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A guerra entre a Vale e a Tüv Süd pela responsabilidade da tragédia de Brumadinho

Crimes Ambientais,Ecologia,Brasil,Mineração,Vale,Brumadinho,Blog do MesquitaBombeiros usam máquinas pesadas em busca de vítimas, 20 dias após a ruptura da barragem de Brumadinho. DOUGLAS MAGNO AFP

Em depoimentos e e-mails divulgados até agora, auditores falam de pressões da mineradora para atestar a estabilidade da barragem. Já a Vale sugere morosidade de fornecedores para averiguar inconsistências na leitura de piezômetros.

Mais de um mês após a tragédia em Brumadinho ainda não se sabe, oficialmente, o que causou o rompimento da barragem I e liberou um tsunami de rejeitos que deixou 186 pessoas mortas e outras 122 desaparecidas. Também não está claro a quem se atribuirá a responsabilidade pelo crime, ainda que o Ministério Público tenha pedido o afastamento de quatro diretores da Vale, incluindo o presidente Fabio Schvartsman, o que foi acatado no último dia 3 pela empresa. E, nos bastidores, uma guerra de se trava: Vale, dona da barragem, e Tüv Süd, empresa alemã contratada por ela para inspecionar a estrutura e garantir sua estabilidade, lutam entre elas para atribuir a culpa uma para a outra. Procuradas pelo EL PAÍS, a posição oficial das duas empresas é a de que colaboram com as investigações e não comentarão detalhes do caso.

Nos trechos de depoimentos à Polícia Federal, documentos internos e e-mails tornados públicos até agora pelos órgãos que investigam a tragédia, há uma simbólica disputa de narrativa. Enquanto as linhas de investigação apontam que as duas empresas estavam cientes dos riscos e teriam assumido as consequências da ruptura, funcionários da mineradora e da consultora tentam se isentar da responsabilidade pela tragédia. E tentam jogar para o outro possíveis negligências que influenciaram na tomada de decisões relacionadas à barragem que ruiu, pelo menos em depoimentos e documentos.

Desde o primeiro momento, a Vale tem insistido que não tinha qualquer conhecimento prévio de um “risco iminente” de rompimento da barragem. A seu favor, contava com os laudos de estabilidade da estrutura, entregues de seis em seis meses à Agência Nacional de Mineração (ANM). Esses documentos foram produzidos pela empresa Tüv Süd, contratada pela própria mineradora, que, à revelia do que diziam vários especialistas em segurança de barragens, sustentava que não houve quaisquer sinais prévios de perigo antes de a estrutura desmoronar. No entanto, o engenheiro da empresa alemã, Makoto Namba, que foi detido, disse à Polícia Federal que se sentiu pressionado pela Vale a atestar a estabilidade, mesmo identificando problemas. Essa suposta pressão já havia sido comentada em maio do ano passado por Namba, em um e-mail enviado a outros três funcionários da consultora e tornado público na semana passada, quando a Justiça mineira determinou a prisão provisória de oito funcionários da Vale envolvidos na inspeção da barragem.

Namba afirmava que provavelmente os estudos de liquefação (quando os rejeitos, por possível infiltração de água, se tornam mais líquidos) da Barragem I do Córrego do Feijão não atingiriam o fator de segurança mínimo de 1.3 e que “a rigor” a empresa não poderia atestar a estabilidade da barragem. A consequência, destaca, seria a paralisação de todas as atividades da mina, que possui outras barragens, além da I. Segundo ele, um funcionário da Vale chamado Felipe Figueiredo Rocha (também investigado) havia sugerido que outra empresa de consultoria atestaria a estabilidade da barragem Forquilha III, em Ouro Preto, com base nas promessas de que a Vale tomaria as medidas necessárias para resolver os problemas. Namba pede aos colegas uma discussão interna urgente para afinar a resposta que a Tüv Süd daria à Vale. “Mas como sempre a Vale irá nos jogar contra a parede e perguntar: e se não passar, irão assinar ou não? Para isso, teremos que ter a resposta da Corporação, com base nas nossas posições técnicas”, escreveu o engenheiro.

O depoimento do engenheiro Washington Pireti, que trabalha na Vale há 22 anos e não está na lista dos detidos da mineradora, indica que a empresa se absteve de tomar medidas mesmo sabendo que havia anormalidades na barragem. Ao Ministério Público, ele contou que foram constatados problemas na estrutura no primeiro semestre de 2018, mas que apenas no fim do ano a empresa elaborou o projeto de descomissionamento da barragem, que não chegou a ser iniciado. Ele também comenta sobre a discrepância na leitura de cinco piezômetros automatizados —equipamentos utilizados para medir o nível da água da estrutura— nos quinze dias antes do rompimento. “Não é normal que uma leitura dessa, feita no dia 10, chegue ao dia 25 sem que alguma avaliação e providência sejam adotadas”, declarou.

Perícia atesta normalidade nos piezômetros
A Vale contratou a empresa IBPTECH para examinar os componentes do Sistema Automático de Coleta de Dados destes piezômetros e analisar se de fato os equipamentos identificaram alguma alteração no nível de água da barragem antes de a estrutura ruir. O relatório deste trabalho, publicado em 9 de fevereiro, aponta que os piezômetros mantiveram comportamento normal e que um erro de cadastro deles no sistema provocou uma leitura equivocada dos dados pelo sistema. Ou seja, na prática, as anormalidades identificadas não existiam. Mas essa informação só foi confirmada 15 dias após o rompimento da Barragem, e o relatório —produzido pelo IBPTECH tendo como única base as informações dadas pela Vale— sugere que funcionários da mineradora tinham mais pressa em resolver o problema que as empresas terceirizadas.

O problema com a leitura envolveu piezômetros automatizados instalados na Barragem I da Mina do Feijão. A implantação e operacionalização destes instrumentos mais modernos, conforme o relatório, eram de responsabilidade da Tüv Süd (que monitorava a barragem) e da Tecwise (responsável pelo sistema tecnológico). “[O problema dos piezômetros] foi provocado por erro na configuração de partes do sistema, atividade sob responsabilidade de fornecedor da [Vale]”, alega estudo. Em outro trecho, o texto do documento defende a atuação da Vale: “A incorreção dos dados visualizados já havia sido identificada, motivo pelo qual ela requereu, advertiu e reiterou aos seus fornecedores na solução do problema”.

O documento inclui vários e-mails trocados entre funcionários da Vale, da Tüv Süd e da Tecwise e busca lançar luzes sobre como as empresas agiram ao detectar a suposta anormalidade, que à época não se sabia que era apenas um erro de leitura. Dois dias antes da tragédia, Denis Valentin, um funcionário da empresa alemã, comunicou funcionários da Vale por e-mail que desde o dia 10 havia leituras discrepantes em cinco piezômetros. O engenheiro geotécnico Helio Marcio Lopes de Cerqueira, da Vale, responde à Tüv Süd e à Tecwise no dia seguinte, pedindo prioridade ao caso. “As leituras estão incoerentes. Favor verificar o que aconteceu. Ainda estamos sem leituras para prosseguir com o monitoramento desta barragem. Priorizar isso! Se não encontrarem a falha me liguem no celular. Precisamos resolver isso rápido”, escreveu.

No mesmo dia, outro funcionário da Vale, chamado Anderson Fernandes, reitera aos fornecedores a necessidade de “análise rápida” e determina “sanar rapidamente esse problema”, além de estabelecer que, se eles não corrigissem o sistema, deveria ser realizada “a coleta manual dos dados” dos pontos com divergências. A Tecwise então respondeu que agendaria uma visita para a semana seguinte. Em resposta, a Vale solicitou que as providências fossem tomadas no dia seguinte, inclusive pela preocupação com as multas que deveria pagar se não apresentasse as leituras para o órgão fiscalizador.

“O risco de multa do DNPM é muitíssimo alto”, escreveu o engenheiro geotécnico Helio Marcio Lopes de Cerqueira, da Vale, às duas empresas fornecedoras. Nem representantes da Tüv Süd nem da Tecwise chegaram a ir ao local depois disso, já que a barragem rompeu no dia em que seria feita a visita, 25 de janeiro.

Procedimento ao detectar anomalia não foi seguido
Em depoimentos ao Ministério Público, funcionários da Vale admitiram que o procedimento em caso de anomalia nos dados emitidos automaticamente pelos piezômetros seria que os funcionários da própria empresa verificassem as condições físicas da barragem em campo e fizessem uma leitura manual dos instrumentos de monitoramento. Nos e-mails e trechos de depoimentos divulgados pelos órgãos de investigação, nenhum dos funcionários das empresas explicam porquê isso não foi feito. A própria perícia contratada pela Vale mostra que, durante vários dias, a empresa esperou que suas fornecedoras verificassem se as leituras dos piezômetros eram reais ou se havia problemas na comunicação dos dados no sistema tecnológico.

Os investigadores apontam que, no momento, os depoimentos e provas apreendidas indicam que havia um “conluio” entre as duas empresas para maquiar a real situação da Barragem I. No último dia 15 de fevereiro, o Ministério Público pediu a prisão de oito funcionários da Vale e outros quatro da Tüv Süd, que teriam analisado a emissão de laudos de estabilidade mesmo sem atingir o nível mínimo de segurança para não perder futuros contratos com a mineradora. A Justiça concedeu somente a detenção dos que trabalhavam na Vale. Os funcionários da empresa alemã foram alvo de buscas e apreensões.

Desde que ocorreu o caso de Brumadinho a veracidade dos laudos de estabilidade foi colocada em xeque. E empresas de auditoria têm se mostrado mais criteriosas que antes para atestar a segurança dessas estruturas. Nas últimas semanas, mineradoras ativaram o Plano de Ação Emergencial em várias barragens porque não conseguiram os laudos, e centenas de pessoas foram desalojadas, a maioria delas pela própria Vale.

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Lama de Brumadinho deve chegar ao rio São Francisco em até três semanas

Natureza,Brasil,Brumadinho,Minas Gerais,Mineração,Vale,Blog do Mesquita,Crime Ambiental,Meio Ambiente,Poluição.BarragensFoto: Isaac Nóbrega/PR.

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) publicou um boletim de monitoramento nesta segunda-feira (28) em que afirma que a lama de rejeitos da Vale, que rompeu em Brumadinho (MG) na última sexta-feira (25), deverá chegar à hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, a partir do dia 15 de fevereiro. Segundo o boletim, a lama se desloca a uma velocidade de um quilômetro por hora.

Há três dias, a lama cobre de barro o que vê pela frente, como uma força própria, a espera de alguma barreira que a pare. Pessoas, instalações, casas e animais domésticos foram cobertos por ela e o rio Paraopeba experimenta uma morte lenta, com peixes pulando pra fora do rio nos trechos cobertos pelos rejeitos, em busca de algum oxigênio que não existe mais dentro d’água.

Duas barreiras aguardam a lama. A primeira é a hidrelétrica de Retiro Baixo, localizada ainda no rio Paraopeba, onde ela deve chegar entre os dias 05 e 10 de fevereiro. A segunda deverá ser a hidrelétrica de Três Marias, já no rio São Francisco, onde a previsão de chegada dos rejeitos é a partir do dia 15 de fevereiro, se Retiro Baixo não os impedir.

A princípio o Ministério de Minas e Energia negou a possibilidade dos rejeitos chegarem ao rio São Francisco. O boletim do CPRM é o primeiro a admitir essa possibilidade.

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“Rejeitos da barragem da Vale chegarão ao Rio São Francisco de qualquer forma”, afirma especialista

Crimes Ambientais,Meio Ambiente,Vale,Brumadinho,Mineração,Rio São Francisco,Poluição,Água,BrasilA tragédia em Brumadinho deixou vítimas que ainda não podem ser contabilizadas e várias casas soterradas, além de causar danos ambientais incalculáveis com a destruição da fauna e da flora por onde a lama contaminada passa

Os rejeitos de minério de ferro da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, “chegarão até a Bacia do Rio São Francisco de qualquer forma”. A afirmação foi dada pelo geólogo e professor doutor em Geografia Física da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles, em entrevista exclusiva à Agência Eco Nordeste. A barragem, que pertence à mineradora brasileira Vale, rompeu no início da tarde desta sexta-feira (25), deixando, a princípio, cerca de 400 funcionários desaparecidos, casas soterradas, além de destruição da fauna e da flora da região.

Até o início da madrugada deste sábado (26), nove mortes foram registradas pelo Corpo de Bombeiros. Eles disseram, depois, que ainda não é possível calcular o número de mortos, porque mais corpos estão sendo encontrados. Neste sábado, um ônibus soterrado com funcionários da Vale foi encontrado. O último balanço divulgado aponta que mais de 100 pessoas ilhadas foram resgatadas.

A barragem, que pertence à mineradora brasileira Vale, rompeu no início da tarde desta sexta-feira (25), deixando cerca de 400 funcionários desaparecidos, casas soterradas, além de destruição da fauna e da flora da região | Foto: Isac Nóbrega / Presidência da República

“A lama contaminada com minério de ferro já atingiu o Rio Paraopeba, que deságua no Rio São Francisco. Então, mesmo que eles tentem conter o seguimento da lama de rejeitos na barragem da Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, quando houver precipitações acima da média na região, a barragem vai precisar sangrar e os rejeitos vão sair misturados à água. E essa água vai seguir o fluxo do rio, que deságua no São Francisco e em outros, até chegar ao mar. A contaminação irá se espalhar”, explica o professor. Ainda ontem, a Agência Nacional de Águas (ANA) informou que a Usina de Retiro Baixo será utilizada para tentar amortecer os rejeitos da Mina Feijão.

Além disso, a ANA comunicou que a “onda de rejeitos” levará de três a quatro dias para chegar à Hidrelétrica de Retiro Baixo – distante 300 Km do local do rompimento da barragem da Mina Feijão. Diante dos danos ainda incalculáveis causados tanto à população de Minas Gerais quanto aos seus ecossistemas, a Justiça estadual determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale. O valor será destinado para dar suporte às vítimas e reduzir as consequências do desastre.

Ainda segundo Meireles, a tragédia em Brumadinho é um crime ambiental, porque poderia ter sido evitada e causa danos socioeconômicos e ao meio ambiente inestimáveis. “Uma barragem é uma obra de engenharia e carece de monitoramento e acompanhamento sistemático, assim como a bacia hidrográfica acima dela, para que sejam realizadas manutenções. As mudanças na bacia geram tensões nas paredes da barragem, como uma maior vazão do rio, por exemplo, o que pode levar a infiltrações”, enfatiza.

Desaparecidos

A Vale divulgou, na manhã deste sábado, uma lista com mais de 400 nomes de funcionários que não fizeram contato desde o rompimento da barragem. Segundo a mineradora, a lista é atualizada continuamente, conforme as pessoas são localizadas. Um local de apoio aos familiares dos desaparecidos foi montado na Academia de Polícia Civil, em Belo Horizonte. Lá, os parentes devem apresentar o nome das vítimas, fotos e o máximo de dados possível, como RG, CPF, para ajudar nas buscas.

No local, também será feita uma triagem para direcionar os parentes para o Instituto Médico Legal (IML) da região, caso sejam encontradas mais pessoas mortas. Doações às vítimas da tragédia também estão sendo recebidas na Academia.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, por meio do Twitter, que tem esperanças de ainda encontrar sobreviventes. Ele sobrevoou de helicóptero a área atingida pela lama de rejeitos ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

Neste sábado, o governo federal publicou um decreto que instaura o Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastres para acompanhar e fiscalizar as atividades que serão desenvolvidas em decorrência do rompimento da barragem em Brumadinho. O ministro da Casa Civil, Onyx Lonrezoni, será o coordenador do Conselho. A Defesa Civil de Minas Gerais, bem como a Vale, irá apurar as causas do desastre.

Fiscalização

Em nota, a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que a barragem 1 da Mina Feijão “não apresentava pendências documentais e, em termos de segurança operacional, está classificada na Categoria de Risco Baixo e Dano Potencial Associado Alto (em função de perdas de vidas humanas e dos impactos econômicos sociais e ambientais)”.

Além disso, a Vale apresentou declarações à Agência que atestavam a condição de estabilidade da barragem e apresentou, em dezembro último, após vistoria realizada por técnicos da empresa, laudo de que não foram encontrados indícios de problemas relacionados à segurança da estrutura.

ONU lamenta

O Sistema das Nações Unidas (ONU) no Brasil emitiu nota apresentando seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho:

“A ONU lamenta as incomensuráveis perdas de vidas e os significativos danos ao meio ambiente e assentamentos humanos. O Sistema ONU está à disposição para apoiar as ações das autoridades brasileiras na rápida remoção das vítimas e no estabelecimento de condições dignas aos eventuais desabrigados e à população atingida. A rigorosa apuração dos fatos que levaram a essa tragédia será acompanhada atentamente pelos brasileiros e pela comunidade mundial”.

E finalizou: “O Sistema ONU no Brasil colaborará com as autoridades e a sociedade civil brasileiras para superar os desafios impostos pelo rompimento da barragem”.

Solidariedade

Diante da tragédia em Brumadinho, foi montado um ponto de arrecadação no Shopping Parangaba, em Fortaleza, para ajudar as vítimas do ocorrido. São aceitos alimentos não perecíveis, água mineral, produtos de higiene pessoal e roupas.

Brasil: Quebra da OI revela falência da privataria

Não é à toa que o “Azêdo”, a revistinha na qual escreve, e o FrankTremer quem frechar a TV Brasil.
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Nem privatização escapa da tunga amoral dos maganos na Taba Tapuia. Como fica amanhã usuários e acionistas? Levando fumo.

Bamerindus, BEC, COELCE, Aeroportos – Lava Jato está aterrissando neles – Banco Nacional, Vale…

O caso das Teles é emblemático. Lembram?

Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e amigo de Serra, recebeu 410 mil dólares de outra empresa chamada Infinity Trading.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Essa offshore das Ilhas Cayman, depositou os 410 mil dólares em favor da empresa Franton Interprise, no MTB Bank, de Nova York.

Oliveira é o dono da Franton, e o empresário cearense Carlos Jereissati, proprietário da Infinity.

A transferência foi feita dois anos depois do leilão em que um grupo controlado por Jereissati arrematou o controle da antiga Telemar.

Segundo um documento da Secretaria de Acompanhamento Econômico, o Grupo Jereissati é dono de uma Infinity Trading.

Os 410 mil seriam propina em troca de favorecimento na compra da Telemar.

PS1. E o fumo entrando nos Tapuias catequizado se pela mídia venial e amoral.
PS2. E o caso da Vale é pornográfico viu lesa pátria FHC.
Ps3. Çerra trabalha pela missa de sétimo dia do pré-sal

Depois eu é que sou adepto de teorias conspiratórias. Portando não me venham com Adam Smith, Locke ou outros trololós de Ayan Rand.

Mariana completa seis meses sob a lama

Ainda sem saber a causa do maior desastre ambiental do Brasil, Samarco quer voltar a operar. Moradores aguardam recontrução de vilarejos e temem desemprego. Segundo Ibama, trabalho de recuperação está atrasado.

Igreja em Paracatu de Baixo ainda tem a marca da enxurrada de lama da Samarco

No antigo vilarejo de Paracatu, a 35 km do centro de Mariana, o silêncio causa incômodo a quem sempre viveu ali. Os escombros das antigas casas, escola, restaurantes e igreja continuam cobertos por rejeitos da mineração, que se parecem com um lama espessa nesta manhã de chuva.

O povoado foi um dos mais atingidos pela enxurrada de rejeitos causada pelo rompimento da barragem Fundão, da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Seis meses após aquele 5 de novembro de 2015, o acesso ao vilarejo foi restabelecido, o córrego que corta o lugar voltou a correr na superfície, mas ganhou um tom marrom escuro por ainda carregar restos de minérios.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

De vez em quando, o silêncio é interrompido por veículos da Samarco. Um deles transporta José Geraldo Gonçalves, 55 anos, produtor rural. Todos os dias, ele vai ao local tirar leite do gado que mantinha em sua pequena propriedade e cortar lenha para fazer carvão. Era assim que sustentava a família de dez filhos – seis ainda moram com ele e a esposa.

“Morei a vida inteira na roça, nunca pensei em morar na cidade”, conta. Desde a tragédia, a família de Gonçalves vive numa casa alugada pela empresa, recebe um salário mínimo acrescido de 20% por dependente, além de 400 reais em cesta básica. “Quero que consertem aqui pra gente voltar. Meu serviço todo é aqui, minha vida é aqui.”

Em Bento Rodrigues, distrito que ficava mais próximo à barragem e foi o mais arrasado, o acesso ainda é proibido. “Se eu pudesse, nunca mais iria lá”, desabafa José do Nascimento de Jesus, 70 anos. Mas o líder comunitário se prepara para uma visita. No próximo 15 de maio, o padre vai celebrar uma missa na única igreja do distrito que resistiu.

Seu Zezinho, como é conhecido, foi convocado como um dos organizadores. “Tenho que cuidar do transporte, da água, e já pedi uma ambulância também. Nem todos estão preparados para esse retorno.”

Mapa mostra a região afetada pela enxurrada de lama da barragem da Samarco. Desastre que começou em Bento Rodrigues segue até a costa do Espírito Santo

Sujeira escandalosa

Desde o desastre, ações de emergência para conter os rejeitos foram determinadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). A empresa também é obrigada a cumprir um plano de recuperação de longo prazo. A primeira proposta foi recusada pelo Ibama, por ter sido considerada “superficial e generalista”. A segunda versão está em análise, mas ainda não é adequada, adianta Paulo Fontes, do Ibama.

“Algumas ações estão atrasadas. A empresa tinha que ter começado em março, por exemplo, a dragagem dos rejeitos na represa da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves”, disse Fontes. Conhecida como Candonga, a represa conteve grande parte do material que vazou da barragem e impediu que o estrago no rio Doce fosse maior.

Escombros de uma fazenda na em Mariana (MG) mostram até onde a lama da Samarco chegou.O RASTRO DA LAMA SEIS MESES DEPOIS

No período de estiagem, que se estende até outubro, a remoção dos rejeitos nas áreas afetadas tem que ser finalizado. “Estamos preocupados e vamos pressionar a empresa para completar toda a remoção nessa época. A chuva remexe a terra, e se o rejeito não for retirado, vai voltar a correr pra água”, explica Fontes.

Dentro dos limites da empresa, diques construídos tentam conter os sólidos que restaram dentro de Fundão, que ocupava 10 km2 . “A água que se verte hoje do complexo é límpida, clara, tem 20 NTU de turbidez (medida que identifica a presença de partículas em suspensão na água). Ela não tem sólido”, afirma Maury de Souza Junior, diretor de Projetos e Ecoeficiência da Samarco. Para consumo humano, por exemplo, o máximo aceito é de 5 NTU.

A magnitude da tragédia ambiental “é um escândalo”, classificou a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Mais de 660 quilômetros de rios foram atingidos, a lama navegou pelo rio Doce até chegar ao litoral do Espírito Santo, onde pelo menos 70 quilômetros da costa foram poluídos.

O ministério estima que a recuperação das áreas degradas leve de 15 a 20 anos. “O compromisso é devolver um Rio Doce melhor do que estava. Fechamos um acordo de entrega de resultados. Não negociamos valor, um teto a ser gasto, mas o resultado de qualidade ambiental. O quanto isso vai custar é problema da empresa”, afirmou Teixeira.

Na foz do Rio Doce, análises em peixes e crustáceos indicam a presença de metais pesados, como arsênio e selênio, acima dos limites permitidos. A Samarco alega que também fez testes de bioacumulação nos animais e concluiu que os metais já estariam presentes antes do rompimento da barragem Fundão.

As várias faces do desastre

Com a paralisação da mineradora, maior empregadora e principal fonte de arrecadação da prefeitura de Mariana, o medo do desemprego é crescente. As contas da prefeitura também irão fechar no vermelho. “Vai faltar dinheiro. A previsão é fechar o ano devendo 40 milhões”, calcula Duarte Junior, prefeito e candidato à reeleição.

Duarte critica o distanciamento da empresa em relação aos problemas enfrentados pela cidade. “Acho que a BHP, Samarco e Vale deixam muito a desejar. Estão sendo omissas ao não buscarem uma real situação pra resolver o problema junto com governo federal e do estado. Há necessidade de uma intervenção pra manter a nossa receita com serviços que são essenciais”, critica. Só em uma clínica de saúde pública, por exemplo, o atendimento diário saltou de 400 para 740 pessoas desde o desastre. “É um aumento de despesa que ninguém percebe no dia o dia.”

O diretor da Samarco só vê uma solução para esse problema: voltar a operar. “É a única forma que se tem de reverter essa situação. Não tem outra. Porque você voltando a operar, você volta a gerar imposto, mantém os empregos.”

Retomada da exploração de minérios

A mineradora já enviou à Superintendência Regional de Regularização Ambiental Central Metropolitana (Supram), órgão licenciador de Minas Gerais, o pedido para retomada das atividades. As reservas estimadas no local são de cerca de 3 bilhões de toneladas de minério de ferro, o que garantiria o funcionamento da unidade até 2043.

A empresa quer utilizar uma cava de mina já explorada e preenchê-la com rejeitos que forem gerados. “Eles estão nos pedindo uma série de estudos técnicos, o que vai levar um pouco mais de tempo. E que não tem a necessidade, é só para ter uma segurança técnica 100%”, detalha Souza Junior. “O melhor prazo de retorno que a gente tem é dezembro”.

Enquanto isso, as causas do rompimento de barragem Fundão seguem desconhecidas. A estrutura foi construída em 2008, passava por obras de ampliação da capacidade e entrou em colapso total em apenas 3,5 minutos – um evento sem precedente nesse campo.

“A gente vem trabalhando com empresas dos EUA, e a melhor estimativa que a gente tem de saber as causas é agosto”, afirmou e Souza Junior. Desde a catástrofe, uma sala de monitoramento foi montada para vigiar 24 horas por dia as demais estruturas. Segundo a empresa, as barragens de Germano, construída em 1977, e de Santarém, em operação desde 1990, estão estáveis.

Seu Zezinho não quer mais se preocupar com possíveis riscos. Ele e a comunidade de Bento Rodrigues aguardam a reconstrução do vilarejo, que deve ganhar uma nova localização “mais segura, longe de barragens”, como defendem.

Antigo operador de máquinas, ele trabalhou mais de 20 anos na mineração. “Eu desmatava, abria frente, e eu sei que está tudo errado. Eu posso dizer uma coisa: não tem no mundo empresa que destrói tanto a natureza como as mineradoras.”

O que já se sabe sobre o impacto da lama de Mariana?

Um mês e meio após o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco em Mariana (MG), faltam dados consolidados sobre o número total de pessoas afetadas pelo que é considerado o maior desastre da história da mineração mundial.

Image copyright Marcos Ummus

O colapso da barragem de Fundão causou o transbordamento de outra barragem, a de Santarém. O incidente liberou cerca de 60 milhões de metros cúbicos de lama, que destruiu distritos da cidade de Mariana e escorreu ao longo dos quase 700 km entre o local da ruptura e a foz do rio Doce, no Espírito Santo, causando danos ambientais e sociais.

No entanto, as estimativas sobre o real número de prejudicados nos dois Estados pelo desastre ambiental ainda são preliminares e desencontradas, já que utilizam critérios diferentes de medição.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Defesa Civil de Minas Gerais, por exemplo, fala em mais de 1 milhão de pessoas atingidas. Para chegar a esse número, o órgão diz ter apenas somado a população de 35 municípios do Estado no caminho da lama.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, órgão vinculado ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos, afirmou que cerca de 500 mil pessoas tiveram o abastecimento de água comprometido em Minas e no Espírito Santo.

 

“Este é um levantamento que fizemos nos municípios que captam (ou captavam) água diretamente na calha do Rio Doce (nos dois Estados) e, com a lama de rejeitos, tiveram que interromper essa captação”, afirmou o órgão.

Já a Samarco afirmou que “tem cadastradas cerca de 1.300 pessoas diretamente afetadas pelo acidente com a barragem de Fundão”, nas cidades de Mariana e Barra Longa.

Ao notar a escassez de informações, um geógrafo paulista tomou para si a tarefa de contabilizar o impacto mínimo que o desastre causou nos moradores dos dois Estados que vivem próximo ao Rio Doce e a seus afluentes afetados. Sua estimativa é de que, inicialmente, cerca de 335 mil pessoas tenham sido diretamente prejudicadas pela lama que contaminou o Rio Doce.

“Eu fui bem econômico na estimativa, para ter um cálculo inicial. Usei bastante a expressão ‘pelo menos'”, disse Marcos Ummus, 35, à BBC Brasil.

Para fazer a estimativa, ele considerou apenas pessoas que vivem a em um raio de até 2 km do leito do Rio Doce e de seus afluentes afetados – os rios Gualaxo do Norte (que banha o distrito de Bento Rodrigues) e o Rio do Carmo. Seriam pelo menos 334.442 moradores de 40 municípios, de Mariana (MG) a Linhares (ES).

Ummus realizou o levantamento utilizando técnicas de geoprocessamento, análise geoespacial e dados populacionais do Censo 2010, do IBGE – o que reforça a ideia de que mesmo o número mínimo real de afetados pode ser bem maior.

Neste território, em contato direto com os rios, também estão a área protegida dos índios Krenak, três Unidades de Conservação de Proteção Integral (que não podem ser habitadas pelo homem, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais) e seis Unidades de Conservação de Uso Sustentável (que admitem a presença de moradores).

Foto: Reuters
Geógrafo estima um mínimo de 300 mil pessoas diretamente afetadas pela lama da barragem da Samarco – Image copyrightReuters

Perto da lama

Para o geólogo Jefferson de Lima Picanço, professor de Geociências da Unicamp, com o levantamento de Ummus “dá para começar a conversar” sobre o impacto da lama na região.

Picanço avaliou o estudo a pedido da BBC Brasil e disse concordar com os cálculos feitos para estimar o número mínimo de pessoas afetadas.

“O problema mesmo é a proximidade com o rio. Pessoas que vivem mais perto do leito, como comunidades ribeirinhas e pescadores, são mais sensíveis, porque vivem da água. E limpar esse sistema demora”, afirma.

“Mas o total de pessoas varia muito, porque depende de como cada pessoa está sendo afetada. A falta d’água, por exemplo, se estende por uma distância maior do que 2 km, mas também é um impacto direto.”

IMPACTO MÍNIMO DA LAMA

De Mariana (MG) a Linhares (ES)

500 mil pessoas tiveram o abastecimento de água comprometido nos 2 Estados

  • 263,1 km² é a área mínima de espelho d’água afetada pela lama.
  • 379,73 km² de áreas de agricultura e pastagens estão a até 2 km do Rio.
  • 1.469 ha foram completamente devastados antes mesmo que a lama chegasse ao Rio Doce

Ummus estima ainda que a área de espelho d’água afetada – a superfície dos rios que foram diretamente contaminados pela lama – seja de pelo menos 263,1 km², equivalente a quase a extensão total do município paulista de Santos.

Mas, para o geógrafo, um dos dados mais importantes do seu levantamento é a área estimada de planícies fluviais (várzeas) que foram afetadas pela lama: cerca de 283,79 km².

“São áreas mais planas, onde os rios perdem velocidade, o que favorece a o acúmulo de material da barragem”, explica. “Elas têm solo mais arenoso e, por isso mais permeável. São mais suscetíveis à contaminação de aquíferos subterrâneos (formações geológicas que armazenam água).”

De acordo com Picanço, a determinação dos elementos presentes na lama será essencial para saber, por exemplo, se aquíferos realmente podem ser contaminados nas áreas de várzea e qual será o dano causado às áreas de conservação que tocam o rio.

“A contaminação de aquíferos poderia acontecer e a situação é mais séria na bacia do rio Gualaxo do Norte, porque 60% do impacto está nessa bacia. No resto dos locais, o impacto é menor e há uma tendência da própria natureza de limpar um pouco.”

“Já as zonas de conservação atravessadas pelo rio vão ter problemas de assoreamento, deposição de lama nas margens, coisas do tipo. E ainda não sabemos que tipo de material que é. O que a gente imagina é que a mineração de ferro produz muito menos elementos nocivos do que, por exemplo, a mineração de ouro”, pondera.

Estudos conflitantes ainda geram a dúvida sobre o material que foi depositado nos rios pela lama. Análises de água e sedimentos feitas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), do Ministério das Minas e Energia, em parceira com a Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, afirmam que os níveis de metais pesados dissolvidos na água continuam dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

No entanto, um levantamento preliminar independente feito por pesquisadores ligados a universidades federais e ao Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia) mostra índices de contaminação por arsênio, manganês e chumbo muito acima do permitido pela legislação brasileira.

Devastação

O coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama, Marcelo Amorim, também avaliou o estudo a pedido da reportagem. Segundo ele, o Ibama chegou a considerar fazer uma estimativa da população afetada com base no censo do IBGE, mas a descartou porque “nem sempre conseguimos saber exatamente a população de cada parte do município”.

Em seu levantamento, Ummus utilizou os dados referentes aos setores censitários de cada área – as menores unidades territoriais estabelecidas pelo IBGE para coletar o Censo.

De acordo com Amorim, o Ibama calcula que a lama destruiu quase 1.469 hectares só nos primeiros quilômetros depois de ser expelida da barragem. “A força da lama foi maior nos primeiros 77 km do percurso e devastou totalmente a mata. Mas também afetou com força e sufocou a mata até os primeiros 100 km.”

Foto: AFP
Lama devastou completamente a vegetação e o solo nos primeiros 77 km após deixar a barragem, segundo Ibama – Image copyright AFP

Além disso, o órgão calcula que 770,23 hectares de áreas de preservação permanente tenham sido afetadas pelo desastre.

“Os primeiros rios atingidos eram menores, com menos volume de água. Por isso a lama extravasou bastante e se depositou nas margens. Uma vez no rio Doce, que é mais largo, a lama se encaixou no leito do rio e foi sujando a margem em vez de se depositar integralmente nela”, explica.

“No trecho inicial, a lama arrancou a vegetação e, se a cobertura foi de um metro ou mais, isso inibiu qualquer possibilidade de nascimento natural das espécies nativas e eliminou bancos de sementes.”

A partir do momento em que a lama se encaixou no leito do Rio Doce, no entanto, Amorim diz que o risco para a mata nas margens é menor.

“Neste caso, você não tem sufocamento da lama em cima do material. Você tem mudança de PH da água, mudança de acidez. A natureza nesses locais tem mais facilidade para se recuperar.”

Falta de dados

Para fazer seu levantamento, o geógrafo Marcos Ummus usou software livre e dados de IBGE, CPRM (Serviço Geológico do Brasil), Ministério do Meio Ambiente, ICMBio, Probio (Projeto Nacional de Ações Integradas Público-Privadas para Biodiversidade), IEDE-MG (Infraestrutura Estadual de Dados Espaciais de Minas Gerais) , IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) e Instituto Prístino, que desenvolve pesquisas sobre conservação do patrimônio natural.

“Sou um cidadão, leio jornais e me preocupo com questões ambientais. Trabalho com geoprocessamento há uns 15 anos mais ou menos. Comecei a perceber que os jornais não estavam me dando informações suficientes para eu ter uma posição”, afirma.

A reportagem da BBC Brasil pediu estimativas sobre a população afetada também aos governos estaduais de Minas Gerais e Espírito Santo, ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ministério da Integração Nacional, mas nenhum dos órgãos as tinha. A Defesa Civil do Espírito Santo não respondeu à solicitação de informação.

Foto: AP
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce diz que cerca de 500 mil pessoas foram prejudicadas por impacto da lama no abastecimento de água – Image copyrightAP

Em resposta à solicitação da BBC Brasil, a Samarco afirmou ter contabilizado 1.300 pessoas diretamente afetadas pela lama, apenas nos dois municípios que ficavam nas proximidades da barragem.

“Para levantar todos os afetados pelo evento nas demais localidades, empresa contratou a Golder Associates – consultoria de classe mundial, com expertise em engenharia, meio ambiente e emergências ambientais. A empresa se dedicará ao cadastro das famílias, à elaboração dos planos, gestão e supervisão das ações socioambientais que serão implementadas em todas as áreas atingidas pelo acidente nas barragens, em Minas Gerais e Espírito Santo”, disse a empresa.

A BBC Brasil entrou em contato com a Golder Associates em busca de estimativas mais abrangentes do número de afetados, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Lama ainda escorre

Um dos fatores que torna mais lento o processo de medir a área e o número de pessoas afetadas, para Marcelo Amorim, é o fato de que o incidente continua em curso.

“Na perspectiva da emergência ambiental, o incidente ainda não parou, porque a fonte de lama não secou. A lama continua correndo, só não com aquela força, volume e densidade iniciais. Mas ainda pode interromper a fotossíntese e causar impacto no rio, por exemplo. Não é algo que se possa considerar normal e se permitir que continue”, diz.

O Ibama determinou que a Samarco apresente projetos para cessar o carregamento de lama da barragem para o rio. Uma das ideias, diz Amorim, é construir dois diques dentro dos primeiros 77 km após a barragem e criar um ambiente para que parte do material que compõe a lama se deposite e a água mais limpa siga rio abaixo.

“As pessoas já estão falando em tempo de recuperação, mas como falar em tempo de recuperação se o dano ainda não cessou? Se você ainda tem o carregamento de lama, precisa saber quando ele vai acabar. O impacto é contínuo. É como falar da reconstrução de uma casa que ainda está queimando”, afirma.
BBC/Camilla Costa

“Publicidade-exaltação” invade os comerciais de TV

As empresas são capitalistas e o lucro norteia a ética. Para o capital, não interessa a cor do governo. Proporcionou lucro, então é o melhor governo do mundo. Quem acha que por coerência as empresas fariam publicidade exaltação em momento de depressão, é ruim da cabeça ou doente do bolso.

O editor


Propaganda enaltece firmeza do país na crise e a capacidade de superação dos brasileiros

Novas peças publicitárias de empresas públicas e privadas usam governo Lula como garoto-propaganda e falam até em “momento de ouro”

[ad#Retangulo – Anuncios – Normal]Empresas aproveitam a popularidade do presidente Lula e o momento econômico favorável para fazer do governo seu garoto-propaganda.

Ambev, GM, Bradesco, Vale e Embratel produziram comerciais de televisão recentes enaltecendo a firmeza do país na crise, a capacidade de superação dos brasileiros, a harmonia entre o público e o privado e a relevância do país no mundo.

O Brasil é o país “da iniciativa privada em equilíbrio com o setor público”, diz a campanha televisiva “Presença”, do Bradesco, segundo maior banco privado brasileiro.

“Há dez anos, quem poderia imaginar a gente emprestando dinheiro para o FMI?”, lembra o anúncio televisivo do carro Aprile, da Chevrolet/GM.

“A crise foi passageira”, avisa comercial da maior siderúrgica do mundo, a Vale.

“O Brasil vive um momento de ouro”, exalta o comercial da Brahma, marca da Ambev.

Para as empresas e publicitários envolvidos nos comerciais acima, trata-se de uma estratégia legítima, lógica e antiga.

De fato, não é a primeira vez que o setor privado exibe o otimismo do momento em campanhas publicitárias.

Do milagre econômico da ditadura -quando a Volkswagen exibiu um fusca desbravando o país da rodovia Transamazônica- às tentativas de estabilização da economia, várias campanhas seguiram essa linha.

Folha de S.Paulo