Eleições 2014: A crise que não sai nos jornais

Mídia,Jornais,Televisão,Noticiários, Manipulação, Audiência,Blog do MesquitaComeçou a campanha eleitoral na televisão, considerada o recurso mais eficiente para a colheita de votos, e não se fala de outra coisa nos jornais.

Evidentemente, trata-se apenas de uma força de expressão, porque os diários seguem trazendo aquele mesmo cardápio variado de assuntos, determinado pela divisão das folhas em seções especializadas. O que muda é a abordagem dos mesmos temas: agora, mais do que nunca, o que sai, como sai e principalmente o que não sai na imprensa fica condicionado ao efeito que a notícia pode produzir nas urnas.

Nesta quarta-feira (19/8), o destaque do trivial variado é a prisão do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros e foragido desde janeiro de 2011. Também há registros sobre a crise hídrica que afeta principalmente a região metropolitana de São Paulo, além de outras variedades. Mas já se percebe que o noticiário político foi conectado ao que dizem os candidatos na propaganda eleitoral – e o noticiário econômico tende a seguir no mesmo tom.

Também aparecem nas primeiras páginas, como sempre, notícias de futebol, com a primeira convocação da seleção brasileira depois do vexame na Copa do Mundo. O novo técnico, Carlos Eduardo Bledorn Verri, conhecido como Dunga, tem a missão de tirar das cinzas aquele que já foi o melhor futebol do mundo, em duas partidas amistosas, contra as seleções do Equador e da Colômbia, nos Estados Unidos. A crônica especializada se empenha em um debate sobre os escolhidos, e observa que Dunga convocou dez dos atletas que falharam na Copa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Aparentemente, nada além do corriqueiro.

Sobre a campanha eleitoral, há relatos detalhados do que disse cada um dos candidatos na televisão, mas poucas análises sobre o que eles realmente podem fazer caso sejam eleitos. Assim, a mensagem imaginada pelos criadores da propaganda eleitoral acaba predominando sobre a realidade, que deveria orientar a escolha do eleitor. Ou seja: em última instância, quem define a pauta da imprensa nesta temporada de caça a eleitores são os marqueteiros de campanha.

Esgoto na torneira

Mais interessante, portanto, é observar o que não sai nos jornais.

Entre os assuntos que não serão lidos nos diários pode-se observar, por exemplo, que as notícias sobre a crise de abastecimento de água em São Paulo se limitam a uma disputa entre o governo paulista e o governo do Rio de Janeiro em torno do uso da bacia do rio Paraíba do Sul. Também há referência ao aumento do consumo e ao estranho silêncio do comitê anticrise liderado pelo Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo e pela Agência Nacional de Águas: criado em fevereiro para enfrentar o problema, o grupo de especialistas não se manifesta há 50 dias, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

O caso é mais complexo que isso. Não se sabe se os jornais estão informados, mas a diretoria da Fiesp – Federação da Indústria no Estado de São Paulo – mantém o assunto entre suas prioridades há pelo menos um mês, discutindo as consequências de um colapso previsto para acontecer na última semana de setembro.

Uma cientista com pós-doutorado em hidrologia tem produzido relatórios alarmantes sobre a situação, e algumas das possíveis soluções já não podem ser executadas porque não houve um planejamento adequado por parte do governo paulista.

Além dos transtornos que pode causar uma falta prolongada de água, numa metrópole desorganizada e com tantas comunidades sem infraestrutura de saneamento básico, tem preocupado os empresários a constatação de que parte da água entregue pela Sabesp está contaminada pelo esgoto em vários ramais da região metropolitana. Há o risco iminente de a falta de água ser agravada por uma crise de saúde pública de consequências desastrosas.

O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, não virá a público revelar tudo que tem sido discutido pelos empresários, porque pode parecer que estaria fazendo campanha para Paulo Skaf, o presidente licenciado da entidade, que é candidato a governador pelo PMDB. Além disso, teria que colocar em debate a responsabilidade das próprias indústrias no uso não sustentável dos recursos hídricos.

A imprensa ainda não se deu conta do problema, ou tem outras preocupações mais relevantes.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Procurado há quatro anos, médico Roger Abdelmassih é capturado no Paraguai

Ele foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres

Médico é suspeito de atacar as pacientes depois de sedá-las.
Foto Sérgio Neves

Foi preso na tarde desta terça-feira (19), às 13h25, o médico Roger Abdelmassih.

A prisão ocorreu perto da escola onde o médico ia deixar os filhos junto com a mulher Larissa, no Paraguai. Roger estava vivendo em Assunção, capital do Paraguai, com a mulher e dois filhos gêmeos, de três anos — um menino e uma menina.

Abdelmassih foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres. Ele teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Conhecido como o médico das estrelas, Abdelmassih era especialista em reprodução assistida. O faturamento estimado de sua clínica, na época em que foi denunciado, era de aproximadamente R$ 2 milhões por mês.

O médico é suspeito de atacar as pacientes depois de sedá-las. Cerca de 20 mil mulheres teriam passado pela clínica de Abdelmassih. Ele dizia ter ajudado a gerar 8.000 bebês.

O médico chegou a ser preso em 2009, mas foi liberado às vésperas do Natal, por conta de um habeas corpos concedido pelo então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Dois anos depois, em 2011, quando Abdelmassih tentou renovar o passaporte, um novo pedido de prisão foi decretado. Mas o médico nunca mais foi achado. Ele entrou para a lista dos procurados da Interpol.

Ministro Gilmar Mendes e o Habeas Corpus para o médico Roger Abdelmassih

De Elio Gaspari:

Pindorama tem dois tipos de presos. Aqueles que gramam a cana e os que ganham habeas corpus quando o doutor Gilmar Mendes responde pelo expediente do Supremo Tribunal Federal.

O médico Roger Abdelmassih foi preso no dia 17 de agosto e seus advogados conseguiram soltá-lo porque pediram um habeas corpus quando o tribunal estava em recesso e o pedido foi à mesa do doutor Gilmar.

O mesmo tribunal já negara um habeas corpus ao mesmo doutor, em decisão tomada pela ministra Ellen Gracie.

Abdelmassih não é um Daniel Dantas qualquer. Ele carrega no seu prontuário 56 acusações de estupro. O doutor garantia às clientes que em sua clínica não usava embriões de “qualquer neguinha de rua”.