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O que é ‘imunidade de grupo’, a polêmica estratégia do Reino Unido para combater o coronavírus

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A estratégia do governo do Reino Unido para lidar com a pandemia de coronavírus é radicalmente diferente da de outros países.

Estratégia do governo Boris Johnson em relação a covid-19 é diferente da de todos os seus vizinhos europeus.

A estratégia do governo do Reino Unido para lidar com a pandemia de coronavírus é radicalmente diferente da de outros países.

Desde a última terça-feira (10 de março), toda a Itália está em quarentena, enquanto a Polônia se prepara para fechar suas fronteiras por duas semanas.

O governo da França ordenou o fechamento de todos os locais públicos não essenciais a partir da meia-noite deste sábado, 14 de março, e a Espanha decretou um estado de emergência que restringirá a circulação de cidadãos por 15 dias e só permitirá que eles saiam de casa por motivos essenciais, como ir ao supermercado ou trabalhar.

Neste sábado, centenas de cientistas pediram que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson tomasse medidas mais duras para lidar com o surto de covid-19, como é chamada a doença causada pelo novo coronavírus.

Em uma carta aberta, um grupo de 229 cientistas de universidades britânicas diz que a atual estratégia do governo Johnson colocará o serviço de saúde britânico sob pressão adicional e “ameaçará mais vidas do que o necessário”.

Os signatários também criticaram os comentários feitos por Sir Patrick Vallance, o principal consultor científico do governo, que sugeriu que parte da estratégia das autoridades era gerenciar a propagação da infecção para tornar a população imune.

O Departamento de Saúde britânico notou mais tarde que os comentários de Vallance haviam sido “mal interpretados”.

A carta também critica a opinião do governo de que, se as restrições às atividades das pessoas forem impostas muito cedo, elas ficarão cansadas delas e deixarão de cumpri-las.

Em meio a críticas e crescente pressão, o primeiro-ministro se reúne nesta segunda-feira com seus ministros e especialistas em saúde e segurança nacional para discutir novas medidas de contenção do vírus. No domingo, o governo já dava sinais de que irá recomendar a todos acima de 70 anos que permaneçam em suas casas. A orientação será provavelmente estendida àqueles que tenham condições de saúde consideradas debilitantes.

O texto foi publicado no último sábado, 14 de março, no mesmo dia em que foi anunciado que outras 10 pessoas morreram no Reino Unido por causa do coronavírus, elevando o número total de mortes para 21. Já no domingo, novas mortes foram anunciadas pelo departamento de sa[ude britânico, elevando o total no país para 35, um crescimento de mais de 50% em único só dia.

Além disso, o Conselho Consultivo Científico para Emergências (Sage) do governo recomendou que medidas fossem implementadas em breve para proteger a população vulnerável, incluindo o isolamento dentro de suas casas.

Vallance e o principal consultor médico do governo Chris Whitty disseram que pretendem publicar os modelos de computador nos quais sua estratégia se baseia.Direito de imagemGETTY IMAGES
Luta contra coronavírus é retardar sua propagação e tentar contê-lo

Medidas insuficientes
Em sua carta aberta, os cientistas assinantes argumentam que medidas mais fortes de “distanciamento social” reduziriam “drasticamente” a taxa de contágio no Reino Unido e salvariam “milhares de vidas”.

O grupo disse que as medidas atuais são “insuficientes” e que “medidas adicionais e mais restritivas devem ser aplicadas imediatamente”, como está acontecendo em outros países.

A idéia de “gerenciar a disseminação” da doença para que a população ganhe imunidade, conhecida como “imunidade de grupo” ou “efeito rebanho”, também foi questionada.

De acordo com esse conceito, aqueles que estão em risco de infecção podem ser protegidos porque estão cercados por pessoas resistentes à doença.

A “imunidade de grupo” é normalmente usada por epidemiologistas para falar dos benefícios da aplicação de vacinas recebidos por pessoas que não as tomaram. Isso porque, uma vez vacinados, elas ganham imunidade contra um determinado patógeno, beneficiando indiretamente toda uma comunidade, inclusive aqueles que não tiveram acesso à vacinação.

Mas ainda não há vacina para o coronavírus.

Sendo assim, estimativas sugerem que a “imunidade de grupo” contra a covid-19 seria alcançada quando aproximadamente 60% da população for infectada pela doença.

Mas na carta aberta, os cientistas afirmam que “buscar ‘imunidade de grupo’ neste momento não parece ser uma opção viável”.

Direito de imagemGETTY IMAGES

Segundo OMS, 80% dos infectados desenvolverão sintomas leves, 14% graves e 6% gravíssimos.

Uma atitude de “deixar o vírus circular”
O problema da “imunidade de grupo” é que, para funcionar, seriam necessárias que cerca de 36 milhões de pessoas no Reino Unido sejam infectadas e se recuperem, de acordo com o professor Willem van Schaik, da Universidade de Birmingham.

“É quase impossível prever o que isso significaria em termos de custos humanos, mas, de maneira conservadora, estamos estimando que seriam dezenas de milhares de mortes e possivelmente centenas de milhares de mortes”, disse ele.

“A única maneira de tornar isso possível seria espalhar o contágio desses milhões de casos por um período relativamente longo, para que a saúde pública não seja prejudicada”, acrescentou.

Van Schaik enfatizou que o Reino Unido é o único país da Europa que está realizando o que descreveu como “uma atitude deixar o vírus circular”.

Além disso, especialistas não sabem dizer se os infectados com a doença ganham imunidade após se recuperarem – as primeiras evidências até agora apontam que sim, mas isso ainda não é uma certeza.

Eles acrescentam que uma mutação no vírus poderia tornar essa estratégia “completamente ineficaz”.

No entanto, um porta-voz do Departamento de Saúde afirmou que os comentários de Vallance foram mal interpretados.

“A imunidade de grupo não faz parte do nosso plano de ação, mas é um resultado colateral da epidemia. Nosso objetivo é salvar vidas, proteger os mais vulneráveis e reduzir a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês)”, disse ele.

“Agora passamos da fase de contenção para a fase de desaceleração e temos especialistas trabalhando permanentemente. Todas as medidas que introduzimos ou aplicaremos no futuro se baseiam nas melhores evidências científicas”, acrescentou.

“Nossa consciência dos níveis prováveis de imunidade no país nos próximos meses garantirá que nosso planejamento e resposta sejam os mais precisos e eficazes possíveis”, concluiu.

Direito de imagemREUTERS

Chris Whitty (à esquerda) e Patrick Vallance são considerados responsáveis ​​pela estratégia do Reino Unido para coronavírus

Medidas mais drásticas
Em uma carta separada ao governo, mais de 200 cientistas comportamentais questionaram o argumento do governo de que começar a implementar medidas drásticas muito em breve faria com que a população deixasse de cumpri-las exatamente no momento em que a epidemia estivesse em seu ponto mais alto.

“Apesar de apoiarmos totalmente uma estratégia baseada em evidências que formula uma política baseada na ciência do comportamento, não estamos convencidos de que se saiba o suficiente sobre ‘fadiga comportamental’ ou em que medida esse conhecimento é aplicado às circunstâncias. excepcional atual “, indica a carta.

“Essa evidência é necessária se quisermos basear uma estratégia de saúde pública de alto risco”, diz o texto.

“De fato, parece provável que mesmo as mudanças essenciais de comportamento necessárias atualmente (como lavar as mãos) sejam adotadas com muito mais facilidade à medida em que a situação seja percebida como mais urgente. Seguir adiante com normalidade pelo maior tempo possível enfraquece esse senso de urgência”, acrescentam.

Os cientistas observaram que uma “mudança radical de comportamento” poderia ter um efeito muito melhor e “salvar um grande número de vidas”.

“A experiência na China e na Coreia do Sul é encorajadora o suficiente e sugere que pelo menos essa possibilidade seja tentada”, acrescentam.

A segunda carta pede ao governo que reconsidere sua posição sobre “fadiga comportamental” e compartilhe as evidências nas quais está baseando sua estratégia.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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