As ambiguidades da ajuda humanitária; A indústria da pobreza.

Essencial para a sobrevivência de milhões de pessoas no mundo – refugiados, deslocados, famintos, doentes etc. –, a ajuda humanitária mobiliza bilhões de dólares por ano.*

Para Estados, entidades civis e indivíduos, ela constitui com frequência um poder de fato, capaz de impor escolhas e normas. Os assistidos, porém, nem sempre saem em vantagem

Em dez anos, o montante gasto em ajuda humanitária em todo o mundo aumentou cinco vezes, atingindo US$ 28,9 bilhões em 2019.

Esse crescimento financeiro é acompanhado de uma proliferação de estruturas, desde a associação local criada por alguns voluntários até a ONG internacional, passando por agências e programas das Nações Unidas e pelo Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. No entanto, a diferença entre os fundos disponíveis e as necessidades continua a aumentar, em especial por causa do surgimento de crises: conflitos armados, desastres relacionados às mudanças climáticas e urbanização acelerada afetam mais pessoas, por mais tempo. O número de vítimas de desastres em 2018 foi estimado em 206 milhões.

A diferença se deve também às disfunções específicas da ajuda internacional, que a impedem de alcançar seus objetivos: falta de coordenação, desconhecimento em relação às áreas de intervenção, não proximidade com atores locais. Essas anomalias, embora conhecidas e identificadas há muito tempo, são repetidas sistematicamente, operação após operação. As justificativas habituais – a obrigação de agir com urgência, a rápida renovação da equipe, a ausência de memória institucional – mascaram causas estruturais, entre as quais a principal é a assimetria na relação entre os atores.

De fato, em 2017, dois terços do financiamento humanitário global foram alocados em apenas doze ONGs (entre elas Save the Children, Comitê Internacional de Resgate [IRC], Médicos Sem Fronteiras, Oxfam e Visão Mundial) e instituições da ONU,ou seja, 22 vezes mais que os recursos direcionados a operadores nacionais e locais.

Assim, certas organizações internacionais capturam o maná concentrado no hemisfério norte – sendo os Estados Unidos, a União Europeia e alguns Estados do Velho Continente, de longe, os principais doadores. Nos últimos anos, no entanto, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se tornaram também doadores significativos, juntando-se à lista dos vinte principais fornecedores de recursos. Isso se deve à estratégia de reposicionar esses países no cenário regional e internacional, em um contexto marcado pelas guerras da Síria e do Iêmen.

O mito da vítima desamparada
A ajuda humanitária é construída de cima para baixo, de seus financiadores e doadores, a quem é preciso prestar contas e que decidem, na prática, as prioridades e os locais de intervenção. O próprio curso da intervenção – dominado pela urgência, o uso do inglês, a convergência dos perfis sociológicos e códigos culturais de sua equipe “sem fronteiras” – reforça essa dinâmica, que floresce à custa de atores locais e, por meio deles, de assistidos.

Dos US$ 2,4 bilhões arrecadados pelas Nações Unidas após o terremoto de 2010, as ONGs haitianas e o governo local receberam diretamente apenas uma pequena fração: respectivamente 0,4% e 1%. Assim, eles se limitaram ao papel de meros subcontratados de uma reconstrução guiada remotamente em nível mundial. É um caso extremo, mas não isolado, de Estados do Norte financiando seus próprios projetos por meio de suas próprias ONGs. As capacidades locais, consideradas insuficientes em vista dos requisitos contábeis e burocráticos impostos pelas instituições de países ricos, são depreciadas, se não desprezadas. Elas recebem apenas 3% da ajuda direta.

Percebendo essa assimetria, os principais doadores e organizações, reunidos em Istambul para a Primeira Cúpula Humanitária Internacional, em 23 e 24 de maio de 2016, comprometeram-se a reservar um quarto do financiamento para estruturas locais e nacionais, às quais os subsídios seriam pagos “o mais diretamente possível” (princípio da “localização”), até 2020. Essa decisão se explica em parte pelos resultados da pesquisa citada anteriormente, realizada entre maio de 2014 e fevereiro de 2015 em cinco países do Oriente Médio e norte da África com 1.231 pessoas “beneficiárias” de ajuda humanitária internacional.

Eles foram convidados a classificar suas opiniões em uma escala de 1 a 10; a média das respostas foi inferior a 3. Essa avaliação parece confirmar outra pesquisa realizada em 2018 com cerca de 5 mil pessoas em sete países: mais de 80% dos inquiridos no Iraque e no Líbano não consideravam que o apoio obtido lhes permitia autonomia, e a maioria deles achou que sua opinião era pouco ou nada considerada.

Esses resultados revelam o lado impensado da ajuda humanitária: a figura da vítima. As vítimas são percebidas, contra todas as evidências, como impotentes e passivas, embora sejam elas mesmas que, nas primeiras 24 horas, salvam o máximo de vidas à sua volta, antes da chegada de organismos externos (e da mídia). Há tempos, em 2004, o então secretário-geral da Cruz Vermelha Internacional, Markku Niskala, clamava que a ajuda humanitária deveria “dissipar o mito da vítima desamparada e da ajuda internacional infalível e colocar as pessoas afetadas por catástrofes, bem como suas lideranças, no centro do nosso trabalho”. Se, quinze anos depois, o mito persiste, é porque esse é o cerne da representação dominante que o setor faz de si mesmo – e que lhe convém.

Imagens do caos, vítimas apáticas e estados do Sul incapazes, corruptos ou totalitários (ou tudo isso ao mesmo tempo) confirmariam a necessidade de ação no exterior. O desencanto político e a certeza de pertencer ao lado do bem confirmariam essa legitimidade – em detrimento de outros tipos de análise. Longe de ficarem calados, os assistidos são muitas vezes silenciados por seus próprios Estados, pela pretensão do setor de se autorregular e pela multiplicação de relatórios internacionais. A história oficial da ajuda humanitária pode ser resumida como uma inocência constantemente equivocada, mas sempre reabilitada em nome da pureza de suas intenções e, acima de tudo, da salvaguarda necessária de sua independência. Essa narrativa obscurece outras relações de poder em jogo em operações de socorro.

O primeiro exercício desse tipo foi a avaliação conjunta da ajuda de emergência levada a Ruanda durante o genocídio de tútsis em 1994: a ação sublinhou como os trabalhadores humanitários estrangeiros e os jornalistas recém-desembarcados, confundindo visibilidade e eficiência, construíram conjuntamente uma leitura “salva-vidas” para os acontecimentos, imediatamente compreensíveis pelos espectadores do Norte, mas obscurecendo as lógicas militar, diplomática e política em jogo por trás dos fluxos de refugiados, bem como a falta de antecipação e coordenação dos atores internacionais. A intervenção humanitária serviu de cobertura para a cegueira e paralisia ocidentais, enquanto o problema deveria ser abordado em outra linha e exigia uma solução política. No fim das contas, a grande maioria das vítimas não morreu por falta de ajuda, e sim porque foi massacrada.

Vinte e cinco anos depois, permanece o mesmo sistema narrativo, que recodifica situações de injustiça e desigualdade – fruto de escolhas políticas – como tendo causas naturais, quando não atribuídas a maldições. Em janeiro de 2006, um estudo sobre o processamento de informação por cerca de sessenta jornais e periódicos em nove países ocidentais concluiu que não havia ligação entre a escala de um desastre e sua cobertura da mídia, esta última vinculada a considerações econômicas e estratégicas dos Estados do Norte.

Assim, em 2004, o impacto do tsunami no Oceano Índico na indústria do turismo ocupou um lugar desproporcional na mídia. Inversamente, quanto mais cobertura da mídia sobre um desastre, mais organizações são atraídas e mais elas se lançam em uma corrida por visibilidade que coloca em risco qualquer esforço de coordenação entre elas. Ir para o campo é tornar-se visível (credibilidade), garantir financiamento (viabilidade) e reforçar a natureza imperativa de sua ação (legitimidade). A pertinência da ação tem pouca importância diante da oportunidade de mercado que se tornou.

O acesso privilegiado a subsídios, mídia e tomadores de decisão permite que os humanitários exerçam um poder cujas consequências são proporcionais ao não reconhecimento desse processo.12 O princípio da localização do auxílio, adotado pela cúpula de Istambul, não será eficaz se estiver “descolado das questões de injustiça, desigualdade e assimetria de poder”, diz Regina Salvador-Antequisa, diretora da Ecosystems Work for Essential Benefits Inc. (Ecoweb), uma ONG filipina.

O dinheiro e o tempo investidos na construção de infraestrutura, proteção civil, serviços públicos e preparação para desastres estão provando ser mais eficazes do que responder a eles em situações de urgência, por mais rápida que sejam essas respostas. Em 2015, a ONG norte-americana Mercy Corps enviou uma pequena equipe para avaliar as necessidades após o furacão Pam, que atingiu Vanuatu. E teve a valentia de desistir da intervenção quando descobriu que o governo e as agências locais eram suficientemente abastados e organizados.

Sem a mesma lucidez, durante o terremoto de 2015 no Nepal, os países europeus despacharam para Katmandu, sem nenhuma coordenação, quinze equipes de ajuda humanitária que desafiaram as realidades regionais: mais perto do cenário do desastre, China, Índia e Paquistão já estavam lá. O resultado: um fardo de logística e coordenação, e um aeroporto saturado, que atrasou a chegada de aviões franceses, belgas e neozelandeses em vários dias, tornando a ação inútil.

Esses descalabros podem explicar por que, após o terremoto em novembro de 2018, o governo indonésio canalizou e limitou a atuação de atores estrangeiros. A auto-organização dos “beneficiários” é inda mais estimulante: “Se quisermos resolver nossos problemas, devemos fazer isso sozinhos. As organizações internacionais são apenas coadjuvantes”, disse Mohib Ullah, anfitrião de uma greve de associações locais nos campos de refugiados rohingyas em Bangladesh, em novembro de 2018.

Como convocar tomadores de decisão quando, ao mesmo tempo, isso ajuda a despolitizar as relações sociais e promove uma eficiência que se vale da imagem de impotência pública do outro? Em paralelo, a ajuda humanitária tende a se tornar o nome oculto do que na verdade é a política: a política institucional não diz mais seu nome e segue esse caminho para compensar sua inação – a Palestina é um caso emblemático – ou, pelo contrário, para catalisar sua ação.

Parafraseando o geógrafo David Harvey, poderia se falar em privatização por meios humanitários. Nos países em questão, não estamos testemunhando uma “ONGização” de serviços sociais? A ajuda internacional, portanto, tende a substituir os sistemas públicos de saúde, que continuam sendo os meios mais eficazes de salvar vidas. O oposto da política não é o humanitário: é outra política.

*Frédéric Thomas é cientista político, pesquisador do Centro Tricontinental (Cetri) e professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Liège, Bélgica.

Clima,Meio Ambiente,Blog do Mesquita

Jeff Bezos, da Amazon, promete US $ 10 bilhões para combater as mudanças climáticas

Embora a iniciativa do Bezos Earth Fund tenha sido aplaudida por muitos, críticos questionaram o apoio da Amazon aos negócios de petróleo e gás. Ele está seguindo um caminho semelhante a outros magnatas como Bill Gates e Warren Buffett.

O CEO da Amazon, Jeff Bezos, comprometeu na segunda-feira US $ 10 bilhões de sua fortuna para criar um fundo destinado a enfrentar a crise climática, semanas depois que centenas de seus funcionários assinaram um blog exigindo que o gigante do varejo online tomasse medidas drásticas para reduzir sua pegada de carbono.

O fundo, chamado Bezos Earth Fund, começará a emitir doações para cientistas e ativistas neste verão, anunciou o homem mais rico do mundo em um post no Instagram.

“A mudança climática é a maior ameaça ao nosso planeta. Quero trabalhar ao lado de outras pessoas para ampliar maneiras conhecidas e explorar novas maneiras de combater o impacto devastador da mudança climática neste planeta que todos compartilhamos”, disse Bezos, cujo patrimônio líquido é estimado em US $ 130 bilhões.

“Esta iniciativa global financiará cientistas, ativistas, ONGs – qualquer esforço que ofereça uma possibilidade real de ajudar a preservar e proteger o mundo natural. Nós podemos salvar a Terra. Ela tomará ações coletivas de grandes empresas, pequenas empresas, estados nacionais, globais. organizações e indivíduos “, afirmou.

A doação pessoal de Bezos segue o “Compromisso Climático” da Amazon no ano passado, que visa tornar a empresa neutra em carbono até 2040. Como parte do compromisso, ele disse que a Amazon cumprirá as metas do Acordo de Paris no mesmo ano, dez anos antes de programação – também prometendo comprar 100.000 vans de entrega elétrica.

A tarefa de reduzir sua pegada de carbono será desafiadora para a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, que entrega 10 bilhões de itens por ano. O enorme consumo de energia dos farms de servidores usados pelos negócios de computação em nuvem da Amazon aumenta ainda mais suas emissões de efeito estufa.

Um grupo de defesa, Funcionários da Amazon para Justiça Climática, disse que aplaudiu a iniciativa de Bezos, mas acrescentou que “uma mão não pode dar o que a outra está tirando“. O grupo também questionou o apoio da empresa aos negócios de petróleo e gás.

Georges Soros – Brasil

George Soros’s Brazil to do list.

DONE:

– Controle absoluto da mídia
– Fim do programa nuclear
– Neutralizar desenvolvimento do submarino nuclear
– Petrobras
– Pré-Sal
– Mercosul
– Banco BRICS
– Aquífero Guarani
– Bases US Army nas fronteiras Paraguai e Colômbia
– Representantes da Banca Internacional no comando da economia
– Caos na segurança pública
– Incrementar Narcotráfico
– Controle de Presídios por facções criminosas
– Facções criminosas aliadas às FARCS
– Foro de São Paulo controlando políticos
– Desmoralização do Poder Judiciário

PENDENTS:
– Lava-Jato
– Amazônia
– Anular expertise e credibilidade de empreiteiras brasileiras em concorrências no exterior
– Assumir controle da Base de Alcântara
– Disseminação de epidemias via vacinas
– Manter juros altos para aumentar a dívida pública

NEXT:
– Não permitir que saibam que controlo centena de ONGS, Os Bilderbergs, financio protestos em todo mundo e mantenho a Human Rights Watch

FAIL:
– Controle neural de todos que lêem além do que é publicado.
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A Guerra Híbrida

 GUERRA HÍBRIDA, Nova via Violenta para a Tomada do Poder

Por Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES.

“Cartas imprevisíveis”, isto é, cenários que apesar de altamente improváveis, não podem ser descartados. Assim, sempre é útil reservar pelo menos um pequeno espaço mental para “pensar o impensável”, pois a história está repleta de eventos que começaram como altamente improváveis e depois se tonaram a mais pura realidade.”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“A Guerra Híbrida é para alguns, o termo cunhado em 2009 pelo jornalista norte-americano Frank Hoffman e antecipado por George Kennan em 1948 e é tão antigo como a própria guerra. Trata-se de uma fusão de soldados com e sem uniforme, paramilitares, táticas terroristas, ciberdefesa, conexões com traficantes de drogas, insurgência urbana e fuzis AK-47”. “É uma combinação de meios e instrumentos, do previsível e do imprevisível. Não há fronteiras entre o legal e o ilegal, entre a violência e a não violência. Não há uma distinção real entre guerra e paz.”

Os atores da Guerra Híbrida são caracterizados por grupos armados de insurgentes, terroristas, milícias e organizações criminosas. Estes grupos veem o conflito como uma continuação da política e utilizam violentas operações irregulares que perduram por um longo período, buscando atingir um controle coercitivo sobre as populações locais. (CLÉMENT-NOGUIER, 2003).

A Guerra Híbrida, portanto, implica um mínimo objetivo político, no que se diferencia do banditismo e do gangsterismo ligados ao crime organizado.

Roger Trinquier, Coronel do Exército Francês explica:” A Guerra Moderna difere fundamentalmente da guerra do passado, pois a vitória não resulta do choque de dois exércitos no campo de batalha. A guerra é agora um sistema articulado de ações – política, econômica, psicológica, militar – que visa à derrubada da autoridade estabelecida no país e sua substituição por outro regime.”

Mas, afinal, o que é a Guerra Híbrida? Pode-se cogitar ser um conflito no qual os atores, Estado ou Não-Estado, exploram todos os modos de guerra simultaneamente, empregando armas convencionais avançadas, táticas irregulares, tecnologias agressivas, terrorismo e criminalidade visando desestabilizar a ordem vigente.

Exemplos de Conflitos Híbridos:

É a guerra de Putin?  A que o presidente russo leva a cabo na Ucrânia, um conflito que os analistas qualificam de “híbrido” porque une forças regulares e não regulares, desinformação, e uma pomposa presença militar em uma ofensiva limitada.

O Hezbollah formulou uma estratégia que aliava táticas e capacidades do combate convencional a operações de guerra de guerrilha. Sendo a Força mais fraca no conflito, o Hezbollah percebeu que não poderia destruir as FDI ou sobrepujar a determinação israelense com combates de encontro de grande porte. A importância desse conflito até hoje é que a combinação, por parte da milícia xiita, de táticas militares convencionais com atividades de guerrilha e terrorismo pareceu representar uma abordagem inovadora em relação à guerra, que revolucionaria os conflitos no século XXI.

O Hezbollah não conduziu uma verdadeira guerra de guerrilha nem uma autêntica guerra convencional, e sim algo entre os dois extremos. Embora não constitua uma nova forma de combate na história, o fenômeno da guerra híbrida representa um desafio enorme.

A Venezuela, num sentido ofensivo, busca expandir ideais revolucionários e fomentar o estabelecimento de regimes de relações socialistas, se armou como uma ferramenta-chave para explorar as vulnerabilidades políticas e econômicas de oponentes e para modificar a situação em benefício próprio.

Para tanto poderia aplicar as técnicas de um conflito híbrido, patrocinando grupos não governamentais (Fornecendo armamento pesado e leve, munição e recursos financeiros), com intuito verdadeiro de fomentar a expansão do bolivarianismo.

Honduras: Manágua, 28 Jun 2009 (agência EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, advertiu hoje na Nicarágua que haverá uma “revolução violenta” em Honduras se os militares dispararem contra o povo que protesta a favor do presidente Manuel Zelaya, destituído pelo Parlamento. “Que os militares de Honduras não arremetam com suas armas contra o povo desarmado, porque estariam abrindo o caminho para revoluções violentas”, disse o governante venezuelano. Chávez reafirmou que a agressão contra Honduras “é a agressão contra todos os povos deste continente”, e fez um apelo às “burguesias destas terras”, às quais acusou de perder capacidade de raciocinar, a não romper as regras da democracia. “Se as oligarquias deste continente rompem as regras do jogo, de maneira tal como o fizeram neste dia (em Honduras), os povos terão o direito à resistência e ao combate”, avisou.

Um pouco de história: 

Como escreveu Engels, citando Marx: “Que a violência, porém, ainda desempenha outro papel na história” (além de ser agente do mal), “um papel revolucionário, que ela, nas palavras de Marx, é a parteira de toda a velha sociedade que anda grávida de uma nova”. (Anti-Dühring)

Para a revolução ser vitoriosa não bastam a indignação e a revolta popular. É preciso, antes de tudo, que o movimento de massas seja guiado por uma teoria revolucionária e dirigido por uma vanguarda organizada. Tal lição foi sintetizada por V.I. Lênin, grande líder da Revolução Socialista Soviética, de 1917, na frase “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”.

Em sua “teoria do murro no paralítico” Lenine prescreve a desagregação da máquina do Estado, antes do golpe de força. Trata-se de aumentar a indecisão governamental e de “apodrecer” as instituições e os grandes órgãos do Estado.

Em “O Estado e a Revolução”, diz Lenine: “ É na insurreição armada que se deve repousar o movimento no impulso revolucionário do povo. Mas é preciso antes, proceder à educação sistemática do povo. O primeiro objetivo consiste na formação de um partido operário “capaz de tomar o poder, de dirigir e organizar um regime novo, de ser o educador, o guia de todos os trabalhadores para a organização de sua vida social”. A substituição do Estado burguês pelo proletário é impossível sem revolução violenta. (Obras Completas. Tomo 33)

Em outras palavras, a tarefa dos revolucionários não é, de maneira nenhuma, adaptar-se ou conciliar com os setores atrasados ou subordinar-se a ideologia burguesa, mas sim, elevar a consciência das massas para compreender a necessidade não só de uma revolução, mas de que ela só é possível se tiver uma vanguarda organizada, se sua parcela mais consciente se organizar partidariamente e revolucionariamente.

“Todos os meios são bons, se conduzem ao fim”

Temas que podem ser explorados em uma campanha de preparação para o desencadeamento de atividades de Guerra Híbrida visando a tomada do poder:

Campo Externo:

– Denuncias nos órgãos multilaterais (ONU, OEA, e etc.).
– Busca de apoio de Nações ideologicamente amigas.
– Denuncias as instituições ligadas aos Direitos Humanos.
– Busca do apoio internacional através das redes sociais.

Campo Interno:

– Aproveitamento de descontentamento real da sociedade com o momento político, social e econômico difícil.
– Possibilidade da criação de grupos reativos, ideológicos, e oportunistas ampliando a massa de manifestantes.
– Crime Organizado e falta de segurança: A deterioração drástica da situação é motivo para mudança.
– Educação: Os professores precisam ser atiçados. Eles precisam ser encorajados ou haverá um risco. Nós temos que convencê-los de que os temos como alta esfera da sociedade; eles detêm uma responsabilidade que valorizamos muito. Os professores vão motivar os estudantes. Quem irá influenciá-los? Como nós vamos tocá-los?
– Jovens: A cooptação precisa ser dirigida para os jovens em geral, não só para os estudantes universitários.
– Economia: Explorar a situação econômica do país e a necessidade de diminuir a desigualdade social.
– Governo: Cobrar a redistribuição da riqueza e a defesa das minorias, todos devem ter uma oportunidade.
– Atacar o presidencialismo de coalisão.
– Passeatas, protestos, com uso dos sindicatos e movimentos sociais.
– Invasão e ocupação de escolas fazendo com que aumente a participação dos jovens.
Passagem às atividades de Guerra Híbrida: Início da fase violenta para a conquista do poder:

Campo Externo:

– Prossegue a busca do apoio internacional nas Instituições Multilaterais, nas Nações simpáticas ideologicamente, e as denúncias às instituições ligadas aos Direitos Humanos.
– Busca do apoio material das Nações simpáticas ideologicamente em especialistas em Guerra Irregular, Guerra em Rede e Guerra Psicológica.
– Busca do apoio material das Nações simpáticas ideologicamente em recursos militares (Armamento e munição).

Campo Interno:

– Uso da experiência de conflitos semelhantes em outros países.
– Uso violento de paramilitares, táticas terroristas, conexões com traficantes de drogas e criminosos, insurgência urbana. Com a intenção de desestabilizar o governo, de desmoralizar as autoridades constituídas, os órgãos de segurança pública, e atemorizar a população.
– Busca da criação de mártir (manifestante morto ou ferido gravemente) para poder radicalizar o movimento;
– Com a violência inviabilizar as atividades de Saúde e Educação.
– Usar como massa de manobra as organizações sociais, os sindicatos, e os estudantes universitários e secundaristas.··.
– Uso de ONGs e sites políticos para apoio logístico e de comunicações.

Conclusão:

É preciso criar novas estratégias de Defesa do Estado Democrático de Direito, justamente porque a nova realidade para a tomada do Poder de forma violenta não se alinha com as antigas fronteiras de relacionamento de poder existente, alterada com a mudança de foco dos conflitos com o surgimento da Guerra Híbrida.

“Se o próprio povo não estiver preparado para, se necessário, tomar parte da defesa do seu país, não poderá em longo prazo ser protegido”. Clausewitz.oga no terreno dos combates (Violência), mas fora dele.

No Rio, a violência se retroalimenta

Policiais são caçados da mesma forma que caçam criminosos em operações nas favelas, num ciclo vicioso de violência. Situação da segurança pública na cidade olímpica é de falência, e quem paga o preço é a sociedade.

ONG faz protesto em memória de policiais mortos em ação no Rio: somente neste ano, 62 foram assassinados na cidadeONG faz protesto em memória de policiais mortos em ação no Rio: somente neste ano, 62 foram assassinados.

A praticamente duas semanas do início dos Jogos Olímpicos, a situação da segurança pública no Rio de Janeiro é de total falência, segundo ONGs, especialistas e os próprios policiais, com uma verdadeira guerra instaurada entre PMs e traficantes.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A violência, na verdade, se retroalimenta: somente neste ano, 62 policiais foram assassinados e 260 foram feridos por armas de fogo – pelo menos um por dia – de acordo com números do deputado estadual Paulo Ramos (PSOL), que preside a CPI da Morte de Policiais na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

Policiais passaram a ser caçados da mesma forma que caçam criminosos em operações nas favelas. E ambos os lados atiram para matar. No início do mês, um relatório sobre violência policial publicado pela ONG Human Rights Watch mostrou que, no ano passado, pelo menos 645 pessoas foram mortas pela polícia em situações questionáveis.

“A política de segurança pública se baseia na eliminação do inimigo, sempre foi assim”, resume Paulo Ramos. “Agora, os policiais, especialmente os militares, estão pagando um preço muito alto por essa política porque, neste momento, a política é de extermínio de ambos os lados, e eles estão sendo caçados. É uma falência total da segurança pública que precisa ser assumida pelo estado.”

Protesto de policiais e bombeiros no aeroporto internacional do Rio: situação da segurança pública na cidade é de falênciaProtesto de policiais e bombeiros no aeroporto internacional do Rio: situação da segurança pública na cidade é de falência

O historiador Marcos Bretas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em história da polícia, concorda com o deputado.

“Na relação da polícia com a criminalidade, um lado faz a violência do outro escalar. Se enfrento um inimigo terrível, tenho que ser terrível também, essa é a lógica. O lado perverso é que, a partir dos anos 80, os criminosos passaram a ter acesso a armas que não são de crime urbano, a armamento de combate, fuzil, granada”, afirma Bretas.

“E quando tem que enfrentar um criminoso assim, a polícia também quer armas iguais – que obviamente não são armas de controle urbano. Se você entra numa favela com um fuzil, o tiro vai atravessar a parede, vai ter bala perdida. Isso não aumenta a eficácia da polícia, mas sim o seu poder destrutivo.”

“É um trunfo matar policial”

De acordo com a Human Rights Watch, muitas das mortes atribuídas a policiais em confronto são, na verdade, assassinatos extrajudiciais. “A polícia atira em pessoas desarmadas, atira pelas costas em fugitivos e executa indivíduos que já estão imobilizados com tiros na cabeça”, indica o relatório.

Ainda de acordo com o documento, a polícia paga um preço alto por essas execuções. Os assassinatos alimentam um ciclo de violência que coloca em risco a vida dos policiais que trabalham em áreas com altos índices de violência, compromete sua capacidade de trabalho, pondo em risco a sociedade como um todo. Se o suspeito sabe que a forma de atuação da polícia é matar, ele nunca vai se render, sua primeira reação será atirar.

As maiores vítimas são os policiais que não estão em serviço, que são mais vulneráveis. Um em cada seis mortos no crime de latrocínio (roubo seguido de morte) é policial. Num universo de 48 mil PMs, 9 mil policiais civis e 16 milhões de habitantes no estado, dá para afirmar sem medo de errar que eles são alvos.

“Hoje, os bandidos caçam policiais, é um trunfo matar um policial; é uma sentença de morte para um policial se a sua identidade for revelada”, afirma o presidente da Coligação da Polícia Civil, Fábio Neira. “Há 30 anos, quando entrei na polícia, era muito diferente: eles poupavam a vida do policial”.

Neira não concorda, no entanto, que a violência seja uma resposta às ações violentas da própria polícia. Para ele, o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), ao ser bem sucedido num primeiro momento, fez com que muitos criminosos deixassem de traficar drogas e fossem cometer outros crimes longe das favelas, onde acabaram tendo que enfrentar policiais.

Para especialistas, armas utilizadas pela polícia são erradas: não aumentam a eficácia, mas sim o seu poder destrutivoPara especialistas, armas utilizadas pela polícia são erradas: não aumentam a eficácia, mas sim o seu poder destrutivo

Fracasso das UPPs

O fracasso das UPPs, por sua vez, acabou conflagrando a situação nas comunidades e expondo ainda mais os policiais. Na análise do policial, as UPPs não atingiram sua meta original, em primeiro lugar, porque não deram segmento ao projeto, com a ocupação social das comunidades. Por outro lado, diz, o efetivo de policiais civis foi muito reduzido e decidiu-se pelo investimento prioritário no policiamento ostensivo, em vez de na investigação.

“De acordo com uma lei de reestruturação dos quadros da polícia civil em vigor desde 2001, era para termos hoje 22 mil homens”, diz. “Não temos nem dez mil. E são quase 50 mil PMs. É desproporcional isso. É muita ocupação, prevenção e nada de investigação. E não é só o efetivo, estamos sucateados. Não temos verba para combustível, papel higiênico, para nada”, acrescenta o policial.

Os especialistas concordam que as áreas mais centrais dos Jogos Olímpicos estarão seguras por conta do policiamento extra de militares e da segurança nacional. Mas eles temem pelo que pode acontecer em outras regiões. “Hoje, na situação em que nos encontramos, não conseguimos atender às demandas da sociedade. Como vamos dar conta de qualquer demanda extraordinária?”
DW

Como duas pesquisadoras estão derrubando clichês sobre a política no Brasil

O brasileiro é racista e privilegia candidatos brancos ao votar. Políticos corruptos se mantêm no poder porque o eleitor é ignorante. Quem recebe Bolsa Família é conivente com o governo. ONGs são um ralo de dinheiro público no Brasil. Será?

ciencia politica
Nara Pavão e Natália Bueno: pesquisadoras questionam chavões da política no Brasil – Image copyright ARQUIVO PESSOAL

A julgar pelos estudos de duas jovens pesquisadoras brasileiras em ciência política, não.

Natália Bueno e Nara Pavão, ambas de 32 anos, se destacam no meio acadêmico no exterior com pesquisas robustas que desmistificam chavões da política brasileira que alimentam debates em redes sociais e discussões de botequim.

Natural de Belo Horizonte (MG), Natália faz doutorado em Yale (EUA), uma das principais universidades do mundo. Em pouco mais de oito anos de carreira, acumula 13 distinções acadêmicas, entre prêmios e bolsas.

A pernambucana Nara é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Vanderbilt (EUA). Soma um doutorado (Notre Dame, EUA), dois mestrados em ciência política (Notre Dame e USP), 16 distinções.

Em comum, além da amizade e da paixão pela ciência política, está o interesse das duas em passar a limpo “verdades absolutas” sobre corrupção, comportamento do eleitor e políticas públicas no Brasil.

Eleitor é racista?

O Brasil é um país de desigualdades raciais – no mercado de trabalho, no acesso à educação e à saúde. Atraída pelo tema desde a graduação, Natália Bueno verificou se isso ocorre também na representação política.

O primeiro passo foi confirmar o que o senso comum já sugeria: há, proporcionalmente, mais brancos eleitos do que na população, e os negros são subrepresentados. Por exemplo, embora 45% da população brasileira (segundo o IBGE) se declare branca, na Câmara dos Deputados esse índice é de 80%.

E como a diferença foi mínima na comparação entre população e o grupo dos candidatos que não se elegeram, a conclusão mais rasteira seria: o brasileiro é racista e privilegia brancos ao votar.

politica
Abertura dos trabalhos no Congresso em 2016; pesquisa investigou desigualdade racial na política nacional
Image copyright FABIO POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Para tentar verificar essa questão de forma científica, Natália montou um megaexperimento em parceria com Thad Dunning, da Universidade da Califórnia (Berkeley). Selecionou oito atores (quatro brancos e quatro negros), que gravaram um trecho semelhante ao horário eleitoral. Expôs 1.200 pessoas a essas mensagens, que só variavam no quesito raça.

Resultado: candidatos brancos não tiveram melhor avaliação nem respondentes privilegiaram concorrentes da própria raça nas escolhas.

Mas se a discrepância entre população e eleitos é real, onde está a resposta? No dinheiro, concluiu Natália – ela descobriu que candidatos brancos são mais ricos e recebem fatia maior da verba pública distribuída por partidos e também das doações privadas.

A diferença média de patrimônio entre políticos brancos (em nível federal, estadual e local) e não brancos foi de R$ 690 mil. E em outra prova do poder do bolso nas urnas, vencedores registraram R$ 650 mil a mais em patrimônio pessoal do que os perdedores.

Políticos brancos também receberam, em média, R$ 369 mil a mais em contribuições de campanha do que não brancos. A análise incluiu dados das eleições de 2008, 2010 e 2014.

“Se a discriminação tem um papel (na desigualdade racial na representação política), ela passa principalmente pelas inequidades de renda e riqueza entre brancos e negros que afetam a habilidade dos candidatos negros de financiar suas campanhas”, diz.

Corruptos estão no poder por que o eleitor é ignorante?

A corrupção é um tema central no debate político atual no Brasil. E se tantos brasileiros percebem a corrupção como problema (98% da população pensa assim, segundo pesquisa de 2014), porque tantos políticos corruptos continuam no poder?

A partir de dados de diferentes pesquisas de opinião – entre elas, dois levantamentos nacionais, com 2 mil e 1,5 mil entrevistados -, a recifense Nara Pavão foi buscar respostas para além do que a ciência política já discutiu sobre o tema.

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Ato contra corrupção no Congresso em 2011; estudo investiga por que corruptos se mantêm no poder – Image copyright ANTONIO CRUZ/ABR

Muitos estudos já mostraram que a falta de informação política é comum entre a população, e que o eleitor costuma fazer uma troca: ignora a corrupção quando, por exemplo, a economia vai bem.

“Mas para mim a questão não é apenas se o eleitor possui ou não informação sobre políticos corruptos, mas, sim, o que ele vai decidir fazer com essa informação e como essa informação vai afetar a decisão do voto”, afirma a cientista política.

A pesquisa de Nara identificou um fator chave a perpetuar corruptos no poder: o chamado cinismo político – quando a corrupção é recorrente, ela passa ser vista pelo eleitor como um fator constante, e se torna inútil como critério de diferenciação entre candidatos.

Consequência: o principal fator que torna os eleitores brasileiros tolerantes à corrupção é a crença de que a corrupção é generalizada.

“Se você acha que todos os políticos são incapazes de lidar com a corrupção, a corrupção se torna um elemento vazio para você na escolha do voto”, afirma Nara, para quem o Brasil está preso numa espécie de armadilha da corrupção: quão maior é a percepção do problema, menos as eleições servem para resolvê-lo.

Quem recebe Bolsa Família não critica o governo?

O programa Bolsa Família beneficia quase 50 milhões de pessoas e é uma das principais bandeiras das gestões do PT no Planalto. Até por isso, sempre foi vitrine – e também vidraça – do petismo.

Uma das críticas recorrentes pressupõe que o programa, para usar a linguagem da economia política, altera os incentivos que eleitores têm para criticar o governo.

Famílias beneficiadas não se preocupariam, por exemplo, em punir um mau desempenho econômico ou a corrupção, importando-se apenas com o auxílio no começo do mês.

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Material de campanha em dia de votação em São Paulo em 2012; receber benefícios do governo não implica em conivência com Poder Público, conclui estudo – Image copyright MARCELO CAMARGO/ABR

Deste modo, governos que mantivessem programas massivos de transferência de renda estariam blindados contra eventuais performances medíocres. Seria, nesse sentido, um arranjo clientelista – troca de bens (dinheiro ou outra coisa) por voto.

Um estudo de Nara analisou dados do Brasil e de 15 países da América Latina que possuem programas como o Bolsa Família e não encontrou provas de que isso seja verdade.

“Em geral, o peso eleitoral atribuído à performance econômica e à corrupção do governo é relativamente igual entre aqueles que recebem transferências de renda e aqueles que não recebem”, afirma.

A conclusão é que, embora esses programas proporcionem retornos eleitorais para os governantes de plantão, eles não representam – desde que sigam regras rígidas – incentivo para eleitores ignorarem aspectos ddo desempenho do governo.

ONGs são ralo de dinheiro público?

Organizações de sociedade civil funcionam como um importante instrumento para o Estado fornecer, por meio de parcerias e convênios, serviços à população.

Diferentes governos (federal, estaduais e municipais) transferem recursos a essas entidades para executar programas diversos, de construção de cisternas e atividades culturais.

Apenas em nível federal, essas transferências quase dobraram no período 1999-2010: de RS$ 2,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões.

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Cisterna em Quixadá (CE), em serviço que costuma ser delegado a organizações civis; pesquisadora estudou distribuição de recursos públicos para essas entidades
Image copyright FERNANDO FRAZÃO/ABR

Esse protagonismo enseja questionamentos sobre a integridade dessas parcerias – não seriam apenas um meio de canalizar dinheiro público para as mãos de ONGs simpáticas aos governos de plantão?

Com o papel dessas organizações entre seus principais de interesses de pesquisa, Natália Bueno mergulhou no tema. Unindo métodos quantitativos e qualitativos, analisou extensas bases de dados, visitou organizações e construiu modelos estatísticos.

Concluiu que o governo federal (ao menos no período analisado, de 2003 a 2011) faz, sim, uma distribuição estratégica desses recursos, de olho na disputa política.

“A pesquisa sugere que governos transferem recursos para entidades para evitar que prefeitos de oposição tenham acesso a repasses de recursos federais. Outros fatores, como implementação de políticas públicas para as quais as organizações tem expertise e capacidade únicas, também tem um papel importante.”

Ela não encontrou provas, porém, de eventual corrupção ou clientelismo por trás desses critérios de escolha – o uso das ONGs seria principalmente parte de uma estratégia político-eleitoral, e não um meio de enriquecimento ilícito.

“Esse tipo de distribuição estratégica de recursos é próprio da política e encontramos padrões de distribuição semelhantes em outros países, como EUA, Argentina e México”, diz Natália.

Corrupção é difícil de verificar, mas a pesquisadora usou a seguinte estratégia: comparou ONGs presentes em cidades com disputas eleitorais apertadas, checou a proporção delas no cadastro de entidades impedidas de fechar parcerias com a União e fez uma busca sistemática por notícias e denúncias públicas de corrupção.

De 281 ONGs analisadas, 10% estavam no cadastro de impedidas, e apenas uma por suspeita de corrupção.
BBC

Brasil – Da série “Acorda Brasil” – Indios e o território nacional

Para quem ainda acha que tudo que se refere à Amazônia é somente fruto dos adeptos de teorias conspiratórias, informo aos “voadores” que:Amazônia,Ongs,Brasil,Soberania,Blog do Mesquita 05

1 – 70% do Estado de Roraima são constituído de reservas indígenas e, nelas, reinam absolutas dezenas de ONGs estrangeiras.

2 – O Comando do Exército recebeu denúncia que somente bandeira de países estrangeiros são hasteadas nas terras indígenas. A Bandeira Brasileira? Nem pensar!

3 – Fontes do Exército Brasileiro confirmam que na reserva dos Waimiri Atroari – rodovia Boa Vista/Manaus – veículos brasileiros só podem circular entre as 6h e as 18h no trecho de cerca de 200km que atravessa a reserva, e, assim mesmo, pagando pedágio.

Fora desse horário os índios somente permitem a circulação de veículos com estrangeiros.

4 – Os  Waimiri Atroari não falam português. A maioria só conhece a língua nativa e alguns dos chefes falam inglês ou francês.

5 – A Funai e Ongs estrangeiras atuam na região.

6 – A CPI das Ongs continua imobilizada na selva misteriosa do Senado Federal.

7 – existe, conhecidas, 150.000 mil ONGs estrangeiras operando na Amazônias

8 – Enquanto isto os Tapuias do asfalto estão atentos às evoluções de outros carnavais, bem como na abundância de destaques, passistas e rainhas de baterias.

9 – Leiam o que consta no início do site da ONG Amazonlink.org:

[…] é uma organização não-governamental sediada em Rio Branco e fundada em setembro de 2001. Apresenta como objetivo principal “superar fronteiras políticas, culturais, ideológicas e de língua em prol da colaboração na preservação da Amazônia”[…]

10 – Abram alas para o “estandarte do Sanatório Geral” passar.


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Coronel do Exército afirma que Brasil está a três passos de guerra civil

Em artigo nomeado “Os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina”, o coronel do Exército Gélio Fregapani, atualmente na reserva, afirmou que o Brasil está “a três passos de uma guerra civil”.

Coronel Gélio Fregapani. – Imagem: Reprodução

Além de comentar a concessão de territórios a grupos indígenas,  riqueza em minérios, mencionou ações do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra -, interesses de potências internacionais, a crise que assola inúmeros países do Mundo, conflitos rurais e étnicos, entre outros.
O artigo gerou discussões, críticas e elogios. Para alguns, a postura do militar seria excessivamente conservadora, vedada ao progresso e a valores sociais, excessivamente alarmista e avessa a movimentos sociais.
Para outros, seria uma postura sensata e valorosa, tendo em vista a conjuntura nacional e internacional.
Segue o artigo na íntegra:
Os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina.
Conflitos no Rio de Janeiro. Imagem: Reprodução

Falta ainda homologar no Congresso e unir as várias reservas indígenas em uma gigantesca, e declarar sua independência. Isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola. Talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.
O MST se desloca como um exército de ocupação. As invasões do MST são toleradas, e a lei não aplicada. Os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja: a convulsão social. Este conflito parece inevitável.
O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Pela primeira vez em muito tempo, está havendo alguma discussão sobre a segurança nacional. Isto é bom, mas sem identificarmos corretamente as ameaças, não há como nos preparar para enfrentá-las.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
A crise econômica e a escassez de recursos naturais poderão conduzir as grandes potências a tomá-los a manu militari, mas ainda mais provável e até mais perigosa pode ser a ameaça de convulsão interna provocada por três componentes básicos:
— a divisão do povo brasileiro em etnias hostis;
— os conflitos potenciais entre produtores agrícolas e os movimentos dito sociais;
— e as irreconciliáveis divergências entre ambientalistas e desenvolvimentistas.
Em certos momentos chega a ser evidente a demolição das estruturas políticas, sociais, psicológicas e religiosas, da nossa Pátria, construídas ao largo de cinco séculos de civilização cristã. Depois, sem tanto alvoroço, prossegue uma fase de consolidação antes de nova investida.
Isto ainda pode mudar, mas infelizmente os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina. Em havendo, nossa desunião nos prostrará inermes, sem forças para nos opormos eficazmente às pretensões estrangeiras.
A ameaça de conflitos étnicos, a mais perigosa pelo caráter separatista
A multiplicação das reservas indígenas, exatamente sobre as maiores jazidas minerais, usa o pretexto de conservar uma cultura neolítica (que nem existe mais), mas visa mesmo a criação de “uma grande nação” indígena. Agora mesmo assistimos, sobre as brasas ainda fumegantes da Raposa-serra do Sol, o anúncio da criação da reserva Anaro, que unirá a Raposa/São Marcos à Ianomâmi. Posteriormente a Marabitanas unirá a Ianomâmi à Balaio/Cabeça do Cachorro, englobando toda a fronteira Norte da Amazônia Ocidental e suas riquíssimas serras prenhes das mais preciosas jazidas.
O problema é mais profundo do que parece; não é apenas a ambição estrangeira. Está também em curso um projeto de porte continental sonhado pela utopia neomissionária tribalista. O trabalho de demolição dos atuais Estado-nações visa a construção, em seu lugar, da Nuestra América, ou Abya Yala, idealizado provavelmente pelos grandes grupos financistas com sede em Londres, que não se acanha de utilizar quer os sentimentos religiosos quer a sede de justiça social das massas para conservar e ampliar seus domínios. O CIMI, organismo subordinado à CNBB, não cuida da evangelização dos povos indígenas segundo o espírito de Nóbrega, Anchieta e outros construtores de nossa nação. Como adeptos da Teologia da Libertação, estão em consonância com seus colegas que atuam no continente, todos empenhados na fermentação revolucionária do projeto comuno-missionário Abya Yala.
O processo não se restringe ao nosso País, mas além das ações do CIMI, a atuação estrangeira está clara:
— Identificação das jazidas: já feito;
— atração dos silvícolas e criação das reservas sobre as jazidas: já feito;
— conseguir a demarcação e homologação: já feito na maior parte;
— colocar na nossa Constituição que tratados e convenções internacionais assinados e homologados pelo congresso teriam força constitucional, portanto acima das leis comuns: já feito;
— assinatura pelo Itamarati de convenção que virtualmente dá autonomia à comunidades indígenas: já feito.
Falta ainda homologar no congresso e unir as várias reservas em uma gigantesca e declarar a independência, e isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.
O perigo não é o único, mas é bastante real. Pode, por si só, criar ocasião propícia ao desencadeamento de intervenções militares pelas potências carentes dos recursos naturais — petróleo e minérios, quando o Brasil reagir.
Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola
A UnB foi contratada pelo Governo para fazer o mapa dos quilombolas. Por milagre, em todos os lugares, apareceram “quilombolas”. No Espírito Santo cidades inteiras, ameaçadas de despejo. Da mesma forma em Pernambuco. A fronteira no Pará virou um quilombo inteiro.
Qual o processo? Apareceram uns barbudos depiercings no nariz, perguntando aos afro-descendentes: “O senhor mora aqui?” “Moro.” “Desde 1988?” (o quilombola que residisse no dia da promulgação da Constituição teria direito à escritura). “Sim”. “Quem morava aqui?” “Meu avô.” “Seu avô por acaso pescava e caçava por aqui?” “Sim” “Até onde?” “Ah, ele ia lá na cabeceira do rio, lá naquela montanha.” “Tudo é seu.” E escrituras centenárias perdem o valor baseado num direito que não existe. Não tenho certeza de que isto não seja proposital para criar conflitos.
Tem gente se armando, tem gente se preparando para uma guerra. Temos de abrir o olho também para esse processo, que conduz ao ódio racial. Normalmente esquerdistas, talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.
Certamente isto vai gerar conflitos, mas até agora o movimento quilombola não deu sinal de separatismo.
Os Conflitos Rurais — talvez os primeiros a eclodir
O MST se desloca como um exército de ocupação, mobilizando uma grande massa de miseráveis (com muitos oportunistas), dirigidos por uma liderança em parte clandestina. As invasões do MST são toleradas e a lei não aplicada. Mesmo ciente da pretensão do MST de criar uma “zona livre”, uma “república do MST” na região do Pontal do Paranapanema, o Governo só contemporiza; finge não perceber que o MST não quer receber terras, quer invadi-las e tende a realizar ações cada vez mais audaciosas.
É claro que os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja; a convulsão social, contando, talvez, com o apoio de setores governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Pedro Stédile: “O interior do Brasil pode transformar-se em uma Colômbia. A situação sairá de controle, haverá convulsões sociais e a sociedade se desintegrará.”
Este conflito parece inevitável. Provavelmente ocorrerá num próximo governo, mas se ficar evidente a derrota do PT antes das eleições, é provável que o MST desencadeie suas operações antes mesmo da nova posse.
O ambientalismo distorcido, principal pretexto para uma futura intervenção estrangeira
Já é consenso que o ambientalismo está sendo usado para impedir o progresso, mesmo matando os empregos Caso se imponham os esquemas delirantes dos ambientalistas dentro do governo, com as restrições de uso da terra para produção de alimentos, um terço do território do País ficará interditado a atividades econômicas modernas.
Há reações, dos ruralistas no interior do País, nas elites produtivas e até mesmo em setores do governo, mas as pressões estrangeiras tendem a se intensificar. Se bem que raramente o meio ambiente serviu de motivo para guerra, hoje claramente está sendo pretexto para futuras intervenções, naturalmente encobrindo o verdadeiro motivo, a disputa pelos escassos recursos naturais.
No momento em que a fome ronda o mundo, o movimento ambientalista, a serviço do estrangeiro, mas com respaldo do governo e com apoio de uma massa urbana iludida, chama de “terra devastada” àqueles quadrados verdejantes de área cultivada, que apreciamos ver na Europa e nos Estados Unidos, e impede a construção de hidrelétricas para salvar os bagres. Com a entrada da Marina Silva na disputa eleitoral, nota-se, lamentavelmente, que todos os candidatos passarão a defender o ambientalismo, sem pensar se é útil para o País.
A três passos da guerra civil
O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Várias fontes de conflito estão para estourar, dependendo da radicalização das más medidas, particularmente do Ministério da Justiça:
— Roraima não está totalmente pacificada;
— o Mato Grosso do Sul anuncia revolta em função da decisão da Funai em criar lá novas reservas indígenas;
— no Rio Grande, os produtores rurais pretendem reagir às provocações do MST;
— Santa Catarina ameaça usar a PM para conter a fúria ambientalista do ministro Minc, que queria destruir toda a plantação de maçã.
Uma vez iniciado um conflito, tudo indica que se expandirá como um rastilho de pólvora. Este quadro, preocupante já por si, fica agravado pela quase certeza de que, na atual conjuntura da crise mundial o nosso País sofrerá pressões para ceder suas riquezas naturais — petróleo, minérios e até terras cultiváveis — e estando dividido sabemos o que acontecerá, mais ainda quando uma das facções se coloca ao lado dos adversários como já demonstrou o MST no caso de Itaipu.
Bem, ainda temos Forças Armadas, mas segundo as últimas notícias, o Exército (que é o mais importante na defesa interna) terá seu efetivo reduzido. Será proposital?
Que Deus guarde a todos vocês.
O cel. Gelio Fregapani é escritor, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.
Qual é a sua posição a respeito das declarações do autor? Tratar-se-ia de uma postura alarmista e exagerada ou condizente com a realidade do país? Manifeste sua opinião e contribua para o diálogo democrático.
Paulo Camponi/Com informações de Blitz Digital e CBR.

Eleições 2014: Eduardo Campos, Marina Silva, Ongs e ‘otras cositas mas’

Duas caras Blog do MesquitaTodos, eu disse todos, o farsantes que militam na política Tapuia necessitam de doses maciças de “memoriol”.

Li com atenção inclusive nas entrelinhas, o discurso do ex-aliado siamês até a semana passada do PT, Eduardo Campos, no lançamento da sopa de letrinhas, pegue na rede de arrastão, para a disputa da Presidência da República dessa infelicitada Taba.

Pois bem; está lá que “é preciso colocar em primeiro lugar os interesses estratégicos do país!” Lindo não?

Ex-celência para colocar em “primeiro lugar os interesses estratégicos do país” é preciso combinar com as ONGs internacionais das quais Dona Marina Silva é uma “rede”.

Assisti a formação da rede da campanha Campos Mariana.

Agora aguardarei assistir de braços dados no palanque o “Socialista” Eduardo Campos e a ex-integrante do Partido Revolucionário Comunista, Marina Silva de braços dados com figuras como os Bornhausen de Santa Catarina.

A política é dinâmica, mais aí já é o exagero da falta de caráter.


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Direitos humanos e o comodismo retórico.

Pau de Arara Blog do MesquitaÉ fato que na maior parte dos casos as Ongs de direitos humanos atuam de forma unilateral.

A CF garante o direito de livre associação.

Portanto qualquer pessoa pode criar uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, também conhecida como ONG – voltada para a defesa de direitos humanos que julgue não estarem sendo defendidos.

Esses ativistas que atuam nas organizações criticas de direitos humanos, que são acusadas de defenderem somente bandidos, são ativos, dão-se ao trabalho de ir às ruas e defenderem suas opiniões, enquanto os que se lhes opõem ficam somente na retórica abdicando de atuarem criando organizações que funcionem como contraponto.

O que eu tento explicar é que cada qual funda uma ONG de Direito Humanos para defender o quer acha certo. Que fique claro, pois essa parece ser a opinião geral, que organizações de DH não são prerrogativa somente de órgãos governamentais ou instituições públicas.

Não estou argumentado que tal esteja ou seja o certo, ou que somente bandido tenha abrigo nessas instituições. Que alguém crie uma ONG para defender as vítimas de assaltos, por exemplo. Aliás, só aqui em Fortaleza existem uma 10 Associações que trabalham em defesa de vítimas de diversos tipos de crimes. Quem se mobiliza é quem tem voz e visibilidade.

Acontece que dá um trabalho danado sair de casa e ter o “saco” de ativistas como a Rosa da Fonseca.
Acontece que o brado é mais cômodo que a ação.


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