Economia: PIB da China despenca no primeiro trimestre

A segunda maior economia do mundo recua 6,8%, segundo dados oficiais, devido à pandemia de coronavírus. É a primeira queda desde que começaram a ser divulgados resultados trimestrais, em 1992.
Atividade industrial foi duramente afetada pelo combate ao coronavírus

A economia da China caiu pela primeira vez em décadas no primeiro trimestre de 2020, devido à crise do coronavírus, que praticamente freou a atividade econômica no país asiático.

O Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) anunciou nesta sexta-feira (17/04) que o Produto Interno Bruto (PIB) da China caiu 6,8% no período de janeiro a março, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

A queda se deveu às limitações sociais impostas pelo governo no combate ao novo coronavírus, que impediram a movimentação de trabalhadores, fecharam fábricas e lojas e afetaram duramente a economia.

Alguns analistas supõem que os números foram mascarados e que a queda real é ainda pior. “A contração real no primeiro trimestre é sem dúvida muito maior do que sugerem as cifras oficiais”, estima o economista Ting Lu, do banco de investimento Nomura.

É a primeira queda desde 1992, quando a China começou a divulgar dados trimestrais. A última vez em que a China experimentou um ano de queda na economia foi em 1976, no fim da Revolução Cultural.

No primeiro trimestre do ano, a atividade industrial recuou 8,4% na China. As vendas caíram 19%. No geral, os resultados de março são melhores dos que os de janeiro e fevereiro, o que indica uma recuperação.

Em 2019, a economia da China, a segunda maior do mundo, cresceu 6,1%, um resultado modesto para um país acostumado a elevadas taxas de crescimento econômico nas últimas décadas.

Para este ano, muitos analistas avaliam que um crescimento de 1% a 3% é viável.

AS/afp/efe

Economia,Blog-do-Mesquita,Bancos,Finanças 02

Uma nova era do gelo ou uma recessão sem igual?

Ninguém dessa geração pós 1929 experimentou uma queda econômica tão repentina.Economia,Blog do Mesquita

Ainda não podemos dizer que estamos em recessão, pelo menos não formalmente. Um comitê decide essas coisas – não, realmente. O governo geralmente adota a visão de que uma contração não é uma recessão, a menos que a atividade econômica tenha caído mais de dois quartos.

Mas estamos em recessão e todo mundo sabe disso. E o que estamos experimentando é muito mais do que isso: um cisne negro, uma guerra financeira, uma praga. Talvez as coisas pareçam normais onde você está. Talvez as coisas não pareçam normais. As coisas não são normais.

Por semanas ou meses, não saberemos quanto o PIB desacelerou e quantas pessoas foram forçadas a sair do trabalho. As estatísticas do governo demoram um pouco para serem geradas. Eles olham para trás, os números mais recentes ainda mostram uma economia quente perto do pleno emprego.

Para quantificar a realidade atual, precisamos contar com histórias de empresas, pesquisas com trabalhadores, fragmentos de dados privados e alguns números de estados. Eles mostram uma economia que não está em crise, em contração ou em uma situação delicada, sem sofrer perdas ou vender ou corrigir. Eles mostram evaporação, desaparecimento no que parece uma escala religiosa.Economia,Capitalismo,Blog do Mesquita 01

O que está acontecendo é um choque para a economia americana, mais repentino e severo do que qualquer pessoa viva já experimentou. A taxa de desemprego atingiu o ápice de 9,9% 23 meses após o início formal da Grande Recessão. Apenas algumas semanas após a pandemia doméstica de coronavírus e apenas alguns dias após a imposição de medidas de emergência para detê-la, quase 20% dos trabalhadores relatam que perderam horas ou perderam o emprego.

Uma pesquisa em folha de pagamento e agendamento sugere que 22% das horas de trabalho foram evaporadas para funcionários horistas, com três em cada 10 pessoas que normalmente comparecem para o trabalho que não ocorre na terça-feira. Na ausência de uma forte resposta governamental, a taxa de desemprego parece alcançar alturas nunca vistas desde a Grande Depressão ou até o miserável final do século XIX. Uma taxa de 20% não é impossível.

Temer e Odebrecht

As delações da Odebrecht e outras quatro ameaças que pairam sobre o governo Temer.

Michel Temer

Delações da Odebrecht, julgamento de chapa Dilma-Temer no TSE, pressão das ruas, deterioração da economia e perda de apoio político podem abreviar gestão do peemedebista
Apesar de ter pouco tempo de vida, o governo Michel Temer já passa por sua maior prova.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Delações da Odebrecht, julgamento de chapa Dilma-Temer no TSE, pressão das ruas, deterioração da economia e perda de apoio político podem abreviar gestão do peemedebista.

Apesar de ter pouco tempo de vida, o governo Michel Temer já passa por sua maior prova de fogo.

O novo capítulo da crise que atinge em cheio a gestão do peemedebista foi escrito na última sexta-feira, com o vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. Ele acusa Temer e vários de seus ministros de envolvimento em um esquema de repasse de recursos em troca de favores à empreiteira ─ o que os políticos negam.

No entanto, segundo a edição desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, teria confirmado o escopo das declarações a procuradores da Lava Jato.

De acordo com Melo Filho, Temer pediu R$ 10 milhões à Odebrechet para custear a campanha do PMDB nas eleições de 2014.

Em uma nota divulgada no fim de semana, o presidente nega as acusações e diz que as doações da Odebrecht ao PMDB foram legais e registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

Analistas sugerem ser prematuro antecipar o fim do governo Temer. Contudo, segundo prevê a Constituição, se ele deixasse o cargo antes do dia 31 de dezembro deste ano (por renúncia ou cassação), haveria novas eleições. Depois disso, caberia ao Congresso eleger o novo presidente indiretamente.

Confira cinco ameaças que pairam sobre a gestão.
Sede da Odebrecht em São PauloVazamento do acordo de delação premiada de ex-executivo da Odebrecht estremeceu governo

1) Delações da Odebrecht

O vazamento do conteúdo do acordo de delação premiada de Melo Filho caiu como uma bomba no governo Temer.

Nele, o ex-executivo cita 51 políticos de 11 diferentes partidos. Sobre Temer, diz que o atual presidente pediu pessoalmente R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira, para as campanhas do PMDB em 2014. O nome do peemedebista é mencionado 48 vezes na delação.

Nesta quarta-feira, segundo informou o jornal Folha de S. Paulo, Marcelo Odebrecht, que também fechou acordo de delação premiada, confirmou o escopo das declarações de Melo Filho.

Temer negou “com veemência” as acusações.

“O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho. As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, diz o comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto também na sexta-feira.

Em carta enviada nesta segunda-feira ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer pediu rapidez nas investigações e classificou como “ilegítima” a divulgação de trechos vazados de acordos de delação.

“O fracionado ou porventura lento desenrolar de referidos procedimentos pré-processuais, a supostamente envolver múltiplos agentes políticos, funciona como elemento perturbador de uma série de áreas de interesse da União”, disse.

Melo Filho também citou dois ministros da alta cúpula do governo e muito próximos ao presidente: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco, secretário de Parcerias de Investimentos. Ex-ministros, como o senador Romero Jucá (ex-Planejamento) e Geddel Vieira Lima (ex-Secretaria de Governo) também são mencionados no material.

Nomes da alta cúpula do PMDB, partido de Temer, também foram citados, como o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o líder do partido na casa, o senador Eunício Oliveira. Todos negam irregularidades.

A delação de Melo Filho é apenas uma de 77 envolvendo executivos da Odebrecht. O acordo de leniência foi assinado pela empreiteira com os procuradores da Lava Jato no último dia 1º de dezembro.

Mas para que as delações sejam homologadas por Teori Zavascki, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e relator dos processos relacionados à operação na corte, os executivos precisam apresentar provas e prestar depoimentos para confirmar o que apresentaram de forma resumida na negociação.

Nos bastidores, aliados do governo Temer já discutem pedir a anulação da delação de Melo Filho, a exemplo do que ocorreu com a do ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro, que também vazou na imprensa.

Ao custo jurídico ─ se comprovada a irregularidade, o presidente poderia perder o cargo em última análise ─ soma-se, principalmente, o custo político, já que o governo pode não aguentar a pressão das ruas ou a erosão de sua base de apoio no Congresso.

Montagem de Michel Temer e Dilma RousseffTSE deve julgar chapa Dilma-Temer no início do ano que vem

2) Julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

O TSE deve julgar no começo do ano que vem a ação contra a chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014.

A ação é de autoria do PSDB. O partido defende que Dilma e Temer cometeram abuso de poder político e econômico e tiveram a campanha à reeleição abastecida com recursos desviados da Petrobras.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro Herman Benjamin, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), relator do processo, afirmou que a apresentação do relatório-voto da ação deve acontecer em fevereiro.

A decisão sobre quando será apresentado o relatório-voto será anunciada nesta terça-feira.

Se julgar a ação procedente, o ministro também terá de decidir se cassa Dilma ou se cassa a chapa Dilma-Temer.

Mas o voto de Benjamin terá ainda de ser apreciado por seis outros ministros que compõem o plenário da corte, presidida por Gilmar Mendes, ministro do STF.

Protesto contra TemerSegundo Datafolha, 63% da população querem que Temer renuncie imediatamente para que eleições diretas sejam realizadas.

3) Pressão das ruas

Outro risco que tem o potencial de abreviar o governo Temer pode vir das ruas.

Mas isso dependerá de uma adesão mais ampla aos protestos contra o governo.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta segunda-feira revelou que a rejeição ao presidente disparou.

Segundo o levantamento, 51% dos brasileiros consideram o governo de Temer “ruim” ou “péssima”, frente a 31% em julho.

Já os que veem a gestão como “regular” somam 34%, uma queda em relação aos 42% da pesquisa anterior, quando o peemedebista ainda era presidente interino.

O índice dos que avaliam o governo como “ótimo” ou “bom” caiu de 14% para os atuais 10%. Não souberam opinar 5% dos entrevistados.

De acordo com o Datafolha, metade dos brasileiros veem Temer como autoritário e 58%, desonesto. Já 65% julgam o presidente como falso (65%), muito inteligente (63%) e defensor dos mais ricos (73%).

Em uma escala que vai de zero a dez, a nota média dada ao governo é de 3,6.

Além disso, 63% da população afirma querer que Temer renuncie imediatamente para que eleições diretas sejam realizadas.

A pesquisa foi feita antes dos novos detalhes da delação da Odebrecht envolvendo o peemedebista.

Em setembro, logo após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, milhares foram às ruas contra Temer e pediram novas eleições.

Já no fim do mês passado, as principais capitais do país registraram protestos contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto dos gastos, a anistia para o caixa dois eleitoral e o atual governo.

Na terça-feira, o Senado aprovou a PEC que congela os gastos federais pelos próximos 20 anos, por 53 votos a favor e 16 contra, em última votação na casa.

A proposta deverá ser promulgada em sessão do Congresso Nacional na quinta-feira. Com a promulgação, o texto passa a ter força de lei.

Durante e depois da votação, protestos foram registrados em São Paulo e em Brasília. Mais manifestações estão previstas para os próximos dias.

Real brasileiroPIB brasileiro deve crescer apenas 0,7% em 2017, prevê mercado

4) Deterioração da economia

A recessão prolongada também vem testando a paciência dos brasileiros com Temer.

Segundo a mesma pesquisa do Datafolha, a população avalia negativamente as perspectivas da economia.

Nos últimos meses, a situação econômica do país piorou na opinião de 65% dos brasileiros e se manteve estável para 25%. Somente 9% disseram que houve melhora.

Para 66%, a inflação vai aumentar; 19% acreditam que ficará como está e 11% preveem queda.

Já 67% esperam por um crescimento do desemprego, enquanto 16% afirmaram que o índice vai diminuir e 14% que ficará estável.

Em relação ao poder de compra, 59% acreditam que vai cair, 20% que não vai mudar e 15% que aumentará.

O pessimismo é compartilhado pelo mercado.

Segundo um comunicado do banco Itaú Unibanco, “as reformas fiscais continuam a avançar, mas a incerteza política cresceu”.

“A atividade econômica decepcionou negativamente, por isso reduzimos nossa expectativa do PIB para 2017. A inflação continua a cair, a taxa de câmbio permanece próxima ao equilíbrio e esperamos que o Banco Central acelere o ritmo de corte dos juros em janeiro”, informou o banco em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira.

No trimestre encerrado em setembro, o PIB (Produto Interno Bruto, ou a soma de riquezas produzidas pelo país) recuou 0,8% em relação aos três meses anteriores, a sétima queda consecutiva nessa comparação.

Já de acordo com o último boletim Focus, mediana das estimativas do PIB feita com base nas opiniões das instituições financeiras e divulgada toda semana pelo BC (Banco Central), a economia vai crescer apenas 0,7% no ano que vem, ante a 0,8% previsto anteriormente. Foi a oitava queda consecutiva.

Além disso, o desemprego subiu para 11,8% no terceiro trimestre (julho a setembro). Trata-se da maior taxa de toda a série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Atualmente, o Brasil soma 12 milhões de desocupados.

Com o objetivo de neutralizar o impacto das delações da Odebrecht, Temer decidiu acelerar o anúncio de um minipacote econômico, com a previsão de criar 200 mil postos de trabalho nos próximos quatro anos.

As medidas giram em torno da facilitação de crédito e devem ser anunciadas ainda nesta semana.

Paralelamente, o governo quer aprovar nesta terça-feira – ou seja, antes do recesso do Congresso, em 16 de dezembro – a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2017 e a admissibilidade da Reforma da Previdência pela Constituição de Constituição e Justiça da Casa.

Outro foco de Temer é votar ainda nesta semana a PEC do teto dos gastos em segundo turno no Senado.

Congresso brasileiroTemer precisa evitar a todo custo a debandada dos partidos aliados, sobretudo do “centrão”

5) Perda de apoio político

Ainda que conte com o Congresso a seu favor – cenário diferente do de Dilma, por exemplo -, Temer precisa evitar a todo custo a debandada dos partidos aliados, sobretudo do “centrão”.

Formado por representantes de 12 siglas (PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL), o “centrão” consiste em um bloco informal de cerca de 200 deputados governistas do chamado “baixo clero” e vem sendo o fiel da balança de governabilidade do peemedebista.

Recentemente, porém, houve atritos entre o grupo e o Palácio do Planalto. Um deles foi a indicação do deputado Antonio Imbassahy, do PSDB, líder do partido na Câmara, para ocupar o cargo de Secretaria do Governo no lugar deixado por Geddel Vieira Lima.

O “centrão” também está de olho na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, atualmente ocupada por Rodrigo Maia (DEM-RJ), em fevereiro do ano que vem. Maia é candidato à reeleição.

“Aumentamos de 10% para 20% o risco de Temer cair, mas, apesar desse risco ter aumentado, ele ainda permanece baixo. A variável-chave para saber se isso deve acontecer vai depender se haverá protestos significativos nas ruas pedindo sua saída ou se ele perderá apoio no Congresso. Mas ambas as hipóteses permanecem pouco prováveis”, informou um comunicado divulgado pela consultoria de risco político Eurasia Group.

“Com a economia não dando sinais claros de uma recuperação robusta, os congressistas sabem que se Temer cair (…), a recessão pode se arrastar para 2017. Isso pode se provar desastroso para quem está tentando se eleger em 2018 em um contexto no qual os eleitores estão irritados com a classe política e as fontes tradicionais de financiamento para as campanhas das construtoras secaram.”

“Com menos de dois anos para as eleições de 2018, o principal ativo de Temer no Congresso é de o que a maioria dos legisladores veem no sucesso de sua gestão a única forma de evitar um cenário de ‘terra arrasada'”, finalizou a nota.

China continua a descer a ladeira. Como previsto.

Sem pretensão à pitonisa, escrevi lá em 2010 que era técnica e economicamente impossível um país crescer constantemente a 10% anualmente. Ali já ficava claro que era contabilidade de “talhadeira e marreta”.

pib-chinaeconomiabilderbersblog-do-mesquita

A chefona do BC americano, FED, afirmou que as condições financeiras da China, a segunda maior potência econômica, podem prejudicar o ritmo de crescimento dos EUA.

Em relação à China, a queda do yuan teria intensificado a incerteza sobre a política cambial chinesa, pois teria aumentado a volatilidade do mercado financeiro, derrubando os preços das commodities.

Detalhe: a China é a maior investidora dos Títulos do Tesouro em papel pintado, ops, dólares, do Tio Sam.

Quanto ao Brasil, pra variar estamos no fio da navalha. Enquanto a PEC monopoliza discussões – não adianta o trololó de parte a parte pois só aumentará o tamanho do buraco, se a recente desvalorização da moeda chinesa se intensificar, o Brasil será inundado de produtos chineses, que devem comprar cada vez mais barato a matéria-prima brasileira.

Ps. Pros lados dos Bilderbergse dos aquinhoados com a Conferência de Bretton Wood, houve-se espoucar de foguetes e estouros de “Veuve Clicquot”
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‘Quarta revolução industrial’: Como o Brasil pode se preparar para a economia do futuro

(Foto: Thinkstock)
Estudos apontam que Brasil precisa investir mais em educação e tecnologia
Image copyright Thinkstock

 Essa realidade, que já começamos a experimentar no dia a dia, significa uma economia com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas, na qual as diferenças entre homens e máquinas se dissolvem e cujo valor central é a informação.

Mas, será que o Brasil está preparado para essa nova revolução?

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o país se saiu bem na redução de desigualdade social na última década, mas precisa investir mais em educação e inovação para obter ganhos em produtividade e geração de empregos nesta nova economia.

“O grande desafio à frente é manter os avanços sociais e estimular o aumento da produtividade”, afirmou Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), órgão ligado à ONU.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Novos pactos sociais” são importantes para que esse momento de rompimento econômico transforme-se em oportunidades, avalia.

“É necessário construir novas alianças que transpassem partidos políticos e viabilizem condições para a criação de um novo ciclo de investimento”, disse Bárcena. “Integrar mercados regionais em tecnologias-chave, por exemplo com a criação de um mercado digital comum, e o incentivo a cadeias regionais de tecnologias e produtos verdes.”

O Brasil tem elevado o investimento direto em educação. No período compreendido entre a virada do milênio e 2013, o total cumulativo investido por estudante ao longo da vida acadêmica, do jardim de infância à universidade, passou de R$ 106 mil para R$ 162 mil. O aumento de mais de 50% tem base em dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), vinculado ao Ministério da Educação.

(Foto: Jean-Christophe Bott/EPA)
“Quarta Revolução Industrial” é tema do Fórum Econômico Mundial, em curso na Suíça – Image copyright EPA

Ainda assim, o Brasil permanece abaixo da média dos países ricos, conforme retrata o Pisa, ranking internacional que avalia a qualificação de estudantes do mundo todo.

No levantamento de 2012 foi observado que quase metade dos alunos não apresenta competências básicas de leitura. Além disso, outra análise da mesma organização, mas de 2015, estimou que os estudantes brasileiros são muito fracos na capacidade de navegar sites e compreender leituras na internet, ficando à frente apenas da Colômbia e dos Emirados Árabes em um ranking com 31 países.

Inovação digital

As três revoluções industriais anteriores tiveram início nos países desenvolvidos, chegando com atraso ao Brasil. A primeira foi a iniciada no fim do século 18, quando água e vapor foram utilizados para mover máquinas na Inglaterra. A segunda veio do emprego de energia elétrica na produção em massa de bens de consumo. A terceira é a do uso da informática, iniciada em meados do século passado.

A revolução atual, aliás, segue na esteira dessa anterior: é caracterizada por sua natureza hiperconectada, em tempo real, por causa da internet. Além das mudanças nos sistemas de produção e consumo e amplo uso de inteligência artificial, ela também traz o desenvolvimento de energias verdes.

Com o fim da diferenciação entre homens e máquinas, uma nova quebra do modelo de cadeias produtivas e as interações comerciais em que consumidores atuam como produtores, mais de 7 milhões de empregos serão perdidos, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial.

(Foto: Aluisio Moreira/SEI)
Energias verdes, como a eólica produzida por essas turbinas em PE, fazem parte da nova revolução – Image copyright Alusio Moreira I SEI

Como o Brasil poderia se preparar para esse momento?

“Idealmente, deveria implementar políticas de fortes incentivos que nivelem por cima, não apenas na área de formação e capacitação de trabalhadores para o uso de novas tecnologias, mas priorizando também investimentos em pesquisa e desenvolvimento para que o país não se torne um mero consumidor de tecnologias”, sugere a Vanessa Boana Fuchs, pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de St. Gallen, na Suíça.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Accenture estima que a participação da economia digital no PIB do Brasil saltará dos atuais 21,3% para 24,3% em 2020 e valerá US$ 446 bilhões (R$ 1,83 trilhão).

O mesmo estudo aponta que o país precisa manter os níveis atuais de educação e expandir investimentos em novas tecnologias e na geração de uma cultura digital para acelerar ainda mais o progresso. Se o Brasil aplicar recursos ativamente nessas áreas, a consultoria prevê que o segmento econômico poderá movimentar outros US$ 120 bilhões (R$ 494 bilhões) além do previsto.

Neste mês, a presidente Dilma Rousseff sancionou Marco Legal da Ciência e Tecnologia, novo parâmetro legislativo que promete reduzir a burocracia, facilitando investimentos em pesquisa e ciência nas iniciativas pública e privada. Além disso, o governo anunciou edital de financiamento de R$ 200 milhões para pesquisa e desenvolvimento.

Professor de economia e direito da Universidade de St. Gallen, Peter Sester afirma que o Brasil deveria estar investindo mais e ter aproveitado melhor a riqueza gerada pela exportação de commodities, cujo preço agora está em baixa no mercado internacional.

“O Brasil não utilizou a renda extra em tributos e royalties de minério de ferro e outras commodities durante o superciclo para investir consequentemente em infraestrutura, educação, pesquisa e desenvolvimento, ou ao menos fazendo um fundo de reserva para quando o ciclo passasse.”

(Foto: Pedro Ribas/ANPr)
Brasil perdeu a chance de aplicar recursos de commodities em educação, diz especialista – Image copyright Pedro Ribas ANPr

Para Sester, a “ineficiência foi subsidiada com o dinheiro dos contribuintes”, criticando subsídios estatais a determinados setores.

No auge do ciclo, o PIB brasileiro chegou a registrar crescimento de 7,5% em 2010. A previsão do Fundo Monetário Internacional para este ano é de retração de 3,5% na economia.

Ameaças

Bárcena vê três ameaças no horizonte da quarta revolução industrial: o aumento da desigualdade, as mudanças climáticas e a tendência recessiva das economias. Desafios, afirma, que podem ser solucionados com investimento estatal e políticas públicas ativas.

“Políticas fiscais expansionistas podem ajudar a evitar tendências recessivas e recuperar empregos (…). Acesso universal a educação e saúde encorajam demanda agregada e aumento de produtividade”, defende.

“Políticas sociais voltadas ao amparo social universal e no combate à desigualdade podem promover um incentivo crucial para a demanda minguante em todos os lugares”, acrescenta.

Para a especialista, o investimento público deve ter um “componente ambiental” forte, que mova a economia mundial a um caminho de baixo carbono, ou seja, de baixa emissão de gases de efeito estufa. Essa alternativa, afirma, contribui muito mais para a geração de empregos do que a indústria poluente.

“O desafio é direcionar as novas e antigas tecnologias para a utilização mais eficiente de recursos naturais, energias renováveis e sustentável, cidades inteligentes que possibilitem evitar desperdício de energia e produção”, avalia Vanessa Fuchs.
Marina Wentzel De Basileia para a BBC Brasil

Governos que enganam a si mesmos

O problema endêmico da quantificação e manipulação estatística de dados nas economias centralizadas.

Governos que enganam a si mesmos
Funcionários sabem que seus empregos (e às vezes suas vidas) dependem de atingir essas metas e, assim, os números são alterados (Foto: Wikimedia)
No final da década de 1980, Mikhail Gorbachev tentou corajosamente recuperar a economia da antiga União Soviética, bastante deteriorada em comparação com a situação econômica dos países ocidentais.
Mas como Robert Service revelou em seu livro The End of the Cold War: 1985-1991, nem mesmo Gorbachev percebeu o estado tão crítico da economia soviética. Service teve acesso aos registros das reuniões do Politburo.
A partir da leitura desses documentos ficou evidente que os números oficiais das despesas com defesa em proporção ao PIB haviam sido subestimados. Em geral, as estatísticas não eram confiáveis.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Em determinada ocasião, os negociantes de armas soviéticos tentaram fazer um acordo com Ronald Reagan e descobriram constrangidos que não sabiam quantos mísseis nucleares o país tinha.

Esse problema é endêmico em  países com economias centralizadas. Os governos estabelecem metas no seu escalão superior; os burocratas e funcionários do partido sabem que seus empregos (e às vezes suas vidas) dependem de atingir essas metas e, assim, os números são alterados para cumpri-las. Além disso, quase sempre as metas estão erradas.

No final da década de 1980, a maioria dos países ocidentais substituiu a economia baseada na produção industrial por uma concentração maior no setor de serviços, mas a antiga União Soviética continuou obcecada com a produção de ferro e aço.

O colapso dos preços da energia expôs os problemas reais da economia.

Gorbachev não estava disposto a dar ajuda financeira aos países comunistas do Leste Europeu,  nem para seu mérito eterno, de fazer uma intervenção militar para apoiá-los.

Por fim, os cidadãos desses países conseguiram depor seus governantes.

A Argentina e a Venezuela são exemplos recentes da manipulação de dados econômicos. No caso da Argentina, o governo Kirchner alterou sistematicamente os índices da inflação.

A Venezuela, um país com grandes reservas de petróleo, administrou tão mal a economia que agora enfrenta um enorme déficit orçamentário, uma inflação galopante e a falta de produtos básicos de consumo nas prateleiras dos supermercados.

E os que tentaram mostrar os números reais foram acusados de ajudar os especuladores estrangeiros.
The Economist-Self-deluding governments

Tropeço da China pode abalar o mundo?

Economia,China,Blog do MesquitaQuando uma grande economia entra em crise, o resto do mundo sente as consequências. No caso da China, elas podem ser gigantescas. Está óbvio que a economia chinesa enfrenta sérios problemas.

O contágio global gerado por crises em economias importantes sempre acaba sendo pior do que o anunciado.
No caso da China, esse problema ganha proporções gigantescas.
Está óbvio que a economia chinesa enfrenta sérios problemas.O quão grande eles são é difícil dizer, já que as estatísticas oficiais da China não são tão confiáveis.

A fonte dos problemas financeiros da China é o modelo econômico adotado pelo país, que envolve poupanças muito altas e baixo consumo.

Este modelo só era sustentável enquanto o país crescia a um ritmo acelerado, o que gerava um alto investimento, estimulado pela ampla oferta de trabalhadores rurais mal remunerados.

Esse modelo entrou em choque e a China, agora, enfrenta o desafio de realizar a transição de uma economia de crescimento eufórico para moderado, sem cair em recessão. Esse processo pode ter sérias implicações para o resto do mundo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

George Soros chegou a comparar o cenário com a crise global de 2008, em um fórum econômico realizado esta semana, no Sri Lanka.

“A China enfrenta um grande problema estrutural. Eu diria que equivale a uma crise. Quando analiso o mercado financeiro, vejo um grande desafio que me lembra a crise que tivemos em 2008”, disse Soros.

Há duas possibilidades. A primeira é que o impacto das agruras chinesas será gerenciável. A China é uma grande economia que responde por um quarto da manufatura mundial e gasta mais de US$ 2 trilhões anuais em importação de bens e serviços.

É claro que tudo que ocorre lá afeta os demais países, mas o mundo é grande, com um PIB de US$ 60 trilhões anuais, excluindo a China.

Porém, a ameaça está nas ligações financeiras da China com os demais países, o que pode acabar tornando os problemas do país em uma crise global. O ciclo de negócios entre os países é mais sincronizado do que deveria.

Além disso, as crises têm o poder de contaminar o mercado financeiro mundial. Boas ou más notícias em uma grande economia afetam o humor de outra.

A grande preocupação é que a China exporte sua crise, fazendo o gasto com investimentos nos EUA, Europa e nos países emergentes despencar. Nenhum país está pronto para lidar com isso.

A maior aposta é que a China entre em crise, mas exporte apenas uma turbulência suportável para o resto do mundo.

A expectativa é que essa aposta se confirme, já que nenhuma economia do mundo tem um plano B para lidar com o contrário.

Fontes:
Bloomberg-George Soros Sees Crisis in Global Markets That Echoes 2008
The New York Times-When China Stumbles

Economia: Em sete anos, PIB do Brasil cresceu mais que o de potências e países do Brics

Economia,Blog do MesquitaAumento de 22% superou EUA e Alemanha, além de países como África do Sul e Rússia

Mesmo com as crises internacionais e o baixo preço do petróleo que persiste desde os últimos meses de 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve uma alta de 22,63% entre o período de 2007 e 2014, batendo tanto potências econômicas como Estados Unidos (8,15%) e Alemanha (4,99%), quanto países do Brics, como África do Sul (14,6%) e Rússia (11,4%), segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Resultado de políticas de investimentos constantes, principalmente após o estouro da bolha financeira de 2008 que causou grave crise em países do mundo todo, o PIB Real do país saltou de R$ 1,018 trilhão em 2007 para R$ 1,248 trilhão no ano de 2014, enquanto potências como França, Japão e Reino Unido registraram aumento de menos de 4% de seus PIB’s em suas respectivas moedas locais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A medição usando o PIB Real, que elimina a distorção produzida pela variação dos preços causada pela inflação e indica o valor real de crescimento da economia é mais segura para medir o aumento (ou diminuição) da produção real de um país do que se fosse usado seu PIB nominal, que desconsidera os aumentos de preço por conta da inflação.

Segundo dados do FMI, o Brasil foi o segundo país com maior crescimento de seu PIB Real no período, perdendo apenas para a China (aumento de 80,13%), em um grupo que reúne potências econômicas mundiais como Estados Unidos (8,15%), Alemanha (4,99%) e Reino Unido (3,68%), que ocupam as posições seguintes à do Brasil, enquanto França (2,21%) e Japão (0,64) completam os que tiveram crescimento positivo. As outras duas nações estudadas, que completam o grupo de nove países, tiveram diminuição de sua produção, por enfrentarem grave crise financeira. São elas: Espanha (-4,97%) e Portugal (-7,33%).

No recorte de países de mercado emergente, o Brasil é o terceiro com maior crescimento, perdendo apenas para a China e a Índia (59,52%), estando à frente de África do Sul (14,6%), enquanto a lanterna Rússia teve crescimento de apenas 11,4%.

Os dados levam em conta a produção em moeda local de cada país, eliminando assim possíveis variações cambiais em relação ao dólar.
Fonte: Jornal do Brasil

Quem quer o fim do Brasil?

Combate à corrupção deve ser entendido como meio de sanar nossas grandes empresas, públicas e privadas, não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos

PEDRO REVILLION/PALÁCIO PIRATINI/FOTOS PÚBLICAS
Safra

É esse país – que em 11 anos aumentou sua economia em 400%, passou de devedor a credor do FMI e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola, que reduziu a menos de 5% o desemprego – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015

Já há alguns meses, e mais especialmente na época da campanha eleitoral, grassam na internet mensagens com o título genérico de “O Fim do Brasil”, defendendo a estapafúrdia tese de que a nação vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país voltou, do ponto de vista macroeconômico, a 1994 etc. etc. – em discursos irracionais, superficiais, boçais e inexatos. Na análise econômica, mais do que a onda de terrorismo antinacional em curso, amplamente disseminada pela boataria rasteira de botequim, o que interessa são os números e os fatos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos, de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo. Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.

Em 11 anos, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.

Em valores nominais, as vendas nos supermercados cresceram quase 9% no ano passado, segundo a Abras, associação do setor, e as do varejo, em 4,7%. O comércio está vendendo pouco? O eletrônico – as pessoas preferem cada vez mais pesquisar o que irão comprar e receber suas mercadorias sem sair de casa – cresceu 22% no ano passado, para quase US$ 18 bilhões, ou mais de R$ 50 bilhões, e o país entrou na lista dos dez maiores mercados do mundo em vendas pela internet.

Segundo o Perfil de Endividamento das Famílias Brasileiras divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o ano de 2014 fechou com uma redução do percentual de famílias endividadas na comparação com o ano anterior, de 62,5%, para 61,9%, e a porcentagem de famílias com dívidas ou contas em atraso, caiu de 21,2%, em 2013, para 19,4%, em 2014 (menor patamar desde 2010). A proporção de famílias sem condições de pagar dívidas em atraso também diminuiu, de 6,9% para 6,3%.

É esse país – que aumentou o tamanho de sua economia em 400%, cortou suas dívidas pela metade, deixou de ser devedor para ser credor do Fundo Monetário Internacional e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola e triplicou a produção de automóveis em 11 anos, que reduziu a menos de 6% o desemprego e que, segundo consultorias estrangeiras, aumentou seu número de milionários de 130 mil em 2007 para 230 mil no ano passado, principalmente nas novas fronteiras agrícolas do Norte e do Centro-Oeste – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015.

E se o excesso de números é monótono, basta o leitor observar a movimentação nas praças de alimentação dos shoppings, nos bares, cinemas, postos de gasolina, restaurantes e supermercados; ou as praias, de norte a sul, lotadas nas férias. E este é o retrato de um país que vai quebrar nos próximos meses?

O Brasil não vai acabar em 2015.

Mas se nada for feito para desmitificar a campanha antinacional em curso, poderemos, sim, assistir ao “fim do Brasil” como o conhecemos. A queda das ações da Petrobras e de empresas como a Vale, devido à baixa do preço do petróleo e das commodities, e também de grandes empresas ligadas, direta e indiretamente, ao setor de gás e de petróleo, devido às investigações sobre corrupção na maior empresa brasileira, poderá diminuir ainda mais o valor de empresas estratégicas nacionais, levando, não à quebra dessas empresas, mas à sua compra, a preço de “bacia das almas”, por investidores e grandes grupos estrangeiros – incluídos alguns de controle estatal – que, há muito, estão esperando para aumentar sua presença no país e na área de influência de nossas grandes empresas, que se estende pela América do Sul e a América Latina.

Fosse outro o momento, e o Brasil poderia – como está fazendo a Rússia – reforçar sua presença em setores-chave da economia, como são a energia e a mineração, para comprar, com dinheiro do tesouro, a preço muito barato, ações da Petrobras e da própria Vale. Com isso, além de fazer um grande negócio – as ações da Petrobras já estão voltando a se valorizar –, o governo brasileiro poderia, também, contribuir, com a recuperação da Bolsa de Valores. Essa alternativa, no entanto, não pode sequer ser aventada, em um início de mandato em que o governo se encontra pressionado, praticamente acuado, pelas forças neoliberais que movem – aproveitando os problemas da Petrobras – cerrada campanha contra tudo que seja estatal ou de viés nacionalista.

Com isso, o país corre o risco de passar, com a entrada desenfreada de grandes grupos estrangeiros na Bolsa por meio da compra de ações de empresas brasileiras com direito a voto, e a eventual quebra ou absorção de grandes empreiteiras nacionais por concorrentes do exterior, pelo maior processo de desnacionalização de sua economia, depois da criminosa entrega de setores estratégicos a grupos de fora – alguns de capital estatal ou descaradamente financiados por seus respectivos países (como foi o caso da Espanha) nos anos 1990.

Projetos que envolvem bilhões de dólares, e mantêm os negócios de centenas de empresas e empregam milhares de brasileiros já estão sendo, também, entregues para estrangeiros, cujas grandes empresas, no quesito corrupção, como se pode ver no escândalo dos trens, em São Paulo, em nada ficam a dever às brasileiras.

Para evitar que isso aconteça, é necessário que a sociedade brasileira, por meio dos setores mais interessados – associações empresariais, pequenas empresas, sindicatos de trabalhadores, técnicos e cientistas que estão tocando grandes projetos estratégicos que poderiam cair em mãos estrangeiras –, se organize e se posicione. Grandes e pequenos investidores precisam ser estimulados a investir na Bolsa, antes que só os estrangeiros o façam. O combate à corrupção – com a punição dos responsáveis – deve ser entendido como um meio de sanar nossas grandes empresas, e não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos para o desenvolvimento nacional e meio de projeção do Brasil no exterior.

É preciso que a população – e especialmente os empreendedores e trabalhadores – percebam que, quanto mais se falar que o país vai mal, mais chance existe de que esse discurso antinacional e hipócrita, contamine o ambiente econômico, prejudicando os negócios e ameaçando os empregos, inclusive dos que de dizem contrários ao governo. É legítimo que quem estiver insatisfeito combata a aliança que está no poder, mas não o destino do Brasil, e o futuro dos brasileiros.
Por Mauro Santayana/RBA

A economia chinesa desacelera e cresce no menor ritmo em cinco anos

Economia,Índices,China,Blog do MesquitaA China, segunda economia mundial e primeira potência comercial, cresceu a uma taxa interanual de 7,3% entre julho e setembro, cifra que confirma a progressiva desaceleração do gigante asiático durante os últimos anos.

Estes 7,3%, inalcançáveis para quase todas as nações do planeta e algo superior ao que esperavam os analistas, é a menor taxa registrada desde o primeiro trimestre de 2009, quando a China sofreu a forte investida da crise financeira internacional e seu PIB aumentou apenas 6,2%. Se então Pequim decidiu responder com um dos maiores planos de estímulo de que se tem lembrança, hoje as autoridades sugeriram que uma medida de tal calibre está praticamente descartada.

“O crescimento está dentro do intervalo apropriado e os níveis de emprego estão estáveis. Apesar da queda no ritmo de crescimento, a economia funciona bem e caminha para a direção e o objetivo esperados”, afirmou hoje o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas chinês, Shen Laiyun.

Entretanto, ele também advertiu para as “numerosas pressões de baixa” que afetam a segunda economia mundial e citou em várias ocasiões o conceito de “nova normalidade”, ideia que o presidente Xi Jinping mencionou pela primeira vez para se referir à nova fase de crescimento da economia chinesa, significativamente menor do que as taxas anuais de 10% obtidas nas últimas décadas. Nessa nova fase, dizem os analistas, já não se consideram planos de estímulo.

De fato, Pequim quer abandonar o modelo econômico baseado no crescimento a todo custo para alcançar outro mais sustentável em que o consumo interno e o setor privado desempenhem um papel mais importante em detrimento do investimento estatal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Desde o começo de 2014, as autoridades do gigante asiático trataram de encontrar o equilíbrio entre uma taxa suficientemente alta para gerar um nível de emprego adequado e, por sua vez, continuar com o programa de reformas estruturais na economia, que inevitavelmente arrastam para baixo o crescimento. O gigante asiático cresceu 7,4% nos primeiros três meses do ano e subiu ligeiramente entre abril e junho (7,5%) graças a uma série de medidas de estímulo fiscal e monetário dirigidas às pequenas empresas do país. Contudo, a retração do setor imobiliário, que se agravou nos últimos meses e que representa aproximadamente 30% do PIB, voltou a afetar negativamente o crescimento.

“A desaceleração do setor imobiliário, a moderação dos investimentos e um ligeiro descenso da produção industrial provocaram essa desaceleração”, explica Yolanda Fernández, economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento. De acordo com dados oficiais, as vendas de imóveis residenciais caíram 10,9% entre janeiro e agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior e os preços continuam baixando em praticamente todas as grandes e médias cidades do país.

Para amortecer a queda, os Governos locais reduziram os controles para a compra de imóveis residenciais e o Banco Popular da China (PBOC) injetou liquidez nos principais bancos. Shen afirmou hoje que os ajustes no setor “não são radicais” e sugeriu que os dados de setembro podem mostrar uma leve melhoria.

Em março, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang fixou uma meta de crescimento de 7,5% para 2014. A menos de três meses do fim do ano, a taxa acumulada está em 7,4%. Li afirma que a prioridade são as reformas estruturais para conseguir um modelo sustentável a longo prazo e não parece disposto a um crescimento à base de investimento público.

Não alcançar essa meta de crescimento seria algo histórico, não apenas porque nunca aconteceu, mas porque exemplificaria a mudança de paradigma de Pequim, que sempre primou pela qualidade em detrimento da quantidade.

O catedrático de Economia do Instituto de Tecnologia de Pequim, Hu Xingdou, acredita que a cifra em si não é o primordial: “O importante é que se aproveite essa oportunidade para avançar na transição de modelo econômico. É agora ou nunca”.
Xavier Fontdeglòria/El Pais