Olimpíadas: Perguntas óbvias, respostas também óbvias

EMonica,Blog do Mesquita,Mídia,Perguntas idiotasstamos em um período dúbio do sentimento nacionalista, ainda mais quando o motor desse sentimento vem da nossa casa.

Bruno Henrique de Moura*
A cada quatro anos, os olhos da imprensa, e consecutivamente de quem a acompanha, se viram para uma cidade específica, a sede da edição X dos Jogos Olímpicos.

Neste ano, vivemos as Olimpíadas Rio 2016, ou seja, jogos no nosso Brasilzão. O mundo volta suas lentes, suas canetas e seus microfones para a cidade maravilhosa. Como esses objetos anteriormente citados não possuem vida própria, algum ser humano precisa colocar seu esforço e conhecimento para fazê-los funcionar. Para isso repórteres existem.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E o que se vê no Rio de Janeiro é uma enxurrada de profissionais sedentos por sonoras, aspas, falas e comentários, para suprir as horas de jornalismo e transmissão das competições que seus veículos estão promovendo, ou para dar algum ar de notícia nova nas linhas de seus textos impressos ou online.

Entre os canais que estão se destacando nessa cobertura, sem dúvida o SporTV possui um papel de destaque. 16 canais dedicados à transmissão das diversas modalidades, com mais de 36 narradores e 110 comentaristas de todas as modalidades que ocorrem nos Jogos Olímpicos, além de mais de uma centena de repórteres.

São 462 atletas brasileiros, além de diversos internacionais com muitas histórias a se contar e sentimentos para manifestar.

Mas ao que eu desejo me atentar foi a um episódio que ocorreu nos 50m livre da natação, mais especificamente após a final, envolvendo a repórter do SporTV Karen Duarte e o único representante do país na final, Bruno Fratus.

Uma entrevista que ninguém queria fazer

Para contextualizar a prova, Fratus, esperança do Comitê Olímpico Brasileiro e da imprensa de medalha teve um desempenho abaixo do esperado por todos, inclusive pelo próprio nadador. Questionado pela repórter se estava chateado com seu desempenho, o qual já tinha definido anteriormente como lento, bem ruim etc., ele respondeu: “Chateado? Estou felizão, fiquei em sexto. Desculpa, mas estou bastante triste, decepcionado. Estou bem abaixo do que consigo nadar.” Após alguns minutos da resposta dada ele voltou e pediu desculpa, dizendo que estava irritado e de cabeça quente: “Queria desculpas. Sou melhor falando no olho no olho e péssimo falando publicamente, de cabeça quente. Queria agradecer a quem torceu por mim hoje, deixei tudo na água e não saiu. Desculpa quem está em casa. Não consigo lidar bem com esse tipo de decepção.”

Quem trabalha com mídia, imprensa e jornalismo deve estar nesse momento pensando o corriqueiro: mas que absurdo, como pode um atleta olímpico tratar assim uma repórter? Precisa de preparo para dar entrevistas. Como é mal educado esse tal de Fratus etc.

Agora, vamos pensar com calma. Imagine você, atleta olímpico, com bons tempos no ano, nos mundiais, nas classificações, chegar na prova mais importante do ciclo de quatro anos, quem sabe, da sua vida, ir mal, completamente fora das suas expectativas, lento, desengonçado, falhar claramente por culpa sua e ainda ter de, na sequência do fato, dar uma maldita entrevista que será assistida por 200 mil pessoas? Para ajudar, a repórter, possivelmente completamente sem graça de realizar a entrevista, sabendo o que tinha ocorrido e vendo a cara de felicidade do atleta, ter de inventar três perguntas, pois essa é a média de questionamentos que os repórteres do SporTV estão fazendo aos atletas entrevistados pós-provas, sobre aquilo que tinha ocorrido, e ela pergunta se ele estava chateado, o que obviamente estava. Enfim, dois coitados tendo de participar de uma entrevista que ninguém queria fazer.

A importância e o valor do silêncio

Aí, eu paro e reflito: mas por que continuamos com este tipo de valorização do falar e da sonora logo após o fato? Não é de hoje e nem novidade que esta necessidade de se ouvir o atleta logo após o evento é trabalhada. Futebol, vôlei, atletismo, esgrima etc., trabalham com o mesmo modus operandi. E eu fico me perguntando: qual a necessidade de se perguntar o óbvio a alguém que vai responder o óbvio e que só está lá por que é obrigado? À mídia, falta sensibilidade.

Sensibilidade ao perceber que tem horas que o calar é melhor que o falar, que a sonora em certas ocasiões é desnecessária e só serve para ocupar espaço e dizer que se ouviu o atleta, e depois gerar comentários, não errados, de que o atleta alfa ou beta podia ser mais educado, gentil, ter mais controle e que a culpa não é da repórter. Não é mesmo, ela só está fazendo seu trabalho. A culpa é de quem manda ela fazer daquela forma o seu trabalho, com essa necessidade maluca de se ouvir o atleta após a competição, ou de levá-lo, após correr 90 minutos numa segunda-feira à noite para um estúdio improvisado, sem ao menos ter tomado banho, para participar de um programa de TV.

Eu sinto que esquecemos, nós, que cobrimos jornalismo esportivo, o que deveria ser nosso foco de cobertura, o evento, a competição. Sem o competidor não fazemos nada, e nosso trabalho se empobrece. Mas, sinceramente, de que adianta sonoras e sonoras, áudios e áudios que só servem para irritar o atleta e gerar comentários pobres, que todos nós já sabemos que acontecerão e que não acrescentam nada?

Muito tempo atrás, criticavam a Folha de S.Paulo por não mandar repórter para as coletivas de técnicos e jogadores, estas que há 300 anos são as mesmas e que eu consigo lhe dizer exatamente o que será perguntado e o que será respondido. Será que não está na hora de paramos para pensar e copiar a Folha?

Talvez pelo amor à imprensa e ao jornalismo, ou pela pressão do chefe, tenhamos esquecido a importância e o valor do silêncio.

***
Bruno Henrique de Moura é jornalista e estudante de Direito

Ellen DeGeneres é acusada de racismo por publicar brincadeira com Usain Bolt

A apresentadora, que publicou uma imagem do atleta correndo com ela nos ombros, afirmou que está muito longe de ser preconceituosa.

A apresentadora Ellen DeGeneres e o atleta Usain Bolt
A apresentadora Ellen DeGeneres e o atleta Usain Bolt
Foto GTRES/CORDON PRESS
A apresentadora Ellen DeGeneres foi alvo da ira de centenas de usuários de redes sociais que a acusaram de ser racista. A acusação foi causada por uma publicação da apresentadora em sua conta no Twitter.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Ellen colocou um meme do atleta jamaicano Usain Bolt com ela nos ombros. “Agora eu corro assim para pagar minhas contas”, escreveu a apresentadora na rede social, onde tem 61,5 milhōes de seguidores, abaixo da imagem.

Ver imagen en Twitter

A fotografia foi tirada na prova semifinal dos 100 metros, no domingo passado, quando o atleta foi retratado cruzando a linha de chegada de forma relaxada e sorridente, com uma vantagem evidente para os adversários.

DeGeneres usou a mesma foto, com uma montagem para colocar-se nos ombros do atleta.

A comediante respondeu rapidamente à críticas e negou qualquer intenção de racismo ou xenofobia.

“Sou muito consciente do racismo que existe em nosso país. E estou muito distante de ser assim”, escreveu, no Twitter, a rede social onde começou a polêmica. A maior parte das críticas concentraram-se no fato de que um homem negro estava carregando uma mulher branca.

Quem não se importou nem um pouco com o meme foi o próprio Usain Bolt que retwitou a imagem em sua conta, na qual tem 4,23 milhōes de seguidores.

Violência no Rio fura maior esquema de segurança da história

Especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante.

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Matéria publicada nesta quarta-feira (10) pelo jornal alemão Deutsche Welle conta que em apenas cinco dias houve ao menos duas mortes relacionadas a assaltos em áreas estratégicas para os Jogos Olímpicos no Rio: uma durante a cerimônia de abertura, próximo ao Maracanã, e outra na região portuária, perto do Boulevard Olímpico.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Além disso, uma bala perdida atingiu a sala de imprensa do Centro Olímpico de Hipismo, em Deodoro, o ministro da Educação de Portugal foi assaltado em Ipanema e um ônibus oficial da Rio 2016 foi alvo de tiros de baixo calibre quando passava pelo bairro de Curicica, no início da noite desta terça-feira (09/08).

Os incidentes mostram que nem mesmo o maior esquema de segurança da história do país é capaz de conter a violência urbana do Rio. Segundo o governo federal, são pelo menos 88 mil agentes empregados na operação – entre eles 41 mil soldados das Forças Armadas.

Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
“É inevitável, esses casos vão acontecer e haverá muito mais até o final da competição. Não há como as forças de segurança impedirem isso, o alcance do policiamento é limitado”, afirma o consultor José Vicente, ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança.

De acordo com a reportagem do Welle, especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante, mas deve ficar abaixo do considerado normal para a cidade. “A presença maciça das Forças Armadas e de policiais deve diminuir as ocorrências, mas não impede que delitos ocorram nas áreas mais vigiadas”, afirma o antropólogo e analista de segurança pública Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope).

Falhas nos preparativos

Os especialistas consideram que o registro de crimes não significa necessariamente uma falha no esquema de segurança e está relacionado sobretudo com problemas estruturais. “Da forma como a violência está no estado do Rio, não adianta colocar mais e mais policiais na rua. Faltou prevenção”, diz o professor de sociologia Dorian Borges, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, os indicadores de violência dispararam no estado. Em junho, os roubos a pedestres subiram mais de 80% em relação ao mesmo mês de 2015. No período, os homicídios dolosos (com intenção de matar) aumentaram cerca de 38%, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). “O Rio passa por um momento crítico, os índices de violência cresceram às vésperas dos Jogos Olímpicos, quando deveriam estar caindo”, afirma Vicente.

Para Storani, o Rio viveu o seu melhor momento em termos de indicadores de violência, principalmente em redução de homicídios e latrocínios, há três anos. “Houve falha nos preparativos para os Jogos Olímpicos, já que isso deveria ter sido continuado”, diz.

Falta de investimentos

Os especialistas criticam a falta de investimentos no setor e a escassez de efetivo policial. Em junho, o Rio decretou estado de calamidade pública e deixou de pagar o salário de servidores, incluindo policiais.

Para Storani, houve também um esgotamento do modelo das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), que teria se expandido para além das possibilidades do Estado. “Não era sustentável. Todo efetivo que era formado era destinado para as UPPs, e os batalhões que cuidam da área urbana ficaram sem efetivo para o policiamento ostensivo”, diz.

Ele critica também a falta de investimentos sociais nas áreas ocupadas pela polícia. “Teve um resultado positivo no primeiro momento, mas depois deixou de surtir efeito, porque os criminosos retornaram e começaram a promover ataques aos policiais que permaneceram.”

Coordenação e treinamento

Na opinião de Vicente, a organização de longo prazo da segurança dos Jogos deixou muito a desejar. Ele lembra que o Rio recebeu uma série de grandes eventos internacionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Mundiais Militares, a Rio+20, a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, e as autoridades poderiam ter aproveitado essas oportunidades para treinar policiais e integrar os órgãos de segurança.

“Um ano antes de um evento como esse, todos os protocolos e agências da polícia civil, militar e federal deveriam estar coordenados. Precisava ter um banco de dados único, um sistema de inteligência compartilhado com as Forças Armadas”, afirma. “Um mês antes, eles ainda não conversavam entre si. O planejamento final da segurança foi feito em junho”, diz.

Vicente defende que o país deveria ter investido em inteligência e em sistemas de segurança, como softwares de controle e monitoramento do crime e do trabalho policial. “Nada disso aconteceu. E, nos últimos três anos, fizemos uma formação ruim e atropelada de policiais”, afirma.

Borges acrescenta que seria necessário implementar políticas preventivas, de desarmamento e de policiamento estratégico. “Não adianta só ter uma presença ostensiva, o policiamento tem que ser orientado por informações e ser eficiente. A atuação tem sido só repressiva.”

NYT’ destaca ameaça de terrorismo na Rio 2016

Reportagem também fala da criminalidade em ascensão na cidade The New York Times afirma que homens presos no Brasil por suposta combinação de ameça terrorista tem perfis semelhantes aos que cometeram massacres em Nice e Munique

O jornal norte-americano The New York Times traz na edição desta quinta-feira (4) uma matéria sobre a Olimpíada Rio 2016, que começa nesta sexta (5).

O editorial analisa que os líderes locais e a sociedade brasileira estão mal preparados para uma ameaça de ataque terrorista como aqueles em Munique, em 1972, e Atlanta, em 1996.

Eles não têm experiência com o problema e não têm recursos humanos e financeiros suficientes. Além disso, a estrutura da segurança pública no país é fraca.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A cooperação internacional está ajudando, mas o Brasil deve enfrentar o desafio e melhorar as suas instituições no futuro.

O texto do New York Times lembra que no dia 21 de julho a Polícia Federal prendeu 12 suspeitos sob a acusação de tentativa de estabelecer conexões com o Estado islâmico. As prisões foram realizadas sob uma nova lei antiterrorismo que entrou em vigor este ano. Os suspeitos, que se chamavam “Defensores da Shariah”, têm sido ridicularizados na mídia social por falta de armas militares ou de formação, e por nem sequer saber um do outro, além da utilização de serviços de mensagens móveis como WhatsApp e Telegram. Mas homens com perfis semelhantes cometeram massacres em Nice e Munique.

> > The New York Times No Game: The Olympics, Rio and Terror

The New York Times afirma que homens presos no Brasil por suposta combinação de ameça terrorista tem perfis semelhantes aos que cometeram massacres em Nice e Munique

Há uma razão histórica que torna difícil até mesmo discutir a questão do terrorismo no Brasil. Entre os anos 1964 e 1985 a ditadura usou a palavra “terroristas” para classificar grupos pacíficos que se opunham a ele. Desde então, sob o regime democrático, a liderança política tem evitado usar esta palavra.

Os grupos fundamentalistas, como a Al Qaeda ou o Estado islâmico, estão longe de ser a realidade dos brasileiros, que há mais de um século convivem com uma grande comunidade árabe – de sete a dez milhões, incluindo o presidente interino, Michel Temer, um filho de imigrantes libaneses – próspera e bem integrada, comenta o The New York Times.

Os brasileiros estão lidando não só com a inexperiência das autoridades com o terrorismo, mas também com a falta de recursos de segurança. O Rio de Janeiro está passando por um colapso financeiro; bombeiros, médicos, policiais e professores ficam sem receber seus salários. Às vezes, não há dinheiro para suprimentos básicos, como a gasolina para carros da polícia.

O New York Times acrescenta que a atual crise política, incluindo o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, e a pior recessão econômica em 25 anos fez com que um maioria da população se colocasse contra ou indiferente aos Jogos Olímpicos – apenas 40 por cento dos brasileiros acreditam que tal evento seja bom para o país.

O governo está focado no risco de lobos solitários, inspirado por grupos fundamentalistas, que pode se direcionar a delegações estrangeiras. Apesar da forte cooperação internacional, a polícia brasileira e os serviços de inteligência não têm agentes e especialistas com experiência sobre o modus operandi do Estado Islâmico, diz o The New York Times.

Há também uma preocupação com a taxa de homicídios em ascensão no Rio de Janeiro. O governo informou 2.100 assassinatos de janeiro a maio deste ano, um aumento de 13 por cento sobre o mesmo período em 2015. A cidade é dominada pelo crime, com a circulação descontrolada de armas automáticas e policiais despreparados.

A Força Nacional, que é encarregado de proteger instalações desportivas durante os Jogos Olímpicos, está sendo coagida pelos grupos paramilitares em áreas pobres, restringindo os movimentos dos oficiais e estabelecendo regras para o seu comportamento – por exemplo, proibindo-os de ir a bares nestes comunidades.

Para a maioria dos brasileiros, crime todos os dias é uma ameaça muito mais iminente do que o terrorismo. Mas isso não faz a ameaça do terrorismo menos perigoso ou real, finaliza o The New York Times.
JB

Olimpíado Rio 2016: O paradoxo da “verdade”

O Rio, com a proximidade da Olimpíada, está com todos os dispositivos de segurança e as maiores autoridades no âmbito da segurança pública a postos.

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A mídia informa e divulga como está sendo esta segurança. Com riqueza de detalhes e infográficos sofisticados, mostra como as forças oficiais combaterão possíveis ataques terroristas, se de fato estivermos sob ameaça.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas toda esta visibilidade levanta questionamentos: se até a cerimônia de abertura dos Jogos é cercada de sigilo absoluto, como a estrutura de segurança pode ser tão amplamente divulgada?

Temos a certeza de que o governo está dando toda esta visibilidade porque o verdadeiro esquema não deve ser este.

Do contrário, até aqueles que estariam planejando ataques estariam bem informados.

Enquanto isso, Natal, no Rio Grande do Norte, parece não fazer parte deste país.

Lá, muito bem LÁ, sem ser depreciativo, é um estado lamentavelmente longe das maiores sofisticações, e o crime está dando as ordens.

Imaginemos o que poderá acontecer se não for mais LÁ o que está acontecendo.

Por dentro da estratégia do Estado Islâmico em redes sociais no Brasil

Uma adolescente brasileira pede dicas pelo Twitter para participar de um grupo ligado ao autodenominado “Estado Islâmico” (EI) no aplicativo de mensagens Telegram. A resposta chega horas depois, publicada em português por um perfil anônimo que escreve em árabe, turco e inglês: “Clique neste link e entre em nosso canal”.

Perfil ligado ao EI no Twitter publica hashtags em português e chama atenção por uma enorme fotomontagem que mostra o Congresso Nacional, em Brasília, em chamas
Perfil ligado ao EI no Twitter publica hashtags em português e chama atenção por uma enorme fotomontagem que mostra o Congresso Nacional, em Brasília, em chamas – Image copyrightTWITTER

Assim, com poucos cliques, a jovem e uma rede invisível de brasileiros têm seu primeiro contato com grupos de propaganda extremista recém-criados em língua portuguesa. Nestes ambientes, encontram fotos, vídeos e textos religiosos publicados a cada 3h ou 4h – imagens de cadáveres e decapitações são frequentes, intercaladas a homenagens a “mártires” mortos em combate e a detalhes sobre territórios conquistados pelo grupo no Oriente Médio.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Aplicação de punição das chibatadas a um adúltero solteiro no acampamento de Yarmouk”, diz uma das postagens de um dos grupos do EI no Telegram, vista por 123 seguidores. O texto é seguido por um vídeo impublicável e fotos em alta resolução do rosto do homem espancado.

Outras publicações registram detalhes da guerra pelo controle de territórios na Síria e no Iraque – tudo em português. “Pela graça de Allah, os Soldados do Califado conseguiram destruir dois veículos BMP e danificar um veículo Hummer, além de queimar dois quartéis das aglomerações do exército da milícia Rafidi, matando todos que estavam lá dentro.”

Membros do EI divulgam vídeos, fotos e notícias em tempo real em grupos online em portuguêsMembros do EI divulgam vídeos, fotos e notícias em tempo real em grupos online em português – Image copyrightTELEGRAM

Além dos grupos de propaganda, onde apenas os administradores podem fazer postagens, o Telegram também hospeda “salas de bate-papo” gerenciadas por membros do EI. É nestas últimas que articulações práticas sobre ataques seriam realizadas, segundo agências internacionais de inteligência que monitoram riscos de atos terroristas no Brasil.

Na última quinta-feira, dez brasileiros supostamente simpatizantes do extremismo foram presos pela Polícia Federal, sob suspeita de planejar ataques na Olimpíada do Rio de Janeiro. Segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, os detidos estavam distribuídos em 10 Estados e não se conheciam pessoalmente. Assim como os perfis mapeados pela reportagem, eles se comunicavam por redes sociais – e alguns teriam feito um juramento de lealdade ao EI.

“Aparentemente, era uma célula absolutamente amadora, sem nenhum preparo”, disse o ministro em entrevista coletiva no fim da manhã de quinta-feira. De acordo com ele, a probabilidade de um ataque na Olimpíada é “mínima”.

Essa investigação identificou apenas brasileiros envolvidos em supostas atividades preparatórias para ataques durante os Jogos. No Twitter e no Telegram, entretanto, a maioria dos conteúdos extremistas voltados ao Brasil é publicada por estrangeiros, que alimentam uma máquina de “notícias positivas” sobre o Estado Islâmico, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Do Twitter para o Telegram

Imagens de confrontos divulgadas em alta resolução em grupo do EI em português no Telegram
Imagens de confrontos divulgadas em alta resolução em grupo do EI em português no Telegram – Image copyrightTELEGRAM

Entre todas as redes sociais pesquisadas pela reportagem – Facebook, Twitter, Instagram e Telegram -, a principal porta de entrada de brasileiros a páginas que exaltam o grupo extremista é o Twitter. Dezenas de perfis efêmeros, sem fotos, excluídos e recriados diariamente, exaltam atividades do Estado Islâmico e publicam links para notícias e informações recentes ligadas ao grupo.

A forte estratégia midiática dos vídeos violentos divulgados internacionalmente pelo EI – muitos feitos com equipamento de última geração e efeitos especiais – também é notada, em menor escala, na atividade voltada ao público brasileiro. Um dos perfis no Twitter, que se baseia na Síria e publica seguidamente hashtags em português ligadas ao grupo, chama atenção por uma enorme fotomontagem que mostra o Congresso Nacional, em Brasília, em chamas.

Para especialistas consultados pela BBC Brasil, o objetivo principal destes articuladores é popularizar o grupo entre pessoas que vivem longe do Oriente Médio e estimular os chamados lone wolves (em inglês, lobos solitários, ou pessoas que simpatizam com ideias do grupo, mas não fazem parte de sua estrutura formal) a entrarem em ação isoladamente em seus países.

Um importante artigo publicado em março do ano passado ressalta a percepção sobre a importância do Twitter para os jihadistas. Em The ISIS Twitter Census(Censo do Estado Islâmico no Twitter, em tradução livre), pesquisadores do Brooking Institute mapearam 46 mil contas ligadas ao EI na rede social em 2014.

Segundo os autores, três em cada quatro dos perfis usam o árabe como idioma principal; um em cada cinco preferem o inglês. A grande maioria das contas mapeadas pelo estudo estava hospedada no Iraque, na Síria e na Arábia Saudita. Houve poucos registros no Ocidente – três contas na França, uma no Reino Unido, uma na Bélgica e, um detalhe que passou despercebido na época, duas no Brasil.

“O uso da rede social visa espalhar propaganda e recados para todo o mundo, além de pescar pessoas vulneráveis ao radicalismo”, diz o artigo, que destaca ser difícil identificar provas concretas de recrutamento pelo microblog.

“O recrutamento não é evidente no Twitter. Ele acontece em ferramentas como Kik, WhatsApp e Skype, que são usadas de ‘um para um’. O que eles fazem publicamente no Twitter é pescar interessados.”

No Brasil, segundo o governo e consultorias internacionais de inteligência, o Telegram se tornou um dos principais espaços para estas conversas “um a um”. Mas quem são os brasileiros que embarcam nestes bate-papos?

Vulnerabilidade e aceitação

Uso do Telegram se divide entre grupos de propaganda, onde apenas os administradores podem fazer postagens, e
Uso do Telegram se divide entre grupos de propaganda, onde apenas os administradores podem fazer postagens, e “salas de bate-papo”, onde articulações práticas sobre ataques seriam realizadas – Image copyrightTELEGRAM

Os principais alvos de recrutadores de organizações extremistas costumam ser jovens e membros de setores mais vulneráveis da sociedade, explica o especialista Vladimir de Paula Brito, agente da Polícia Federal e pesquisador dothink tank Inasis (sigla em inglês para Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência).

Segundo ele, os aliciados normalmente se sentem excluídos socialmente e, ao se juntar a grupos extremistas, mesmo que apenas virtualmente, se sentem valorizados em sua nova microcomunidade. “Eles (aliciados) são atraídos pela possibilidade de ser alguém naquele conjunto (comunidade formada por apoiadores dos extremistas). Até o termo ‘lobo solitário’ soa como enaltecedor. Eles buscam notoriedade, atenção”, afirmou.

O pesquisador afirmou ainda que a abordagem a novos adeptos é mais eficaz em países europeus, onde o fator religioso está frequentemente relacionado a situações de exclusão social de imigrantes. No Brasil, onde a radicalização religiosa e o ressentimento relacionado à imigração ocorrem de maneira distinta, o recrutamento seria mais difícil. “Mas aqui os recrutadores podem canalizar outros discursos, como o da exclusão social”.

À BBC Brasil, Brito elogiou ação das autoridades na prisão dos suspeitos na quinta-feira, mas ressaltou que o fato de aliciados e aliciadores não precisarem mais se encontrar pessoalmente diminui a possibilidade de que sejam identificados e presos.

Segundo o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, o grupo detido pela Polícia Federal era composto por homens entre 20 e 40 anos. Embora nascidos no Brasil, todos os detidos usavam apelidos inspirados em nomes árabes. As autoridades, entretanto, não forneceram detalhes sobre o perfil e as motivações dos suspeitos.

‘Ameaça vem de fora’

Exemplos de postagens em português em grupo ligado ao EI
Exemplos de postagens em português em grupo ligado ao EI
Image copyrightTELEGRAM

Para o português Vasco da Cruz Amador, consultor de inteligência e segurança e CEO da agência Global Risk Awareness, de Londres, os principais riscos aos Jogos Olímpicos no Brasil “não vêm de dentro”.

“A principal ameaça que notamos acompanhando mais de cem grupos e páginas ligadas ao EI no Telegram é externa, não interna”, disse Amador à reportagem. “A maior parte dos chamados para lobos solitários que interceptamos apela para estrangeiros, e não para brasileiros”, diz.

Dados divulgados por agências como a Global Risk Awareness ou a SITE Intelligence Group, dos Estados Unidos, mostram que o EI estaria usando as salas de bate-papo do Telegram para convocar atos efetivos durante a Olimpíada.

Uma das principais inovações seria o estímulo para que lobos solitários utilizem drones com explosivos ou objetos pontiagudos. Entre os alvos principais estariam delegações de Israel, Estados Unidos, França e Inglaterra.

Além de oferecerem dicas para obtenção de vistos e passaportes, os extremistas forneceriam instruções para a obtenção de armamento no Brasil – na tríplice fronteira, no sul do país, ou em favelas cariocas. Lobos solitários estrangeiros, segundo as agências, estariam sendo convocados a usar recursos como sequestro, envenenamento e acidentes de trânsito durante os Jogos.

“As prisões no Brasil por suposta ligação com planos de terror do Estado Islâmico provam o amplo alcance do terror atualmente. Nenhum país onde exista internet está imune”, avaliou Rita Katz, diretora do SITE Inteligence Group, em sua conta no Twitter.
Ricardo Senra e Luis Kawaguti/BBC Brasil

Como o estado do Rio de Janeiro chegou à falência?

Diversos fatores explicam decreto de calamidade pública, como gastos com Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, má gestão de recursos públicos e queda na arrecadação de royalties de petróleo. Medida pode ter efeito cascata.

O estádio do Maracanã será um dos palcos da Rio 2016O estádio do Maracanã será um dos palcos da Rio 2016

Uma série de fatores fez com que o governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, decretasse na sexta-feira passada (17/06), faltando 49 dias para o início dos Jogos Olímpicos, estado de calamidade pública por causa da alta dívida do estado. Para especialistas ouvido pela DW, a medida poderá ter “efeito cascata”, já que outros estados também enfrentam sérias dificuldades financeiras.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os motivos para a falência do Rio de Janeiro não são poucos. Entre eles estão a queda no preço do barril de petróleo e consequentemente na arrecadação de royalties pelo estado, a crise do setor petrolífero brasileiro devido ao escândalo de corrupção da Petrobras, a diminuição na arrecadação de ICMS, também devido à crise econômica, os gastos com a organização dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo e, ainda, falhas na administração das contas públicas.

“Os investimentos do Rio de Janeiro tanto para os Jogos quanto para a Copa do Mundo, além da má gestão, foram decisivos para acelerar esse cenário. Caso contrário, o desfecho ocorreria um pouco mais adiante”, afirma José Matias-Pereira, especialista em administração pública da UnB. “Esse decreto teve o objetivo de transferir a ‘batata quente’ para o governo federal, na medida que o estado se mostrou incapaz de resolver seu problema fiscal.”

Um dos motivos apontados pelo governo para optar pela medida é que a crise impede o estado de honrar os compromissos com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. De acordo com a Empresa Olímpica Municipal, o estado do Rio está investindo cerca de 10 bilhões de reais, dos quais 8,6 bilhões são recursos estaduais e 1,4 bilhão, privados.

Entre os projetos estão a ampliação da linha 4 do metrô – que corre o risco de não ser concluída para os Jogos caso o governo não receba dinheiro federal –, a revitalização de estações do sistema ferroviário e, ainda, a despoluição da Baía de Guanabara, que não vai sair totalmente do papel até o início do megaevento.

Já na Copa, somente a reforma do Maracanã custou cerca de 1,2 bilhão aos cofres públicos estaduais. Com o estado de calamidade, o estado deverá receber 2,9 bilhões de reais do governo federal para concluir a linha 4 do metrô e pagar horas extras de policiais civis e, ainda, os salários dos servidores até os Jogos.

Déficit de 19 bilhões de reais

Mascotes das Olimpíadas Entre os motivos para a falência do Rio estão a queda do preço do petróleo e gastos com os Jogos e Copa. Na foto, os mascotes das Olimpíadas

O Rio de Janeiro, como grande parte dos outros estados, enfrenta graves problemas financeiros.

No mesmo dia em que o governador em exercício anunciou a medida, o secretário estadual da Fazenda, Júlio Bueno, disse que a previsão de déficit no orçamento em 2016 é de 19 bilhões de reais – na opinião de especialistas, porém, o rombo deverá ser ainda maior.

Dados da Secretaria Estadual da Fazenda mostram que o estado sofreu uma queda real na arrecadação de ICMS devido à crise econômica que afeta o país. A receita total desse tributo, em 2015, foi de 31,2 bilhões de reais, com queda real de 9,4% ante o total de 2014.

O estado sofre ainda com a desvalorização do valor do barril de petróleo – que custava na faixa de 105 dólares em julho de 2013 e, atualmente, vale cerca de 50 dólares –, já que o valor dos royalties depende do preço do barril. Assim, o estado arrecadará, em 2016, 3,6 bilhões de reais – em comparação, no ano anterior foram 5,5 bilhões de reais, segundo dados da Secretaria da Fazenda.

Quando o valor do barril de petróleo estava em alta, o estado ampliou seus gastos. As despesas do Rio de Janeiro com o pagamento de servidores ativos, inativos e pensionistas do Poder Executivo explodiu nos últimos anos. Segundo dados da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, em 2010 foram gastos 17,2 bilhões de reais. Já em 2016, o valor será de 37 bilhões de reais – quase o dobro.

Com a crise, os cerca de 390 mil servidores ativos, inativos e pensionistas voltaram a ter seus salários de maio atrasados. Somente os cerca de 85 mil funcionários ativos da Educação receberam integralmente no dia 14, o décimo dia útil do mês. O estado não consegue também manter serviços básicos para a população, como saúde.

O prefeito da cidade, Eduardo Paes, afirmou no domingo que a crise estadual não tem relação com a realização do megaevento na cidade. “A crise do estado não tem nada a ver com a Olimpíada. Afeta em zero os Jogos. O que afeta é a prestação de serviços. Estamos num momento muito crítico. Então tem, sim, que ter ajuda do governo federal para o estado do Rio. É uma necessidade”, frisou.

Jogos Olímpicos na Barra da Tijuca, no Rio de JaneiroPara prefeito do Rio, crise estadual não tem relação com a realização dos Jogos na cidade

“Efeito em cadeia”

O governo federal teme que a decisão do Rio comprometa as negociações das dívidas de outros estados. Em reunião nesta segunda-feira em Brasília, governantes de 18 estados pediram carência de 24 meses e alongamento de 20 anos no pagamento da dívida com a União.

“Há o perigo de que outros estados também decretem estado de calamidade e causem, assim, um efeito em cadeia”, afirma Matias-Pereira. “O Distrito Federal e outros estados, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, estão vivendo situações muito parecidas. Agora, o Rio de Janeiro vai abrir a porteira e, como diz o ditado, onde passa um boi passa uma boiada.”

O decreto publicado no Diário Oficial do Estado não deixa claro quais são as implicações da medida. Mas atos do tipo em caso de desastres permitem a concessão de novos socorros e empréstimos ao estado, além de financiamentos de órgãos federais. Além disso, recursos previstos para determinadas áreas poderão ser remanejados para outras, e o estado poderá contratar empresas sem licitação.

Em entrevista para um jornal carioca, o governador em exercício afirmou que o estado está reduzindo o custeio da máquina pública em 30%, revisando os cem maiores contratos firmados com o estado, enxugando secretarias e racionalizando serviços, como na área da saúde. Ele afirmou ainda que o dinheiro federal será usado para investir em metrô e segurança e não para pagar servidores. Segundo ele, os Jogos Olímpicos serão um sucesso, mesmo que o governo federal não repasse recursos para o estado.

Olimpíadas: Austrália exige reforço de segurança para Rio 2016

Após atleta australiana ser assaltada na cidade, país envia carta com exigências ao prefeito Eduardo Paes e diz que estuda levar segurança privada para os Jogos e impôr toque de recolher a seus esportistas.

Kitty Chiller anuncia envio de carta a Paes e comitê organizador pedindo mais segurançaKitty Chiller anuncia envio de carta a Paes e comitê organizador pedindo mais segurança

Após uma atleta paralímpica da Austrália ter sido assaltada no Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Australiano exigiu nesta terça-feira (21/06) que a cidade reforce imediatamente a segurança antes que algo mais grave aconteça.

“Exigimos que o número das forças de segurança seja revisto e que elas sejam destacadas antecipadamente, especialmente perto das instalações de treinos e competições”, disse a chefe de missão da equipe olímpica australiana, Kitty Chiller.

Os pedidos foram enviados em uma carta para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e para o comitê organizador da Rio 2016.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A velejadora paralímpica australiana Liesl Tesch e a fisioterapeuta Sarah Ross foram assaltadas no domingo no Aterro do Flamengo, uma zona turística do Rio e local de treinamento de vários atletas. As duas foram abordadas por dois homens armados, que levaram suas bicicletas.

Em entrevista a uma emissora de televisão australiana, Tesch disse que o assaltante apontou a arma em sua direção e a empurrou. A atleta chegou a cair no chão. “Foi absolutamente horrível. Nós estamos abaladas, mas fisicamente bem”, relatou.

“Não foi um incidente isolado. Chegou o momento de tomar medidas para garantir a segurança a todos os membros de nossas equipes que forem ao Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos”, ressaltou Chiller.

Além de Tesch, o velejador espanhol Fernando Echavarri foi assaltado na cidade por homens armados no mês passado e, no início de junho, a atleta de tiro brasileira Anna Paula Desborusses foi baleada na cabeça ao tentar fugir de um assalto.

Medidas extras

Após o incidente, o Comitê Olímpico Australiano decidiu ainda contratar empresas de segurança privadas e está cogitando ampliar a proibição imposta a atletas de visitar favelas para outras áreas da cidade e impor um toque de recolher.

Chiller disse que os atletas foram orientados sobre como agir em casos de assalto. Entre as recomendações, está entregar os pertences e não reagir.

“Se estamos levando 750 pessoas no nosso time, queremos que as 750 pessoas voltem a salvo e em segurança”, reforçou Chiller.

Os organizadores dos Jogos Olímpico no Rio de Janeiro planejaram 85 mil policiais para patrulhar a cidade, o dobro do número usado em Londres no evento de 2012.

Terrorismo no Brasil – Grupo do EI em português preocupa autoridades brasileiras

Segundo Abin, troca de mensagens em aplicativo já serviu para divulgar discurso traduzido de porta-voz dos extremistas. A menos de dois meses dos Jogos Olímpicos no Rio, “lobos solitários” são vistos como ameaça.

Silhueta de soldado com fuzil no Iraque

A criação de um grupo em português do “Estado Islâmico” (EI) no aplicativo de mensagens instantâneas Telegram elevou a preocupação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre um risco de atentado terrorista no país, que sediará os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em agosto.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Abin confirmou nesta quinta-feira (16/06) a existência do grupo chamado “Nashir Português”, em referência à agência de notícias dos jihadistas, a “Nashir News Agency”.

“Essa nova frente de difusão de informações voltadas à doutrinação extremista, direcionada ao público de língua portuguesa, amplia a complexidade do trabalho de enfrentamento ao terrorismo e representa facilidade adicional à radicalização de cidadãos brasileiros”, alertou a Abin em nota.

Ataques feitos por “lobos solitários”, simpatizantes que agiriam de forma individual, como o atirador de Orlando, são uma das principais preocupações da Abin.

De acordo com a agência de monitoramento de terrorismo SITE Intelligence Group, o grupo em português no app Telegram foi criado no último dia 29 de maio.

Em trocas de mensagens, outros grupos anunciaram a busca de simpatizantes para traduzir o conteúdo dos materiais de propaganda do EI.

Uma das primeiras mensagens publicadas é um discurso recente de 14 páginas do porta-voz do grupo terrorista, Abu Muhammad al-Adnani.

“Organizações terroristas têm empregado ferramentas modernas de comunicação para ampliar o alcance de suas mensagens de radicalização direcionadas, em especial, ao público jovem”, disse a Abin.

Ameaças

Em abril, a agência já havia alertado que o Brasil poderia sofrer ameaças terroristas durante os Jogos Olímpicos. Um mês depois, um homem que teria recebido treinamento militar na Síria foi preso em Chapecó, em Santa Catarina, suspeito de planejar um atentado.

Em novembro do ano passado, um combatente francês do EI publicou no Twitter que o Brasil seria o próximo alvo dos jihadistas, na sequência dos atentados em Paris e Bruxelas.

Nas Olimpíadas do Rio, o Brasil irá receber 10.500 atletas de 206 países de 5 a 21 de agosto.

Entre as dez delegações classificadas pela Abin como potenciais alvos de ataques estão as dos Estados Unidos e Canadá.