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Paul Eluard – Poesia – 07/04/24

Boa noite. A Noite Paul Elouard¹ Acaricia o horizonte da noite, busca o coração de azeviche que a aurora recobre de carne. Ele te porá nos olhos pensamentos inocentes, chamas, asas e verduras que o sol ainda não inventou. Não é a noite que te falta, mas o seu poder. ¹Eugène-Émile-Paul Grindel * Saint-Denis, França – 1895 + Paris, França – 1952 O poeta adotou o “Éluard”, depois, que era o sobrenome de sua avó materna. Com 16 anos, acometido de tuberculose, foi internado no sanatório de Clavadel, na Suíça, onde teve como colega o nosso Manuel Bandeira. Foi o primeiro encontro de Éluard com um grande artista brasileiro. Leia mais e o Poema Libertè, traduzido

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Paul Elouard – Versos na tarde – 07/05/2015

Gritar Paul Elouard¹ Aqui a ação simplifica-se Derrubei a paisagem inexplicável da mentira Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos Ponho-me a gritar Todos falavam demasiado baixo falavam e escreviam Demasiado baixo Fiz retroceder os limites do grito A acção simplifica-se Porque eu arrebato à morte essa visão da vida Que lhes destinava um lugar perante mim Com um grito Tantas coisas desapareceram Que nunca mais voltará a desaparecer Nada do que merece viver Estou perfeitamente seguro agora que o Verão Canta debaixo das portas frias Sob armaduras opostas Ardem no meu coração as estações As estações dos homens os seus astros Trémulos de tão semelhantes serem E o meu grito nu sobe um degrau Da escadaria imensa da alegria E esse fogo nu que pesa Torna a minha força suave e dura Eis aqui a amadurecer um fruto Ardendo de frio orvalhado de suor Eis aqui o lugar generoso Onde só dormem os que sonham O tempo está bom gritemos com mais força Para que os sonhadores durmam melhor Envoltos em palavras Que põem o bom tempo nos meus olhos Estou seguro de que a todo o momento Filha e avó dos meus amores Da minha esperança A felicidade jorra do meu grito Para a mais alta busca Um grito de que o meu seja o eco. Paul Éluard, in “Algumas das palavras” dom quixote, 1977 trad. António Ramos Rosa e Luisa Neto Jorge ¹ Eugène-Émile-Paul Grindel * Saint-Denis, França – 1895 d.C + Paris, França – 1952 d.C [ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

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Paul Elouard – Versos na tarde – 07/01/2015

Seus olhos sempre puros Paul Elouard ¹ Dias de lentidão, dias de chuva, Dias de espelhos quebrados e agulhas perdidas, Dias de pálpebras fechadas ao horizonte [ dos mares, De horas em tudo semelhantes, dias de cativeiro. Meu espírito que brilhava ainda sobre as folhas E as flores, meu espírito é desnudo feito o amor, A aurora que ele esquece o faz baixar a cabeça E contemplar seu próprio corpo obediente e vão. Vi, no entanto, os olhos mais belos do mundo, Deuses de prata que tinham safiras nas mãos, Deuses verdadeiros, pássaros na terra E na água, vi-os. Suas asas são as minhas, nada mais existe Senão o seu vôo a sacudir minha miséria. Seu vôo de estrela e luz, Seu vôo de terra, seu vôo de pedra Sobre as vagas de suas asas. Meu pensamento sustido pela vida e pela morte. ¹ Eugène-Émile-Paul Grindel * Saint-Denis, França – 1895 d.C + Paris, França – 1952 d.C >> biografia de Paul Elouard [ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

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Paul Elouard – Versos na tarde – 10/07/2014

A noite Paul Elouard ¹ Acaricia o horizonte da noite, busca o coração de azeviche que a aurora recobre de carne. Ele te porá nos olhos pensamentos inocentes, chamas, asas e verduras que o sol ainda não inventou. Não é a noite que te falta, mas o seu poder. ¹ Eugène-Émile-Paul Grindel * Saint-Denis, França – 1895 d.C + Paris, França – 1952 d.C >> biografia de Paul Elouard [ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

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Paul Elouard – Versos na tarde – 29/05/2014

Capital da Dor Paul Elouard ¹ Teu olhar faz a volta do meu coração, Uma roda de dança e de doçura, Auréola do tempo, berço noturno e seguro, E se não sei mais o que tenho vivido É porque teus olhos nem sempre me enxergaram. Folhas do dia e musgo do rocio, Caniços do vento, sorrisos perfumados, Asas que cobrem o mundo de luz, Barcos carregados de céu e mar, Caçadores de ruídos e fontes de cores. Aromas nascidos de uma ninhada de auroras Que sempre jaz sobre a palha dos astros, Como o dia depende da inocência O mundo inteiro depende dos teus olhos puros E o meu sangue todo flui nos olhares deles. ¹ Eugène-Émile-Paul Grindel * Saint-Denis, França – 1895 d.C + Paris, França – 1952 d.C >> biografia de Paul Elouard [ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

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