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Estudo alerta para significativa emissão de CO² em margens de rios e lagos secos

Para a manutenção da vida na Terra, apenas 0,03% de gás carbônico (CO2) na atmosfera terrestre é suficiente.

Mesmo apesar de todos esforços científicos e também educacionais, presenciamos todos os dias noticiários sobre o aumento do desmatamento, onde só piora mais ainda esse fator. Já se falam também em uma nova Pandemia mais devastadora do que a que nós estamos vivenciando. E a que se vivência atualmente é só um ensaio para a próxima! Onde iremos parar se não começarmos a pensar? Na destruição do Globo em massa! É lamentável depois de tudo isso nada ser mudado, avaliado, pensado…. É lamentável!

O seu excesso faz com que a temperatura global aumente provocando desequilíbrios – o aumento de 3,5 °C da temperatura do planeta é capaz de promover a extinção de 70% de todas as espécies, de acordo com uma projeção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03

Um estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com o Helmholtz Centre for Environmental Research (UFZ) na Alemanha e o Catalan Institute for Water Research (ICRA) na Espanha, descobriu que as taxas de emissão de CO2 em áreas secas de ambientes aquáticos, como bordas de rios, lagos e reservatórios, que secam em períodos de estiagem, são significativas em escala global.

De acordo com o pesquisador do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade da UFJF, Nathan Barros: “Nos modelos atuais, estes fluxos não são considerados e diziam que eram insignificantes. Nossa hipótese era que os fluxos não eram insignificantes”.

A razão disso é que os sedimentos expostos pela dessecação de ambientes aquáticos podem contribuir para elevar as taxas de emissões de CO2 para a atmosfera mais do que a superfície da água durante períodos inundados.

Os pesquisadores testaram essa hipótese realizando uma investigação em escala global para quantificar os fluxos de CO2 em 196 áreas secas de ambientes aquáticos de todos os continentes, com exceção da Antártica, em diferentes tipos de ecossistemas de águas interiores e zonas climáticas.

Os resultados sugerem que as áreas investigadas, consideradas “insignificantes”, emitem mais CO2 do que áreas de lagos e lagoas inundadas. Barros explica que é importante entender os fluxos dos gases de efeito estufa causadores das mudanças climáticas e o tamanho dessa emissão.

Clima,Meio Ambiente,Blog do Mesquita

Coronavírus ameaça milhões de pessoas deslocadas por condições meteorológicas extremas e conflitos

Forçados a deixar suas casas por inundações, tempestades e guerras, as pessoas deslocadas internamente em todo o mundo estão agora em risco de pandemia.

É difícil praticar regras de distanciamento e higiene, sem um lar seguro.

O clima extremo deslocou 24 milhões de pessoas em seus países em 2019, com conflitos e outros desastres expulsando outros 9,5 milhões de suas casas, de acordo com um relatório publicado terça-feira pelo Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos (IDMC).

Inundações e tempestades – particularmente ciclones, tufões e furacões – deslocaram 10 milhões e 13 milhões de pessoas, respectivamente, com incêndios, secas, deslizamentos de terra e temperaturas extremas contribuindo para outros 900.000 deslocamentos. Cerca de um milhão de pessoas fugiram de vulcões e terremotos.

Os números são um lembrete de que o deslocamento arranca milhões de vidas a cada ano e que “pouco é feito para encontrar soluções”, escreveram os autores do relatório. Alguns que fogem ou são evacuados mais tarde retornam às suas casas, mas o número total de pessoas deslocadas cresceu ao longo dos anos ao seu nível mais alto de sempre. Cerca de 51 milhões de pessoas vivem deslocadas – muitas em campos lotados e com falta de saneamento.

Agora eles têm que lidar com uma pandemia.

Um grande número de pessoas deslocadas internamente vive em condições em que a disseminação do coronavírus será ainda mais fácil, disse Alexandra Bilak, diretora do IDMC.

“Como você diz às pessoas para ficar em casa quando suas casas foram destruídas por um desastre?”A água potável é escassa em muitos campos de refugiados.

O clima extremo está ficando mais intenso à medida que o planeta esquenta.

Crises globais como mudança climática, migração forçada e o coronavírus se alimentam de maneiras inesperadas. Eles criam “tempestades perfeitas onde as pessoas são atingidas com mais força”, disse Maarten Van Aalst, diretor do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Regras de distanciamento físico para conter o vírus, por exemplo, poderiam deixar os ginásios das escolas e os salões da igreja menos capazes de abrigar vítimas de tempestades e impedir que os governos colocassem pessoas em ônibus e as expulsassem do perigo. Para as pessoas forçadas a acampar ou deslocadas em favelas, não há água com sabão suficiente para manter a doença afastada.

Tomados em conjunto, o impacto de várias crises é maior que a soma de cada um dos choques separadamente, disse Van Aalst, acrescentando que muitas pessoas deslocadas não têm recursos financeiros ou de alimentos para sobreviver no próximo desastre.

Quando os choques são de natureza diferente, “as pessoas sentem que são atingidas por todos os lados”.Ameaçada por vulcões, deslizamentos de terra, inundações e tufões, as Filipinas são um dos países mais propensos a desastres do mundo.Enxames de gafanhotos que se seguiram a chuvas extraordinariamente fortes em toda a África Oriental pioraram uma crise de segurança alimentar existente.

Alimentado pelo clima

Em países como Nigéria, Sudão do Sul e Iêmen, as pessoas que foram expulsas pela violência foram atingidas mais tarde por secas e inundações, detalha o relatório, enquanto em países ao redor da bacia do Lago Chade, como Burkina Faso, Mali e Níger, temperaturas crescentes e acesso cada vez menor a água alimentaram os conflitos existentes. Isso levou ao deslocamento, enquanto os militantes cercam as aldeias, queimam casas e cometem violações generalizadas dos direitos humanos, diz o relatório.

A mudança climática aumenta a intensidade e a frequência de alguns eventos climáticos extremos e isso está deslocando um grande número de pessoas, disse Patricia Schwerdtle, acadêmica de saúde global da Universidade de Heidelberg, pesquisando clima, migração e saúde.

“As pessoas sempre se mudaram devido às mudanças ambientais, mas as mudanças climáticas estão agindo como um amplificador de ameaças”.Jacarta está afundando à medida que a terra diminui e o nível do mar aumenta, tornando as inundações mais destrutivas.

Temperaturas recorde nos EUA e na Austrália, por exemplo, exacerbaram as condições do solo seco que permitiram a propagação de incêndios. Na África Oriental, oceanos mais quentes tornaram os ciclones mais fortes e podem ter contribuído para que atingissem um após o outro.

“O que costumava ser raro não é mais raro”, disse Abubakr Salih Babiker, cientista climático sudanês da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento.

Mas os números também trazem boas notícias: a maioria dos deslocamentos causados ​​por desastres em 2019 foram evacuações preventivas para proteger os cidadãos. Enquanto os desastres ainda eram destrutivos, as evacuações permitiram que as pessoas retornassem às casas – se estivessem em pé – sem grandes perdas de vidas.

No ano passado, quando os ciclones Fani e Bulbul atingiram o sul da Ásia e os tufões Lekima e Kammuri atingiram o leste da Ásia, os sistemas de alerta prévio permitiram que Índia, Bangladesh, China e Filipinas tirassem milhões de pessoas de perigo, diz o relatório. Essas ações reduziram o número de mortos em comparação com o sul da África, onde a falta de sistemas de alerta precoce significou que os ciclones Idai e Kenneth deslocaram menos pessoas, mas mataram mais.

“São governos que têm medidas e sistemas para antecipar a chegada de um perigo e evacuar suas populações”, disse Bilak, diretor do IDMC. “Uma evacuação obrigatória é realmente uma maneira de salvar vidas”.

Os sistemas de alerta precoce e as defesas costeiras reduziram o número de mortos pelo tufão Lekima.

‘Ponta do iceberg’

Os números compilados pelo IDMC referem-se apenas a pessoas que fogem dentro de seu país, e não a refugiados, que atravessam fronteiras. A maioria dos que são expulsos de suas casas por mudanças climáticas fica em seu próprio país, disse Schwerdtle. Pode levar anos, senão décadas, até que alguns voltem.

Das 5,1 milhões de pessoas que vivem em desastres – que os autores descrevem como “apenas a ponta do iceberg” – há 1,2 milhão de afegãos que fugiram da seca e das inundações nos últimos anos, 33.000 haitianos ainda deslocados de um terremoto que atingiu em 2010, e um pequeno número de japoneses reassentou após o desastre de Fukushima em 2011.

“As pessoas que permanecem deslocadas por um longo período tendem a ser as que já estavam vulneráveis antes do desastre”, disse Bilak, acrescentando que mesmo nos países ricos os pobres são desproporcionalmente feridos.As favelas de megacidades como Lagos são particularmente vulneráveis ao coronavírus.

Alguns buscam refúgio nos campos, enquanto outros se mudam para as favelas da cidade para encontrar trabalho. Em uma imensa megacidade como Lagos, na Nigéria, onde mais da metade dos moradores vive em assentamentos informais, os alojamentos apertados podem transformar as favelas em focos de doenças.

Muitas pessoas deslocadas internamente foram forçadas a áreas já superlotadas devido a bloqueios por coronavírus, disse Rebecca Roberts, pesquisadora de Lagos que estuda estratégias de auto-ajuda entre pessoas deslocadas internamente nas cidades.

“Estamos particularmente desesperados por não entrar nas favelas, porque as condições em que vivem criariam uma crise absoluta se o COVID-19 penetrasse.”

 

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Meio Ambiente:Cerca de 3,5 bilhões poderão viver em zonas de calor extremo até 2070, diz estudo

Em 50 anos, um terço da população mundial poderá sofrer com o aumento da temperatura global se emissões de gases poluentes não forem reduzidas, alertam cientistas.

Regiões quentes do planeta deverão aumentar até 19%.

Daqui a 50 anos, até 3,5 bilhões de pessoas poderão estar vivendo em zonas de calor extremo ao redor do mundo se as emissões globais de gases de efeito estufa não forem reduzidas, diz um estudo da universidade holandesa de Wageningen divulgado nesta segunda-feira (04/05).

Até 2070, estima-se que a população mundial seja de 10 bilhões de pessoas. Nesse período, na pior das hipóteses, um terço da população mundial deverá viver em áreas onde se prevê que a temperatura média anual subirá para acima de 29ºC, apontam os especialistas no estudo publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Quantas pessoas exatamente acabarão vivendo sob risco dependerá da redução das emissões de gases poluentes na atmosfera e da velocidade de crescimento da população.

Atualmente, entre 20 e 25 milhões de pessoas vivem nas regiões mais quentes do planeta, concentradas principalmente no deserto do Saara. Em 2070, as áreas mais afetadas pelo calor extremo deverão ser América do Sul, África, Índia, Sudeste da Ásia e norte da Austrália. Apenas na Índia, o clima mais quente deverá afetar mais de um bilhão de pessoas. Na Nigéria, no Paquistão, na Índia e no Sudão, mais de 100 milhões de habitantes sofrerão as consequências do calor extremo.

“O coronavírus mudou o mundo de uma forma difícil de imaginar há alguns meses. Nossos resultados mostram como as mudanças climáticas poderiam causar algo similar”, afirmou Marten Scheffer, que liderou o estudo.

Segundo o estudo, as mudanças climáticas não ocorrerão tão rapidamente quanto as causadas pela pandemia da covid-19, mas, ao contrário do cenário atual, o mundo não teria uma perspectiva de alívio num futuro imediato.

Para o estudo, os cientistas adotaram uma abordagem incomum das mudanças climáticas e avaliaram os seres humanos como fazem com ursos, pássaros e abelhas, para saber em que “nicho climático” civilizações florescem.Aquecimento Global,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 01

Parte das conclusões dos pesquisadores foram baseadas em análises de dados passados, em que compararam condições climáticas das regiões onde os seres humanos mais se estabeleceram. A densidade populacional teve picos em áreas onde as temperaturas médias anuais ficavam em torno de 11 e 15ºC. Um segundo pico de densidade, mais baixo que o primeiro, ocorreu em regiões com temperaturas entre 20 e 25ºC. Como a distribuição populacional quase não se alterou nos últimos 6 mil anos, os pesquisadores chamaram esse intervalo de temperatura de “nicho ecológico humano”.

Quanto mais a temperatura se afasta desse nicho, mais difícil é a sobrevivência de seres humanos numa determinada área.  De acordo Scheffer, os habitantes das futuras regiões de calor extremo habitarão áreas fora do “nicho climático” ocupado por seres humanos nos últimos 6 mil anos.

Para prognósticos de cenários futuros, os cientistas usaram uma previsão climática do quinto relatório de análise do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas como base. Esse relatório prevê que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera continuará se expandindo desenfreadamente – assim como ocorreu nas últimas décadas –, levando a aumentos equivalentes de temperatura em todo o planeta.

Usando as projeções internacionais da terceira Via Socioeconômica Compartilhada (SSP3), que prevê um futuro marcado por rivalidades regionais, os pesquisadores calcularam um modelo em que comparam a população mundial prevista com a alta das temperaturas. Seca,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita

Eles descobriram que a área continental com uma temperatura média anual de mais de 29ºC vai se ampliar de 0,8% (que, atualmente, se localiza principalmente no deserto do Saara) para 19% em 2070. “Isso também dificultaria a gestão de crises futuras como novas pandemias pelas sociedades”, enfatizou Scheffer.

O especialista preferiu não prever migrações em massa a partir das regiões mais afetadas, dizendo que esses movimentos têm gatilhos complexos. Mas ele disse esperar que o estudo seja visto como um alerta urgente à comunidade global para reduzir velozmente as emissões de gases poluentes na

Himalaia está quente; nepaleses lutam para sobreviver

Afastados de sua vila por uma seca e falta de comida, um grupo de nepaleses está lutando para ampliar as vozes daqueles que são forçados a se mudar pelo aquecimento do planeta.

A maioria das famílias da aldeia de Dhye, no Himalaia, deixou os últimos anos, porque a terra ficou seca.
No alto do Himalaia, em um planalto acidentado pontilhado de cabanas de barro vazias, começou um êxodo.

Na aldeia de Dhye, as plantações são caules grossos e mortos. A água é escassa. A única escola foi fechada há alguns anos atrás. Com a comida minguante, a maioria das famílias empacotou seus pertences e foi embora, expulsa por um inimigo artificial e sem rosto.

São os migrantes das mudanças climáticas do Nepal, e haverá mais.

“Eu amo esta vila”, disse Sonam Chhiring Gurung, 76, um dos pontos finais, “mas não posso sobreviver aqui por muito mais tempo”.

A mudança climática está refazendo a região do Himalaia, colocando em risco milhões de sul-asiáticos que dependem de seus recursos hídricos e forçando os habitantes das montanhas no norte do Nepal, lar dos picos mais altos do mundo, a construir novos assentamentos em altitudes mais baixas.

O derretimento glacial acelerou no Himalaia, com 1.500 milhas de extensão. A terra usada para o cultivo de vegetais tornou-se estéril. Os pastores de iaques dizem que estão lutando para encontrar pastagens para seus animais. Os cientistas descobriram que o aumento da temperatura pode espalhar a malária e a dengue em novas áreas do Himalaia, onde os mosquitos começaram a aparecer nas terras altas.Sonam Chhiring Gurung, 76, é um dos poucos residentes de Dhye agora. “Eu amo esta vila, mas não posso sobreviver aqui por muito mais tempo”, disse ele.

Em todo o mundo, dezenas de milhões de pessoas já foram deslocadas como resultado de um planeta em aquecimento. Os pesquisadores estimam que o número de migrantes que sofrem mudanças climáticas – aqueles que fogem de desastres naturais, secas ou outras calamidades – pode chegar a um bilhão até o final do século.

Os asiáticos do sul estão entre os mais vulneráveis. No ano passado, após uma monção incomumente fraca, a água quase acabou em Chennai, uma das maiores cidades da Índia. No Bangladesh, até 18 milhões de pessoas enfrentam deslocamento até 2050 apenas do aumento do mar, segundo a Environmental Justice Foundation. O calor extremo está tornando as pessoas mais doentes e mais pobres e pode diminuir drasticamente os padrões de vida de 800 milhões de pessoas na região, se as metas para mitigar as mudanças climáticas não forem cumpridas.

O Himalaia mais quente pode ter consequências desastrosas para o subcontinente.

No ano passado, em um dos estudos mais completos sobre aquecimento de montanhas, os cientistas alertaram que, mesmo que as metas mais ambiciosas de mudanças climáticas do mundo fossem cumpridas, pelo menos um terço das geleiras do Himalaia derreteria até o final do século.

Se o aquecimento global e as emissões de gases de efeito estufa continuarem nas taxas atuais, a região poderá perder dois terços de suas geleiras até 2100, de acordo com o relatório, Hindu Kush Himalaya Assessment.

“A longo prazo, os impactos serão profundos para centenas de milhões de pessoas nas planícies”, disse David Molden, diretor geral do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas em Katmandu. “Se sobrepormos mudanças significativas nos padrões de fluxo de chuva e rio, será uma bagunça para as pessoas, dependendo dos grandes rios da Ásia para irrigação e água potável”.Coleta de água da lagoa em Dhye no mês passado, onde os suprimentos são cada vez mais escassos. Como o sustento de tantas pessoas depende da agricultura, a falta de água parece um problema insolúvel.

Em um país onde quase 70% das pessoas trabalham na agricultura, uma aceleração em condições climáticas extremas pode “reverter e minar décadas de ganhos em desenvolvimento e potencialmente minar todos os nossos esforços para erradicar a pobreza”, disse Ayshanie Medagangoda-Labé, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. para o Nepal.

“O Nepal é o marco zero para os impactos das mudanças climáticas”, disse ela. “Como um país com um dos ecossistemas mais frágeis – o Himalaia – e uma economia fortemente dependente de condições climáticas favoráveis, o Nepal é provavelmente um dos mais expostos.”

Vislumbres de um futuro mais quente estão por toda parte.

Em 2016, o exército do Nepal drenou um lago perto do Monte Everest depois que o rápido derretimento glacial ameaçou causar uma inundação catastrófica rio abaixo. Um estudo divulgado no ano passado descobriu que o tamanho das lagoas no topo das geleiras da região – que podem sinalizar derretimento e aceleração – aumentou rapidamente nos últimos três anos, superando em muito a taxa de mudança da primeira década e meia dos anos 2000.New York Times

O número de migrantes de mudanças climáticas no Himalaia do Nepal é desconhecido, embora as autoridades locais nas cidades montanhosas calculem que seja na casa dos milhares. Min Bahadur Shahi, membro da comissão do governo para o trabalho de desenvolvimento, disse que as autoridades planejam rastrear o impacto do aquecimento pela primeira vez através das próximas perguntas do censo.

“Nossa primeira prioridade deve ser ajudar os deslocados da crise climática”, afirmou ele.

Veja o caso de Dhye, na remota região de Mustang do Nepal, cerca de 12.000 pés acima do nível do mar.

Mais de uma década atrás, as famílias da vila se reuniram para uma reunião para refletir sobre uma pergunta pesada: elas deveriam ficar?As pessoas que deixaram Dhye reassentaram quase um quilômetro abaixo, perto de um riacho que ainda estava fluindo.

Eles olhavam a paisagem, uma extensão marrom e desidratada que mal conseguia mais sustentar a cevada. Eles pesaram a degradação do solo, as chuvas erráticas e os temores da fome contra séculos de história – as cabanas que construíram com as mãos, os bolsões de terra onde os pais enterraram o cordão umbilical de cada recém-nascido.

No final da reunião, 17 de 26 famílias, cerca de 90 pessoas, juraram sair.

“Não pude ficar”, disse Tsering Lamke Gurung, 54, líder de uma vila e pai de oito filhos, dos quais quatro morreram. “Meus filhos e eu não fomos capazes de sobreviver da quebra de safra.”

Os desistentes saíram de Dhye em grupos nos últimos anos. Amarraram trouxas de comida e roupas às costas e caminharam quase um quilômetro até as margens de um riacho que ainda flui. Eles chamaram sua nova comunidade de Dhye Khola, um nome local para o corpo d’água.

Quão sustentável é sua roupa?

A moda é responsável por cerca de 10% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da atividade humana, mas existem maneiras de reduzir o impacto do seu guarda-roupa no clima.

“Durante anos fiquei obcecado em comprar roupas”, diz Snezhina Piskova. “Eu comprava 10 pares de jeans muito baratos apenas por ter mais diversidade no meu guarda-roupa por um preço baixo, mesmo que eu acabasse usando apenas dois ou três deles.”

Quando se trata de resistir à atração da moda, Piskova enfrenta um desafio mais difícil do que a maioria. Como redatora de uma empresa da indústria da moda, ela está cercada por fashionistas. E tem sido fácil acompanhar a maré.

Mas as conversas sobre a crise climática levaram Piskova, que mora em Sofia, na Bulgária, a considerar o impacto que a indústria e seus próprios hábitos de compras estavam tendo.

A indústria da moda responde por cerca de 10% das emissões globais de carbono e quase 20% das águas residuais. E embora o impacto ambiental do voo seja agora bem conhecido, a moda consome mais energia do que a aviação e a navegação combinadas.

As roupas em geral têm cadeias de suprimentos complexas que dificultam a contabilização de todas as emissões resultantes da produção de calças ou casaco novo. Depois, há como a roupa é transportada e descartada quando o consumidor não quer mais.A indústria da moda é responsável por mais emissões de carbono do que as provenientes da aviação (Crédito: Getty Images / Alamy / Javier Hirschfeld)

Embora a maioria dos bens de consumo sofra problemas semelhantes, o que torna a indústria da moda particularmente problemática é o ritmo frenético de mudanças pelas quais ela não apenas passa, mas incentiva. A cada temporada que passa (ou microseason), os consumidores são levados a comprar os itens mais recentes para se manterem na moda.

É difícil visualizar todas as entradas que entram na produção de roupas, mas vamos usar o jeans como exemplo. A ONU estima que um único par de jeans requer um quilo de algodão. E como o algodão tende a ser cultivado em ambientes secos, a produção desse quilo requer cerca de 7.500 a 10.000 litros de água. São cerca de 10 anos em água potável para uma pessoa.

Existem maneiras de tornar o jeans menos intensivo em recursos, mas, em geral, jeans compostos de material o mais próximo possível do estado natural do algodão usam menos água e tratamentos perigosos para produzir. Isso significa menos branqueamento, menos jateamento de areia e menos pré-lavagem.

O material elástico elástico em muitos jeans da moda é feito com materiais sintéticos derivados do plástico, o que reduz a reciclagem e aumenta ainda mais o impacto ambiental.

Infelizmente, isso também significa que alguns dos tipos mais populares de jeans são os mais difíceis do planeta. Por exemplo, os corantes de tecido poluem os corpos d’água, com efeitos devastadores na vida aquática e na água potável. E o elástico elástico tecido através de muitos estilos modernos de jeans justos é feito com materiais sintéticos derivados do plástico, o que reduz a reciclagem e aumenta ainda mais o impacto ambiental.

A fabricante de jeans Levi Strauss estima que um par de seus icônicos jeans 501 produzirá o equivalente a 33,4 kg de dióxido de carbono equivalente durante toda a sua vida útil – quase o mesmo que dirigir 69 milhas em um carro médio nos EUA. Pouco mais de um terço dessas emissões são provenientes da produção de fibras e tecidos, enquanto outros 8% são de corte, costura e acabamento do jeans. Embalagens, transporte e varejo respondem por 16% das emissões, enquanto os 40% restantes são do uso do consumidor – principalmente da lavagem do jeans – e do descarte em aterros sanitários.

Outro estudo sobre jeans fabricados na Índia que continha 2% de elastano mostrou que a produção de fibras e tecido de denim liberava 7 kg a mais de carbono do que os da análise de Levi. Isso sugere que a escolha de produtos de brim em bruto terá menos impacto no clima.

Mas também é possível procurar outras maneiras de reduzir o impacto do seu jeans olhando a etiqueta. Programas de certificação como a Better Cotton Initiative e o Global Organic Textile Standard podem ajudar os consumidores a descobrir quão verde é seu jeans (embora esses programas não sejam perfeitos – muitos sofrem com a falta de financiamento e as complexas cadeias de fornecimento de algodão podem dificultar a conta de onde tudo vem).Cultivar o algodão necessário para um único par de jeans requer uma enorme quantidade de água, enquanto os processos de morrer e de fabricação usam ainda mais (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Alguns fabricantes também estão trabalhando em maneiras de reduzir o impacto ambiental da produção de seus jeans, enquanto outros desenvolvem maneiras de reciclar jeans ou até jeans que se decomporão dentro de alguns meses quando compostados.

Não é algodão, mas o poliéster de polímero sintético que é o tecido mais comum usado em roupas. Globalmente, “65% das roupas que vestimos são à base de polímeros”, diz Lynn Wilson, especialista em economia circular, que, para sua pesquisa de doutorado na Universidade de Glasgow, está focada no comportamento do consumidor relacionado ao descarte de roupas.

Cerca de 70 milhões de barris de petróleo por ano são usados ​​para fabricar fibras de poliéster em nossas roupas. De jaquetas impermeáveis ​​a lenços delicados, é extremamente difícil se livrar das coisas. Parte disso decorre da conveniência – o poliéster é fácil de limpar e durável. Também é leve e barato.

Mas uma camisa feita de poliéster tem o dobro da pegada de carbono em comparação com uma feita de algodão. Uma camisa de poliéster produz o equivalente a 5,5 kg de dióxido de carbono em comparação com 2,1 kg de uma camisa de algodão.

Cerca de 70 milhões de barris de petróleo por ano são usados ​​para fazer fibras de poliéster em nossas roupas
Mudar para tecido de poliéster reciclado pode ajudar a reduzir as emissões de carbono – o poliéster reciclado libera metade a um quarto das emissões de poliéster virgem. Mas não é uma solução a longo prazo, pois o poliéster leva centenas de anos para se decompor e pode levar à fuga de microfibras para o meio ambiente.

Mas os materiais naturais também não são necessariamente sustentáveis, se exigirem grandes quantidades de água, corante e transporte. O algodão orgânico pode ser melhor para os trabalhadores rurais que, de outra forma, seriam expostos a enormes níveis de pesticidas, mas a pressão sobre a água permanece.

No entanto, há muita inovação na criação de tecidos de menor impacto.

Biocouture, ou moda feita com materiais mais ambientalmente sustentáveis, é cada vez mais um grande negócio. Algumas empresas estão procurando usar resíduos de madeira, frutas e outros materiais naturais para criar seus têxteis. Outros estão tentando formas alternativas de tingir seus tecidos ou procurando materiais que se biodegradem mais facilmente quando jogados fora.Trocar roupas com os amigos pode refrescar seu guarda-roupa e trazer uma nova dimensão interessante à sua amizade (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Mas a pegada de carbono de nossas roupas também pode ser reduzida de outras maneiras. A forma como compramos tem um grande impacto.

Algumas pesquisas sugeriram que as compras on-line podem ter uma pegada de carbono menor do que viajar para lojas tradicionais para comprar produtos, principalmente se os consumidores moram longe. Mas o aumento das compras on-line também levou a mudanças no comportamento do consumidor, contribuindo para uma cultura de moda rápida, na qual os consumidores compram mais do que precisam, entregam à sua porta e depois devolvem uma grande proporção de suas compras depois de experimentá-las.

A devolução de itens pode efetivamente dobrar as emissões do transporte de suas mercadorias e, se você levar em conta coleções e entregas com falha, esse número poderá aumentar ainda mais.

Também pode ser mais barato para os varejistas da Internet e marcas de moda despejar ou queimar mercadorias devolvidas, em vez de tentar encontrar outra casa para elas. Isso não significa apenas que as emissões de gases de efeito estufa produzidas na fabricação de roupas são desperdiçadas, mas outras emissões são liberadas à medida que apodrece ou queima. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA estima que em 2017 10,2 milhões de toneladas de têxteis acabaram em aterros, enquanto outras 2,9 milhões de toneladas foram incineradas. No Reino Unido, cerca de 350.000 toneladas de roupas acabam em aterros sanitários a cada ano.

Piskova periodicamente troca de roupa com as amigas, o que não apenas permite que elas atualizem seus próprios guarda-roupas, mas também as ajuda a se sentirem mais próximas.
Uma maneira simples de reduzir a presença de compras on-line é encomendar apenas o que realmente queremos e pretendemos manter. Segundo o Banco Mundial, 40% das roupas compradas em alguns países nunca são usadas.

Piskova tentou se afastar da cultura da moda rápida aprendendo a apreciar o que ela já tem e não o que ela poderia ter. Mas desapegar-se de uma mentalidade obcecada por moda não tem sido fácil. Para ajudar, Piskova resiste a ir a lugares onde sente pressão para consumir, como shopping centers. Ela também troca roupas periodicamente com as amigas, o que não apenas permite que elas atualizem seus próprios guarda-roupas, mas também as ajuda a se sentirem mais próximas. E ela também aprendeu a abraçar pequenas manchas em suas roupas, em vez de vê-las como uma desculpa para comprar mais.

“As pessoas são muito cuidadosas com suas roupas, gostam de não arranhar ou ter buracos ou o que for”, diz Piskova. “Mas quando você pensa sobre isso, isso faz parte das roupas. Você se lembra daquela vez em que foi a um festival, onde rasgou sua camisa ou algo assim, e é uma boa lembrança. ”

O número de vezes que você veste uma peça de roupa também pode fazer uma grande diferença em sua pegada de carbono geral. Pesquisas feitas por cientistas do Instituto de Tecnologia Chalmers, em Gotemburgo, na Suécia, descobriram que uma camiseta de algodão comum pode liberar pouco mais de 2 kg de equivalente de dióxido de carbono na atmosfera, enquanto um vestido de poliéster liberaria o equivalente a quase 17 kg de dióxido de carbono.Às vezes, a melhor maneira de reduzir o impacto de suas escolhas de moda no meio ambiente é libertar-se do rebanho (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Eles estimaram, no entanto, que a camiseta média na Suécia é usada cerca de 22 vezes em um ano, enquanto o vestido médio é usado apenas 10 vezes. Isso significaria que a quantidade de carbono liberada por desgaste é muitas vezes maior para o vestido.

Segundo a Ellen MacArthur Foundation, o número médio de vezes que uma peça de roupa é usada diminuiu 36% entre 2000 e 2015. No mesmo período, a produção de roupas dobrou. Esses ganhos vieram à custa da qualidade e longevidade das peças de vestuário.

Várias pesquisas públicas também sugerem que muitos de nós têm roupas em nossos guarda-roupas que quase nunca usamos. De acordo com uma pesquisa, quase metade das roupas no guarda-roupa de uma pessoa média do Reino Unido nunca é usada, principalmente porque elas não se encaixam ou saem de moda. Outro descobriu que um quinto dos itens pertencentes a consumidores norte-americanos não foi usado.

É claro que investir em roupas de alta qualidade, vesti-las com mais frequência e segurá-las por mais tempo, é a arma não tão secreta para combater a pegada de carbono de suas roupas. No Reino Unido, continuar usando ativamente uma peça de vestuário por apenas nove meses a mais pode diminuir seus impactos ambientais em 20 a 30%.

Naturalmente, algumas empresas de roupas descobriram uma oportunidade aqui. Os serviços de aluguel de roupas, por exemplo, são especialmente atraentes na era das mídias sociais, onde algumas pessoas relutam em ser vistas online usando a mesma roupa mais de uma vez. Para quem quer ter uma boa aparência em suas fotos on-line, mas tem um impacto ainda menor no meio ambiente, existe a tendência efêmera da moda digital, ou roupas projetadas para aparecer apenas online, sobrepostas às suas imagens.

A camiseta média na Suécia é usada cerca de 22 vezes em um ano, enquanto o vestido médio é usado apenas 10 vezes
Comprar menos também significa cuidar mais da roupa. Sites como o Love Your Clothes, criado pela organização de caridade britânica WRAP, oferecem dicas sobre como reparar e prolongar a vida útil das roupas, o que pode reduzir a pegada de carbono das roupas.

Mas abordar as razões subjacentes pelas quais compramos roupas em excesso, ainda que subutilizadas, também pode ajudar. Em uma sociedade consumista, as pessoas são treinadas para achar a moda rápida agradável e viciante.

“Muitas das coisas que compramos cumprem algum tipo de função em nós mesmos – principalmente itens de moda”, diz Mike Kyrios, psicólogo clínico que pesquisa distúrbios mentais na Universidade Flinders da Austrália. As pessoas que têm baixa auto-estima ou se preocupam com seu status têm maior probabilidade de usar os gastos excessivos como uma rota para sentir que “pertencem”, ele explica. Assim como as pessoas sensíveis às recompensas – os centros de recompensa no cérebro são os mais ativados pelas compras por impulso.

Compras on-line também significam que o impulso de comprar é mais difícil de controlar, já que as lojas na Internet estão abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana – incluindo, como diz Kyrios, os momentos em que “seus recursos de tomada de decisão são mínimos”.

Embora as estimativas variem, uma é que cerca de 5% da população exibe comportamento de compra compulsivo. “O problema é que está bem escondido”, diz Kyrios. “As pessoas não comparecem ao tratamento, não reconhecem que é um problema.”

Uma solução pode ser simplesmente racionar o tempo que você gasta olhando roupas on-line, mas talvez uma abordagem melhor seja encontrar maneiras menos dispendiosas de alcançar o senso de recompensa que os gastadores em excesso estão buscando. Os consumidores comuns podem se interessar por roupas novas comprando em lojas de roupas vintage e de segunda mão.Usar nossas roupas por apenas alguns meses a mais pode reduzir o impacto que elas causam no planeta (Crédito: Alamy / Javier Hirschfeld)

“Roupas de segunda mão estão dando uma segunda vida às roupas e estão desacelerando o ciclo da moda rápida”, diz Fee Gilfeather, especialista em moda sustentável da Oxfam. “Então, eu diria que a roupa de segunda mão é realmente uma das soluções para o desafio do consumo excessivo”.

Reduzir a lavagem também pode ajudar a reduzir ainda mais a pegada de carbono do seu guarda-roupa, além de ajudar a diminuir o uso de água e o número de microfibras eliminadas na máquina de lavar.

“Você não precisa lavar as roupas com a frequência que pensa”, diz Gilfeather. Ela pendura alguns de seus vestidos ao ar, por exemplo, em vez de lavá-los após cada uso. “Reduzir a quantidade de lavagem que você precisa fazer é a melhor maneira de garantir que os plásticos não entrem no sistema de água”.

Jogando as roupas fora para que elas acabem em aterros ou sendo incineradas, simplesmente leva a mais emissões
Como você descarta as roupas no final de sua vida útil também é importante. Jogá-los fora para que acabem em aterros sanitários ou sejam incinerados simplesmente leva a mais emissões. Talvez a melhor abordagem seja repassá-los a amigos ou levá-los a lojas de caridade, se ainda forem bons o suficiente para serem usados. No entanto, os indivíduos devem ter cuidado para não usar isso como uma maneira de liberar espaço simplesmente para comprar roupas novas, o que a pesquisa de Wilson sugere que seja comum.

Onde as roupas foram usadas ou danificadas sem reparo, a maneira mais ambientalmente correta de descartá-las é enviá-las para reciclagem. A reciclagem de roupas ainda é relativamente nova para muitos tecidos, mas cada vez mais roupas de algodão e poliéster podem agora ser transformadas em roupas novas ou outros itens. Agora, alguns dos principais fabricantes começaram a usar tecidos reciclados, mas muitas vezes é difícil para os consumidores encontrar lugares para tirar suas roupas velhas.

Muitas das mudanças necessárias para tornar as roupas mais sustentáveis ​​precisam ser implementadas pelos fabricantes e pelas grandes empresas que controlam a indústria da moda. Mas, como consumidores, as mudanças que todos nós fazemos em nosso comportamento não apenas aumentam, mas também podem gerar mudanças no setor.

De acordo com Gilfeather, todos podemos fazer a diferença sendo mais atenciosos como consumidores.

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Meio Ambiente: A poluição microplástica está em toda parte

A poluição por plásticos é uma preocupação global crescente. Grandes pedaços de plástico foram encontrados em quase toda parte da Terra, das praias mais visitadas às ilhas remotas e desabitadas. Como a vida selvagem é regularmente exposta à poluição por plásticos, geralmente perguntamos que efeitos os plásticos têm sobre os animais.

Com o tempo, os macroplásticos (detritos de plástico com mais de cinco milímetros de tamanho) se decompõem em pequenas partículas chamadas microplásticos (menores que cinco milímetros), que podem persistir no ambiente por centenas de anos.Ambiente,MicroPlásticos,Poluição,Oceanos,Alimentos,Blog do Mesquita 01

Sabe-se que os macroplásticos causam efeitos prejudiciais à vida selvagem. Animais individuais podem ingerir pedaços grandes ou enredar-se em itens de plástico, como equipamentos de pesca, e sufocar ou morrer de fome. Embora não haja dúvida de que os macroplásticos são prejudiciais à vida selvagem, os efeitos dos microplásticos não são tão diretos.Meio Ambiente,Plásticos,Oceanos,Poluição,Blog do Mesquita 05

Enquanto muitos estudos descobrem que os microplásticos podem afetar a expressão gênica, o crescimento, a reprodução ou a sobrevivência de um animal, outros concluem que os microplásticos não têm efeitos negativos. A falta de um consenso claro torna mais difícil para os tomadores de decisão adotarem políticas eficazes para mitigar a poluição por plásticos.

Nem todos os plásticos são iguais

Recentemente, aprofundamos a pesquisa que analisou como a poluição por plásticos afeta a vida selvagem aquática e terrestre.

Descobrimos que, embora os macroplásticos continuem causando efeitos prejudiciais a animais individuais, eles também estão causando mudanças em larga escala nas populações de animais, comunidades e ecossistemas. Por exemplo, a poluição plástica pode introduzir espécies invasoras em novos habitats transportando organismos a centenas de quilômetros de sua faixa nativa, alterando a composição das espécies em uma comunidade.Ambiente & Ecologia,Poluição,Vida Selvagem,Oceanos,Plástico

Os efeitos dos microplásticos, no entanto, são muito mais complicados. Dos estudos que incluímos em nossa revisão, quase metade (45%) constatou que os microplásticos causavam um efeito. Alguns estudos observaram que os microplásticos fizeram com que os animais tivessem vidas mais curtas, comessem menos ou nadassem mais devagar, e outros viram mudanças no número de filhotes produzidos e mudanças nos genes sendo expressos. No entanto, 55% dos estudos não detectaram efeitos.

Por que alguns estudos detectam efeitos enquanto outros não? Existem várias possibilidades. Por um lado, os pesquisadores usaram diferentes desenhos experimentais em seus experimentos de laboratório.

Há também a questão do uso do termo microplástico, que se refere a uma mistura complexa de plásticos que variam em material (como polietileno, poliestireno ou cloreto de polivinil), os produtos químicos associados a eles (incluindo aditivos, cargas e corantes), além de seu tamanho e forma. Cada uma dessas características, juntamente com a quantidade de plástico ao qual o animal é exposto no experimento, pode afetar seu potencial de detectar um efeito.

Microfibras e microesferas

Por exemplo, vimos que, quando os estudos expuseram crustáceos ao poliestireno, um tipo de plástico usado para fazer recipientes, tampas e talheres descartáveis, os crustáceos geralmente produziam mais descendentes. Mas quando foram expostos ao polietileno ou ao tereftalato de polietileno, usado para fazer sacolas plásticas e garrafas de bebidas, os crustáceos produziram menos filhos.

As microesferas são encontradas em produtos esfoliantes, como produtos de limpeza de rosto e creme dental. Vários países proibiram sua produção e venda. Crédito: Shutterstock

Vários países, incluindo Canadá, Reino Unido e Estados Unidos, proibiram recentemente as microesferas de plástico – as esferas e fragmentos esféricos em lavagem de rosto, esfoliação corporal e pasta de dentes – porque estavam contaminando o meio ambiente e poderiam causar efeitos negativos em animais aquáticos. Embora essa legislação reduza um tipo de microplástico no meio ambiente, é irrelevante para muitos outros.

Também descobriu-se que estudos usando partículas menores têm maior probabilidade de detectar um efeito. Isso ocorre porque partículas menores são mais facilmente consumidas por pequenos organismos ou porque podem se mover através da membrana celular e causar efeitos nocivos, como inflamação.

No que diz respeito à forma do plástico, as microfibras (de roupas ou cordas) e os fragmentos tiveram maior probabilidade de afetar negativamente o organismo em comparação com as esferas (dos produtos de limpeza facial). Por exemplo, um estudo descobriu que as microfibras eram mais tóxicas para uma espécie de camarão marinho do que fragmentos ou esferas microplásticos.

Finalmente, pode-se esperar que os animais sejam mais prejudicados quando expostos a concentrações mais altas de microplásticos. Embora seja verdade que os crustáceos tenham mais probabilidade de morrer quando expostos a doses crescentes de microplásticos, o efeito na reprodução foi mais complexo. O número de filhotes aumentou com doses extremamente altas, mas diminuiu com doses mais baixas, semelhante ao observado no ambiente.Ecologia,Plásticos,Microplásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,Brasil

Muitos tipos, muitos resultados

Com base em nossa análise, acreditamos que pesquisas futuras precisam reconhecer a complexidade dos microplásticos e os cientistas precisam projetar seus testes estrategicamente para que possamos realmente entender como os diferentes tipos, tamanhos, formas, doses e a duração da exposição aos microplásticos afetam a vida selvagem.

Somente se tivermos uma melhor compreensão de como os diferentes tipos, formas e concentrações de microplásticos afetam a vida selvagem podemos tomar melhores decisões políticas. Se, por exemplo, as microfibras são realmente mais nocivas que as esferas, poderíamos concentrar nossa atenção em impedir que essas fibras entrem em nossas vias navegáveis ​​por fontes conhecidas, como máquinas de lavar.

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Comunidade indígena vítima de aplicação de agrotóxico será indenizada

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Comunidade Indígena Tey Jusu (Foto: Arquivo)

A Justiça Federal condenou um proprietário rural, um piloto agrícola e uma empresa a pagarem, solidariamente, R$ 150 mil à Comunidade Indígena Tey Jusu, vítima de aplicação irregular de agrotóxico.
Segundo o Ministério Público Federal, a comunidade –localizada em Caarapó (MS), 270km ao sul da capital, Campo Grande— é a primeira do estado a ser indenizada por danos morais coletivos. Eles foram condenados com base no Inquérito Policial nº 0015/2016, instaurado para apuração do delito previsto na Lei nº 7.802/98: ação ilícita de aspersão de agrotóxicos em descumprimento às exigências estabelecidas na legislação. Não é permitida a aplicação aérea de agrotóxicos em áreas situadas a uma distância mínima de quinhentos metros de povoações.

O fato ocorreu em 2015. A aspersão causou, em crianças e adultos, dores de cabeça e garganta, diarreia e febre.

Os membros da comunidade relataram que o avião sobrevoou os barracos de sete famílias, derramando o agrotóxico diretamente sobre elas. Depois, sobrevoou outros barracos junto a uma plantação de milho.

Os indígenas produziram vídeos que mostram um avião agrícola em operação, utilizado na aplicação de fertilizantes e agrotóxicos, em que era possível ler o prefixo da aeronave. O piloto do avião foi identificado. O MPF constatou que foi aspergido sobre a comunidade o fungicida Nativo, classe III.

A Justiça concordou com o argumento do MPF, de que os barracos de lona dos indígenas estavam localizados a menos de 500 metros de distância do local onde ocorreu a aplicação de produtos agroquímicos.

Muitos estavam a apenas 30 ou 50 metros de distância da lavoura. Segundo o MPF, os responsáveis assumiram o risco ao executar a aplicação de agrotóxicos.

Os réus sustentaram que a culpa pela intoxicação seria das vítimas, ao argumento de que os indígenas teriam se afastado da aldeia localizada a mais de 500 metros da área de aplicação do produto para adentrar a lavoura exatamente no dia e hora da aspersão.

A Justiça considerou que os laudos apresentados pelo MPF comprovam a existência de barracos próximos à plantação e não o mero trânsito.

Por fim, a sentença afirma que a condenação por dano moral coletivo é “resultante de ofensa à coletividade indígena – lesão à honra e à dignidade -, consubstanciada na exposição, de parcela de seu grupo, à substância imprópria à saúde humana. A dignidade humana é por excelência o bem jurídico supremo. E, para sua proteção, impõe-se o dever jurídico de todos e do próprio Estado em respeitar a dignidade do próximo, seja o próximo um negro, um branco, um índio ou pertencente a qualquer outra raça ou etnia”.(Frederico Vasconcelos/FolhaPressSNG)

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Meio Ambiente: Degradação da Amazônia já chegou a ponto irrecuperável

Pesquisa conduzida por cientista brasileiro aponta que desmatamento e mudanças climáticas podem aumentar área atingida por queimadas, transformando floresta de sumidouro em fonte de carbono.    

Trecho da Amazônia atingido por queimadas perto de Porto velho, em foto de agosto de 2019Trecho da Amazônia atingido por queimadas perto de Porto velho, em foto de agosto de 2019

Professor na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o engenheiro florestal brasileiro Paulo Brando costuma usar uma analogia simples do mundo financeiro para explicar a importância da preservação da Amazônia. Ele convida o interlocutor a imaginar uma conta poupança. “Bem grande, cujos juros geram bastante dinheiro. Mas em vez de dinheiro, nela há um estoque de carbono. Ou seja, os juros são a capacidade de absorção de mais carbono.” Quanto mais você tira o dinheiro, menos juros essa conta rende. No caso das queimadas na Amazônia, estamos tirando a capacidade de absorção do carbono. Então basicamente os incêndios florestais somos nós queimando dinheiro”, compara o cientista.

Nesta sexta-feira (10/01), o periódico científico Science Advances traz uma pesquisa conduzida por Brando, na qual ele modelou os cenários da floresta brasileira diante das queimadas e do aquecimento global. E o futuro não é nada animador. A Amazônia caminha para o colapso, diz o pesquisador.

“No pior dos cenários, 16% da floresta serão queimados daqui para a frente até 2050. Junto a outros fatores de degradação, isso vai interagir com o clima”, afirma ele, à DW Brasil. “Estamos jogando uma roleta russa ambiental. Não sabemos qual é o número [a data exata do colapso], mas estamos chegando cada vez mais perto. Se chegarmos, a coisa vai para o buraco. O fogo é catalisador do processo.”

A pesquisa mostra que os níveis de desmatamento e o cenário previsto para o aquecimento global irão contribuir para intensificar ainda mais as queimadas na Amazônia.

Em agosto do ano passado, a floresta brasileira teve uma quantidade de incêndios bem acima da média. No período, foram registrados 30.901 focos de incêndio – a média registrada entre 1998 e 2018 para o mesmo mês era de 25.853. Comparando somente com o mês de agosto do ano anterior (10.421 focos de incêndio), a alta foi de 196%.

“O resultado desse processo é que, com a intensificação do fogo, haverá mais emissão de carbono na atmosfera. O desmatamento interage com mudanças climáticas e pode aumentar ainda mais a área queimada e as emissões pelo fogo”, comenta Brando. Trata-se de um ciclo vicioso, diz.

“Nosso estudo prevê o impacto disso na floresta. A Amazônia se protege do fogo porque tem um sub-bosque úmido, que não deixa as folhas secarem. A proteção da floresta é este sub-bosque. Quando há uma seca, uma temperatura mais alta, as plantas podem ficar estressadas hidricamente e jogar folhas para reduzir esse estresse. Com isso, entra mais luz, seca o sub-bosque e acaba essa proteção.” Então, conforme explica o cientista, o fogo gerado nas zonas desmatadas, por ação humana, “escapam e invadem a área de floresta primária”.

Segundo Brando, o estágio desse processo já é tão grave que, mesmo se todo o processo de desmatamento fosse interrompido hoje, o índice de incêndios prováveis para as próximas décadas seria reduzido em apenas 50%. “Se compararmos a Amazônia que existia na primeira década dos anos 2000 e a que deve existir em 2050, a área queimada quase dobra”, afirma.

De acordo com a pesquisa, a degradação da Amazônia já chegou a um ponto irrecuperável. “Em nossas simulações, a floresta não consegue se recuperar totalmente mais, mesmo em uma condição sem nenhum fogo”, pontua. “Mesmo que haja, na natureza, uma tendência de recuperação, [no atual estágio] isso não é suficiente, porque as mudanças climáticas não permitem. Então tem mais carbono ficando na atmosfera.”

Ciclo vicioso

“Os cenários futuros de clima gerados por modelos climáticos, que têm incertezas, sugerem que, no futuro, devido ao aumento de temperatura de de concentração de dióxido de carbono, a floresta pode entrar em colapso, por não conseguir mais absorver mais carbono – e passar a emitir carbono”, comenta o climatologista e meteorologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo ele, isso significa a transformação de uma floresta sempre verde numa área florestal do tipo secundária ou mesmo na chamada savanização da Amazônia, ou seja, numa “vegetação tipo cerrado”.

“[Esse cenário] pode agravar a situação atual de aquecimento global”, completa o climatologista. “Podemos ter um clima mais seco, quente. E isso pode favorecer mais o risco de fogo e queimadas, que no final liberam ainda mais dióxido de carbono.”

De acordo com o climatologista Carlos Nobre, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), a floresta “não perturbada” tem absorvido nas últimas décadas uma quantidade que varia entre 1 bilhão e 2 bilhões de toneladas de gás carbônico por ano.

“Globalmente, as atividades humanas emitem cerca de 40 bilhões de toneladas por ano”, afirma ele. “Portanto, a Amazônia retira da atmosfera entre 2,5% e 5% de todo o dióxido de carbono emitido. Se ela se tornar uma fonte de carbono, tanto pelo seu desmatamento, pelo aumento da destruição da floresta pelo fogo, quanto pelo próprio aumento da morte de árvores devido às mudanças climáticas, perde-se este importantíssimo serviço ecossistêmico para o planeta.”

Ação humana

Os incêndios ocorridos em 2019, concordam os especialistas, estiveram diretamente ligados à ação humana. “2019 não foi um ano anormalmente seco, como foi 2016, na Amazônia. Ainda assim, os desmatamentos e as queimadas induzidas diretamente por ações humanas aumentaram muito. O número de queimadas e a área queimada na Amazônia brasileira quase dobraram em 2019 em relação a 2018 e foram até bem maiores do que em 2016, ano de uma seca extrema”, diz Nobre.

“Isto é, o aumento de queimadas não pode ser atribuído somente a fatores de secas extremas. A ação humana em desmatar e colocar fogo para abrir novas áreas para a agropecuária contribuem muito para o aumento das queimadas”, acrescenta.

Segundo o climatologista, também o tradicional uso do fogo na agricultura tropical contribui para uma maior ocorrência de queimadas. “Muitas das áreas de florestas que pegam fogo são contíguas a áreas de agricultura. É o fogo para limpar a pastagem ou resíduos de culturas agrícolas escapam e propagam pelo chão da floresta. Podem propagar por centenas de metros no chão da floresta, queimando a biomassa da serrapilheira, mas também afetando árvores e aumentando a mortalidade de muitas árvores, que vão morrendo em anos subsequentes”, explica.

“As queimadas na Amazônia são maiormente geradas pelo homem, e com atmosfera e superfície secas o fogo se propaga rapidamente. O ano 2019 é sim uma mostra do que pode acontecer se aquecimento global aumenta e se desmatamento aumenta, mas não podemos dizer que a situação de 2019 vai se repetir em todos os anos seguintes”, acrescenta Marengo.

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Nordeste enfrenta seca intensa e 636 municípios estão em situação de emergência

A seca no Piauí. Foto: Governo do Piauí..

O óleo nas praias não é o único desafio enfrentado pelos estados do Nordeste atualmente. As secas, tão presentes historicamente na região, estão mais intensas, conforme mapeamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) publicado no início da semana. De acordo com o professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, o atual quadro de baixa umidade registrado esse mês é mais grave em relação aos outros meses. “Em novembro, praticamente todo o semiárido está com umidade abaixo de 10%, percentual considerado muito baixo.

É normal para essa época do ano, naturalmente seca. Mas no Nordeste, as chuvas estão abaixo da média. As temperaturas também estão mais altas, 1 a 2 graus acima da média. Não temos nenhum sinal de la Niña ou de el Niño no Pacífico, então o Oceano Atlântico é quem está influenciando o clima. Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) está dominando para as chuvas estarem abaixo da média. O resultado é chuvas abaixo da média e altas temperaturas, em relação à média histórica”, analisa.

O mapeamento é realizado semanalmente pelo Laboratório e, de acordo com Barbosa, “é o melhor indicador agrometeorológico e a ferramenta mais prática é mais rápida para informar ao agricultor sobre a condição da umidade do solo propícia à produção”. A radiografia da seca foi feita com base na análise da umidade dos solos de cada município, obtidas a partir de imagens de satélites. A umidade dos solos é um índice de secas que fornece um panorama atualizado do avanço do fenômeno em cada área da região.

Os mapas, divulgados por estado, mostram que o Nordeste brasileiro enfrenta atualmente uma condição de seca intensa. Na Bahia, por exemplo, 377 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a 90% dos municípios do estado que enfrentam seca. Já no Piauí, 221 municípios, 98% das localidades do estado, estão com solos abaixo de 10% de umidade. Na Paraíba, 216 municípios (97%) estão nessa situação.

Mapa de seca na Bahia.

De acordo com dados dos municípios com reconhecimento federal de situação de emergência obtidos no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), 636 municípios estão nessa situação no Nordeste. O estado com maior número de municípios nessa situação é a Bahia, com 189. Esse reconhecimento permite que o governo federal transfira recursos para ações de resposta aos impactos da seca nos locais mais afetados. “Ainda há um despreparo dos municípios no monitoramento da seca, da redução da cobertura vegetal, da umidade dos solos e do nível das águas nos reservatórios. Falta planejamento e a grande maioria dos municípios não possuem plano de contingência para enfrentarem a seca. Todos os anos, dependem de medidas emergenciais. Trabalhamos isso no livro ‘Um século de secas”, quando fizemos um levantamento das lições deixadas por mais de 100 anos de políticas públicas na região”, informou o pesquisador.

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O mundo sob efeito das mudanças climáticas

Exposição coloca em evidência o mundo sob efeito das mudanças climáticas

Simulação do cenário do módulo [Des]ordem. Foto: Divulgação.

Jornalista experiente na área ambiental, Felipe Lobo cultiva, há pelo menos uma década, o desejo de comunicar melhor os efeitos das mudanças climáticas na vida comum das pessoas. A ideia se concretizou nesta quinta-feira (10), na Cidades das Artes, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde ficará até 10 de novembro a exposição O Dia Seguinte, fruto dessa ambição.“Sempre senti que estava faltando alguma coisa, que faltava um toque diferente para fazer com que as pessoas perceberem que falar sobre mudanças climáticas é muito mais do que falar sobre árvores, degelo ou qualquer assunto que possa parecer que está muito distante das pessoas”, explica Lobo, em conversa com ((o))eco por telefone.

A exposição ocupa dois andares na Cidade das Artes e está dividido em seis módulos, com foco em como as mudanças climáticas atinge as cidades. Leia a entrevista com Felipe Lobo.

*

Como surgiu a ideia? O que é o Dia Seguinte? 

Dia Seguinte surgiu de uma inquietação minha e a da Tiza Lobo, que é a minha sócia, de como as mudanças climáticas e o tema ambiental e sustentável como um todo é tratado, seja na grande imprensa, seja nas universidades e na comunicação de uma forma geral para as pessoas. Eu pelo menos, que trabalho com isso há doze, treze anos, sempre senti que estava faltando alguma coisa, que faltava um toque diferente para fazer com que as pessoas perceberem que falar sobre mudanças climáticas é muito mais do que falar sobre árvores, degelo ou qualquer assunto que possa parecer que está muito distante das pessoas.

Falar sobre mudanças climáticas, para mim, é muito mais falar sobre modelo de desenvolvimento. Falar sobre saúde, sobre segurança, sobre educação, cidadania, igualdade de gênero. Enfim, tudo o que importa para o nosso dia a dia.

Ao longo desses últimos tempos viemos pensando em como a gente poderia mostrar mais claramente como esse assunto é fundamental, urgente e que pertence a todos nós, independente da nossa classe social, de onde a gente vive, do que a gente faz e com o que a gente trabalha. As mudanças climáticas significam muito para as nossas vidas. Todos nós nos importamos em ter saúde, em ter segurança, paz, em ter tranquilidade, ter inclusão e tudo isso passa pelas mudanças climáticas.

Mas isso não é facilmente entendido pelo público

O jornalista Felipe Lobo. Foto: Arquivo Pessoal.

As pessoas acham que [as mudanças climáticas] vão acontecer daqui a muitos anos ou que são coisas que acontecem com os outros e não acontecem com elas ou que é um assunto que elas não precisam se preocupar agora. A gente quer mostrar que as mudanças climáticas, embora impactem em grande parte dos marginalizados de sempre, que são as mulheres, as pessoas mais pobres, a população negra, elas em algum momento podem atingir a todos. E mesmo que não atinjam, elas precisam ser tratadas com rigor porque elas já estão atingindo muitas pessoas e a gente precisa ter um pouco mais de empatia, um pouco mais de solidariedade com quem sofre com os efeitos. Decidimos que para tentar fazer isso de uma forma menos técnica, valia a pena fazer uma exposição sensorial, uma exposição imersiva, para que as pessoas consigam vivenciar de uma forma diferente o que são mudanças climáticas, o que elas significam para a gente e o que elas significam para as cidades.

E por que focar em cidades?

As cidades, embora ocupem apenas 2% da superfície terrestre, elas são lar de mais de 50% da população mundial — no Brasil, mais de 80%. Então, falar de cidades é muito importante porque elas são causa, consequências e também são a solução. São nas cidades que estão os governos locais, onde estão as academias, os recursos financeiros, as organizações da sociedade civil. São nos grandes centros urbanos que a gente começa a reverter este cenário também.

Me fala por que vocês escolheram inaugurar a exposição na Cidade das Artes e como está funcionando?

Primeiro que a gente queria fazer no Rio de Janeiro. Nós somos daqui e a gente sente que o Rio está muito carente de eventos culturais gratuitos. Decidimos pela Cidade das Artes, primeiro, porque é linda e estamos conseguindo fazer uma cenografia incorporada à arquitetura que está funcionando super bem. Em segundo lugar, porque ela fica na zona oeste da cidade. Quem é da zona sul acaba pensando apenas em Barra da Tijuca e a zona oeste tem Bangu, Santa Cruz, Tanque, Anil, Jacarepaguá etc. que são lugares que carecem muito de eventos culturais gratuitos. Então a gente quis ocupar o espaço da zona oeste com uma exposição como essa, super tecnológica, super imersiva para toda a família, cem por cento gratuito.

Há um braço do projeto que é educativo, temos ônibus para buscar e levar crianças de escolas municipais e estaduais para visitar a exposição.

Como ficou dividido a exposição?

Cartaz da Exposição.

Ficou dividida em cinco módulos. O primeiro deles se chama Bem-vindos ao dia seguinte e é composto por uma estrutura de andaime muito bonita com uma bola bem grande de materiais reciclados, muito plástico reciclado que ia ser descartado e a gente está usando com arte e depois a gente vai entregar para cooperativas de reciclagem. Embaixo dessa escultura vai ter um piso de LED que mostra uma água super límpida passando e depois começa a ficar super sujo com petróleo, com plástico, para as pessoas terem ideia do que se trata a exposição.

Logo em seguida tem um módulo que se chama [Des]Ordem, que é um módulo de choque. Que é uma estrutura com LEDs nas paredes e no teto e com sensações como vento, fumaça, enfim que a gente vai nesses LEDs a gente vai passar vários eventos climáticos extremos. Furacão, tempestade, inundação, seca, nevasca, para mostrar durante esses quatro minutos o que a gente vai viver no futuro. Hoje esses eventos são considerados extremos, mas no futuro podem ser frequentes se a gente começar a agir desde já. Então ali a gente quer chocar.

Logo depois tem outro módulo que se chama [Des]Humanidades, que é o módulo que a gente quer sensibilizar. Então a gente mostra o que as mudanças climáticas já causam hoje para o planeta e para as pessoas. A gente fala quem são os desabrigados, número de mortes, número de afetados etc. Tem um filme bem bonito que passa numa tela de 12 metros de comprimento e a gente tem do outro lado dessa tela seis depoimentos de brasileiros que sofreram com mudanças climáticas, seja com inundação, com seca, precisar migrar para outras cidades.

Logo depois a gente tem o módulo [Trans]Formação, que é o módulo em que a gente informa. Então, a gente chocou no Desordem, sensibilizou no Desumanidades, e no Transformação, a gente informa. É uma projeção mapeada com paredes bem grandes, globo solar, globo terrestre. Tem o piso também. Mostrando como as cidades foram construídas desde o Big Bang, passando pela Pangeia, época dos dinossauros e tal, até chegar na Revolução Industrial. E aí, a gente mostra como a partir da Revolução Industrial, a gente se transformou nessas mega e complexas metrópoles e como nós, seres humanos, passamos a ser responsáveis pelas mudanças do clima, a partir do momento em que a gente descobriu a queima de combustíveis fósseis etc. E no meio desse caminho, entre a [Trans]Formação e o [Des]Humanidades, tem um espaço com 8 telas touch, duas para cada módulo e uma tela de jogos, chamado espaço [In]Formativo. Nessas telas touch a gente faz várias iconografias, animações para explicar um pouco mais sobre mudanças climáticas: quais foram as reuniões mais importantes do clima? o que é poluição plástica? o que é água? o que é energia? o que saneamento? como o planeta está esquentando? quais são as projeções do clima para o futuro? e assim por diante.

Simulação do cenário do módulo [In]Formativo. Foto: Divulgação.

E por fim, tem um espaço que se chama [R]Evolução, que é o espaço onde a gente traz a esperança. Após tudo, a gente reforça que ainda está em tempo de mudar, embora o tempo seja muito curto, ainda tem tempo de mudar, a gente ainda pode transformar o planeta num lugar melhor, numa cidade inclusivas, mais sustentável. A gente mostra exemplos de cidades pelo mundo que já fazem o esforço de utilizar uma economia de baixo carbono e assim por diante. Então a gente termina a exposição com esse olhar de esperança e conectado à zona oeste. A ONU é um dos parceiros da exposição. A gente tem um painel mostrando como o clima pode ser diferente. Se a gente tiver as políticas públicas de base que consigam oferecer qualidade de vida para as pessoas e um caminho de transição para um mundo melhor.
Daniele Bragança