Helio Fernandes, o maior jornalista brasileiro, completa hoje 92 anos

Hoje é um dia muito especial para nós. O jornalista Helio Fernandes está completando 92 anos. Este Blog, todos sabem, pertence a ele e sempre pertencerá. Estamos apenas lutando para preservá-lo até que Helio Fernandes se disponha a voltar.


Helio Fernandes, um nome na História

Seu principal advogado, Luiz Nogueira, fez questão de lembrar esta data ao ministro Castro Meira, do Superior Tribunal Justiça (STJ), relator do processo de indenização movido por Helio Ferrnandes contra a União, por perdas e danos causados em dez anos de censura prévia e implacável contra a Tribuna da Imprensa, de 1968 a 1978, e com a destruição do jornal por um atentado à bomba em 1981, depois de aprovada a Lei da Anistia.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Helio Fernandes é o jornalista mais censurado da História deste país. Vale á pena ler a mensagem que Luiz Nogueira enviou ao STJ.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

SR. MINISTRO CASTRO MEIRA

Peço licença para tomar uns minutos do precioso tempo de V. Exa. para informar que no próximo dia 17 o mais intrépido, isento, despojado e democrata dos jornalistas brasileiros, SENHOR HELIO FERNANDES, estará completando 92 ANOS DE VIDA, toda ela dedicada à defesa dos legítimos e não poucas vezes vulneráveis interesses nacionais.

Colocou toda a sua vida e todo o seu patrimônio, o independente jornal TRIBUNA DA IMPRENSA (RJ), a serviço das boas causas e contra a corrupção e o desgoverno. Por não ceder perante os ditadores de plantão, período de 1964 a 1985, sofreu ininterrupta e implacável perseguição pessoal, política e empresarial.

Seu jornal, um dos mais influentes do Rio de Janeiro, à época, foi arbitrariamente censurado entre 1968 e 1978 (mais de 3.000 edições) e quase que totalmente destruído em 1981 por conta de atentado promovido pelos agentes da ditadura.

Em virtude desses ataques terroristas e da censura diária exercida por policiais truculentos que se alternavam em sua redação, a TRIBUNA foi asfixiada econômico-financeiramente, perdendo publicidade e vendo diminuída significativamente sua tiragem. Assim mesmo resistiu o quanto foi possível.

O sonho de Helio Fernandes e de muitos brasileiros é ver de novo a TRIBUNA nas bancas das principais cidades brasileiras e para isso aguarda-se, com ansiedade e quase desespero, QUE A SEGUNDA TURMA DO TRIBUNAL DA CIDADANIA, TENDO V. EXA. COMO RELATOR, DECIDA COM JUSTA PREFERÊNCIA o REsp 1324250/RJ, definindo o valor indenizatório que a UNIÃO FEDERAL deverá despender em favor da citada empresa jornalística.

Esse processo, iniciado em setembro de 1979, já tramitou em todas as instâncias, inclusive, no Supremo Tribunal Federal e completou há pouco seu 33º aniversário.

O bravo jornalista Helio Fernandes, que sempre defendeu o estado democrático de direito, os legítimos interesses nacionais, a independência e o respeito que todos devem devotar ao Poder Judiciário, ao completar 92 anos de vida, bem que mereceria receber o resultado da prestação jurisdicional fundamentadamente buscada e já reconhecida no julgamento de mérito.

Sabemos do excesso de trabalho que toma o tempo dos senhores ministros do STJ e no caso de V. EXA., muito mais ainda por sabermos que se avizinha, lamentavelmente, a data de sua aposentadoria e, se não me engano, o único juiz de carreira da 2ª Turma.

Como um dos advogados de Helio Fernandes, peço licença por ousar encaminhar a V. Exa. esse singelo apelo.

Respeitosamente,

LUIZ NOGUEIRA OAB/SP 75708

Brasil: miséria e despachantes de luxo

Helio Fernandes mostra como lobistas e despachantes de luxo perpetuam a miséria do povo.

Por sugestão do comentarista Carlos Cazé, que enviou o texto, e por cortesia da comentarista Viviane Ramos, que digitou a matéria, vamos republicar hoje mais um memorável artigo de Helio Fernandes, publicado em 1995, no tempo da Tribuna da Imprensa, quando Fernando Henrique Cardoso ainda estava na Presidência, antes da privatização da Vale.
Notem que o artigo continua atual.

Matérias de denúncias como esta demonstram por que Helio Fernandes é considerado o maior jornalista do país. Puxa, que falta ele nos faz!

O PARADOXO DO BELÍNDIA
Helio Fernandes

O paradoxo da Belíndia (país riquíssimo em minérios e terras férteis, ondem vivem alguns “bolsões” e milionários, cercados por um povo paupérrimo e faminto) se explica pela perversa transferência de renda, das atividades diretamente produtivas, que criam empregos e pagam salários a milhares de trabalhadores, como a agricultura e a indústria, para os setores intermediários não produtivos, como bancos, corretoras, “promoters”, e especuladores de toda ordem. Essa transferência de renda se processa por meio dos mecanismos de rolagem das “dívidas” externa e interna.

Sobre a “dívida externa”, já escrevi dezenas de artigos, demonstrando sua ilegitimidade, principalmente pelo fato de ter sido contraída por governos desprovidos de mandato constitucional. E por suas dimensões, que chegaram a níveis absurdos, por força de juros flutuantes, que podiam ser elevados ao bel-prazer dos “banqueiros-exploradores”.

Só durante o “Governo” Sarney, pagamos mais de 100 bilhões de dólares, a título de juros dessa “dívida”. Não obstante, no mesmo período, a “dívida” subiu de 110, para 130 bilhões de dólares. Atualmente (em 1995), estamos pagando, anualmente, mais de 13 bilhões de dólares só de juros da “dívida externa”. Apesar de FHC e Malan (então, respectivamente, ministro da Fazenda e presidente do Banco Central) terem, na campanha, enganado os eleitores, com declarações de que “a dívida tinha sido renegociada em condições vantajosíssimas para o Brasil” e que “nos próximos anos, não pagaremos nada”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Quanto à chamada “dívida interna”, sua rolagem é uma das mais monstruosas injustiças sociais de que se tem notícia, em qualquer época e em qualquer país. Trata-se do “refinanciamento” de “dívidas” contraídas por governantes corruptos, em geral para construir obras superorçadas, quase sempre prematuras, quando não totalmente supérfluas ou desnecessárias. E o pior é que esse “refinanciamento” é feito a juros extorsivos, que nunca encontraram paralelo em parte alguma.

Usando os mais cínicos argumentos, os ministros da Fazenda, presidentes do Banco Central e demais autoridades da área econômica, defendem os juros extorsivos, como “instrumento essencial para manter a inflação “sob controle”. Falam também que “precisam dos juros altos para INIBIR o consumo”. Mistificam a opinião pública, cometem crime de traição, pois o mercado consumidor interno é a melhor e a mais eficiente forma de desenvolvimento. Nenhum país pode crescer sem ter um poderoso mercado consumidor interno.

Não precisamos recuar muito no tempo para encontrar três notórios “ministros da Fazenda”, rigorosamente engajados com os interesses de seus patrões, banqueiros ou empreiteiros.

1º – Maílson “Simbrega” da Nóbrega. Passou toda a sua “gestão” no Ministério da Fazenda, como teleguiado da FIESP e da Febraban. Graças a isso, conquistou prestígio junto ao “empresariado-de-papel”, que vive de privilégios do Banco Central, do BNDES e do Banco do Brasil. Quando saiu do “Governo” Sarney, abriu um escritório de “consultoria” em São Paulo, que, na verdade, é um escritório de lobby e informações governamentais privilegiadas, que vai indo muito bem. E irá ainda melhor quando seu sócio, Gustavo Loyola, começar a dar as cartas no Banco Central.

2º – Marcílio Marques Moreira da Silva, que toda vida foi “assessor-carregador-de-pasta” de Walter Moreira Salles. Esse tinha muito prestígio com Tancredo. Graças a isso, Marcílio foi nomeado “embaixador” em Washington e depois “ministro” da Fazenda. Agora ele é “abridor-de-portas” da corretora Merril-Lynch no Brasil. E quer “privatizar-doar” a Vale do Rio Doce e a Petrobras, para que seus patrões o mantenham no cargo.

3º – Eliseu Rezende, que, depois de ter sido diretor geral do DNER (no tempo de Andreazza, lembram-se?), e “ministro” dos Transportes do General Figueiredo, passou a ser “alto executivo” do Grupo Odebrecht. Nessa função, “ajudou” muito a campanha de Collor em Minas Gerais. Essa ajuda serviu também para eleger o vice-presidente Itamar Franco. O qual, como homem honrado e leal que é, ao assumir a Presidência, viu-se quase na obrigação de retribuir-lhe a ajuda. E convidou-o para o Ministério da Fazenda. Mas, justamente por ser honrado, demitiu-o poucos meses depois, quando ficaram claras as ligações do “ministro” com a Odebrecht. De volta ao setor privado, Eliseu agora trabalha 24 horas por dia pelas “privatizações-doações”.

Em suma: a chave do que se chama de Belíndia é essa ligação permanente dos homens da área econômica, que ficam pulando do governo para a iniciativa privada, da iniciativa privada para os governos.

SERVINDO A UM LADO E AO OUTRO

Examinem a lista abaixo, e constatem a “alternância” de todos de um lado para o outro.

1 – Elmo de Araújo Camões – É o exemplo clássico de relação promíscua entre o Banco Central (BC) e o setor privado. Quando as bolsas estouraram, em 1989, por conta do Caso Nahas, sua distribuidora, a Capitânea, era o pivô do escândalo. Ele era presidente do BC e amigo do então presidente da República, José Sarney.

2 – Keyler Carvalho Rocha – Era diretor do BC na gestão de Camões. A CVM chegou a investigar suas operações.

3 – José Luiz Miranda – Foi para o Banco Interatlântico, depois de sair do BC.

4 – Alkimar Moura – Deixou a Diretoria da Dívida Pública para dirigir uma distribuidora, ligada ao grupo Pirelli. Volta ao banco, em 1993, ocupando a mesma função.

5 – Claudio Haddad – Virou sócio do Banco Garantia, cujo grupo controla a Brahma e a Lojas Americanas.

6 – Carlos Brandão – Integrante do conselho de administração do Banco Econômico.

7 – Fernão Bracher – Dono do Banco BBA.

8 – Luiz Carlos Mendonça de Barros – Foi diretor no Plano Cruzado, em 1986. É sócio do Banco Matrix.

9 – Pérsio Arida – Também foi diretor durante o Cruzado. De lá rumou ao Unibanco. É presidente demissionário do BC.

10 – Geraldo Langoni – Foi presidente do Banco Central. Atualmente é diretor do Instituto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. Usa o prestígio da Instituição para atuar como “promoter” do Grupo Rotschild, um dos maiores exploradores do Brasil em todos os tempos. É um dos maiores defensores da “privatização-doação”.

11 – André Lara Resende – É sócio do Banco Matrix, que teve um bom desempenho em 1994. O Banco Matrix teve um lucro de 100 milhões de dólares, em 1994.

12 – Antônio Carlos Lemgruber – É diretor do Banco Liberal. Presidiu o BC no início do governo Sarney.

13 – José Julio Senna – É diretor do Banco Graphus, depois de passagens pelo Boavista e pelo Banco da Bahia.

14 – Roberto Castelo Branco – Trabalha no Interatlântico.

15 – Luís Eduardo de Assis – Da diretoria de Política Monetária, no governo Collor, pulou para o Citibank, o maior credor externo do país.

16 – Pedro Bodin – Largou o governo para aterrissar no Icatu, da família Almeida Braga.

17 – Francisco Pinto – Foi executivo do Banco da Bahia de Investimentos.

18 – Armínio Fraga Neto – É um dos mais influentes executivos do especulador húngaro Georges Soros. Ganhou o emprego após ser diretor da Área Internacional do BC. Já trabalhou no Garantia e na corretora americana Salomon Brothers. Está cotadíssimo para retornar ao governo.

19 – Francisco Gros – Deixou a presidência do BC para ser executivo do banco americano Morgan Stanley. Antes, vendeu suas ações no Banco BFC. O Morgan Stanley é um dos maiores interessados nas “privatizações-doações”. Trabalhou com o gângster Sami Khon e foi pela segunda vez presidente do Banco Central.

Tribuna da Imprensa deixa de circular

Tribuna da Imprensa, o jornal mais combativo do país, dirigido pelo mais combativo dos jornalistas, Hélio Fernandes, deixou de circular. O jornal, conhecido pela luta contínua em favor do Brasil, foi constantemente perseguido pelos vendilhões diversos que exerceram o poder. Endividado, o jornal fundado por Carlos Lacerda, é obrigado a abandonar a trincheira do jornalismo comprometido com as causas nacionais e a democracia.

Endividado, jornal fundado por Lacerda deixa de circular
da Folha de São Paulo

A “Tribuna da Imprensa”, jornal fundado por Carlos Lacerda em 1949, deixou de circular ontem no Rio. Em sua última edição, na segunda-feira, o diário anunciou a suspensão temporária com um artigo de primeira página repleto de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa.

O dono Hélio Fernandes acusa o magistrado de protelar o julgamento de uma ação contra a União no valor de R$ 10 milhões por conta de perseguições durante a ditadura. Fernandes conta com a indenização para tirar o jornal da crise.

Os 90 funcionários entraram em férias coletivas sem salários. A “Tribuna” estava vendendo 800 exemplares por dia.

A “Tribuna” teve seu grande momento nos anos 50, quando foi um dos principais instrumentos da oposição ao segundo governo Getúlio Vargas (1951-1954). Em 5 de agosto de 1954, Lacerda foi baleado no pé num atentado que custou a vida do major da Aeronáutica Rubens Vaz e aumentou a pressão sobre Vargas, acusado diariamente nas páginas do jornal de comandar um governo corrupto. O presidente se matou no dia 24 do mesmo mês.

Leia aqui o artigo do jornalista Hélio Fernandes na versão online da Tribuna  de hoje

A China tem que literalmente abrir os olhos

Nada se move na arena dos negócios internacionais, que não tenha, no movimento inicial, o empuxo do capitalismo. Impessoal e apátrida.

Assim como em um jogo de xadrez, os movimentos são sutis e têm a previsão de ganhos futuros.

A China que se cuide
Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Vale o preâmbulo de que toda nação tem direito à autodeterminação. Quando submetida ou subjugada por outra, caracteriza-se violência inadmissível, a menos que seu povo careça de condições econômicas, políticas e culturais de governar-se sozinho.

O Tibet, tradicionalmente, forma uma nação, e vem sendo dominado pela China há décadas ou, se quiserem, há séculos. Têm os tibetanos o direito indiscutível de independência. Só que surge um problema: por que, de repente, eclode não apenas no Tibet, mas no mundo inteiro, intensa campanha de resistência e até de rebelião contra o governo de Pequim?

Certas coisas não acontecem de graça. A China incomoda meio mundo, ou mais. Aliás, já incomodava desde 1949, quando Mao-Tsetung tomou o poder e estabeleceu o comunismo à moda chinesa, mais duro e inflexível do que outros espalhados pelo planeta.

Mesmo agora admitindo uma espécie de capitalismo singular, ou por causa disso, a China entrou feito faca na manteiga na economia ocidental. Através de suas multinacionais, as grandes potências financeiras aceitaram, até porque tiraram e tiram proveito das mudanças promovidas por Deng Tsiauping.

Afinal, a mão-de-obra que utilizam em território chinês é infinitamente pior remunerada do que em seus países de origem. Ganham rios de dinheiro, as multinacionais e a China, mas o crescimento econômico e político de nossos antípodas, importa repetir, incomoda e significa um perigo dos diabos para o capitalismo mundial, nas próximas décadas.

Assim… Assim, interessa aos incomodados criar dificuldades e reduzir ao máximo a influência chinesa no mundo. Que melhor oportunidade haveria do que desacreditar a China e seu regime do que quando mais um passo significativo está prestes a ser dado para ampliar sua presença em todos os continentes? Qual? Ora, as Olimpíadas.

Explica-se, por aí, a crise no Tibet. De repente, os vassalos do dalai-lama vão para as ruas em suas principais cidades, protestando contra a dominação chinesa. Mais estranho ainda, em todas as capitais da Europa e adjacências, multidões invadem as embaixadas da China, queimam suas bandeiras e, como por milagre, acenam com milhares de bandeiras do Tibet, costuradas e distribuídas sabe-se lá por quem.

Corrigindo, sabe-se muito bem: pelos artífices da política de dominação elaborada nas sombras, nos becos inidentificáveis e nos gabinetes secretos e refrigerados dos donos do poder mundial. Os mesmos que fomentam rebeliões onde quer que surjam obstáculos à sua prevalência universal. No caso, não apenas rebeliões armadas, mas movimentos culturais, religiosos, familiares, sociais e congêneres.

Agiram com sucesso para derrubar o Muro de Berlim e levar a União Soviética à extinção. Não que aquela nação deixasse de dar motivos para ser relegada ao lixo da História, mas até o papa João Paulo II integrou-se na conspiração. Tinham feito o mesmo no Chile, na Guatemala, até no Brasil, só para ficarmos nos tempos modernos.

Parece óbvio que não podem virar a China de cabeça para baixo, mas terão sucesso parcial se puderem criar empecilhos ao seu crescimento e à sua influência, fomentando insurreições como a que acontece no Tibet, tudo com o objetivo de travar e até desmoralizar a nova superpotência. Em especial, repete-se, às vésperas da Olimpíada que fará o mundo curvar-se à eficiência e à determinação dos chineses.

Em suma, tem azeitona nessa empada, com a evidente colaboração da mídia internacional. Erra quem supuser apenas uma operação rocambolesca da CIA, porque essa trama envolve muito mais agências, empresas, governos, recursos e quadrilhas. Os instrumentos de conflito são outros, neste início do novo século. Nada de bombas atômicas e batalhas de tanques. Minar os adversários por dentro pode ser mais complicado, ainda que mais eficiente. A China que se cuide.

Gabeira, candidato a prefeito, “emaluqueceu”

Desde a participação no sequestro do Embaixador Americano no Brasil, passando pela sunga de crochê pós exílio, que o eco-chato Fernando Gabeira que, de repente não mais que de repente, tornou-se no arauto maior da moralidade no legislativo brasileiro, demonstra não saber diferir a ficção romântica “cheguevariana” da realidade brasileira.

Travestido agora em candidato à Prefeitura do Infelicitado Rio de Janeiro – Benedita da Silva, a família Soprano dos Garotinhos e Rosinhas, o maluquete “factóidista” César Maia – o agora onírico arauto da “canabis” prossegue na sanha para se transformar em personagem do Stanislaw Ponte Preta.

Confira a matéria do jornalista Hélio Fernandes da Tribuna da Imprensa.

“Candidato” a prefeito, Gabeira “emaluqueceu”. A eleição do Rio virou uma gargalhada só.

Assim que lançou sua candidatura a prefeito, “apoiado” por forças que representavam tudo que ele combateu a vida inteira, falei ao próprio Fernando Gabeira pelo telefone: “Gabeira, você está me dizendo que só aceitou ser candidato com total transparência?”

Ele ficou em silêncio, continuei: “Mas você está se juntando a grupos que além de não terem votos, a vida inteira brigaram com a transparência. Você está destruindo um passado brilhante”.

Falamos mais um tempo, divagamos, Gabeira compreendeu que eu estava com a razão, mas já não tinha mais espaço para retrocesso. E começou a campanha, desastradamente, apresentou até agora três “propostas-malucas”.

1 – Para preservar o serviço médico dos hospitais do Rio que já foram dos melhores do Brasil, quando aqui era Distrito Federal e depois Estado da Guanabara, fazia a seguinte proposta às “cervejeiras”, que todos sabem que faturam muito.

Explicação de Gabeira: “Como a maioria dos cidadãos que vão aos hospitais é para procurar as emergências geralmente atingidos por motoristas que dirigem embriagados, as cervejeiras patrocinariam e financiariam essas emergências”.

Alguma coisa deve estar transtornando a cabeça de um homem que já foi jornalista lúcido e atuante. Como é que alguém poderia acreditar que as “cervejeiras” iriam financiar tratamentos de emergência, passando recibo que esses acidentes são provocados por motoristas que dirigem embriagados?

2 – Os garis passariam a se chamar de “pedagogos sociais”. Trabalhariam com dois cartões pendurados na frente da camisa. Um cartão AMARELO e um cartão VERMELHO. Se eles assistissem alguém cometer uma ilegalidade, como por exemplo jogar sujeira nas ruas, dariam a esse cidadão o cartão AMARELO. E daí, o que aconteceria?

O cartão VERMELHO seria dado para fatos mais graves ou para carros que cometessem imprudência, avançassem o sinal do trânsito, por aí. Esses levariam o cartão. E depois, exatamente como o cartão AMARELO, o que aconteceria?

3 – Esta última não seria admitida nem no Manicômio Judiciário. A sugestão de Fernando Gabeira, candidato a prefeito: “Fazer naufragar um navio na altura das Cagarras para atrair turistas. Estes gostariam de nadar e submergir no meio dos destroços do navio”. Imaginem só, as Cagarras representam áreas ecologicamente perfeitas, quase um santuário.

Cerveja – Senador Geraldo Mesquita enfrenta o lobby cervejeiro

Salve!

Eu, que costumo ser crítico mordaz da atuação dos parlamentares brasileiros, tenho, contudo, o discernimento de reconhecer quando um membro do parlamento atua no interesse real da população.

É o caso do Senador Geraldo Mesquita Jr. – não é meu parente e, faço essa ressalva, não por escusa, mas, para o elogio verter imparcial – que honrando o mandato recebido, vai a tribuna do Senado e combate o bom combate. É preciso coragem cívica para enfrentar o mais poderoso lobby atuante no Congresso Nacional, o dos fabricantes de bebidas alcoólicas.

Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa

O Senador Geraldo Mesquita fez brilhante e duríssimo discurso contra o que chamou de “lobismo cervejeiro”. Pediu que o “Brasil inteiro participe de uma campanha para que seja proibida a publicidade cervejeira”, como aconteceu com a droga chamada cigarro. Foi muito aparteado, todos considerando as ameaças dos proprietários “cervejeiros”, audácia inominável.

Um só exemplo de como os “cervejeiros” embriagam, principalmente os jovens. Imbev-Ambev querem comprar a fabricante da Budweiser, pagando 46 BILHÕES DE DÓLARES.

É um círculo “viciado e embriagador”: vão vender mais, anunciar mais, criar mais, mistificar mais ligando “cervejeiro” com liberdade de imprensa.

História e Estórias – Notórios e notáveis

Do notável Sebastião Nery – Tribuna da Imprensa – reproduzo essa notável estória sobre alguns notórios políticos brasileiros.

Antonio Candido de Melo e Sousa, paulista carioca, mestre da crítica literária (autor, entre outros, dos clássicos “Formação da literatura brasileira” e “Literatura e sociedade”), criticou Gilberto Freire porque escrevia seu nome com “y” (“Freyre”) e não com “i” (“Freire”).

Gilberto Freire não gostou, mas não reclamou. Algum tempo depois, Antonio Candido telefonou para Gilberto Freire, que atendeu: – Quem fala? É o Antonio Candido? O Antonio sem o circunflexo no “ô” de “Antônio” e no “â” de “Cândido”, com “Mello” de dois “elles” e “Souza” com “z”?

Suassuna
Mas os pernambucanos nem sempre são tão sutis. João Alexandre Barbosa, consagrado crítico literário, fazia concurso para a Universidade de Pernambuco. Na banca, o renomado professor Antonio Candido, e o extraordinário Ariano Suassuna. Antonio Candido elogiou Alexandre:

– Ele tem notório e notável saber.

Suassuna interrompeu Antonio Candido:

– Até concordo com o professor Antonio Candido. Mas há uma grande diferença entre notório e notável. Alguns políticos de Pernambuco são ladrões notórios. Já Lampião foi um ladrão notável.

PSDB
O PSDB foi fundado dizendo-se um “partido de notáveis”. Agora, o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, mostra que não é bem assim. Tem seus “notáveis”. Mas também um punhado de “notórios”.

O “mensalão” do PT tinha o mesmo DNA do “mensalinho” de Minas. Não importa que o tamanho da roubalheira não tenha comparação. Mas está provado que os tucanos mineiros também têm seus “notórios”.

Brasil – Da série “Acorda Brasil” – Lula “tá de olho na boutique dela”

O apedeuta do planalto, o grande chefe dos tupiniquins, finge que não tá nem aí com o bode que ele mesmo diz que não colocou na sala.

Na verdade sua (dele) excelência, “só pensa naquilo”. Aquilo, no caso é o  – argh! – imoral terceiro mandato.

Leiam o que escreve hoje, a esse respeito, o jornalista Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa:

Um estranho telegrama
BRASÍLIA – No último dia 17 o presidente Lula enviou ao primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, o seguinte telegrama: “Recebi com especial satisfação a notícia da vitória de Vossa Excelência no pleito eleitoral realizado dia 13 de novembro. Sei que se trata da terceira vez que o povo dinamarquês confia a Vossa Excelência a elevada tarefa de conduzir o governo da Dinamarca, fato que demonstra o sucesso de sua administração.

Antecipo a satisfação que terei de dar continuidade aos profícuos entendimentos que tivemos quando da visita de Vossa Excelência ao Brasil, em abril deste ano, bem como por ocasião de minha visita à Dinamarca em setembro último, da qual guardo as melhores recordações. Estou certo de que nosso trabalho assinala a elevação do relacionamento entre nossos países a novos patamares de excelência.

Peço-lhe receber, juntamente com minhas sinceras felicitações, os votos de sucesso e de felicidade pessoal, que estendo a todo o povo dinamarquês. Mais alta estima. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil.”

Trata-se de mensagem protocolar, em resposta a um comunicado do primeiro-ministro reeleito pela terceira vez, mas, convenhamos, que hora mais desastrada para elogiar a permanência de um governante em função do sucesso administrativo.

Pelos comentários anteriores do presidente Lula, Anders Rasmussen é mais um a integrar a lista encabeçada por Margaret Thatcher, John Major, Tony Blair, Felipe Gonzalez, Helmut Kholl, François Mitterrand e quantos mais que permaneceram à frente de governos por longos períodos, sem restrições diante de um bom desempenho administrativo. Entenda quem entender, mas se o ponto central das reeleições reside na capacidade do governante, abre-se larga avenida para a aplicação do princípio em qualquer sistema de governo, parlamentarista ou presidencialista…