Aposentadoria de ex-governadores: Pedro Simon receberá R$2,6 milhões

Brasil: da série “só doi quando eu rio”!

E você aí meu pobre, infelicitado e depauperado aposentado Tupiniquim, que tem ‘ralar’ 35 anos pra receber uma ‘merreca’ de aposentadoria!

E o sociólogo da entregação, FHC que chamou os aposentados de “vagabundos”? Hein? Hein? Hein?
O Editor



Simon, o franciscano, embolsará mais de R$ 2,6 milhões

Após 20 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) resolveu pedir a aposentadoria como ex-governador do Rio Grande do Sul. Ao salário de senador (R$ 26,7 mil), ele soma desde novembro R$ 24,1 mil de ex-governador.

Ele declarou que ao concluir o mandato, em fevereiro de 2015, vai se decidir pela aposentadoria de ex-governador ou de ex-senador.

Até lá, enquanto pensa, Simon vai embolsar mais de R$ 2,6 milhões.

Na ponta do lápis

De janeiro de 2011 a janeiro de 2015, Simon terá R$ 1,27 milhão como ex-governador e R$ 1,38 milhão do Senado. Total: R$ 2,6 milhões.

‘Para a caridade’

Simon receberá mais que os R$ 1,6 milhão da aposentadoria retroativa do caridoso senador Álvaro Dias (PSDB-PR), como ex-governador.

Diária: 3,2 salários

Até o término do mandato, em 2015, Pedro Simon ganhará por dia 3,2 salários mínimos (R$ 1.786), nos 1.492 dias que restam de mandato.

Um franciscano

Em 2000, o senador Pedro Simon ingressou na Ordem Terceira de São Francisco e fez voto de pobreza. Nasceu para ser franciscano.

coluna Claudio Humberto


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Pedro Simon pede ‘aposentadoria’ de ex-governador

Até tu Pedro?

Não eras a rocha sobre a qual se erguiam todas as fortalezas do moralismo e probidade republicanas?

Mais um lapidar exemplo do cada vez mais contumaz “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”!

Todos querem mesmo é morder um naco do dinheiro dessa pobre e desvalida taba Tupiniquim.

O Editor


Ex-governador do Rio Grande do Sul (1987-1990), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) requereu aposentadoria 20 anos depois de ter deixado o cargo.

O repórter Graciliano Rocha conta, na Folha, que Simon requereu o benefício há três meses, em novembro de 2010.

Desde então, graças aos quatro anos que ficou sentado na cadeira de governador, Simon passou a beliscar R$ 24,1 mil mensais.

No final do ano, amealhou R$ 52 mil. Referem-se ao “atrasado” de novembro, ao mês de dezembro, mais R$ 4 mil de décimo terceiro proporcional.

Pense num brasileiro comum. Imagine que, mais afortunado que a maioria, ele seja profissional exitoso e regiamente remunerado.

Suponha que esse ele recolha mensalmente à Previdência contribuições calculadas pelo teto.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pois bem. Se um brasileiro como esse, comum, mas bem-posto, for hoje a um guichê do INSS para requerer sua aposentadoria, receberá escassos R$ 3.264,86.

A exemplo de Simon, há cerca de 60 brasileiros “especiais” que recebem pensão dos Estados que um dia governaram. Valores polpudos e vitalícios.

Alega-se que tais benefícios estão previstos em leis estaduais. No caso da legislação gaúcha, há uma peculiaridade.

Prevê que, optando pela folha do Estado, o ex-governador terá de abrir mão de salários que eventualmente receba de órgãos públicos ou empresas estatais.

Por ora, não se sabe se Simon, senador até 2015, mandou interromper o depósito que pinga mensalmente em sua conta no Senado.

Em novembro, quando requereu a aposentadoria gaúcha, Simon recebia como senador R$ 16,5 mil mensais.

Antes da virada do ano, porém, os congressistas elevaram seus próprios salários para R$ 26,7 mil.

A legalidade da aposentadoria de ex-governadores é duvidosa. Em 2007, o STF derrubou, por inconstitucional, a de Zeca do PT (MS).

A imoralidade é inquestionável.

A OAB, a propósito, recolhe dados para requerer no Supremo a interrupção do descalabro.

Em Brasília, Pedro Simon notabiliza-se pela conduta lisa. Ao menor desvio ético, abre-se no plenário do Senado uma contagem regressiva.

O senador Pedro Simon não tardará a escalar a tribuna para vergastar os usurpadores.

Esse Simon implacável, velho conhecido dos brasileiros, aparentemente só existe em Brasília. No Rio Grande do Sul, há outro Simon, mais maleável.

O que dirá da tribuna o Simon brasiliense sobre a aposentadoria do Simon dos pampas?

blog do Josias de Souza/Folha de S.Paulo

Eleições 2010: Uma eleição sub judice

É preciso lembrar ao Senador Pedro Simon que o ‘imbroglio’, ou melhor dizendo o impasse, deve-se ao fato do deputado Francisco Dornelles ter feito uma emenda de redação¹, que foi aprovada, diga-se, trocando um tempo de verbo, originariamente no passado, no projeto de lei que veio da Câmara dos Deputados, pelo tempo do verbo no futuro.

No sistema federativo brasileiro vigora o sistema bi-cameral, composto das duas casas que formam o Congresso Nacional: Câmara dos Deputados e Senado Federal. Assim, quando um projeto aprovado em uma das casas sofre modificação na outra casa, tem obrigatoriamente que retornar à casa que o aprovou originalmente para nova apreciação pelo plenário.

¹No original: ‘Que foram condenados’ para a nova redação: ‘ Que forem condenados’. Aí se situa a causa do impasse constitucional. A condenação é a passada ou a que vier a ser aplicada no futuro?
O Editor


São 11 milhões de votos cujo destino ninguém sabe qual será.

Pedro Simon. Senador (PMDB-RS)

Eleitores que compareceram às urnas no dia 3 de outubro, no primeiro turno das eleições, escolheram seus candidatos e agora se defrontam com um cenário incerto.

A causa dessa incerteza, ausente do farto noticiário sobre as eleições, é o fato do Supremo Tribunal Federal (STF) não ter decidido, ainda, se a Lei Complementar número 135, de 4 de junho de 2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa, vale para estas eleições.

Enquanto não houver um julgamento definitivo, o pleito fica sub judice. São candidatos que não sabem se poderão assumir seus mandatos; partidos que desconhecem como serão compostas suas respectivas bancadas no Congresso Nacional; e, eleitores que poderão, simplesmente, perder de vista candidatos e votos.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A Lei da Ficha Limpa chegou à Câmara Federal em abril deste ano, conduzida por uma mobilização exemplar da sociedade brasileira. Cerca de 1,5 milhão de cidadãos assinaram o projeto de iniciativa popular, enquanto outros 2,5 milhões compareceram através da internet.

Aprovada na Câmara e no Senado, a medida que veio com a intenção de atender ao disposto no artigo 14, parágrafo nove da Constituição (trata das inelegibilidades e estipula que deve ser “considerada a vida pregressa do candidato”, a fim de “proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato”), foi sancionada pelo presidente da República, sem reparos da Advocacia Geral da União (AGU) e entrou em vigor.

Desde então, fica impedido de concorrer a cargos eletivos quem tiver contra si condenação por qualquer tribunal. No entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lei da Ficha Limpa vale plenamente para estas eleições, por não representar nenhuma penalidade adicional, caso em que teria sua aplicação limitada.

Mais de duas centenas de candidatos foram impugnados pela Justiça Eleitoral no país. Contudo, grande parte deles, amparada em liminares, decisões judiciais precárias que ainda terão seu mérito avaliado, concorreu a mandatos de deputado estadual e federal, senador e governador. Muitos foram eleitos, outros disputam o segundo turno.

O primeiro recurso ao STF contra decisão da Justiça Eleitoral foi encaminhado pelo ex-candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, barrado pelo TSE.

O julgamento no Supremo, que atua desfalcado em função da aposentadoria de um dos seus integrantes, consumiu dez horas de debates e terminou empatado em 5 votos a 5.

O presidente do tribunal preferiu não utilizar a prerrogativa de voto de desempate. Embora não exista confirmação, pois ninguém declara isso abertamente, comenta-se que o STF aguarda a nomeação, pelo presidente da República, do novo magistrado a quem caberia decidir a questão. Como se diz no jargão do futebol, os magistrados ‘jogaram a bola para frente’.

Não se sabe o que impede a mais alta Corte do país de cumprir seu dever constitucional. Solução para o problema existe, apontada na noite mesma do julgamento quando, perplexos, os ministros do STF discutiram o que fazer para resolver o impasse. Poderiam manter a decisão anterior do TSE, que validou a Lei da Ficha Limpa.

É assim que funciona a Suprema Corte dos Estados Unidos, instituição que serviu de inspiração para a criação do nosso STF e é um exemplo para os tribunais do mundo inteiro. Lá, quando ocorre um empate no julgamento, fica valendo a decisão do tribunal inferior (e não se tem notícia de algum magistrado norte-americano tenha se sentido diminuído por isso).

Nossos magistrados, porém, recusaram esse caminho, e mantém a incerteza quanto ao destino de 11 milhões de votos.

Além do prejuízo imediato a eleitores, candidatos e partidos políticos, essa indefinição ameaça a legitimidade do nosso sistema eleitoral, tão avançado do ponto de vista da tecnologia, mas ainda sujeito ao erro humano.

do blog do Noblat

Lula e a lista da revista Times

Para os que torcem contra e para os que apostavam que Lula não ficaria 1 ano no poder – não esquecer o Mário Amato, a cassandra invertida, que previu a fuga em massa do empresário brasileiro caso Lula fosse eleito –  a lista da revista Times deve ser alguma manobra escusa do PT.

Para os de bom senso, mesmo que opositores do chefe dos Tupiniquins, é o reconhecimento do mérito da atuação do Presidente brasileiro.

Confira abaixo algumas opiniões a respeito.

O Editor



Da ironia à alegria – políticos reagem a título da Time dado a Lula

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Veja abaixo a reação de alguns políticos à inclusão de Lula na lista dos 25 líderes mais influentes do planeta:

“Com Lula, o Brasil ganhou importância política e econômica no exterior. Esse reconhecimento do mundo da liderança do Lula e agora pelo Time é motivo de comemoração.”Deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP), líder do PT na Câmara

“Deve ser uma demonstração de simpatia pelo Brasil, pela origem do presidente, pelo seu passado tão bonito, enfim… Eu sou diplomata de carreira e não estou aqui para oba-oba, não faço parte de claque, de bateção de palma, não sou cabo eleitoral. Sei o que estou falando. Líder influente é o que mexe com o balance of power. Aproveito para dizer que a política externa está totalmente equivocada.” Senador Artur Virgílio (PSDB/AM), líder do PSDB no Senado

“Lula está sendo reconhecido porque realiza um esforço de grande relevância pela paz mundial.” Senador Eduardo Suplicy (PT/SP)

“Eu fico encantado. Estamos vivendo uma época inédita na história do Brasil. Por outro lado, Obama andou tomando atitudes duras lá. A popularidade dele vem caindo. O pessoal, para não deixar o Obama ganhar, votou no Lula.” Senador Pedro Simon (PMDB/RS)

“Para vocês é alguma surpresa?” Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, respondendo aos jornalistas sobre a lista de Time.

“O presidente Lula é muito maior que qualquer um destes cargos.” Celso Amorim, perguntado se o título ajuda Lula a ser escolhido Secretário Geral da ONU.

“É bom para o Brasil que ele seja reconhecido desta maneira. E é algo que não temos porque não comemorar. Muito bem, presidente! Temos certeza de que o presidente Lula é alguém que tem liderança, que se impõe como líder aqui no Brasil e fora dele. Mas não temos necessariamente de concordar com muitas coisas que ele faz aqui e outras que faz lá fora. São coisas diferentes.” Senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB

blog da Chritina Lemos

Renan Calheiros e os indecorosos

Mesmo os que depositaram na renúncia do senador José Sarney a solução para o Senado têm, agora ou outra vez, a evidência irrefutável do fator de desordem que é Renan Calheiros.

Chefe das milícias que se sucedem no Congresso com a sucessão dos governos, sob a denominação camarada de tropas de choque, Renan Calheiros é um marginal da vida parlamentar, que a faz a poder de ameaças aos adversários e a aliados recalcitrantes; de golpes da esperteza sinônimo de malandragem, e de mentiras como moral e cafajestices como ética.

Renan Calheiros e Fernando Collor no Senado são indecorosos por si mesmos. Ambos adeptos das mesmas táticas, por métodos diferentes. Com outra diferença, esta nos efeitos.

Renan Calheiros exerce chefia (não confundível com liderança) e induz chefiados a condutas abjetas, ao passo que Collor é um chefiado a transitar entre um ridículo e outro, sempre figurando um adolescente que, de terno e gravata pela primeira vez, faz cara e pose de homenzinho.

O impasse badernoso que imobiliza o Senado, desde o princípio do ano legislativo, tem Renan Calheiros como artífice. O golpe em que está transformado o Conselho de Ética, com os seus poderes de presidência entregues ao suplente de suplente Paulo Duque, vale como síntese da ação de Calheiros.

O cinismo debochado com que Paulo Duque presidiu a sessão do conselho para seus primeiros pareceres sobre Sarney — “Querem que eu leia, querem? Hein? Não, é melhor publicar primeiro, aí vocês leem. Ah, querem que eu leia? Eu estou rouco”, e por aí foi, como um animador ordinário de auditório — é uma falta de decoro que, em Senado de razoável decência, resultaria na imediata destituição e posterior cassação de Paulo Duque. Mas estava tudo combinado e de impunidade garantida pela milícia.

Palavrão no exercício da senatória é falta de decoro grave. Justifica representação ao Conselho de Ética e, daí, perda do mandato. O xingamento feito por Renan Calheiros foi retirado da ata da sessão de quinta-feira.

O poder final de retirar e de mantê-lo, na transcrição em ata, é do presidente do Senado. José Sarney pode desfazer todas as acusações de que é alvo, mas nada o absolverá caso mantenha a retirada hipócrita e fraudulenta, e impeça a representação ao Conselho de Ética contra Renan Calheiros.

Essa atitude seria a negação de tudo o que disse na sua defesa, e em tantas ocasiões, sobre a grandeza que identifica no Senado e que afirma justificar sua presença ali e seus propósitos na presidência. Renan Calheiros conduz a defesa de José Sarney, mas o levou agora a um julgamento em que só o próprio José Sarney se absolverá ou se condenará.

Refeita a associação de quando se faziam notórios, agora Renan Calheiros como chefe, também Fernando Collor tem a que responder no Conselho Ética, pelas ameaças físicas dirigidas ao senador Pedro Simon apenas por citar seu nome, sem qualificação ou imputação alguma.

A arrogância desnorteada de Collor não depende dos seus esgares e mímicas mecânicas, é um estado. A tanta arrogância, tão vazia de fundos e tão cheia de agressividade, responde uma conhecida lembrança bíblica: “do pó vieste e ao pó voltarás”.

Jânio de Freitas – Folha de S. Paulo

Collor de Mello e o Retorno de Macbeth

O Retorno de Macbeth
Theófilo Silva ¹

É Lady Macbeth, que fala para o marido: “teu rosto meu barão, é um livro em que os homens podem ler estranhas coisas…”. O marido é Macbeth, personagem de Shakespeare, um barão medieval que três bruxas prognosticam com futuro rei da Escócia! Macbeth é picado pela serpente da ambição e junto com a esposa mata o gentil rei Duncan, toma posse do trono e torna-se um tirano destruindo a paz de seu reino e de seus súditos.

As Bruxas já tinham predito que ele, “viverá como um maldito” já que vendeu sua alma para elas. Macbeth não está satisfeito já que as bruxas disseram que ele não geraria herdeiros, daí sai destruindo tudo ao seu redor. Torna-se um perverso, um sujeito que: “as múltiplas vilanias da natureza enxameam nele”. Um de seus primeiros alvos é Banquo, que as bruxas apontaram como futuro pai de reis. Macbeth manda assassinar Banquo, mas seu filho, Fleance consegue escapar. A fuga de Fleance não permite que Macbeth descanse.Um dos assassinos já tinha dito: “sou um homem, meu suserano, a quem os golpes vis e os maus tratos do mundo exasperaram tanto que estou disposto a tudo para ofendê-lo”. Na realidade o assassino está retratando o espírito do tirano.

Seus desatinos continuam, e os filhos de Duncam começam a juntar forças para tirá-lo do trono. Para piorar, sua esposa enlouquece e comete suicídio. Com o controle da situação fugindo dele, pronuncia frases que nos inspiram pavor: “De tal modo estou mergulhado no sangue”. ”Saciai-me de horrores! A desolação, familiar a meus pensamentos de morte, já não produz em mim qualquer emoção…”.

Uma batalha se aproxima, os nobres partem para expulsá-lo do trono. Durante a luta, ele achando-se invencível por estar protegido por bruxarias, encara o velho guerreiro Siward, que ao ouvir o nome Macbeth, proclama: “nem o próprio demônio poderia pronunciar um nome mais odioso aos meus ouvidos”. Mas, Macbeth se declara um “homem ousado que tem coragem para olhar na cara o que poderia fazer para empalidecer o demônio”.

A líder das bruxas vendo que seu império do mal está desmoronando, prognostica mais uma vez: “ele desprezará o destino, desafiará a morte e terá esperanças acima da sabedoria, da piedade e do temor”. É uma tragédia de horrores, essa de Shakespeare: bruxaria, assassinato, suicídio, tirania, demônio e etc. É muita imaginação do Bardo inglês. Isso existe na vida real?

Eu pergunto a todos vocês, vistes os olhos de Collor de Mello — sentado em sua poltrona no senado — quando agredia o senador Pedro Simon? O sujeito bufava, não piscava os olhos, parecia drogado ou mesmo tomado por um espírito maligno. Algum tipo de droga o dominava. Comportava-se como um alucinado que perdeu sua alma. Igual a Macbeth quando retorna da caverna das três harpias. Lembremo-nos de seu governo e de toda a tragédia que aconteceu depois! Incluindo mesmo magia negra.

Pedro Simon confessou-se apavorado com aquele olhar. Um olhar que o Brasil conheceu e que tantos e abomináveis sofrimentos lhe trouxe. Um consolo nos resta. Quando Macbeth matou Duncan, uma voz do além disse para ele: “Nunca mais dormirás! Macbeth assassinou o sono”.

A cara de Collor de Mello é de quem nunca mais dormiu! Collor assassinou o sono! Isso nos conforta!

¹ Theófilo Silva é presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília

>> biografia de Shakespeare

Senado, Lula, Collor e “Já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”

O ex-presidente Fernando Collor, agora senador pelo PTB (AL), esteve ontem com o presidente Lula, um dia depois de protagonizar aquele espetáculo no Senado, quando voltou a encarnar a figura do homem “com aquilo roxo”, olhar viperino, dentes cerrados, respiração ofegante, como quem está prestes a dar um daqueles golpes definitivos do judô — ele é judoca, não? Isto mesmo: Collor de Mello, agora me lembro, havia nos prometido dar a o “ippon” na inflação e só deu Zélia Cardoso de Mello com aquela saia que Bernardo Cabral achava “deliciosa”.,, E outros espetáculos de vulgaridade, arrivismo, maus-bofes e falta de educação.

Collor, o valentão, olhava, prestes a explodir, com olhar ameaçador, um homem de 80 anos. A idade, por si, não dava razão a Pedro Simon — eu mesmo já discordei dele aqui muitas vezes. Velhos também dizem tolices. Mas Collor não tinha argumentos contra o senador gaúcho. Ele só tinha aquela fúria publicitária que o tornou tão notável. E foi recebido pelo presidente da República. Como se vê, não há disfarce na operação.

O que dizer. Acima, postei o vídeo de Animal Farm, primeiro desenho animado inglês, lançado em 1954, dirigido por Joy Batchelor e John Halas, baseado na obra homônima de George Orwell. No Brasil, o livro ganhou o título de A Revolução dos Bichos. Os portugueses já foram mais diretos: A Vitória dos Porcos. Ah, sim: Animal Farm foi uma das obras financiadas pela CIA, por meio de uma entidade chamada Congresso pela Liberdade Cultural. Bons tempos aqueles em que a CIA fazia algo mais do que trapalhadas e em que os EUA estavam preocupados em defender os valores ocidentais, hehe. Hoje em dia… Deixemos isso pra lá agora.

Todos conhecem mais ou menos a história de A Revolução dos Bichos, não? Homens tiranos, bêbados e indolentes maltratam os animais a valer na “Granja do Solar”, o que leva a bicharada à rebelião. Os porcos lideram a revolução e se tornam os, digamos assim, dirigentes da nova ordem. Feita a revolução, sete mandamentos orientam o novo regime:

1 – Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo;

2 – Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asa, é amigo;

3 – Nenhum animal usará roupas;

4 – Nenhuma animal dormirá em cama;

5 – Nenhum animal beberá álcool;

6 – Nenhum animal matará outro animal:

7 – Todos os animais são iguais.

Se, sob o comando dos homens maus, os bichos conheciam a, vá lá, ditadura, sob o comando dos porcos, conheceram a tirania. Evidentemente, era uma das distopias orwellianas (a outra é 1984) sobre o socialismo — ou aquilo em que ele havia se transformado. Vejam o desenho animado, de uma hora e onze minutos. Está inteiro no YouTube. E leiam o livro os que não leram. E sugiro que façam como fiz: usem-no para educar os filhos. Eles precisam aprender a repudiar a ditadura de homens e a tirania de porcos desde muito cedo. Adiante.

Por que me lembrei de Animal Farm? Porque, sei lá, decidi me desviar um tanto desse universo grotesco em que se enlaçam Lula, Collor e Sarney para me fixar na fábula. É preferível, nesse caso, ficar com a metáfora do que com a realidade malcheirosa.

Postei o desenho animado aqui, que tem um fim otimista. Os animais fazem uma segunda revolução e põem fim ao comunismo. Afinal, a CIA houve por bem alimentar a esperança de que o modelo, um dia, chegaria ao fim. No livro, Orwell é bem mais pessimista. Os porcos do poder vão ficando cada vez mais parecidos com os humanos, entendem?

Nas páginas finais, Napoleão, o porco chefe, faz um discurso em que celebra a paz com aqueles que, antes, eram seus inimigos. Neste trecho, ele está fazendo um de seus muitos discursos a uma pequena audiência de homens e porcos.

Também ele — disse — alegrava-se de que o período do desentendimento tivesse chegado ao fim. Por longo tempo houvera rumores — inventados, acreditava, e tinha motivos para isso, por algum inimigo mal-intencionado — de que havia algo de subversivo e mesmo de revolucionário nos pontos de vista seus e de seus companheiros. (…) Seu único desejo, agora como no passado, era viver em paz e gozar das relações normais com seus vizinhos. Aquela granja que ele tinha a honra de governar — acrescentou — era um empreendimento cooperativo.

Alguns bichos espiam da janela aquela convivência entre antigos adversários — mais ou menos o que poderíamos ter feito ontem, espiando Lula e Collor, hoje aliados (mais Sarney), a trocar amabilidades. Vamos às palavras finais de Animal Farm, o livro:

Não havia dúvida agora quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.

É isso aí.

Reinaldo Azevedo

Senador Pedro Simon diz que teve medo do olhar de Fenando Collor

“Elle” está de volta à ira insana. Não sei se “aquilo” está roxo.Fernando Collor Campanha em 1989Elle durante a campanha de 1989

Fernando Collor Olhar Furioso

Elle ontem no senado.
Mas o olhar está cor de sangue. Será por causa do mês de Agosto?

Simon diz que teve medo do olhar de Collor

Um dia depois de enfrentar a ira da dupla Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) confessou nesta terça-feira que teve medo do olhar transtornado do ex-presidente da República, que durante as quase duas horas de embate, ficou logo abaixo da tribuna olhando diretamente em sua direção, com o semblante muito crispado. Ele disse que em vários momentos lhe passou na memória a cena da tragédia que abalou Brasília na década de 60, quando o pai de Collor, o então senador Arnon de Mello, assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna.

Segundo os registros da época, o senador alagoano disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles, a 5 metros de distância. Errou todos, mas atingiu sem querer Kairala, suplente que estava em seu último dia de mandato. Apesar do flagrante, a imunidade de Arnon de Mello o livrou de qualquer punição.

– É incrível! Me veio a imagem do pai dele, que atirou e matou o senador Kairala. Foi assustador, saia fogo dos olhos do senador Fernando Collor ali logo embaixo de mim. E eu não falei nada de mais dele, quando vi ele entrou correndo, completamente transtornado ! – lembrou Simon.

Daqui a pouco o senador gaúcho vai á tribuna explicar que não tem nada com a empresa de microcrédito Pôr do Sol, que Renan Calheiros insinuou que ele teria algum negócio escuso.

– É uma empresa muito bacana de microcrédito. Vou mostrar que não tem nada a ver comigo – disse Simon.

Ele adiantou também que não adianta a cúpula do PMDB pressionar para ele deixar o partido.

– Eu sou o verdadeiro PMDB! Eu não vou renunciar. Eles que peçam minha cassação e assumam isso publicamente – disse.

O Globo – Maria Lima

Sarney ‘consegue’ na justiça censura ao jornal O Estado de São Paulo

Contra a censura. Sempre! Antes que Cháves!

Como bem disse o Senador Pedro Simon: “Getúlio saiu da vida pra entrar na história.Sarney sai da história pra cair na vida.”

O juiz deveria no mínimo, em consonância com o Código de Processo Civil — Art.135,I (suspeição de parcialidade do juiz) — , se declarar impedido para julgar a ação.

O tempora. O mores!

O editor

Senadores repudiam censura ao Estado no caso Sarney

Parlamentares avaliam que decisão agrava a situação do presidente do Senado sobre denúncias

BRASÍLIA – A decisão judicial que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney foi repudiada por senadores. Na avaliação dos parlamentares, o caminho adotado pela família Sarney de censurar o jornal só agrava a situação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mergulhado em denúncias de nepotismo, envolvimento em atos secretos e desvio de verbas da Petrobrás. “O homem da transição democrática agora comete um ato da ditadura. Ele perdeu seu último argumento. Isso é terrível. O presidente Sarney tem de renunciar”, disse Pedro Simon (PMDB-RS).

Veja também:

Justiça censura ‘Estado’ e proíbe informações sobre Sarney
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Entidades da área de imprensa denunciam ‘censura prévia’
Nas páginas do Estadão, a luta contra a censura
Censura não intimidou em 68 e jornal foi apreendido

Na sexta-feira, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, pôs o Estado sob censura. Em liminar, ele impede o jornal de publicar as conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, que mostram, entre outras coisas, Fernando Sarney discutindo com o pai a contratação do namorado da neta do senador por meio de ato secreto no Senado.

Para o petista Eduardo Suplicy (SP), a decisão da Justiça fere princípios constitucionais. “A Constituição assegura a liberdade de imprensa, sobretudo àqueles diálogos gravados com autorização judicial. É um direito da população ser informada pela imprensa sobre diálogos que ferem a ética”, disse.

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) considera “inadequado” o caminho encontrado pelo clã dos Sarney. A situação política do senador, segundo ele, se complica ainda mais com a censura imposta pela Justiça ao Estado. “Isso agrava a situação dele. Não vejo o Senado votando mais. Não vai mais funcionar”, afirmou. “Esse caminho pela Justiça é um retrocesso terrível e injustificável. O Estado já viveu essa situação em plena ditadura, mas hoje isso não pode acontecer, a não ser que o Sarney se considere um homem incomum, como diz o presidente Lula”, afirmou.

Juiz convive com Sarney

Desembargador Dácio Vieira Casamento da filha de Agaciel Maia

Desembargador Dácio Vieira; sua mulher Angela; a mulher de Agaciel, Sanzia; José Sarney; Agaciel Maia; e o senador Renan Calheiros no casamento da filha de Agaciel. (Foto: Reprodução)

Neste sábado, o Estado revelou que o desembargador Dácio Vieira é do convívio social do senador José Sarney e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia. O registro está numa foto do dia 10 de junho: Vieira, Sarney e Agaciel aparecem juntos no casamento da filha do ex-diretor . O desembargador trabalhou na Gráfica do Senado durante o período em que Agaciel foi diretor deste departamento. É também ex-consultor jurídico do Senado. “O fato (censura), por ser inexplicável, suscita essas dúvidas: por que o desembargador esteve no casamento da filha do Agaciel?”, indagou Jarbas.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também condenou o caminho adotado pela família Sarney para tentar abafar a onda de denúncias. “O que o presidente Sarney deveria fazer é dar suas razões e se defender. O que ele não deveria é tentar censurar o Estado e o restante da imprensa”, disse. “Isso vai prejudicá-lo ainda mais.”

Seu colega de partido Álvaro Dias (PR) avalia que o episódio deve intensificar ainda mais a pressão contra Sarney dentro do Senado. “Em vez de aplacar os ânimos, isso vai exacerbar mais a crise, já que o presidente Sarney lançou mão de um expediente autoritário”, afirmou. “Isso é deplorável. É um retrocesso imperdoável. São resquícios autoritários. Desta maneira, voltaremos aos tempos da publicação de versos de Camões”, disse, referindo-se ao período em que o Estado, sob censura da ditadura militar, publicava poemas de Camões ou uma receita no lugar das reportagens proibidas.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também faz a mesma referência. “Quando eu era deputado estadual, ia à banca esperar o Estado para ver receita de bolo e poemas. Não esperava que algo parecido fosse acontecer novamente. É uma coisa ridícula, sem sentido”, afirmou. “O Senado vive um caos.”

Decisão deve ser revista

Na opinião de Eduardo Suplicy, a Justiça deve rever a censura imposta ao jornal, não só por causa dos preceitos constitucionais, como também pela relação próxima entre o juiz que concedeu a liminar e o presidente José Sarney. “Avalio que isso deve ocorrer porque há essa relação próxima do juiz com a família do senador”, disse.

O líder do PMDB e aliado de Sarney, Renan Calheiros (PMDB-AL), não quis comentar a decisão judicial que colocou o Estado sob censura. O senador apenas reafirmou que o presidente do Senado não cogita renunciar ao cargo nos próximos dias. “O presidente Sarney está firme. Não interessa ao governo, nem ao partido, a sua saída. Isso só interessa à oposição”, disse.

Desafeto de Renan, Jarbas Vasconcelos disse que ficou impossível fazer qualquer previsão sobre o que vai acontecer no Senado nesta semana, quando os senadores retornam do recesso parlamentar. “É imprevisível. A gente pode ir para um impasse”, avaliou. Ele aposta, porém, que a situação de Sarney pode mudar internamente depois do recuo do presidente Lula de dar apoio público ao peemedebista. “Foi o presidente Lula quem salvou o Sarney até agora”, disse Jarbas.

Estadão – Leandro Colon

Frasário – Senador Pedro Simon

“Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas”.

Senador Pedro Simon