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Aparelhos eletrônicos modernos possuem baixa reciclabilidade

O lixo eletrônico é um problema global, enquanto a mineração de materiais necessários para fabricação de dispositivos tecnológicos causa devastação. Quanto mais avançado o aparelho, mais difícil de ser reciclado.    

Componentes de um smartphone espalhados numa mesaUm smartphone médio contém 30 elementos químicos e um aparelho de ponta pode chegar a ter 75 elementos diferentes

Dentro de smartphones, tabletes, computadores e até televisores estão escondidos uma gama de materiais valiosos. E, no mais tardar quando o dispositivo eletrônico deixa de funcionar, esses tesouros permanecem trancafiados, esquecidos e estragando numa gaveta ou na vastidão de um aterro sanitário. O Electrical Waste Recycling Group (Grupo de Reciclagem de Lixo Eletrônico) do Reino Unido busca recuperar o máximo possível dos aparelhos antigos coletados de comerciantes, lixões e empresas que efetuaram uma atualização de seus dispositivos.

Caminhões carregados com eletrônicos redundantes estacionam do lado de fora da instalação do grupo localizada numa antiga fábrica têxtil perto da cidade de Huddersfield, no norte da Inglaterra. Uma vez dentro do complexo, os aparelhos eletrônicos são classificados e lançados em máquinas enormes e barulhentas que retiram as fiações e trituram os metais.

Materiais como o cobre são reduzidos a partículas e fundidos – em seguida, vendidos a comerciantes de metais e, eventualmente, acabam sendo utilizados na fabricação de novos produtos. As baterias são separadas e isoladas para não causarem curtos-circuitos e pegarem fogo.

Equipes de funcionários sistematicamente desmontam aparelhos antigos de televisão de tubo. A gerente de conformidade do Electrical Waste Recycling, Jane Richardson, estima que cada membro da equipe desmantele cerca de 80 televisores por dia.

“Quando fazemos excursões escolares, muitas crianças dizem que nunca viram uma dessas televisões antigas antes”, disse Richardson.

As crianças em idade escolar estão familiarizadas o suficiente com as novas telas planas – categorizadas também em cestos ao lado de outros dispositivos e peças. Mas sua mistificação com modelos mais antigos é uma prova da rapidez com que atualizamos a tecnologia em nossos lares.

Obsessão pela atualização

Embora todos os materiais preciosos neles contidos, os eletrônicos de consumo são essencialmente descartáveis. “No momento, a maioria dos eletrônicos tem vida linear, e não circular”, disse Elizabeth Jardim, do Greenpeace, em entrevista à DW. “Os dispositivos são usados e, em alguns anos, a maioria se torna lixo.”

A instalação em Huddersfield recebe anualmente cerca de oito mil toneladas métricas de lixo eletrônico. Mas isso representa apenas uma gota num oceano, em comparação com as mais de 44 milhões de toneladas métricas que são criadas anualmente em todo o mundo, segundo estimativas da ONU.

Centenas de televisores velhos jogados num lixão na Indonésia Países mais ricos exportam grande parte de seu lixo eletrônico para países mais pobres, eximindo-se da função de reciclagem

E os aparelhos que provavelmente atualizamos com maior frequência – os telefones celulares – são notadamente os menos presentes na instalação de reciclagem em Huddersfield.

“Os smartphones são realmente difíceis de reciclar e, no final das contas, os fabricantes não se envolvem com a comunidade de reciclagem”, disse Shaun Donaghy, diretos de operações do Electrical Waste Recycling, em entrevista à DW. “O final da vida útil dos produtos não lhes interessa.”

De acordo com um relatório emitido pelo Greenpeace em 2017, a energia consumida anualmente na produção de smartphones aumentou de 75 terawatt-hora (TWh), em 2012, para cerca de 250 TWh em 2016. Os smartphones também contêm metais de terras raras, cuja extração carrega um preço alto em várias maneiras.

Resíduos, veneno e abuso

Um novo relatório da Sociedade Real Britânica de Química (RSC) descobriu que um smartphone médio contém 30 elementos diferentes. Outras estimativas apontam que este número pode chegar a até 75 elementos em alguns modelos de ponta. Tântalo, ítrio, índio e arsênico são ingredientes essenciais que podem acabar dentro de 100 anos. Índio, por exemplo, é crucial para telas sensíveis ao toque e painéis solares.

“É transparente, adere ao vidro e realmente não encontramos nada que possa fazer o que ele faz”, explicou Elisabeth Ratcliffe, da RSC. “Trata-se de um dos elementos mais raros da Terra – um subproduto da mineração de zinco. Para obter alguns miligramas de índio, é necessário extrair um quilograma de zinco.”

A extração dessas reservas indescritíveis é cara, consome muita energia e deixa um rastro de resíduos tóxicos. A grande maioria dos metais de terras raras é extraída na China, onde as fontes de água em Jiangxi, Mongólia Interior e Shandong ficaram poluídas.

Metais de terras raras são uma categoria específica de 17 elementos químicos diferentes. Assim como outros materiais-chave da tecnologia (cobalto, estanho, tungstênio, tântalo e ouro), estes também têm sido associados a operações exploradoras que usam trabalho infantil, financiam conflitos na África e causam doenças respiratórias entre os mineradores.

Manifestantes do Greenpeace exigem que a Samsung recicle smartphones com defeitoManifestantes do Greenpeace exigem que a Samsung recicle milhões de aparelhos Galaxy Note 7 com defeito

O Electrical Waste Recycling consegue recuperar dos smartphones materiais como cobre, alumínio, chumbo, vidro e plástico – mas mesmo a reciclagem destes materiais tem se mostrado desafiador: o uso de adesivos de colagem forte em vez de parafusos dificulta o desmembramento.

Separar elementos reutilizáveis de metais de terras raras é um processo muito mais complicado, pois envolve processos químicos complexos e caros – e está além das capacidades da instalação em Huddersfield.

Cientistas trabalham em melhores maneiras de recuperar esses materiais preciosos. No momento, estima-se que apenas 1% dos metais de terras raras seja reciclado. E, à medida que avançamos em direção a um futuro sem combustível fóssil, precisaremos cada vez mais destes materiais para manter um sistema cada vez mais dependente de energia elétrica.

“À medida que as economias se eletrificam, a demanda por baterias aumenta”, disse Josh Lepawsky, especialista da Universidade de Newfoundland, no Canadá, responsável pelo mapeamento de lixo eletrônico. “Há enormes questões em aberto sobre como a descarbonização por intermédio da eletrificação será equilibrada em relação aos danos ambientais causados na extração de recursos.”

Mudança nas mãos dos fabricantes

Do lado do consumidor, existem alternativas para as grandes marcas de smartphones. A Fairphone, por exemplo, tenta obter materiais de forma mais sustentável e projetar produtos com uma vida útil mais longa e mais fáceis de serem consertados.

Mas com as pessoas acostumadas a designs inovadores, telas sensíveis ao toque e as principais empresas envolvidas na produção de intrincados dispositivos repletos de elementos químicos, as marcas como Apple e Samsung precisam fazer mais, segundo Lepawsky.

“Podemos entrar num loja e escolher entre uma variedade de modelos, mas a química subjacente a esses modelos é muito semelhante”, disse Lepawsky. “São os fabricantes que estão em posição de mudar essa química. Portanto, a ideia de mudança impulsionada pelo consumidor é quase um conceito sem sentido.”

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Nurit Bensusan¹ – Biodiversidade, a nossa única opção

“Se nós somos animais, por que na porta dos shoppings está escrito ‘é proibida a entrada de animais’ e nós podemos entrar?” Fui confrontada com essa pergunta muitas vezes quando tentava explicar às crianças que nós, humanos, somos uma espécie animal, parte da natureza, apenas mais um elemento da gigantesca biodiversidade do planeta. A pergunta, por si só, já diz muito. Crescemos acreditando que os humanos são uma espécie a parte e que o meio ambiente é apenas o cenário para nossa existência.

O resultado é que não nos vermos como parte da natureza, não reconhecemos o valor das outras espécies, dos ecossistemas e das paisagens e acreditamos que nossa tecnologia garantirá condições para a vida humana, a despeito das transformações do clima, das extinções de espécies e do desaparecimento das paisagens.

Não ficamos absolutamente estarrecidos com a notícia que a última vez que houve tão pouco gelo no Ártico como hoje foi há 115 mil anos. Não arrancamos os cabelos quando lemos que uma a cada oito espécies do planeta está ameaçada de extinção, totalizando mais de um milhão de espécies. Tão pouco deixamos de dormir com os números gigantescos do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Não nos angustia que abelhas desaparecem, cigarras não cantem mais, vagalumes não pisquem e golfinhos comam plástico…

 Mas deveríamos…

Muitos acham que as mudanças climáticas não são relevantes e que não fazem diferença na nossas vidas. Ainda assim, os termômetros sobem, as emissões de CO2 aumentam cotidianamente e os eventos extremos se tornam mais frequentes.

Muitos acreditam que o mais importante é aumentar a produção agropecuária a qualquer preço, destruindo o Cerrado e a Amazônia. Ainda assim, o desmatamento desses biomas traz enormes prejuízos, comprometendo a disponibilidade de água, a fertilidade dos solos, o controle de pragas e doenças e a estabilidade climática.

Podemos estar convencidos que a rica natureza brasileira é uma maldição a qual devemos superar para chegar a ser “desenvolvidos”. Ainda assim, é na nossa biodiversidade que reside a nossa maior possibilidade de crescer como um país mais justo e mais inclusivo.

Colmeia

Podemos até aplaudir as medidas tomadas pelo atual governo contra o meio ambiente. Podemos apostar que de fato existe uma indústria de multas ambientais que precisa ser contida. Podemos acreditar que os índios estão loucos para vender suas terras e se mudarem para a periferia das grandes cidades brasileiras. Podemos até dormir sossegados sabendo que nossos parques nacionais e outras áreas protegidas estão sob a mira desse governo que quer abrir esses espaços para a mineração, a grilagem e a exploração madeireira.

Ainda assim, o Brasil continua sendo a casa da natureza mais exuberante do mundo, com um enorme potencial econômico, seja no desenvolvimento de novos produtos, seja no turismo. Ainda assim, as multas ambientais fazem parte de uma política destinada a conter os avanços constantes de grileiros e de outros que fazem um uso inapropriado e ilegal dos recursos naturais brasileiros. Ainda assim, os povos indígenas preferem continuar em suas terras, mantendo sua cultura e aproveitando eventuais elementos da nossa sociedade que lhes sejam convenientes, como celulares, computadores e educação universitária. Ainda assim, abrir parques e outras áreas protegidas para atividades como a mineração e a exploração madeireira não deixa de ser vender o futuro para apostar num presente tacanho.

Hoje, dia internacional da biodiversidade, talvez seja uma oportunidade para pensar: será que com essa exuberante biodiversidade que existe no Brasil, não seria possível uma nova forma de desenvolvimento? Será que o conhecimento que povos indígenas e comunidades locais possuem da natureza combinado com a ciência feita no país não delinearia novos e promissores caminhos? Como expandir as inúmeras experiências bem sucedidas de uso equilibrado da biodiversidade Brasil afora?

É hora de pensar no nosso destino, como humanidade que divide o planeta com inúmeras espécies; pensar para onde nos conduzirão os descaminhos ambientais do Brasil; pensar se a biodiversidade não é, de fato, nosso passaporte para um mundo melhor…

E para ajudar, fica o verso do poeta Manoel de Barros: “Quem não tem ferramentas de pensar, inventa”.

¹Nurit Bensusan, coordenadora adjunta do Programa de Política e Dioreito do ISA e especialista em Biodiversidade

Foto: Pixabay

No Paraná, cidadãos podem trocar recicláveis e pneus usados por frutas, verduras e legumes frescos

A cidade de Ponta Grossa, no Paraná, encontrou uma maneira para lá de incrível de incentivar a população a descartar pneus usados de forma correta. A destinação do resíduo é um desafio no município, onde é possível ver os pneus jogados a céu aberto em qualquer lugar. Mas o cenário promete mudar graças ao programa Feira Verde, que convida os moradores a trocar pneus usados por frutas, verduras, legumes, ovos e mel.

Para participar é superfácil e não precisa nem de inscrição! Basta acessar o site da iniciativa e conferir o cronograma com as datas e locais onde a Feira Verde estará montada. A troca por alimentos pode ser feita com pneus usados ou ainda com materiais recicláveis. A única regra é que cada morador leve até 20 quilos de resíduos para fazer o escambo. Assim tem para todo mundo!

E para deixar tudo mais bacana, 100% dos produtos oferecidos na feira são cultivados por produtores locais que praticam agricultura familiar. E mais: os resíduos coletados por meio da iniciativa são destinados a quatro associações de catadores de materiais recicláveis. Assim, numa tacada só, a cidade resolve o problema da destinação incorreta de resíduos, incentiva hábitos de alimentação mais saudáveis entre a população e fomenta os mercados da reciclagem e da agricultura familiar. É ou não é uma iniciativa e tanto para ser replicada pelo resto do Brasil?

Em Ponta Grossa, o projeto já faz sucesso: mais de 13 mil pessoas participaram da Feira Verde em 2017 e 136 produtores locais foram beneficiados. Palmas para o Paraná!

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1ª bike do mundo feita com plástico reciclado é brasileira

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Garrafas PET, embalagens de shampoo, peças de geladeira…

Na mão do artista plástico uruguaio Juan Muzzi, radicado no Brasil, todo tipo de resíduo plástico vira matéria-prima para a produção de bikes. Ele é dono da patente da primeira bicicleta do mundo feita com plástico reciclado. O modelo foi desenvolvido e fabricado no Brasil, mais especificamente em São Paulo, após doze (!) anos de pesquisa.

Tanto esforço valeu a pena! Atualmente a empresa de Muzzi, a MuzziCycle, produz dez mil unidades da bike de plástico reciclado por mês e está, inclusive, com lista de espera de compradores. O sucesso é tanto que a companhia já possui até filial na Holanda e na Argentina.

A fim de pedalar uma dessas por aí? É possível se cadastrar na lista de espera aqui. Os clientes podem optar por comprar a bicicleta inteira ou só o quadro feito com plástico reciclado – e o preço, claro, varia.

Para um futuro próximo, Muzzi planeja aumentar a produção – afinal, mercado ele já percebeu que não falta – e ainda desenvolver um modelo de cadeira de rodas feita com plástico reciclado.

A ideia é que os deficientes físicos não paguem pelo produto, apenas financiem a matéria-prima, que atualmente vem de ONGs que recolhem sucata. Assim, além de ajudar o meio ambiente, o processo ainda gera renda para os catadores. Muito bom, não? Pedala, mundão!

Foto: Divulgação/MuzziCycle

Ambiente,Ecologia,Reciclagem,Poluição,Copos Desacatáveis,Boulder

Boulder abraça uma solução radical para copos de café descartáveis

Ambiente,Ecologia,Reciclagem,Poluição,Copos Desacatáveis,BoulderCopos de navio empilhados
© Vessel Works (usado com permissão)
Confira uma caneca de aço inoxidável isolada de graça, como você faria um livro da biblioteca.

Da próxima vez que você estiver andando por uma rua da cidade, pare um momento para notar quantas pessoas estão levando xícaras de café descartáveis. Muito certo? Parece quase um vício, essa compulsão de levar a bebida a todos os lugares e tem um custo ambiental muito alto. Estima-se que 58 bilhões de xícaras são jogadas em aterros todos os anos apenas nos EUA, impossíveis de reciclar devido ao seu fino revestimento de plástico.

Se trazer o próprio copo é uma solução tão pouco confiável, e se as pessoas estão ocupadas demais para parar por alguns minutos e beber café de uma caneca de cerâmica, então o que um dono de uma cafeteria de mente sustentável pode fazer?

A cidade de Boulder, Colorado, está prestes a provar que há uma maneira melhor de fazer café. Fez parceria com uma startup chamada Vessel Works para oferecer canecas isoladas em aço inoxidável em várias cafeterias da cidade. Os clientes podem ‘conferir’ essas canecas usando um aplicativo, enchê-las com a bebida de sua preferência e depois deixar a cafeteria como normalmente faria. A caneca suja pode ser devolvida a qualquer café participante ou a quiosques em outros locais, até cinco dias após o uso. Depois desse ponto, há uma multa de US $ 15 por canecas perdidas, que são rastreadas usando o aplicativo.

Grande parte do apelo do modelo da Vessel Works é que os donos de cafeterias não precisam lidar com canecas sujas (ao contrário do programa similar de compartilhamento de canecas em Freiburg, na Alemanha , onde as cafeterias limpam as canecas em si). Nesse caso, eles são retirados e limpos pela Vessel Works, e a taxa por xícara é menor do que as pequenas lojas pagam por copos de papel. Então, eles economizarão dinheiro não apenas em copos, mas também em lidar com pilhas de lixo encharcado. De fato, os benefícios financeiros poderiam se estender a todos os cidadãos pagadores de impostos, que pagam pela coleta de lixo municipal, e que, em teoria, poderiam ter taxas menores se houvesse menos lixo. A Vessel Works também não possui custos iniciais de participação.

Ambiente,Ecologia,Reciclagem,Poluição,Copos Desacatáveis,BoulderReutilizável é sempre uma opção melhor do que descartável, mesmo que seja compostável ou reciclável. (A Starbucks tem prometido a última há anos e não está entregando, mas realmente não resolve o problema maior da geração desenfreada de lixo e do consumo de recursos.) O aço inoxidável é um material totalmente reciclável e não se degrada após nenhum dos seus ciclos de vida.

Depois, há o lado estético das coisas, para não ser negligenciado. Beber café de uma linda caneca isolada é mais agradável do que uma xícara de café de papel, e se você não precisa pagar nada por ela, melhor ainda. O fundador, Dadny Tucker, disse à FastCo :

“Estamos tentando atrapalhar o status quo de todo um setor, essencialmente. E acreditamos que, ao dar ao usuário um feedback imediato sobre o impacto positivo que estão tendo, fazendo uma pequena mudança de comportamento, poderemos ver isso se transformar em mudanças de comportamento maiores “.

Ambiente,Ecologia,Reciclagem,Poluição,Copos Desacatáveis,Boulderderramando café no copo da embarcação
© Vessel Works (usado com permissão)

Estou animado com este lançamento, que está começando com quatro cafeterias em Boulder, com planos de expansão nacional no longo prazo. Um projeto piloto que a Vessel Works realizou em Brooklyn e Manhattan descobriu que as pessoas começaram a reavaliar todos os seus hábitos de uso único após algumas semanas de uso dessas canecas. Isso é algo que o mundo precisa desesperadamente agora.

Empresas buscam imagem ecologicamente correta, mas consomem muita energia

As máquinas de Jeff Rotshchild no Facebook tinham um problema que ele sabia que precisava ser resolvido imediatamente. Estavam a ponto de derreter.Segurança observa servidores em central de processamento de dados em Las Vegas

Segurança observa servidores em central de processamento de dados em Las Vegas

A companhia ocupava um imóvel alugado em Santa Clara, um galpão de 18 por 12 metros, com fileiras de servidores necessários para armazenar e processar as informações sobre as contas de seus membros. A eletricidade que fluía para os computadores estava causando o derretimento de portas de rede e outros componentes cruciais.

Pensando rápido, Rotshchild, o diretor de engenharia da companhia, enviou seus subordinados em uma expedição para comprar todos os ventiladores que pudessem. “Nós esgotamos o estoque de todas as lojas Walgreens da área”, ele disse – para soprar ar frio na direção do equipamento e impedir que o site caísse.

Isso aconteceu no começo de 2006, quando o Facebook tinha modestos 10 milhões de usuários e seus servidores estavam instalados em um só local. Hoje, as informações geradas por mais 1,5 bilhão de pessoas exigem versões maiores dessas instalações, chamadas centrais de dados – Data Centers – , com fileiras e mais fileiras de servidores, espalhadas por áreas de dezenas de milhares de metros quadrados, e tudo com sistemas industriais de refrigeração.

E esses servidores representam apenas uma fração das dezenas de milhares de centrais de processamento de dados que hoje existem para sustentar a explosão generalizada da informação digital. Volumes imensos de dados são movimentados a cada dia, sempre que as pessoas usam o mouse ou suas telas sensíveis ao toque para baixar filmes ou música, verificar os saldos em seus cartões de crédito no site da Visa, enviar e-mails com arquivos anexados via Yahoo!, adquirir produtos na Amazon, postar no Twitter ou ler jornais on-line.

Um estudo conduzido pelo “New York Times” ao longo dos últimos 12 meses revelou que essa fundação da indústria da informação contrasta fortemente com a imagem de esguia eficiência e postura ecologicamente correta que o setor tenta apresentar.

A maioria das centrais de processamento de dados consome vastos montantes de energia, deliberadamente e de maneira perdulária, de acordo com entrevistas e documentos. As companhias de internet operam suas instalações em capacidade máxima, 24 horas por dia, não importa qual seja a demanda. Como resultado, as centrais de processamento de dados podem desperdiçar 90% ou mais da eletricidade que recebem da rede, de acordo com o estudo.

Para se protegerem contra quedas de energia, elas dependem, também, de conjuntos de geradores a diesel, causadores de emissões. A poluição gerada pelas centrais de processamento de dados viola a regulamentação de ar limpo norte-americana, de acordo com documentos oficiais. No Vale do Silício, muitas das centrais de processamento de dados constam do Inventário de Contaminantes Tóxicos do Ar, um documento governamental que lista os principais causadores de poluição em função do uso de diesel, na região.

No restante do mundo, esses armazéns de informação digital utilizam cerca de 30 bilhões de watts de eletricidade, mais ou menos o equivalente a 30 usinas nucleares, de acordo com estimativas compiladas para o estudo por especialistas setoriais. As centrais de processamento de dados norte-americanas respondem por entre um quarto e um terço dessa carga, de acordo com as estimativas.

“A dimensão desses números é espantosa para a maioria das pessoas, mesmo profissionais do setor. O tamanho assusta”, diz Peter Gross, que ajudou a projetar centenas de centrais de processamento de dados. “Uma central de processamento de dados pode consumir mais energia que uma cidade de tamanho médio.”

A eficiência energética varia amplamente de empresa para empresa. Mas, a pedido do “New York Times”, a consultoria McKinsey analisou o uso de energia pelas centrais de processamento de dados e constatou que, em média, elas empregavam na realização de computações apenas entre 6% e 12% da eletricidade que seus servidores recebem. O restante da energia é usado essencialmente para manter ligados servidores ociosos, em caso de um pico de atividade que possa desacelerar as operações do sistema ou causar quedas.

Um servidor é uma espécie de computador desktop bem reforçado, sem tela ou teclado, com chips para processar dados. O estudo examinou como amostra 20 mil servidores instalados em 70 grandes centrais de processamento de dados, em ampla gama de organizações: companhias farmacêuticas, fabricantes de equipamento bélico, bancos, empresas de mídia e agências do governo.

“Esse é o segredinho sujo do setor, e ninguém quer ser o primeiro a admitir culpa”, disse um importante executivo do setor que pediu que seu nome não fosse revelado, a fim de proteger a reputação de sua empresa. “Se fôssemos um setor industrial, estaríamos rapidamente fora do negócio”, afirmou.

As realidades físicas do processamento de dados ficam bem distantes da mitologia da internet, onde as vidas são vividas em um mundo “virtual” e a memória fica armazenada “na nuvem”.

O uso ineficiente de energia é propelido em larga medida pelo relacionamento simbiótico entre os usuários que exigem resposta imediata ao clicar o mouse e as empresas que correm o risco de quebra caso não cumpram essas expectativas.

Nem mesmo o uso intensivo de eletricidade da rede parece suficiente para satisfazer o setor. Alem dos geradores, a maior parte das centrais de processamento de dados abriga bancadas de imensos volantes de inércia ou milhares de baterias elétricas –muitas das quais parecidas com as dos automóveis– a fim manter os computadores em ação em caso de queda da rede elétrica nem que por apenas alguns milésimos de segundo, já que uma interrupção dessa ordem poderia bastar para derrubar os servidores.

“É um desperdício”, diz Dennis Symanski, pesquisador sênior no Instituto de Pesquisa da Energia Elétrica, uma organização setorial de pesquisa sem fins lucrativos. “É ter número exagerado de apólices de seguro.”

Pelo menos uma dúzia de grandes centrais de processamento de dados foram autuadas por violações dos códigos de qualidade do ar só nos Estados da Virgínia e Illinois, de acordo com registros dos governos estaduais. A Amazon foi autuada por mais de 24 violações em um período de três anos, no norte da Virgínia, o que inclui operar alguns de seus geradores sem licença ambiental.

Algumas poucas empresas dizem que estão usando sistemas de software e refrigeração fortemente modificados para reduzir o desperdício de energia. Entre elas estão o Facebook e o Google, que também alteraram seu hardware. Ainda assim, dados revelados recentemente apontam que as centrais de processamento de dados do Google consomem quase 300 milhões de watts, e as do Facebook, 60 milhões de watts.

Há muitas soluções como essas facilmente disponíveis, mas, em um setor avesso a riscos, a maior parte das empresas reluta em conduzir mudanças amplas, de acordo com especialistas setoriais.

Melhorar o setor, ou mesmo avaliá-lo, é um processo complicado pela natureza sigilosa de uma indústria criada basicamente em torno do acesso a dados de terceiros.Central de processamento de dados em Ashburn, Virgínia, atrás de uma subestação de energiaCentral de processamento de dados em Ashburn, Virgínia, atrás de uma subestação de energia
Brendan Smialowski/The New York Times

Por motivos de segurança, as empresas tipicamente não revelam a localização de suas centrais de processamento de dados, que ficam abrigadas em edifícios anônimos e fortemente protegidos. As empresas também protegem sua tecnologia por razões de concorrência, diz Michael Manos, um veterano executivo do setor. “Todas essas coisas se influenciam mutuamente para fomentar a existência de um grupo fechado, que só recebe bem aqueles que já são membros”, disse.

O sigilo muitas vezes se estende ao uso de energia. Para complicar ainda mais qualquer avaliação, não há uma agência governamental específica cujo trabalho seja fiscalizar o setor. Na verdade, o governo federal norte-americano nem mesmo sabe quanta energia as suas próprias centrais de processamento de dados consomem, de acordo com funcionários envolvidos em uma pesquisa completada no ano passado.

A pesquisa constatou que o número de centrais de processamento de dados federais cresceu de 432 em 1998 a 2.094 em 2010.

Para investigar o setor, o “New York Times” obteve milhares de páginas de documentos municipais, estaduais e federais sobre instalações que consomem grande volume de energia, alguns por recurso às leis de acesso à informação. Cópias das licenças para instalação de geradores e informações sobre seu nível de emissão de poluentes foram obtidas junto a agências ambientais, que ajudaram a estabelecer a localização de algumas centrais de processamento de dados e a obter detalhes sobre suas operações.

Além de revisar dados de uso de eletricidade, repórteres do “New York Times” também visitaram centrais de processamento de dados em todo o território dos Estados Unidos e conduziram centenas de entrevistas com trabalhadores e prestadores de serviço do setor, atuais e passados.

Alguns analistas alertam que à medida que continuam a crescer o volume de dados e o uso de energia, as companhias que não alterarem suas práticas poderão se ver sujeitas a uma reacomodação, em um setor propenso a grandes viradas, como por exemplo o estouro da primeira bolha da internet, no final dos anos 1990.

“Não é sustentável”, diz Mark Bramfitt, ex-executivo do setor de eletricidade e hoje consultor para os setores de energia e tecnologia da informação. “Eles vão colidir contra uma muralha.”

BYTES AOS BILHÕES

Usando uma camisa do Barcelona e bermudas, Andre Tran caminhava pela central de processamento de dados do Yahoo! em Santa Clara, Califórnia, da qual ele é gerente de operações. O domínio de Tran –que abriga entre outras coisas servidores dedicados a bolões de esportes (fantasy sports) e compartilhamento de fotos– serve como boa amostra das incontáveis salas de computadores onde as marés mundiais de dados vêm repousar.

Fileiras e mais fileiras de servidores, com luzes amarelas, azuis e verdes piscando silenciosamente, se estendiam por um piso branco repleto de pequenos orifícios redondos que expelem ar frio. Dentro de cada servidor estão instalados discos rígidos que armazenam os dados. O único indício de que a central serve ao Yahoo!, cujo nome não estava visível em parte alguma, era um emaranhado de cabos nas cores da empresa, púrpura e amarelo.

“Pode haver milhares de e-mails de usuários nessas máquinas”, diz Tran, apontando para uma fileira de servidores. “As pessoas guardam seus velhos e-mails e anexos para sempre, e por isso é necessário muito espaço.”

Estamos diante do dia a dia da informação digital –estatísticas de desempenho de atletas fluindo para servidores que calculam resultados de bolão e a classificação dos participantes, fotos de férias no exterior quase esquecidas em dispositivos de armazenagem. É só quando a repetição dessas e de outras transações semelhantes é adicionada que o total começa a se tornar impressionante.

Os servidores se tornam mais velozes a cada ano, e os dispositivos de armazenagem avançam em densidade e caem de preço, mas o índice furioso de produção de dados avança ainda mais rápido.

Jeremy Burton, especialista em armazenagem de dados, diz que, quando trabalhava para uma empresa de tecnologia de computadores, dez anos atrás, seu cliente que requeria mais dados tinha 50 mil gigabytes em seus servidores. (A armazenagem de dados é medida em bytes. A letra N, por exemplo, requer um byte para armazenagem. Um gigabyte equivale a 1 bilhão de bytes de informação.)

Hoje, cerca de um milhão de gigabytes são processados e armazenados em uma central de processamento de dados para a criação de um desenho animado em 3D, diz Burton, agora executivo da EMC, uma empresa cuja especialidade é a gestão e armazenagem de dados.

A bolsa de valores de Nova York, um dos clientes da empresa, produz, só ela, 2.000 gigabytes de dados ao dia, e é preciso manter essas informações armazenadas durante anos, ele acrescenta.

A EMC e a IDC estimam que mais de 1,8 trilhão de gigabytes de informações digitais foram criados no planeta no ano passado.

“É uma corrida entre nossa capacidade de criar dados e nossa capacidade de armazená-los e administrá-los”, diz Burton.

Cerca de três quartos desses dados, estima a EMC, foram criados por consumidores comuns.

Sem o senso de que os dados são físicos e de que armazená-los exige espaço e energia, os consumidores desenvolveram o hábito de enviar grandes pacotes de dados, tais como vídeos ou e-mails coletivos com fotos anexadas, uns aos outros. Mesmo ações aparentemente corriqueiras, como executar um aplicativo que encontre um restaurante italiano em Manhattan ou permita chamar um táxi em Dallas, requerem que servidores sejam ativados e estejam prontos para processar a informação instantaneamente.

A complexidade de uma transação básica é um mistério para a maioria dos usuários. Enviar uma mensagem com uma foto anexa para um vizinho pode envolver um percurso de centenas ou milhares de quilômetros por cabos de internet e múltiplas centrais de processamento de dados, antes que o e-mail chegue ao outro lado da rua.

“Se você disser a alguém que essa pessoa não pode acessar o YouTube ou baixar filmes do Netflix, ela responderá que esse é um direito essencial”, diz Bruce Taylor, vice-presidente do Instituto Uptime, uma organização profissional que atende a companhias que utilizam centrais de processamento de dados.

Para sustentar toda essa atividade digital, hoje existem mais de 3 milhões de centrais de processamento de dados em atividade no planeta, com dimensões muito variadas, de acordo com dados da IDC.

Nos Estados Unidos, as centrais de processamento de dados consumiram 76 bilhões de kilowatts-hora em 2010, ou cerca de 2% da eletricidade utilizada no país naquele ano, de acordo com análise de Jonathan Koomey, pesquisador da Universidade Stanford que vem estudando o uso de energia nas centrais de processamento de dados há mais de uma década. A DatacenterDynamics, uma companhia de Londres, calculou números semelhantes.

O setor vem argumentando há muito que digitalizar as transações de negócios e tarefas cotidianas como ir ao banco ou ler livros retirados em uma biblioteca significaria economia de energia e recursos, em termos finais. Mas a indústria do papel, que muita gente previa viria a ser destruída pelos computadores, consumiu 67 bilhões de kilowatts-hora da rede elétrica norte-americana em 2010, de acordo com dados do Serviço de Recenseamento revisados para o “New York Times” pelo Instituto de Pesquisa da Energia Elétrica.

Chris Crosby, presidente-executivo da Compass Datacenters, de Dallas, disse que a proliferação da infraestrutura digital não está revelando sinais de desaquecimento.

“Existem novas tecnologias e melhoras”, disse Crosby, “mas tudo continua a depender de uma tomada elétrica”.

DESPERDÍCIO ‘COMATOSO’ DE ENERGIA

Os engenheiros da Viridity Software, uma empresa iniciante que ajuda companhias a administrar seus recursos energéticos, não se surpreenderam com aquilo que descobriram in loco em uma grande central de processamento de dados perto de Atlanta.

A Viridity foi contratada para realizar testes de diagnóstico básicos. Seus engenheiros constataram que a central, como dezenas de outras que pesquisaram, consumia a maior parte de sua energia mantendo ativos servidores que faziam pouco mais que desperdiçar eletricidade, diz Michael Rowan, então vice-presidente de tecnologia da Viridity.Geradores dentro de caixas brancas em central de processamento de dados do Facebook em Prineville, OregonGeradores dentro de caixas brancas em central de processamento de dados do Facebook em Prineville, Oregon Steve Dykes/The New York Times

Um executivo importante da central de processamento já suspeitava que houvesse algo de errado. Ele havia conduzido uma pesquisa informal, anteriormente, colando etiquetas vermelhas nos servidores “comatosos”, um termo empregado por engenheiros para definir servidores que estão conectados e usando energia ainda que seus processadores estejam realizando poucas, se alguma, tarefas de computação.

“No final do processo, parecia que a central estava sofrendo de sarampo”, disse Martin Stephens, esse executivo, em um seminário do qual participou com Rowan. “Havia um número inacreditável de etiquetas vermelhas.”

Os testes da Viridity confirmaram as suspeitas de Stephens: em uma amostra de 333 servidores monitorados em 2010, mais de metade estavam comatosos. No total, quase três quartos dos servidores da amostra estavam usando menos de 10% de seu poder de processamento, em média, para processar dados.

A operadora da central de dados não era uma companhia precária, ou um serviço de jogos de azar on-line, mas a LexisNexis, uma gigante do setor de banco de dados. E a situação estava longe de constituir exceção.

Em muitas instalações, os servidores têm instalados os aplicativos que usarão e são mantidos em atividade por prazo indefinido, mesmo que a maioria dos usuários esteja inativa ou novas versões do mesmo programa estejam rodando em outra parte da rede.

“É preciso levar em conta que a explosão do uso de dados é o que causa isso”, disse Taylor, do Uptime. “Chega um ponto em que ninguém mais é responsável, porque não há quem se disponha a entrar naquela sala e desligar um servidor.”

Kenneth Brill, engenheiro que fundou o Uptime em 1993, diz que o baixo aproveitamento da capacidade começou com o “pecado original” do ramo de processamento de dados.

No começo dos anos 90, explica Brill, sistemas operacionais de software que hoje seriam considerados primitivos costumavam travar quando solicitados a fazer coisas demais, ou mesmo se fossem ligados e desligados com rapidez. Em resposta, os técnicos de computador raramente executavam mais de um aplicativo em cada servidor, e mantinham as máquinas ligadas o dia todo, não importa a frequência com que o aplicativo fosse utilizado.

Assim, no momento mesmo em que as agências de energia do governo iniciaram campanhas para convencer os consumidores a desligar seus computadores caso não os estivessem usando, nas centrais de processamento de dados a diretriz era a de manter os computadores ligados a todo custo.

Uma queda ou desaceleração podia significar fim de carreira, conta Michael Tresh, antigo executivo da Viridity. E um ramo nascido da inteligência e audácia passou a ser regido por algo mais: o medo do fracasso.

“Os operadores de centrais de processamento de dados temem perder seus empregos, dia após dia”, diz Tresh. “E isso acontece porque o setor não os apoia caso aconteça uma falha.”

Em termos técnicos, a fração do poder de processamento de um computador que esteja sendo utilizado para processamento de dados é definida como “índice de utilização”.

A consultoria McKinsey, que analisou os índices de utilização a pedido do “New York Times”, vem monitorando essa questão pelo menos desde 2008, quando publicou um relatório que não foi muito noticiado fora do setor. Os números continuam persistentemente baixos. Os níveis atuais, de entre 6% e 12%, são pouco melhores que os de 2008. Devido a acordos de confidencialidade, a McKinsey não está autorizada a revelar os nomes das empresas cujos servidores foram incluídos em sua amostragem.

David Cappuccio, vice-presidente executivo de pesquisa no Gartner, um grupo de pesquisa sobre tecnologia, diz que sua pesquisa recente sobre uma grande amostra de centrais de processamento de dados demonstra que o índice de utilização típico é da ordem de 7% a 12%.

“É dessa forma que superdimensionamos e operamos nossas centrais de processamento de dados, há anos”, diz Cappuccio. “Vamos superdimensionar caso precisemos de capacidade adicional, um nível de conforto que custa muito dinheiro. E custa muita energia.”

Os servidores não são os únicos componentes de uma central de processamento de dados que consomem energia. Sistemas industriais de refrigeração, circuitos para manter carregadas as baterias de reserva e a simples dissipação nas extensas redes de cabos elétricos respondem cada qual por certa proporção de desperdício.

Em uma central de processamento de dados típica, essas perdas, combinadas à baixa utilização, significam que a energia desperdiçada pode ser 30 vezes maior que a utilizada para realizar a tarefa básica da instalação.

Algumas empresas, organizações acadêmicas e grupos de pesquisa demonstraram que práticas imensamente mais eficientes são possíveis, ainda que comparar os diferentes tipos de tarefa seja difícil.

O Centro de Computação Científica do Instituto Nacional de Pesquisa da Energia, que consiste de agrupamentos de servidores e mainframes no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, registrou índice de utilização de 96,4% em julho, diz Jeff Broughton, o diretor de operações do centro. Essa eficiência foi obtida pela criação de uma cronograma de tarefas que as ordena de forma a permitir que as máquinas operem com poder praticamente pleno 24 horas por dia.

Uma empresa chamada Power Assure, de Santa Clara, comercializa uma tecnologia que permite que centrais de processamento de dados comerciais desliguem servidores de maneira segura, quando seu uso não é necessário –de madrugada, por exemplo.

Mas, mesmo com programas agressivos para convencer seus maiores clientes a poupar energia, a Silicon Valley Power não foi capaz de persuadir nem mesmo uma central de processamento a utilizar essa técnica em Santa Clara, diz Mary Medeiros McEnroe, gerente de programas de eficiência energética da companhia.

“É o nervosismo da comunidade da tecnologia de informações quanto à possibilidade de que algo não esteja disponível quando precisarem disso”, diz McEnroe.

Mas os ganhos de eficiência promovidos por Stephens na LexisNexis ilustram a economia que poderia ser realizada.

No primeiro estágio do projeto, ele disse que, ao consolidar o trabalho em número menor de servidores e atualizar o hardware, pôde reduzir o espaço utilizado de 2.250 metros quadrados para 900 metros quadrados.

As centrais de processamento de dados evidentemente precisam de capacidade de reserva disponível constantemente, e obter um índice de utilização de 100% não seria possível. Elas têm de estar preparadas para lidar com picos de tráfego.

Symanski diz que essa baixa eficiência faz sentido apenas sob a lógica obscura da infraestrutura digital.

“Você estuda a situação e pensa que é absurdo operar um negócio desse jeito”, diz. E a resposta é muitas vezes a mesma, acrescenta: “Ninguém ganha bonificações por reduzir a conta de eletricidade. As bonificações vêm para os engenheiros que conseguem manter a central de processamento de dados em operação 99,999% do tempo”.

OS MELHORES PLANOS

Em Manassas, Virgínia, a gigante do varejo Amazon opera servidores para seu serviço de computação em nuvem, entre uma garagem de caminhões, um silo de grãos inativo, uma madeireira e um depósito de lixo no qual máquinas comprimem cargas de resíduos para reciclagem.

Os servidores ficam em duas centrais de processamento de dados, abrigadas em três edificações com cara de armazém, com paredes corrugadas verdes. Nos telhados, grandes dutos, capazes de abrigar sistemas de refrigeração de capacidade industrial, são visíveis, e fileiras de geradores a diesel estão instaladas do lado de fora.Um dos seis geradores a diesel em uma grande central de processamento de dadosUm dos seis geradores a diesel em uma grande central de processamento de dados – Richard Perry/The New York Times

O termo “nuvem” em geral é utilizado para descrever as funções de uma central de processamento de dados. De forma mas específica, se refere a um serviço que alugue capacidade de computação para uso por terceiros. As instalações usadas para isso são abastecidas primordialmente pela rede nacional de eletricidade, mas quase sempre utilizam geradores e baterias para prover eletricidade em caso de quedas de energia.

As centrais de Manassas estão entre as pelo menos oito centrais de processamento de dados que a Amazon opera no norte da Virgínia, de acordo com os registros do Departamento de Qualidade Ambiental daquele Estado.

O departamento conhece bem a Amazon. Como resultado de quatro inspeções, a partir de outubro de 2010, a companhia foi informada pelas autoridades de que seria multada em US$ 554.476, por instalar e operar geradores diesel repetidamente sem obter as licenças ambientais necessárias para tanto na Virgínia.

Mesmo que não haja quedas de energia, os geradores continuam a emitir gases, porque precisam ser testados regularmente.

Depois de meses de negociações, a penalidade foi reduzida a US$ 261.638. Em uma avaliação de “grau de culpabilidade”, todas as 24 violações constatadas foram classificadas como “graves”.

Drew Herdener, porta-voz da Amazon, admitiu que a empresa “não obteve as devidas licenças” antes que os geradores fossem ativados. “Todos os geradores foram subsequentemente aprovados e licenciados”, afirmou.

As violações vieram se somar a uma série de infrações menores em uma das centrais de processamento de dados da Amazon, em Ashburn, Virgínia, que em 2009 valeram multa de US$ 3.496 à companhia, de acordo com os registros do departamento.

De todas as coisas que a internet deveria se tornar, é seguro dizer que ninguém antecipava que ela resultaria na proliferação de geradores auxiliares.

Terry Darton, antigo executivo na agência ambiental da Virgínia, diz que, na região de 14 condados em que trabalhava no Estado, foram concedidas a centrais de processamento de dados licenças para operar geradores de capacidade próxima à de uma usina nuclear, se somados.

“É chocante saber que tanta energia está disponível”, disse Darton, que se aposentou em agosto.

Não há dados nacionais sobre violações ambientais relacionadas a centrais de processamento de dados, mas uma verificação em diversos departamentos de proteção ecológica sugere que elas estão começando a atrair a atenção das autoridades regulatórias de todo o país.

Nos últimos cinco anos, na área de Chicago, por exemplo, a Savvis e a Equinix, duas importantes empresas de internet, receberam autuações por violações, de acordo com os registros da Agência de Proteção Ambiental do Illinois. Além da Amazon, as autoridades da Virgínia também autuaram centrais de processamento de dados operadas por Owest, Savvis, VeriSign e NTT America.

A despeito de todas as precauções –o enorme fluxo de eletricidade, as bancadas de baterias e os geradores a diesel–, as centrais de processamento de dados continuam a cair.

A Amazon, especialmente, sofreu uma série de defeitos no norte da Virgínia, nos últimos anos. Um deles, em maio de 2010 em uma central em Chantilly, tirou do ar por mais de uma hora companhias que dependem da nuvem da Amazon –uma eternidade, no ramo de dados.

Determinar a causa do defeito resultou em mais um problema de informação.
A Amazon anunciou que a falha havia sido causada “quando um veículo colidiu contra um poste de alta voltagem em uma estrada perto de uma de nossas centrais de processamento de dados”.

Na verdade, esse acidente de carro era um mito, uma informação equivocada que um operário local da empresa de energia transmitiu à sede da Amazon. A Amazon mais tarde informou que sua rede elétrica sobressalente havia desativado parte da central de processamento de dados por engano depois de o que a Dominion Virginia Power definiu como curto-circuito em um poste elétrico que causou duas quedas temporárias de energia.

Herdener, da Amazon, informou que o sistema sobressalente havia sido reformulado e que “não antecipamos que essa situação venha a se repetir”.

A FONTE DO PROBLEMA

No ano passado, em 11 de novembro, um ramal de US$ 1 bilhão que abastece a rede nacional de energia entrou em operação, estendendo-se por cerca de 345 quilômetros do sudoeste da Pensilvânia ao condado de Loudon, Virgínia, passando pelas montanhas Allegheny, da Virgínia Ocidental.

O trabalho foi financiado com o uso de dinheiro dos contribuintes. Steven Herling, executivo de primeiro escalão da PJM Interconnection, a agência interestadual que controla essa rede elétrica, disse que a necessidade de abastecer as muitas centrais de processamento de dados que estão surgindo no norte da Virgínia havia “ajudado a decidir” em favor do projeto, em meio a uma situação econômica deprimida.

As centrais de processamento de dados da área hoje consomem quase 500 milhões de watts de eletricidade, disse Jim Norvelle, porta-voz da Dominion Virginia Power, a grande geradora local de energia. A Dominion estima que essa carga possa subir a mais de 1 bilhão de watts em cinco anos.

As centrais de processamento de dados estão entre os clientes prediletos das empresas de energia. Muitas destas, em diversas regiões dos Estados Unidos, se esforçam por atrair clientes desse tipo, devido às cargas de uso constante, 24 horas por dia. Consumo grande e firme é lucrativo para as distribuidoras de energia porque permitem que planejem suas compras de energia com antecedência e que faturem mais à noite, quando cai a demanda de outros clientes.

Bramfitt diz temer que essa dinâmica esteja encorajando um setor perdulário a perpetuar seus hábitos de desperdício. Mesmo com toda a energia e o hardware que estão sendo dedicados a esse campo, há também quem acredite que será um desafio acompanhar o tsunami digital, se os métodos atuais de processamento e armazenagem de dados continuarem em uso.Fileiras de servidores em uma grande central de processamento de dadosFileiras de servidores em uma grande central de processamento de dados – Richard Perry/The New York Times

Alguns especialistas setoriais acreditam que a solução esteja na nuvem: centralizar a computação em um conjunto de centrais de processamento de dados grandes e bem operadas. Essas centrais dependeriam pesadamente de uma tecnologia conhecida como virtualização, que na prática permite que servidores aglutinem suas identidades na forma de recursos de computação grandes e flexíveis que podem ser distribuídos aos usuários conforme a necessidade, onde quer que estejam.

Um defensor dessa abordagem é Koomey, de Stanford. Mas ele diz que muitas empresas que tentam gerir centrais de processamento de dados próximas, em suas sedes ou espaços alugados, continuam pouco familiarizadas com a nova tecnologia da nuvem ou não confiam nela. Infelizmente, essas empresas respondem pela grande maioria da energia consumida por centrais de processamento de dados, segundo ele.

Outros expressam grande ceticismo quanto à nuvem, dizendo que ela às vezes parece uma crença mística em possibilidades negadas pela infraestrutura física que a sustenta.

Usar a nuvem “só muda o local em que os aplicativos são executados”, diz Hank Seader, diretor de pesquisa e educação do Instituto Uptime. “Mas tudo passa por uma central de processamento de dados em algum lugar.”

Há quem pergunte se a linguagem usada na internet não constitui barreira para a compreensão das suas realidades físicas, que não devem mudar. Um exemplo é a questão da armazenagem de dados, diz Randall Victora, professor de engenharia elétrica na Universidade de Minnesota que pesquisa sobre diversos dispositivos de armazenagem magnética.

“Quando alguém diz ‘vou armazenar alguma coisa na nuvem e não preciso mais de disco rígido’ –bem, a nuvem está armazenada em discos rígidos”, diz Victora. “Continuaremos a precisar deles. Só passaremos a ignorar o fato.”

Não importa o que aconteça com as companhias, está claro que, entre os consumidores, expectativas já bem assentadas propelem a necessidade de uma infraestrutura tão grandiosa.

“É isso que propele o imenso crescimento – a expectativa do usuário final de que terá acesso a tudo, a qualquer hora, em qualquer lugar”, disse Cappuccio, do Gartner. “Somos nós que causamos o problema.”
JAMES GLANZ
DO “NEW YORK TIMES”, EM SANTA CLARA, CALIFÓRNIA
Tradução de PAULO MIGLIACCI

Lixo eletrônico: um mercado com potencial milionário

No Brasil, reciclagem de medidores de energia gera lucro para empresas e meio ambiente

Trabalhador separa medidores obsoletos.
Trabalhador separa medidores obsoletos. M. K. CERATTI/B. M.

Com que periodicidade você troca de telefone celular? Em 2018, os latino-americanos devem jogar no lixo 4.800 toneladas de lixo eletrônico ou e-waste, 10% do total global, segundo pesquisa da GSMA e do Instituto Universitário das Nações Unidas para o Estudo Avançado da Sustentabilidade (UNU-IAS). O percentual é semelhante ao registrado em 2014, quando a América Latina produziu 3.900 toneladas de resíduos desse tipo. O que chama a atenção é o índice de crescimento anual, 6%, maior do que os 5% do resto do mundo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Entram nessa conta não só os celulares, computadores e eletrodomésticos, mas também equipamentos cuja existência mal se nota no dia a dia, como os medidores de energia. Embora sejam pequenos, fiquem escondidos nas casas e não contenham metais pesados, os medidores podem causar riscos ambientais e à saúde a partir do momento em que são jogados de qualquer forma em lixões ou aterros sanitários.

Em compensação, são totalmente reaproveitáveis e têm potencial lucrativo se descartados corretamente e reciclados, em um esquema denominado logística reversa. Assim foi feito no Brasil, país latino-americano que mais produz lixo eletrônico: 1.400 toneladas em 2014, de acordo com a GSMA e o UNU-IAS.

Um trabalho do Banco Mundial e da Eletrobras em seis Estados (Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Roraima e Rondônia) tornou possível leiloar medidores obsoletos, transformadores, cabos e outros equipamentos a empresas de reciclagem. Com a venda, as operadoras locais de energia arrecadaram 5,4 milhões de reais, a serem revertidos a projetos sociais.

A iniciativa faz parte do projeto Energia Mais, cujo objetivo é melhorar a qualidade da transmissão e reduzir os problemas da medição incorreta e do roubo, que custam cerca de 15 bilhões de reais por ano ao Brasil.

Rastreáveis

“A cada leilão, as empresas recicladoras se comprometeram a destruir os medidores obsoletos, para acabar com qualquer chance de eles serem reaproveitados na própria rede de distribuição, agravando os problemas que eram o alvo do projeto”, explica Christophe de Gouvello, gerente do projeto no Banco Mundial. “O destino final desses elementos se tornou rastreável para termos certeza de que não parariam em um lixão”, acrescenta.

Ele ainda destaca o interesse que o mercado de reciclagem teve pelos equipamentos, apesar de eles estarem em Estados distantes da maioria das empresas do setor. Para muitas dessas companhias, os leilões serviram de motivação para se organizar e profissionalizar.

Uma delas, a Trafominas, fica em Guaxupé, cidade de 70.000 habitantes em Minas Gerais. O fundador, Geovani Marques, atuava como pequeno comerciante de metais entre o sul do Estado e o norte de São Paulo quando fundou a empresa, em 2007. Ele aprendeu aos poucos que, para poder fechar negócios maiores, teria de reformar a sede e buscar certificações de gerenciamento ambiental.

Comprar material não certificado não é mais parte da nossa rotina”, conta Marques, referindo-se a um problema ainda muito comum no setor: o processamento informal ou ilegal de lixo eletrônico (material roubado, por exemplo), que movimenta entre 12,5 bilhões e 18,8 bilhões de dólares anuais no mundo, segundo a Interpol.

Hoje, a empresa só processa material que não seja fruto de roubo e tem na reciclagem dos medidores 40% das receitas. O ferro, o cobre, o vidro, o alumínio e o plástico presentes nos equipamentos saem de lá separados e certificados para os compradores de vários tipos de indústrias. Para dar conta do serviço, a equipe passou de 12 a 25 funcionários.

Nos países em desenvolvimento, a coleta e a reciclagem de resíduos sólidos emprega mais de 64 milhões de pessoas, aponta o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) no estudo Waste Crime – Waste Risks. É uma atividade econômica que não só gera renda como ajuda a preservar o meio ambiente, segundo esse e outros estudos da ONU sobre o tema. Mas requer mais regulações e investimentos para se fortalecer, inclusive na América Latina.

Dos 21 países da região, Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, México e Peru contam com marcos regulatórios para o descarte e tratamento adequado desses resíduos. No entanto, só Costa Rica, México e Brasil dispõem de empresas de reciclagem no padrão internacional R2, que busca proporcionar maior segurança ao ambiente e à saúde dos trabalhadores.

Avanços

Para Marcio Batitucci, especialista em salvaguardas do Banco Mundial, o projeto com a Eletrobras trouxe avanços importantes que podem ser aplicados a todo o Brasil, onde o tema da logística reversa para eletroeletrônicos ainda gera controvérsia, apesar de o país discutir o tema em seu Plano Nacional de Resíduos Sólidos. E, também, inspirar outros países latino-americanos.

“Não se tratou apenas de pegar os equipamentos antigos e entregar para as companhias de reciclagem. Como esse material era de uma empresa pública, precisava ser alienado de forma adequada e não foi só a área de meio ambiente que atuou nisso. Os departamentos legal e de almoxarifado, por exemplo, também participaram”, explica.

Se a reciclagem de simples medidores de energia demandou tanto trabalho, imagine o que é preciso para fazer o mesmo com celulares, computadores e outros equipamentos que vão para o lixo todo ano. Mas é um esforço necessário para que os componentes desses produtos não prejudiquem ainda mais o meio ambiente e a saúde dos latino-americanos.

Mariana Kaipper Ceratti é produtora online do Banco Mundial

Tênis feito de lixo marinho e abrigo desmontável para refugiados

Museu do Design escolhe melhores projetos do ano

Design MuseumImage copyrightDESIGN MUSEUM

O Museu do Design de Londres abre em novembro a exposição com os indicados à nona edição do prêmio Beazley Designs of the Year 2016: projetos que incluem um tênis feito de plástico reciclado retirado dos oceanos, um abrigo para refugiados com isolamento térmico e a capa do último álbum de David Bowie.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os indicados – divididos nas categorias arquitetura, digital, moda, gráfico, produto e transporte – não são apenas objetos e gadgets futurísticos, móveis de luxo ou grandes projetos arquitetônicos. Isso porque o prêmio também funciona como uma bússola das preocupações e ansiedades da sociedade e da comunidade internacional de designers e arquitetos.

Há projetos que se concentram em transporte, como o aplicativo que proporciona uma navegação mais simples para ciclistas em cidades e o capacete que emite sinais de luz a outros motoristas.

Veja abaixo alguns dos indicados ao prêmio.

Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, IKEA Foundation, UNHCRImage copyrightKARLSSON, KANTER, GUSTAFSSON, DE HAAS, IKEA UNHCR

Um dos projetos indicados para o prêmio Beazley é o criado pela rede de loja de móveis sueca Ikea de uma barraca desmontável para famílias de refugiados. O projeto, criado em parceria com a agência de refugiados da ONU, é o de um abrigo temporário para pessoas que tiveram que abandonar suas casas devido a guerras ou desastres naturais. O abrigo é de fácil montagem: é feito de painéis laminados isolantes e protegidos de raios ultravioleta, que podem ser encaixados uns com os outros.

Adidas, Alexander Taylor, Parley for the Oceans, Sea ShepherdImage copyrightADIDAS, TAYLOR, PARLEY FOR THE OCEANS

A Adidas criou, em parceria com a organização ambientalista Parley for the Oceans, um projeto que envolve novas tecnologias para reciclar lixo retirado dos oceanos. A parceria foi anunciada na ONU em 2015 com o lançamento de um conceito para um tênis feito a partir de redes de pesca e resíduos plásticos encontrados no mar. Em junho de 2016, a o projeto conceito virou realidade e a parceria lançou cem pares do tênis de corrida Adidas Parley.

Jonathan BarnbrookImage copyrightJONATHAN BARNBROOK

A capa do último álbum de David Bowie foi criada pelo designer Jonathan Barnbrook, com o símbolo de uma estrela negra da Unicode (a organização que padroniza códigos dos emojis). O símbolo, que pronuncia-se Blackstar, foi criado usando elementos de fonte aberta – tanto que que se transformou em trabalho de fonte aberta depois da morte de Bowie, o que permitiu que os fãs interagissem e usassem o design. Foi indicada na categoria gráfica.

Gillian Holdsworth, Chris Howroyd, Mollie Courtenay, Glyn Parry, Paula Baraitser, Michael Brady, Anatole Johansson, Sarah Cox, Leanne Ford, Adan Whittingham, Anders Fisher, Richard VickerstaffImage copyrightSH:24 TEAM

Indicado na categoria digital, o SH: 24 é um serviço de saúde sexual que fornece exames, informações e aconselhamento online. Criado a partir de uma parceria entre os chamados councils de Londres (equivalentes a subprefeituras) e o serviço público de saúde britânico, o NHS, tem como objetivo desafogar as unidades físicas de saúde. O usuário do serviço online SH:24 recebe em casa kits de exames para verificar doenças como clamídia, sífilis, gonorreia e HIV, manda as amostrasao laboratório e recebe os resultados viamensagem de texto confi’dencial.

Brian Gartside, Aaron Stephenson, Theresa DankovichImage copyrightBRIAN GARTSIDE, AARON STEPHENSON, THERESA DANKOVIC

Na categoria produto também foi indicado o “livro potável”. O projeto quer conscientizar as pessoas sobre a crise da água, combinando filtros de papel que podem matar bactérias com informações impressas neles. Basta arrancar qualquer página do livro e ela vai se transformar em um filtro com nanopartículas de prata que pode purificar cem litros de água.

Mark Weislogel, Andrew Wollman, John Graff, Donald Pettit, Ryan Jenson, NasaImage copyrightWEISLOGEL, WOLLMOAN, JOHN GRAFF, PETTIT, NASA

Ainda na categoria de produtos, um projeto almeja eliminar o uso de canudinhos por astronautas. A xícara de café espacial é resultado de experiências realizadas no ambiente de pouca gravidade da Estação Espacial Internacional. Ali, os astronautas geralmente consomem líquidos através de canudinhos colocados em sacos plásticos lacrados para evitar que se espalhem. Agora, a “xícara espacial” usa a tensão da superfície, propriedades dos líquidos e um formato único para dispensar os canudos e levar o líquido diretamente para a boca do astronauta.

Mark Jenner, Tom Putnam, Map Project OfficeImage copyrightMARK JENNER, TOM PUTNAM, MAP PROJECT OFFICE

Indicado na categoria transporte, o BeeLine é um dispositivo de navegação simplificado voltado para ciclistas. Em vez de dar instruções a cada passo do caminho, o BeeLine deixa o ciclista escolher sua própria rota, mas ao mesmo tempo guia-o na direção de seu destino, em um processo parecido ao de uma bússola.

Eu-wen Ding, Jeff Haoran ChenImage copyrightEU-WEN DING, JEFF HAORAN CHEN

Ainda na categoria transporte, o Lumos é um capacete inteligente com luzes integradas, que dá sinais de freio e de seta. Equipado com um acelerômetro, o Lumos detecta quando o ciclista está diminuindo a velocidade e, automaticamente, mostra o sinal de freio para que as pessoas que estão vindo logo atrás enxerguem facilmente. O projeto usa recursos oriundos de financiamento coletivo.

Idea&Design: Erwin Bauer, Anne Hofmann, Dasha Zaichanka, Katharina Hölzl, Miriam KollerImage copyrightIDEA&DESIGN

O projeto de pictogramas (símbolos simplificados, como aqueles de portas de banheiros) voltados para o atendimento de refugiados foi um dos indicados na categoria gráficos. A ideia do “kit de primeiros socorros para refugiados e ONGs” surgiu durante a crise de refugiados na Europa em 2015. O objetivo é criar instruções simples que podem ser compreendidas por pessoas de várias nacionalidades que chegam aos campos. Os símbolos foram criados em parceria com organizações como a Cruz Vermelha e contemplam vários idiomas e crenças religiosas, além de fornecer informações sobre segurança, abrigo e assistência médica.

Serão escolhidos projetos vencedores em cada categoria e um vencedor geral. O anúncio será efeito em 26 de janeiro de 2017 e todos os indicados estarão em exposição no Museu do Design de Londres entre os dias 24 de novembro e 19 de fevereiro.
ViaBBC