Traficante é morto na Indonésia. Mas as drogas estão vivíssimas por lá

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

fuzilamento

O episódio lamentável da execução do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte na Indonésia deveria servir para uma reflexão sobre o crescente furor, aqui nas terras tupis, pela pena de morte.

A pena de morte por tráfico de drogas, lá, é uma regra. E o tráfico de drogas em Bali, principal destino dos estrangeiros na Indonésia (três milhões por ano) também é.

O relato da Karla Monteiro, da Folha, que esteve lá há dois meses, é cruel:

” a lei que mata não diminui o tráfico nem o consumo. Aumenta a propina.”

A pena de morte, por lá, não é nova: vem sendo aplicada desde 1973.

Mais de 40 anos, portanto, duas gerações.

A discussão não é, infelizmente, se um traficante de drogas deva ou não pagar com a vida por seu crime.

É sobre se isso serve para alguma coisa.

Não serve na Indonésia, onde duas dúzias de estrangeiros já foram levados ao pelotão de fuzilamento.

Não serve aqui, onde já está instituída informalmente para os traficantes da periferia e da favela, que dificilmente vivem os 42 anos que viveu Rodrigo, fuzilado terça feira.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Não é preciso a pena de morte oficial, já há a de extermínio, por bandidos ou policiais, que se misturam em áreas cinzentas.

Como não serve para evitar a criminalidade monstruosa a pena de morte remanescente nos EUA, aplicada em 35 pessoas ano passado.

Talvez sirvam para uma única coisa: responder aos sentimentos de bestialidade que existem dentro de todos nós.

E que a classe dominante, ao longo da história, sempre manipulou em seu exercício de poder.

Drogas, traição ao rei, assassinato, rebeldia ou, muitas vezes, ódio racial ou religioso, punidos exemplarmente para louvar o status-quo.

Não haverá um comprimido de ecstasy ou uma grama a menos em Bali agora que o traficante está morto.

Mas não é a morte dele aquilo que, essencialmente, me entristece.

O que me deixa sombrio é o júbilo quase indisfarçado com a morte de um ser humano.

Se queremos regressar ao passado, à barbárie, por favor, arranjem outra desculpa.

Ou paremos de chamar de selvagens os degoladores do Estado Islâmico.
Por Fernando Brito/Tijolaço

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

Gostou? Deixe um comentário

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Mais artigos

Siga-me