O que pode se esconder sob a crise do Brasil

PT PSDB Blog do Mesquita“Nas democracias, governantes não são ungidos por Deus, mas eleitos pela vontade popular”.

O Brasil atravessa uma grave crise que, segundo analistas, que não são poucos, é mais política do que econômica.

E por isso é mais difícil de resolver apesar da riqueza do país em recursos naturais, matérias primas e capacidade criativa.

A economia brasileira, além disso, não enfrenta um risco de quebra como o caso da Grécia ou Venezuela.

É o que diz o correspondente Juan Arias, do jornal espanhol El País, em artigo publicado nessa quarta-feira (26/08).

O problema é, acima de tudo, político. O povo das ruas o sabe.

O deixou claro em suas últimas reivindicações de protesto nas quais ressoaram mais os gritos contra os políticos e seus crimes de corrupção, do que sobre a inflação ou o desemprego, dois fantasmas que assustam cada vez mais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que não funciona, e parece sem solução, é o enredo político com atores medíocres, mais burocratas que estadistas, que não conseguem recitar os grandes dramas e parecem conformar-se com resultados de opereta. Um papel que mal se conjuga com a democracia consolidada e moderna de um país continental como o Brasil.

Existem muitas explicações ao desafio que o Brasil enfrenta: o de conjugar uma política exercida por profissionais com o desenvolvimento de uma economia com grandes possibilidades e capacidades.

Talvez a menos prevista, e a razão pela qual os políticos se afogam e a recuperação econômica se atrasa, é a tentação latente de sacralizá-los ao mesmo tempo que se lhes outorga impunidade, como se não fossem cidadãos como os demais.

Se algo deveria distinguir as democracias modernas dos antigos regimes totalitários é de ter se libertado do perigo dos messianismos, seja religiosos ou ideológicos.

O Brasil não vive os tempos bíblicos em que foi necessário um Moisés messiânico para libertar o povo judeu da escravidão do Egito.

Nem vive os tempos das teocracias da Idade Média, durante as quais os reis governavam em nome de Deus, com quem não é possível discutir, só obedecer.

A modernidade é incompatível com dogmas políticos. Os governantes, nas democracias, não são ungidos por Deus e devem só responder às leis e à vontade de quem os elege livremente. E são proibidos de mentir.

Quanto mais perfeita é uma democracia, menos os políticos têm. Em um cenário assim, os representantes do povo chegam a confundir-se na rua com as pessoas comuns, sem privilégios. Essas democracias maduras não precisam de heróis, nem de messias, nem de salvadores da Pátria, nem de pais ou mães dos pobres.

A eles lhes é exigido apenas capacidade para governar com acerto e justiça, tendo em conta sempre, a hora de dividir os orçamentos, as necessidades mais urgentes, como reduzir as desigualdades sociais e alentar o crescimento do país.

Poderá parecer simples, mas na prática as coisas não são tão fáceis nem delicadas. Os que chegam ao poder se esquecem que não ganharam o posto por uma designação divina, mas pelo voto popular.

Inclusive nos países com Constituições democráticas existe a tentação, alimentada às vezes pela mesma sociedade, de sacralizar o poder.

Certos messianismos seguem ainda vivos, com sua nefasta carga antidemocrática e até ditatorial, em vários países da América Latina, onde uma mistura de fundamentalismo religioso, fomentado pelas Igrejas Evangélicas e de messianismo ideológico, herdado dos velhos socialismos totalitários, impede o desenvolvimento de democracias modernas e participativas.

Quando os governantes são divinizados, se tornam indispensáveis e insubstituíveis, até o ponto em que qualquer movimento de mudança política é visto como diabólico e contra os pobres.

No Brasil, um país com uma constituição democrática e separação entre a Igreja e o Estado, segue viva a tentação de querer levar Deus ao Congresso, ou aos bancos da Justiça, sacralizando a vida pública e com ela seus governantes, ainda que depois sejam denegridos e criticados.

Há até quem defende que se introduza na Constituição que o poder vem de Deus e não do povo. E há legisladores evangélicos que profetizam que, se um deles chega à presidência brasileira, seria por vontade divina. Dizem também que governariam consultando a Bíblia antes da Constituição.

Só quando a política se limita à arte de governar com capacidade e com ética, sem tentações messiânicas, pode-se falar de democracia.

Não existem políticos ungidos por Deus, insubstituíveis e eternos.

O poder deles é temporal. Só o da sociedade é permanente e inapelável. Eles estão a seu serviço e não ao contrário.

Esquecê-lo é abrir a porta a todo tipo de instabilidade que acaba, inexoravelmente, em crises econômicas e irritação popular.
El País/Juan Arias

No exterior, Lula já não é ‘o cara’, mas ainda é respeitado por legado social

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva tornou-se um ícone do Brasil em ascensão no final da década passada, quando o país ganhou os holofotes internacionais. “Esse é o cara”, chegou a dizer, em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama. “É o politico mais popular do planeta.”

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No ano seguinte, Lula entrou na lista da revista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo. “O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de sonho americano”, escreveu o documentarista Michael Moore em um texto explicando a inclusão.

No Brasil, a popularidade do ex-presidente também era grande e chegou a alcançar índices recordes – ao terminar o mandato tinha impressionantes 80% de aprovação, segundo uma pesquisa Ibope, e era considerado o melhor presidente da história por 71% dos brasileiros, de acordo com o instituto Datafolha.

Hoje, a deterioração de sua imagem interna é indiscutível. Neste domingo, por exemplo, Lula foi um dos principais alvos dos protestos anti-governo que ocorreram em 27 capitais do país. Em Brasília, um boneco gigante do ex-presidente vestido de presidiário foi levado à Esplanada dos Ministérios. Na Avenida Paulista, em São Paulo, não era difícil encontrar mensagens ofensivas ao ex-presidente ou grupos aos gritos de ‘Fora Lula’.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nos últimos meses, também foram criadas no Facebook pelo menos três páginas que pedem a morte do ex-presidente – a maior delas reúne mais de 6 mil pessoas.

Mas será que essa deterioração interna chegou lá fora? Como os escândalos de corrupção e a crise em que o PT parece ter mergulhado afetaram a imagem do presidente brasileiro mais popular no exterior?

A questão divide a opinião de cientistas políticos estrangeiros ouvidos pela BBC Brasil, mas parece haver um consenso de que, por um lado, o ex-presidente definitivamente não é mais ‘o cara’ – como definiu Matthew M. Taylor, professor da American University e pesquisador do Brazil Institute do Woodrow Wilson Center. Por outro, seu legado social ainda inspira algum respeito.

“Qualquer um que esteja seguindo os acontecimentos do Brasil de perto vai acabar com uma opinião mais crítica sobre ele (Lula), porque esses problemas de corrupção (revelados pela Lava Jato), afinal, não surgiram no atual governo”, diz Wendy Hunter, professora da Universidade do Texas, que escreveu o livro The Transformation of the Workers’ Party in Brazil, 1989–2009 (A Transformação do Partido dos Trabalhadores no Brasil, em tradução livre).

“Mas não devemos superestimar a cobertura sobre a realidade brasileira em outros países. Muita gente não está informada sobre o que está acontecendo ou não entende muito bem o escândalo”, diz ela.

Michael Shifter, presidente do centro de estudos americano Inter-American Dialogue concorda que a imagem de Lula “perdeu o brilho”, mas diz que em parte isso reflete também a falta de entusiasmo com o Brasil e a economia brasileira. “Ele era um símbolo do Brasil que ganhava influência global e parecia destinado a tornar-se uma potência econômica”, diz.

“Acho que, de uma forma geral, ouve um momento, na década passada em que os líderes e movimentos de esquerda latino-americanos começaram a se tornar uma referência para movimentos de esquerda de diversos países”, opina o líder estudantil britânico Matt Myers, que deu a seu cachorro o nome Lula em homenagem ao presidente brasileiro.

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Simpatizantes de Lula fazem manifestação em frente ao instituto fundado pelo ex-presidente

“Hoje, esse não parece ser mais o caso: estamos olhando muito mais para movimentos anti-austeridade em países como Grécia e Espanha.”

Entusiasmo

No fim dos anos 2000, o entusiasmo com o então presidente brasileiro em parte parecia ser explicado por sua história pessoal de superação e sucesso, que de alguma forma refletia a trajetória do Brasil no cenário global naquele momento.

Também por ele se sentir confortável em meio à elite econômica e política do planeta e encorajar uma política externa ambiciosa e engajada. “Lula parecia apreciar o fato de estar nesse palco global, enquanto Dilma (Rousseff) tem um estilo mais contido”, diz Timothy Power, especialista em Brasil da Universidade de Oxford.

Para Matthew Taylor, “Lula já não empolga, mas ainda é respeitado por observadores estrangeiros, principalmente por seu legado social e por sua política externa mais altiva”.

Outro fator que ajudaria a proteger a reputação do ex-presidente lá fora, segundo o pesquisador do Woodrow Wilson Center, seria o fato de ele não ter sido diretamente implicado na Lava Jato e os americanos não conseguirem entender algumas acusações contra o ex-presidente.

“Como exemplo acho que dá para mencionar essa história de que ele fez lobby para as construtoras brasileiras. Fazer lobby não é ilegal nos EUA e não ficou claro o que exatamente é ilícito nisso”, diz Taylor, referindo-se ao fato de do Ministério Público Federal ter aberto uma apuração preliminar sobre o papel de Lula nos negócios fechados no exterior pela empreiteira Odebrecht.

Power, de Oxford, explica que “é natural que os políticos tenham imagens diferentes dentro e fora de seu país.”

“Acho que hoje podemos dizer que Lula é uma espécie de (Mikhail) Gorbachev (líder russo que levou adiante as reformas econômicas e políticas que levariam ao fim da URSS): apesar de sua imagem estar deteriorando internamente, ele ainda é reconhecido no exterior pelos ganhos sociais e avanços na redistribuição de renda ocorridos durante seu governo”, diz.

“O próprio Fernando Henrique Cardoso viveu em seu segundo mandato uma situação parecida, em que era mais popular fora que dentro do Brasil.”

Power opina que a “imagem do PT sofreu mais que a de Lula” , lembrando que dois tesoureiros do partido de fato estão presos.

Viagens

Segundo o Instituto Lula, depois que deixou a presidência Lula viajou para muitos países.
Nos Estados Unidos, recebeu um prêmio da World Food Prize pelos seus esforços de combate à fome e outro da International Crisis Group. Também foi à Espanha, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Salamanca.

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Imagem satirizando Lula em protesto na Paulista

No México, ressalta o instituto, proferiu palestras para empresas, recebeu o prêmio Amalia Solórzano, em 2011, e participou do lançamento de um programa contra a fome inspirado na experiência brasileira.
A maioria destas viagens, porém, ocorreu antes do aprofundamento da crise política e econômica brasileira.

Peter H. Smith, professor da Universidade da Califórnia e autor do livro Democracy in Latin America (Democracia na América Latina), opina que o ex-presidente brasileiro hoje é uma figura de divide opiniões também no exterior.

“De um lado há quem tenha a impressão que os problemas começaram com Dilma – porque, afinal, tudo parecia ir bem no Brasil até ela assumir”, diz ele.

“Acho que um observador mais atento vai entender que os problemas e esquemas que estão vindo à tona agora começaram muito antes, ainda sob Lula. E ainda há uma terceira visão minoritária segundo a qual o Brasil não tem capacidade estrutural de se tornar uma grande potência e nenhum presidente poderia contornar essa realidade. No caso, nem Lula nem Dilma teriam ‘culpa’ (pela atual crise política e econômica).”
Ruth Costas/BBC

Dona Dilma continua atirando no próprio pé

Dona Dilma jantou com uma meia centena de politiqueiros inqualificáveis. Hoje recebe um tal movimento “Marcha das Margaridas ” – seja lá o que isso for – e também os marginais do MST – quem financia esses caras?

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Faça isso não “sá mininina”!
* Afague a classe média tirando impostos dos alimentos básicos;
* Reduza para 1/16 o número do ministério leviatã;
* Peça conselhos somente a dois políticos: Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon
* Compre logo umas centenas de depufedes federais – se não sabe como fazer peça assessoria ao FHC que entende disso – afinal comprou a R$250mil /cabeça cada deupufede que votou a favor da emenda que permitiu a reeleição dele.
Assim em dezembro seu o índice de popularidade estará no mínimo acima da inflação.


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Governo teme protesto convocado para agosto

Protestos,São Paulo,Dilma Rousseff,Corrupção,Blog do MesquitaOperadores políticos de Dilma Rousseff temem que a deterioração dos índices de inflação e de desemprego potencialize a manifestação convocada por grupos que se opõem ao governo para o dia 16 de agosto.

Nas palavras de um ministro, se esse protesto for nacional e expressivo, pode passar a “falsa impressão de que a sociedade endossa o discurso golpista da oposição.”

Sem alarde, discute-se como lidar com a encrenca.

O ministro foi ouvido pelo blog na noite passada. Feita sob a condição do anonimato, a declaração é reveladora da dificuldade do governo para encontrar um tom adequado à crise. O uso do vocábulo “golpista” ecoa entrevistas de Dilma. Mas não orna com os fatos.

O que os antagonistas da presidente discutem é a destituição dela pelas vias legais. Tudo condicionado a eventuais decisões do TSE e do TCU. De resto, o debate não é exclusivo da oposição.

Envolve setores da coligação governista, incluindo grupos do próprio PMDB, o partido do vice-presidente Michel Temer.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que fragiliza a articulação anti-Dilma é a ausência de povo. Desde que as ruas voltaram para casa e as panelas pararam de soar, a aversão dos brasileiros à presidente tornou-se silenciosa. Manifesta-se apenas por meio das pesquisas de opinião.

No Datafolha mais recente, Dilma obteve uma taxa de aprovação de irrisórios 10%.

No Ibope, apenas 9%. Daí o receio do governo.

Dependendo do tamanho do ronco que o asfalto der em 16 de agosto, um domingo, os dados frios das sondagens pode ganhar uma expressão sonora difícil de ignorar.
Blog do Josias de Souza

Datafolha: Reprovação de Dilma chega a 65%

É o pior índice da presidente desde o início do mandato, em 2011

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O instituto Datafolha publicou neste sábado (20) uma nova pesquisa de aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo a pesquisa, Dilma chegou ao seu pior nível de avaliação desde que assumiu o mandato, em 2011: 65% do eleitorado reprova seu governo.

Essa taxa só não é pior do que a do ex-presidente Fernando Collor às vesperas de sofrer o impeachment (68%).

Dilma Rousseff e Michel Temer. Eles nunca conseguiram se aproximar – mas agora dependem um do outro

Segundo o Datafolha, 10% dos entrevistados consideraram o atual governo como bom ou ótimo, 24% avaliam como regular e 65% como ruim ou péssimo.

Apenas 1% disse não saber responder. Na pesquisa anterior, em abril, 60% reprovavam Dilma. Ou seja, o descontentamento com o governo aumentou cinco pontos percentuais.

De acordo com a Folha, os índices são parecidos em todas as faixas de renda da pesquisa. Entre os mais pobres, 11% aprovam e 62% reprovam, e entre os mais ricos, 12% aprovam e 66% reprovam.

O Datafolha entrevistou 2.840 pessoas, em 174 municípios do país.

O levantamento foi feito nos dias 17 e 18 de junho e divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Revista Época/O Filtro


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Dilma, popularidade e balcão de negociatas

Balcão de negociatas Blog do MesquitaA presidente Dilma Rousseff se queixa que é difícil governar em função dos entraves surgidos no congresso.

Mas todo presidente nesse presidencialismo de faz de conta brasileiro, já sabe que será assim. Tudo é  na base do é dando que se recebe.

Com a popularidade que já chegou a ostentar, poderia ter se livrado de Gilberto Carvalho, o nefasto Richelieu herdado do Lula, Ideli ‘Salve-se quem puder’ Salvatti, Vacarezas e outros ruminantes, cuequeiros e demais escudeiros do quadrilheiro Dirceu – quadrilheiro sim, pois condenando por formação de quadrilha – Mercadantes, Mantegas, Serginhos Cabrais, além de umas duas dúzias de ávidos Lobões nas dezenas de ministérios inúteis.

Há que escorraçar os Renans, Sayneys, Collors e outras porcarias que infernizam as vidas dos Tapuias.

Para quem enfrentou a tortura da ditadura militar, e sobreviveu a torturas criminosas, falta, pois ainda há tempo, “peito” para escorraçar essa malta de inúteis sanguessugas; essa corja estacionada no balcão de negociatas que é o Congresso Nacional.


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Nelson Mota: os golpistas fracassaram

O compositor, jornalista e escritor Nelson Mota, sempre um crítico mordaz da política desde que o PT chegou ao poder, reconheceu que “os golpistas fracassaram.”

O compositor de consagrada “Saveiros” – música em parceria com Dori Caymmi e interpretada por Nana Caymmi, venceu a fase nacional do I Festival Internacional da Canção – afirmou que “apesar de tudo, a presidente tem 76% de aprovação popular”

Nelson Mota também se posiciona contra a chamada regulação das mídias.

Para Nelson Mota a tentativa de regular a imprensa de maneira geral é anacrônica, uma vez que a internet já democratizou a informação.


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Bem-estar econômico” mantém popularidade de Dilma

A turma do vem a nós já está pedindo para D. Dilma parar com a faxina, poi nessa marcha não vai sobrar nem cafezinho honesto, nas plagas do Planalto Central.

A vassoura da Presidente já estava muito próxima de gabinetes palacianos.

Por outro lado, os de mãos limpas garantem à Presidente que ela deve continuar pois no fim não haverá perda de apoio político.

A verdade é que entra governo e sai governo e os governantes ficam sempre na mão dos mesmos.
O Editor.


É claro que entre aliados do Planalto ninguém passou recibo, diante da perda de popularidade da presidente Dilma Rousseff, atestada pela última pesquisa CNI/Ibope.

Era esperado que o índice caísse, com o fim da lua de mel eleitoral.

O problema é que ninguém contava com tanta instabilidade política em tão pouco tempo de governo.

Os aliados se apegam a algumas explicações que funcionam como atenuantes para o mergulho de 8 pontos em quatro meses.

Lembram que a forma como Dilma governa o país é aprovada por 67% – o que é quase setenta.

Argumentam também que a pesquisa foi feita num mau momento para o governo: coincidiu com o fim da crise e das demissões nos Transportes.

Neste caso, é apenas uma meia verdade, mas serve de consolo.

Outro fato revelador da pesquisa diz respeito à associação entre a figura e o governo do ex-presidente Lula e sua sucessora.

Segundo o levantamento, hoje 57% acreditam que o governo Dilma é igual ao de Lula, contra 64%, em abril – queda de 7 pontos percentuais, proporcional aliás à queda na própria popularidade de Dilma.

O dado indica algo óbvio: colar em Lula, seja na imagem dele ou na prática administrativa, é bom para a popularidade de Dilma, descolar é chumbo, na certa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pode significar ainda que Dilma ainda não tem identidade própria, para a maior parte das pessoas entrevistadas, que a vêem apenas como uma espécie de continuidade de algo conhecido e aprovado: Lula e seu governo.

Os resultados da aprovação de Dilma ainda são tão altos provavelmente, não apenas pela associação com Lula, mas também pela manutenção de um certo “estado de bem-estar econômico”.

A capacidade de consumo não foi afetada, embora tenha aumentado o número de pessoas que discordam da política de combate à inflação (de 42% para 56%).

Mas a oscilação da popularidade de Dilma é considerada no governo um problema menor, diante do pavor dos efeitos sobre o Brasil de um eventual tsunami vindo da economia.

blog da Christina Lemos

Lula e a sentimentalização política

Discordo da ótica do articulista quanto á popularidade do Lula vir da manipulação da mídia. O brasileiro que ascendeu de classe de consumo não lê jornal. Entre os que lêem a maioria não lhes dá credibilidade, em função das descaradas manipulações, sejam a favor, sejam contra.

Penso que existe muito mais um reconhecimento parte da classe menos favorecida ao governante que olhou com mais atenção para as elas, as classes menos favorecidas, do que propriamente uma sentimentalização da política.
O Editor


A legitimidade política do Presidente Lula, com cerca de 80% de aprovação, deve-se à política econômica, simbolizada no fato de que em 2003 28% da população estava na linha da miséria e no final de 2009 apenas 15,5%, como divulga CPS/FGV. Ascensão social em massa sem precedentes.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Deve-se também a um criativo processo de comunicação da Presidência com a maioria da população. Processo que ultrapassou partidos, sindicatos e movimentos sociais. Abandonou os tradicionais ritos do poder. Mas não prescindiu da mídia. Da mídia livre. Ao contrário, construiu-se através dela.

Há cerca de um ano, uma pesquisadora relatou-me que no meio de uma sessão de focus group, tentando desenhar a tendência do eleitorado, uma senhora de classe D, agitou-se e sussurrou com imensa angustia. “Meu marido me abandonou. Era alcoólatra. Me deixou sozinha.

Com dois filhos pra criar. Sem dinheiro em casa.” Sua ansiedade a atropelava. “Vivo do bolsa família. Quem coloca dinheiro na minha casa é o Lula.” Parou. “Ele é que é o meu marido”. Sentenciou. Deu-se, no grupo, um momentâneo e eterno silêncio de espanto.

Nestes oito anos, Lula construiu uma identificação sentimental com grande parte do eleitorado. Se Gilberto Freyre estivesse aqui diria que houve uma sentimentalização das relações políticas. Como foi construído esta sentimentalização?

Ao contrário de outros países, não se baseou em mobilizações de rua, greves, manifestações de acirramento reivindicatório, de animus belli. Não foi sentimentalização de confrontos. Nem de fundo religioso, como ocorre nos Estados Unidos. Tentada sem sucesso na campanha, lembrou Bresser, na importada questão sobre o aborto. Houve sim, no período de Lula, uma politização do afeto, diria Gisalio Cerqueira.

Esta politização iniciou com a construção de uma intimidade do Presidente com o telespectador, ouvinte ou leitor de jornal. Através de presença quase quotidiana do Presidente na casa de cada um. A mídia livre abriu a porta para Lula entrar na casa e sentar na sala ou na mesa do bar. Intimidade construída não por pronunciamentos oficiais, televisões e rádios do governo.

Estes contaram quase nada. Contaram sim os comentários inusitados de sua personalidade como homem de classe média, livremente veiculados. Não há quem não se lembre do inusitado diagnóstico presidencial sobre a crise financeira mundial de 2008: uma marolinha.

O Presidente também adotou uma estética popular, que lhe é própria e natural. Sua imagem com razoável barriga de fora e desajeitada caixa de isopor na cabeça deve ter provocado na elite e na classe média horror estético.

Sensação de ridículo. Indicador visual da desconstrução da autoridade do cargo. Mas foi o identificador com grande parte do eleitorado, no fundamental tema de tomar cervejinha na praia, trocar idéias e jogar conversa fora, que tantos gostam. Aliás, todo dia anúncios de televisão associam cerveja com fraternidade, cumplicidade, vitória. A presidência também associou.

Nesta construção da politização do afeto, o Presidente com certeza se beneficiou de um ruído comunicativo. Da desconexão entre a veiculação de um disparate presidencial como crítica, e a recepção desta veiculação como identidade popular. O que muito editor veiculou como ridículo e, portanto crítica, o eleitor o recebeu como natural e favorável.

A construção de uma intimidade afetuosa no quadro da sentimentalização da política contribuiu para que o Brasil vivesse um de seus momentos de menor mobilização de massa. As ruas foram desocupadas por movimentos sociais dirigidos partidariamente e ocupadas pelos traficantes e milícias ilegais e difusas.

Alguns mais críticos diriam que foi a politização do afeto que despotencializou greves. Outros preferem achar que foi a combinação de sentimentalização, do alto para baixo, com os benefícios sócios econômicos.

É muito fácil fazer análises a posteriori, como esta. Imaginando agora o que não teria sido imaginado de antemão. Não acredito que a sentimentalização da política tenha sido premeditada. É mais o resultado da convergência entre a intuitiva personalidade do Presidente, o avanço da política econômica e a mídia livre.

Quando livremente se veicula o inoficial, comunica-se o autêntico. A mídia livre é a única que permite isto. A mídia oficial, jamais. Aliás, um dos sucessos da internet é justamente a comunicação das intimidades em graus inimagináveis. O que o internauta quer, o jovem quer é o espetáculo do acidente do humano.

Não quer que este acidente seja construído nem por editores oficiais nem por partidos confessionais. A sentimentalização da política é uma pauta contemporânea. E foi sem querer, uma das bases de legitimação do atual governo.

Joaquim Falcão/blog do Noblat

Eleições 2010 e a popularidade do Lula

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Como fizemos no final do ano passado, a coluna de hoje e as próximas duas são dedicadas a um balanço do ano político que termina. Nelas, vamos discutir três assuntos que poderiam ser considerados os mais importantes de 2009.

Em um repeteco de 2008, o primeiro e o que mais impacto teve na nossa vida política este ano voltou a ser o tamanho da popularidade de Lula. Ela chega, neste dezembro, a novos níveis históricos e influenciou de maneira decisiva o segundo tema de que trataremos, a maratona eleitoral em direção a 2010, uma corrida tão longa que ameaça deixar esgotados candidatos e eleitores.

Lula tem hoje uma popularidade que não conhecíamos em nossa experiência democrática. Sobre os presidentes da República de 1945, quase não há dados comparáveis, mas toda a evidência, baseada em outras fontes, diz que não.

Quem consultar a imprensa do período, quem ler seus intérpretes, quem tiver memória própria, saberá que nenhum deles gozou da unanimidade com que conta o atual. Fora o fato de todos, com a possível exceção de Dutra, terem enfrentado crises agudas onde seus mandatos foram questionados, através de golpes, ameaças de golpe e sublevações diversas, de origem civil ou militar.

Da redemocratização em diante, o mesmo. Sarney, Collor, Itamar e Fernando Henrique, cada um à sua maneira, tiveram seus auges de aprovação. No governo Sarney, ele foi alcançado dois anos depois da posse e durou alguns meses, na breve vida do Plano Cruzado. Quando o plano acabou de maneira decepcionante, Sarney nunca mais se recuperou.

O de Collor foi o mais engraçado, pois aconteceu antes que chegasse ao governo. No intervalo entre a vitória em dezembro de 1989 e a posse em março de 1990, as pesquisas mostraram que eram elevadíssimas as expectativas sobre seu desempenho e a avaliação positiva quase universal. Do discurso de posse ao final antecipado do governo, no entanto, os números só foram ladeira abaixo.

Itamar experimentou algo parecido, mas terminou de maneira diferente. Quando assumiu, em meio à crise do impeachment, toda sociedade torcia por ele e lhe tinha apreço. Mas seu governo teve uma aprovação sempre declinante, até ser recuperado pelo Plano Real.

Se Sarney começou baixo (pela frustração com a morte de Tancredo e a desconfiança que contra ele existia), subiu (com o Cruzado) e terminou mais baixo ainda, Itamar fez o percurso inverso: de alto a baixo e depois a alto de novo.

Sobre a avaliação de Fernando Henrique, o que mais chama a atenção, atualmente, é quão mal ela resistiu à passagem do tempo. Ao contrário dos bons vinhos, quanto mais tempo passa, pior fica.

Os elementos que fizeram com que ela fosse elevada, há poucos anos, como que sumiram. As realizações de seu governo, decisivas para que o país estivesse hoje melhor, ficaram secundárias, frente à antipatia com que é visto pela maioria das pessoas.

E Lula? Não só sua avaliação média, nos últimos dois anos, ganha de goleada da que todos tiveram, quanto os ultrapassa nos seus picos de popularidade. Ou seja, o Lula do dia a dia é mais bem avaliado que o Sarney do Cruzado, o Collor de antes da posse, o Itamar do dia da posse, o FHC do Plano Real.

Deixando de lado as explicações que têm sido aduzidas para esse fenômeno, de uma coisa podemos estar certos: a campanha eleitoral de 2010 só vai fazer com que Lula fique maior.

Do lado de Dilma, sua figura será enaltecida a ponto de se confundir com os arcanjos e os querubins. Sua campanha dirá que a obra de Lula é extraordinária, para justificar sua proposta de apenas mantê-la.

Do lado de Serra, ele mesmo tem afirmado que pretende polemizar é com Dilma, pois quer tudo, menos se defrontar com o presidente.

Se Dilma ganhar, algo que hoje parece muito possível, teremos criado, em Lula, uma figura que nossa imaginação política não conhecia e que nossa cultura não está preparada para absorver: um líder inconteste, legitimado por um apoio popular quase unânime. Querendo, voltaria à Presidência quantas vezes pudesse.

O perigo é que, nesse ponto, só sua convicção democrática nos separaria de outra aventura autoritária. Ainda bem que a tem.

Correio Braziliense