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A Reversal Destra

Temer-comunista
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Michel Temer comunista? Bilionários socialistas? Facebook stalinista? A Nova Direita repete diariamente que políticas socialistas não funcionam, que o comunismo não deu certo, mas aparentemente vivemos num mundo alternativo onde a URSS venceu a Guerra Fria: da ONU à Wall Street, todas as instituições do mundo contemporâneo estariam infiltradas por alguma versão da KGB.

Como tentei demonstrar no artigo das “pequenas verdades” a Nova Direita constrói seu pensamento com tomando como base uma série de falácias, de meias verdades. A mais poderosa e recorrente delas é a de que “todo mal vem da esquerda“. Um dos elementos da filosofia política Nova Direita é o da negação do princípio de igualdade dos seres humanos, por isso o insistente ataque aos Direitos Humanos universais. Uma vez que Declarações de Direitos são construções do liberalismo, das revoluções burguesas que romperam com o absolutismo, faz-se necessário ampliar o conceito de esquerda. Essa “esquerda”, apresentada da forma mais vaga e abrangente possível, passa a incluir liberais progressistas ou qualquer um que não simpatize ou não queira colaborar com a Nova Direita.

Isso permite à Nova Direita produzir conceitos alternativos para certos fenômenos do capitalismo, ou mesmo internos às dinâmicas políticas da própria direita, num processo contínuo de “transformar em esquerda” qualquer coisa que incomode seus interesses, seus fiéis, seu público, seus membros. Esse mecanismo de dissimulação permite afirmar a já clássica falácia de que “o Nazismo é de esquerda“, inventar que a queda do Império Romano teve relação com o socialismo, transformar a senadora Ana Amélia Lemos (PP) ou o apresentador Datena em cripto-socialistas – ou dizer que José Sarney tentou implantar o comunismo no Brasil.

E você, pobre mortal, não sabia que Wall Street adora o esquerdismo.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL

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A tendência de muita gente na esquerda é de tentar responder a essas maluquices com fatos, argumentar longos contrapontos, mostrar dados e notícias, chamar a outra pessoa de ignorante, dizer que ela precisa “estudar história”, ou fazer chacota. Isso tudo só faz sentido se assumirmos que a política do absurdo propaga tanta loucura de forma não-intencional.

E não é o caso. A aparente ignorância e desconexão da realidade está contida num método, numa forma de comunicação extremamente eficaz: a repetição. O método consiste em criar a mentira, em sua forma mais absurda ou abjeta, e fazê-la ser igualmente repetida por fiéis e céticos. Depois que a mentira estiver bem estabelecida por meio da repetição qualquer um que desconfie dela será tratado como um inimigo. Entre cínicos, trolls e imbecis uma pequena verdade é fabricada. Ela precisa ser confortável e triunfalista, taxativa, desprovida de nuance e, de preferência, completamente absurda.

Esse é o método que permite que Michel Temer seja chamado de “apenas mais um comunista” pelos grandes intelectuais do Instituto Liberal. Temer se aliou a toda a direita brasileira, seu partido lançou um programa de reformas extremamente liberal chamado Ponte para o Futuro, sua curta presidência foi extremamente impopular, exceto no mercado financeiro. Diante desses fatos, como Temer poderia ser um comunista? Tanto faz. Basta que digam que o mercado financeiro também é comunista, como os gênios do MBL já nos explicaram.

Esse tipo de excrescência, de maneira proposital ou não, é o que abriu caminho para o crescimento de apelos por golpe militar e também explica, em parte, o êxito da candidatura de Jair Messias Bolsonaro. Em ritmo permanente de campanha desde 2015, Bolsonaro conseguiu se firmar como o único candidato que é “direita de verdade” usando de uma lógica simples e eficaz: pega carona na quantidade imensa de material que afirma que a corrupção seria um problema da esquerda, repete incessantemente que não é corrupto (apesar de quaisquer evidências contrárias) e assim torna-se, por extensão, o único candidato de direita. Ele pode dizer que é contra mídia, contra “o sistema” mas é um fruto gerado no âmago do establishment antipetista.

Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,BolsonaroDesaprovou o General Mourão? Comunista!

Esse esforço contínuo de transformação e reafirmação não tem qualquer compromisso com nenhum nível de argumentação factual. As reformas de Maurício Macri falharam? Evite discutir a natureza delas, ou fazer uma análise mais demorada sobre os desafios da economia argentina e a relação do panorama atual com aquele do início dos anos 2000. Chamemos outro “intelectual”, o fundador do Instituto Liberdad Querida, que ele define como o “Tea Party argentino” para que ele assegure aos leitores do Antagonista que Macri nunca foi nada mais que um social-democrata…

Jornalismo de qualidade.

E nada disso é uma questão de ajuste ou coerência. É possível que governos não executem o que prometeram em campanha ou hajam em desacordo com a coalizão ou plataforma que os elegeu. Não é o caso argentino. Mas agora que Macri parece ter falhado, não por suas intenções mas por suas ações, é preciso que ele seja jogado para fora do espectro político dos bons. Agora Macri deve ser “apenas mais um social democrata”.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Stálin dançou foi pouco.

Para além da política institucional, esse tipo de estratégia é usado para falar sobre qualquer coisa: da crise dos refugiados à indústria cultural. O último sucesso do pop não se deve à combinação de consumo massificado e hiper mídia, trata-se um complô da Escola de Frankfurt – e não, não interessa que você mostre que Adorno criticava JUSTAMENTE a cultura de massas. Nunca ouviu falar que o

Esquenta era um programa de extrema-esquerda? Se o público não gosta do Esquenta e não gosta da esquerda logo o Esquenta é de esquerda. Extrema-esquerda. Regina Casé era uma extremista do funk. É o temido Marxismo cultural!Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Há algo terrivelmente eficaz nessa estratégia. Ela permitiu que Donald Trump criticasse Hillary Clinton como a “candidata de Wall Street” na campanha presidencial de 2016, muito embora boa parte de seu staff, incluindo o coordenador Steve Bannon, viessem do mundo das finanças. Desde a Crise de 2008, que aconteceu sob a batuta de um governo Republicano, a relação entre Wall Street e Washington se tornou ainda mais impopular. Movimentos como o Tea Party, que tentaram “renovar” o partido Republicano com um populismo de direita, diziam odiar Wall Street – embora sua agenda apontasse no sentido contrário. Vencida a eleição nada impediu que Donald Trump, numa ação típica de um membro do partido Republicano, aprovasse cortes em impostos que beneficiaram Wall Street, ou representasse o mercado financeiro como “vítima” de regulações governamentais que mais tarde seriam suavizadas por seu governo.

A fantasia de que o mundo é dominado por uma suposta hegemonia da esquerda também é muito útil para a extrema-direta. É uma maneira mover a Janela de Overton, o conjunto das ideias toleradas no discurso público, para a direita. Se Angela Merkel, líder do partido de direita União Democrata-Cristã, for repetidamente chamada de socialista fica bem mais fácil que para os políticos da AfD, partido de extrema-direita, se passarem por conservadores ou direitistas convencionais – mesmo que desde de sua fundação o partido tenha caminhado rumo a posturas cada vez mais extremas.

Temer falar de corrupção é como o satanás rezar missa

Pouca gente no mundo político fala abertamente sobre combate á corrupção como o descarado Michel Loures Cunha Temer NevesBlog do Mesquita,Políticos,Corrupção,Temer ,Cunha,Aécio

Será que Temer se tocou de que não é invisível? Parece que boa parte da enlameada classe politica já está se tocando. Alguém viu Alckmin, Doria, Haddad, marta ou outro politico de qualquer partido desfilando cinismo pelo site da tragédia? O fosso abissal aberto pela corrupção entre os políticos safados de sempre e a sociedade manda o recado dizendo o que estes sujeitos podem esperar nas as próximas eleições.

A visita ao desabamento não foi um ato de desespero de quem está por baixo, mas sim, total insanidade.

Vai aproveitando, Temer! 31/12/2018 está chegando…! E prepare “aquele” dinheiro, que você tem, “aquele” dinheiro, pra gastar com “Cacai”; ele só está esperando, a hora chegar! Mariz é fraco!

A não ser que Raquel Dodge dispare mais uma denúncia, o que é bem provável, e você sofra um pouquinho, antes de 31/12! Motivos não faltam!

Neste governo Temerário, a única coisa tão inevitável quanto a morte, é a vida.

Como o “The Mônio” pode esquecer da corrupção, se ele, segundo Janot, é chefe da organização criminosa?.

Uma das primeiras bandeiras do “governo” postiço do “The Mônio” foi a redução de gastos com pessoal apadrinhado (comissionados sem concurso). O belo discurso não se concretizou.

Também, pudera. O que esse cara fez a vida toda além de pilhar o Estado no qual parasita há 30 anos? Nunca teve ideologia nem lado. Sempre se pautou por navegar pela maré dos interesses da vez.

Quanta insensatez! Parece que o “The Mônio” perdeu a noção da realidade que o cerca. Não diz coisa com coisa! Quem não pode falar contra a corrupção, não tem condição moral para se dirigir ao povo.

O corrupto da cuidadora de idosos vive o ostracismo antecipado, e faz de conta que está tudo bem.

José Azeredo Alckmin = Impunidade

O Brasil é um país imprevisível. Mas a Justiça brasileira não é. Ressoa na memória a Lei Jucá: “Com o Supremo, com tudo”.Alckmin,Temer,lava Jato,Blog do Mesquita

 
Como previsto, José Azeredo Alckmin – afinal a moda é incorporar nomes ao nome – já escapou da Farsa a Jato. STJ enviou o processo do “Santo” da Odebrecht ao TSE, e de lá seguirá para as profundas gavetas da 1ª instância.
Ficam ignorados os indiciamentos por Corrupção, Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa. Vocês, paneleiros seletivos, e patos dançarinos, terão, pois, a oportunidade de em outubro de 2018 escolherem qual criminoso os conduzirá ao pasto.

Eleições 2018 – Temer no canto das cordas

Cerco policial encurrala Temer e implode suas pretensões eleitoraisOperação Skala

Michel Temer em Brasília. UESLEI MARCELINO REUTERS

Intenção do presidente era amarrar estratégia na semana que vem, com filiação de Meirelles e acertos da reforma ministerial. Decreto dos Portos pode originar terceira denúncia.

No momento em que os partidos brasileiros começam a definir suas estratégias eleitorais para outubro, o cerco policial-judicial ao presidente Michel Temer(MDB), pretenso candidato à reeleição, está se fechando e minando suas já frágeis pretensões eleitorais. É o que avaliam seus próprios aliados diante de uma cenário em que em vez de se preocupar com quem comporia seu eventual comitê de campanha ou em como turbinar ações para melhorar sua pífia popularidade, agora o emedebista lida com o constrangimento de ter seus homens de confiança provisoriamente atrás das grades. Trata-se de um golpe que o recoloca no centro das investigações derivadas da Operação Lava Jato e cujos próximos capítulos ainda são difíceis de prever no inquérito que corre sob sigilo nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

A expectativa no Governo era manter na Esplanada dos Ministérios a maioria dos nove partidos que indicaram ministros. Essa seria uma das principais moedas de troca na formação na eventual coligação a ser encabeçada por um emedebista – apesar das dificuldades, o partido segue tendo um considerável e crucial tempo de TV a oferecer, além de dinheiro do fundo partidário e capilaridade nacional para empurrar uma candidatura. Seja como for, a avaliação era a de que a Operação Skala deve reduzir essa quantidade de apoiadores. “Ninguém quer se ver envolvido com alguém com tanta gente suspeita em volta”, ponderou um líder de partido aliado de Temer no Congresso. Entre dois e quatro partidos que já estavam negociando apoios à outras candidaturas para a presidência devem deixar de indicar ministros, conforme dois membros governistas relataram ao EL PAÍS nesta quinta-feira.

Uma demonstração de como o presidente se torna cada vez mais tóxico em ano eleitoral não tardou a acontecer. Enquanto as prisões dos aliados de Temer dominavam o noticiário, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, se recusou a comparecer à inauguração de um aeroporto em Vitória da qual Temer foi o principal convidado nesta quinta-feira. Para que não restassem dúvidas sobre o significado da sua ausência, Hartung divulgou uma nota: “O País amanheceu mais uma vez sobressaltado com fatos políticos preocupantes. Apoio a investigação dessas denúncias com profundidade e, como democrata que sou, também defendo o amplo direito de defesa de todos os citados. Mas ressalto que os episódios políticos sucessivos e graves dessa natureza têm prejudicado o País e a economia, trazendo prejuízos sociais com impacto direto na vida das pessoas, particularmente os mais pobres.”

Processo sob sigilo e nova denúncia?

A investigação sobre o decreto dos portos toma proporções cada vez mais perigosas para Temer e podem acabar por municiar uma nova denúncia contra o presidente. Seria a terceira e a aposta em Brasília é que o preço a pagar para barrá-la na Câmara, como fez com as duas anteriores, seria mais alto em ano eleitoral.

Apesar de não ter tido um pedido de prisão decretado (principalmente por causa de seu foro privilegiado) neste inquérito, Temer já passou por uma série de constrangimentos por causa dele. O mais recente foi a quebra de seu sigilo bancário solicitado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e determinado pelo ministro Barroso. Apesar de ter prometido que abriria os sigilos para o Judiciário e para a imprensa, o presidente voltou atrás em sua ideia e, até agora, não entregou a documentação solicitada pelo STF.

Nesta quinta-feira, Barroso foi além e autorizou a detenção de duas figuras-chave: o coronel João Batista Lima Filho, ex-assessor de longa data de Temer e o advogado José Yunes. O primeiro assessorou Temer em diversas campanhas eleitorais e era conhecido por ser um metódico operador do presidente. O segundo foi seu assessor especial na Presidência. Ambos são acusados por delatores de serem intermediários de propinas do próprio presidente. Contra ambos pesam suspeitas de irregularidades na publicação do Decreto dos Portos, um documento assinado pelo presidente que regularizou e ampliou o prazo de cessão de áreas para uma série de empresas que atuam na área portuária pelo país. A suspeita é que Temer e seu grupo tenham recebido propina para beneficiar uma dessas empresas que funciona no Porto de Santos, a Rodrimar. O dono dessa empresa, Antônio Celso Grecco, e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (MDB) também foram detidos. Os mandados cumpridos nesta quinta-feira seguem sob sigilo

A suspeita do Ministério Público Federal é que o grupo tenha cometido os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. As apurações são um desdobramento da  Lava Jato e só vieram à tona após a delação da JBS, na qual o próprio Temer foi grampeado por um dos delatores.

Um dos principais defensores de Temer, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que o presidente não se preocupa com essa investigação porque ele não teria beneficiado a Rodrimar ou qualquer outra empresa no decreto dos portos. “É como se estivessem investigando o assassinato de quem não morreu. O decreto não beneficiou a Rodrimar e estará esclarecida a absoluta inocência do presidente”, afirmou.

Agora, com a prisão de Yunes, chega a quatro o número de assessores que ascenderam com Temer ao poder após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e registraram passagens recentes pela prisão. Antes, estiveram detidos os ex-deputados federais do MDB Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo, Rodrigo Rocha Loures, conhecido como o homem da mala, e Geddel Vieira Lima, que tinha um bunker com mais de 51 milhões de reais não declarados. Em outro inquérito, Temer é investigado por capitanear um esquema de propinas para o seu MDB, do qual foi presidente por uma década. Neste caso, são dois dos seus escudeiros no Planalto, também protegidos pelo foro privilegiado, os implicados: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Welington Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência).

A turbulência em Brasília agita ainda mais um panorama com datas decisivas na sucessão presidencial. A próxima semana também será crucial para definir o futuro de outro pré-candidato à presidência, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. No dia 4, o Supremo Tribunal Federal deve concluir o julgamento de seu habeas corpus, em que pede para não ser preso até que ele seja julgado em todas as instâncias. O ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
ElPaís

OCRIM do Temer e uma doença conveniente

Depoimento de Coronel Lima é adiado; PF tenta ouvi-lo há nove meses

Reprodução – O ex-coronel João Baptista Lima Filho passou mal ao ser preso ontem (29). Defesa apresenta atestados desde junho do ano passado alegando que a saúde de Lima o impede de prestar depoimento
 
Após passar mal ao ser preso na Operação Skala, deflagrada ontem (quinta, 28) pela Polícia Federal (PF), o ex-coronel João Baptista Lima Filho não prestará depoimento nesta sexta (29). A PF esperava ouvi-lo ainda esta tarde, mas a defesa alega que o coronel não está em condições de físicas e psicológicas para prestar depoimento. Os advogados afirmam que ele prestará depoimento quando “apresentar melhora do quadro clínico”.

A PF tenta intimá-lo a depor desde junho do ano passado, mas a defesa apresenta atestados médicos alegando que Lima não tem condições de comparecer aos interrogatórios. Ainda não há data para um novo depoimento.

Segundo o advogado Cristiano Benzota, Lima ficou em silêncio e negou todas as acusações que são feitas contra ele. “Ele assumiu o compromisso de prestar depoimento em data futura a ser agendada com a Polícia Federal”, disse.

Ontem, ao ser preso, Lima teve uma crise de pressão alta e pico de glicemia, e teve de ser hospitalizado. Durante a manhã, Lima recebeu a visita de seu advogado na sede da PF em São Paulo, onde ele cumpre a prisão temporária até a próxima terça-feira (3).

O ex-coronel e Temer são amigos há quase três décadas. Recaem sobre Lima as suspeitas de que ele arrecadava propinas no esquema do Porto de Santos há cerca de 20 anos e a reforma feita pela esposa de Lima na casa de uma das filhas de Temer, em 2014, tenha sido paga com dinheiro de corrupção. A arquiteta Maria Lúcia Fratezi, a esposa e sócia de Lim, prestou depoimento à PF hoje e negou conhecimento ou envolvimento em ilicitudes.
Congresso em Foco

A “MULA” DO PRESIDENTE E O ESCÂNDALO SEM NOME

José Yunes, ex-assessor e amigo de mais de cinco décadas de Michel Temer, deu uma declaração igualmente bombástica na semana passada revelando a existência de uma estratégia para eleger parlamentares fiéis a Eduardo Cunha

Em 2005, Roberto Jefferson (PTB) deu uma entrevista bombástica para Renata Lo Prete revelando um esquema de compra de apoio de deputados pelo governo. Em uma entrevista curta, Jefferson disse a palavra “mensalão” 17 vezes. O escândalo já vinha batizado e atormentaria o governo Lula e o alto escalão do PT por muitos anos. À época, o assunto foi tão explorado e martelado na cabeça dos brasileiros, que muito se duvidou da reeleição de Lula. O ex-senador do PFL (ex-Arena, atual DEM) e filhote da ditadura militar Jorge Bornhausen chegou a decretar a morte do PT com uma frase reveladora da sua alma: “Estou é encantado (com a crise do mensalão), porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

Yunes ficou sabendo disso pela boca de Lúcio Funaro – doleiro, lobista, operador das propinas de Cunha e que foi preso na época do mensalão – em setembro de 2014, às vésperas das eleições daquele ano. Este honorável cidadão relatou dessa maneira o esquema para Yunes:

“A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo (Cunha) ser presidente da Câmara”.

O melhor amigo de Temer ouviu essa frase quando o doleiro, a mando de Eliseu Padilha, passou em seu escritório para deixar um “pacote” misterioso que alguém buscaria mais tarde. Segundo delação de ex-executivo da Odebrecht, o tal “documento” na verdade eram R$ 4 milhões em dinheiro vivo, que era parte de uma propina de R$10 milhões repassada para o PMDB. Yunes se viu sendo “mula” de Padilha e resolveu contar tudo para o presidente não eleito, que, à época, era candidato à vice de Dilma.

“Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos).”

É óbvio que Temer não foi reclamar com seu braço direito. As chances de um esquema comandado por Padilha e Cunha ser ignorado por Temer são menores do que a de um tucano ser preso. Portanto, é mais do que provável que, antes mesmo da eleição, Padilha e Temer já tramavam para colocar Cunha na presidência da Câmara. É importante lembrar que Cunha não foi o candidato do governo para a Câmara, era Arlindo Chinaglia (PT), o que significa que a cúpula peemedebista já trabalhava contra os interesses do governo do qual faziam parte. Naquela época, o impeachment já estava no horizonte e seria muita ingenuidade acreditar que esses fatos não estavam relacionados. Cunha foi eleito por uma maioria avassaladora na Câmara. Uma maioria que o acompanharia até a derrubada de Dilma.

capturar-1488721001Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Após a eleição de Cunha, O Globo registrou que ele “é considerado inimigo da presidente Dilma Rousseff, com quem sempre teve uma relação difícil”. Ou seja, com base no depoimento de Yunes, é possível concluir que o vice-presidente há muito tempo já trabalhava nos bastidores – e depois abertamente – para eleger um inimigo do governo. Cunha articulou intensamente contra o governo para aprovar a MP dos Portos (com uma emenda cuja única beneficiária foi uma das principais empresas financiadoras de Temer), trabalhou pela derrubada do decreto da presidenta que criava a conselhos populares em órgãos públicos e fez de tudo para travar a votação do Marco Civil da Internet. Agora sabemos que o inimigo mortal da presidenta vinha sendo armado pelo vice-presidente desde antes das eleições presidenciais. Qual o nome disso senão traição, conspiração e/ou golpismo?

Em abril de 2015, poucos meses após Cunha virar presidente da Câmara, Dilma, preocupada com o desgaste da relação com o PMDB, colocou Temer na articulação do governo. A raposa foi alçada à condição de pacificadora do galinheiro depois de ter passado meses tramando o cerco com a raposada. Enquanto isso, Cunha comandou durante todo o resto do ano um boicote sistemático ao governo, trabalhando contra todas as medidas de saída da crise econômica por meio de pautas-bombas, travamento de votações e muita chantagem. Com a maioria dos parlamentares na mão e o apoio do vice-presidente, Cunha ficou cada vez mais à vontade para encaminhar o principal projeto do seu mandato: o impeachment.

“Michel é Eduardo Cunha”, já dizia Jucá no spoiler dos spoilers. Mas a relação não é mais a mesma. Depois de cassado e preso, Cunha vem frequentemente fazendo ameaças veladas a Temer. Insinuou haver digitais de Temer nas irregularidades no Porto Maravilha e o arrolou como testemunha na Lava Jato, quando fez perguntas comprometedoras. Curiosamente, Temer agora coloca Osmar Serraglio (PMDB) no Ministério da Justiça, um homem tão próximo de Cunha que chegou a reivindicar a anistia dos crimes cometidos pelo amigo. As ameaças teriam surtido efeito? Não é possível afirmar categoricamente que sim, mas a chantagem estaria perfeitamente dentro do contexto golpista da atual da política brasileira.

Cunha também fez duas perguntas para Temer sobre seu amigo José Yunes:

“Qual a relação de Vossa Excelência com José Yunes?”

“O sr. Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?”

Perguntas essenciais para compreender o papel de Temer na Lava Jato, mas o juiz-herói Sergio Moro evitou a fadiga de Temer cancelando essas e mais 11 perguntas embaraçosas. Os questionamentos foram considerados “inapropriados” pelo magistrado. Segundo ele, “não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal”. Parece piada, mas este é o homem conhecido por ser implacável contra a corrupção. Estamos muito bem de heróis, né, Brasil?

Yunes simplesmente revelou que os milhões da Odebrecht serviram para construir uma poderosa bancada de deputados para colocar um criminoso na presidência da Câmara. Com o envolvimento comprovado de Padilha, o braço direito de Temer, e com a “mula” amiga de Temer caguetando tudo, já não é mais possível ignorar as digitais do não eleito em mais esse escândalo. No país em que casos de corrupção são sempre batizados, como Mensalão e Petrolão, por que esse até agora não foi?

É instigante. Só acho que não podemos esperar que o batismo seja feito pela Globo, já que, segundo o Tabapuã Papers e Panamá Papers, Temer é sócio de Yunes, assim como o filho de Yunes é sócio de Roberto Marinho.
João Filho/Intercept