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“Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser o Brasil”, adverte pesquisadora sobre conflito

Márcia Oliveira, especialista em fronteira e migração, analisa o papel do Brasil na “ajuda humanitária” ao país vizinho

O Brasil assumiu um papel decisivo na fronteira com a Venezuela no último sábado (23), protagonizando um momento ímpar na relação entre os dois países, com alcance mundial. Primeiro porque coordenou toda a operação da tentativa frustrada de cruzar as duas caminhonetes com alimentos para a Venezuela. Segundo porque permitiu que manifestantes utilizassem o lado brasileiro, mesmo com a fronteira fechada, para se aproximar dos militares venezuelanos e fazer provocações com pedras, queima de pneus e incêndio de um alojamento militar ao lado de um posto de gasolina da Petroleira Venezuelana (PDVSA) com bombas de coquetel molotov.

Doutora em fronteira e migração, professora do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e uma das sete especialistas do Brasil que participam da formulação do Sínodo sobre a Amazônia, evento que será realizado em outubro pela Igreja Católica, Márcia Oliveira analisa a postura diplomática e militar do país na fronteira com a Venezuela e questiona as decisões do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, afirma que é importante enxergar o vizinho como um país irmão e não como um inimigo.

Brasil de Fato: Qual é a sua avaliação sobre a tentativa de entrega da suposta ajuda humanitária do último sábado (23) na fronteira do Brasil com a Venezuela?

Márcia: Para ser confirmada uma ajuda internacional existe um padrão que é definido pela solicitação, logística dessa chegada da ajuda humanitária e, principalmente, pelas estratégias de distribuição, justamente para não criar um problema na disposição dos alimentos. De fato, a materialização do ocorrido no dia 23 de fevereiro nos dá a entender que essa ajuda humanitária teve um cunho político muito forte. Ou seja, ela não se configura a partir do padrão internacional convencionado como ajuda humanitária e, ao mesmo tempo, ela não segue nem os padrões de logística e nem de distribuição, o que nos leva entender a ajuda, uma pseudo ajuda humanitária, como um fato político.

Qual a estratégia por trás dessa “ajuda humanitária”?

A partir do fato em si na fronteira que, num primeiro momento, nos pareceu um jogo de forças, nos deu a entender que era uma espécie de tentativa de medir forças para reunir os opositores do governo Maduro numa grande encenação daquilo que seria a entrada no país pelas fronteiras. E, claro, com a presença de representantes dos Estados como o Chile, Brasil, Colômbia nas fronteiras prontos para celebrar aquilo que seria a entrada definitiva no país. A análise que fazemos, no campo sociológico, é que há um embate contra o governo Maduro. Como não se consegue minar o país pelas vias políticas, tenta-se minar o país pelas fronteiras. Ou seja, não existe uma justificativa que permita uma intervenção militar na Venezuela. Pelo menos do ponto de vista sociológico, isso não existe. Adentrar pelas fronteiras poderia, sim, se configurar como uma grande estratégia de ocupação e intervenção política num processo em que o Brasil está envolvido, e outros países também nesse Grupo de Lima, que acaba transformando uma questão que seria mais no campo social-humanitário, numa questão política.

Estados Unidos e Europa, que se dizem preocupados com a Venezuela, impõem ao país governado por Nicolás Maduro uma série de sanções. Qual o impacto disso no momento que vive o país sul-americano?

Para mim, não é uma questão apenas de governo, não é uma situação criada por Maduro, é uma questão que envolve uma complexidade de elementos no campo político, no campo econômico. O embargo transcende a questão local. Poderia ser qualquer governo fora desse contexto e o embargo teria o mesmo peso. Ou seja, estamos lidando com uma relação de poderes econômicos que afeta a Venezuela neste momento. Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser o Brasil. Então são questões no campo do capitalismo, na intensificação do capitalismo neste momento histórico em que os interesses econômicos estão acima dessas populações locais, inclusive nesse caso específico do conflito na fronteira, que colocam em risco a vida de centenas – e talvez milhares – de pessoas que estão ali na fronteira, de uma forma muito irresponsável. O interesse econômico está acima da vida das pessoas. Então o embargo traz esse elemento muito forte.

O reforço da segurança por parte do Estado brasileiro só ocorreu após as provocações por parte dos opositores e resposta por parte dos militares venezuelanos. Qual a responsabilidade do governo Bolsonaro nesse conflito?

Temos dois atores importantes nesse processo: o Exército e o Ministério das Relações Exteriores. No mínimo, essas duas instituições devem explicações à sociedade brasileira sobre sua postura, principalmente por colocar em risco a vida de tantas pessoas na fronteira. E também por se tratar de um país vizinho, de um país de fronteira. Não estamos falando de qualquer um. Não estamos falando de uma coisa alheia às nossas relações, estamos falando de um [país] vizinho. Nesse sentido, no mínimo, as instituições que se envolveram nesse cenário de encenação da ajuda humanitária devem explicações à sociedade brasileira. Acredito que em algum momento um deputado federal deve chamar ao parlamento as pessoas que estiveram à frente dessas instituições, para se justificar diante da sociedade brasileira, pelo menos, ou para prestar uma explicação política sobre esse envolvimento. Não acredito que essas duas instituições representem a totalidade do povo brasileiro.

Quais os efeitos para o Brasil de uma possível guerra contra a Venezuela?

Toda guerra é tremenda e evitá-la deve ser o objetivo de toda e qualquer sociedade que tem o mínimo de entendimento sobre relações transfronteiriças, que pensa a fronteira como vizinha e não como inimiga. Não quero acreditar que acontecerá uma guerra contra a Venezuela e não quero acreditar que o Brasil participe disso, porque historicamente nós não temos a postura de não estabelecer guerra com ninguém, mas ao mesmo tempo há uma preocupação muito grande sobre os andamentos, os rumos dessa relação difícil e tensa com a Venezuela, que é um país irmão, vizinho, que não pode ser visto como um inimigo, como um país passível de guerra.
OperaMundi/Andre Vieira

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Crise na Venezuela: o que dizem os soldados que desertaram nas fronteiras

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A BBC News conversou com desertores venezuelanos que estão abrigados em uma igreja na Colômbia

Os soldados que desertaram das forças armadas venezuelanas no sábado e cruzaram a fronteira para a Colômbia temem pela segurança de suas famílias que ficaram no país.

Em entrevista exclusiva à jornalista Orla Guerin, da BBC News, um desertor de 23 anos disse estar preocupado que as forças de segurança leais ao presidente Nicolás Maduro possam “atacar sua família”.

“Mas acho que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, acrescenta.

No total, mais de 100 soldados teriam desertado, a maioria durante os violentos confrontos deste fim de semana, quando estava prevista a chegada da ajuda humanitária articulada pelo líder da oposição Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino, e seus aliados internacionais.

A tensão aumentou depois que Maduro enviou tropas para bloquear estradas e pontes nas fronteiras do Brasil e da Colômbia, por onde os veículos carregados de alimentos e medicamentos, enviados pelos EUA, entrariam no país.

Maduro argumenta que a entrada da ajuda humanitária na Venezuela abriria caminho para uma intervenção militar dos EUA.

Em diversos pontos da fronteira, as forças de segurança entraram em confronto com civis venezuelanos que tentaram furar o bloqueio em busca de mantimentos. Os soldados usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que revidaram com pedradas.

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Maltratados e feridos

Orla Guerin, da BBC News, na Colômbia, perto da fronteira com a Venezuela

Encontramos com os desertores – homens e mulheres – um dia depois que eles baixaram suas armas e abandonaram seus postos. Eles conseguiram abrigo em uma igreja católica, que conta com uma equipe de segurança discreta do lado de fora.

Alguns pareciam estar em choque com as cenas de violência deste fim de semana, quando as tropas venezuelanas atiraram em seu próprio povo com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

O padre da paróquia que os acolheu contou que muitos chegaram maltratados e feridos. Os desertores disseram que fugiram porque o país deles precisava de mudanças e os filhos, de comida. Após falar por telefone com um familiar, um jovem oficial caiu em prantos.

A maioria dos militares que encontramos era de soldados de infantaria. Eles contaram que o alto escalão ainda estava vinculado – pela corrupção – ao presidente Nicolás Maduro, e que ele lutaria para permanecer no poder.

Mas disseram que ele perdeu o apoio dos recrutas, que estavam apostando no líder da oposição, Guaidó.

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O que dizem os desertores?

Após concordar em conversar com a BBC, sob condição de anonimato, um grupo de desertores venezuelanos refugiados em uma igreja em Cúcuta, na Colômbia, descreveu o que os levou a deixar as forças armadas.

“Há muitos soldados profissionais que querem fazer isso. Isso vai ser um efeito dominó. Vai ter uma influência significativa nas forças armadas”, disse um homem de 29 anos.

“As forças armadas entraram em colapso por causa de tantos oficiais corruptos. Os profissionais militares estão cansados. Não podemos continuar escravos, estamos nos libertando”, acrescentou.

Uma desertora mulher descreveu como “tenso” o clima no sábado: “Eu só pensava que não poderia prejudicar meu próprio povo”.

“Minha filha ainda está na Venezuela e é isso que dói mais. Mas eu fiz isso por ela. É difícil porque não sei o que eles podem fazer com ela”, completa.

Um terceiro disse que sentiu dor ao ver o povo venezuelano nas ruas lutando por ajuda humanitária.

“Me senti impotente e inútil. Senti dor por tudo o que aconteceu”, afirmou.

Guaidó prometeu anistia aos desertores se eles ficassem do “lado certo da história”.

Manifestantes entraram em confronto com forças de segurança venezuelanas nas fronteiras da Colômbia e do BrasilDireito de imagem EPA
Manifestantes entraram em confronto com forças de segurança venezuelanas nas fronteiras da Colômbia e do Brasil

O que está acontecendo na Venezuela?

No domingo, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que Maduro estava com os “dias contados” após os confrontos violentos do fim de semana.

“Saber os dias exatos é difícil. Estou confiante de que o povo venezuelano vai garantir que os dias de Maduro estejam contados”, declarou Pompeo à rede de televisão americana CNN.

O autoproclamado presidente interino, Guaidó, que foi reconhecido por mais de 50 países, pediu que outras nações considerem “todas as medidas” para expulsar Maduro, depois que os esforços liderados pela oposição para levar ajuda humanitária ao país resultaram em confrontos.

A polícia venezuelana impediu os carregamentos de ajuda humanitária de cruzar a Ponte Internacional Simon BolivarDireito de imagem EPA
A polícia venezuelana impediu os carregamentos de ajuda humanitária de cruzar a Ponte Internacional Simón Bolívar

Ele também participa nesta segunda-feira da reunião do Grupo de Lima, em Bogotá, em que representantes de 13 países discutem a situação política e social da Venezuela. O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, vai representar Washington nas negociações.

Um alto funcionário da Casa Branca disse no domingo que Pence planejava anunciar “medidas concretas” e “ações” para enfrentar a crise durante o encontro, informou a agência de notícias Reuters.

Enquanto isso, a Colômbia e o Brasil anunciaram que intensificariam a pressão para Maduro deixar o poder. E o presidente dos EUA, Donald Trump, não descartou uma resposta armada à crise na Venezuela.

Maduro conta, por sua vez, com o apoio de importantes aliados econômicos – como Rússia, China e Cuba.

O navio de suprimentos que foi forçado a atracar na ilha de CuraçaoDireito de imagem GETTY IMAGES
Navio de suprimentos que seguiria para a Venezuela foi forçado a atracar na ilha de Curaçao

O que aconteceu na fronteira?

A oposição venezuelana planejava cruzar pacificamente as fronteiras da Colômbia e do Brasil para entrar na Venezuela com caminhões carregados de ajuda humanitária.

Guaidó havia prometido que os mantimentos chegariam naquele dia. Em resposta, Maduro fechou parcialmente as fronteiras do país.

Os civis venezuelanos tentaram atravessar em busca de alimentos e medicamentos, o que provocou rapidamente a reação das forças militares.

Os soldados atiraram contra os civis usando munição real e balas de borracha.

Pelo menos duas pessoas morreram nos conflitos.

No dia seguinte, um barco que levava ajuda humanitária de Porto Rico para a Venezuela foi forçado a atracar na ilha de Curaçao após ser interceptado pela marinha venezuelana, informou a agência de notícias AFP.

A embarcação estaria carregada com nove contêineres cheios de comida e remédios.

Como a situação chegou a este ponto?

A ajuda humanitária armazenada na Colômbia e no Brasil está no centro de um embate político entre Maduro e Guaidó, que remonta à controversa reeleição de Maduro em 2018.

A Venezuela vive há alguns anos em meio a uma grave crise política e econômica.

A inflação descontrolada fez os preços dispararem, deixando muitos venezuelanos com dificuldade para comprar até mesmo os itens mais básicos, como alimentos e papel higiênico.

Mais de três milhões de pessoas fugiram da Venezuela nos últimos anos, de acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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A asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação

Na Venezuela, carne e frutas viraram produtos de luxo e lojas foram obrigadas a fechar. 48% das famílias são pobresAmérica Latina,Venezuela,Migrantes,Nicolas maduro,Inflação,EconomiaA asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação ONU aponta aumento dramático da desnutrição na Venezuela

Os números na Venezuela já não dizem mais nada. Em novembro do ano passado houve uma inflação recorde: os preços subiram naquele mês 57%, segundo o monitoramento feito pela Assembleia Nacional. A Venezuela entrou na temida hiperinflação que se previa havia dois anos. Embora o índice de novembro deste ano ainda seja desconhecido, em outubro já triplicou o registrado um ano antes, um percentual escandaloso para os economistas e que se torna sufocante na vida cotidiana. Na sexta-feira, 30, as autoridades venezuelanas anunciaram uma desvalorização de 43% do bolívar. Um dia antes, aumentaram o salário em 150%.

Karina Cancino, 42 anos, era até o ano passado gerente de sua produtora audiovisual. Ela não precisa de indicadores para medir a inflação: “Reduzi a qualidade de vida das minhas filhas. As aulas de inglês, dança e esporte terminaram este ano. Também o plano de saúde. Nós também não viajamos: desde dois anos atrás, quando fomos a Nova York, não saímos de férias. Trabalho apenas para manter as meninas”, acrescenta

Cancino vive agora do pequeno café que abriu em uma clínica em Caracas no começo do aterrorizante 2018 que os especialistas previram. Tinha ficado seis meses sem trabalho, depois de fechar a empresa que tinha com outros sócios residentes no exterior. “Todos os meses saía gente porque estavam deixando o país. Todo mês tínhamos que treinar novos funcionários, era impossível continuar trabalhando aqui. Era muito difícil ajustar salários, reter as pessoas, lidar com aumentos de aluguel e falhas de serviços.” As poucas economias em dólares que ela, o marido e as filhas de seis e 12 anos mantêm são guardadas como um seguro, para o caso de ocorrer uma emergência médica.

Karina Cancino, na segunda-feira, em seu café em uma clínica de Caracas F. S.A asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação Maduro aumenta o salário mínimo em 150% em plena hiperinflação
Para os venezuelanos, a hiperinflação, um fenômeno que a região não conhecia desde o início dos anos 90, quando o Peru sofreu um forte aumento nos preços – assim como enfrentavam os brasileiros – significou um empobrecimento ainda maior, jamais registrado antes na América Latina. Primeiro, porque a voracidade da escalada inflacionária ocorre em um país quase sem indústria e agricultura, e totalmente dependente de importações, o que agravou o desabastecimento, agora crônico. Em segundo lugar, porque um ano depois do problema — pelo menos na definição técnica de hiperinflação, porque a elevação de preços tinha começado muito antes – o Governo de Nicolás Maduro nem sequer se refere ao mal por seu nome, mas o coloca no saco da chamada “guerra econômica”, que enfrenta com medidas contraindicadas. Em uma economia infestada de liquidez, as autoridades continuam fazendo jorrar dinheiro, com aumentos consecutivos nos salários e bonificações, que o Tesouro não tem condições de respaldar, por isso é obrigado a imprimir cada vez mais notas. O cachorro que morde o rabo.

César Reina, de 45 anos, perdeu peso, mas com a receita extra diz que recuperou: come uma ou duas vezes por diaA asfixiante vida dos venezuelanos depois de um ano de hiperinflação Maduro aumenta o salário mínimo em 150% em plena hiperinflação

César Reina, de 45 anos, faz milagres com o salário mínimo que ganha como mensageiro em uma empresa. “Antes, a gente podia economizar um pouco do salário e juntar para comprar algo, agora vivemos para o dia a dia.” Vive para o dia em um bairro em La Guaira, nos arredores de Caracas, e há dois meses começou a ocupar as horas livres com trabalhos de pedreiro por empreitada. “Pinto, conserto, faço qualquer coisa. Com isso pude pagar a matrícula e o material escolar da minha filha pequena, porque apenas as calças do uniforme da escola custaram 1.800 bolívares [o salário mínimo, que estava em vigor de agosto até quinta-feira, quando o Governo o aumentou para 4.500 bolívares soberanos].” A filha mais velha, 21 anos, emigrou para o Chile no início de novembro, mesmo sem ter terminado o curso de Comunicação Social. “Já tem trabalho e está melhor.”

Reina reconhece que perdeu peso, embora diz que se recuperou com a renda extra: come uma ou duas vezes por dia. A sardinha se tornou comum em sua refeição. “No meu bairro era tradição no domingo fazer uma sopa de costela e frango para dividir com os vizinhos, mas a gente já não consegue fazer sopa, e muito menos dividir.”

No populoso Petare, perto da capital, Maura García também faz mágica com a renda mínima que recebe para pagar as contas e ajudar filhos e irmãos. Na sua região chegavam com certa regularidade as cestas da Clap, o programa de alimentos de baixo custo que Maduro planejou para compensar as dificuldades de acesso à comida em um país onde as mortes por desnutrição estão aumentando. Há mais de um mês não chegam e durante o último ano ela gasta mais energia buscando obter alimentos do que no trabalho: na troca com amigos ou ficando em longas filas quando os produtos com preços controlados chegam aos supermercados. “Faz tempo que não sei o que é comer carne.” Com seu salário só consegue comprar 15 ovos. Como no caso de Reina, um de seus filhos emigrou para a Colômbia há um ano. Mesmo em uma situação irregular, pode enviar algum dinheiro para que a mãe possa comer.

Sem sinal de mudança
A Pesquisa de Condições de Vida, apresentada esta semana pela Universidade Católica Andrés Bello, mostra que 48% das famílias venezuelanas são pobres, 2 pontos porcentuais a mais do que um ano antes. Essa é uma das razões que levou à emigração: segundo estimativas, cerca de 700.000 pessoas só neste ano, um êxodo que também estimulou uma economia de remessas que dá alguma folga a um grupo da população. Como em todas as hiperinflações recentes, o dólar se tornou cada vez mais comum para as transações: as moedas estrangeiras substituíram o desvalorizado bolívar nas consultas médicas, serviços profissionais e técnicos, e até mesmo para comprar algo tão básico como a farinha de milho no mercado paralelo.

Maura García, na segunda-feira, no bairro de Petare, em CaracasAmérica Latina, Venezuela,Economia,Blog do Mesquita 3
“Quando entramos na hiperinflação, não imaginávamos que seria tão agressiva. Esperávamos algo como o que já havia acontecido na América do Sul, de 20.000% ou 50.000%, como na Bolívia, mas esta superou tudo”, explica o deputado José Guerra. A hiperinflação da Venezuela já é a terceira mais prolongada das que abalaram a América Latina, superada apenas pela da Bolívia na década de 80 — 18 meses —e a da Nicarágua, também no final daquela década — 58 meses.

O FMI prevê que a Venezuela encerre 2018 com inflação de sete dígitos, em torno de 2.500.000%, um número que é até difícil de pronunciar. As recentes medidas anunciadas por Maduro para aumentar os salários projetam uma espiral ascendente de preços: para honrar os compromissos, a massa monetária tem aumentado entre 15% e 20% a cada semana. “A hiperinflação continuará no ano que vem, porque as razões que a motivaram permanecem, e parece que o acesso ao financiamento externo para o Governo está mais fechado”, acrescenta Guerra.

Os irmãos Nil e Manuel Rodríguez Domínguez fecharam em novembro o bar da família que mantiveram por 28 anos em Chacao, numa área de entretenimento a leste de Caracas. Uma calorosa despedida com os clientes regulares marcou o fechamento de um ciclo. “No ano passado, ficou muito difícil acompanhar o ritmo dos preços.” O negócio vivia da cerveja, cujo preço começou a subir tão rapidamente que se tornou difícil oferecê-la por um valor que as pessoas pudessem pagar e que lhes proporcionasse receita para repor o estoque. Esses malabarismos se tornaram comuns entre os comerciantes, mas os irmãos jogaram a toalha: venderam o negócio e emigraram para a Galícia, na Espanha, para a terra de seus pais. Há um ano, o preço do dólar paralelo chegou a 100.000 bolívares (que agora equivalem a um bolívar soberano), o que permitia drenar a angústia da crise com até seis cervejas. Nesta semana, o dólar é trocado por quase 500 bolívares: não dá nem para duas.

No escuro e sem dinheiro, Venezuela adota novo fuso horário

Para poupar energia, governo Maduro manda adiantar os relógios 30 minutos. Diante do avanço da oposição, mudança pode simbolizar o início do fim do socialismo bolivariano.

Há anos venezuelanos têm que conviver com apagõesHá anos venezuelanos têm que conviver com apagões

“Estou cheio de esperança, os sinais apontam em direção a mudanças”, diz Leopoldo López numa mensagem lida por sua mãe, Antonieta Mendonza, durante manifestação pública em Caracas.

O referendo para revogação do mandato do presidente Nicolás Maduro é o caminho para sair da crise”, prossegue o líder oposicionista mais conhecido da Venezuela – o mais tardar desde sua controversa prisão em fevereiro de 2014.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nos últimos dias, mais de 1,5 milhão de venezuelanos apoiaram um abaixo-assinado reivindicando o referendo revogatório.

López também participou com sua assinatura graças a Antonieta, que contrabandeou a lista para dentro e para fora do presídio onde seu filho é mantido.

Nos próximos dias, as listas de assinaturas serão avaliadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Caso o parecer seja positivo, poderá ser realizada uma votação sobre a eventual deposição de Maduro.

Depois de mais essa vitória da oposição, que já vencera as eleições parlamentares em dezembro de 2015, os relógios batem diferente na Venezuela – e não só politicamente, mas também literalmente, pois o país adiantou os relógios 30 minutos na madrugada deste domingo (01/05).

A decisão, anunciada em meados de abril, faz parte de um pacote de medidas para fazer frente à escassez de eletricidade.

Venezuela à beira do colapso econômico

O tempo corre contra a Revolução Bolivariana proclamada pelo carismático Hugo Chávez, ao ser eleito presidente em dezembro 1998. Pois, 17 anos depois, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo se encontra à beira do abismo econômico e político.

“O aquário que tem sido o regime venezuelano nestes anos pode se assemelhar a um ‘show de horrores'”, escreve o comentarista Isaac Nahón Serfaty na edição para a América Latina do jornal espanhol El País.

“O país tem assistido a um espetáculo de governo em que se degradam as instituições, não se respeitam as leis, faz-se apologia do crime, os governantes se contradizem, falam mal e ocasionalmente expressam uma ignorância e um nível de incompetência aterradores.”

Serfaty está entre os 1,5 milhão de venezuelanos que deixaram o país desde que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) assumiu o poder. O perito em comunicações renunciou a seu posto na católica Universidade Andrés Bello, em Caracas, e leciona atualmente na Universidade de Ottawa, no Canadá.

O “show de horrores” chavista transformou o dia a dia dos 30 milhões que permaneceram num verdadeiro cenário da desgraça, prossegue Serfaty. Sua “lista de calamidades”, manifestando uma “degradação social acelerada”, inclui “linchamentos, saques, delinquência desbragada, roubos de fundos públicos, contrabando, mercado negro, falta de medicamentos e alimentos, filas intermináveis para obter produtos básicos”.

Esta revolução ficará escrita na lixeira da história, diz cartaz de manifestante anti-Maduro“Esta revolução ficará escrita na lixeira da história”, diz cartaz de manifestante anti-Maduro

Sem dinheiro para imprimir dinheiro

A carência é generalizada no país sul-americano, já que todos os produtos necessários têm que ser importados do exterior. Contudo, desde a queda dos preços do petróleo a crise se agravou sensivelmente. No momento, Caracas não dispõe mais de divisas suficientes para assegurar o abastecimento básico da população.

Futuramente os venezuelanos vão ter de abrir mão até mesmo de sua tão estimada cerveja. Na sexta-feira passada a maior cervejaria do país, a Empresas Polar, suspendeu a produção. Num comunicado público, ela culpa o Banco Central por não liberar divisas para a importação do malte de cevada.

Uma carta de meados de abril vazada para a imprensa demonstra a gravidade da situação: nela, a impressora de cédulas inglesa De La Rue cobra do Banco Central venezuelano 71 milhões de dólares em contas atrasadas.

A demanda por numerário na Venezuela é tremenda: com uma taxa de inflação estimada em 700% para este ano, o país enfrenta a maior desvalorização monetária do mundo. E agora passará também a ser a primeira nação do mundo que não tem dinheiro para imprimir dinheiro.

Artigo em falta: Banco Central de Caracas sem dinheiro para financiar impressão de cédulasArtigo em falta: Banco Central de Caracas sem dinheiro para financiar impressão de cédulas

Escuro simbólico?

A coisa não para por aí: devido à crônica insuficiência de energia, a população agora também ficará no escuro. À medida que os níveis de água no reservatório Simón Bolívar vão caindo perigosamente, o abastecimento de eletricidade está cada vez mais próximo do colapso total.

O resultado são apagões frequentes em todo o país e medidas de racionamento drásticas. Em 10 dos 24 estados venezuelanos a energia é diariamente cortada durante várias horas. O funcionalismo público só funciona dois dias por semana, e às sextas-feiras as escolas suspenderam as aulas.

Rodrigo Blanco Calderón processou a decepção com seu país no romance A noiteRodrigo Blanco Calderón professou a decepção com seu país no romance “A noite”

“Já desde 2010 a energia é racionada. Para mim, isso é o sintoma visível do completo fracasso do assim chamado socialismo bolivariano do século 21”, declarou o autor Rodrigo Blanco Calderón, em entrevista à DW. Num romance significativamente intitulado The night, ele reflete sobre as horas negras de seu país natal.

Para o escritor, os apagões foram provas precoces da leviandade dos governos do ex-presidente Hugo Chávez e de seu sucessor, Nicolás Maduro. “Mas eles sabiam utilizar essa leviandade: desse modo nós, venezuelanos, devíamos ir nos acostumando à economia da precariedade e ao caos”, analisa Calderón.

A Venezuela está no escuro: a adoção de um novo fuso horário neste domingo pouco alterará esse fato. Mas a contagem regressiva para o fim da era do socialismo bolivariano começou. O último a sair nem vai precisar apagar a luz.
DW

Racionamento de energia elétrica gera protestos e saques na Venezuela

Mais de 100 pessoas foram detidas e 70 estabelecimentos comerciais foram saqueados

Protesto em Maracaibo, Venezuela, contra o racionamento da energia elétrica. EFE

País se encontra à beira do colapso energético devido a um somatório de fatores

Saque. A palavra foi retirada do léxico do Governo da Venezuela, mas se fez realidade em sete Estados do país – Zulia, Miranda, Bolívar, Trujillo, Lara, Vargas e Carabobo — em decorrência das dificuldades provocadas pelo severo racionamento de energia elétrica. O regime não admite oficialmente a existência dos distúrbios.

MAIS INFORMAÇÕES

Maracaibo, capital do Estado petrolífero de Zulia, no oeste da Venezuela, sentiu nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, a fúria dos habitantes de uma região que se vê forçada a enfrentar as altas temperaturas do úmido calor caribenho sem eletricidade.

Segundo o jornal Versión Final, os zulianos passaram 30 horas sem eletricidade desde a madrugada de segunda-feira, quando entrou em vigor o severo plano de cortes de energia. O mesmo jornal registrou a realização de saques em pelo menos 12 estabelecimentos, entre padarias, lojas de eletrodomésticos, supermercado e instituições do Governo.

O governador chavista, Francisco Arias Cárdenas, fez nesta quarta-feira um balanço mais preciso: mais de 70 estabelecimentos comerciais destruídos ou saqueados em sete áreas de Maracaibo, assim como na cidade de Machiques e na costa leste do lago de Maracaibo, e 103 pessoas detidas.

O governante qualificou os atos de “uma ação de desestabilização que se aproveita da crise de energia elétrica e que não ajudam em nada na busca de uma solução”. Arias admitiu que alguns dos protestos têm origem numa insatisfação real, mas logo relativizou suas próprias palavras: “Setores da extrema direta querem assumir o poder”.

Colapso

Em Valencia, no Estado de Carabobo, região central do país, estradas foram fechadas e fogo foi ateado em pneus pelo mesmo motivo. Nesta quarta-feira, em Los teques, capital do Estado de Miranda, houve tentativas de assalto a alguns estabelecimentos comerciais e os proprietários fecharam suas portas às pressas.

Protestos semelhantes, embora menos intensos, foram registrados na cidade andina de Valera e em Puerto Ordaz, a mais importante do Estado de Bolívar.

País se encontra à beira do colapso devido à seca provocada pelo El Niño e ao fracasso dos investimentos no setor elétrico

A Venezuela se encontra à beira do colapso, devido a um somatório de fatores: a longa seca provocada pelo fenômeno meteorológico conhecido como El Niño, a falta de investimentos no setor elétrico (controlado pelo Estado desde 2007) e o fracasso do programa de criação de termoelétricas que ajudariam a diminuir a dependência em relação à geração de energia hidrelétrica proveniente do sul do país, no quadro da emergência decretada para o setor em 2010 pelo então presidente Hugo Chávez.

Uma parte dos equipamentos adquiridos não funciona. Há suspeitas, além disso, de que o dinheiro designado pelo Estado para a aquisição desses equipamentos foi desviado. Também não foram concluídas obras de grande porte como a represa de Tocoma, igualmente localizada no sul do país, que atenuaria a demanda ao gerar metade da energia atualmente produzida pela Central Hidrelétrica Simón Bolívar.

O ministro da Energia Elétrica, Luis Motta Domínguez, admitiu que a Central Hidrelétrica Simón Bolívar, que gera 70% da energia utilizada pelo país, está a 1,60 metro do nível considerado de colapso. Essa admissão revela que as medidas adotadas pelo Governo não surtiram o efeito desejado.

No começo do ano, reduziu-se a jornada de trabalho em duas horas; em seguida, decretou-se a sexta-feira como dia de folga; foram definidos como feriados todos os dias úteis da Semana Santa; e, por fim, decidiu-se que o funcionalismo público, durante pelo menos 15 dias, trabalharia apenas nas segundas-feiras e terças-feiras até uma hora da tarde.

Nada disso conseguiu deter a diminuição constante dos níveis de água na represa.
André Meza/El Páis

América Latina vive o fim da era dourada da esquerda no poder

Maduro conversa com Morales e Correa, em uma reunião na Bolívia.
Maduro conversa com Morales e Correa, em uma reunião na Bolívia.
Fot: Jorge Abrego/efe

Depois de anos de grande crescimento e inclusão social, a crise econômica e uma sociedade latino-americana nova, com gerações exigentes que demandam mais e melhor democracia e não toleram a corrupção nem o poder absoluto, estão derrubando um a um quase todos os Governos da região.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Argentina viveu o início do eixo bolivariano, com a reunião de Mar del Plata de 2005, que marcou uma década de afastamento dos EUA e de políticas contrárias à ortodoxia econômica. O país austral também marcou o final, com a derrota do kirchnerismo em novembro passado, depois de 12 anos no poder. Só três semanas depois foi a vez das eleições na Venezuela, que representaram o princípio do fim do chavismo no poder com a conquista de dois terços do Parlamento pela oposição.

Agora a Bolívia também diz não à continuidade de Morales depois de 2019. O presidente equatoriano, Rafael Correa, também com problemas, anunciou que não tentará a reeleição em 2017.  E em poucas semanas, em abril, o Peru deve concluir o ciclo com a saída de cena de Ollanta Humala e o provável regresso de um Fujimori ao poder.

O Brasil, por outro lado, vive uma crise política econômica e política permanente, e o Partido dos Trabalhadores, que governa o país há quase 13 anos, corre sérios riscos de não fazer um sucessor para a presidenta Dilma Rousseff em 2018, quando o ex-presidente Lula, que governou o país de 2003 a 2010, poderia se candidatar novamente. Mas, denúncias de corrupção ininterruptas na mídia que atingem o próprio Lula e outros membros do partido, além de uma recessão que já entra no seu segundo ano, reduzem as chances de que esse intento seja bem-sucedido.

Algo parece evidente: na América Latina há correntes de fundo. Nos anos noventa triunfou o liberalismo. O início do século XXI chegou com um forte grito anti-neoliberal. Agora há uma guinada à direita? Ninguém parece corroborar com essa tese.

Os dados indicam, na verdade, que os cidadãos latino-americanos, sobretudo as novas gerações, depois de conseguir uma maior inclusão social e um aumento da classe média, querem mais, e se tornaram muito críticos com o poder. Reconhecem as conquistas de seus Governos mas não se conformam.

Morales, por exemplo, tem boa avaliação, poderia ganhar as eleições, mas quando esta semana perguntou-se se a população lhe permitiria mais uma reeleição, a ideia foi rechaçada com 51,3%. Querem mudança. Na Argentina, aconteceu algo parecido. Cristina Fernández de Kirchner tinha uma alta avaliação, mas, quando quis mudar a Constituição para poder continuar, perdeu em 2013 as eleições intermediárias, propostas quase como um plebiscito.

Os dados indicam, na verdade, que os cidadãos latino-americanos, sobretudo as novas gerações, depois de conseguir uma maior inclusão social e um aumento da classe média, querem mais, e se tornaram muito críticos com o poder.

Contra a corrupção

Em todos os países há uma linha comum: os protestos exigem maior transparência, luta contra a corrupção e uma troca geracional. A Bolívia foi o país com maior crescimento econômico do eixo bolivariano. No entanto, como aconteceu a seus correligionários, diante do enfrentamento da economia e do surgimento de casos de corrupção, optou por defender-se recorrendo a um discurso do qual os cidadãos parecem já cansados: uma conspiração orquestrada pelos EUA.

O fim da década dourada das matérias-primas também tem muito a ver com esta mudança de ciclo. As economias latino-americanas cresceram, entre 2003 e 2012, acima de 4%, segundo dados da CEPAL. Desde os anos sessenta, a região não registrou um período tão intenso. No entanto, as previsões do Fundo Monetário Internacional destacam que a economia latino-americana acabará 2016 com uma recessão do 0,3%.

A queda das matérias-primas é a principal causa. Entre 2011 e 2015, a queda dos preços dos metais e da energia (petróleo, gás e carvão) foi de quase 50%, segundo a CEPAL. Só em 2015, os produtos energéticos caíram 24%.

Estes anos de bonança e Governos de esquerda mudaram muitas coisas no continente. Durante a década de ouro, entre 2002 e 2012, os níveis de pobreza caíram de 44% para 29%, enquanto que os de pobreza extrema diminuíram de 19,5% para 11,5%, com um aumento considerável das classes médias.

Também houve um aumento notável do gasto público. E isso implicou em inclusão social. Uma amostra: entre 1999 e 2011, segundo a Unesco, o nível de escolarização inicial passou de 55% a 75%. No entanto, os cidadãos não se conformam. Querem mais e melhor. E tudo indica que quase nenhum Governo ficará em pé diante desta onda.
El País

Maduro está podre.Ou enlouqueceu de vez.

Venezuela expulsa diplomata suíço após protesto contra Maduro em Genebra.

Venezuela expulsa diplomata suíço após protesto contra Maduro em Genebra
A ação foi feita de forma discreta pelo governo de Caracas (Foto: Wikipedia)
Caso remete ao protesto contra Nicolás Maduro ocorrido em novembro do ano passado, em Genebra, do lado de fora da sede da ONU.

O chefe da missão diplomática suíça em Caracas, Benedict De Cerjat, foi expulso da Venezuela no início deste mês. O diplomata atuava há cinco meses no país.

A ação, feita de forma discreta, foi revelada nesta sexta-feira, 26, pelo jornal Folha de S. Paulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na época, Maduro solicitou uma visita à ONU para se defender de acusações de violações de direitos humanos cometidas por seu governo.

A visita desagradou alguns diplomatas da ONU, já que a tradição da organização é de não aceitar pedidos de discursos unilaterais feitos por chefes de Estados. O fato de a visita ocorrer três semanas antes das eleições parlamentares venezuelanas também gerou críticas.

Em sua fala, Maduro negou a existência de abusos e falou sobre os avanços sociais obtidos pelo chavismo na Venezuela.

Porém, do lado de fora do prédio, manifestantes venezuelanos protestavam contra Maduro, chamando o presidente de traidor, assassino e ditador.

O constrangimento levou a ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez a pedir explicações a De Cerjat pelo que considerou um desrespeito a Maduro.

Na conversa, a ministra exigiu que o governo suíço tomasse providências para que o caso jamais se repetisse. Em resposta, De Cerjat afirmou que, como uma democracia plena, a Suíça garante às pessoas a liberdade de expressão.

A resposta irritou a ministra, que relatou o caso a Maduro. O diplomata, então, foi considerado persona non grata na Venezuela, o que impede o exercício de sua função.

De Cerjat passou algumas semanas na Suíça esperando que a situação se acalmasse.

Como isso não ocorreu, ele voltou para Caracas para encerrar sua missão e deixar o país.
Fonte:Opinião&Notícia

Maduro acelera o ‘golpe judicial’ para retomar o poder na Venezuela

Venezuela,Ditadura,Nicolas Maduro,Hugo Chaves,Blog do Mesquita,Eleições,CensuraMaduro – enquanto não cai de podre – vis se mostrando um ditadorzinho de m***a, tal e qual seu mento, o maluquete das Caraíbas, Hugo Chaves, que já faz moradia nos subterrâneos de Hades. E que queime por lá até o fim dos tempos.

Maduro deita e rola na Venezuela, persegue opositores, manda bala sem dó nos mesmos, revoga credenciais, dispara bravatas sem limites.
Mas vem as eleições, a oposição conquista vitória significativa e…. nada acontece.
A Venezuela é democrata, semi-democrata, ditadura, ou super-democrata?
José Mesquita


Chavismo manobra boicote a formação de Parlamento em que a oposição é maioria.

O atordoamento que parece ter produzido no chavismo a derrota nas eleições parlamentares de 6 de dezembro deixa o país apreensivo diante de uma situação inédita. Por um lado, o Supremo Tribunal deve decidir se permite a posse de três deputados opositores depois de ter aceito a impugnação apresentada pelo Governo de Nicolás Maduro. O chavismo manobra para boicotar nos tribunais a formação de um Parlamento com maioria oposicionista em 5 de janeiro. A oposição já anunciou que não aceitará a decisão e que comparecerá à Assembleia com seus 112 deputados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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Na última hora de quarta-feira, véspera de ano novo, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) acatou sete recursos apresentados pelo chavismo para impugnar os resultados eleitorais em três Estados. Para respaldar um desses recursos, o STJ – controlado pelo Governo – acatou como medida cautelar a suspensão da proclamação dos deputados eleitos no Estado do Amazonas, três da oposição e um do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

O efeito prático da medida cautelar é impedir a posse desses deputados na terça-feira 5 de janeiro, dia em que deve ser instalada a nova Assembleia Nacional. A oposição agrupada na Mesa da Unidade Democrática (MUD) já anunciou que não acatará a decisão judicial, e que na terça-feira irá ao Parlamento com todos os seus 112 deputados eleitos. A MUD já denunciou a organismos internacionais o que qualifica como “golpe de estado judicial” e, em carta assinada pelo dirigente do partido Primeiro Justiça (PJ), Julio Borges, solicitou às Forças Armadas que ajudem a respeitar a “vontade popular”.

Se forem acatados os recursos quando a Sala Eleitoral do STJ estudar os casos, pode ser ordenada a repetição das eleições em todas as circunscrições em questão, o que afetaria 10 cadeiras. O propósito do chavismo é abortar a maioria absoluta de dois terços obtida pela oposição que, com essa maioria, poderia a partir de terça-feira promover votos de censura contra ministros e vice-presidentes, reformas na Constituição e referendos.

A apenas 72 horas da instalação oficial da nova assembleia, o país acompanhava apreensivo a evolução do xadrez judicial jogado desde 6 de dezembro. Mas essa não é a única incógnita a solucionar. Também falta saber quem integrará o gabinete ministerial, depois de quase um mês desde que o presidente Maduro pediu a renúncia de seus titulares anteriores.

Organizações da sociedade civil como o Centro de Direitos humanos da jesuíta Universidade Católica Andrés Bello de Caracas, advertem de que, segundo as disposições da Constituição vigente, algumas medidas adotadas pelo presidente Maduro nos últimos dias carecem de legalidade por não terem sido referendadas pelo Conselho de ministros. As atuações do Executivo compreendem, por exemplo, a promulgação de leis no marco das faculdades para legislar outorgadas pela Assembleia Nacional a Maduro mediante uma lei habilitante, ou a recente extensão por 60 dias do estado de exceção vigente em municípios fronteiriços com a Colômbia do Estado do Amazonas.

Na segunda-feira iniciará suas funções o inédito Parlamento Comunal, um organismo que o regime tirou da cartola das leis comunais que Hugo Chávez fez aprovar em 2010. O Governo de Maduro não escondeu a intenção de utilizar esse Parlamento paralelo – formado em sua totalidade por representantes de comunas chavistas – como contrapeso à “assembleia burguesa”, assim como de destinar a ele recursos e competências.
El País

Sete sugestões de visitas para a trupe de senadores liderada por Aécio

Aécio Neves Blog do Mesquita Personalidades - Políticos - LulaO PSDB é craque em vexames internacionais. Quando FHC era presidente da República e Celso Lafer nosso ministro das Relações Exteriores, o país tirou os sapatos para entrar nos EUA.

O episódio deixou claro o quanto éramos subservientes e o quanto o governo não se dava ao respeito em nível internacional.

Liderados pelo candidato derrotado à presidência Aécio Neves, o PSDB e seus aliados fizeram o país pagar outro mico. Alguns senadores foram à Venezuela denunciar que o país vizinho é uma “ditadura”. Desceram no aeroporto por uma porta, deram uma volta de van pela cidade, fizeram cara de sérios para sair no Jornal Nacional, e voltaram pela outra porta. E uma viagem custeada com dinheiro público.

Este blogue, porém, achou que a iniciativa merece repeteco. E decidiu fazer uma lista de outros lugares pelo mundo para os senadores demo-tucanos visitarem. Mas dessa vez, detalhe, provavelmente não iriam aparecer no JN.

1 – Guantánamo: Os EUA mantêm em condições subhumanas e expostos a comprovadas sessões de tortura supostos prisioneiros de guerra sem que eles tenham direito à defesa. O governo estadunidense se recusa a tratar o assunto de forma democrática e já sofreu pressão internacional até mesmo do Vaticano, que pediu uma “solução humanitária adequada”. Nunca Aécio ou o PSDB foram aos EUA pressionar Clinton, Bush, Obama ou quem quer que seja.

2 – Palestina: com os territórios de Gaza e da Cisjordânia ocupados desde 1967, o povo palestino sofre com a restrição de direitos básicos e milhares de pessoas e crianças já foram assassinados neste período. A chacina choca a comunidade internacional e Aécio nunca fez um discurso condenando o fato. Sequer postou um tuíte em solidariedade quando a mais sangrenta operação militar israelense na última década deixou 2.205 palestinos mortos.

3 – Síria: Hoje é na Síria que se vive uma das catástrofes humanas mais eloquentes. Calcula-se em 4 milhões o número de pessoas que fogem ou fugiram do país numa guerra que foi insuflada pela chamada comunidade internacional. Ao invés de tentar buscar soluções para isso, a Europa deixa que as pessoas se afoguem no Mediterrâneo. Aécio e sua trupe poderiam ir para os portos da Itália e pressionar os países europeus a darem tratamento humanitário àqueles seres humanos.

4 – Haiti: O país que já era um dos mais pobres do continente foi arrasado por um grande terremoto em 2010 e hoje busca quase sem apoio nenhum sua reconstrução. Ao invés de buscar soluções e fazer, inclusive, as críticas que o governo brasileiro merece neste caso por integrar as tropas de paz da ONU que estão no país, a trupe de senadores faz coro e recebe para o diálogo os líderes do Revoltados on Line que recentemente agrediram um haitiano que trabalhava num posto de gasolina de Canoas, Rio Grande do Sul. A agressão não mereceu uma menção sequer do dileto senador tucano.

5 – Egito: Já que o problema de Aécio e sua trupe é com a falta de democracia na Venezuela, o Egito seria um lugar perfeito para a visita. O país viveu um golpe de Estado e centenas de pessoas que atuavam no então governo eleito ou estão condenadas à morte ou foram executadas. Entre elas, o ex-presidente Mohamed Mursi. Seria o caso de Aécio e seus amigos irem à Praça Tahir e pedir o fim do golpe.

6 – México: 43 estudantes foram assassinados na cidade de Ayotzinapa em setembro de 2014, num dos atos mais bárbaros de que se tem notícia no continente. As investigações estão sendo realizadas sem nenhum tipo de seriedade e as punições provavelmente não ocorrerão. O país, aliás, tem 26 mil cidadãos desaparecidos, segundo registros oficiais. Qual foi a ação da trupe de Aécio neste episódio?

7 – Periferia de SP: O Brasil é um dos países onde se mata mais jovens no mundo. Boa parte deles são negros e pobres, moram nas periferias das grandes cidades, em especial de São Paulo, e são executados pela polícia. Como se trata de um estado governado pelo PSDB, seria altamente eficiente um protesto do grupo de Aécio, até porque ele também conta com o senador Aloysio Nunes. Mas até hoje nem um post em rede social sequer sobre o tema. Ao contrário, a trupe de Aécio quer diminuir a maioridade penal para colocar mais jovens na cadeia.

Como a Globo não acompanharia essas visitas, a Fórum se compromete a fazê-lo.

A Venezuela tem seus problemas, mas querer transformar o país no centro dos problemas do mundo é muita patetice até para a trupe do Aécio.
Blog do Rovai