Consultas populares têm impacto nas decisões no Congresso Nacional?

Mecanismos de participação popular na internet são termômetro da repercussão de projetos de lei na sociedade e podem ter influência sobre o voto dos congressistas. Decisão final, porém, cabe apenas aos parlamentares.

Homem de camisa branca e gravata olha através de um binóculo para a tela do computadorPlataformas do Senado e da Câmara oferecem a possibilidade de monitorar e influenciar decisão dos parlamentares

A participação social nos instrumentos de consulta popular do Congresso Nacional é um termômetro para os parlamentares sobre a aceitação ou rejeição de projetos de lei que tramitam nas casas. Apesar de a palavra final ser dos congressistas, a manifestação de opiniões dos usuários sobre temas polêmicos pode influenciar decisões.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A plataforma e-Cidadania, o espaço de consulta do Senado, criado em 2012, usuários cadastrados podem opinar sobre todas as proposições que tramitam no Senado, como projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e medidas provisórias. Até agosto deste ano, 1,1 milhão de pessoas se posicionaram sobre mais de 3.000 proposições do Senado.

“As opiniões do público não vinculam a decisão dos senadores”, pondera Alisson Bruno Dias de Queiroz, chefe do Serviço de Apoio ao Programa e-Cidadania. No entanto, ajudam a nortear os parlamentares, ao indicar se os eleitores concordam ou não com as propostas em tramitação.

No início de agosto, por exemplo, a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) retirou a proposta do Ato Médico (PLS 350/2014) depois de a consulta pública mostrar um grande número de opiniões contrárias. O projeto listava atividades que seriam de exclusividade de pessoas formadas em medicina, afetando a categoria dos tatuadores, por exemplo. Foram 114 mil votos contra e 76 mil a favor.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata da redução do número de senadores e deputados estava parada na relatoria do Senado desde julho de 2015. Em fevereiro deste ano, a matéria ganhou mais de 150 mil opiniões favoráveis na consulta pública, o que mobilizou os senadores a seguir adiante com a tramitação da proposta.

País virtual permite escolher: democracia, ditadura ou monarquia?

O e-Cidadania alcançou recorde de participação em julho – mais de 300 mil votos – com as opiniões sobre o projeto “Escola sem Partido”, do senador Magno Malta (PR-ES).

“A consulta do portal funciona como uma espécie de escuta. Pode servir para o Senado se sintonizar com a vontade da população de mudar os rumos da administração. A opinião dos cidadãos pode servir como uma pressão popular”, disse, em maio, o senador Walter Pinheiro (PT-BA), após a votação sobre a proposta que previa eleições presidenciais antecipadas para outubro, devido ao processo de impeachment, e que ganhou grande apoio por meio da consulta popular.

Criando leis

A população também pode propor e apoiar ideias legislativas que criem novas leis, alterem as já existentes ou aperfeiçoem a Constituição. Se a proposta dada pelo usuário alcançar 20 mil votos favoráveis num prazo de até quatro meses, é encaminhada para análise dos senadores. Em tempos de redes sociais, parece pouco, mas, fora os projetos mais polêmicos, a participação popular no portal e-Cidadania não é tão intensa quanto em plataformas como Twitter ou Facebook.

De maio de 2012 até julho de 2016, mais de 6 mil ideias legislativas foram cadastradas no portal. As propostas populares com maior número de apoios são a criação de creches nas universidades e faculdades (mais de 8 mil), proibição do corte de serviços de dados de internet móvel (mais de 5 mil) e criminalização da apologia ao comunismo (mais de 3 mil).

A proposta de regulamentação do uso recreativo e medicinal da maconha, que recebeu mais de 20 mil apoios em 2014, resultou em seis audiências públicas interativas e obteve um parecer para a criação de uma subcomissão sobre o tema. A sugestão de legalização do aborto nas doze primeiras semanas de gravidez foi tema de cinco audiências.

A proposta de proibição do corte ou diminuição da velocidade de dados nos serviços de internet atingiu o número necessário de apoios em apenas cinco dias e surpreendeu os parlamentares.

Na Câmara dos Deputados

Pelo site da Câmara, é possível participar das audiências pela internet, enviando comentários. Também há canais de comunicação por telefone. No portal e-Democracia, os usuários podem se cadastrar para redigir e fazer alterações em proposições legislativas. As colaborações feitas por meio da ferramenta Wikilegis são acompanhadas pelos deputados autores das matérias.

Atualmente, 17 comunidades legislativas estão ativas no e-Democracia. Nesses espaços, que tratam de assuntos como medidas contra a corrupção, redução da maioridade penal, pacto federativo e segurança pública, os usuários podem discutir temas nacionais com os deputados e outros usuários. A Comissão de Legislação Participativa da Câmara também mantém um “Banco de Ideias”. O cidadão pode apresentar propostas que ficam disponíveis para consulta dos parlamentares e de entidades da sociedade civil.

Brasil: Pesquisa mostra que 50,3% da população querem antecipação de eleição presidencial

CNT/MDA avaliou, ainda, aprovação ao governo de Michel Temer, que é de 11,3%

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Pesquisa realizada pela CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira (8) pela Confederação Nacional do Transporte, mostra que 50,3% dos entrevistados querem a antecipação das eleições presidenciais para este ano, enquanto 46,1% consideram que a eleição deve ser realizada no tempo do calendário regular, que é 2018.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A pesquisa, que ouviu 2002 pessoas em 137 municípios entre os dias 2 e 5 de junho, avaliou, também, a percepção do governo do presidente interino Michel Temer.

Para 11,3%, a avaliação é positiva, contra 28,0% de avaliação negativa.

A aprovação do desempenho pessoal do presidente atinge 33,8% contra 40,4% de desaprovação.

E 25,8% não souberam opinar.

Para 54,8% dos entrevistados, a gestão de Temer é igual à da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em comparação ao governo da presidente afastada Dilma Rousseff, 20,1% dos entrevistados acha que o governo Temer é melhor.

Para 54,8%, as gestões são iguais. Outros 14,9% acreditam que está pior e que as mudanças feitas pioraram as condições do Brasil. Além disso, para 46,6%, a corrupção no governo Michel Temer será igual ao do governo Dilma Rousseff. 28,3% acreditam que será menor e 18,6% consideram que será maior.

No exterior, Lula já não é ‘o cara’, mas ainda é respeitado por legado social

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva tornou-se um ícone do Brasil em ascensão no final da década passada, quando o país ganhou os holofotes internacionais. “Esse é o cara”, chegou a dizer, em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama. “É o politico mais popular do planeta.”

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No ano seguinte, Lula entrou na lista da revista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo. “O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de sonho americano”, escreveu o documentarista Michael Moore em um texto explicando a inclusão.

No Brasil, a popularidade do ex-presidente também era grande e chegou a alcançar índices recordes – ao terminar o mandato tinha impressionantes 80% de aprovação, segundo uma pesquisa Ibope, e era considerado o melhor presidente da história por 71% dos brasileiros, de acordo com o instituto Datafolha.

Hoje, a deterioração de sua imagem interna é indiscutível. Neste domingo, por exemplo, Lula foi um dos principais alvos dos protestos anti-governo que ocorreram em 27 capitais do país. Em Brasília, um boneco gigante do ex-presidente vestido de presidiário foi levado à Esplanada dos Ministérios. Na Avenida Paulista, em São Paulo, não era difícil encontrar mensagens ofensivas ao ex-presidente ou grupos aos gritos de ‘Fora Lula’.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nos últimos meses, também foram criadas no Facebook pelo menos três páginas que pedem a morte do ex-presidente – a maior delas reúne mais de 6 mil pessoas.

Mas será que essa deterioração interna chegou lá fora? Como os escândalos de corrupção e a crise em que o PT parece ter mergulhado afetaram a imagem do presidente brasileiro mais popular no exterior?

A questão divide a opinião de cientistas políticos estrangeiros ouvidos pela BBC Brasil, mas parece haver um consenso de que, por um lado, o ex-presidente definitivamente não é mais ‘o cara’ – como definiu Matthew M. Taylor, professor da American University e pesquisador do Brazil Institute do Woodrow Wilson Center. Por outro, seu legado social ainda inspira algum respeito.

“Qualquer um que esteja seguindo os acontecimentos do Brasil de perto vai acabar com uma opinião mais crítica sobre ele (Lula), porque esses problemas de corrupção (revelados pela Lava Jato), afinal, não surgiram no atual governo”, diz Wendy Hunter, professora da Universidade do Texas, que escreveu o livro The Transformation of the Workers’ Party in Brazil, 1989–2009 (A Transformação do Partido dos Trabalhadores no Brasil, em tradução livre).

“Mas não devemos superestimar a cobertura sobre a realidade brasileira em outros países. Muita gente não está informada sobre o que está acontecendo ou não entende muito bem o escândalo”, diz ela.

Michael Shifter, presidente do centro de estudos americano Inter-American Dialogue concorda que a imagem de Lula “perdeu o brilho”, mas diz que em parte isso reflete também a falta de entusiasmo com o Brasil e a economia brasileira. “Ele era um símbolo do Brasil que ganhava influência global e parecia destinado a tornar-se uma potência econômica”, diz.

“Acho que, de uma forma geral, ouve um momento, na década passada em que os líderes e movimentos de esquerda latino-americanos começaram a se tornar uma referência para movimentos de esquerda de diversos países”, opina o líder estudantil britânico Matt Myers, que deu a seu cachorro o nome Lula em homenagem ao presidente brasileiro.

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Simpatizantes de Lula fazem manifestação em frente ao instituto fundado pelo ex-presidente

“Hoje, esse não parece ser mais o caso: estamos olhando muito mais para movimentos anti-austeridade em países como Grécia e Espanha.”

Entusiasmo

No fim dos anos 2000, o entusiasmo com o então presidente brasileiro em parte parecia ser explicado por sua história pessoal de superação e sucesso, que de alguma forma refletia a trajetória do Brasil no cenário global naquele momento.

Também por ele se sentir confortável em meio à elite econômica e política do planeta e encorajar uma política externa ambiciosa e engajada. “Lula parecia apreciar o fato de estar nesse palco global, enquanto Dilma (Rousseff) tem um estilo mais contido”, diz Timothy Power, especialista em Brasil da Universidade de Oxford.

Para Matthew Taylor, “Lula já não empolga, mas ainda é respeitado por observadores estrangeiros, principalmente por seu legado social e por sua política externa mais altiva”.

Outro fator que ajudaria a proteger a reputação do ex-presidente lá fora, segundo o pesquisador do Woodrow Wilson Center, seria o fato de ele não ter sido diretamente implicado na Lava Jato e os americanos não conseguirem entender algumas acusações contra o ex-presidente.

“Como exemplo acho que dá para mencionar essa história de que ele fez lobby para as construtoras brasileiras. Fazer lobby não é ilegal nos EUA e não ficou claro o que exatamente é ilícito nisso”, diz Taylor, referindo-se ao fato de do Ministério Público Federal ter aberto uma apuração preliminar sobre o papel de Lula nos negócios fechados no exterior pela empreiteira Odebrecht.

Power, de Oxford, explica que “é natural que os políticos tenham imagens diferentes dentro e fora de seu país.”

“Acho que hoje podemos dizer que Lula é uma espécie de (Mikhail) Gorbachev (líder russo que levou adiante as reformas econômicas e políticas que levariam ao fim da URSS): apesar de sua imagem estar deteriorando internamente, ele ainda é reconhecido no exterior pelos ganhos sociais e avanços na redistribuição de renda ocorridos durante seu governo”, diz.

“O próprio Fernando Henrique Cardoso viveu em seu segundo mandato uma situação parecida, em que era mais popular fora que dentro do Brasil.”

Power opina que a “imagem do PT sofreu mais que a de Lula” , lembrando que dois tesoureiros do partido de fato estão presos.

Viagens

Segundo o Instituto Lula, depois que deixou a presidência Lula viajou para muitos países.
Nos Estados Unidos, recebeu um prêmio da World Food Prize pelos seus esforços de combate à fome e outro da International Crisis Group. Também foi à Espanha, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Salamanca.

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Imagem satirizando Lula em protesto na Paulista

No México, ressalta o instituto, proferiu palestras para empresas, recebeu o prêmio Amalia Solórzano, em 2011, e participou do lançamento de um programa contra a fome inspirado na experiência brasileira.
A maioria destas viagens, porém, ocorreu antes do aprofundamento da crise política e econômica brasileira.

Peter H. Smith, professor da Universidade da Califórnia e autor do livro Democracy in Latin America (Democracia na América Latina), opina que o ex-presidente brasileiro hoje é uma figura de divide opiniões também no exterior.

“De um lado há quem tenha a impressão que os problemas começaram com Dilma – porque, afinal, tudo parecia ir bem no Brasil até ela assumir”, diz ele.

“Acho que um observador mais atento vai entender que os problemas e esquemas que estão vindo à tona agora começaram muito antes, ainda sob Lula. E ainda há uma terceira visão minoritária segundo a qual o Brasil não tem capacidade estrutural de se tornar uma grande potência e nenhum presidente poderia contornar essa realidade. No caso, nem Lula nem Dilma teriam ‘culpa’ (pela atual crise política e econômica).”
Ruth Costas/BBC

Dona Dilma continua atirando no próprio pé

Dona Dilma jantou com uma meia centena de politiqueiros inqualificáveis. Hoje recebe um tal movimento “Marcha das Margaridas ” – seja lá o que isso for – e também os marginais do MST – quem financia esses caras?

Dilma Rousseff,Política,Popularidade,PMDB,Pesquisas,Partidos Políticos, Blog do Mesquita

Faça isso não “sá mininina”!
* Afague a classe média tirando impostos dos alimentos básicos;
* Reduza para 1/16 o número do ministério leviatã;
* Peça conselhos somente a dois políticos: Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon
* Compre logo umas centenas de depufedes federais – se não sabe como fazer peça assessoria ao FHC que entende disso – afinal comprou a R$250mil /cabeça cada deupufede que votou a favor da emenda que permitiu a reeleição dele.
Assim em dezembro seu o índice de popularidade estará no mínimo acima da inflação.


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Internet e reputação no mundo digital

Reputação digital preocupa cada vez mais as pessoas

Saiu um estudo da Pew Internet sobre “reputação digital”.

Em resumo simples e direto, a pesquisa mostra que, cada vez mais, as pessoas procuram, em redes sociais e sistemas de busca, informações e referências, sejam profissionais ou pessoais, sobre outras pessoas.

O que, por outro lado, faz com que, crescentemente, as pessoas deem importância, se preocupem mais com a sua “reputação digital”, com o tipo e a quantidade de informação pessoal que elas mesmas disponibilizam ou são disponibilizadas nestes ambientes.

Outros pontos interessantes do estudo:

1) Ao contrário de um mito recorrente, jovens adultos (entre 18 e 29 anos) se preocupam sim com privacidade, com a quantidade e o tipo de informação pessoal que compartilham online.

A preocupação é até maior que em faixas etárias mais avançadas.

Para se ter uma ideia, 71% dos entrevistados entre 18 e 29 anos modificaram as configurações de privacidade de seu perfis em redes sociais para limitar o que é compartilhado com os outros.

O que faz sentido, pois nesta faixa etária existe uma percepção mais apurada de que é possível ser rotulado por informações pessoais expostas nesses ambientes.

2) Dos entrevistados, 69% já procuraram em sistemas de busca informações sobre outras pessoas.

Quando esse tipo de pesquisa é feita, na maioria das vezes (69%), a intenção é encontrar alguma informação de contato – email, endereço ou telefone da pessoa.

Somente em último caso (17%), segundo os entrevistados, o objetivo é encontrar alguma informação de cunho mais pessoal – com quem está namorando, se é casado, solteiro etc.

3) Apenas 8% dos entrevistados já pediram a retirada de um conteúdo pessoal publicado online por outra pessoa. Porém, desses 8%, 82% conseguiram a retirada do conteúdo do ar.


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Pesquisa revela que Internet é considerada Direito Fundamental

Direito Digital Blog do MesquitaPesquisa: Internet é direito fundamental para maioria dos adultos

Quatro em cada cinco adultos acreditam que o acesso à internet é um direito fundamental, e metade deles defende que não deveria haver regulação, segundo mostrou uma pesquisa global.

Um estudo com 27.000 adultos em 26 países para a BBC World Service mostrou que 78% dos usuários acreditam que a web lhes deu mais liberdade, enquanto nove entre dez disseram que a rede é um bom lugar para se aprender.

Entrevistados nos Estados Unidos se mostravam acima da média na crença de que a internet é uma fonte de maior liberdade e também são mais confiantes do que a maioria para expressar suas opiniões.

Outros sentiram receios sobre passar o tempo on-line, com 65% dos entrevistados no Japão afirmando que não se sentiam confortáveis em expressar suas opiniões na rede de forma segura, um sentimento que também era percebido na Coreia do Sul, França, Alemanha e China.

Regulação – Do total de entrevistados, mais da metade concorda que a internet “não deveria ser regulada nunca”, por qualquer instância de governos em qualquer lugar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Apesar dos temores sobre privacidade e fraude, as pessoas veem o acesso à web como seu direito fundamental.

Eles acreditam que a rede é uma força para o bem”, disse Doug Miller, presidente do conselho da GlobeScan, que conduziu a pesquisa.

Aproximadamente 70% dos entrevistados no Japão, México e Rússia disseram que não podem viver sem internet.

Cerca de 50% dos usuários disseram valorizar mais a facilidade em encontrar informação, enquanto cerca de 30% valorizam a capacidade de interagir e comunicar com outros e 12% veem a rede como forma de entretenimento.
Reuters

Atribuir alta na Bolsa de Valores a queda de popularidade da Dilma é puro amadorismo

Pesquisas Dilma Rousseff Ibope Blog do MesquitaO mercado financeiro é um centro de jogatina, onde se arrisca no presente e no futuro, sempre com base no passado.

A Bovespa é um grande exemplo das especulações, e agora a alta vem sendo atribuída à “satisfação” do mercado com a queda da aprovação ao governo Dilma Rousseff na última pesquisa Ibope.

Essa motivação política pode até ter influenciado ligeiramente a subida das cotações, mas a grande verdade é que a Bolsa havia despencado nesse início de ano e atingiu um índice tão baixo, mas tão baixo, que comprar ações voltou a ser um grande negócio.

Muitas empresas ficaram com valor abaixo do patrimônio líquido, o que significa distorção do mercado.

A economia brasileira não está em seus melhores dias, mas não há sinais de maiores turbulências nem motivos para pânico.

O índice normal da Bolsa, hoje, seria por volta dos 60 mil pontos.

Ao contrário do velho ditado “tudo o que sobe vai descer”, baseado na lei da gravidade, no mercado de ações “tudo o que desce demais vai subir”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É justamente o que está acontecendo com a Bolsa, numa fase em que o mercado imobiliário esgotou todas as suas jogadas e está fazendo água.

Especular é o normal no mercado financeiro e a palavra especulação não deve ser usada em sentido pejorativo.
Os investidores estrangeiros estão de volta e só sairão quando ela passar dos 60 mil pontos. Podem apostar.
Carlos Newton/Tribuna da Imperensa

Bolsa Família e a cultura do desprezo

“Preconceito contra Bolsa Família é fruto da imensa cultura do desprezo”, diz pesquisadora.

Com Isadora Peron/Estadão

O Programa Bolsa Família fez 10 anos no domingo, dia 20. Quando foi lançado, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atendia 3,6 milhões de famílias, com cerca de R$ 74 mensais, em média. Hoje se estende a 13,8 milhões de famílias e o valor médio do benefício é de R$ 152. No conjunto, beneficia cerca de 50 milhões de brasileiros e é considerado barato por especialistas: custa menos de 0,5% do PIB.

Para avaliar os impactos desse programa a socióloga Walquiria Leão Rego e o filósofo italiano Alessandro Pinzani realizaram um exaustivo trabalho de pesquisa, que se estendeu de 2006 a 2011. Ouviram mais de 150 mulheres beneficiadas pelo programa, localizadas em lugares remotos e frequentemente esquecidos, como o Vale do Jequitinhonha, no interior de Minas.

O resultado da pesquisa está no livro Vozes do Bolsa Família, lançado há pouco. Segundo as conclusões de seus autores, o incômodo e as manifestações contrárias que o programa desperta em alguns setores não têm razões objetivas. Seria resultado do preconceito e de uma cultura de desprezo pelos mais pobres.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os pesquisadores também rebatem a ideia de que o benefício acomoda as pessoas. “O ser humano é desejante. Eles querem mais da vida como qualquer pessoa”, diz Walquiria, que é professora de Teoria da Cidadania na Unicamp.

Na entrevista abaixo – concedida à repórter Isadora Peron – ela fala desta e de outras conclusões do trabalho.

Como surgiu a ideia da pesquisa?

Quando vimos a dimensão que o programa estava tomando, atendendo milhões de famílias, percebemos que teria impacto na sociedade. Nosso objetivo foi avaliar esse impacto. Uma vez que o programa determina que a titularidade do benefício cabe às mulheres, era preciso conhecê-las. Então resolvemos ouvir mulheres muito pobres, que continuam muito pobres, em regiões tradicionalmente desassistidas pelo Estado, como o Vale do Jequitinhonha, o interior do Maranhão, do Piauí…

E quais foram os impactos que perceberam?

Toda a sociologia do dinheiro mostra que sempre houve muita resistência, inclusive das associações de caridade, em dar dinheiro aos pobres. É mais ou menos aquele discurso: “Eles não sabem gastar, vão comprar bobagem.” Então é melhor que nós, os esclarecidos, façamos uma cesta básica, onde vamos colocar a quantidade certa de proteínas, de carboidratos… Essa resistência em dar dinheiro ao pobres acontecia porque as autoridades intuíam que o dinheiro proporcionaria uma experiência de maior liberdade pessoal. Nós pudemos constatar na prática, a partir das falas das mulheres. Uma ou duas delas até usaram a palavra liberdade. “Eu acho que o Bolsa Família me deu mais liberdade”, disseram. E isso é tão óbvio. Quando você dá uma cesta básica, ou um vale, como gostavam de fazer as instituições de caridade do século 19, você está determinando o que as pessoas vão comer. Não dá chance de pessoas experimentarem coisas. Nenhuma autonomia.

Está dizendo que essas pessoas ganharam liberdade?

Estamos tratando de pessoas muito pobres, muito destituídas, secularmente abandonadas pelo Estado. Quando falamos em mais autonomia, liberdade, independência, estamos nos referindo à situação anterior delas, que era de passar fome. O que significa dizer de uma pessoa que está na linha extrema de pobreza e que continua pobre ganhou mais liberdade? Significa que ganhou espaços maiores de liberdade ao receber o benefício em dinheiro. É muito forte dizer que ganhou independência financeira. Independência financeira temos nós – e olhe lá.

O que essa liberdade significou na prática, no cotidiano das pessoas?

Proporcionou a possibilidade de escolher. Essa gente não conhecia essa experiência. Escolher é um dos fundamentos de qualquer sociedade democrática. Que escolhas elas fazem? Elas descobriram, por exemplo, que podem substituir arroz por macarrão. No Nordeste, em 2006 e 2007, estava na moda o macarrão de pacote. Antes, havia macarrão vendido avulso. O empacotamento dava um outro caráter para o macarrão. Mais valor. Elas puderam experimentar outros sabores, descobriram a salsicha, o iogurte. E aprenderam a fazer cálculos. Uma delas me disse: “Ixe, no começo, gastei tudo na primeira semana”. Depois aprendeu que não podia gastar tudo de uma vez.

A que atribui a resistência de determinados setores da sociedade ao pagamento do benefício?

O Bolsa Família é um programa barato, mas como incomoda a classe média (ela ri). Esse incômodo vem do preconceito.

Fala-se que acomoda os pobres.

Como acomoda? O ser humano é desejante. Eles querem mais da vida, como qualquer pessoa. Quem diz isso falsifica a história. Não há acomodação alguma. Os maridos dessas mulheres normalmente estavam desempregados. Ao perguntar a um deles quando tinha sido a última vez que tinha trabalhado, ele respondeu: “Faz uns dois meses, eu colhi feijão”. Perguntei quanto ele ganhava colhendo feijão. Disse que dependia, que às vezes ganhava 20, 15, 10 reais. Fizemos as contas e vimos que ganhava menos num mês do que o Bolsa Família pagava. Por que ele tem que se sujeitar a isso, praticamente à semiescravidão? Esses estereótipos tem que ser desfeitos no Brasil, para que se tenha uma sociedade mais solidária, mais democrática. É preciso desfazer essa imensa cultura do desprezo.

No livro a senhora diz que essas mulheres veem o benefício como um favor do governo.

Sim, de 70% a 80% ainda veem o Bolsa Família como um favor. Encontramos poucas mulheres que achavam que é um direito. Isso se explica porque temos uma jovem democracia. A cultura dos direitos chegou muito tarde ao Brasil. Imagino que daqui para a frente a ideia de que elas têm direito vai ser mais reforçada. Para isso precisamos, porém, de políticas públicas específicas. Seriam um segundo, um terceiro passo… Os desafios a partir de agora são muito grandes.

Qual é a sua avaliação geral do programa?

Acho que o Bolsa Família foi uma das coisas mais importantes que aconteceram no Brasil nos últimos anos. Tornou visíveis cerca de 50 milhões de pessoas, tornou-os mais cidadãos. Essa talvez seja a maior conquista.

Entre as mulheres que ouviu, alguma foi mais marcante para a senhora?

Uma das mais marcantes foi uma jovem no sertão do Piauí. Ela me disse: “Essa foi a primeira vez que a minha pessoa foi enxergada”. Tinha uma outra, do Vale do Jequitinhonha, que morava num casebre, sozinha com três filhos. Quando começou a contar a história dela, perguntei qual era a sua idade, porque parecia que já tinha vivido muita coisa. Ela respondeu: “29 anos”. E eu: “Mas só 29?” Ela: “Mas, dona, a minha vida é comprida, muito comprida.” Percebi que falar que “a minha vida é muito comprida” é quase sinônimo de “é muito sofrida”.