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Tinha que ser mulher

Por Adriana Vandoni

Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ e articulista de A Gazeta. Blog: www.argumento.bigblogger.com.br

Tenho escutado e lido diversos comentários sobre a atuação da mulher em postos de decisórios no país, ou na falta de mulheres nesses postos. Um leitor me disse certa vez que o Brasil chegou a esse ponto de desmoralização por estar sofrendo com a falta de duas matérias-primas importantíssimas: “homem de peito e mulher de coco”.

É lógico que ele não estava se referindo a mudança de opção sexual, mas a retidão e determinação de conduta. Uma pesquisa realizada pela Vox Populi mostrou que as mulheres são consideradas pela população e até mesmo pelos próprios homens, mais confiáveis, honestas, competentes, firmes, capazes e mais responsáveis.
Talvez devido a isso o cenário da vida pública venha mudando, mesmo que a passos lentos, e a mulher cada vez ocupa mais espaço. Prova disso foi a posse da Ministra Ellen Gracie como Presidente da mais alta Corte do país por mérito próprio.

Mas este artigo não é para comemorar a sua posse, até porque, quem já leu sobre a carreira dela percebe que esse foi um caminho natural. Talvez, agora que assume a presidência do poder, ela possa corrigir os estragos e restabelecer a confiança no STF, perdida principalmente durante o período em que “Nelson já foi tarde Jobim” presidiu.

Na terça-feira passada a Ministra mostrou a que veio. Revogou uma surpreendente decisão do Tribunal Regional Federal que concedeu liberdade aos presos envolvidos no esquema das ambulâncias, os sanguessugas. Para a Ministra o TRF “anulou as prisões decretadas em decisão alheia à sua jurisdição”. Ou seja, enfiaram a colher numa panela que não era deles.

A decisão de soltura dos presos pelo TRF foi como uma gota d’água em um copo que já está cheio de tanta impunidade e imoralidade. Essas ações corroboram com o sentimento de descrédito, desânimo e humilhação, comuns a todos os brasileiros que possuem ao menos um pingo de hombridade.

Precisamos restabelecer a sensação de justiça neste país e para isso, a presença de Ellen Grace na presidência do STF pode ser fundamental. Ela acredita que a Justiça só pode diminuir a sua atuação (e este seria o ideal) quando o amadurecimento entre as relações e o respeito entre as pessoas atingir tal ponto, que se faça desnecessária a intervenção da justiça. Nunca por omissão ou interesses políticos, como vem acontecendo.

Pois é, tinha que ser mulher mesmo e as brasileiras são assim, bravas, guerreiras e porretas.
A história do Brasil está repleta de valentes e corajosas mulheres, por isso começo a concordar com aquele leitor, o Brasil carece mesmo de “mulheres de coco”, se quisermos transformar este país. E os homens sabem disso.

Não é a toa que dentro da Operação Sanguessuga, a Polícia Federal gravou uma pitoresca conversa, no dia 30 de janeiro, entre os envolvidos Ivo Rosa, genro de Darci Vedoin (dono da Planam), e Marcelo de Carvalho, assessor do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), onde Marcelo reclamou: “O problema é que quem vai assinar é a Ministra Ellen”.

É, não querendo desmerecer os Ministros do STF, mas o problema é que quem assinou foi a Ministra Ellen.
Tinha que ser mulher!

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