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Internet na Rússia: país planeja se ‘desligar’ da rede mundial para fazer testes de segurança

Putin,Crimes Cibernéticos,Rússia,Internet,TecnologiaTeste deverá ocorrer antes de 1º de abril, mas uma data exata não foi definida

A Rússia está considerando desconectar-se brevemente da internet global como parte de um teste de suas defesas cibernéticas.

Isso significará que os dados enviados por cidadãos e organizações russas circularão apenas dentro do país, em vez de serem roteados internacionalmente.

Um projeto de lei que estabelece as mudanças técnicas necessárias para que a internet russa seja operada de forma independente foi apresentado ao Parlamento no ano passado.

O teste deverá ocorrer antes de 1º de abril, mas uma data exata não foi definida.

Grande perturbação

O projeto de lei, chamado Programa Nacional da Economia Digital, requer que os provedores russos adquiram capacidade para operar no caso de potências estrangeiras tomarem medidas para isolar o país do mundo online.

A Otan (aliança militar de países de 29 países da Europa e América do Norte) e seus aliados ameaçaram punir a Rússia por ataques cibernéticos e outras ações online pelos quais o país é regularmente acusado.

As medidas descritas na lei incluem uma versão própria da Rússia do sistema de endereços da rede, conhecido como DNS, para que possa operar caso as conexões com servidores internacionais sejam cortadas.

Atualmente, 12 organizações supervisionam os servidores que servem de base para o DNS e nenhuma delas está na Rússia. No entanto, e já circulam na Rússia várias cópias do conjunto de endereços considerados núcleo da rede, o que indica que seus sistemas poderiam continuar operando mesmo se uma ação fosse tomada para isolar o país digitalmente.

O teste também deve envolver os provedores, para que demonstrem que podem direcionar dados para pontos de roteamento controlados pelo governo. Eles filtrarão o tráfego para que dados enviados entre russos cheguem aos seus destinos e para que qualquer envio feito para computadores estrangeiros seja descartado.

Por fim, o governo russo quer que todo o tráfego doméstico passe por esses pontos de roteamento. Acredita-se que isso seja parte de um esforço para criar um sistema de censura em massa semelhante ao que ocorre China, que tenta bloquear qualquer tráfego considerado proibido.

Organizações de notícias russas relataram que os provedores do país estão apoiando amplamente os objetivos do projeto de lei, mas estão divididos sobre como fazê-lo. Eles acreditam que o teste causará “grandes perturbações” no tráfego de internet na Rússia, informou o site de notícias de tecnologia ZDNet.

O governo russo está pagando provedores apara que estes modifiquem sua infraestrutura permitindo o teste do redirecionamento de dados.

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Mapa de conexões online no mundoDireito de imagem GETTY IMAGES
Acredita-se que teste russo seja parte de um esforço para criar um sistema de censura semelhante ao da China – 
Análise: Zoe Kleinman, repórter de tecnologia da BBC

Como um país inteiro “se desconecta” da internet?

É importante entender um pouco sobre como a internet funciona. Ela é composta por milhares de redes digitais pelas quais a informação viaja. Essas redes estão conectadas por pontos de roteamento de dados – e eles são sabidamente o elo mais fraco desta cadeia.

O que a Rússia quer fazer é ter sob seu controle estes pontos pelos quais passam os dados que entram ou saem do país, de modo que possa puxar uma ponte levadiça, por assim dizer, para o tráfego que vem de fora, caso esteja sendo ameaçada – ou caso decida censurar informações externas.

O sistema da China é provavelmente a ferramenta de censura mais conhecida do mundo e tornou-se uma operação sofisticada. O país também vigia seus pontos de roteamento, usando filtros e bloqueios para palavras-chave e determinados sites e redirecionando o tráfego para que computadores no país não possam se conectar a determinados endereços.

É possível contornar alguns bloqueios usando redes virtuais privadas (VPNs) – que disfarçam a localização de um computador para que os filtros não entrem em ação. A China derruba esses esforços de tempos em tempos, e a punição por fornecer ou usar VPNs ilegais pode ser uma sentença de prisão.

Ocasionalmente, países se desconectam da rede global por acidente – a Mauritânia ficou isolada por dois dias em 2018, depois de um cabo de fibra óptica submarino ter sido cortado, possivelmente por uma traineira.

Irã, Putin e o enterro do dólar

Tapete persa para dólar: te pego na saída!Tapete persa para dólar: te pego na saída!

 

Recentemente, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, encontrou-se com o presidente Vladimir Putin e explicou ao líder russo como isolar os Estados Unidos.

Segundo o líder iraniano, os dois países podem isolar Washington de várias maneiras, inclusive, eliminando o dólar através de sua substituição “por moedas nacionais em transações bilaterais ou multilaterais”.

O aiatolá também sublinhou que a cooperação de Moscou e Teerã na Síria mostra que os dois países conseguem “atingir objetivos comuns em situações desafiadoras”.

Putin, o coreano das estepes aponta mísseis para a Europa

RÚSSIA aponta mísseis para as principais cidades da Europa

A afirmação foi feita pelo exército dos Estados Unidos

Moscou está sendo acusada de implantar o SSC-8, um míssil de cruzeiro que pode atingir facilmente qualquer lugar da Grã-Bretanha e exterminar milhares de vidas em segundos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O Tratado das Forças Nucleares de 1987, assinado entre os EUA e a Rússia, previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou não, cujo alcance estivesse entre 500 e 5 500 km.

O General Paul Selva, membro do Estado Maior, disse que esse tipo de míssil ameaça “a maioria” das instalações americanas na Europa:

“Acreditamos que eles representam uma ameaça dentro da área de responsabilidade da OTAN” disse o general.

Ele não revelou como o governo americano pretende lidar com essa ameaça, disse apenas que há um “conjunto de opções” a considerar.

“Eu não tenho informações suficientes sobre a intenção deles. Temos que aguardar para ver se eles voltam a cumprir o acordo de 1987.” acrescentou.

O general da Força Aérea dos EUA não confirmou se o míssil SSC-8 é capaz de transportar uma ogivas nucleares.

No último mês, o presidente Donald Trump informou que iria discutir essa questão quando se encontrar pessoalmente com Vladimir Putin.



Imprensa britânica diz que a Rússia possui mísseis apontados para as principais cidades da Europa

O britânico The Sun alertou: “Vladimir Putin está chegando”

De acordo com a publicação, navios de guerra da Rússia estão se movendo em direção ao Canal da Mancha.

O jornal afirmou que a Marinha do Reino Unido está pronta para soar o alarme:

“A frota de navios nucleares russos está se dirigindo para a Grã-Bretanha”

Dois navios russos (o Serpukhov e o Zeleny Dol) estão ‘armados até os dentes’ com mísseis de cruzeiro Kalibr que têm um alcance de 3 mil km.

A imprensa russa confirmou que navios de guerra estão sendo posicionados taticamente e apontados para as maiores cidades da Europa:

“A Rússia está apenas se precavendo de futuros ataques e protegendo seus cidadãos” informou o The Sun.

Trump, Síria, Rússia, Gás, Óleo, Armas Químicas e estórias mal explicadas.

Vamos lá! Pontuando;

1. Trump mandou 59 mísseis mar/terra Tomahawks nos peitos do Assad.

2. Em dois dias o Trump desceu o “big stick” na “titela” do genocida da Síria. Ainda não estou fazendo juízo de valor, não das personas, mas, sim, dos fatos. É o que a mídia informa.
3. Nessa altura o maluco da Coreia do Norte deve estar ‘travado’. O Trump postou no Twitter que se o ‘doidin’ lançar mais foguetes em direção ao Japão, os USA irão atacar aquela ‘po**a’ sozinhos mesmo. Detalhe: durante o ataque à base aérea Síria, Trump estava jantando em sua mansão, na Flórida, com o presidente chinês.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
4. Os malucos mundo afora haverão de começar a levar o Trumpo a sério. A ‘negada tá se ligando’ que o loirão é meio ‘po**a’ louca. Não duvido nada se surgirem vídeos nas redes sociais, mostrando ‘o paixão Assad’ servindo comida para desabrigados e beijando criancinhas.
5. Não bastasse o ‘imbroglio’ no oriente médio, um provável terrorista, hoje, na Suécia, em Estocolmo, jogou um caminhão sobre pedestres, matando três pessoas e ferindo várias outras. Trump estava certo em relação a Suécia quando comentou há três semanas, sobre o aumento dos crimes na gelada terra dos Vikings. A Suécia sofre com uma onda de crimes e violências, principalmente crimes sexuais, causados por imigrantes. E agora esse possível ataque terrorista. Quero ouvir um sueco se manifestando contra a política das muralhas.
6. Sobre os ataques do Trump na Síria; ele fez exatamente o que disse que não faria; fez exatamente o que tinha dito pro Obama não fazer; e fez exatamente o que a Hilária disse que iria fazer, se eleita.
7. Ora!, quando até a Hilária Clinton concorda com a ação do Trump em atacar o Assad, ai vê-se, os que não absorvemos informações por osmose, e aprendemos a ler o que não está escrito,que tem “alguma coisa errada” nessa “estória”.
8. Acabei ainda não, tolinhos abstraídos do decidido na Conferência de Bretton Woods – USA, New Hampshire, 1944 – , a Arábia Saudita, que no momento está bombardeando o Iêmen porque quer passar por lá, as “pipelines” de gás e óleo que veem do Iêmen pela Síria, para vender para Europa não parar, nem congelar. O Assad não quer deixar esse gasoduto/oleoduto, e chamou o Putin, o Trump de São Petersburgo, para dar “uma mãozinha” no enrosco, e ajudar a defender o cofre do Assad. Detalhe; os russos são os maiores vendedores de gás e óleo para a Europa. Hahahaha!
9. Por outro lado – não esqueçamos que o Putin nasceu na ‘humanitária’ KGB – a ‘versão’ dos russos para “ataque químico do Assad”, hahaha, é que na verdade o Assad atacou uma base dos rebeldes (estado islâmico/al-qaeda/al-nusra) e nessa base, que era um depósito de munições, eles, os grupos acima, estavam produzindo, e estocando armas químicas. Hahahahahaha. Essa é a guerra híbrida. A guerra da informação.
10. Esse cenário, de “quase-3a. guerra-mundial”, é o cenário ideal pro ‘deep-state’ (governo paralelo). Não aumenta, mas também não diminui. Aí fica todo mundo vivendo nesse cenário de tensão quase-guerra. Assim, entre outras coisas, fica mais fácil ainda de manipular a narrativa oficial e controlar a opinião pública.
11. Ao mesmo tempo tem economista que diz que a única maneira de “salvar” esse sistema financeiro atual, usado no mundo inteiro e, baseado em moeda pintada, sem lastro, só papel, é a deflagração de uma guerra mundial – ave Keynes!, e acreditam que o governo paralelo está caminhando para isso.
12. Hipocrisias à parte, milhares de crianças morrem a míngua na África e no resto do terceiro mundo, e centenas já morreram em Aleppo em bombardeios com bombas “aceitáveis”. Guerra com regras e cavalheirismo das liças, é um deslavado cinismo. Para quem perdeu os seus, a dor é a mesma, se por bombas, armas químicas, gás sarin, diarreia ou seja lá o que for. O mundinho se indigna com o uso de armas químicas, entre “cravates noir, champanhe et champion”, claro, mas queda-se silente/conivente com o genocídio pela fome.

Donald Trump e Putin: Conspiração?

Conspiração ou espionagem? O que se sabe sobre a acusação de que a Rússia interferiu na eleição de Trump

Trump sorrindo
Tuítes recentes de Trump ajudaram a inflamar ainda mais a polêmica sobre a suposta espionagem russa – Image copyrightAP

Com um tuíte, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, inflamou ainda mais a polêmica sobre as suspeitas de que hackers russos influenciaram a eleição presidencial.

“Você consegue imaginar se o resultado da eleição fosse o oposto e NÓS estivéssemos tentando usar a carta da Rússia/CIA. Isso seria chamado de teoria da conspiração!”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No fim de semana, as duas principais agências de segurança dos EUA – o FBI (Agência Federal de Investigações) e a CIA (Agência Central de Inteligência) – teriam descoberto intervenções da Rússia nas eleições do país para promover a vitória de Trump. As informações foram divulgadas em dois importantes jornais dos EUA com base em relatórios das duas agências.

Em outubro, o governo dos EUA já havia apontado a responsabilidade da Rússia nesses ataques e acusado o país de interferir na campanha do Partido Democrata. Mas, segundo as novas informações divulgadas pela imprensa americana, a Rússia tinha como motivação ajudar Trump.

Mas o que se sabe até o momento sobre a acusação de que Moscou, de fato, agiu para promover a vitória do bilionário?

O que diz Trump

Em entrevista à TV e também em seu Twitter, o republicano criticou e colocou em xeque as informações contidas nos relatórios do FBI e da CIA.

Falando à rede Fox News, Trump disse que os democratas estavam divulgando documentos “ridículos” porque estavam envergonhados com a escala da derrota que sofreram nas eleições.

Ele disse que a Rússia poderia estar por trás dos ataques, mas que era impossível saber. “Eles não fazem ideia se foi a Rússia, a China ou alguém sentado em uma cama em algum outro lugar.”

Trump caminhando ao lado de MelaniaTrump e sua equipe não pouparam críticas às agências de inteligência dos Estados Unidos – Image copyrightAP

A equipe do presidente eleito também criticou agências de inteligência dos Estados Unidos: “Essas são as mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa”.

O presidente eleito usou seu Twitter para questionar o porquê de as acusações não terem sido divulgadas antes da eleição.

“A não ser que você pegue os hackers no ato, é muito difícil determinar quem estava por trás da ação. Por que então isso não veio à tona antes?”, tuitou nesta segunda-feira.

O que dizem outros republicanos

Republicanos experientes têm se juntado aos democratas para pedir investigações sobre o caso. O senador republicano John McCain disse, em um comunicado conjunto com líderes democratas, que o relatório da CIA “deveria deixar qualquer americano alarmado”.

Ele afirmou que o Congresso deveria abrir uma investigação e que esta deveria ser ainda mais minuciosa do que a que será conduzida pela Casa Branca.

Nesta semana, o presidente Barack Obama, que deixa o cargo em 20 de janeiro, ordenou uma apuração sobre uma série de ataques cibernéticos que teriam sido promovidos pela Rússia durante a campanha eleitoral nos EUA.

De acordo com a Casa Branca, o relatório – que deve ser finalizado até o fim do mandato do democrata – será uma “sondagem profunda sobre um possível padrão de uma crescente atividade maliciosa na internet durante a temporada eleitoral”.

As acusações foram negadas por funcionários do governo russo.

O que dizem os relatórios, segundo a imprensa

De acordo com o jornal The New York Times, os dois órgãos concluíram que “seguramente houve uma participação russa para hackear essas informações”.

Segundo o jornal, entre os documentos obtidos pelos hackers estariam as contas de e-mails do Comitê Nacional Democrata e do presidente da campanha de Hillary Clinton, John Podesta.

O NYT afirma ainda que as agências de inteligência acreditam que essas informações teriam sido repassadas pelos russos ao WikiLeaks, que vazou o conteúdo.

O Washington Post afirma que um relatório da CIA chegou a informações parecidas. O jornal cita um oficial do governo dos EUA para afirmar que “a análise das agências de inteligência é de que o objetivo da Rússia era favorecer um candidato sobre o outro e ajudar na vitória de Trump”.

Hillary e Trump durante debateE-mails de Hillary Clinton e de seus assessores foram hackeados

Os novos detalhes teriam surgido durante a apresentação dos relatórios pelas agências de inteligência aos senadores na semana passada.

A reunião teria ocorrido com portas fechadas, mas, segundo o Washington Post, as informações teriam sido passadas por um funcionário do governo que não quis se identificar.

O que dizem os democratas

Na época da campanha eleitoral, e-mails da candidata democrata Hillary Clinton e de seus assessores foram sido hackeados, e o conteúdo, enviado ao WikiLeaks e postado online.

A divulgação causou problemas à campanha dos democratas. A então candidata passou boa parte dos debates se explicando sobre os emails, especialmente a descoberta de que ela quebrou regras oficiais ao trabalhar com informações secretas usando um servidor privado em sua casa em Nova York quando ainda era secretária de Estado.

Hillary e sua equipe não se cansaram de acusar o rival republicano e de que os russos estavam por trás da invasão às contas de email dos democratas.

John PodestaPodesta fez duras acusações contra russos e a campanha de Trump
Image copyrightAP

Um dos críticos mais severos foi John Podesta, chefe de campanha de Hillary, cuja conta também foi invadida. Na época, ele acusou o governo russo de responsabilidade pelo vazamento e disse que a campanha de Trump já sabia a respeito.

O que diz analista da BBC

Para o correspondente da BBC em Washington, Anthony Zurcher, apesar de Trump dizer o contrário, ele entrará na Casa Branca em uma situação complicada – e a derrota na votação popular de 2,8 milhões de votos é apenas um dos fatores que colaboram para isso.

“Esse cenário provavelmente explica o porquê de a equipe de Trump estar respondendo de maneira tão incisiva as acusações de que hackers russos influenciaram a política americana em uma tentativa para favorecer o republicano. Assim como a recontagem dos votos, isso pode ser visto como outra maneira de minar a legitimidade da vitória de Trump”, afirmou o correspondente.

Para Zurcher, não importa que seja bem pouco provável que a recontagem altere os resultados das eleições ou que os ataques hackers estejam lá no fim da lista de motivos que causaram a derrota de Hillary.

“Os tuítes raivosos de Trump e a indignação de seus partidários são evidência suficiente de que o presidente eleito se sente ameaçado. No caso da Rússia, no entanto, os comentários raivosos de Trump podem custar um alto preço político.”

Rússia ordena bloqueio do Linkedin

Rede social é acusada de não respeitar nova lei que exige que dados de usuários russos sejam armazenados no país. Provedores começam a impedir acesso à plataforma.

Linkedin Logo (picture-alliance/dpa/J. Büttner)

O órgão estatal regulador da comunicação na Rússia, Roskomnadzor, ordenou nesta quinta-feira (17/11) o bloqueio da rede social Linkedin, depois que a Justiça determinou que o site estava violando uma lei relacionada ao armazenamento de dados dos usuários.

“O site Linkedin foi adicionado a um registro de infratores e submetido ao bloqueio por provedores de internet”, afirmou o órgão estatal russo em comunicado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo a agência de notícias estatal Interfax, a rede social profissional, muito usada para buscar emprego, será bloqueada dentro de 24 horas.

O provedor Rostelcom disse já ter cumprido a ordem, e outros dois provedores disseram que o fariam nas próximas horas.

Em declaração à agência de notícias AFP na manhã desta quinta-feira, o Linkedin disse que estava “começando a ouvir de usuários russos que eles não conseguiam mais acessar a rede social”.

Segundo a empresa, a ação do Roskomnadzor nega o acesso aos milhões de usuários que a plataforma tem no país.

“Continuamos interessados em uma reunião com Roskomnadzor para discutir o seu pedido de localização de dados”, afirmou a empresa à AFP.

O porta-voz da Roskomnadzor, Vadim Ampelonsky, disse à Interfax que representantes do Linkedin pediram uma reunião para discutir o bloqueio, mas que uma data ainda seria definida pelo órgão.

No último dia 10 de novembro, um tribunal de Moscou rejeitou um recurso do Linkedin e confirmou uma decisão de agosto de que o site estava em desacordo com uma lei de 2014 que exige que dados pessoais de usuários russos sejam armazenados em servidores do país.

A decisão também determinou que o Linkedin parasse de fornecer dados dos usuários a terceiros sem informá-los.

Sites que violam a controversa lei de 2014 lei são adicionados a uma lista negra, e provedores de internet são obrigados a bloquear o acesso a eles.

A lei provocou uma tempestade de críticas de empresas de internet, mas entrou em vigor em setembro de 2015. O Linkedin é o primeiro serviço a ser levado a tribunal devido à nova lei.

O Linkedin tem mais de 467 milhões de usuários, de acordo com o site, incluindo mais de seis milhões na Rússia.

A empresa sediada nos EUA foi vendida em junho à Microsoft por mais de 26 bilhões de dólares.

Com dados da TMS/afp/rtr

Como os futuros livros de história lembrarão a guerra da Síria?

Recentemente, um parlamentar britânico comparou o bombardeio russo a um comboio da ONU na cidade de Aleppo, na Síria, aos ataques nazistas na Espanha durante os anos 1930.

Olhando para trás, a ascensão de Hitler ao poder parecia óbviaOlhando para trás, a ascensão de Hitler ao poder parecia óbvia
Image copyrightGETTY IMAGES

Andrew Mitchell, do Partido Conservador, disse que a Rússia está matando civis na Síria da mesma maneira como a Alemanha nazista se comportou em Guernica durante a Guerra Civil espanhola, ataques que inspiraram o pintor Pablo Picasso a criar a obra Guernica.

A declaração foi recebida com controvérsia, mas, ao comparar dois momentos distintos da história, ensejou uma questão: como a guerra na Síria será descrita e contextualizada nas escolas no futuro?

Atualmente, aprendemos nas aulas de história que o assassinato do arquduque Franz Ferdinand foi um dos gatilhos para a Primeira Guerra Mundial. E que a ascensão de Hitler ao poder contou com vários fatores, incluindo a situação econômica na Alemanha, assim como suas habilidades como orador público.

Guerra na Síria certamente será tópico de muitas redações. A questão é: como?Guerra na Síria certamente será tópico de muitas redações. A questão é: como?
Image copyrightASSOCIATED PRESS

Com a ajuda de especialistas, fizemos algumas previsões sobre os tópicos que, que como os acima, serão cobrados dos estudantes nos próximos 50 anos.

O começo: a invasão ao Iraque em março de 2003

Soldado americano faz patrulha no deserto do Iraque
Soldado americano faz patrulha no deserto do Iraque

“Se eu estivesse dando uma aula, eu iria para março de 2003, quando Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países decidiram invadir o Iraque”, diz o professor Tim Jacoby, especialista em conflitos e professor da Universidade de Manchester.

“Mas você também poderia argumentar que para entender o que aconteceu na Síria você precisa entender a decisão de Saddam Hussein de invadir o Kuwait em 1991. Ou você pode ir um pouco além”, afirma.

Homem tira foto dos destroços resultantes de um ataque em Damasco com seu celularHomem tira foto dos destroços resultantes de um ataque em Damasco com seu celular – Image copyrightREUTERS

Michael Stephens, pesquisador de Oriente Médio do Instituto Real de Serviços Unificados (Royal United Services Institute), um think tank de segurança, concorda que 2003 é um bom começo para entender a guerra na Síria, mas há também outras datas cruciais.

“Até 2001, as pessoas na Síria tinham apenas duas estações de TV, ambas controladas pelo Estado. Quando as pessoas tiveram acesso à internet, elas puderam se comunicar com o mundo todo e as pessoas foram incentivadas a querer mais para elas mesmas. A crise econômica de 2007-2008 teve um impacto econômico gigante no mundo árabe, o que levou à Primavera Árabe”, explica.

Mais de mil diferentes grupos são contrários ao governo sírio

Bashar al-Assad, presidente da SíriaImage copyrightEUROPEAN PHOTOPRESS AGENCY
Image captionBashar al-Assad, presidente da Síria

Michael Stephens e Tim Jacoby concordam com a alta probabilidade de que este será considerado um dos mais complexos conflitos em décadas, se não o mais complexo.

Alguns dos principais grupos atuando no conflito são:

– Presidente Bashar al-Assad, líder do governo sírio, e seus apoiadores;

– Rebeldes que se opõem à liderança de Assad, lutando contra o Exército do governo;

– Partidos políticos que dizem que Assad é responsável por fraudar as eleições, garantindo sua permanência no poder;

– O grupo extremista que se intitula Estado Islâmico, que usou a violência contra grupos como cristãos e Yazidis.

Segundo estimativas, existem mais de mil grupos diferentes se opondo ao governo desde que o conflito começou, com 100 mil soldados.

EUA, Rússia e Irã são alguns dos grandes jogadores internacionais

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente dos Estados Unidos, Barack ObamaO presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – Image copyrightREUTERS

Esta é mais uma questão de “grande complexidade”, segundo Jacoby. Segundo o especialista:

– A Rússia sempre foi uma aliada da Síria e continua a ser, principalmente porque ela continua a ser sua principal aliada no Oriente Médio;

– O Irã teve uma grande influência na região como consequência da invasão ao Iraque em 2003. São aliados próximos;

– Para a política americana, um grande elemento do envolvimento dos Estados Unidos na Síria é garantir a segurança de Israel, seu aliado próximo.

O chamado Estado Islâmico quer dissolver as fronteiras entre Síria e Iraque

Soldados americanos fazem patrulha em BagdáSoldados americanos fazem patrulha em Bagdá – Image copyrightGETTY IMAGES

“A invasão ao Iraque é a primeira vez em um bom tempo em que a coalizão internacional invadiu um país soberano e o subjugou a um período prolongado de ocupação”, diz Jacoby.

“Desestabilizou muito os regimes tirânicos e despóticos que existiam na região há décadas. O conflito na Síria é um resultado direto dessa desestabilização, eu diria.”

Mapa mostra perda de território do Estado Islâmico
Mapa mostra perda de território do Estado Islâmico

E nem todo mundo pensa que Iraque e Síria são duas nações separadas.

“Aquela fronteira que desenhamos no mapa entre esses povos nunca foi aceita na mente dessas pessoas”, explica Jacoby.

“As pessoas que vivem no deserto e transpõem aquela fronteira são as mesmas. Então o que o Estado Islâmico quer de alguma maneira é dissolver aquela fronteira – e é exatamente isso o que eles fizeram.”

É difícil saber exatamente quantas pessoas morreram na Síria

Homem reage à morte de familiares após um ataque aéreo das forças de Assad em AlepoHomem reage à morte de familiares após um ataque aéreo das forças de Assad em Alepo – Image copyrightREUTERS

“A conta de mortes no Iraque é apenas uma estimativa”, diz Jacoby. “Comparado com o Vietnã, onde os corpos eram contados e as mortes publicadas, há pouquíssima informação.”

Jacoby afirma que essa era uma “política deliberada” por parte da coalizão de governos como Estados Unidos. Um resultado, diz ele, é que o movimento antiguerra não tinha esses dados pra ajudar na sua causa.

O que nós sabemos é que milhões de pessoas deixaram a Síria durante os últimos anos como refugiadas.

O número de refugiados varia muito

Mulher síria refugiada e seus filhos em campo de refugiados em Atenas, GréciaMulher síria refugiada e seus filhos em campo de refugiados em Atenas, Grécia
Image copyrightASSOCIATED PRESS

As redes sociais e a internet tiveram um papel importante em não apenas permitir um experiência melhor de mundo às pessoas que estão dentro da Síria, mas também dar a elas uma plataforma para noticiar o que acontece em suas vidas.

“Da perspectiva do Oriente Médio, eu acho que a onda de debates nas redes sociais foi bastante polarizador”, diz Stephens.

“É um pouco como quando Alan Kurdi (o menino de três anos na fotografia considerada hoje icônica) apareceu na praia. É mesmo necessário que uma criança seja levada pelo mar até uma praia para as pessoas se importarem?”

O corpo de Alan Kurdi é carregado por soldado
O corpo de Alan Kurdi é carregado por soldado – Image copyrightAFP

“Talvez a crise síria de refugiados tenha nos levado a pensar um pouco mais criticamente sobre nosso papel no resto do mundo”, disse Jacoby.

Ele destaca que o número de refugiados sírios vivendo em diferentes países varia muito. “A Turquia por exemplo tem provavelmente três milhões de refugiados sírios”, diz ele, comparando com os poucos milhares que vieram à Inglaterra.

“E depois de passar por todo aquele sofrimento e privação, eles serem submetidos ao racismo endêmico na Grã-Bretanha é absolutamente imperdoável”, diz.

Menina síria em campo de refugiados na TurquiaMenina síria em campo de refugiados na Turquia – Image copyrightASSOCIATED PRESS

Michael Stephens acredita que esse será o conflito definitivo até a metade desse século, acrescentando: “pode ser tão importante quanto foi a Primeira Guerra”. Ambos os especialistas preveem que o futuro será castigado pela forma como o conflito sírio tem ocorrido.

“Eu acho que permitir que milhares de homens, mulheres e crianças se afoguem no mar Mediterrâneo será visto como um dos maiores crimes do começo do século 21. É completamente escandaloso, acho que a história será extremamente crítica sobre nosso papel nisso, nossa capacidade de ignorar isso”, diz Jacoby.

“Aprender a lições da história será dolorido para todos. Eu acho que todo mundo (do Irã aos Estados Unidos e Europa) terão que jogar as mãos para o alto e dizer que poderiam ter feito algo diferente. Do jeito que a região está, acho que a situação ficará pior antes de ficar melhor”, completa Stephens.
Com dados da BBC

Eleição na Rússia é ilusão de democracia, apontam analistas

Após acusações de fraude em 2011, o Kremlin se esforça em dar aparência de legitimidade a pleito parlamentar. Especialistas afirmam que se trata de um jogo de cartas marcadas e que não desperta interesse na população.

Eleitor vota atrás de bandeira russa

“Nós nos unimos para iniciar um processo de impeachment contra Putin, essa é a nossa meta principal”, diz o homem barbado de 50 e poucos anos num debate na TV estatal. Nos últimos tempos, na Rússia, tem sido raro palavras desse calibre serem ditas diante de um público de milhões.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O barbudo é Vyacheslav Maltsev, candidato pelo oposicionista Partido da Liberdade do Povo (Parnas), nas eleições legislativas deste domingo (18/09). E os debates televisivos inusitadamente francos parecem integrar uma série de medidas com as quais o Kremlin reage aos acontecimentos de cinco anos atrás.

O pleito parlamentar de dezembro de 2011 foi obscurecido por acusações de fraude, desencadeando uma onda de protestos. Dezenas de milhares se manifestaram em Moscou. Na época, parte da população até apelidou a legenda governista, Rússia Unida, de “Partido dos Malandros e Ladrões”.

Linha dura de um lado, reforma eleitoral do outro

O Kremlin reagiu com uma estratégia dupla: numerosos manifestantes foram condenados a longas penas de prisão, o direito de manifestação política foi restrito, a polícia, reforçada. Ao mesmo tempo, ocorreu uma relativa liberalização nas eleições, por exemplo, com a redução de 7% para 5% do mínimo de votos para um partido ter representação na Duma, câmara baixa do Parlamento em Moscou.

Além disso o governo russo substituiu a controvertida direção da Comissão Eleitoral Central: o presidente Vladimir Churov, a quem os críticos do Kremlin imputavam fraudes, entregou o posto a Ella Pamfilova, uma prestigiada ativista dos direitos humanos. Também a legislação eleitoral foi modificada: agora, metade dos 450 deputados é escolhida pelas listas partidárias, metade por mandato direto.

Seja como for, o Kremlin segue sustentando que o pleito de cinco anos atrás transcorreu de forma livre. Criaram-se para todos “condições iguais para uma competição aberta e justa”, assegurou o presidente Vladimir Putin num discurso, nesta quinta-feira.

Regras para ingresso na Duma foram afrouxadas – paralelamente a repressão de opositoresRegras para ingresso na Duma foram afrouxadas – paralelamente a repressão de opositores

Parlamento tetrapartidário fica

Ao todo, 14 partidos concorrem este ano – o dobro de 2011. O Parnas e o tradicional partido liberal Jabloko são as duas forças políticas que os analistas consideram realmente oposicionistas. O Parnas estaria estreando na Duma, enquanto o Jabloko retornaria pela primeira vez desde 2003. Nas pesquisas, ambos detêm apenas cerca de 1% das intenções de voto, porém têm chances de mandatos diretos.

Segundo o instituto estatal de pesquisa de opinião WZIOM, a Assembleia Federal russa voltará a se compor de quatro legendas. A maioria dos votos iria para o Rússia Unida, com cerca de 40%. Em 2011 ele já perdera eleitorado, ficando abaixo da marca de 50% pela primeira vez em anos, e agora seus números caem ainda mais.

Em agosto, contudo, o instituto independente Centro Analítico Levada constatou que o agrupamento governista perdeu ainda mais na preferência dos votantes, caindo de 39% para 31%. Mas é difícil comparar as duas enquetes, devido às metodologias distintas empregadas. Na opinião de diversos especialistas, o Rússia Unida deverá compensar a perda de votos através de mandatos diretos.

Tampouco os comunistas e os populistas de direita do Partido Liberal-Democrático da Rússia (LDPR) precisam se preocupar com o retorno ao órgão legislativo. De acordo com o WZIOM, os populistas deverão até arrebatar dos comunistas a segunda colocação. Por último, o esquerdista Rússia Justa deve ficar acima do limite de 5%, assegurando representação na Duma.

Presidente Putin reforça: eleições de 2011 transcorreram de forma justaPresidente Putin reforça: eleições de 2011 transcorreram de forma justa

Peso da Crimeia e da confrontação com o Ocidente

Sendo a Rússia uma república presidencialista, o poder da Assembleia Federal é restrito. Mesmo assim, o presente pleito é visto como um teste do clima político, sendo o primeiro desde a anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia. Também no território anexado haverá eleição, o que já gerou protestos por parte de Kiev.

Desde a anexação, uma forte onda de patriotismo atravessa a sociedade russa, com possíveis vantagens para o partido do Kremlin. “Existe um forte fator patriótico, não só a Crimeia, mas a confrontação com o Ocidente, a confrontação cultural”, explicou à DW Alexander Rahr, do Fórum Teuto-Russo, e consultor de firmas russas na Alemanha.

Esse clima garantiria que muitos votem para o Rússia Unida, prossegue o especialista, mas ressalvando a existência de problemas econômicos. De fato: a economia nacional está abalada, tanto devido à queda dos preços do petróleo quanto às sanções ocidentais, mas é difícil prever como isso afetará o resultado das urnas.

Os dados do Centro Levada, contudo, indicam parca repercussão do pleito, com metade dos russos não se interessando por ele. Stefan Meister, da Sociedade Alemã de Política Exterior (DGAP), que esteve em Moscou antes das eleições, confirma essa constatação: “A campanha eleitoral é quase inexistente, quase não há cartazes.”

O especialista também enfatiza que o governo Putin antecipou a votação de dezembro para setembro, logo após o recesso de verão. “O Kremlin quer levar a cabo esta eleição, mas sem despertar atenção excessiva”, avalia Meister.

Ilusão de democracia

Apesar do verniz democrático, diversos analistas concordam que o Kremlin influencia as eleições legislativas de forma decisiva. As noções de livre competição são ilusórias, afirma Hans-Henning Schröder, editor do periódico online Russland-Analysen: “Ninguém vai entrar para a Duma sem que a administração do Kremlin o queira ou permita”, antecipa.

A triagem ocorre em diferentes níveis: apesar dos regulamentos relaxados, a nem todas as legendas oposicionistas foi permitido participar das eleições. O Partido do Progresso, de Alexei Navalny, por exemplo, não foi registrado. Seis meses antes da votação, o próprio jovem político deixou a aliança eleitoral Parnas, criada a duras penas.

Cinco anos atrás, foi Navalny quem conclamou seus adeptos a documentarem as fraudes nas eleições, criando assim a base para os protestos de massa. Hoje, ele exorta a um boicote das votações. No entanto, na ala oposicionista há um racha de fato, e não se percebe qualquer clima de protesto.

Grécia, Putins e o fim da economia

Deusa Ártemis,Blog do MesquitaImagino nesse exato momento o Putin “babando” e esfregado as mãos aguardando resultado do UFC União Européia X Grécia.

Já foi servido um aperitivo:
Tsipras e Putin fecham acordo de 2.000 milhões para prolongar gasoduto russo.
A Grécia no fundo do poço pode levar o resto do mundo junto para as profundas de Hades.

Putin apenas aguarda gregos entrarem em sua sala conduzidos por Ártemis.
O atual modelo financeiro mundial faliu. É o fim do papel pintado. Não há lastro.

A sociedade consumiu o que não tinha. Não há como pagar créditos e débitos em nenhum mercado mundial. Adia-se a a agonia.


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Mauro Santayana: Capitalismo ameaçado passeia com o fascismo

O republicano John McCain com Oleh Tyahnybok (direita), líder do partido de extrema-direita Svoboda (ex-Partido Nacional Socialista da Ucrânia); em primeiro plano o tridente, outro símbolo dos extremistas

O ninho da serpente

Há um velho ditado que reza que, toda vez que o capitalismo se vê ameaçado, ele sai para passear com o fascismo.

Como um skinhead e seus pit-bulls, que pode ser por eles atacado, depois de tentar prendê-los à força no canil, ao voltar para casa, bêbado drogado, a Europa mostra que não aprendeu nada com as notícias dos jornais, nem com as lições do passado.

Dirigentes europeus — e norte-americanos — tiram fotos, sorridentes, ao lado dos líderes do Partido Svoboda ucraniano, que podem ser vistos, em outras fotos, recentes, discursando em tribunas nazistas e saudando com a palma da mão levantada.

A cruz celta, símbolo da supremacia branca, as suásticas, os três dedos que lembram o tridente tradicional usado pelos neofascistas ucranianos, os raios assassinos das SS nazistas, destacam-se nas bandeiras e braçadeiras portadas pela multidão, na qual desfilam, triunfantes, membros das 22 organizações neonazistas que existem no país, que, segundo analistas locais, são muito mais radicais que o “Svoboda”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

As notícias que vem de Kiev dão conta de que há indícios de que os atiradores que mataram manifestantes durante os protestos, antes do golpe, teriam sido contratados pelos próprios neonazistas para fazê-lo. Sinagogas têm sido incendiadas nos úlimos meses, professores e estudantes de Yeshivas – assim como estrangeiros e homossexuais — têm sido insultados e espancados pelas ruas.

Na Ucrânia atual o anti-semitismo é tão forte, que nos últimos 20 anos, depois da derrocada da União Soviética – que sempre protegeu os judeus como etnia – 80% dos 500.000 hebreus que viviam no país o abandonaram, desde 1989, em um êxodo sem precedentes no pós-guerra.

Hoje, em uma população mais de 44 milhões de habitantes, há menos de 70.000 judeus ucranianos.

Se a situação é ameaçadora para a população judaica, é ainda pior para os cerca de 120.000 a 400.000 ciganos que vivem na Ucrânia, uma minoria que não conta com recursos para deixar o país, nem com um destino, como Israel, que os possa receber. 

Com a desmobilização da polícia e do exército, e sua substituição por brigadas paramilitares compostas de vândalos e arruaceiros, os neonazistas têm circulado livremente pelos bairros ciganos da periferia de Kiev e de cidades do interior do país, insultando e agredindo impunemente, qualquer homem, mulher, criança, idoso, que encontrem pela frente.

Não é preciso lembrar que os roms, assim como os judeus, foram torturados e  mortos – seis milhões de judeus e um milhão de ciganos, pelo menos – nos campos de concentração e de extermínio nazistas, a maioria deles pelas  mãos de voluntários ucranianos, que serviam de “guarda” auxiliar para os alemães, em lugares como Treblinka, Auschwitz e Sobibor.

Os nazistas ucranianos não apenas forneceram  assassinos e torturadores para o holocausto — e a eliminação de prisioneiros políticos e de homossexuais — mas também lutaram ao lado dos alemães, por meio da sua famigerada Legião Ucraniana de Autodefesa e da Divisão SS  Galitzia, contra os russos, na Segunda Guerra Mundial.

Longe de renegar esse passado, do qual toma parte o extermínio da própria população ucraniana – em Baby Yar, uma ravina perto de Kiev, foram massacrados, com a ajuda de soldados e policiais ucranianos, 150.000 mil civis, entre  ciganos, comunistas, e judeus ucranianos, 33.700  deles apenas nos dias 29 e 30 de setembro de 1941 – a direita ucraniana o venera e honra.

No dia primeiro de agosto de 2013, com a presença de um padre ortodoxo, dezenas de pessoas vestindo uniformes da Waffen SS, em meio a uma profusão de bandeiras ucranianas e de suásticas, se encontraram na cidade de Chervone, na Ucrânia, para honrar o “sacrifício” dos “heróis” ucranianos da Divisão SS Galitzia.

Os nazistas ucranianos não foram os únicos a combater, ao lado de Hitler, contra a União Soviética e a colaborar no extermínio de judeus e ciganos e da sua própria população.

O massacre de Odessa, também na Ucrânia, de outubro de 1941, no qual morreram 50.000 judeus, foi cometido, sob “organização” alemã, por tropas do exército romeno, um dos diversos países  que participaram, como aliados do nazismo, da invasão da URSS na Segunda Guerra Mundial.

Entre elas, estavam, além da Itália, da Espanha e da Romênia, Bulgária, Hungria e Eslováquia, países não por acaso colocados — para que isso não viesse a acontecer de novo — sob a esfera de influência soviética, após o fim do conflito.

Engrossada pela deterioração do estado de bem-estar social, a crise econômica, o desemprego e a pressão migratória — criada em boa parte pela própria Europa com o incentivo ao terrível pesadelo da “Primavera Árabe” — a baba do racismo, do ódio contra os ciganos e os árabes, do  antissemitismo e do anticomunismo mais arcaico e bestial, espalha-se como peste seguindo o curso de grandes rios como o Dnieper e o Danúbio, criando uma sopa densa e corrosiva, apropriada para alimentar as ovas — nunca totalmente inertes — da serpente nazista.

Fruto de uma nação multiétnica, que estabelece seu passado e seu futuro na diversidade universal de sua gente, nenhum brasileiro pode ficar ao lado dos golpistas neofascistas ucranianos. 


Não é possível fazê-lo, não apenas pelo senso comum de não apoiar uma gente que odeia e despreza tudo o que somos. 


Mas, também, porque não podemos desonrar o sangue e a memória daqueles cujos ossos descansaram no solo sagrado de Pistóia.

De quem, em lugares como Monte Castelo e Fornovo di Taro – onde derrotamos, em um único dia, a 148 Divisão Wermacht e a Divisão Bersaglieri Itália, obtendo a rendição incondicional de dois generais e de milhares de prisioneiros – combateu,  com a FEB, o bom combate.

Dos soldados e aviadores que, com a força e a determinação de 25.700 corações brasileiros, ajudaram a derrotar, naquele momento, a serpente hitleriana.

No afã de prejudicar e sitiar a Rússia, criando problemas à sua volta, em países que já a atacaram no passado, o que a UE não entendeu, ainda, é que o que está em jogo na Ucrânia não é o apenas o futuro do maior país europeu em extensão territorial, nem mesmo o de Putin, mas o da própria Europa.

Até agora, o neonazismo se ressentia de um território grande e simbólico o suficiente, do ponto de vista de uma forte ligação com o anticomunismo e com o nacional-socialismo, no passado, para servir de estuário para o ressentimento e as frustrações de um continente decadente e nostálgico das glórias perdidas, que nunca se sentiu realmente distante, ou decididamente oposto, ao fascismo.

Faltava um lugar, um santuário, onde se pudesse perseguir o mais fraco, o diferente, impunemente. Um front ideológico e militar para onde pudessem convergir – como voluntários ou simpatizantes — militantes da supremacia branca de todo o mundo.

Um laboratório para a criação de um novo estado, com leis, estrutura e ideologia semelhantes às que imperavam na Alemanha há 70 anos.

Se, como tudo indica, os neonazistas se encastelarem no poder em Kiev, por meio de eleições fraudadas, ou da consolidação de um golpe de estado desfechado contra um governante eleito, o ninho da serpente poderá renascer, agora, no conflagrado território ucraniano.
Carta Maior/Mauro Santayana