Wikileaks: Assange diz que ainda não revelou 1% dos documentos que tem

Assange, o criador do WikiLeaks, sai da prisão, diz que a publicação dos documentos continuará, “não revelei nem 1 por cento do que tenho acumulado”. Assim, pelo menos 17 anos de sensação, de demolição da “diplomacia”.

O homem que revolucionou o mundo e acabou definitivamente com a diplomacia “falastrona e de punho de rendas”, foi solto em Londres, ameaçado nos EUA. Retirado da prisão por amigos, inimigos querem logo devolvê-lo ao intempestivo silêncio.

Tentam processá-lo “por uma porção de fatos”, só não explicam quais. Falsificou documentos?

Criou e atribuiu a diplomatas frases e conceitos que não são deles? Apenas revelou 250 mil confidências tolas e criminosas de “representantes americanos”. Para eles, Julian Assange se transformou no calcanhar de Aquiles, querem inutilizá-lo pelo tornozelo. Não faz sentido, nem processo haverá.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O WikiLeaks destroçou a diplomacia brasileira, na questão da cobertura dada ao aventureiro e doidivanas Zelaya, de Honduras. Textual: “O Brasil não estava preparado, nem sabia o que fazer, queriam transformar Zelaya em mártir”.

Na época, critiquei diariamente não só o chanceler Amorim, mas o próprio governo Lula, pelo espetáculo vergonhoso. (Aqui mesmo, no blog, muitos defenderam Zelaya e Amorim, absurdo).

Ele não pediu asilo, não fez qualquer gestão, mesmo porque não tinha nenhuma representatividade.

Seu caso era inédito, fui praticamente o único a revelar o que o fato tinha de escabroso e desmoralizador para a diplomacia brasileira.

Zelaya não “invadiu” a Embaixada brasileira, entrou pela porta da frente, com uma centena de “auxiliares”, ficou lá o tempo que quis ou bem entendeu. As televisões do mundo, diariamente apresentavam Zelaya com aquele chapelão de idiota e o charutão de Al Capone (de terceiro time), zombando do Brasil.

Desde o início, defendi e aplaudi Assange, nenhum mérito, não podia fazer outra coisa. Só que estava custando a chegar ao Brasil. Nossa rota territorial pode até ser distante, mas o trajeto moral e nada profissional é uma constante na vida e na carreira de Celso Amorim.

Na década de 80, denunciei o escândalo-escandaloso (não é redundância e sim reafirmação) da Embrafilme. Era o fim da ditadura, não havia mais censura, quase que diariamente denunciava tudo, com informantes maravilhosos.

Um dos maiores dessa cúpula “avassaladora”, precisamente Celso Amorim. Corriam para tirar o jornal de todas as bancas do Rio, não podiam nem examinar outras “providências”.

Meus parabéns a Assange e seu notável WikiLeaks. Notável e infindável.

***

PS – Ao sair da prisão (mas praticamente continuando nela, é o pavor da diplomacia, e portanto de todos os países, principalmente os maiores), Assange afirmou: “As publicações continuarão, mesmo que eu esteja preso”.

PS2 – Concluiu: “Ainda não publiquei NEM 1 POR CENTO DOS DOCUMENTOS”.

PS3 – Digamos que só tenha divulgado realmente, nesses dois meses em que revolucionou o mundo, esse 1 por cento. Teria então, material ainda para 17 anos. Isso com 1 por cento de dois em dois meses. Fora os documentos que iriam chegando.

PS4 – A diplomacia do mundo tem que viver mesmo aterrorizada.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Honduras. Não se deixe ‘enrolar’ pela desinformação

Às vezes, é preciso desenhar. Então vamos desenhar. Comecemos com uma questão bastante geral, que vale para Honduras, para o Brasil e para qualquer país: pode-se não gostar da Constituição que existe, mas sempre existirá uma. A questão é saber se ela foi votada num regime autoritário ou democrático; se a legitimidade está de braços com a legalidade. No caso hondurenho, ainda que se possa fazer pouco do texto constitucional e lhe atribuir exotismos – a brasileira está cheia de esquisitices -, foi escrita num regime de liberdades plenas e vinha garantindo a estabilidade do país, com sucessões democráticas, desde 1982. Se tinha tal e qual objetivo, se buscava amarrar o país a esta ou àquela configuração de poder, pouco importa. Também sobre o Texto brasileiro ou americano se podem fazer as mais variadas especulações. O PT se negou a participar do ato puramente formal de homologação da Carta porque considerou que ela buscava alijar os trabalhadores do poder ou qualquer bobagem do gênero. Assim, consolida-se o…

FATO NÚMERO UM – a Constituição de Honduras foi democraticamente instituída. E, neste meu desenho em palavras, isso nos remete imediatamente ao…

FATO NÚMERO DOIS – a Constituição de Honduras tem um artigo, o 239, cuja redação muita gente considera curiosa, um tanto amalucada e, querem alguns, contrária a alguns bons princípios do direito. Pode ser. A Constituição brasileira tabelava os juros, por exemplo. Na reforma constitucional, o artigo caiu em razão de uma emenda supressiva proposta pelo então senador José Serra. Voltemos à Constituição hondurenha. Estabelece o artigo 239:

“O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir essa disposição ou propuser a sua reforma, assim como aqueles que o apoiarem direta ou indiretamente, perderão imediatamente seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de qualquer função pública”.

No original, está escrito “cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos”. Também em espanhol, “de imediato” quer dizer “de imediato”.

A tal consulta que Manuel Zelaya queria fazer violava abertamente este artigo. E isso nos remete ao…

FATO NÚMERO TRÊS – é falso, e o arquivo da imprensa hondurenha está disponível na Internet, que Zelaya mal teve a idéia, e já lhe foram lá tomar o cargo. Eu diria até que o processo político foi mais compreensivo com ele do que o artigo 239. O que fizeram os que se opunham a ele, incluindo membros de seu próprio partido? Recorreram à Justiça, acusando a sua consulta de violar justamente o dito artigo 239. E isso nos remete ao…

FATO NÚMERO QUATRO – este é freqüentemente omitido na argumentação. Cabe aqui lembrar o que diz o Artigo 184:

Las Leyes podrán ser declaradas inconstitucionales por razón de forma o de contenido. A la Corte Suprema de Justicia le compete el conocimiento y la resolución originaria y exclusiva en la materia y deberá pronunciarse con los requisitos de las sentencias definitivas.

Então vamos chegar ao…

FATO NÚMERO CINCO – a Corte Suprema de Justiça considerou a consulta INCONSTITUCIONAL. E todos aqueles, pois, que se envolvessem com a sua realização estariam incorrendo numa ilegalidade. Assim, chegamos ao…

FATO NÚMERO SEIS – é o mais importantes da história toda. Manuel Zelaya desconsiderou a decisão da Justiça e deu ordens ao Exército para que seguisse adiante com o plebiscito, já que a Força era a responsável pela realização da consulta. Notem bem: se o Exército tivesse sido obediente às ordens de Zelaya, o chefe do Executivo estaria tomando decisões contrárias à vontade do Congresso e à decisão da Justiça. ERA O GOLPE, O VERDADEIRO GOLPE. Assim, estamos diante do…

FATO NÚMERO SETE – Zelaya organizou seus bate-paus do sindicalismo para surrupiar as urnas que estavam nos quartéis (conforme o plano original) e realizar a tal consulta ao arrepio do Congresso, da Justiça e das Forças Armadas. Mas o que têm as Forças Armadas com isso? Exercem em Honduras o mesmo papel Constitucional que exercem no Brasil. E isso nos remete ao…

FATO NÚMERO OITO – as Forças Armadas de Honduras, como no Brasil, são garantidoras da ordem constitucional caso ela seja ameaçada, conforme reza o artigo 272, a saber:

Las Fuerzas Armadas de Honduras, son una Institución Nacional de carácter permanente, esencialmente profesional, apolítica, obediente y no deliberante. Se constituyen para defender la integridad territorial y la soberanía de la República, mantener la paz, el orden público y el imperio de la Constitución, los principios de libre sufragio y la alternabilidad en el ejercicio de la Presidencia de la República.

Chegamos, então, ao…

Continue lendo

Conselho de Segurança da ONU condena cerco à embaixada brasileira em Honduras

Órgão exigiu que o sítio à representação brasileira seja interrompido.

Prédio está cercado desde segunda por tropas leais ao governo interino.

O Conselho de Segurança da ONU condenou nesta sexta-feira (25) o cerco da Embaixada do Brasil em Honduras e exigiu que ele seja imediatamente interrompido.

A sede da diplomacia brasileira está cercada desde segunda-feira, quando o presidente deposto Manuel Zelaya voltou de surpresa à capital, Tegucigalpa, e abrigou-se na Embaixada do Brasil, gerando uma crise política e diplomática.

“Nós condenamos os atos de intimidação contra a Embaixada do Brasil e exigimos que o governo de facto de Honduras cesse o certo”, disse a repórteres a embaixadora norte-americana para a ONU, Susan Rice, que atualmente preside o conselho.

A reunião, que ocorreu a pedido do Brasil, ateve-se ao tema da segurança da representação diplomática e não tocou no assunto do futuro político de Honduras.

O chanceler Celso Amorim críticou a situação humanitária da embaixada. O chanceler também pediu ao presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, que respeite a Convenção de Viena sobre a inviolabilidade das sedes diplomáticas.

“É imperativo que o regime de Honduras cumpra a Convenção de Viena sobre a inviolabilidade das representações diplomáticas”, disse Amorim no conselho.

do G1

Entenda a crise política em Honduras

Zelaya, Cháves, tendas petrolíferas e democracia

A meia dúzia dos que me lêem aqui no blog, sabem que não tenho a menor simpatia pelos doidivanas tipo Cháves, Evo Morales, Rafael Correa e demais protótipos de déspotas que vicejam nas Caraíbas e arredores. Coloquemos aí, para atualizar a lista, o bigodudo Zelaya, recém chegado ao time dos candidatos a caudilho.

Acontece, que independente da minha insignificante antipatia, os referidos senhores fora eleitos em eleições democráticas, fiscalizadas por organismos internacionais e observadores idôneos, o que por si só já as validam.

O que tais figurinhas tentam é usando de referendos e/ou plebiscitos, alongarem os mandatos através de emendas à constituição de seus (deles) países. Usando de outros métodos mais sutis, o nosso sociólogo da entregação, FHC, conseguiu o feito de aprovar emenda constitucional inaugurando a reeleição na taba dos Tupiniquins.

Agora, o que realmente me incomoda é a carga que a mídia exerce somente sobre tais personagens. Aproveitam e batem também no carniceiro cubano, o provecto Fidel.

Deixam de lado os dirigentes de inúmeros países do oriente, que se perpetuam em dinastias, governando sem democracia, votos, liberdade de imprensa ou partidos políticos. Mantendo regimes autoritários, autocráticos e cruéis, reprimem quaisquer manifestações de oposição, impondo ao povo infelicitado todo tipo de agressão aos direitos humanos. Nesses feudos, a tortura, a mutilação e outras penas cruéis são aplicadas sem complacência. Isso sem contar o tratamento dado às mulheres. Nenhum governante ocidental, nem imprensa de nenhum matiz, escrevem uma linha contra tais senhores.

Aproveitem e insiram aí, em qualquer parágrafo, e adjetivo, a China com julgamentos secretos e execuções sumárias.

Alguém aí já ouviu o Obama chamando a China de ditadura? Quem já ouviu o Lula cobrando democracia de qualquer um desses países com faz agora com Honduras? Alguém ouviu os ‘Buschs‘ suspenderem relações diplomáticas e/ou comerciais com ditaduras assentadas sobre lençóis de petróleo até que por lá acontecessem eleições livres?

Fazemos qualquer negócio!

Viva o petróleo! Não é mesmo?