TI II/05 -Telecapitalismo do atraso

Aula de atraso e exemplo de avanço.
Élio Gaspari – Jornalista – Jornal O Globo

   Com o naufrágio da “MP do Bem” atolou mais uma vez o programa de financiamento de computadores baratos para o andar de baixo – de R$ 1.400 até R$ 2.500 no varejo.

   Esse acidente legislativo mostra como é difícil planejar e executar uma providência que, pelo menos em tese, ajuda quem precisa.
Consumiram-se quase três anos em negociações entre o Congresso, a Receita Federal, o Planalto, o BNDES e o baronato da indústria nacional.
Cada um deve ter uma explicação para justificar a demora.

   Todos ficam devendo o resultado: computador na loja que é bom, nada.

   Com o propósito de ilustrar o preço da lengalenga, aqui vai uma breve história da transformação da Índia no maior exportador de software fora do grupo dos países de maior desenvolvimento. São cerca de US$ 18 bilhões anuais.
Até 1984, o país não tinha indústria de informática mas, como o Brasil, tinha um baronato de reserva de mercado.
A importação de um computador levava de seis a 64 meses. Entre 1976 e 1977, importaram-se 441 máquinas.
Nisso mataram Indira Gandhi e seu filho Rajiv, um piloto de jatos na aviação comercial (casado com aeromoça italiana), assumiu o governo.
Em 20 dias ele simplificou e reduziu as tarifas de importação de máquinas e programas.
Mais tarde, liberou geral para seis pólos de desenvolvimento.

   Hoje a IBM está cortando 13 mil empregos na Europa e nos Estados Unidos, e vai criar 14 mil na Índia.
Estima-se que entre 2000 e 2015 terão migrado três milhões de empregos dos EUA para a Índia.

   Em 1984 achava-se que Rajiv, assassinado em 1991, era um boboca.

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