A guerra dos robôs se trava na Wikipédia

Até 4,7 milhões das mudanças da enciclopédia digital são feitas por programas de computador

Captura de tela da página inicial da Wikipédia em seu 15º aniversário.Captura de tela da página inicial da Wikipédia em seu 15º aniversário.

Cada vez são mais os sites da web que incorporam bots, robôs que são programas de computador que se comportam como humanos, para executar tarefas como responder perguntas dos usuários, fazer publicidade ou abrir contas de e-mail. Mas, apesar dos esforços e de seu uso generalizado, ainda estão muito longe de atuar na rede como se fossem uma pessoa. Essa é a conclusão à qual chegou um grupo de engenheiros do Instituto Alan Turing do Reino Unido, que estudou o comportamento desses robôs na Wikipédia e descobriu que até 4,7 milhões das edições dos artigos são correções que os robôs estão fazendo constantemente entre si, caindo em um tipo de edição interminável nada produtiva.

Captura de tela de uma das edições realizada por um bot.
Captura de tela de uma das edições realizada por um bot. WIKIPEDIA

Os robôs que trabalham na Wikipédia são responsáveis por tarefas que podem ser tediosas para as pessoas, como identificar e desfazer casos de vandalismo, adicionar links, verificar a ortografia e cuidar da concordância sintática das orações. O problema surge quando as edições que eles fazem estão condicionadas pelo país e idioma em que foram programados e são influenciadas por alguns aspectos culturais. Por exemplo, algumas dessas reversões são feitas para mudar Palestina por território palestino ou Golfo Pérsico para Golfo Árabe e assim com vários milhões de conceitos que não coincidem nas diferentes regiões do mundo.

Também estão programados para revisar as mudanças feitas cada certo tempo, o que ajuda a aparição de confrontos com outros robôs que fazem exatamente o mesmo e se corrigem entre si quando veem que sua última edição voltou a ser modificada. Nas mudanças que fazem as pessoas não acontecem esse tipo de conflito porque os usuários da Wikipédia raramente voltam a verificar se os dados que corrigiram estão atualizados.

Uma das curiosidades que mostra o estudo é que o número de edições depende do idioma do texto. Os escritos em alemão são os menos modificados, com uma média de 24 por entrada. No lado oposto estão os artigos em português, que acumulam até 185 reversões por artigo. De acordo com especialistas, uma das possíveis soluções para essas intermináveis batalhas é que a Wikipédia permita o uso de robôs cooperativos que podem gerir os desentendimentos e permitir que as tarefas possam ser cumpridas de forma eficiente.

O estudo mostra que os robôs podem trabalhar de forma completamente imprevisível. “O mundo on-line se tornou um ecossistema de robôs e, no entanto, nosso conhecimento sobre como interagem esses agentes automatizados é muito pobre”, reconhece Taha Yasseri, uma das responsáveis pela pesquisa.

Yasseri fala de todo um ecossistema e não exagera: um estudo de 2009 estimou que naquele ano os robôs geraram 24% de todos os tuites publicados; uma empresa de análise de audiências descobriu que 54% dos anúncios exibidos entre 2012 e 2013 foram vistos por robôs em vez de seres humanos; e, segundo uma empresa de segurança da web, os robôs realizaram 48,5% das visitas aos sites de 2015.

O número de incidências causadas por esses programas de computador aumentou de maneira constante nos últimos anos, indicando, de acordo com os pesquisadores, que seus criadores não estão fazendo o suficiente para melhorá-los ou que não conseguiram identificar os problemas que geram.

Alguns conflitos, como os da Wikipédia, podem ser considerados inócuos. Outros são mais problemáticos e virais, como o que aconteceu no Twitter em março deste ano, quando a Microsoft precisou retirar um dos seus robôs por tuitar mensagens com conteúdo racista, sexista e xenófobo. Tinha sido programado para responder perguntas e estabelecer conversas com os mais jovens da web e aprendeu com eles esse comportamento.se tornou um ecossistema de robôs e, no entanto, nosso conhecimento sobre como interagem é muito pobre”

Apesar das falhas e da falta de eficiência demonstrada em muitas ocasiões, os robôs são ainda uma opção muito útil em tarefas de conversação. O exemplo mais claro é Siri, a assistente da Apple que resolve as dúvidas do usuário através de mensagens de voz. Mas também há outros casos, como o criado por um estudante da Universidade de Stanford, que está programado para ajudar as pessoas a recorrer das multas de estacionamento. Em um ano conseguiu cancelar 160.000 multas e já funciona em Londres e Nova York.
Victoria Nadal/ElPais

Como as notícias de atualidade são editadas na Wikipédia

O gráfico mostra  as visitas à página selecionada, o total diário de alterações feitas ao artigo e, em destaque, os elementos-chave no desenvolvimento da matéria. Ilustração de Joe Sutherland, com autorização da CC BY-SA 4.0.

 

Para investigar alguns aspectos desse fenômeno, como, por exemplo, a velocidade com que notícias de última hora são cobertas pela Wikipedia, a comprovação da informação acrescentada depois de algum tempo e a distribuição de correções entre os editores da Wikipedia, selecionei um artigo para análise posterior na forma de dissertação.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O artigo selecionado foi Shooting of Michael Brown[Assassinato de Michael Brown], que cobria a morte de Michael Brown, de 18 anos de idade, em Ferguson, Missouri, pelo policial Darren Wilson. O incidente atraiu muita atenção da imprensa, estimulada por protestos locais, no subúrbio de St. Louis. Observei o histórico do artigo até 12 de janeiro de 2015.

Os dados obtidos foram divididos em dois “picos” no desenvolvimento da matéria: o atropelo inicial da mídia depois do começo dos protestos, em meados de agosto, e a decisão do grande júri de Ferguson de não indiciar Darren Wilson pela morte do adolescente, no final de novembro [https://blog.wikimedia.org/2015/08/17/wikipedia-breaking-news/#2]. Cada “pico” representou 500 “revisões” individuais do artigo em questão. Neste caso, o uso de picos permitiu uma análise cruzada – ou seja, uma comparação direta entre os dois casos estudados.

Velocidade de edição

O gráfico mostra a velocidade de edição nos dois picos de desenvolvimento. Ilustração de Joe Sutherland, com autorização da CC BY-SA 4.0.

É interessante ressaltar que as visitas à página e os índices de edição não coincidiram como era de esperar. Em vez disso, houve uma grande enxurrada de correções poucos dias depois do artigo ser publicado, provavelmente à medida que a comunidade de editores voluntários da Wikipédia  tomou conhecimento da existência do artigo ou ouviu falar do evento. A velocidade de edição foi incrivelmente rápida durante este período inicial de tumultos e atenção da imprensa, embora essa rapidez fosse muito inconsistente.  A média do índice de edição durante esse período foi de 18,75 correções por hora, mais de onze vezes mais do que a média para o artigo inteiro.

A cobertura da mídia, no entanto, parece ter um impacto muito mais penetrante nas visitas às páginas: por ocasião da decisão de não indiciar Darren Wilson, em novembro, quase meio milhão de pessoas visitaram o artigo num único dia. Uma observação um tanto surpreendente foi a de que este segundo pico resultou em índices de edição muito mais lentos. A média, para esse período, foi de 7,21 correções por hora, o que representa um ritmo duas vezes e meia mais lento do que no primeiro pico. É também muito inconsistente, tomando por base o primeiro pico – as velocidades de edição variaram amplamente durante os dois picos e foram, em grande parte, inesperadas.

Em termos do texto acrescentado ao artigo, o primeiro pico – que foi observado durante um período de tempo muito mais curto – viu uma média de 501,02 bytes de texto acrescentado por hora, cerca de 3,6 vezes mais rápido que o índice do segundo pico. Neste momento, no entanto, o artigo era muito mais longo e é provável que não sobrasse muito a ser acrescentado.

O uso de fontes

Opinar sobre a exatidão do artigo é uma tarefa muito difícil que, por sua natureza, seria subjetiva e exigiria um conhecimento profundo do que ocorreu em Ferguson naquela tarde. Com esse objetivo, optei por avaliar a comprovação do artigo – especificamente, o volume de fontes por kilobyte de texto, o que neste estudo é considerado a “densidade de referência” do artigo.

“Densidades de referência” de cada pico. Ilustração de Joe Sutherland, com autorização da CC BY-SA 4.0.

Foram tomadas para este estudo dez amostras de cada pico e suas referências correspondentes. Isso foi utilizado conjuntamente ao tamanho da página em kilobytes para achar a densidade de referência.

Em ambos os picos, a densidade de referência aumentou continuamente com o tempo. Foi significativamente mais alta no pico anterior como um todo, quando o artigo era mais curto e informações rapidamente alteráveis exigiam mais comprovação. Esse aumento na densidade de referência com o passar do tempo provavelmente indica o desejo dos editores da Wikipedia de impedir que as informações acrescentadas não fossem removidas,  dada a inviabilidade de uma verificação.

A maioria das fontes utilizadas no artigo foi de publicações focadas  na mídia impressa. Isto é mais óbvio no segundo pico do que no primeiro, onde o jornal local The St. Louis Post-Dispatch tornou-se a fonte mais comum para o artigo estudado.

Origem das fontes utilizadas no artigo de acordo com o pico. Ilustração de Joe Sutherland, com autorização da CC BY-SA 4.0.

Em relação a isso, foi descoberto que um grande volume das fontes era de mídias sediadas no estado de Missouri. A proporção de fontes que se enquadravam nessa categoria na verdade aumentou no segundo pico, de pouco mais de 18% para pouco mais de 25% da totalidade das fontes. Outras fontes locais que foram continuamente utilizadas no artigo foram o jornal St. Louis American e as emissoras KTVI e KMOV.

No entanto, foi o estado de Nova York que forneceu a maioria das fontes; isso parece indicar que os editores têm uma tendência a fontes conhecidas e respeitáveis, como o New York Times e oUSA Today, que ficaram entre os primeiros lugares nas listas de classificação. Excepcionalmente, o estado da Geórgia, que teve como representante quase exclusiva a emissora nacional CNN, ainda somou 10% do total das fontes utilizadas.

O alcance dos colaboradores

Por fim, foram examinados os padrões de edição dos usuários para avaliar a distribuição de correções feita entre vários grupos. Para fazê-lo, os usuários foram colocados em categorias baseadas em seus índices de edição – que, para os objetivos deste estudo, foram definidos como a média diária de suas correções. Foram selecionadas categorias para dividir os editores da maneira mais uniforme possível para a análise e foram excluídos seis bots ( N.R. robôs eletrônicos na internet) para evitar a distorção dos resultados.

tabela_jornalistas_correcoes
Analisando os dados acrescentados por categoria, os usuários extremamente ativos foram responsáveis pela grande maioria do total de conteúdo acrescentado ao artigo – quase a metade do total. No entanto, ao desmembrar esses dados pela média de conteúdo acrescentado por correção para cada categoria, surgiram alguns resultados intrigantes.Fica evidente que a maioria dos usuários nas categorias “extremamente ativos” e “usuários de poder” detêm algum tipo de status, seja a ferramenta de “retrocesso” dada pelos administradores, ou papéis escolhidos, como o de administrador ou burocrata. Isso pelo menos implica que mais correções diárias possam ser traduzidas, em termos aproximados, para experiência ou confiança no projeto.

Média do conteúdo acrescentado por correção, em bytes, por categoria de experiência. Ilustração de Joe Sutherland, com autorização da CC BY-SA 4.0.

Embora os usuários extremamente ativos também fiquem na frente neste quesito, é uma corrida muito mais equilibrada. Talvez por motivos não intuitivos, editores “eventuais” – aqueles com menos de uma correção por dia, mas mais de 0,1 – acrescentaram uma média de 95,81 bytes por correção e a categoria imediatamente abaixo dessa acrescentou 93,70 byes por correção. Isso sugere que a edição do artigo na Wikipedia não é exclusivamente feita por usuários muito ativos, mas por um amplo leque de usuários com estilos e experiência de edição amplamente diferenciados.

As correções ao artigo normalmente foram feitas por um grupo muito pequeno de usuários. Na verdade, 58% das correções foram feitas pelos dez principais colaboradores, enquanto mais da metade dos colaboradores fez apenas uma correção. O texto acrescentado ao artigo seguiu o mesmo padrão, embora ainda mais pronunciado: os mesmos dez principais colaboradores contribuíram com mais de dois terços do conteúdo do artigo. Isso fortalece as teorias de que os artigos da Wikipedia tendem a ser trabalhados por uma “equipe” essencial, enquanto outros editores individuais contribuem com correções menos importantes e com a neutralização dovandalismo.

No geral, o estudo mostra que a Wikipedia trabalha as notícias de última hora da mesma forma que as redações tradicionais – a comprovação é levada em alta consideração e um “grupo essencial” de editores tende a contribuir com a maior parte do conteúdo. No entanto, os índices de edição não correspondem de maneira óbvia aos picos de atividade da mídia, o que vale a pena investigar futuramente de modo mais qualitativo.

Notas

Outros pesquisadores trabalharam nesta área; seu trabalho, seus métodos e seus resultados tiveram grande influência neste estudo. O trabalho de Brian Keegan, em especial, foi significativo no sentido de orientar a direção desta pesquisa. Seu trabalho de 2013 sobre notícias de última hora, que contou com a participação de Darren Gergle e de Noshir Contractor, cobre uma abrangência muito mais ampla do que o fez esta tese.

O primeiro pico descrito refere-se às 500 correções feitas entre as 09:38 (Tempo universal coordenado- UTC) do dia 16 de agosto de 2014 e as 17:54 (UTC) de 18 de agosto de 2014 (um período de dois dias, oito horas e 16 minutos); o segundo pico é entre 00:57 (UTC) de 23 de novembro de 2014 e 22:36 (UTC) de 1º de dezembro de 2014 (um período de oito dias, 21 horas e 39 minutos).

Joe Sutherland, da Fundação Wikimedia

Escolas devem treinar crianças para usar Wikipédia, diz fundador do site

Considerado um dos ‘gurus’ da internet, Jimmy Wales, cofundador da enciclopédia virtual Wikipédia, esteve no Brasil na semana passada para participar de uma série de palestras em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

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Não foi a primeira, mas foi a mais longa visita de Wales ao país. Americano do Alabama, Wales fundou a Wikipédia em 2001, junto com o amigo Larry Sanger. A ideia era fazer uma enciclopédia ‘livre’, que pudesse ser escrita e editada por qualquer pessoa.

Desde então, já teriam sido escritos, segundo a própria Wikipédia, mais de 35 milhões de artigos em 288 línguas.

Há quem critique a qualidade de muitos desses artigos. Wales nega que isso seja um problema significativo, mas diz que estão sendo tomadas medidas para que o conteúdo do site seja “melhor que o de uma enciclopédia tradicional”.

Entre um compromisso e outro no Brasil, o americano falou com a BBC sobre esses esforços e defendeu que os estudantes sejam “treinados” para usar a Wikipédia. Confira:[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

BBC Brasil – No ano passado, uma figura ligada ao governo foi acusada de alterar o perfil de jornalistas na Wikipédia. O que é feito para impedir que a plataforma seja usada por grupos políticos organizados ou grandes empresas como instrumento de propaganda?

Jimmy Wales – Esses comportamentos são proibidos pelas regras da Wikipédia. E nós bloqueamos e banimos da nossa comunidade de editores pessoas que são pegas fazendo isso.

Também é preciso considerar o custo de quebrar as regras: é bastante vergonhoso para qualquer político ou empresa se seus assessores de comunicação ou funcionários são flagrados fazendo esse tipo de coisa.

Sabemos que acontece, mas (isso acontece) com menos frequência do que a maioria das pessoas pensa.

 

BBC Brasil – Mas imagino que seja complicado identificar essas pessoas se qualquer um pode editar os artigos. Empresas ou partidos não podem pagar qualquer um para mudar as entradas da Wikipédia que são de seu interesse?

Wales – Existe uma comunidade monitorando as informações que são colocadas em cada artigo. Se alguém não está seguindo as regras da Wikipédia é logo identificado. As pessoas não podem simplesmente deletar informações que não querem ver expostas ou escrever coisas sem atribuí-las a fontes confiáveis.

Na realidade, no caso das empresas, vemos que o caminho mais efetivo (se elas querem colocar algo no site) é que nos abordem de forma transparente. Elas podem dizer: “Temos essa proposta para tal artigo”. Então a comunidade pode analisar essa proposta e decidir.

O que acontece se o processo não é esse é que eles começam a escrever coisas consideradas inapropriadas e acabam banidos.

BBC Brasil – A Wikipédia teve um crescimento impressionante nos seus 15 anos de existência, mas muitos dizem que a qualidade de muitos artigos é discutível. O que vocês têm feito para melhorar?

Wales – Há estudos acadêmicos feitos sobre a Wikipédia que mostram que, no geral, a qualidade dos artigos não é muito diferente dos de uma enciclopédia tradicional. Isso ainda não nos satisfaz – a proposta é ser melhor que uma enciclopédia tradicional.

E estamos levando a cabo uma série de iniciativas para avançar nessa questão. Uma das mais importantes é o que chamamos de Wikiprojects: as pessoas se reúnem para discutir tópicos específicos. Só para dar um exemplo, temos um Wikiproject sobre a Segunda Guerra Mundial, na qual as pessoas analisam todas as entradas relativas a esse tópico. Os artigos recebem nota e são categorizados por sua qualidade. Também é elaborada uma lista sobre o que é preciso fazer para melhorar cada um deles.

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BBC Brasil – Como o senhor vê a Wikipédia em 10 anos?

Wales – A principal mudança em curso que deve ter um impacto no futuro do projeto tem sido o crescimento em línguas do mundo em desenvolvimento, na África, na Índia, mesmo em idiomas usados por pequenas comunidades. Também devemos continuar crescendo em acessos por celular e outras plataformas móveis.

BBC Brasil – A ideia é que, com esse esforço para aprimorar a qualidade, a plataforma possa ser usada, por exemplo, em trabalhos escolares – como, no passado, as enciclopédias tradicionais?

Wales – Acho que ela já é usada de forma substancial por estudantes. Sempre que falo com alunos universitários eles brincam: “Nunca teríamos nosso diploma sem vocês”.

Por isso, o que deveríamos estar discutindo nas escolas não é se, e sim como usar o site. Quais são os pontos fortes e os pontos fracos dessa ferramenta, o que procurar em cada artigo. Essa deve ser uma parte importante da educação, já que tanta gente hoje se informa pela internet. Precisamos nos assegurar que os jovens e crianças estão recebendo instruções para fazer isso da maneira correta.

As pessoas vão usar a Wikipédia quando saírem da escola de qualquer maneira, então é importante que sejam treinadas para isso.

BBC Brasil – A internet e mídias sociais têm servido de palco para algumas pessoas com visões radicais ou extremistas. Se todos podem editar as entradas da Wikipédia, isso não se torna um problema? O que vocês fazem para garantir artigos equilibrados?

Wales – Não percebemos isso como um problema. Na realidade, nossa percepção é oposta: achamos que a internet está levando à destruição do extremismo já que, com ela, as pessoas começam a ser expostas a uma grande variedade de ideias diferentes das suas e têm um maior entendimento (dos fatos). É muito difícil ser extremista em um mundo em que as informações sobre tantos temas estão tão amplamente disponíveis.

Na Wikipédia, nosso estilo já é muito neutro, muito calmo, procuramos fontes confiáveis. Mas acredito que, de maneira mais ampla, na internet também estamos vendo a morte do extremismo.

BBC Brasil – Veículos da imprensa dos EUA e Grã-Bretanha já o retrataram como o único ‘guru’ da internet que não ficou bilionário. Foi uma opção?

Wales – Na realidade, eu também sou fundador do site Wikia.com, que é website número 17 no mundo, um projeto comercial que está dando muito certo. A (operadora móvel com rede virtual) The People’s Operator (TPO), na qual tenho participação, está indo bem também. Então acho que essa ideia de que vivo na pobreza é equivocada. É claro que a Wikipédia (cujos direitos foram cedidos a uma fundação) é muito mais importante do que tudo isso. Mas, no caso, o objetivo era ter um impacto global, não lucrar um bilhão. Então tenho muito orgulho de participar desse projeto.

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BBC Brasil – Um dos desafios da Wikipédia é o financiamento. Aceitar anúncios desvirtuaria o projeto?

Wales – Essa seria uma opção muito ruim para a Wikipédia. Eu pessoalmente sou contra os anúncios e uma das principais razões é que a Wikimedia Foundation, a ONG que fundei para operar a Wikipédia, hoje é guiada por seu senso de missão.

Mas se começássemos a vender anúncio, a organização começaria a ter preocupações com sua receita publicitária. Poderia preferir ter um milhão de leitores a mais nos EUA do que na África, por exemplo, simplesmente porque os americanos têm mais recursos e lá o mercado publicitário está mais desenvolvido.

Além disso, a equipe poderia começar a se interessar mais sobre o que você está lendo na Wikipédia. E talvez tivesse um incentivo para direcioná-lo para páginas com anúncios. Hoje, o que você está lendo na Wikipédia só interessa a você. O leitor é guiado apenas por seus próprios interesses.

BBC Brasil – Você já anunciou que tem interesse em trazer a operadora de telefonia TPO para o Brasil. Por que o mercado brasileiro parece interessante mesmo nesse momento de crise?

Wales – Por enquanto já estamos operando na Grã-Bretanha e em algumas semanas estaremos nos EUA. Temos pretensões globais. Depois disso, vamos pensar em que outro mercado para entrar e o Brasil é um dos lugares em que temos interesse. Trata-se de um mercado grande, de grande potencial para o nosso setor.

Hoje, os consumidores brasileiros não têm muita opção quando se trata de operadoras móveis com rede virtual – o nosso modelo de negócios. Esse modelo, aliás, só foi recentemente aprovado no país. Por ele, as operadoras não tem torres de telefonia, atuam em parceria com outras empresas. Por enquanto, acredito que só há uma empresa começando a explorar esse mercado brasileiro – a Virgin Mobile – e acho que nem colocaram seus projetos em prática ainda. Mas dentro de alguns anos haverá muitas operadoras com redes virtuais e queremos ser uma delas.

Não estou muito interessado nos ciclos econômicos. Há outros fatores que são mais importantes para quem está fazendo negócios no Brasil. É um país com potencial de longo prazo.
Ruth Costas/BBC Brasil

Zuckerberg lança app para internet de graça

Internet FaceBook Blog do MesquitaCriador do Facebook apresentou a novidade na Colômbia

O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, visitou a Colômbia para presenciar o lançamento no país do “Internet.org”, um aplicativo que permite acessar gratuitamente vários sites e serviços sem pagar pela conexão de uma rede wi-fi ou de pacotes de dados.

Com o app, que poderá ser utilizado por qualquer dispositivo com sistema Android, será possível acessar, sem custos, 15 serviços que utilizam internet, como Facebook, Messenger, Wikipedia, 24 Symbols, UN Woman, Mama e Girl Effect.

Divulgada por Zuckerberg e pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a iniciativa vai “unir os nossos esforços e desenvolver aplicações e conteúdos que contribuirão para consolidar um país pacífico, mais igualitário e educado”, disse Santos.

O projeto “Internet.org” nasceu há dois anos graças a uma aliança entre grandes sites e serviços da web com o criador do Facebook. O primeiro país a receber o aplicativo foi a Zâmbia, em julho do ano passado. (ANSA)
Fonte: Agência Ansa

Wikipedia, verbetes alterados, invasão de redes de computadores e Mirian Leitão

Wikipédia,Blog do Mesquita,Internet,Redes Sociais,Tecnologia da InformaçãoImpressionante como a maioria replica notícias de tecnologia, sem refletir o sobre que está publicado. Essas pessoas, ingênuas, desconhecedoras de tecnologia e/ou de má fé, não fazem a menor idéia – não estou afirmando que é o caso – de como é fácil invadir uma rede de computadores WiFi, principalmente quando governamental, pois os burocratas que as administram são burocratas.

É oportuno lembrar que as redes da CIA, FBI, Casa Branca e outros poderosos já foram invadidas diversas vezes. Replicar uma notícia desse tipo antes de perícia forense é leviandade ou catequese.

No caso dos verbetes de jornalistas alterados na Wikipedia, até agora só há o conhecimento de que o IP do servidor é o do Palácio do Planalto. Até que haja uma perícia forense nesse servidor, é temerário afirmar que o fato, ocorrido há 15 meses, foi oriundo de um dos computadores da rede.

Cada rede de computadores possui um servidor, e esse servidor é o único que acessa a Internet. Os demais computadores da rede “entram” na Internet através desse único servidor, que é o único que recebe um endereço IP – espécie de impressão digital que permite que esse servidor possa ser fisicamente localizado. Os demais computadores de uma rede possuem um endereço próprio – nominado como MAC Adress – que é identificado pelo servidor. Todo e qualquer acesso à Internet oriundo de um desses computadores da rede, terá esse acesso – login – registrado no servidor da rede.

Não me parece razoável, em termos de gerenciamento de redes de computadores, que se guarde um ‘login’ de acesso, e os registros de navegação dos computadores de uma rede por tanto tempo (15 meses).

Para exemplificar: imaginem o tamanho necessário de memória para armazenar ‘logins’ e navegação de uma rede com algumas centenas de computadores em rede. Qualquer ‘hacker’, a depender da fragilidade de segurança da rede, pode invadir essa rede, inclusive sem necessariamente se encontrar no interior do prédio, e via o servidor da rede entrar na internet, navegar à vontade, e depois se desconectar sem deixar nenhum rastro. O máximo que será possível afirmar, é que o acesso indevido se deu por um dispositivo que não um dos pertencentes à rede.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Eu não entro no mérito se houve ou não houve ação de dentro da rede. Também desconheço a metodologia de segurança aplicada na rede em questão. Exponho tão somente aspectos técnicos, que a isenção e boa prática jurídica, recomendam só haver pronunciamento, como acusações, após uma perícia forense. As demais ilações, se há intenção de jogar a culpa nesse ou naquele, também não faz parte desse meu comentário.

Contudo algumas possibilidades técnicas e lógicas permitem questionamentos;
Ps1. Pode ter sido “IP spoofing”, que é um ataque que consiste em mascarar (spoof) pacotes IP utilizando endereços de remetentes falsificados. Devido às características do protocolo IP, o reencaminhamento de pacotes é feito com base numa premissa muito simples: o pacote deverá ir para o destinatário (endereço-destino) e não há verificação do remetente — não há validação do endereço IP nem relação deste com o router anterior (que encaminhou o pacote). Assim, torna-se trivial falsificar o endereço de origem através de uma manipulação simples do cabeçalho IP. Com o uso desse artifício, vários computadores podem enviar pacotes, fazendo-se passar por um determinado endereço de origem, o que representa uma séria ameaça para os sistemas baseados em autenticação pelo endereço IP.

Ps2. A senha pode ter sido fornecida de forma involuntária pelo que se conhece nos meios de TI – Tecnologia da Informação – como “engenharia social”. Engenharia Social é a habilidade de conseguir acesso a informações confidenciais ou a áreas importantes de uma instituição através de habilidades de persuasão. A Engenharia Social se aproveita da falta de treinamento referente à política de segurança de uma empresa, inclusive no que se refere às práticas de segurança da rede de computadores, senhas principalmente.

Ps3. O possível autor das alterações nos verbetes da Wikipedia, é um ingênuo em matéria de usar a web como meio de comunicação. A Wikipedia não é um site com volume de acesso significativo – um milhão de acessos/dia, e 7º lugar nas buscas do Google não são números significativos no universo dos grandes portais da web. Nenhum pesquisador preocupado com fidelidade das fontes de consultas, considera 100% confiáveis essas informações. A Wikipedia, conhecida pelos erros crassos principalmente em biografias, tem entre estudantes e curiosos seu maior público – e por isso não a elegeria como o melhor canal caso desejasse caluniar alguém. Desconheço quem tenha baseadado uma tese de mestrado ou trabalho científico em dados da Wikipedia. As informações, conteúdo e alcance, são tão pouco ou nada relevantes, que a jornalista levou 15 meses para descobrir que haviam alterado o perfil dela na Wikipédia.

Ps4. Alguém com mais de dois neurônios funcionando, usaria outros portais/sites com maior visibilidade e audiência, onde a possível calúnia obteria maior capilaridade.

Ps5. A “estripulia” pode ser fruto de “fogo amigo”.

Wikipedia tenta se livrar de artigos encomendados

Wikipédia,Blog do Mesquita,Internet,Redes Sociais,Tecnologia da InformaçãoCredibilidade em xeque

Editores da Wikipédia expressaram “choque e decepção” pela descoberta de centenas de contas de usuários utilizadas para escrever artigos em troca de dinheiro.

O comércio de artigos e o uso de identidades falsas são proibidos pela enciclopédia virtual colaborativa.

Segundo Sue Gardner, editora-executiva da Wikimedia Foundation, responsável pela Wikipedia, “várias centenas” de contas são suspeitas.

Até agora, mais de 250 usuários foram excluídos.

“Nosso objetivo é prover informação confiável e neutra para nossos leitores. Qualquer coisa que afete isso é um problema sério”, disse Sue. “Estamos examinando ativamente a situação e explorando nossas opções”.

De acordo com uma investigação feita por editores da enciclopédia online, a maioria dos artigos polêmicos foi redigida por uma empresa dos EUA chamada Wiki-PR (Wiki-Relações Públicas, em tradução literal), que alega “criar, manter e traduzir páginas da Wikipedia para mais de 12 mil pessoas e companhias”.

Tom promocional

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os editores dizem que os artigos foram encomendados por empresas do Vale do Silício, instituições financeiras, escritores, médicos, um músico e uma companhia de petróleo, entre outros.

As citações eram retiradas de blogs que aceitam conteúdo de “jornalismo cidadão”, como o CrunchBase e o Technorati. Os artigos “frequentemente possuíam tom promocional e sempre continham material neutro ou positivo, sem nenhuma crítica”, disse a Wikipedia.

No entanto, a Wiki-PR nega que tenha violado regras do site ao promover seus clientes, dizendo que meramente quis assegurar que eles fossem “apresentados acuradamente”. “Somos uma empresa de pesquisa e redação”, disse Jordan French, chefe-executivo da Wiki-PR.

“Nós pesquisamos um assunto e escrevemos de forma acurada e com referências apropriadas, preenchendo lacunas na Wikipedia em diversos temas, como conceitos, empresas, pessoas e até astronomia”.

O executivo completou: “Somos uma parte integral da Wikipedia e somos úteis quando voluntários não querem ou não podem dedicar seu tempo a entender um tema, encontrar fontes e monitorar a página”.

Eric Hobsbawn: Todos os tempos são interessantes

Jornais, revistas e TVs a cabo estão conseguindo noticiar, dimensionar e, sobretudo, relacionar a alucinante sucessão de fatos e ações do atual momento?

Todos os tempos são interessantes, constatou o sereno e cético Eric Hobsbawm (1917-2012), agora desaparecido, mas no telão ao qual fomos confinados rodam soltas – e com incrível velocidade – imagens, ruídos e senhas que não fazem sentido.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O fluxo contínuo das mídias digitais evidentemente não foi concebido nem está aparelhado para organizar, classificar e contextualizar o turbilhão de ocorrências, mas a mídia periódica – a velha imprensa – está conseguindo sequenciar o turbilhão informativo dentro dos cânones burocráticos e rasos em que se obrigou a operar?

Alguém tentou aproximar a guerra da Criméia (1853-1856) com a posição russa diante da guerra civil na Síria ou compará-la com a guerra civil na Espanha (1936-1939)? O desabamento do Estado de Bem-Estar Social na Europa Ocidental, construído com tanto esmero ao longo de quase 70 anos, não sugere contrapontos com atalhos assistencialistas em outros quadrantes?

Redações silenciadas

As histerias populistas não remetem a outras, tenebrosas, já esquecidas, embora recentes? Se a arqueologia está reescrevendo a história das religiões, por que temer a descrença?

A convicção em torno de uma Europa cada vez mais federalizada não confronta o delirante separatismo catalão, esse pêndulo interminável não inspira reflexões?

A fúria popular contra cortes de salários e benefícios sociais nas ruas da Europa não estimula paralelismos com as greves do nosso funcionalismo? As eleições quase simultâneas no Brasil, Venezuela e EUA não se engrenam, ao menos como tema?

Não salta aos olhos que terminado o julgamento da Ação Penal 470, vulgo mensalão, e independente dos veredictos, será inadiável uma reforma político-eleitoral?

Como acomodar a cantilena da fadiga dos grandes partidos nacionais com a relativa solidez do bipartidarismo americano?

Mais do que interessante, o momento é fascinante: pródigo e miserável, combina pesadelo e esperança, agonia e delírio, inventividade e desespero.

A história da humanidade descortina-se a cada instante, salta como um pop-up, mas para revivê-la e aproveitá-la é preciso clicar a palavra apropriada na Wikipédia.

As palavras apropriadas já não se cultivam nas redações silenciadas ou tomadas pelas gracinhas e informalidade.

Mais do que interessante, o momento é fascinante: o problema está nos espelhos: embaçaram.
Alberto Dines/Observatório da Imprensa

Tópicos do dia – 05/08/2012

08:51:41
Gurgel cita fato novo e pode retardar julgamento.

Foi considerada muito competente a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no julgamento do mensalão, mas ele optou pela ousadia ao apresentar como prova de corrupção passiva a votação da Lei de Falências, quando parlamentares receberam dinheiro para aprová-la. Isto não está na denúncia, nem nas alegações finais, e como fato novo levado ao julgamento, pode provar a sua suspensão.

Contraditório
Advogados de defesa estudam pedir terça-feira, em questão de ordem, a suspensão do julgamento no STF para oferecimento do contraditório.

10:31:16
Peluso pode sair do STF sem votar no mensalão.

Em menos de um mês, a 3 de setembro, o ministro Cezar Peluso vai se aposentar e certamente não participará da votação sobre o mensalão – processo que tramitou sob sua gestão, na presidência do Supremo Tribunal Federal. A única possibilidade é se o processo de votação tiver começado e ele pedir antecipação de voto. Peluso não aparenta, mas completa 70 anos e pela Constituição será obrigado a se aposentar.
coluna Claudio Humberto 

16:24:54
Censura: e eu que pensava que era coisa do somente do PT.
Gilmar Mendes pede à PF investigação da Wikipédia no Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representou à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Wikipédia. O ex-presidente do STF fez gestões junto ao conselho editorial da enciclopédia virtual no Brasil para corrigir o que avalia estar distorcido em seu verbete , que considerou ideológico. Sem êxito junto aos editores, decidiu investir contra o produto. Para ele, a Wikipédia está “aparelhada”.

A parte do verbete que deu causa à reação do ministro foi a que reproduz denúncia da revista Carta Capital que ele contesta judicialmente. Gilmar sustenta que por ser uma enciclopédia, o verbete deve ser estritamente informativo sobre o biografado, sem absorver avaliações de terceiros ou denúncias jornalísticas. Ele se queixa também de o trecho reproduzido da revista ocupar seis parágrafos, muito mais que o espaço dispensado à sua carreira, inclusive o mandato de presidente do STF, resumido a um parágrafo. A carreira de Gilmar no STF completou dez anos.

Paralelamente, Gilmar prepara uma representação ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, pedindo investigação do uso de recursos públicos para financiamento de blogs de conteúdo crítico ao governo e instituições do Estado. Ele quer saber quanto as empresas estatais destinam de seus orçamentos para esse tipo de publicidade. Gilmar argumenta que não se pode confundir a liberdade constitucional de expressão com o emprego de dinheiro público para financiar o ataque às instituições e seus representantes.
João Bosco Rabelo/Estadão 

18:10:45
Atirador invade templo nos Estados Unidos e deixa ao menos seis mortos e três feridos.

Ataque contra comunidade sikh aconteceu na manhã deste domingo.
Um atirador invadiu um templo religioso sikh em Wisconsin, nos Estados Unidos, matou ao menos seis pessoas e deixou três gravemente feridas. O ataque ocorreu por volta das 10h25 (12h25 de Brasília) na pequena cidade de Oak Creek, de 35 mil habitantes. O assassino foi morto em troca de tiros com um policial, que saiu ferido.

O local está cercado, e os policiais fazem no momento uma varredura da região. Suspeitou-se de um segundo atirador, mas a hipótese já foi descartada pela polícia.

Bradley Wentlandt, chefe de polícia do condado de Greenfield, confirmou ainda que quatro pessoas foram encontradas mortas dentro do local e três do lado de fora. Uma das vítimas gravemente ferida passa por cirurgia neste domingo, e outra está no centro de tratamento intensivo, segundo Carolyn Bellin, uma porta-voz do Milwaukee’s Froedtert Hospital. Kathy Moran, supervisora de enfermagem no hospital Columbia St. Mary, em Milwaukee, disse que havia de oito a 20 pessoas feridas, mas a informação não foi confirmada pela polícia.

Um jornal da região, o Milwaukee Journal Sentinel, citando um membro da comunidade sikh, afirmou que o agressor era um homem branco com cerca de 30 anos, que começou a atirar mesmo antes de entrar no templo. De acordo com o jornal, ao menos 50 pessoas estavam no templo para uma oração matinal, e muitas conseguiram fugir ao ouvir os tiros.
Veja/Abril.com


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Inimiga do ‘Ctrl C + Ctrl V’, Barsa segue fiel ao papel e lança nova edição

Vendas crescem cerca de 10% ao ano após adoção de parcelamento maior.
‘Britânica’, modelo para a versão nacional, anunciou fim da versão em livros.

Quando a “Enciclopédia Britânica” anunciou a extinção de sua edição em papel, uma instituição que durou 244 anos após a publicação de seu exemplar inaugural, o comunicado fez a Barsa – espécie de versão brasileira e mais jovem da obra – soltar um informe dando conta de que por aqui nada muda. E que, nesta primeira semana de abril, está sendo lançada a coleção 2012: são 18 volumes impressos, com cerca de 135 mil verbetes, ao todo. Enquanto a matriz estrangeira justifica-se citando o investimento nos serviços online, a Barsa apresenta a “credibilidade” e a “segurança” como argumentos centrais para a manutenção dos livros de papel mesmo.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]São os estudantes o público preferencial da enciclopédia. Ou os pais desses estudantes, explica ao G1 a diretora de treinamento e marketing do Grupo Barsa Planeta, Sandra Cabral. “As escolas começaram a proibir o copy e paste”, diz ela, referindo-se à prática de reproduzir indiscriminadamente, em trabalhos do colégio, o conteúdo de sites. “Esse ‘control C + control V’ fez [surgir] uma geração de crianças sem discernimento, um analfabetismo funcional mesmo. Elas leem, mas não interpretam.”Existe, ainda, um apelo não só ao zelo, mas à nostalgia desses pais. É gente que, em sua época de escola, não pôde comprar a Barsa. E que, agora, vê a oportunidade de satisfazer o desejo, nem que tardiamente e por meio dos filhos. A gerente financeira Rosana Menegazzi, 43, de São Paulo (SP), é um exemplo. Mãe de Vinícius, 16, e Victor, 12, ela comprou a coleção há quatro anos. “Era até um sonho de consumo, porque, quando era mais jovem, as condições financeiras não permitiam. É óbvio que, quando você tem uma fonte de pesquisa [de referência], você tem mais segurança.”

Parcelas
Para ampliar a área de atuação, a editora decidiu, há dois anos e meio, dar a opção de pagamento em 24 parcelas – antes, o limite eram 12. Assim, chegou-se à classe C, observa Sandra: “Houve um boom. Você trabalha com uma parcela que cabe no bolso [do comprador], o que fez com que aumentassem muito as vendas. Saímos da faixa de 50 mil por ano para 70 mil”. O crescimento anual das vendas no período tem sido de 10%.

A assessoria de imprensa do Grupo Barsa Planeta calcula que 70% de seu comércio acontece em esquema “porta a porta”, com 1.800 vendedores em 14 filiais pelo Brasil. Um deles é Fernando Forster, de São Paulo, que entrou na empresa aos 20 anos de idade, em 1980, por indicação do pai, também ele vendedor. “O cliente que compra a Barsa não mudou nesses 30 anos. É o cliente que se interessa em dar uma boa educação, que quer que o filho investigue por ele mesmo as informações”, afirma Forster ao G1, repetindo o discurso habitual feito diante de um possível comprador. “A internet tem muita coisa boa, mas muita coisa ruim também. Os pais ficam preocupados.”

De acordo com ele, a notícia sobre a Britânica teve um efeito colateral positivo, fez reavivar o interesse pela Barsa. “Ajudou demais”, comemora, “porque o cliente ficou com medo [de deixar de existir em papel]”. “Parte do público das classes C e D já está conseguindo ter acesso à Barsa. Nunca foi uma obra de elite, mas sempre foi cara. Hoje, uma TV de LCD de 42 [polegadas] mais ou menos se equipara ao valor de uma Barsa. É na faixa de R$ 3 mil a R$ 4 mil, a variação é em função da encadernação.”

A nota da editora acrescenta a seguinte distribuição: “hoje a região que mais consome o produto enciclopédia do Grupo Barsa Planeta é a Norte. No sudeste, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo apresentam bom desempenho. Em São Paulo e Rio de Janeiro, o comércio mantém-se estável”.

“Era até um sonho de consumo, porque, quando era mais jovem, as condições financeiras não permitiam”

Colaboradores ilustres
Em sua defesa, Forster e Sandra Cabral poderiam recorrer à Wikipédia, a enciclopédia livre e colaborativa que existe na internet e, com frequência, é usada como fonte de referência. No verbete sobre a “Barsa”, está dito que ela foi lançada em 1969. Instada a ler o conteúdo, a diretora de marketing aponta um equívoco: “Realmente há uma divergência na data, a primeira edição foi lançada em março de 1964”. Um argumento a mais para quem defende a pesquisa na solidez do papel.

O restante das informações do site, no entanto, tem validade – o projeto Barsa nasce mesmo 1959, concebido por Dorita Barrett, herdeira da Britânica. Sandra relembra que Dorita, vivendo no Brasil, recusou a ideia de promover uma tradução, para o português, do original. Em vez disso, convocou-se um time formado, dentre outros ilustres, por Antonio Houaiss (1915-1999), o do dicionário; Antonio Callado (1917-1997), jornalista e escritor; Jorge Amado (1912-2001), também escritor; e Oscar Niemeyer, o arquiteto que projetou Brasília. Todos escreveram textos para aquela primeira edição, cuja leva inicial, de 45 mil exemplares, esgotou-se em oito meses. “Sem nenhuma propaganda”, adverte Sandra. “Era aquilo de os intelectuais quererem uma.

De lá para cá, a Barsa enfrentou épocas pouco favoráveis, como quando, nos anos 1990, o público deixou-se seduzir por mídias como disquete e CD-ROM. Ou, antes ainda, na década anterior, quando apareceu o videocassete. Quem se lembra desse “inimigo” incomum é Guiomar Trindade Motta, 63, vendedora da enciclopédia desde 1985. “Ele atrapalhou, desviou [a atenção]. As pessoas diziam: ‘Não vou comprar a Barsa, porque vou comprar o vídeo’. E não tinha nada a ver uma coisa com a outra…”.

Guiomar, contudo, esclarece que seus principais compradores são escolas, em especial as de Teresina (PI). Ela, que é de São Paulo, faz visitas frequentes ao estado. Também gostava de trabalhar nos estandes em aeroportos, onde diz ter atendido clientes como Fafá de Belém, Lima Duarte, Miguel Falabella e Roberto Pompeu de Toledo, escritor e colunista da revista “Veja”. Outros compradores da Barsa são instituições públicas, como bibliotecas, órgãos do governo ligados à educação.

Estratégia
Hoje, quem compra a Barsa leva, além dos 18 volumes, um DVD, que garante atualizações regulares de conteúdo, e acesso ao site Barsa Saber. “O que não queremos é esperar o livro morrer para vir com outra tecnologia. Então, estamos melhorando cada vez mais o eletrônico. E estamos em desenvolvimento de aplicativos para o tablet”, antecipa Sandra Cabral. “Para nós [da Barsa], no dia em que o mercado não quiser os volumes, estaremos consolidados no eletrônico. Ou na rede. É o que a ‘Britânica’ fez, uma estratégia de negócio totalmente pensada. Não foi um modelo de negócio que resolveram da noite para o dia.”

Por enquanto, a alegação comum aos representantes da Barsa consultados pelo G1 é a esta: ao pesquisar em livros, a pessoa não perde a “concentração”, na medida em ali não se pode vagar de link em link, como na internet. É um raciocínio que vai ao encontro dos textos do pesquisador americano Nicholas Carr, que escreve sobre tecnologia e cultura.

Em “Geração superficial – O que a internet está fazendo com nossos cérebros” (Agir, 2011), ele avalia: “A mente linear, calma, focada, sem distrações, está sendo expulsa por um novo tipo de mente que quer e precisa tomar e aquinhoar informação em surtos curtos, desconexos, frequentemente superpostos – quanto mais rapidamente, melhor”. Ironicamente, Carr é membro do conselho editorial de consultores da “Enciclopédia Britânica”.
Cauê Muraro/G1

Com inspiração na Wikipédia, multidões criam sistema de mapas

Tela do OpenStreetMap, que cria mapas com a ajuda de usuários. (Foto: Reprodução)

Aplicativos de localização são baseados em conteúdo de seus usuários.
Waze e OpenStreetMap são exemplos de programas do tipo.

Quando Benjamin Gleitzman se mudou de Nova York para San Francisco, ele usou um aplicativo de mapas para guiá-lo por meio dos Estados Unidos. No meio do Estado de Wyoming, a voz do programa disse para ele virar à esquerda, mas ali não havia nenhuma passagem.

No lugar de reclamar para a criadora do aplicativo, uma companhia chamada Waze, ele entrou no sistema de mapas e colocou um aviso para outras pessoas que estivessem dirigindo pela região, dizendo que aquela estrada não existia.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Esse tipo de atitude segue se tornando popular ao redor do mundo. Inspirados na ideia de colaboração da Wikipédia, serviços como o Waze juntaram multidões de contribuidores voluntários com smartphones equipados com GPS para mapear as estradas. Consumidores, empresas e outras organizações acabaram dependendo desses mapas, do tipo crowdsourced, cuja autoria é de uma comunidade.

“Eu posso ver como os mapas melhoram a cada dia”, disse Gleitzman, um programador de 25 anos, que depende do Waze para se guiar no trânsito em San Francisco.

A Waze foi criada em Tel Aviv, em 2006, como um projeto de mapeamento open source chamado Freemap.

A empresa afirma que hoje tem 14 milhões de motoristas ao redor do mundo, incluindo mais de um milhão apenas em Israel.

Do total de usuários, a Waze conta que cerca de 45 mil editam as informações de localização e outros 5 mil gerenciam os mapas para garantir sua precisão.

“Nosso objetivo de vida é fazer com que você economize uns cinco minutos por dia a caminho do trabalho”, disse Noam Bardin, CEO da empresa. Segundo ele, o poder da multidão é “um jeito melhor” para mapear o mundo.

O OpenStreetMap é um outro esforço que acredita no mesmo conceito para a criação de mapas, mas segue mais de perto o modelo sem fins lucrativos da Wikipédia.

Como a enciclopédia virtual, qualquer um pode ir ao site do OpenStreetMap e adicionar ou editar informações. Qualquer um pode usar os mapas e não há cobrança.

Criado no Reino Unido no começo dos anos 2000, o serviço cresceu para meio milhão de usuários registrados, incluindo 16 mil contribuidores muito ativos, de acordo com a organização.

Especialmente popular na Grã Bretanha e na Alemanha, OpenStreetMap é construído por usuários que rastreiam suas viagens por meio de sistemas de GPS e conectam os pontos para criar rodovias, ruas e trilhas de escalada em mapas digitais.
G1