Em 2019, cerca de 170 mil brasileiros entraram para a linha da pobreza extrema.

O fenômeno já havia se iniciado antes, em 2015, mas tem se acelerado nos últimos anos.

O grupo que vive em pobreza extrema no Brasil é constituído de pessoas que ganham menos de 1,9 dólar por dia.

Mais de 170 mil novos integrantes entraram no grupo, em 2019, totalizando 13,8 milhões de pessoas, o equivalente a 6,7% da população do país, informa o DW.

O primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro foi pior para quem mais precisa de assistência: as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil, as condições de vida desse grupo foram drasticamente afetadas, ainda que muitos estejam recebendo o auxílio emergencial do governo federal no valor de R$ 600.

Desde a chamada crise de 2015, o Brasil veio se recuperando de cima para baixo: os ricos ampliaram a sua renda e diminuíram as suas “perdas”, enquanto os mais pobres se viram mais empobrecidos.

Já a classe média teve, em 2019, uma avanço médio de renda, de acordo com o PNAD, que não avalia os ganhos financeiros e não capta a evolução da renda do 1% mais rico da população – o que, provavelmente, revelaria uma desigualdade ainda mais brutal na sociedade brasileira.

O sociólogo Rogério Barbosa, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo (USP), analisa que estamos passando por um período de “recessão duradoura”: dúvida, entra para a conta do avanço da desigualdade social no Brasil a paralisia no programa Bolsa Família, que retraiu desde o início da gestão Bolsonaro.

O Bolsa Família, no ano passado, chegou a ter uma fila de mais de 1 milhão de famílias aptas a receber o benefício que não foram incluídas como beneficiárias pelo governo. No nordeste, a situação é ainda mais agravante, por concentrar 36,8% das famílias em pobreza ou pobreza extrema na fila de espera, informa o UOL. Para 2020, o quadro tampouco é animador, visto que o novo coronavírus está provocando uma desaceleração econômica no mundo todo.