, Brasil tropeça na desinformação

Por Ricardo Resende Campos

A reforma política encaminhada para sanção presidencial tratou de vários temas entre eles propaganda na internet, regras sobre debates na televisão entre outras. Porém o mais polêmico o Art. 57 B § 6 dizia respeito a obrigatoriedade de exclusão de comentários ofensivos, notícias falsas e ofensas diretas a candidatos ou siglas pelas redes sociais. A regra em questão foi vetada pelo presidente, de forma acertada. Entretanto a real questão por detrás da polêmica é ainda pouco enfrentada no Brasil.

Certo é que os meios eletrônicos e sua utilização em massa têm causado transformações em quase todos os âmbitos da vida social. Eles transformam a forma como comunicamos, a forma como nos informamos, como consumimos, como somos diagnosticados, como nos relacionamos afetivamente etc.

Assim como a tecnologia e cultura da impressão moldou os tempos das grandes codificações e constituições do século XIX, o novo mundo digital também dará outros contornos à sociedade, forçando o direito a se adaptar às novas circunstâncias.

Tomemos o direito do trabalho como exemplo. Os meios digitais criaram novas categorias e instituições como a crowdsourcing. Trata-se de uma plataforma digital onde um problema é colocado à disposição para ser solucionado de forma competitiva ou colaborativa mediante remuneração.

Duas grandes diferenças para o mundo do trabalho offline: a relação de desempenho é anônima e o mercado alcançado não é nacional mas global, ou seja, não ficando limitada a certa jurisdição ou país. Nessa conjuntura os crowdworkers não são nem empregados, nem trabalhadores autônomos no sentido tradicional. Banco Mundial estima que já existiam somente nos Estados Unidos 54 milhões de crowdworkers e mais de 2.300 plataformas crowdsourcing com tendência crescente.

O impacto do novo mundo digital é ainda mais profundo na constituição da esfera pública e em seus âmbitos correlatos como eleições democráticas. E isso somente passou a ficar claro nas últimas eleições americanas.

Se até o início do novo milênio, a esfera pública e a forma com que as pessoas se informavam era centrada ou “filtrada” por grandes organizações – seja jornais ou canais de televisão -, a nova esfera pública digital decentraliza o papel das organizações colocando novos atores e novas técnicas em jogo, as das redes sociais. Facebook, Twitter, WhatsApp e Youtube viraram o epicentro onde informações são geradas e compartilhadas, ou seja, onde são de fato lidas e acessadas.

Essa profunda mudança tem sido levada a sério por países como Estados Unidos e Alemanha. Desde o início de setembro deste ano, empresas americanas como Facebook, Google, Twitter têm enfrentado forte pressão pelas comissões de inteligência do senado americano devido às manipulações e influência não transparente na esfera pública.

O Facebook, por exemplo, foi obrigado a revelar ao congresso mais de 3.000 mil anúncios políticos comprados pela Rússia durante as eleições, apagou espontaneamente algumas dezenas de milhares de contas falsas antes das eleições alemãs ocorridas no dia 25 de setembro deste ano. Twitter revelou aos congressistas as 200 contas russas para interferir nas eleições americanas. Devido à má experiência com as últimas eleições, os Estados Unidos se preparam para adaptar seus institutos jurídicos às novas condições da sociedade em redes para o novo pleito eleitoral de 2018.

O primeiro país a dar um passo consciente foi a Alemanha. A partir desse mês de outubro entrou em vigor a “Netzwerkdurchsetzungsgesetz – NetzDG”. Nela as empresas de redes sociais devem montar um setor de compliance, onde as mesmas devem estabelecer um procedimento transparente para lidar com as reclamações e exclusão de comentários de ódio e notícias falsas.

Caso as redes sociais não o façam dentro de 24 horas a multa é de 50 milhões de euros. Diferentemente do marco civil da internet brasileiro de 2012, a nova lei alemã reconhece a dinamicidade intrínseca do mundo online no qual resposta rápida e eficaz somente pode ser dada pela rede social, que detém dos meios técnicos para tal, o que não exclui a posteriori a apreciação judicial. Não se trata assim de privatização da justiça ou da função do poder judiciário, apenas de adequação do direito às novas condições tecnológicas.

O projeto de lei brasileiro encaminhado ao presidente nem de perto chegou a colocar em discussão a profunda transformação com o advento do mundo digital. Foi mesmo um casuísmo perigo cunhado na calada da noite para tentar domar um âmbito ainda desconhecido que é a dinâmica de comunicação em redes. Entretanto, a persistente tendência de redução de temas complexos à respostas simplórias, no nosso caso à censura, revela mesmo o triste e pobre cenário brasileiro de debate.

Enquanto a Alemanha já tomou um passo firme com a promulgação de uma nova lei e os Estados Unidos caminham incessantemente nesse sentido, o Brasil vem e tropeça na própria falta de informação. Que nossa a liberdade de expressão não se torne liberdade de agressão, e que a liberdade de informação não se torne um mar de desinformação.

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Ricardo Resende Campos é advogado, assistente de docência (“Wissenschaftlicher Mitarbeiter”) na cátedra de direito público, teoria dos meios de comunicação e direito público da Goethe Universität Frankfurt am Main, Alemanha.

O  Supremo mais medíocre da história!

A ministra sucumbiu aos mandos dos coronéis quadrilheiros enviados a BSB por cada estado. Se nada for feito por nós, o povo, deve-se admitir a existência de Ditadura da Corrupção como regime de governo do país. As ruas esperam nossa voz de repúdio aos ladrões e seus protetores togados.

Esse Supremo talvez seja o mais medíocre da história, pois foi formado a partir da indicação de quadrilheiros. E por falar nisso, Carmen foi indicada por Lula. Seria esperar demais que viesse boa coisa dessa indicação.

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Temer X Rodrigo Maia
Canalha em plena autofagia
Brasil,Corrupção,Humor,Temer,Brasil,Políticos,Blog do Mesquita,Rodrigo Maia

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Trabalho Escravo,Ministério do Trabalho,Brasil,Blog do MesquitaTrabalho Escravo – Miriam Leitão
Hã? “Portaria do Ministro do Trabalho deixa o Agronegócio se representar pelas forças do atraso”.
É isso mesmo? Puuuuuuuuuuuuuuuuuxaaaaaaaaaaaaaaaa!

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AmazôniaBlog do Mesquita,Amazônia,Mineração,Temer,Brasil

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Hoje na Praça do Podres Poderes;
Agora que os amadores foram afastados, ninguém mexerá com os profissionais.

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Típico da calhordice que impera no Bananil.
De repente onze senadores em viagens oficiais(SIC), para fora do Brasil. Senador Pintado que cai de si mesmo. Narizinho e mais uma cambada fazendo turismo na Rússia e Dubai.
De uma hora para outra, o que apareceu de senador doente…
Agora, basta saber se haverá sessão ainda hoje para votação do caso Aécio. Os idiotas da aldeia nada percebem.Blog do Mesquita,Crítica,Economia,Mídia

 

Fatos & Fotos – 10/10/2017

Para amenizar a bandalheira à qual estamos submetidos, deixo-vos flores.

José Mesquita,Pinturas,Flores,2017,Acrílica e gesso acrílico sobre cartão,021 x 029.3 cm,Ref.1704FLW23 PL

José Mesquita,2017, Acrílica e gesso acrílico sobre cartão
021 x 029.3 cm – Ref.1704FLW23

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Doria usa cinco softwares de ‘big data’ para aumentar seu alcance nas redes.

Prefeito de São Paulo, João DoriaDireito de imagemAFP
A repercussão de tudo o que o prefeito de São Paulo fala nas redes é monitorado e usado em sua estratégia de comunicação

Enquanto a disputa interna no PSDB para concorrer à Presidência em 2018 se acirra, o prefeito de São Paulo, João Doria, usa as redes sociais para pavimentar seu caminho.

O crescimento vertiginoso de sua influência digital em menos de um ano de mandato é resultado de uma estratégia que começou a ser testada ainda nas prévias do partido, se profissionalizou e hoje combina cinco softwares que usam ‘big data’ para fazer monitoramento e uma equipe de análise que avalia o impacto nas redes sociais de tudo o que ele, que nega ser pré-candidato, fala.

“Nossa função é alinhar o discurso do João para ele ser bem entendido. Ele não vai mudar o que pensa, as propostas, mas vai falar da melhor forma”, diz Daniel Braga, que acompanha Doria desde agosto de 2015.

Em janeiro deste ano, quando o núcleo de redes sociais de sua Promove Comunicação ganhou corpo, Braga criou com outros dois sócios a Social QI, empresa independente que, apesar da pouca idade, já chegou a cuidar do marketing digital do governo Temer – parceria encerrada em julho.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo confirma que Doria é cliente da empresa, mas esclarece que seu vínculo é como pessoa física, e não como prefeito.

A Social QI trabalha com uma integradora que reúne “entre quatro e cinco” softwares de monitoramento, cujos nomes mantém em segredo. Em paralelo, utiliza programas como o War Room, um serviço em português criado pela startup Stilingue, que há quatro anos desenvolve a ferramenta por meio do que a ciência da computação chama de “processamento de linguagem natural”.

Varrer as redes

O time de 35 desenvolvedores da Stilingue, baseado em Ouro Preto (MG), alimenta o computador com textos em português para ensiná-lo a entender e interpretar a língua, identificando padrões comuns.

A tecnologia permite o escrutínio das redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram -, de influenciadores e de tudo o que é publicado na imprensa. Um volume exponencial de informações que dificilmente seria administrável sem a ajuda de um software, conta o presidente da empresa, Rodrigo Helcer.

Pessoas segurando laptops, celulares e tabletsDireito de imagemGETTY IMAGES
Softwares de inteligência artificial são cada vez mais usados por políticos e empresas para fazer gestão de imagem

Para a política, as aplicações incluem, por exemplo, a gestão de imagem – além de capturar tudo o que é escrito sobre qualquer assunto, o software também faz reconhecimento facial para identificar memes – e a psicometria.

Termo que ficou mais conhecido depois da campanha de Donald Trump à Casa Branca, a piscometria faz uma espécie de análise de personalidade dos eleitores, útil na identificação de perfis que vão muito além de direita e esquerda e, por consequência, na formulação do discurso político.

A estratégia de comunicação do republicano se baseou na chamada “análise de sentimento” das redes sociais, que deu aos marqueteiros informações que até então não haviam sido usadas em disputas eleitorais, como os medos e anseios dos americanos.

De olho

“Tudo o que o João fala é monitorado”, diz Braga. A ideia é avaliar como o discurso do prefeito é recebido para “reduzir os impactos negativos e potencializar os positivos”.

“Se ele fala sobre desestatização, nós checamos o que as pessoas falam sobre isso para vermos qual a melhor forma de elas absorverem (o discurso no futuro)”. Esse é um trabalho que envolve sensibilidade política, capacidade de interpretação e planejamento estratégico, afirma ele, que conversou com a reportagem na noite desta segunda, por volta de 21h, após acompanhar agenda do prefeito paulistano em Belo Horizonte.

Logotipo da rede social FacebookDireito de imagemAFP
Segundo Braga, 23,5% dos brasileiros que estão no Facebook já interagiram com a página de Doria

Depois de uma temporada em Brasília, Braga voltou a cuidar pessoalmente da conta de Doria recentemente, a pedido dele. O publicitário nega que a mudança tenha relação com a disputa eleitoral de 2018 e com o fato de que o prefeito é cotado como pré-candidato à Presidência.

“Tem a ver com a ferocidade da oposição nas redes sociais”, explica. “A gente tem que entregar o ‘João Trabalhador’ que prometeu”, acrescenta, referindo-se ao slogan da campanha de Doria.

Segundo ele, entre os 114 milhões de usuários únicos do Facebook no Brasil, 23,5% já interagiram com a página do prefeito, o maior percentual de uma lista de sete possíveis presidenciáveis. O segundo lugar é de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 7,1%.

Ainda sobre as eleições do próximo ano, Braga ressalta que não presta serviços exclusivamente para o PSDB, afirma que a empresa tem sido “assediada por muita gente” e que está avaliando o mercado para 2018.

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O cara está brincando: Belém, Natal, BH, Palmas, Recife, Salvador, Paris, Pequim, Fortaleza, Aracaju. Onde foi parar a fantasia de gari?

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Minha nossa! E o elemento continua no cargo. Fruta que partiu!
“Com R$ 70 milhões, você não compra nem picolé para ter criança no comício”,diz ministro da Justiça, Torquato Jardim.

Foto O Globo/Isaac Amorim/MJSP

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Goldman X Doria. Tucanos brigando no poleiro. Como fossem diferentes.

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Enquanto a nossa pátria “dominga” hipnotizada por bundas e tanquinhos, o inacreditável acontece;
“STF suspende doação de R$ 100 bilhões às teles!”
Salva, salve! Aleluia! As togas acertam uma legislaram para o povo.

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Grandessíssimo Filho de uma Pulga.

Blog do Mesquita,Políticos,Corrupção,TemerPor um lado sucateia o SUS; por outro, quer aumentar planos de saúde para maiores de 60 anos. Temos que tirar Temer antes que ele nos mate, nós os velhinhos principalmente.
Patos velhinhos venderão até a última pena para pagar plano de saúde.

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Bananil; buraco medieval onde uma manifestação artística – só um imbecil tenta definir o que é arte. Um Papa de me*rda (João Paulo II mandou fazer a restauração das pinturas, trabalho que demorou 20 anos para ser concluído) houve, que mandou vestir as obras de Michelangelo na Capela Sistina – ofende menos que um apartamento com R$51 milhões do suíno Geddel.Arte,Brasil,Censura,MAM,Geddel,Blog do Mesquita

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Rapaz, recomendo-lhe consulta à Ortografia da Língua Portuguesa, na qual você poderá aprender o significado do travessão – que não é a mesma coisa que hífen – travessão esse, que em digitação, embora o sinal gráfico seja o mesmo, cada um deles tem funções específicas.
O travessão é – e continuará sendo, mesmo dentro das novas regras – usado para ligar palavras que formam encadeamentos entre dois pontos distantes ou coisas relacionadas entre si de alguma forma.
Entendeu? Se, se, não me critique mais nesse assunto.
Se não, vá chupar prego caibral até ele virar tachinha.
Ps. E é “caibral” mesmo. De caibro.

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Êpa! Quequiéissômeu”?
Após às “convicções”, os paladinos dos pinhais inovam com “…são recibos ideologicamente falsos”. Putz! Que p***a é essa?
Égua! Vou ali queimar meus livros de Processo Penal.
Pontes de Miranda se revira na tumba!

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O PSDB está com Temer e não abre.

Digam o que quiserem. Dominam ministérios e se aproveitam da farra de cargos e relatam a favor de temer. Portanto são corresponsáveis e cúmplices do PMDB e seu inseparável companheiro PT pela chiqueiro moral em que transformaram o país. O PSDB não merece análises mais profundas, pode ser simplesmente classificado como um bando!

Fico pensando a quem os tucanos pensam enganar com a atitude quanto ao Bonifácio? Eles só mudaram o sofá do lugar… Quanta inteligência. Esse partido está partido e perdido.

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PT e Reforma eleitoral, ou a canalhice é ambidestra.

Devido ao grande impulso do relator da reforma eleitoral: Vicente Cândido do PT-SP e vice presidente da CBF.

A reforma foi bem sucedida no plano financeira bilionário para ajudar deputados, senadores, governadores e presidente, o povo empobrecido vai pagar esta reforma que o Postiço do Jaburu sancionou.

PT+PMDB continuam mamando e oficializando as propinas eleitorais. A reforma, apenas reformou, inflacionou, aumentou os gastos e financiamento eleitorais, nos demais quesitos deixaram para ser executados em 2022 ou nas Calendas Gregas!

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Começou! Patolândia tirando o “red carpet” do “prefake”.
“Vai trabalhar Doria!”
Otávio Frias Filho, em editorial no seu (dele) jornal Falha de S.Paulo.

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Numa democracia, só pode ser aceitável o triunfo da lei e da ordem. Não pode ter credibilidade, um Legislativo que tem membro participando de seções durante o dia e dormindo na cadeia. Tampouco em um STF que concede habeas corpus vitalício a réus confessos de crimes capazes de produzir décadas de cadeia ou tratam assassinos comuns como perseguidos políticos.

Diferente do que pensam algumas cabeças estacionadas no século XIX e que cultivam bandidos de estimação, é prerrogativa do exercício da cidadania investigar, denunciar e emitir opinião. É o que chamam Liberdade de Expressão. Fora isso é Censura.

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Lula já se comparou a Getúlio Vargas, JK, JC, Nelson Mandela e Abraham Lincoln. 

Lula é apenas uma figura exótica que virou ideia em 2002. Uma ideia de jerico do eleitor brasileiro.

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Porque no governo do PT as câmeras de segurança não funcionavam? Algum Petista pode me dar uma explicação convincente? De explicações fajutas estou cheio.

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Já ocorreu na Genebra de de Calvino.
Para o depufede federoso Feliciano qualquer coisa, os pecados serão tratados como crime quando a Bíblia tomar o lugar da Constituição: já ocorreu na Genebra de Calvino.

Fatos & Fotos – 24/09/2017

Venezuela adotará cesta de moedas sem dólar. Por esse mesmo motivo os EUA mataram Saddam e Kadhafi. Pelo mesmo motivo os EUA tentaram matar Assad da Síria, mas o Putin não deixou.

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Nunca se esqueça: Hitler fez tudo o que fez dentro da legalidade constitucional alemã.(Martin Luther King)

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Assassinos da SS com doutorado

Oficial do SD na Ucrânia, em 1941
Oficial do SD na Ucrânia, em 1941
Em estudo monumental, historiador francês Christian Ingrao ressalta o papel decisivo dos intelectuais na elite da Ordem Negra de Himmler.

80 oficiais da SS q eram acadêmicos, juristas, economistas, filólogos, filósofos, historiadores e… criminosos

A imagem que se tem popularmente de um oficial da SS é a de um indivíduo cruel, chegando ao sadismo, corrupto, cínico, arrogante, oportunista e não muito culto. Alguém que inspira (além de medo) uma repugnância instantânea e uma tranquilizadora sensação de que é uma criatura muito diferente, um verdadeiro monstro.

O historiador francês especializado em nazismo Christian Ingrao (Clermont-Ferrand, 1970) oferece-nos um perfil muito diverso, e inquietante. A ponto de identificar uma alta porcentagem dos comandantes da SS e de seu serviço de segurança, o temido SD, como verdadeiros “intelectuais comprometidos”.

O termo, que escandalizou o mundo intelectual francês, é arrepiante quando se pensa que esses eram os homens que lideravam as unidades de extermínio. Em seu livro Crer e Destruir: Os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista, Ingrao analisa minuciosamente a trajetória e as experiências de oitenta desses indivíduos que eram acadêmicos – juristas, economistas, filólogos, filósofos e historiadores – e ao mesmo tempo criminosos –, derrubando o senso comum de que quanto maior o grau de instrução mais uma pessoa estará imune a ideologias extremistas.

Christian Ingrao, retratado em Barcelona
Christian Ingrao, retratado em BarcelonaMASSIMILIANO MINOCRI
Há um forte contraste entre esses personagens e o clichê do oficial da SS: assassinos em massa fardados e com um doutorado no bolso, como descreve o próprio autor. O que fizeram os “intelectuais comprometidos”, teóricos e homens de ação, da SS foi terrível. Ingrao cita o caso do jurista e oficial do SD Bruno Müller, à frente de uma das seções do Einsatzgruppe D, uma das unidades móveis de assassinato no Leste, que na noite de 6 de agosto de 1941 ao transmitir a seus homens a nova ordem de exterminar todos os judeus da cidade de Tighina, na Ucrânia, mandou trazer uma mulher e seu bebê e os matou ele mesmo com sua arma para dar o exemplo de qual seria a tarefa.

“É curioso que Müller e outros como ele, com alto grau de instrução, pudessem se envolver assim na prática genocida”, diz Ingrao. “Mas o nazismo é um sistema de crenças que gera muito fervor, que cristaliza esperanças e que funciona como uma droga cultural na psique dos intelectuais.”

O historiador ressalta que o fato é menos excepcional do que parece. “Na verdade, se examinarmos os massacres da história recente, veremos que há intelectuais envolvidos.

Em Ruanda, por exemplo, os teóricos da supremacia hutu, os ideólogos do Hutu Power, eram dez geógrafos da Universidade de Louvain (Bélgica). Quase sempre há intelectuais por trás dos assassinatos em massa”. Mas, não se espera isso dos intelectuais alemães. Ingrao ri amargamente. “De fato eram os grandes representantes da intelectualidade europeia, mas a geração de intelectuais de que tratamos experimentou em sua juventude a radicalização política para a extrema direita com forte ênfase no imaginário biológico e racial que se produziu maciçamente nas universidades alemãs depois da Primeira Guerra Mundial. E aderiram de maneira generalizada ao nazismo a partir de 1925”. A SS, explica, diferentemente das ruidosas SA, oferecia aos intelectuais um destino muito mais elitista.

Mas o nazismo não lhes inspirava repugnância moral? “Infelizmente, a moral é uma construção social e política para esses intelectuais. Já haviam sido marcados pela Primeira Guerra Mundial: embora a maioria fosse muito jovem para o front, o luto pela morte generalizada de familiares e a sensação de que se travava um combate defensivo pela sobrevivência da Alemanha, da civilização contra a barbárie, arraigaram-se neles. A invasão da União Soviética em 1941 significou o retorno a uma guerra total ainda mais radicalizada pelo determinismo racial.

O que até então havia sido uma guerra de vingança a partir de 1941 se transformou em uma grande guerra racial, e uma cruzada. Era o embate decisivo contra um inimigo eterno que tinha duas faces: a do judeu bolchevique e a do judeu plutocrata da Bolsa de Londres e Wall Street. Para os intelectuais da SS, não havia diferença entre a população civil judia que exterminavam à frente dos Einsatzgruppen e os tripulantes dos bombardeiros que lançavam suas bombas sobre a Alemanha. Em sua lógica, parar os bombardeiros implicava em matar os judeus da Ucrânia. Se não o fizessem, seria o fim da Alemanha. Esse imperativo construiu a legitimidade do genocídio. Era ou eles ou nós”.

Assim se explicam casos como o de Müller. “Antes de matar a mulher e a criança falou a seus homens do perigo mortal que a Alemanha enfrentava. Era um teórico da germanização que trabalhava para criar uma nova sociedade, o assassinato era uma de suas responsabilidades para criar a utopia. Curiosamente era preciso matar os judeus para realizar os sonhos nazistas”.

Ingrao diz que os intelectuais da SS não eram oportunistas, mas pessoas ideologicamente muito comprometidas, ativistas com uma visão de mundo que aliava entusiasmo, angústia e pânico e que, paradoxalmente, abominavam a crueldade. “A SS era um assunto de militantes. Pessoas muito convictas do que diziam e faziam, e muito preparadas”. O que é ainda mais preocupante. “É claro. É preciso aceitar a ideia de que o nazismo era atraente e que atraiu como moscas as elites intelectuais do país”.

A BASE DE ‘AS BENEVOLENTES’

Ingrao e Littell. Qualquer pessoa que ler Crer e Destruir perceberá os paralelismos com o romance de Jonathan Littell As Benevolentes (2006). Ingrao a descreve como “uma réplica temática em ficção” de seu trabalho, e recorda que este, que foi sua tese, circulou amplamemente antes da publicação de As Benevolentes.

Max verossímil? Max Aue, o protagonista de As Benevolentes guarda muitas semelhanças com os intelectuais do SD de Ingrao. “Exceto na homossexualidade e no incesto. Mas, claro, é uma personagem de novela”. Não é demasiado refinado e esteticista para um SS? “Bem, Heydrich lia muito e tocava violino. E não se esqueça de que Eichmann lia Kant”, responde.

Também outro nazista tomado por Littell, Leon Degrelle (em seu ensaio O Seco e o Úmido) apresenta paralelos com o que foi estudado por Ingrao em seu livro Les Chasseurs Noirs: Oskar Dirlewanger. O primeiro era favorito de Hitler e o segundo, de Himmler.
ElPais

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Arte,Escultura GregaArte,Escultura,Blog do Mesquita

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Doria? E é? Cidadão competente!
O Lide, empresa de lobby criada por João Doria, oficialmente descrita como realizadora de eventos, vem ganhando cada vez mais espaço desde que ele assumiu a Prefeitura; após a eleição do tucano para a capital paulista, o Lide registrou filiações de multinacionais, e novos associados firmaram colaborações com a Prefeitura de São Paulo; aCaixa Econômica Federal, banco 100% público, associou-se ao Lide em março; o governo Temer, que controla a Caixa, aproximou-se de Doria nos últimos meses, ao mesmo tempo em que se afastou de seu rival interno no PSDB, Geraldo Alckmin

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Há 4 meses, um capitão do exército mandou um recado para Temer: “Tome vergonha nessa cara …”

Assim como todos os trabalhadores brasileiros, os militares também estão prevendo uma avalanche de despautérios na Reforma da Previdência, proposta pelo vice-presidente (digo presidente) Michel Temer.

Nas redes sociais, o assunto também tomou conta do meio militar.

Um capitão aposentado do exército não se conteve e lançou um ataque contra a tal reforma:

Você Michel Temer, não tem moral nem para educar o teu filho. Vai dizer o que para ele? No momento é um pré-adolescente….deve orgulhar-se de ter um pai Presidente da República.

Daqui alguns anos será um homem e buscará a verdade.

Temer, você é um ancião….provavelmente não será punido pelas leis dos homens.

Você já ouviu falar naquele lugar, onde tem um caldeirão? Só quero lhe dizer mais uma coisinha …. Temer, tome vergonha nessa sua cara imunda, você não tem moral para mexer na Proteção Social dos Militares […] que você chama de Previdência …. seu inculto.

Os militares já deram a contribuição no ano de 2000, foram retirados vários benefícios. Pergunte para qualquer militar…..O que quer dizer da MP do Mal?

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Há ligação direta entre a elite e o lumpen. Lembram do Helicoca, do avião da fazenda de Maggy em junho? A esperrela toda tem foro privilegiado!

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Desenho de Takahiro ShimatsuTakahiro Shimatsu,Desenho,Blog do Mesquita

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Depois que abriu fogo contra as esquerdas e ao seu patrono, Alckmin, o “Prefake” Dória cai nas pesquisas, cobre a pele de hiena com um cachecol de ovelha.

Dória: “Não será com radicalismo que vamos construir um país que todos nós desejamos nos orgulhar”. Então tá!Blog do Mesquita,Falsidade

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Anotem aí e depois me cobrem. O povo quer sangue, e com razão, porque os Três Podres Poderes são um escândalo, uma vergonha. Só que não vai ter consequência porque a justiça não fez o trabalho dela. Exceto, se a ribalta e os holofotes, esse mais sedutor que ouros e pedrarias, conduzirem as excelências a pisar na lei. E caso assim seja, Deus, e Beccaria, me livrem vir a ser réu em algum processo. Um julgamento midiático, acoitando a “conduzida” voz rouca das ruas, haverá de cobrar um altíssimo preço ao Estado Democrático de Direito, tão duramente conquistado. Povo insano e novelesco, esse.Justiça,Blog do Mesquita

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Temer, seu estúpido, não é a economia! É a corrupção que você representa, motiva e defende.Humor,Nani,Blog do Mesquita,Geddel,Brasil,Corrupção

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Mantendo a “Ba$e Aliada”, aliada.

Temer libera R$ 1 bilhão em emendas para barrar 2ª denúncia na Câmara.

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Arte – Pintura – David Ryckaert III
Still life with kitchen utensils, vegetables and a dog and a catDavid Ryckaert,Arte,Pintura,Blog do Mesquita

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Quando o sofismar é sinônimo de canalhice.
Deputados reiniciam negociações para livrar Temer de mais uma denúncia.

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Seis por meia dúzia, ou o mais de menos.
Interessante! Os escr*otos corruptos vão convocar os irmãos Batista para depor na farsesca CPMI da JBS. Hahahaha.
A pergunta é: Por que não convocar Michel Temer?Blog do Mesquita,Brasil,Corrupção,Cachorro atrás do rabo

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Quando fico muito próximo à flertar com a pena de morte.
Um nojento desse…Ricardo Barros,Ministro da Saúde,Brasil,Blog do Mesquita
“Para o Ministro da Saúde, o escr*oto Ricardo Barros, o Brasil tem Hospitais demais”.
PQP. É do Carvalho!

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Temer “levou” 170 Milhões, mas o líder “togado” do governo não quer que esse roubo seja investigado.

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Falta de aviso não foi.
Funcionários dos Correios entram em greve contra a privatização.
Lembram da dancinha, patos? Façam-na agora.

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Mafalda,Repressão,Blog do Mesquita

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Temer “levou” 170 Milhões, mas o líder “togado” do governo não quer que esse roubo seja investigado.Temer,Geddel,ASpartamento,Dinheiro,Corrupção,Brasil,Blog do Mesquita

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“A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro”. Noam Chomsky

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Arquitetura – Biblioteca de Nice,FrançaArquitetura, Biblioteca de Nice,França,Blog do Mesquita

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Música – MPB – Paisagem da Janela
Lô Borges / Fernando Brant

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Um controle mais rígido de fronteira permitiu à Europa reduzir em 53% a imigração ilegal pelo Mediterrâneo.Imigrantes,Europa,Blog do Mesquita

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Arte – Fotografia de Siago SomiSiago Somir,Arte,Fotografias,Blog do Mesquita

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Julgamento em São Paulo: Jovens no banco dos réus por portarem vinagre e roupas pretas para um protesto.

Começou nesta sexta o julgamento de 18 acusados de organização criminosa e corrupção de menores, detidos com a ajuda de um militar infiltrado

Começou nesta sexta-feira o julgamento das 18 pessoas, dentre elas três adolescentes, detidas no dia 4 de setembro do ano passado, antes de uma manifestação contra o Governo Michel Temer na cidade de São Paulo. Eles são acusados de organização criminosa e corrupção de menores. A denúncia, apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, diz que o grupo fora formado para praticar danos ao “patrimônio público e privado e lesões corporais em policiais militares”, e que, para isso, portavam material de primeiros socorros, vinagre, máscaras, roupas pretas e capuzes.

Peça-chave no caso, o capitão Willian Pina Botelho, que se apresentava como Balta Nunes e era um infiltrado do Exército no grupo de manifestantes, conforme revelado por este jornal, não foi ouvido até o momento e tampouco está entre as testemunhas da acusação. No julgamento desta sexta foram ouvidas três das cinco testemunhas de acusação antes de ser suspenso. Será retomado no dia 10 de novembro. Nenhum dos 18 réus foi ouvido.

Julgamento dos 18 jovens detidos num protesto em SP
Cena dos detidos no Centro Cultural SP. No destaque, o capitão Botelho
Advogado de um dos réus, Thiago Rocchetti diz que a presença de um infiltrado no grupo não é o que mais causa estranheza nesta história, que é “toda estranha”. “A polícia pode ter um agente infiltrado, isso não é nenhum absurdo”, explica, embora a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não tenha admitido até hoje que houve uma operação em parceria com o Exército naquele dia.
Já o Exército afirmou que houve sim uma atuação em conjunto. No meio das contradições, o que causa estranheza ao advogado é o fato de o capitão Botelho ter desaparecido do processo. “O estranho neste processo é que esse infiltrado não se revelou”, diz. “Até hoje não existe um relato dele, uma oitiva dele”.

Rocchetti revela que todas as defesas mencionarão este fato no julgamento, que está marcado para ocorrer a partir das 14h no Fórum da Barra Funda. “As defesas não foram iguais, têm linhas de raciocínio diferentes, mas todas mencionam a presença do Balta”, diz. “Ele tinha que ter se apresentado. Ao longo do inquérito ele é uma testemunha. Por que ele não se apresenta?”, questiona. Por isso, o advogado Hugo Albuquerque, que defende outro réu neste caso, colocou Botelho como testemunha de seu cliente e explica que o militar terá de depor. Mas como ele foi transferido para Manaus, ainda não é possível saber como e nem onde este depoimento será dado. “Consideramos fundamental o depoimento pessoal dele, ou, na pior das hipóteses, por videoconferência com a nossa presença”, explica Albuquerque.

Com base nestes argumentos, a defesa alegará nulidade processual. “A partir do momento em que no processo tem um ato que o torna nulo, o que vem depois então seria nulo também”, explica Rocchetti. Ou seja, se havia um agente infiltrado que provava que o grupo havia se organizado previamente e este agente simplesmente desaparece das provas, o ato todo deveria ser anulado. “Essa é uma das minhas linhas”. A outra linha da defesa é que não houve crime. “Não consigo ver um ato criminoso no fato de uma mulher ter uma folha de papel, uma caneta e uma calcinha [dentro da bolsa]. Eu já me esforcei, mas não consigo ver crime nisso”, diz, se referindo às coisas que sua cliente portava no dia em que foi detida.

Na acusação também consta que um dos réus portava uma barra de ferro que seria usada para depredação de patrimônio e “para desferir golpes que lesionariam policiais”. Na época em que foram detidos, os jovens afirmaram que a barra havia sido “plantada” como prova, mas que ninguém carregava aquele objeto. Outra pessoa, segundo a acusação, levava um extintor de incêndio. O advogado diz que ainda assim as possíveis provas não são suficientes. “Um extintor não é uma coisa que você carrega, o bom senso diz isso, mas mesmo assim não é crime”, diz o advogado. “Me comprove que ela estava levando um extintor para fazer uma besteira. Não é razoável, mas não é um crime”.

Também estão presentes na acusação, à qual EL PAÍS teve acesso, elementos como “transportar câmera fotográfica e de filmagem para registro das ações criminosas e posterior divulgação nas redes sociais” e “guardar telefones celulares de todos os integrantes”. “A juíza também diz que há indícios [de que eles poderiam vir a cometer crimes] porque eles estavam vestidos de preto”, diz Rocchetti. “Eu também estou. Não consigo ver nenhum crime, nenhuma conduta que possa ser descrita no Código Penal”.

O advogado explica, então, que não trabalha com a possibilidade de uma condenação. Mas, questionado, faz um cálculo caso isso venha a ocorrer. “Se agente somar todos os crimes, podemos chegar numa pena de 15 anos”, diz. “Mas é tão absurdo pra mim, que eu não consigo nem pensar numa pena”.

Sucessão de “besteiras”

Para o advogado, este caso é fruto de uma sucessão de “besteiras” que foram ocorrendo. Naquele dia, o grupo havia combinado de se encontrar antes da manifestação para ir, todos juntos, ao ato que seria na avenida Paulista. Nem todos se conheciam. Foram para o Centro Cultural São Paulo, a poucos quilômetros de onde a manifestação aconteceria. Lá, foram abordados por diversos policiais e levados para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Todos, menos o capitão Botelho, que até então ainda não havia tido sua real identidade revelada. Posteriormente, a Secretaria de Segurança Pública disse que Botelho não foi levado com os demais “por falta de indícios”.

No Deic, os detidos não puderam ter contato com os próprios advogados. Rocchetti aponta esse como a primeira “besteira”. “A besteira começou no momento em que eles não tiveram a chance de falar com os advogados”, diz. “O delegado foi se enrolando, a coisa foi crescendo, e para justificar essa besteira, ele fez um relatório assim. O Ministério Público então para não deixar o delegado desamparado ofereceu uma denúncia. A juíza ficou sem graça de dizer ‘não’ de bate pronto e a coisa foi crescendo”.

No dia seguinte às detenções, houve uma audiência de custódia e o grupo foi todo liberado por um juiz que considerou as prisões “ilegais”. Três meses se passaram até que o Ministério Público oferecesse a denúncia, acatada agora pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. “Cresceu uma história e agora estão tentando trazer legalidade a essa história”, diz o advogado. Ele afirma que, passado o julgamento e absolvidos os réus, cogita entrar com uma ação de reparação contra o Estado. “O que me preocupa nesse processo é o fato de estarem tentando mostrar que não houve nenhuma besteira”.
MARINA ROSSI – El Pais

Fatos & Fotos – 21/09/2017

“O PSDB caiu na vala comum”, diz deputado tucano

Por Sylvio Costa

“Se você criticava a corrupção na época do governo do PT, como você pode agora participar do governo e até apoiar o adiamento de investigação?”

Ele é um dos mais notórios “cabeças pretas”, nome usado para designar os jovens parlamentares que cobram da cúpula do seu partido novas atitudes em relação à política e ao país. Sua tônica, assim como dos colegas de bancada cuja cabeleira o tempo ainda não tornou mais branca, é a defesa da independência em relação ao governo Michel Temer.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Apesar de ser deputado federal de primeiro mandato, Daniel Coelho (PSDB-PE) – que completará 39 anos no dia 4 de novembro – circula na Câmara com a desenvoltura dos veteranos. Isso pode ser atribuído, em parte, à experiência acumulada como deputado estadual e vereador no Recife, por dois mandatos. Mas a razão principal é que sua voz passou a reverberar mais tanto entre os tucanos quanto no conjunto dos deputados.

Um dos 21 deputados do PSDB que votaram pela investigação de Temer, na análise da primeira denúncia enviada por Janot, ele já anuncia que voltará a se manifestar pelo encaminhamento favorável da segunda denúncia.

Nesta entrevista, Daniel Coelho mostra como é uma cabeça preta por dentro. Diz que todos os partidos políticos estão “destruídos”. Afirma que o PSDB caiu na “vala comum” ao adotar uma posição seletiva em relação à corrupção, condenando a de Dilma, Lula e do PT, mas aceitando a de Temer. Critica a proposta de reforma da Previdência. Defende uma agenda liberal, mas com compromisso com os mais pobres. Fala que Lula está em franco declínio popular mesmo no Nordeste, região natal tanto do líder petista quanto de Daniel. Demonstra temor quanto à candidatura de Jair Bolsonaro, que “cresce muito e cresce rápido”. E adianta que seu preferido para disputar a Presidência da República pelo partido é Geraldo Alckmin. “Acho que Doria não tá preparado, não tem ainda experiência. Precisa andar mais”, resumiu.

Congresso em Foco: A recente caravana de Lula ao Nordeste mostrou que ele continua tendo força na sua região. Por quê?
Daniel Coelho Acho que tem ali um recall de classes D e E. É exatamente aquele eleitor em que a informação chega por último. A informação chega nele, de fato, durante a eleição. Por enquanto, está muito distante. Acho que o Lula se desidrata. Ele continua sendo forte no estado, mas não tem mais o desempenho que já teve. Já perdeu A e B e está perdendo forte na C. Depois que você perde nas classes A e B, a tendência é perder nas outras também.

E por que perdeu?

“Os partidos estão completamente destruídos. Todos. Não tem nenhum partido que tenha hoje uma imagem de coerência”

Porque as pessoas hoje encaram que ele é igual aos outros na questão da corrupção. É corrupto. Não é outra coisa. Eu vi uma pesquisa em Pernambuco mostrando que nem o eleitor de Lula acredita mais que ele é honesto. Não adianta a narrativa que os caras fazem na política de que é perseguição. As pessoas não estão acreditando. O cara até pode dizer que vota nele, mas acreditar que ele é honesto não mais. Votar num cara que você sabe que é corrupto não é todo mundo que está disposto a fazer. Então o crescimento assustador do Bolsonaro, que você vê hoje no Nordeste, vem daí

Ele está crescendo no Nordeste também?

Cresce muito e cresce rápido. Essa coisa dessa radicalização e dessa polarização, que estimula a intolerância e dificulta o bom debate político, ajuda o Bolsonaro. Primeiro, porque você mistura tudo e todo mundo passa a ser corrupto, e o cara fora.  E depois ele é meio que o outro polo. O PSDB e a maioria de suas lideranças têm, historicamente, posições mais moderadas, mais de centro, e ele fica fora dessa polarização e vai ocupando espaço. Ele cresce e tem potencial de crescimento exatamente com esse eleitor que vai se decepcionando com Lula. O voto de Lula no Nordeste não é um voto ideológico, é um voto de identificação de classe. As pessoas votam em Lula no Nordeste não por identificação com a pauta da esquerda, mas porque encaram a política como a disputa do pobre contra o rico. É preocupante esse crescimento, e ele ocorre em um cenário meio de terra arrasada.

“As pessoas não acreditam em mais nada. E isso é no Brasil todo, não é só no Nordeste. Os partidos estão completamente destruídos. Todos eles”

Terra arrasada em que sentido?
No sentido de que as pessoas não acreditam em mais nada. E isso é no Brasil todo, não é só no Nordeste. Os partidos estão completamente destruídos. Todos. Não tem nenhum partido que tenha hoje uma imagem de coerência. Se quiser, a gente sai pegando as posições dos partidos um por um e aí você vê que todos os partidos no Congresso Nacional mudaram de posição sobre os mesmos temas só porque virou o governo. Então os caras que defendiam uma coisa passaram a defender outras, e vice-versa. Então você teve um descrédito completo. Isso é que é preocupante. Os partidos já estão destruídos perante a população. A grande tarefa da reforma política hoje é construir ou reconstruir os partidos porque hoje eles estão mortos.

E essa crítica o senhor estende ao PSDB?
Claro, claro. A crítica é a todos. Não tem diferença não. O PSDB está dividido, mas a análise positiva que tenho do PSDB é que metade da bancada está mantendo no governo Temer as mesmas posições que tinha no governo Dilma.

Que posições?
Do ponto de vista ético, de cobrar investigação e de ter votado para afastar Dilma, afastar Cunha e afastar Temer… o partido que mais deu votos para os três afastamentos foi o PSDB. E também na análise de temas mesmo. Se houve incoerência no PSDB foi durante o governo Dilma, quando em alguns momentos pode ter votado contra teses do próprio partido. Metade da bancada tem votado nas mesmas posições, independentemente do governo. Mas é metade. A outra metade tem sido incoerente, como todos os demais. E o partido, perdido. Quanto aos demais partidos, é aquilo. Se o governo for meu, eu apoio tudo. Se não for, eu sou contra tudo.

“Sempre fui contra o PSDB entrar no governo. Não só eu, havia outros. O grupo era pequeno, não era essa metade que tem hoje”

Ser coerente hoje seria o quê? Entregar os ministérios?
Não só isso, esse é só um fator. Na verdade, sempre fui contra o PSDB entrar no governo. Não só eu, havia outros. O grupo era pequeno, não era essa metade que tem hoje. A minha ideia era que o partido fechasse uma agenda com pautas definidas e oferecesse apoio na votação de determinados projetos, sem aceitar cargos no governo Temer. Outras questões, outros projetos a gente analisaria depois. Essa era a posição que eu considerava adequada na época. Hoje, a presença do PSDB na administração federal legitima um governo que tem as mesmas práticas que nós criticávamos no governo do PT. Se você criticava a corrupção na época do governo do PT, como você pode agora participar do governo e até apoiar o adiamento de investigação? Isso é total incoerência. É completamente sem lógica.

Quais os pontos fundamentais dessa agenda?
O primeiro ponto fundamental dessa agenda não foi nem abordado pelo governo e o governo não quer falar nele. A primeira grande questão é a reforma do Estado, a redução do Estado. Todas as reformas são importantes, mas a reforma do Estado é a mais importante de todas. Não posso pedir sacrifício à sociedade se o governo continua gastando da maneira que gasta. Uma crítica que era constante ao governo Dilma, e que o PSDB fazia com muita frequência, era ao tamanho do governo. A quantidade de cargos comissionados e de ministérios, as indicações políticas… o governo Temer continuou fazendo igual. Teve ministro que nem saiu da cadeira. Mudou o governo e ficou a mesma lógica. É essa crítica que o PSDB fez na TV, com muita polêmica, ao modelo de cooptação. A gente criticava isso lá atrás. E depois passou a participar disso? A primeira reforma a enfrentar é esta. É fazer uma redução imensa na quantidade de cargos comissionados, é reduzir ministérios, é fazer uma discussão de empresas ineficientes que precisam ser vendidas. Uma discussão não da maneira em que é feita hoje, de um governo que está com buraco de caixa e quer vender empresa pública para tapar o buraco. O custo do Congresso. A Câmara dos Deputados custa R$ 5,2 bilhões por ano, é muito dinheiro. E se você for olhar, a menor parte desse custo está ligada aos mandatos dos deputados. Está relacionada com a estrutura gigantesca que você tem aqui dentro. Depois que você discutiu tudo isso e reduziu o Estado, aí você tem condição de dizer. Olha, nós reduzimos o Estado ao máximo, não deu, e a conta não fecha. Vamos ver agora que tipo de sacrifício precisa ser discutido com a sociedade para que as contas públicas se equilibrem.

“Vejo R$ 51 milhões em mala de Geddel e ouço que vou ter que pagar a reforma da Previdência. Como? Todo mundo roubou e eu pago a conta? Não tem mais credibilidade para fazer uma reforma dessa”

Aí entraria, por exemplo, na discussão da reforma da Previdência?
Aí você poderia discutir uma reforma da Previdência, mas não da maneira como foi apresentada. Ela deve ser em parcelas. Primeiro, você reduz o tamanho do Estado, você vai no custeio. Depois, você faz uma reforma específica onde estão os privilégios inaceitáveis: aposentadoria especial de parlamentar, situações em que as pessoas trabalham menos e se aposentam com remuneração maior… aí você tem um último passo, considerando a situação específica da população. Por exemplo, idade mínima faz todo sentido para o serviço público, para quem trabalha com o intelecto, para quem tem remuneração de R$ 20 mil, R$ 30 mil. Mas idade mínima para um ajudante de pedreiro? O cara não consegue trabalhar até 62 anos de idade, é impossível. Se faço uma reforma da Previdência linear, tratando igual o rico e o pobre, estou discriminando o pobre. Está equivocada essa discussão de que a reforma da Previdência vem para acabar com o privilégio. A condição de vida das pessoas é diferente, eu preciso ter uma regra que considere que o cara que ganha salário mínimo e pega três ônibus para trabalhar não aguenta trabalhar até os 65 anos. Com 50 anos, ele está fora do mercado, acabou. Um jornalista com 50 anos está no auge da capacidade intelectual dele, da experiência, vai trabalhar muito mais. Discutir a reforma da Previdência sem discutir a reforma do Estado antes leva ao que estamos vendo. Você não tem apoio popular e não tem apoio congressual. Hoje, Temer tem maioria aqui pra tudo, não tem para a Previdência.

E não terá? Nem no ano que vem?
Não terá. Nem no ano que vem. Não consegue nem pautar. Vai ficar do jeito que está, eu acho. Não pauta a reforma da Previdência. Porque não tem credibilidade exatamente por isso. Hoje há dúvidas sobre a necessidade da reforma. Qual é a sensação que tem? Estou em casa assistindo o que está acontecendo no país e vejo R$ 51 milhões em mala de Geddel, aí vê que o cara da JBS diz que deu R$ 50 milhões pra um, 150 pra outro e aí ouço que eu vou ter que pagar a reforma da Previdência. Como é isso? Todo mundo roubou e eu pago a conta? Não tem mais credibilidade para fazer uma reforma dessa.

Das reformas em discussão, alguma tem chance de emplacar?
A tributária tem uma grande dificuldade. O governo não abre mão de receita e o Congresso não vai aprovar aumento de imposto. Então não sei como essa conta vai fechar. Não sei qual a capacidade que o relator, o Hauly, que é do nosso partido, vai ter para melhorar nossa legislação tributária sem mexer na balança. Ou seja, sem aumentar imposto nem tirar receita do governo. Não faz 308 [número mínimo de deputados para aprovar emenda constitucional] com aumento de imposto. A trabalhista acho que foi avanço, eu concordei com a reforma, acho que foi bem feita e foi boa para o país. Fora ela, não consigo ver mais nada não.

E as eleições? Podem ajudar o país a retomar o caminho da, sei lá, racionalidade política?
Espero, primeiro, que a gente não caia na ameaça do populismo, seja ele de esquerda ou de direita. O populismo de esquerda poderia vir por meio de uma candidatura Lula, embora eu ache que ele não será candidato porque não haverá condições legais. Mas acho que um governo dele seria bem mais populista do que foram os anteriores. Ele está construindo a agenda de um caminho diferente daquele que ele teve lá atrás. Hoje, um governo dele seria bem populista. Se ele não puder ser candidato, não acho que haja na esquerda um candidato com possibilidade de vitória. Agora, eu vejo uma boa dose de populismo na candidatura de Marina, na candidatura de Ciro, na candidatura de Bolsonaro. São candidaturas que têm uma dose de populismo e são os candidatos que estão colocados. Por isso defendo no PSDB a candidatura de Alckmin. Do ponto de vista da competitividade eleitoral, quem vai dizer é o tempo, se ela é competitiva ou não. Mas acho que ele foge dessa agenda populista. Não acredito que ele embarque nessa agenda de falar o que é mais fácil para absorver um dos lados da polarização.

E o Doria?
Acho que Doria não tá preparado, não tem ainda experiência. Precisa andar mais. Tem que governar São Paulo, mostrar os resultados, pode ter um papel relevante na eleição de Alckmin. Mas, simplesmente de prefeito virar candidato [a presidente] automaticamente, acho que é um caminho muito curto. Não é a melhor opção para o Brasil. Precisamos de um cara que saiba conversar com todo mundo, que tenha equilíbrio. Sempre vai haver oposição e sempre vai haver crítica, mas o momento pede uma agenda mais consensual para o país. Seria muito ruim uma agenda radical, na esquerda ou na direita, vencer e impor a sua vontade a quem perder. Isso aumenta o conflito na sociedade. A gente está precisando diminuir o conflito. Acho que o Alckmin poderia governar para todos. Não seria um candidato radicalizado que governaria apenas para os seus.

“O Nordeste não é tucano nem petista. É governista. O interior do Nordeste é muito dependente do investimento federal”

O PSDB sempre teve muita dificuldade na sua região, no Nordeste…
Muita, mas ele ganhou com Fernando Henrique…

Ganhou, com um empurrão do PFL, que era governo em vários estados, mas desde 2002 o PSDB não tem bons resultados no Nordeste, né?
É. Existem várias teses. O Nordeste não é tucano nem petista. O Nordeste é governista. Quando o PSDB governava, o Nordeste votou no PSDB. O interior do Nordeste é muito dependente do investimento federal. É muito difícil o governo federal perder no interior do Nordeste. Estamos vivendo agora um caos completo porque o governo perdeu a capacidade de investir. Isso pode alterar esse governismo histórico. Lula tem uma popularidade muito grande, mas, ele não sendo candidato, não acredito que consiga passar essa força para o PT ou para outro candidato. Com certeza, para o PSDB vai ser um desafio se posicionar no Nordeste. É uma região difícil para o PSDB. O mesmo discurso é percebido de maneira diferente no Nordeste e no Centro-Sul.

Dá um exemplo.
O Nordeste, de uma forma geral, acredita mais na intervenção estatal. É mais aceita lá essa ideia, que a esquerda defenda, de que o Estado é que vai trazer o desenvolvimento. No Centro-Sul, o eleitor tende a aceitar melhor um discurso mais liberal. Por isso o PSDB precisa aprender a se comunicar melhor no Nordeste, o que não significa mudar aquilo em que você acredita. Você fala discurso liberal, as pessoas são contra. Você explica o que é, as pessoas vão mudando de opinião. No governo Fernando Henrique, o neoliberalismo virou um xingamento. Estava na hora de o PSDB assumir a agenda econômica liberal e mostrar por que a agenda estatizante e intervencionista deu errado no Brasil e no mundo todo. Num país do nosso tamanho, com as nossas condições, a agenda estatizante deu errado. O PSDB devia ter mais coragem de peitar isso para mudar conceito, sobretudo no Nordeste.

“Esse governo é uma fábrica de escândalos. Não duvido que fatos novos apareçam. A gente sabe do histórico do PMDB”

As investigações sobre corrupção atingiram gravemente figuras do PSDB, incluindo o ex-presidente nacional Sérgio Guerra, do seu estado, e o atual presidente, hoje licenciado, Aécio Neves. Qual o tamanho do prejuízo para o partido?
Acho que o PSDB sofre com a corrupção, não dá para esconder isso, é evidente. Sofre como os demais partidos. A gente chegou num patamar que é muito ruim, que é as pessoas acharem que todos os partidos são corruptos. O PSDB, também. O PT talvez tenha tido um ganho com isso. O PT teve o primeiro desgaste com a corrupção, mas acho que hoje há uma imagem de generalização da corrupção. Até partidos pequenos, que acham que estão fora disso, acho que estão enganados. Vai falar com o povo lá na ponta, não sei as pessoas veem que partido tal tá fora. Essa posição seletiva dos partidos em relação à corrupção do PMDB e do PT nessas viradas de governo, deixou todo mundo no mesmo barco. Não sei se há um sentimento específico com o PSDB.  Mas ele talvez tenha perdido a oportunidade de se diferenciar. Se ele tivesse optado por manter agora a mesma linha crítica que teve no período Dilma, mesmo tendo pessoas do partido acusadas, ele poderia ter se diferenciado. Na hora que ele se divide e deixa de se posicionar, fica na vala comum. Mas não acho que haja alguma coisa específica de corrupção contra o PSDB. A corrupção está em todos os partidos e no PSDB, isso é um fato. E acho que é assim que as pessoas estão encarando.O senhor vê alguma possibilidade de os deputados aceitarem alguma denúncia contra Temer?
Evidente que o episódio Janot ajudou o governo porque gerou dúvidas na sociedade…

Qual dos episódios?
A soma deles, né? A coisa da JBS, a foto com o advogado são fatos que não caracterizam parcialidade, mas geram dúvidas. Se gera dúvidas, você enfraquece [a acusação]. Já não houve pressão popular aqui pelo afastamento de Temer. Votei pelo afastamento, mas não recebi pressão de ninguém. Votei porque achei que era correto. Agora, acho que está mais frágil ainda. Mas esse governo é uma fábrica de escândalos. Não duvido que fatos novos apareçam. A gente sabe do histórico do PMDB, sabe como o governo é tocado, sabe o que aconteceu anteriormente. Pode vir um fato novo e ele ser afastado. Com a segunda denúncia, não acredito que mude muito a votação da última. Poderiam aumentar os votos pelo afastamento se não houvessem ocorrido esses episódios com a JBS.

Qual a opinião sobre o conteúdo dessa segunda denúncia?
Não analisei profundamente o conteúdo jurídico, mas acho que poucos mudarão de posição. A tendência é de confirmação de votos, de ambos os lados. Não há motivo para quem já achava que ele devia ser investigado deixar de manifestar de novo o seu voto a favor das investigações. O processo tende a ser curto, mas com certeza se for mais uma vez repetida a posição de negar a investigação, só vai aumentar o descrédito do Congresso Nacional na sociedade.

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Temer embolsou US$ 11 milhões pessoalmente! via

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Estamos no penúltimo ato da Guerra Híbrida.
Eu venho escrevendo desde o mensalão que estão todos juntos, e misturados, nas bandalheiras, nas três esferas da federação – municipal, estadual e federal.
Mas, adjetivarem-me logo de petistas. E ainda irá aparecer mais, se os Bilderbergs deixarem.
Quem viver verá.
Lembre-se; não há virgem na zona.
PS. Como canta o Belchior; “nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não me enganam não”!

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Brasil: da série “só dói quando eu rioBlog do Mesquita,PSDB,Bolsa Família

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Brasil da série “um buraco chamado Braziu”Amazônia,Blog do Mesquita
“Estados Unidos fará uma base militar na Amazônia,para combater tráfico de drogas e armamentos”. Hahahahahaha.
E tem quem acredite nessa cândida intenção. Hahahahaha.
Deem uma “lidinha” aí geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente!Amazônia,Blog do Mesquita

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Brasil da série “Um buraco chamado Braziu”
Maluf discursando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

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Arte – Pintura Thorvald Erichsen,Norwegian 1868-1939
Landscape,Oil on canvas
Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Thorvald Erichsen,Norwegian 1868-1939, Landscape,Oil on canvas

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Brasil da série “Um buraco chamado Braziu”
Sr. Ministro Alexandre de Moraes, do STF, derrubou com liminar, mecanismo que condicionava a participação em competições à regularidade fiscal. Vergonha.Alexandre de Moraes,STF,Blog do Mesquita

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O Estadão quer o fim do Ministério Público. Nada de mensalão, nada de petrolão, nada de quadrilhão. Seríamos felizes para sempre.

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Tenho uma duvida a respeito da “cura gay”; quem for Bissexual toma meio comprimido? Como que funciona?

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Comissão de Ética – hahahaha – da Presidência da República, abre procedimento para investigar a conduta ética – hahahaha – de Moreira Franco e Elizeu Padilha.Blog do Mesquita,Gargalhada,Pato Donald

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Arte – Escultura

Arte, Escultura,Blog do Mesquita

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‘Lava Jato’ na PM de SP: coronel detalha desvio milionário e envolve outros 18 coronéis

Em carta obtida pelo EL PAÍS, ele apresenta roteiro do que pretende delatar sobre esquema que desviou mais de 200 milhões entre 2005 e 2012. Um deputado estadual é citado

‘Lava Jato’ na Polícia Militar
Cerimônia de formatura de policiais militares em São Paulo. ALEXANDRE CARVALHO A2IMG
Um tenente-coronel promete revelar as entranhas e os beneficiários de um esquema que desviou mais de 200 milhões de reais da Polícia Militar de São Paulo. Detido desde março no presídio militar Romão Gomes no Tremembé, zona norte de São Paulo, o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo. 

Nos corredores do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, o caso é apelidado de Operação Lava Jato’da PM. Isso tanto pelo valor desviado quanto pela alta patente dos beneficiários e envolvidos. Além de tentar um acordo com o Ministério Público, o tenente-coronel escreveu uma carta, enviada à Corregedoria da Polícia Militar, em que tenta demonstrar uma espécie de lealdade à corporação e dá um roteiro do que pretende delatar.

No documento, obtido pelo EL PAÍS, Adriano levanta suspeitas de que 18 coronéis e um deputado estadual receberam recursos desviados da Polícia Militar. Ao longo de 15 páginas, o coronel se diz disposto a colaborar com investigações e sugere à Corregedoria que faça determinadas perguntas a essas 19 pessoas. Informa também que parte dos “documentos comprobatórios” de suas denúncias estão em um pendrive e um CD apreendidos pela polícia quando foi preso. Diz até que “depósitos bancários foram efetuados em dezenas de vezes, para atender a demanda desses oficiais, em épocas distintas, para diversos fins”. Mas o coronel reclama do que chama de “total parcialidade” da Corregedoria da PM. Para ele, a investigação da corporação poupou oficiais mais graduados.

Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona
Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona “depósitos bancários” para atender a demandas de coronéis que pretende delatar DANIEL HAIDAR EL PAÍS 

No fim de agosto, Adriano foi condenado pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo à perda de patente e de aposentadoria. Ainda responde a uma ação penal por peculato e é investigado em mais de 20 inquéritos. Adriano tenta uma delação premiada para receber punição mais branda em troca de revelações às autoridades.

Até se aposentar em outubro de 2012, Adriano trabalhou mais de 12 anos no Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo. Fez boa parte da carreira no setor, que é responsável por compras e licitações na corporação. Esteve lá em gestões de sucessivos comandantes da PM e de vários secretários de Segurança nos governos de Geraldo Alckmin (PSDB), Alberto Goldman (PSDB) e José Serra (PSDB). Algumas aquisições do Departamento de Suporte Administrativo precisam ser aprovadas pelo comandante-geral da PM e até pelo secretário estadual de Segurança Pública. Nas investigações da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, até agora foram identificados desvios e fraudes em mais de 200 compras entre 2005 e 2012, com mais de 20 fornecedores envolvidos – incluindo empresas de fachada.

O jornal Folha de S. Paulo revelou em 2015 que as investigações começaram restritas aos anos 2009 e 2010, mas foram ampliadas depois das reportagens do jornal. Ainda assim, o único punido até agora foi o tenente-coronel Adriano.

Ele acabou preso preventivamente depois que um outro investigado disse em depoimento à Corregedoria da PM que foi ameaçado. De acordo com esse investigado, o coronel Adriano lhe falou para “ficar com o bico calado, pois estava mexendo com peixe grande”. A prisão foi decretada pelo juiz Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, que assumiu um dos inquéritos contra Adriano depois que o juiz José Álvaro Machado Marques, inicialmente responsável pelo caso, se declarou impedido para julgar o coronel. O capitão Dilermando César Silva, subordinado de Adriano no departamento de compras, também foi preso, mas responde a processo em liberdade.

Autoridades que acompanham o caso temem que o esquema não seja totalmente investigado pelo Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. Procurado, o corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, não quis dar explicações sobre o andamento das investigações das denúncias mencionadas na carta de Adriano. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que “foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos. O IPM está em segredo de Justiça, motivo pelo qual detalhes da investigação não podem ser passados”.

Como envolve pelo menos uma autoridade com foro privilegiado, um deputado estadual, a negociação da delação premiada de Adriano depende do aval do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio. O Ministério Público informou que a proposta de colaboração premiada está sendo avaliada. “No momento, as informações estão sob análise, não cabendo ao MPSP tecer qualquer tipo de consideração sobre tais tratativas”, afirmou, em nota.

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Arte – Pintura de Otto Kubel (German, 1868 – 1951)

Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Pinturas,Otto Kubel (German, 1868 - 1951)

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Mariana Aydar – Te faço um cafuné

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Comportamento,Blog do Mesquita,Capitalismo,Miséria

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Fatos & Fotos – 17/09/2017

Debata com minhas idéias, e não comigo.
Ps. Não debato achismos.

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Quintana se revira na tumba!
“Eles passarão, eu passarinho”, diz Sr.Gilmar ao não se declarar impedido para julgar Jacob Barata Filho

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Só dói quando eu rio
Blog do Mesquita,Política,Partidos Políticos*****

A luz viaja mais rápido que o som. Por isso que algumas pessoas parecem brilhantes até você ouvi-las falando

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Quando ouço político dizer que “precisamos avançar”, começo a ter calafrios.

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Namoro e casamento: dois lados de uma relação

Blog do Mesquita,Política,Partidos Políticos

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O que acontece durante um minuto na Internet?
Estudo revela os conteúdos visualizados durante 60 segundos na rede.

Criança com o reflexo de um smartphone no rosto AGENCIA EFE
Quase metade da população mundial utiliza a Internet, ou seja, todos os dias, cerca de 3,7 bilhões de pessoas se conectam à rede para se comunicar, se informar ou se divertir. A cada ano, os infógrafos Lori Lewis e Chadd Callahan, da Cumulus Media, realizam um estudo em que analisam o que acontece na internet durante um minuto, e estas são suas conclusões sobre o uso da rede em 2017:
  • 900.000 pessoas estão conectadas ao Facebook.
  • 3,5 milhões de usuários realizam buscas no Google.
  • São enviados 452.000 tuites.
  • São postadas 46.200 fotos no Instagram.
  • No Netflix, são visualizadas 70.017 horas de conteúdo.
  • No Snapchat são criados 1,8 milhão de Snaps.
  • Um total de 15.000 GIFs são enviados por Messenger.
  • No Linkedin, 120 perfis profissionais são gerados.
  • No Spotify, são reproduzidas 40.000 horas de áudio.
  • Os usuários enviam 156 milhões de e-mails e 16 milhões de SMS.
  • São feitos 990.000 swipes [visualizações de perfis] no Tinder.
  • App Store e Google Play registram 342.000 aplicativos descarregados.
  • No YouTube são reproduzidas 4,1 milhões de horas de vídeo.

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Depufede Federal Carlos Marun, o lambe botas de Temer:
‘Vamos investigar quem nos investigou’…Carlos Marun,Blog do Mesquita,Corrupção,Temer,Brasil
 
“Sem a sociedade civilizada o homem não se distingue do animal. Sociedade “… somos nós mesmos, em certo sentido, e a melhor parte de nós mesmos, já que o homem só é homem na medida em que é civilizado – Durkheim”.
Se é terrível e desanimador reconhecer que a sociedade elege gente desse tipo, pior é perceber o silêncio dos bons, dos civilizados e mais lamentável ainda, do Poder Judiciário.

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O país(?) está fora de controle. E é irreversível.
Acreditar que há recuperação ao caos, é enxugar gelo. O Estado está, no mínimo, 50 anos atrás da realidade. Não dá mais para alcançar. É um cachorro correndo atrás do rabo. Lamento pelos otimistas.

Blog do Mesquita,Brasil,Corrupção,Cachorro atrás do rabo

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Como Temer pode escapar também da segunda denúncia de JanotBrasilien Präsident Michel Temer (picture alliance/dpa/AP/E. Peres)

Nova denúncia é mais embasada que a anterior, mas elementos que garantiram a vitória do presidente na primeira votação na Câmara dos Deputados continuam valendo.

Como esperado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou nesta quinta-feira (14/09) a segunda denúncia criminal contra o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em junho, Temer havia se tornado o primeiro presidente brasileiro a sofrer uma denúncia criminal ainda no cargo. Agora também é o primeiro com duas denúncias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Desta vez, a procuradoria acusa o presidente de organização criminosa e obstrução da Justiça. Temer é acusado de ter participado, desde 2002, de um grupo responsável pelo desvio de 587 milhões de reais. A partir de 2016, ele teria passado para um papel de liderança.

A denúncia afirma que ele “dava a necessária estabilidade e segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e alicerce da organização”. As acusações têm por base gravações, grampos telefônicos e delações.

Num documento de 245 páginas, Janot descreve como o grupo de Temer teria cobrado propina para que empresas conseguissem contratos com estatais e ministérios controlados pelo PMDB. Apenas no caso da Petrobras, o esquema teria causado prejuízo de 29 bilhões de reais. Ainda há uma acusação por obstrução da Justiça contra Temer por suspeita de que ele conspirou com o empresário Joesley Batista para comprar o silêncio de Lúcio Funaro, um operador de propinas do PMDB que está preso.

“A primeira denúncia já era bem embasada, mas tratava de uma questão pontual, o episódio da mala de dinheiro do assessor do presidente. Agora temos uma narrativa de um esquema de corrupção que dura 15 anos. Nela, o PMDB vai ampliando seu papel, a partir do segundo governo Lula, até assumir completamente o esquema de corrupção criado pelo PT. E isso tudo com as principais delações dos últimos anos. É um caso bem mais grave, e diz muito sobre o caráter do presidente”, afirmou o professor de direito constitucional Rubens Glezer, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

O impacto

Ao abordar crimes mais amplos do que a primeira denúncia e apresentar mais provas, a nova peça tem elementos para causar um terremoto no governo, mas a reação inicial no mundo político e de boa parte da imprensa brasileira tem sido de cautela. Isso porque a maior parte dos fatores que resultaram na derrota da denúncia analisada pela Câmara em agosto continuam de pé, sinalizando que o Planalto deve conseguir de novo barrar o processo. As controvérsias em torno da delação da empresa J&F, que embasam parte da denúncia, também adicionaram elementos que podem atrasar o processo.

Inicialmente, a segunda denúncia deveria ser entregue ao Supremo e depois remetida imediatamente à Câmara, que daria início ao rito que culminaria, mais uma vez, numa votação pelo plenário da Câmara. Porém, o ministro do Supremo Edson Fachin já determinou que só irá remeter o documento após o plenário da corte analisar um pedido da defesa de Temer, que pede a suspensão do andamento da denúncia até o fim das investigações sobre suposta omissão de informações nas delações da J&F. Se o plenário do Supremo acatar o pedido, o envio da denúncia pode se arrastar por semanas.

Caso o STF decida enviar a denúncia, será o início, na Câmara, do mesmo xadrez político que marcou a primeira votação. E neste cenário, a oposição deve enfrentar as mesmas dificuldades para reunir 342 votos – e com alguns elementos adicionais.

A falta de uma alternativa

“Não há ninguém no cenário político para enfrentar Temer como Temer enfrentou Dilma”, afirma o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por enquanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, repete a postura adotada no caso da primeira denúncia e não vem se colocando contra o Planalto.

“A efetividade da substituição de Temer é também cada vez mais duvidosa para boa parte do sistema político, mesmo na oposição. A cada dia interessa menos abreviar seu mandato”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper.

A experiência adquirida

Para derrubar a primeira denúncia, o governo Temer distribuiu cargos e emendas parlamentares para os deputados. Esse arsenal continua nas mãos do Planalto. A experiência da acusação anterior mostra que a oposição tem pouco poder para impedir esse tipo de cooptação.

O governo também havia promovido um intenso troca-troca nas cadeiras da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, responsável pela elaboração de um relatório inicial sobre a denúncia. O acerto foi feito com a liderança dos partidos que controlam as cadeiras. A tática resultou num documento favorável ao presidente. Nesta segunda denúncia, Temer vai se deparar com uma CCJ formada pelos mesmos deputados amigáveis que tomaram o lugar de figuras mais hostis ao Planalto.

Apoio do empresariado e silêncio das ruas

Nenhuma grande entidade empresarial se manifestou a favor da saída de Temer até agora. “Com sinais, embora ainda tímidos, de recuperação da economia, o incentivo para que o empresariado deseje a saída de Temer é ainda menor”, afirma Prando.

Também não há sinais de qualquer movimentação nas ruas contra Temer, a exemplo do que ocorreu durante a análise da primeira denúncia. Grupos que organizaram manifestações contra Dilma se concentraram nas últimas semanas em atacar Janot e criticar, na internet, parte da direita que se posicionou pela saída do presidente. No outro lado do espectro político, grupos de esquerda também vêm evitando organizar protestos, limitando-se a participar de manifestações de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Denúncias podem unir políticos

Na sua derradeira distribuição de “flechadas”, Janot também apresentou duas novas denúncias contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, além de outros nomes do PT, do PMDB e do PP. “Desta vez, Temer não está sozinho. Tantas denúncias pulverizam os efeitos. O universo político em geral não gostou do que Janot fez”, afirma Prando, sugerindo que parte da oposição também atingida pelas denúncias não deve se empenhar pela aprovação de “mais uma denúncia do Janot”.

Ainda segundo o especialista, as controvérsias em torno da delação da J&F e as suspeitas sobre um braço direito de Janot acusado de ter sido cooptado pela empresa acabaram municiando a classe política com ainda mais argumentos para rejeitar esta novadenúncia. “É muito pouco provável que um número considerável de deputados mude de posição.”

Outros fatores

Embora o cenário sinalize uma nova vitória de Temer na Câmara, há fatores que podem dificultar a vida do Planalto. “Sempre há a possibilidade de novos escândalos e brigas à medida que a disputa de 2018 se aproxima”, afirmou o analista Gaspard Estrada, da Sciences Po, de Paris.

Um desses fatores é o ex-ministro Geddel Vieira Lima, um aliado de Temer que está preso. Segundo jornais brasileiros, caso não consiga barrar a segunda denúncia no Supremo, o governo quer acelerar ao máximo o seu trâmite na Câmara para evitar que ela coincida com um possível depoimento devastador de Geddel.

A base também deve pressionar Temer por mais cargos, em especial aqueles ainda em poder do PSDB, partido que se mostrou dividido na votação da primeira denúncia. As energias canalizadas para barrar o processo também devem atrasar a votação de reformas, uma das poucas bandeiras que restam ao atual governo para justificar sua continuidade.
DW

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Placas InacreditáveisBrasil,Placas.Pastel,Suco

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Da série “Caminhando pela cidade”
A vida como não deveria ser.
Rua Joaquim Nabuco c Av. Abolição – Meireles, Fortaleza, Ce.
Foto José Mesquita – Galaxy Note VRua Joaquim Nabuco c Av. Abolição,Blog do Mesquita

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Ministro do STJ alfineta Moro: Juiz do “filme com tapete vermelho”

Ministro do STJ alfineta Moro: Juiz do “filme com tapete vermelho”Foto: Denis Ferreira Netto/ESTADÃO

“Não posso admitir e concordar com juiz emitindo nota para a imprensa, vídeos na internet, filme com tapete vermelho”, disse o ministro Sebastião Reis.

Do Conjur:

O Ministério Público e a polícia usam a imprensa com o intuito claro de criar pano de fundo favorável à acusação em processos e para defender projetos de lei absurdamente imorais, aproveitando-se da sanha acusatória que toma conta do país. Com isso, qualquer um que discorde dos órgãos de acusação é taxado como inimigo, cúmplice de bandido e favorável à corrupção.

Hoje em dia é preciso mais coragem para absolver um inocente do que para tirar a liberdade de alguém, critica Sebastião Reis.

A constatação é do ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça, que fez duras críticas à omissão das instituições em relação ao que classifica como “vazamentos seletivos” de processos.

“Vejo o Ministério Público, que prega e defende a tolerância zero, silenciando quando procedimento sigiloso é tornado público”, afirma.

Em palestra organizada pelo Instituto Victor Nunes Leal, ele afirmou que há um silêncio “assustador” em órgãos que deveriam protestar contra essa atuação, mas se calam e, pior, muitas vezes aplaudem e incentivam esse tipo de procedimento.

“Vejo a Ordem dos Advogados do Brasil se calando e em várias oportunidades pedindo que documentos ocultos sejam tornados públicos”, discursou, aplaudido por todos os presentes, entre eles, os ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal Cezar Peluso, Ayres Britto e Sepúlveda Pertence.

Ele lamentou que esse tipo de prática também esteja presente no Judiciário e citou casos em que tornam público um documento porque ele já foi divulgado de forma informal. “É um contrassenso, pois dizem que não adianta preservar como oculto algo que já foi noticiado, mas nenhuma atitude é tomada em relação ao vazamento, [nem para investigar] quem é o responsável ou, ao menos, medidas para complicar, controlar esse tipo de situação”, observou.

A omissão das instituições, apontou, levou o Brasil a uma situação absurda, onde as pessoas precisam ter coragem para defender o que acham justo. A presunção de inocência, segundo ele, acabou. E um dos motivos disso é uso indevido da mídia por instituições. “Quem é exposto na imprensa, independente se de maneira justa ou injusta, do dia para noite está condenado”, lamentou.

Ele acredita que a internet piorou esse quadro: “Os sites nunca mais vão apagar qualquer tipo de investigação que houve contra você. Se digitar o nome da pessoa, vai aparecer. E eventuais desmentidos, conclusões negativas em processo, são divulgadas de forma fria, gélida até a contragosto, sem ocupar o mesmo espaço da ocasião da acusação.”

É estranho um país onde se lê reportagens sobre a aprovação pública dos ministros da corte constitucional, afirmou. Para Reis, isso é prejudicial para o devido processo legal, porque parece que o juiz deve decidir pensando no que a população vai achar da decisão, na repercussão positiva, em vez de exercer a função com consciência e decidir de acordo com o que entende.

Magistrados no tapete vermelho

O ministro, que compõe a 6ª Turma do STJ, responsável por processos criminais, se disse chocado com uma cena que viu no STF recentemente, onde repórteres faziam fila na porta da assessoria para obter informações sobre “alguma dessas famosas lista”.

“Conversando com advogados, eles diziam que não haviam tido acesso e a única forma para conseguir aquilo era pedindo a um repórter, porque no tribunal não era possível. É nesse mundo que vivemos. Essa situação que poucas vozes ousam questionar e quem o faz certamente será massacrado, taxado de bandido”, frisou.

Hoje em dia, não é mais necessário ter coragem para prender alguém, mas para absolver um inocente, criticou. Ao lembrar de seu pai, Sebastião Reis, um dos 70 primeiros juízes federais do país, ele disse que os tempos atuais “são loucos”. “Não estamos mais no tempo dele, quando juízes falavam nos autos e evitavam maior contato com a imprensa”, afirmou.

Reis reconhece que há a necessidade de o magistrado se comunicar com a imprensa, participar de eventos, mas afirmou que é preciso fazê-lo com responsabilidade. “Não posso admitir e concordar com juiz emitindo nota para a imprensa, vídeos na internet, filme com tapete vermelho, dando entrevista para falar não de casos que poderá vir a apreciar, mas de casos que já está examinando naquele momento”, criticou.

E, nesse contexto, há situações em que o magistrado se vê obrigado a “ser parceiro da imprensa” para ter apoio e não ser objeto de critica. “Assim, o juiz começa a decidir de acordo com o que o povo quer ouvir, no que a imprensa quer ouvir, naquilo, vamos dizer, chamado de politicamente correto, mesmo que não seja o que está imposto na lei, não reflita o que está no processo”, pontuou.