Biden recebe dossiê recomendando suspensão de acordos entre EUA e governo Bolsonaro

POOL/GETTY IMAGES

O documento surge em momento de intensa expectativa sobre os próximos passos da relação entre Brasil e Estados Unidos sob o governo de Biden e da vice-presidente Kamala Harris

Quatro meses depois de fazer críticas públicas contra o desmatamento no Brasil, o presidente Joe Biden e membros do alto escalão do novo governo dos EUA receberam nesta semana um longo dossiê que pede o congelamento de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil enquanto Jair Bolsonaro estiver na Presidência.

O documento de 31 páginas, ao qual a BBC News Brasil teve acesso, condena a aproximação entre os dois países nos últimos dois anos e aponta que a aliança entre Donald Trump e seu par brasileiro teria colocado em xeque o papel de “Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia”.

“A relação especialmente próxima entre os dois presidentes foi um fator central na legitimação de Bolsonaro e suas tendências autoritárias”, diz o texto, que recomenda que Biden restrinja importações de madeira, soja e carne do Brasil, “a menos que se possa confirmar que as importações não estão vinculadas ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos”, por meio de ordem executiva ou via Congresso.

A mudança de ares na Casa Branca é o combustível para o dossiê, escrito por professores de dez universidades (9 delas nos EUA), além de diretores de ONGs internacionais como Greenpeace EUA e Amazon Watch.

Consultado pela BBC News Brasil, o Palácio do Planalto informou, via Secretaria de Comunicação, que não comentará o dossiê.

Fatos e Fotos – Dia 07/01/2021

A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara EUA, acaba de declarar em pronunciamento à Nação, que, se a 25a. Emenda não for invocada pelo vice Mike Pence, para afastar Donald Trump por incapacidade, o Congresso fará seu impeachment. A duas semanas fim do governo.
Enquanto isso o bundão do Bundão do Rodrigo Maia não sai de cima dos 60 pedidos de Impeachmente da Peste.


A mesma energia!

Se ganhando, a Peste já faz a maior confusão e arrasta o bloco dos sujos pelo planalto central, imaginem se for derrotado – para alcançar tal desiderato, serei capaz de sair de casa prá ir votar até no Huck – imaginem se for derrotado. 2022 tá “mêrmo ali!”


Acordemos pelo amor dos Deuses. Olhem a turba. Leiam o que está escrito nas camisas – vocês sabem o que siginificam as sigla 6MWE? “6 million weren’t enough”. Referência direta ao campo nazista de Auschwitz de extermínio de judeus na segunda guerra mundial.
2022 tá logo ali!


Se Trump – dificílimo,mas não de todo impopssível – não for preso por ter convocado um golpe, as consequências do que estamos testemunhando acontecer nos Estados Unidos serão terríveis – e para muito, muito além dos Estados Unidos. Para salvar a democracia americana é preciso prender Trump.


Espero que todo o Brasil, quem usa mais de dois neurôneio simultâneamente, tenha visto o que a extrema-direita está fazendo nos EUA, porque o bolsonarismo vai tentar o mesmo aqui. Por isso que é preciso interromper o governo bolsonaro o mais rápido possível antes que ele empodere ainda mais suas milícias. E há lei para isto.


Se os manifestantes hoje em Washington fossem negros, a borracha já teria descido no lombo dos manifestantes.



Foto do dia – Alfred Stieglitz


O ano passado os congressistas dos Estados Unidos não ligaram para o pedido de impeachment do Trump.
Lembem-se disso. Faltam só dois anos.

Juíza negou extradição de Assange por temer suicídio: “Depressivo, desesperado, temeroso por seu futuro”

“Estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio”, escreveu a juíza Vanessa Baraitser na sentença

Representação do julgamento de Julian Assange pela juíza Vanessa Baraitser no Reino Unido – Divulgação

A juíza distrital Vanessa Baraitser, que negou na manhã desta segunda-feira (4) o pedido de extradição de Julian Assange, alega que teme que o fundador do Wikileaks cometa suicídio caso seja transferido para uma prisão nos Estados Unidos.

“Confrontada com as condições de isolamento quase total sem os fatores de proteção que limitaram seu risco no HMP Belmarsh (prisão de segurança máxima em Londres), estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o Sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio e por esta razão decidi que a extradição seria opressiva por motivo de dano mental e ordeno seu arquivamento”, afirmou a juíza em sua sentença.

A magistrada britância diz que a defesa de Assange diz que foram mostradas evidências de automutilação e pensamentos suicidas. “A impressão geral é de um homem deprimido e às vezes desesperado, temeroso por seu futuro”.

A extradição de Assange, de 49 anos, foi requisitada pelo governo dos EUA pela divulgação de milhares de documentos oficiais secretos em 2010 e 2011. Os EUA, que vão recorrer da decisão, afirmam que os vazamentos infringiram a lei e colocaram vidas em risco. Assange apelou contra a extradição e disse que o caso tem motivação política.

Advogados de Assange estimam que caso ele seja condenado nas 18 acusações que enfrenta nos EUA – entre elas, conspirar para hackear bancos de dados militares dos EUA de modo a obter informações secretas confidenciais relacionadas às guerras do Afeganistão e do Iraque, que foram publicadas no site Wikileaks – ele pode pegar até 175 anos de prisão.

Com informações da BBC

Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

Hackers russos comprometeram clientes de nuvem da Microsoft por meio de terceiros, colocando e-mails e outros dados em risco

Sede francesa da Microsoft em Issy-Les-Moulineaux, perto de Paris. A gigante da tecnologia não comentou publicamente sobre as invasões russas aos dados de clientes dos EUA. (Gerard Julien / AFP / Getty Images)

Hackers do governo russo comprometeram clientes da nuvem da Microsoft e roubaram e-mails de pelo menos uma empresa do setor privado, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, um desenvolvimento preocupante na campanha de espionagem cibernética em andamento em Moscou visando várias agências dos EUA e redes de computadores corporativas.

As invasões parecem ter ocorrido por meio de um parceiro corporativo da Microsoft que lida com serviços de acesso à nuvem, disseram aqueles a par do assunto. Eles não identificaram o parceiro ou a empresa que teve e-mails roubados. Como outras, essas pessoas falaram sob condição de anonimato para discutir o que continua sendo um assunto altamente sensível.

A Microsoft não comentou publicamente sobre as intrusões. Na quinta-feira, um executivo da gigante da tecnologia procurou minimizar a importância do problema.

“Nossa investigação de ataques recentes encontrou incidentes envolvendo abuso de credenciais para obter acesso, que pode vir de várias formas”, disse Jeff Jones, diretor sênior de comunicações da Microsoft. “Ainda não identificamos nenhuma vulnerabilidade ou comprometimento do produto Microsoft ou serviços em nuvem.”

A revelação preocupante vem vários dias depois que o presidente da Microsoft, Brad Smith, disse que a empresa Fortune 500 não viu nenhum cliente violado por meio de seus serviços, incluindo a alardeada plataforma de nuvem Azure usada por governos, grandes corporações e universidades em todo o mundo.

“Acho que podemos dar uma resposta geral afirmando afirmativamente, não, não temos conhecimento de nenhum cliente sendo atacado por meio dos serviços em nuvem da Microsoft ou de qualquer um de nossos outros serviços por esse hacker”, disse Smith ao The Washington Post em 17 de dezembro.

Hackers do governo russo estão por trás de uma ampla campanha de espionagem que comprometeu agências dos EUA

No entanto, dois dias antes, a Microsoft notificou a empresa de segurança cibernética CrowdStrike sobre um problema com um revendedor terceirizado que lida com o licenciamento para seus clientes do Azure, de acordo com uma postagem do blog CrowdStrike publicada na quarta-feira. Em sua postagem, o CrowdStrike alertou os clientes de que a Microsoft detectou um comportamento incomum na conta do Azure do CrowdStrike e que “houve uma tentativa de ler o e-mail, que falhou”. CrowdStrike não usa o serviço de e-mail da Microsoft. Não vinculou a tática à Rússia.

Pessoas familiarizadas com o roubo de e-mail não divulgado disseram que ele não explora nenhuma vulnerabilidade da Microsoft. A própria empresa não foi hackeada – apenas um de seus parceiros, disseram.

No entanto, o desenvolvimento preocupante levanta preocupações sobre a extensão das obrigações de divulgação da Microsoft, disseram especialistas em segurança cibernética.

“Se for verdade que os dados de um cliente provedor de serviços em nuvem foram exfiltrados e estão nas mãos de algum ator ameaçador, essa é uma situação muito séria”, disse John Reed Stark, que dirige uma empresa de consultoria e é ex-chefe de Securities and Exchange Escritório de Aplicação da Internet da Comissão. “Deve gerar todos os tipos de alertas dentro desse provedor de nuvem que podem desencadear uma litania de requisitos de notificação, remediação e divulgação – tanto nacionais quanto internacionais.”

Em uma postagem de blog na semana passada, a Microsoft afirmou que estava notificando “mais de 40 clientes” que eles haviam sido violados. Alguns deles foram comprometidos por terceiros, disseram pessoas a par do assunto.

Especificamente, o adversário hackeou o revendedor, roubando credenciais que podem ser usadas para obter amplo acesso às contas do Azure de seus clientes. Uma vez dentro da conta de um determinado cliente, o adversário tinha a capacidade de ler – e roubar – e-mails, entre outras informações.

A Microsoft começou a alertar clientes do setor privado sobre o problema na semana passada. Jones disse que a empresa também informou ao governo dos EUA na semana passada “que alguns parceiros revendedores foram afetados”. No entanto, duas pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o governo não foi notificado.

A própria Microsoft não anunciou publicamente o hack do revendedor. Por outro lado, quando a firma de segurança cibernética FireEye soube que havia sido violada por meio de uma atualização de software, ela divulgou as informações. Esse patch de software, de uma empresa chamada SolarWinds, tem sido o caminho pelo qual os russos comprometeram pelo menos cinco grandes agências federais em uma grande campanha em andamento que tem funcionários dos EUA trabalhando durante o feriado.

A SolarWinds reconheceu o hack, chamando-o de “muito sofisticado”.

Acredita-se que espiões do serviço de inteligência estrangeira da Rússia tenham hackeado uma importante empresa de segurança cibernética americana e roubado suas ferramentas confidenciais

Jones, da Microsoft, caracterizou o problema do revendedor como “uma variação do que temos visto e não um novo vetor importante”. Ele disse: “O abuso de credenciais tem sido um tema comum que foi relatado como parte das ferramentas, técnicas e práticas desse ator.”

Jones se recusou a responder perguntas sobre quando a empresa descobriu o acordo do revendedor, quantos clientes o revendedor tem, quantos foram violados e se o revendedor estava alertando seus clientes.

“Temos vários acordos com pessoas e não compartilhamos informações específicas sobre nosso envolvimento com parceiros ou clientes específicos”, disse ele.

O fato de os hackers violarem um parceiro da Microsoft não isenta a empresa da responsabilidade legal, dizem os especialistas. Quando os hackers roubaram mais de 100 milhões de aplicativos de cartão de crédito no ano passado da nuvem de um grande banco, que era fornecida pela Amazon Web Services, os clientes processaram o banco e a AWS. Em setembro, um juiz federal negou a moção da Amazon para rejeitar, dizendo que sua “conduta negligente” provavelmente “tornou o ataque possível.”

Stark disse: “Só porque um provedor de nuvem nega responsabilidade, não significa necessariamente que o provedor está fora do gancho.”

(Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, é dono do The Post.)

A investigação agora se tornou a principal prioridade para o general Paul Nakasone, que chefia a Agência de Segurança Nacional e o Comando Cibernético dos EUA. Desenvolver uma imagem coerente e unificada da extensão das violações tem sido difícil porque nem a NSA, nem o Departamento de Segurança Interna, nem o FBI têm autoridade legal ou jurisdicional para saber onde estão todos os compromissos.

O desafio de Nakasone, como disse um funcionário dos EUA, é “espera-se que ele saiba como todos os pontos estão conectados, mas ele não sabe quantos pontos existem ou onde estão todos”.

Parte dessa incapacidade é causada por regras de contratação federal para proteger a privacidade da agência, disse Smith da Microsoft. Em sua entrevista na semana passada, ele disse que a empresa foi a primeira a alertar várias agências federais sobre as violações que ocorreram por meio da atualização da SolarWinds. Mas, disse ele, a empresa foi proibida por contrato federal de compartilhar essas informações fora da agência afetada.

“Em muitos casos, devido às restrições de confidencialidade que nos são impostas por contratos federais, teríamos de ir ao governo e dizer:‘ Encontramos outra agência federal. Não podemos dizer quem eles são. . . . Mas estamos pedindo que liguem para você ”, disse ele.

Fontes do governo e do setor privado dos EUA agora dizem que o número total de vítimas – de agências e empresas que viram dados roubados – provavelmente será de no máximo centenas, e não milhares, como se temia anteriormente. Mas mesmo um hack de agência importante é significativo.

Vários anos atrás, hackers do governo chinês comprometeram o Office of Personnel Management, expondo os registros de mais de 22 milhões de funcionários federais e suas famílias.

Na época, como agora, as violações eram vistas como atos de espionagem. Não houve evidência de interrupção ou destruição da rede, ou de esforços para usar os bens roubados em, digamos, uma operação para interferir em uma eleição ou realizar uma campanha de desinformação.

O esforço russo não é um ato de guerra, dizem as autoridades americanas.

“Eu quero que a garganta engasgue com essa coisa – estou com raiva que eles nos pegaram, mas a realidade é que os russos realizaram uma intrusão cibernética altamente direcionada, complexa e provavelmente cara que foi uma operação de espionagem sofisticada”, disse o Dep. Jim Langevin (DR.I.), um membro do Comitê de Serviços Armados da Câmara que co-preside o Congressional Cybersecurity Caucus.

As violações são semelhantes ao fato de os russos colocarem toupeiras em vários lugares em altos escalões do governo, disse Langevin, acrescentando que o governo dos EUA deve responder como faria a uma campanha de espionagem física. “Podemos expulsar diplomatas ou espiões suspeitos, ou talvez impor sanções”, disse ele. “Mas também queremos ter cuidado para não desestabilizar a Internet ou nossas próprias operações de espionagem.”

Por
Ellen Nakashima é repórter duas vezes vencedora do Prêmio Pulitzer que cobre assuntos de inteligência e segurança nacional para o The Washington Post. Ela ingressou no The Post em 1995 e trabalha em Washington, D.C.

Enquanto Bolsonaro patina em se aproximar de Biden, oposição brasileira ganha terreno com democratas

Deputada Deb Haaland – Enviado climático e cotada para secretária do novo presidente se aproximaram de lideranças políticas indígenas do Brasil

Se o presidente brasileiro Jair Bolsonaro demorou 38 dias para reconhecer a vitória de Joe Biden à Presidência dos Estados Unidos e patina para estabelecer conexões com os democratas, a oposição ao seu governo no Brasil tem se mostrado mais efetiva em construir pontes com a nova administração, que começará oficialmente no dia 20 de janeiro.

E uma parte importante dessa conexão tem sido operada por meio de lideranças indígenas, com quem Bolsonaro tem acumulado embates.

A última prova disso é o lançamento de uma parceria entre a parlamentar americana democrata Deb Haaland e a deputada federal brasileira Joênia Wapichana (Rede-RR).

Na semana passada, as duas conversaram pelo telefone para coordenar esforços interamericanos para avançar em pautas de respeito aos direitos dos povos nativos e proteção ao meio ambiente nos dois países.

“Continuaremos colocando Bolsonaro na fogueira enquanto ele cometer violações dos direitos humanos, seguir no esforço para destruir a Floresta Amazônica e colocar nosso planeta em risco de um desastre climático ainda maior”, afirmou Haaland em nota enviada à BBC News Brasil.

Entusiasta da gestão do republicano Donald Trump, que tentou sem sucesso a reeleição, Bolsonaro já havia se posicionado publicamente em favor de um segundo mandato para Trump, de quem se disse fã.

Seu filho e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, que em 2019 acalentou o desejo de ser embaixador em Washington, fez campanha por Trump em suas redes sociais.

Após a divulgação do resultado do pleito, o Itamaraty mergulhou em silêncio enquanto até duas semanas atrás Bolsonaro dizia ter informações sobre “fraude eleitoral”. Na terça-feira (15), o presidente enviou “saudações” a Biden”, “com meus melhores votos e a esperança de que os EUA sigam sendo “a terra dos livres e o lar dos corajosos”.

E acrescentou: “Estarei pronto a trabalhar com o novo governo e dar continuidade à construção de uma aliança Brasil-EUA”.

Haaland é a primeira mulher indígena a ser eleita para o Congresso americano – Reuters
Haaland: crítica a Bolsonaro e cotada para o gabinete de Biden

O caminho dessa cooperação, no entanto, pode ser acidentado. Isso porque existe uma sincronia de movimentos de atores políticos nos legislativos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos que dificultam a aproximação.

“A gente tem visto um Itamaraty disfuncional, declinante, com o filho do presidente (Eduardo) como uma eminência parda da política externa. Então outros atores políticos passaram a atuar, como o legislativo brasileiro, que geralmente não têm protagonismo no tema. Do lado do Brasil, vemos uma politização histórica da política externa”, afirma Guilherme Casarões, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas.

“Ao mesmo tempo, pela primeira vez, o Congresso americano mostrou interesse em se aproximar do legislativo brasileiro e a vitória de Biden empoderou esse grupo de deputados democratas que está na Câmara.”

Primeira mulher indígena a ser eleita para o Congresso americano, Haaland é cotada para ser a secretária do Departamento de Interior do presidente-eleito Joe Biden, o que a colocaria no primeiro time da nova administração.

Haaland se tornou uma das principais críticas de Bolsonaro no partido — e na Câmara —, e tem trazido nomes proeminentes da agremiação consigo para as manifestações públicas contra o mandatário brasileiro, como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Ela passou a atuar tanto na pressão pública a Bolsonaro, por meio de cartas, quanto na proposição de medidas contra os interesses do governo brasileiro no Congresso americano.

A deputada americana tentou, por exemplo, barrar a aprovação do status do Brasil como aliado militar extra-OTAN, uma das conquistas mais comemoradas pelo Itamaraty sob Bolsonaro.

Nas últimas semanas, ela se empenhava em cortar do Orçamento de Defesa dos EUA a previsão de verba pública para o acordo de salvaguardas tecnológicas entre os países, que deve viabilizar lançamentos de satélites americanos da base de Alcântara, no Maranhão.

Em maio de 2019, pouco depois do anúncio do acordo para uso da base de Alcântara, Haaland conseguiu angariar assinaturas de 54 congressistas americanos para uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Mike Pompeo, na qual alertava para “violações dos direitos humanos de comunidades indígenas e quilombolas no Brasil”.

Meses antes, além de Wapichana, a política americana recebeu no Congresso dos EUA as parlamentares oposicionistas Erika Kokay (PT-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

GIOVANNI BELLO/BBC
Wapichana encontrou-se com Haaland no Congresso americano em fevereiro de 2020

Em junho desse ano, voltou à carga com uma carta enviada ao presidente da Câmara brasileira, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em que pedia a derrubada de um projeto de lei que previa ampla regularização fundiária na Amazônia e que acabou batizado pelos críticos de “PL da Grilagem“.

“Entendemos que esse projeto é muito prejudicial para a floresta amazônica, uma vez que legalizará grandes áreas de terras públicas que já foram ocupadas e desmatadas ilegalmente”, escrevia Haaland, na carta assinada por 18 de seus colegas.

No mesmo período, seus colegas da Comissão de Orçamento e Tributos da Câmara enviaram comunicação às autoridades comerciais americanas dizendo que se opunham a qualquer avanço em tratados comerciais com o Brasil de Bolsonaro.

E em dezembro, Haaland assinou com outros 21 colegas um pedido de proteção à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), em que qualificava as políticas de Bolsonaro como “antidemocráticas e xenófobas”.

“O que estamos fazendo é expor para o mundo as ações do governo Bolsonaro que precisam parar e teremos intercâmbio de relações legislativas intensas”, afirmou à BBC News Brasil a deputada Joênia Wapichana.

Segundo ela, o governo Bolsonaro deveria “ter atuado de forma mais diplomática e menos de acordo com preferência individual” com os democratas. Questionado repetidas vezes sobre o assunto, o embaixador brasileiro em Washington, Nestor Forster, afirma manter bom trânsito nos dois partidos.

John Kerry e os Munduruku

Mas não para por aí. Em outubro de 2020, enquanto a disputa para a Presidência da Casa Branca chegava à reta final, em Washington D.C., a líder indígena Alessandra Korap Munduruku recebia o prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos.

Korap ganhou proeminência ao pedir a expulsão de garimpeiros das terras de seu povo, motivo pelo qual passou a ser ameaçada de morte.

A líder tem denunciado que desde a chegada ao poder de Bolsonaro, a situação das populações nativas se deteriorou.

Bolsonaro já se posicionou publicamente a favor do garimpo em terras indígenas, contra a destruição de maquinário usado por madeireiros para derrubar ilegalmente a floresta na Amazônia e, durante a campanha, prometeu que não demarcaria mais nem “um centímetro quadrado” de área para essas populações.SUSANA VERA/REUTERS
Kerry foi Secretário de Estado dos Estados Unidos entre 2013 e 2017

No evento de homenagem a Korap, coube a John Kerry, recém-nomeado por Biden como enviado especial de mudanças climáticas para o Conselho Nacional de Segurança, fazer o principal discurso da noite. Ali, ele disse à Korap que se comprometia a lutar a seu lado.

“O povo Munduruku no Brasil é guerreiro de muitas formas diferentes. Tem resistido ativamente à pressão constante, violenta, ilegal e, às vezes, patrocinada pelo Estado, de madeireiros e mineradores para explorar suas terras. Alessandra, você falou e continua a falar a verdade ao poder. E é extraordinária a maneira como você luta pelos pulmões do planeta, a maneira como você luta para proteger nossa terra e por todos os bens comuns que precisamos nos esforçar para salvar”, disse Kerry, responsável pela formulação das propostas para meio ambiente da campanha de Biden.

Naquele mesmo mês, o democrata surpreendeu o governo brasileiro ao citar o desmatamento na Amazônia como um exemplo de como mudaria sua liderança global em relação à gestão Trump durante um debate televisivo entre os candidatos.

Ao anunciar que pretendia criar um fundo para a preservação do Bioma, Biden afirmou: “Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de destruir a floresta. E se não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas”. A fala foi vista pelo governo Bolsonaro como uma ameaça à soberania do país.

O poder da oposição americana a Bolsonaro

Para Casarões, é difícil dimensionar o poder desse grupo de deputados democratas, no qual Haaland é uma liderança. Isso porque, diferente do Brasil, o presidente americano depende essencialmente do legislativo para aprovar medidas centrais e por enquanto a Câmara é a única das duas casas que os democratas controlam por enquanto — a maioria no Senado para o próximo ano ainda está indefinida.

Considerado um moderado e centrista entre os Democratas, Biden terá que fazer concessões à ala mais à esquerda do partido para poder governar.

E um tema no qual seria mais fácil chegar a um consenso é justamente a agenda ambiental, na qual Bolsonaro é visto como um antagonista claro para o partido. Biden já anunciou, por exemplo, que recolocará os EUA no Acordo de Paris, de onde Trump retirou o país, em um movimento que Bolsonaro admitiu ter vontade de copiar.

ADRIANO MACHADO/REUTERS
Bolsonaro tem relação conflituosa com povos indígenas

No final de novembro, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que a Amazônia brasileira perdeu mais de 11 mil quilômetros quadrados de área de floresta no período entre agosto de 2019 e julho de 2020.

É o maior desmatamento registrado nos últimos 12 anos. Nesta quarta, dia 16, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de países do qual o Brasil quer se tornar membro, divulgou relatório em que aponta que o Brasil tem falhado em coibir a devastação ambiental.

“As discussões políticas enviaram sinais contraditórios sobre o compromisso (do governo) com a estrutura de proteção ambiental existente”, afirma o relatório, que exorta o governo a aumentar o orçamento para a fiscalização.

Reservadamente, democratas afirmam não ver condições de interlocução nesses temas com o chanceler Ernesto Araújo, que, em setembro de 2019, deu uma palestra em um think tank conservador na capital americana no qual questionava premissas científicas do aquecimento global.

“O negacionismo climático que uniu Bolsonaro a Trump simplesmente não funcionará com Biden, que priorizará ações climáticas globais ambiciosas, incluindo a proteção da floresta Amazônica. O problema não é apenas dos ministros atuais e seus discursos públicos, mas as políticas destrutivas do governo Bolsonaro no assunto continuarão a isolar o Brasil de governos e investidores internacionais”, afirma Andrew Miller, um dos diretores da organização ambiental Amazon Watch.

BBC

Bolsonaristas criticam Eduardo por compartilhar postagem sobre denúncias de fraudes nos EUA

O ex-quase embaixador e fritador de hambúrguer dissemina desinformação

Aliados e assessores de Jair Bolsonaro criticaram a atitude do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que, ao compartilhar mensagem de um blogueiro bolsonarista, endossou denúncias de fraudes nas eleições dos Estados Unidos.

As alegações de fraude são uma estratégia da campanha do presidente Donald Trump, candidato à reeleição, que está atrás do rival Joe Biden na contagem dos votos. Autoridades norte-americanas não apontaram nenhum indício de irregularidade na votação. O presidente Bolsonaro e o bolsonarismo em geral apoiam Joe Biden .

“ERRO” – Para um aliado e para um assessor presidencial, a postagem do deputado, presidente da Comissão de Relações Exteriores, é um “erro” porque, como filho do presidente, a leitura que sempre será feita é que o pai tem a mesma opinião.

“Ele já foi criticado por deputados democratas no passado. Agora, compartilha uma mensagem de um blogueiro dando razão às teses defendidas pelo Trump, de que houve fraude. E não há nada concreto nesse sentido. Mesmo que houvesse, não cabe ao Brasil interferir nesse processo”, disse ao blog reservadamente um aliado do presidente no Congresso.

“ESTRANHO” – Ao compartilhar a mensagem do blogueiro com alegação de fraude, o filho do presidente escreveu a palavra “estranho”. Para um assessor presidencial, isso mostra como foi acertada a decisão de Bolsonaro de recuar na indicação do filho para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Segundo o assessor, se Eduardo Bolsonaro tivesse sido indicado e o Senado aprovado seu nome, o que era considerado difícil, hoje ele poderia estar criando mais problemas para o Palácio do Planalto como embaixador brasileiro nos EUA. Poderia estar dando declarações de apoio a Trump num cenário em que Biden pode ganhar a eleição americana.

Trump X Biden. Batalha de bananeiros

O resultado, que está nas mãos de Estados como Geórgia, Nevada e Carolina do Norte, já sofre ataques de Trump, que lançou uma ofensiva judicial para deter o democrata, agitando o fantasma de fraude e deslegitimando o sistema eleitoral norte-americano, como conta a correspondente Amanda Mars. Em editorial, o EL PAÍS alerta: “na apuração nos EUA está em jogo não apenas a afirmação de um projeto político, mas a unidade e estabilidade da sociedade“.

O professor da FGV Oliver Stuenkel, diz sobre os primeiros resultados das eleições nos Estados Unidos. “O trumpismo é um fenômeno que vai se manter, inclusive com reflexos no Brasil”, avalia Stuenkel. Nesta quinta, o entrevistado é o cientista político Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group. A conversa, que será transmitida ao vivo a partir das 15h no site, no Facebook e no canal do YouTube do EL PAÍS, tem como tema principal a influência do desfecho das eleições norte-americanas no cenário político-econômico brasileiro.

Mais distante das eleições dos EUA, de Roma, o jornalista Daniel Verdú conta sobre as novas restrições estabelecidas pelo Governo italiano para conter a segunda onda da pandemia de coronavírus que atinge o país. As medidas foram impostas em função da gravidade da situação em cada região, para preservar ao máximo a economia.

Na Argentina, a economia também é motivo de preocupação para a população, que olha para o futuro com poucas esperanças. Mar Centenera e Federico Rivas Molina explicam, diretamente de Buenos Aires, que o país, que já passava por uma severa recessão econômica, registrou um colapso trimestral recorde em seu PIB, com queda de 19,1%, além do aumento de quase cinco pontos percentuais no número de pobres. “A situação e

Agenda comercial de Trump e Bolsonaro não é boa para os negócios e nem para o Brasil

Aposta do líder da extrema-direita brasileira na adesão a qualquer custo aos interesses dos EUA expõe o agronegócio. O risco é que a compra de produtos como a soja seja vetada no futuro pelo gigante asiático. Enquanto isso, Pequim fecha acordos comerciais com a Argentina e Tanzânia para ter alternativas, ao mesmo tempo que reforça aliança com a Rússia para adquirir o “feijão chinês” plantado na Sibéria. China responde por 68% do superávit da balança comercial brasileira. Salto positivo ultrapassa US$ 28,8 bilhões, e déficit com os EUA chega a US$ 3,1 bilhões
Jair Bolsonaro e Donald Trump: Obediência cega do brasileiro está ampliando os riscos para acordos comerciais entre Brasil e outros parceiros, como a China, o maior comprador de soja do mundo

Bolsonaro transforma país em joguete dos EUA na guerra contra China
Com acordos bilaterais, Trump manipula Bolsonaro para atacar China
Bolsonarismo mantém ataque à China e ameaça exportações
Agressões do bolsonarismo à China são ofensivas e irresponsáveis
Efeitos do governo Bolsonaro: Rússia ameaça sanção à soja brasileira

Enquanto os Estados Unidos mantêm o Brasil no cabresto, com o presidente Jair Bolsonaro submisso à Casa Branca e fazendo todas as vontades de Donald Trump, sem se importar se essas atendem aos interesses nacionais, o maior parceiro comercial do país está buscando oportunidades de negócios em novas frentes. Os sinais emitidos pela China nas últimas semanas são desastrosos para o agronegócio brasileiro.

Pequim anunciou na semana passada que passará a comprar soja da Tanzânia, além de elevar a importação do mesmo produto da Argentina, enquanto lançou desconfiança sobre a carne suína brasileira – contaminada por Covid-19. Ao mesmo tempo, o Partido Comunista Chinês estabeleceu uma parceria cada vez mais sólida com a Rússia, o que pareceria improvável há pouco mais de 10 anos. Os chineses fazem de tudo para depender cada vez menos de um único país fornecedor de matéria-prima.

Maior parceiro comercial brasileiro, a China é também o país que mais importa a soja nacional

Curioso que o Planalto faça o movimento de aderir a qualquer agenda de Washington para agradar Trump – inclusive banir a empresa chinesa Huawei da concorrência pelo 5G em 2021 –, mesmo que tais esforços não tenham resultado em nenhum dividendos para o Brasil. Entre janeiro e setembro de 2020, por exemplo, as exportações brasileiras para a China somaram nada menos que 68% de todo o superávit comercial do país.

Este ano, o superávit do Brasil com a China chegou até setembro a US$ 28,8 bilhões. Enquanto isso, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos no mesmo período registrou a pior queda dos últimos 11 anos. A tendência é que o Brasil registre em 2020 o maior déficit comercial com os EUA dos últimos seis anos. Até agora, o prejuízo acumulado pela balança comercial brasileira é de US$ 3,1 bilhões. Estamos comprando mais e vendendo menos.

Ou seja, Brasília faz de tudo para agradar Washington, que vem definindo sua política internacional sempre com Bolsonaro colocando o Brasil de joelhos, mas não deu até agora ao líder da extrema-direita nacional nenhum motivo para comemorar. “É uma vergonha”, critica a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Deixamos de ter uma atuação estratégica com parceiros tradicionais do BRICS – além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para nos tornarmos um vira-latas que sofre na ponta a política de porrete dos Estados Unidos”.

Gleisi Hoffmann: “Deixamos de ter uma atuação estratégica com parceiros tradicionais do BRICS para nos tornarmos um vira-latas que sofre na ponta a política de porrete dos Estados Unidos”

A líder petista tem razão. A submissão do Brasil a Washington nãp tem sido benéfica ao país. Tanto que, no acumulado de 2020, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5% em comparação com o mesmo período de 2019, chegando ao total de US$ 15,2 bilhões. É o menor valor desde 2010. Em termos relativos, os EUA foram os mais afetados entre os 10 principais destinos de exportação do Brasil em 2020. Por isso, é curioso que o agronegócio brasileiro aceite a condução dada pelo Palácio do Planalto à política comercial brasileira.

A expectativa é que Bolsonaro vai fechar as portas para os produtos verde-amarelos no mercado estrangeiro – isso para não falar nos problemas que o país enfrenta na Europa, arredia à política ambiental suicida conduzida por Ricardo Salles e Bolsonaro. Diversas marcas e produtos nacionais estão sendo alvo de campanhas e boicotes na União Europeia por conta da relação direta do desmatamento e queimadas na Amazônia.

China: Novas parcerias, novos negócios

Enquanto isso, a boiada e os negócios vão passando longe das porteiras de empresários brasileiros. A começar pelo namoro de Pequim com outros mercados. Uma opção desenhada para a compra de soja foi definida ainda em 2014, quando a beligerante política de Trump passou a abrir a possibilidade de negócios do gigante asiático com a Rússia.

O estreitamento da relação comercial entre Pequim e Moscou começou há alguns anos, mas tornou-se mais efetiva agora. Em agosto, a China propôs à Rússia a criação de uma “aliança da indústria da soja”, conforme aponta o jornal South China Morning Post. O ministro do Comércio chinês, Zhong Shan, pediu uma cooperação próxima com Moscou em todas as áreas da cadeia de abastecimento da soja em videoconferência com o Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov.

A China é o maior consumidor de soja do mundo e depende de importações de países individuais. Por ano, a demanda é de 103 milhões de toneladas por ano – e apenas 15 milhões são produzidas no próprio país. O resto é importado. Pequim importou do Brasil 54,4 milhões de toneladas de soja do Brasil entre janeiro e agosto deste ano. É quase a metade da demanda chinesa.

Daí porque Pequim passou a apostar na diversificação de fornecedores para evitar um risco para a segurança alimentar do país. A China anunciou ainda que pretende aumentar a produção doméstica de soja. É essa estratégia que pode resultar em perda de mercado para o Brasil, atualmente o principal fornecedor de soja para aquele país.

Daí que a Rússia pretende aumentar o volume de suprimentos de soja para a China para 3,7 milhões de toneladas até 2024. Atualmente, os russos respondem por apenas 1% das importações chinesas. Parece pouco, mas as exportações agrícolas russas cresceram, especialmente de soja. A venda do ‘feijão chinês’ produzido na Rússia aumentou mais de 10 vezes em quatro anos, chegando a quase 1 milhão de toneladas.

Xi Jinping e Vladimir Putin: Aliança entre os dois países pode representar uma nova fronteira agrícola na Sibéria.

Com a Rússia, um acordo sólido e promissor

No caso da Rússia, a aposta comercial da China interessa aos governos dos dois países. O crescimento do comércio entre as duas nações é sustentado pelos esforços pessoais do presidente chinês Xi Jinping e do seu colega russo Vladimir Putin, que cultivaram uma parceria com o objetivo de desafiar Washington de forma diplomática com efeitos econômicos.

Pior para o Brasil, que segue Trump a qualquer custo sem perceber que a cegueira ideológica de Bolsonaro está atrapalhando a agricultura brasileira. Enquanto isso, China continua à procura de parceiros, ampliando sua lista de fornecedores. Em setembro, o país abriu o mercado de farelo de soja para a Argentina em acordo considerado “histórico”. Ponto para o governo de Alberto Fernández. Um golpe no agronegócio brasileiro e na bancada rural, que apoia Bolsonaro de maneira cega, sem perceber que o mundo dos negócios não tem tempo a perder com fanfarrões.

O tabuleiro geopolítico internacional não é para amadores como Bolsonaro ou o chanceler Ernesto Araújo. O pragmatismo no comércio internacional é uma lição que os americanos adoram exercitar há mais de um século. Pergunte a Trump por que não deixa de comprar petróleo da Venezuela. Ou por que continua a vender carne de frango para Cuba. Ele responderá que não pode deixar a política atrapalhar os negócios.

Fatos e fotos do dia 03/11/2020


Brasil da série:”só dói quando eu rio”


* Dólar a 6 reais
* Alimentos até 100% mais caros
* Desemprego em 14,4%
* Dívida pública alcançou 80% do PIB
* Voltamos a dever ao FMI


A corrupção corre a céu aberto nos mares de Fernado de Noronha. Surfando na grana pública, coquetéis e resorts. Foi nisso que transformaram o Brasil.


Olaf Skoogfors – Broche


Olê, olê, olá, a CPMF vem aí. Com nome novo, mas com a mesma fúria arrecadadora.
Rodrigo Maia, quem preside o covil de ladrões, afirma que o governo caminha para o abismo. É a voz principal dos banqueiros, junto com Guedes. Não há dúvidas: somente as ruas enfrentam os dois funcionários do rentismo. Podem começar a chorar. A “taxa digital” está a caminho. Aliás, não importa o nome sofismática com o qual batizaram o estorvo na economia dos Tapuias. Mesmo que coloquem na imoralidade o nome de Seiva de Alfazema, o odor pútrido será o mesmo. Guedes chutou o balde do ou da ou desce!


Foto do dia de Raldeni Massimo


Clara Cernat and Thierry Huillet


Como tá o preço aí na sua cidade?



WARHORSE CH-53E Super Stallion

Maior jornal do mundo desmascara Trump e Bolsonaro

Foto: AFP

Uma reportagem do jornal The New York Times publicada hoje traça as semelhanças entre o presidente Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump na condução da crise causada pelo novo coronavírus, destacando que ambos têm um “desprezo compartilhado pelo vírus” e construíram “uma campanha ideológica que minou a capacidade da América Latina de responder à covid-19”.

A América Latina tem um terço das mortes no mundo e sofreu mais com a covid-19 do que qualquer outra região no planeta. Os EUA são o país mais afetado em número de mortes, com 225.739, seguidos pelo Brasil, com 157.397, até agora.

O “NYT” destaca que sistemas de saúde pouco estruturados e cidades superlotadas tornaram a América Latina mais vulnerável à pandemia, mas “ao expulsar médicos, bloquear a assistência e promover falsas curas, Trump e Bolsonaro pioraram a situação, desmantelando as defesas”.

A reportagem afirma que os dois líderes são nacionalistas que desafiam a ciência e colocaram o crescimento econômico e as políticas de curto prazo à frente das advertências de saúde pública. Também lembra que ambos fizeram com que 10 mil médicos e enfermeiras cubanos de áreas pobres de nações como Brasil, Equador, Bolívia e El Salvador fossem mandados de volta para Cuba. Muitos partiram sem serem substituídos meses antes da chegada da pandemia, o que fragilizou a já deficiente estrutura de saúde.

“Em seguida, os dois líderes atacaram a agência internacional mais capaz de combater o vírus – a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – citando seu envolvimento com o programa médico cubano. Com a ajuda de Bolsonaro, Trump quase levou a agência à falência ao reter o financiamento prometido no auge do surto”, afirma trecho da matéria.

O texto ainda lembra que Trump e Bolsonaro tentaram fazer da hidroxicloroquina a peça central da resposta à pandemia, apesar do consenso médico de que o remédio é ineficaz e pode até ser perigoso. A agência americana Food and Drug Administration desencorajou, em abril, o uso da hidroxicloroquina para tratar a covid-19. “Um mês depois, Trump anunciou que os EUA enviariam ao Brasil dois milhões de doses”.

“Em seu zelo para se livrar dos médicos cubanos, o governo Trump puniu todos os países do hemisfério e, sem dúvida, isso significou mais casos de covid e mais mortes”, disse Mark L. Schneider, ex-chefe de estratégia planejamento para a Organização Pan-Americana da Saúde, que foi funcionário do Departamento de Estado no governo Clinton.

“Ninguém da Organização Pan-Americana da Saúde estava aqui e sentimos sua ausência”, lamentou Washington Alemán, especialista sênior em doenças infecciosas e ex-vice-ministro da saúde do Equador, que diagnosticou o primeiro caso confirmado de covid no país. “O suporte não foi como nos anos anteriores”.