Arquivo

João Cabral de Melo Neto – Versos na tarde – 13/03/2016

A Palo Seco João Cabral de Melo Neto¹ Trechos do poema ( Quaderna – 1960 ) Se diz a palo seco o cante sem guitarra; o cante sem; o cante; o cante sem mais nada; se diz a palo seco a esse cante despido: ao cante que se canta sob o silêncio a pino. O cante a palo seco é o cante mais só: é cantar num deserto devassado de sol; é o mesmo que cantar num deserto sem sombra em que a voz só dispõe do que ela mesma ponha. … A palo seco existem situações e objetos: Graciliano Ramos, desenho de arquiteto, as paredes caiadas, a elegância dos pregos, a cidade de Córdoba, o arame dos insetos. Eis uns poucos exemplos de ser a palo seco, dos quais se retirar higiene ou conselho: não de aceitar o seco por resignadamente, mas de empregar o seco porque é mais contundente. ¹João Cabral de Melo Neto * Recife, Pe. – 9 de Janeiro de 1920 d.C + Rio de Janeiro, Rj. – 9 de Outubro de 1999 d.C

Leia mais »