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Paul Valéry – Poesia

A adormecida
Paul ValéryArtes Plásticas,Pinturas,Blog do Mesquita,Lemmen Georges
Que segredo incandesces no peito, minha amiga,
Alma por doce máscara aspirando a flor?
De que alimentos vãos teu cândido calor
Gera essa irradiação: mulher adormecida?
 
Sopro, sonhos, silêncio, invencível quebranto,
Tu triunfas, ó paz mais potente que um pranto,
Quando de um pleno sono a onda grave e estendida
Conspira sobre o seio de tal inimiga
 
Dorme, dourada soma: sombras e abandono.
De tais dons cumulou-se esse temível sono,
Corça languidamente longa além do laço,
 
Que embora a alma ausente, em luta nos desertos,
Tua forma ao ventre puro, que veste um fluido braço,
Vela, Tua forma vela, e meus olhos: abertos.
 
Tradução de Augusto de Campos

Paul Valéry – Versos na tarde – 15/03/2017

O SILFO
Paul Valéry¹

Entrevisto e esquivo,
eu sou esse aroma
finado mas vivo
que no vento assoma!

Entrevisto e incerto,
acaso ou talento?
Mal se chega perto,
concluiu-se o intento!

Entrelido e oculto?
Que erros, ao arguto,
foram prometidos!

Entrevisto e alheio
lapso nu de um seio
entre dois vestidos!

¹Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry
* Paris, França – 30 de Outubro de 1871 d.C.
+ Paris, França – 20 de Julho de 1945 d.C.

Filósofo, escritor e poeta francês, da escola simbolista. Seus escritos incluem interesses em matemática, filosofia e música. Realizou os estudos secundários em Montpellier na França, e iniciou sua carreira em Direito em 1889.

Publicou seus primeiros versos, fortemente influenciados pela estética da literatura simbolista dominante na época. Em 1894 se instalou em Paris, onde trabalhou como redator no Ministério de Guerra. Depois da Primeira Guerra Mundial se dedicou inteiramente a literatura e foi aceito pela Academia Francesa em 1925. Sua obra poética foi influenciada por Stéphane Mallarmé que conseqüentemente influenciou outro francês Jean-Paul Sartre.

Paul Valéry – Reflexões na tarde

Do ensaio “Poesia e pensamento abstrato”
Paul Valéry ¹

“O poeta desperta no homem através de um acontecimento inesperado, um incidente externo ou interno: uma árvore, um rosto, um “motivo”, uma emoção, uma palavra. E às vezes é uma vontade de expressão que começa a partida, uma necessidade de traduzir o que se sente; mas às vezes é, ao contrário, um elemento de forma, um esboço de expressão que procura sua causa, que procura um sentido no espaço da minha alma…Observem bem esta dualidade possível de entrada em jogo: às vezes, alguma coisa quer se exprimir, às vezes, algum meio de expressão quer alguma coisa para servir.”

¹ Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry
* Paris, França – 30 de Outubro de 1871 d.C
+ Paris, França – 20 de Julho de 1945 d.C


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