Cinco perguntas sobre o mercado bilionário por trás de função de pagamentos do WhatsApp

Popularidade do WhatsApp no Brasil e dificuldades com mercado da Índia levaram empresa a lançar serviço por aqui.

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Desde segunda-feira (15/6), quando foi anunciado o lançamento de uma plataforma própria de pagamentos dentro do WhatsApp, o assunto tem gerado repercussão nas redes, com muitas pessoas comemorando e outras levantando questionamentos.

O aplicativo de conversas começou a implementar um sistema que permitirá transferências para outras pessoas e pagamentos no cartão de crédito e débito dentro do aplicativo. Atualmente, só algumas contas tem acesso ao serviço, que será disponibilizado gradualmente a todos os usuários, diz a empresa.

“Ao simplificar o processo de pagamento, esperamos ajudar a trazer mais empresas para a economia digital e gerar mais oportunidades de crescimento”, anunciou a empresa. Ainda não há previsão de quando o serviço estará disponível para todos.

A nova função é um investimento do Facebook — a empresa dona do WhatsApp — no mercado de pagamentos em cartão de crédito que movimentou R$ 297 bilhões no Brasil só nos três primeiros meses de 2020, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços).

Entenda em cinco perguntas o que está por trás desse lançamento e como o novo serviço do WhatsApp vai funcionar.

Porque o Brasil é o primeiro país em que o WhatsApp vai implementar o serviço?
Antes de anunciar o serviço no Brasil, o WhatsApp vinha testando pagamento na Índia — onde tem mais de 400 milhões de usuários — há meses. Dificuldades com o sistema de regulação no país asiático, no entanto, geraram atrasos no lançamento do serviço para um público mais amplo.

O anúncio, na segunda-feira, de que o sistema seria inaugurado no Brasil, gerou surpresa no setor. A empresa diz que a motivação é que “o WhatsApp é muito usado no Brasil, tanto por pessoas quanto por pequenas empresas” e que a intenção é expandir para outros países depois.

“Acreditamos que os pagamentos digitais podem apoiar o desenvolvimento econômico no Brasil, estimulando a inovação e facilitando a transferência de dinheiro entre pessoas em todo o país”, diz a empresa, em nota.

“Sabemos que os usuários locais amam o WhatsApp e entendemos que o fornecimento desse recurso pode ajudar a acelerar a conscientização e a adoção de pagamentos digitais.”

A empresa cita também os mais de 10 milhões de pequenos negócios existentes no país, uma área na qual vem investindo há algum tempo, com o lançamento do WhatsApp Business (conta exclusiva para empresas), por exemplo. Pela conta comercial, os usuários podiam mostrar seus produtos e falar com clientes, mas não podiam receber pagamentos.

“Os pagamentos por meio do WhatsApp facilitam as operações em tempos difíceis como esses, além de ajudar no crescimento e na recuperação financeira dessas empresas”, diz o WhatsApp.

WhatsApp tem mais de 120 milhões de usuários brasileiros
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Qual o tamanho do mercado (em valores ou número de transferências) que o WhatsApp pretende atingir com o serviço?
O WhatsApp não divulga o tamanho da fatia que espera conquistar no mercado de transações online no Brasil. Mas o potencial é grande: atualmente a plataforma de conversas tem mais de 2 bilhões de usuários no mundo, mais de 120 milhões deles no Brasil.

No ano passado, o WhatsApp foi o aplicativo de celular mais usado no país, segundo a empresa de monitoramento App Annie.

Além disso, o potencial dentro das transações realizadas através de cartões de crédito também é enorme: os cartões de crédito movimentaram quase R$ 1,16 trilhões em 2019, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Isso é equivalente a mais de 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do ano.

Esse número de transações inclui tanto os pagamentos por maquininhas presencialmente quanto os feitos online, através dos meios de pagamento conhecidos como “gateways”, como o PayPal, o PagSeguro e MercadoPago.

Com parceria da Cielo, o WhatsApp será mais um desse gateways, mas, de acordo com o que foi divulgado até agora, funcionará apenas dentro do próprio aplicativo — sem possibilidade de incorporá-lo a outros sites.

O uso do serviço para vendas tem aumentado na pandemia. Segundo o Google Trends, a busca conjunta por “WhatsApp” e “Vendas” cresceu 25% entre abril e junho de 2020 em comparação com o primeiro trimestre.

O pagamento por WhatsApp não pode facilitar golpes e fraudes pelo aplicativo? Meus dados estarão protegidos?
A preocupação com a proteção de dados é central em um serviço como esse, explica o advogado Guilherme Dantas, especialista em finanças do escritório SiqueiraCastro. “E os órgãos reguladores estão de olho nisso”, afirma.

A Cielo, que faz parceria com o WhatsApp no novo sistema de pagamento, foi notificada nesta semana pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para dar explicações sobre uma suposta coleta de “amplo conjunto de dados de vendedores cadastrados em suas plataformas”.

A empresa afirma que a acusação não tem qualquer fundamento.

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Sistema de pagamentos do WhatsApp será implementado gradualmente
O Facebook, que é dono do WhatsApp, também já esteve na mira das autoridades por vazamento de dados de usuários, mas mudou seus protocolos e diz ter resolvido o problema depois do escândalo envolvendo a empresa Cambridge Analytica, que usou informações de mais de 50 milhões de pessoas, sem o consentimento delas, em serviços de propaganda política.

Desde então, o CEO do Facebook, Mark Zuckenberg, pediu desculpas pelo caso e fez alterações e reformas para corrigir “os erros”, que, segundo a empresa, permitiram o uso indevido dos dados. O Facebook também implementou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia em todos os locais do mundo onde opera.

Quanto à possíveis fraudes e golpes, o WhatsApp diz que seus pagamentos “foram criados priorizando os recursos de segurança.”

A empresa também recomenda que todos os usuários no Brasil ativem a autenticação de duas etapas, para segurança adicional da conta. “E lembramos que as pessoas nunca compartilhem sua senha com outras pessoas”, diz a empresa, em nota, lembrando também que todo pagamento vai exigir senha ou impressão digital.

O WhatsApp diz também que não recebe, transfere ou armazena fundos durante o processamento da transação. “Se um usuário tiver um problema, o banco terá um registro da transferência e poderá fornecer assistência às vítimas de fraude. Também será identificado no extrato bancário como “FBPAY WA” e incluirá o destinatário”, explica.

“É importante reforçar que todas as transferências são registradas pelos bancos parceiros, para que haja um registro de todas as transações. Além disso, estabelecemos limites para a quantia que pode ser transferida por transação, por dia e por mês”, diz a empresa.

Casa haja crimes, como golpes, ocorrendo dentro da plataforma, diz a companhia, o WhatsApp “responde a solicitações legais válidas da aplicação da lei em situações em que há investigação para esses crimes”.

O serviço é regulado pelo Banco Central? Como funciona a regulação?
O advogado Guilherme Dantas explica que já existe previsão na legislação para esse tipo de serviço — ele está regulado pela Lei 12.865/2013, que trata de métodos eletrônicos de pagamentos.

O pagamento no WhatsApp será feito com cartões de débito ou crédito das bandeiras já existentes, como Visa e Mastercard.

“Na prática, vai ser mais uma forma de pagamento online como as que já existem, como PicPay”, explica Dantas.

“Então foi uma surpresa o anúncio, o impacto da notícia foi grande, mas eles não estão exatamente inventando a roda, é mais um agente em um mercado em expansão”, diz.

Foi uma surpresa positiva, na visão de Dantas, porque aumenta a concorrência no mercado, o que é positivo para o consumidor.

“E não é só no pagamento online que cria concorrência, cria concorrência com bancos, que estão por trás dos meios de pagamento tradicional”, explica.

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Os cartões de crédito movimentaram quase R$ 1,16 trilhões em 2019 no Brasil.
Na segunda, o Banco Central, que regula o sistema financeiro, emitiu uma nota dizendo que cogitava integrar o serviço do WhastApp ao Pix — um programa de transferências instantâneas que está sendo criado pelo próprio BC — mas que, por enquanto, vigiará o seu desenvolvimento.

A preocupação do BC, explica Dantas, é com o fato de que a iniciativa do WhatsApp ser fechada, apenas para transações dentro do aplicativo.

Outra preocupação do BC, segundo Dantas, é a de que “o WhatsApp esteja dando preferência para um agente no mercado, que é a Cielo“.

Mas, segundo ele, outros agentes podem procurar fazer parte da iniciativa e, se o WhatsApp barrar, tanto o BC quanto o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) podem ser procurados para garantir o acesso.

A Justiça vai aceitar doações eleitorais por esse meio?
Sendo o aplicativo mais popular no Brasil, o WhatsApp foi muito usado durante as eleições — tanto em campanhas legítimas quanto na disseminação de fake news.

Esse cenário fez com que muitas pessoas levantassem o questionamento de como a nova função de pagamentos poderia ser utilizada em um contexto eleitoral.

A princípio, pela forma como foi anunciado, o Whatsapp Pay não poderá ser utilizado para doações eleitorais, explica Michel Bertoni, advogado especializado em direito eleitoral e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP.

Há duas formas de campanhas eleitorais receberem doações por débito e crédito permitidas pela Justiça: através do site da campanha e em sites de financiamento coletivo (crowdfunding), explica Bertoni.

De acordo com as normas de financiamento de campanha, em ambos os casos, é preciso que o pagamento seja feito no próprio site, através de meios de pagamento (gateways) que possam ser incorporados ao site — alguns métodos de pagamento online permitem essa função, como o PayPal e a PagSeguro, por exemplo. No caso do crowdfunding, também é possível pagar em aplicativos cadastrados na Justiça Eleitoral.

Mas — pelo menos de acordo com o que o WhatsApp divulgou até agora — o pagamento pelo aplicativo será de conta para conta, ou seja, sem possibilidade de incorporar o pagamento em um terceiro local.

Além disso, explica Bertoni, há uma série de outras regras que precisam ser cumpridas, como a possibilidade de emissão de recibo com identificação do CPF e nome do doador.

“Dentro daquilo que o WhatsApp se propõe a fazer hoje, não seria possível a doação para campanha via WhatsApp”, explica o advogado. “Se tivesse interesse, a plataforma teria que dar um jeito de criar uma solução técnica, como um plug-in, que pudesse ser incorporado aos sites ou aplicativos das empresas de crowdfunding”

Ou seja: nas configurações anunciadas, qualquer doação feita para campanhas eleitorais através de Whatsapp será ilegal — e pode até configurar caixa-dois.

No entanto será possível que campanhas façam pagamentos por WhatsApp, se feitos com o cartão de crédito e débito e CNPJ da campanha e devidamente declarados à Justiça Eleitoral.

Norwegian Air,Aviação,Economia

Norwegian Air: a trajetória da 1ª companhia aérea a fazer voos de baixo custo entre Brasil e Europa

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O norueguês Bjørn Kjos, de 72 anos, acostumou-se a encarar desafios. Nasceu prematuro, pesando apenas 600 gramas, cinco vezes menos do que seu irmão gêmeo, Jon. Em 1967, durante um salto de treinamento, seu paraquedas principal apresentou um defeito. O de emergência não abriu. Segundos antes de se espatifar no solo, conseguiu solucionar o problema e aterrissou sem ferimentos. E há 25 anos, salvou uma pequena empresa de aviação da falência.

Agora, se prepara para uma nova missão, anunciada nesta semana: operar o primeiro voo de baixo custo entre o Brasil e o Reino Unido. A rota, sem escalas, ligará Londres ao Rio de Janeiro, a partir de 31 de março de 2019.

Ex-piloto de jatos e advogado de carreira, Kjos fundou a Norwegian Air Shuttle. Sob seu comando, a companhia aérea se transformou na maior da Escandinávia e na terceira maior do segmento de baixo custo na Europa, atrás da Ryanair e da easyJet, transportando 33 milhões de passageiros em 2017.

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Para o Brasil, estão previstos quatro voos por semana (às segundas, quartas e sextas-feiras, além de domingos) com aeronaves Boeing 787-9 Dreamliner de até 344 assentos, considerando classe econômica e cabines Premium.

De acordo com informações da companhia, os voos do Rio partirão às 22h25, chegando às 13h35 ao Aeroporto de Gatwick. As saídas de Londres estão previstas para ocorrer às 12 horas, chegando ao Brasil às 19h25. Os horários são locais.

O grande diferencial da Norwegian, no entanto, está no preço: a partir de 240 libras (cerca de R$ 1.185) cada trecho. O valor representa uma redução de pelo menos 30% frente ao da concorrente, segundo cotação online feita pela BBC News Brasil na primeira semana de abril. A venda das passagens já está disponível no site da companhia.

Atualmente, apenas a British Airways faz voos diretos entre Londres e Rio de Janeiro. A Latam deixou de operar a rota em 2014 e agora os voos da empresa ligando Londres ao Rio têm pelo menos uma escala.

“Nossa nova rota no Rio de Janeiro quebra o monopólio dos voos diretos entre o Reino Unido e o Brasil, já que estamos comprometidos em reduzir as tarifas e tornar as viagens mais acessíveis para turistas e viajantes de negócios”, disse a empresa por meio de comunicado.

A inclusão do Brasil na lista de destinos internacionais operados pela Norwegian aumenta sua presença na América do Sul. Atualmente, a empresa faz voos diretos ligando a capital argentina, Buenos Aires, a Londres.

Atualmente com quatro frequências semanais, a rota vai passar a ser diária a partir de 3 de dezembro por causa do aumento da demanda. Em outubro deste ano, a companhia aérea inaugurou voos domésticos na Argentina, com duas rotas de Buenos Aires para Mendoza e Córdoba, além de rotas planejadas para Salta, Iguazú, Bariloche e Neuquén.

Por ora, a empresa informou que não tem planos de fazer o mesmo no Brasil. Mesmo se quisesse operar rotas regionais, esbarraria na legislação brasileira, que impede o controle acionário total de empresas aéreas nacionais por capital estrangeiro. Atualmente, o máximo permitido pelo Código Brasileiro de Aeronáutica é de 20%.

No início deste mês, a empresa chilena Sky Airline tornou-se a primeira aérea estrangeira a operar um voo de baixo custo regular internacional de passageiros para o Brasil, de Santiago, no Chile, ao Rio de Janeiro.

Já as argentinas Flybondi e Avian (grupo Avianca), também de baixo custo, devem passar a voar ao Brasil no ano que vem. A primeira recebeu autorização do governo argentino para operar no país, mas ainda tem que entrar com o pedido de autorização jurídica e operacional na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Enquanto isso, a segunda está autorizada juridicamente a iniciar suas operações no Brasil.

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Bjørn Kjos transformou a Norwegian na terceira maior companhia aérea de baixo custo da Europa
Modelo de negócios

O início dos voos da Norwegian ao Brasil coincide com mudanças regulatórias no mercado de aviação do Brasil, entre elas a regra que permite a cobrança pelo despacho de bagagens, em vigor desde o ano passado.

Esse é considerado um dos principais elementos do tripé que baseia o modelo de negócio das companhias aéreas de baixo custo.

“A principal diferença entre as transportadoras de baixo custo e as companhias aéreas tradicionais divide-se em três grupos: economia de serviços, economia operacional e economia de custos indiretos”, diz um relatório da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência especializada da ONU, publicado em 2003.

A Norwegian não é exceção em meio às empresas aéreas de baixo custo. Quem opta pela tarifa mais básica (não reembolsável) só tem direito a viajar com uma mala de mão, qualquer outra bagagem é cobrada à parte. Todo o serviço de bordo também é cobrado: do travesseiro à água. Marcar o assento com antecedência só é possível mediante pagamento antecipado. Esqueceu de imprimir o cartão de embarque em casa? Não há totem no aeroporto.

Esse também será o caso da rota entre Brasil e Reino Unido.

Mas é justamente essa redução de custos um dos fatores que permitiu a essas companhias baixar os preços e revolucionar o mercado de aviação civil, especialmente em rotas de curta e média distâncias.

“Além da simplificação do serviço, temos a padronização das frotas, um aumento nas horas voadas e uma redução do tempo em solo”, explica à BBC News Brasil, André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company e especialista no setor de aviação.

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Norwegian já opera voos diretos entre Londres e Buenos Aires

Voos transatlânticos
O que difere a Norwegian de outras companhias de baixo custo, no entanto, vem sendo sua aposta feroz em operar voos transatlânticos, ou de longa distância.

De Londres, a companhia voa para 100 destinos diferentes, dos Estados Unidos à Tailândia.

Até agora, a empreitada parece ter sido bem-sucedida. Recentemente, a Norwegian ultrapassou a British Airways como a maior companhia aérea fora dos Estados Unidos a operar rotas transatlânticas de e para a região de Nova York.

Nos 12 meses terminados em julho deste ano, a empresa norueguesa transportou 1,67 milhão de passageiros, contra 1,63 milhão da rival britânica.

Não surpreende, portanto, que o crescimento acelerado tenha transformado a Norwegian em objeto de disputa entre as gigantes do setor aéreo.

A IAG, conglomerado que é dono da British Airways e já detém 4,6% da Norwegian, já tentou comprá-la duas vezes, sem sucesso. Luftansa e Ryanair também teriam demonstrado interesse na companhia.

Brasil
Apesar do sucesso da Norwegian mundo afora, Castellini diz não acreditar que o início de suas operações no Brasil vá “revolucionar o setor”. Ele prevê, contudo, uma queda nos preços cobrados pela concorrência.

“O que acontece é que sempre que um novo player entra no mercado, especialmente uma empresa capitalizada, aumenta-se a oferta de voos e o preço da tarifa cai. Isso acontece independentemente se a empresa é de baixo custo ou não”, diz.

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De Londres, a Norwegian voa para 100 destinos diferentes, dos Estados Unidos à Tailândia
Ele acrescenta que o modelo de negócio das companhias aéreas de baixo custo em rotas de longa distância não vem se demonstrando “tão disruptivo quanto nas de curta e média distâncias”.

“A questão principal é quão sustentável vai ser a operação. O modelo de negócios dessas empresas é baseado na otimização de custos. Mas em voos de longa distância, alguns desses fatores, como a padronização da frota e a redução do tempo no solo, não são tão relevantes quanto nos de curta e média distâncias”, explica.

“Isso sem falar no comportamento dos passageiros. Quando se viaja por 12 horas (duração média de um voo do Rio a Londres), muitas pessoas valorizam o mínimo de serviço de bordo”, acrescenta.

Modelo sustentável?
A sustentabilidade do modelo de negócios da Norwegian em rotas de longa distância é, de fato, uma das principais dúvidas levantadas por especialistas do setor aéreo mundo afora.

Em 2017, a Norwegian teve um prejuízo líquido de 300 milhões de coroas norueguesas (R$ 135 milhões), principalmente devido ao mau desempenho de outubro a dezembro. Apesar disso, surpreendeu o mercado no segundo semestre daquele ano ao registrar resultado positivo acima do esperado.

Em outro desdobramento, a companhia anunciou que vai cancelar a rota entre Londres e Cingapura, apenas um ano após ser lançada.

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Michael O’Leary, CEO da Ryanair, foi um dos que questionou a sustentabilidade financeira da Norwegian

Além disso, como a operação de voos de longa distância da Norwegian prima pela otimização de custos, há menor flexibilidade se um piloto fica doente ou um avião apresenta problemas técnicos. Em alguns trechos, há apenas uma aeronave disponível. É o caso da viagem entre Oslo e Los Angeles, por exemplo. No dia seguinte, a mesma aeronave pode ser usada em outro trecho.

Exemplo disso aconteceu em março deste ano, quando passageiros de um voo da Norwegian a Nova York ficaram retidos no aeroporto de Gatwick, em Londres, por quase 24 horas, devido a um defeito técnico no avião. A companhia se negou a oferecer acomodação e a polícia teve que ser chamada.

Outro problema tem fundo político. A Noruega tem um dos mais altos custos trabalhistas do mundo. Depois de ter tido negado o pedido para contratar tripulação tailandesa, a Norwegian estabeleceu a operação de voos de longa distância a partir de uma companhia registrada na Irlanda, de forma a atender as regulações da União Europeia.

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Companhias de baixo custo vêm mirando mercado de voos transatlânticos
Críticos dizem que a iniciativa abre o precedente para que companhias aéreas, especialmente as de baixo custo, usem “bandeiras de conveniência” para cortar despesas.

Por fim, a expansão da frota (a Norwegian comprou 222 aviões em 2012, uma das maiores compras do setor) e o aumento no preço do combustível podem criar um novo obstáculo para a saúde financeira da empresa.

“Será preciso aguardar para ver qual o nível de tarifa necessário para manter essa operação”, conclui Castellini.
BBC

Como irlandês que largou Harvard se tornou o bilionário mais jovem do mundo

John Collison
Foto: Divulgação/Stripe

John Collison não fica totalmente à vontade quando fala de sua fama: com apenas 27 anos, ele é o bilionário mais jovem do mundo, se considerarmos aqueles que construíram suas fortunas – e não as herdaram, por exemplo. Por outro lado, aparenta ter qualidades comuns a empreendedores e líderes de negócios lucrativos: é confiante e ótimo comunicador.

Ele fica encabulado quando é questionado sobre o tamanho de sua fortuna. “As pessoas sempre me perguntam sobre isso, e eu acho que elas esperam uma resposta interessante. Mas eu não tenho o que responder para elas”, diz o irlandês.

“As pessoas perguntam: ‘como sua vida mudou?’, e esperam um novo hobby excêntrico, como uma coleção de ovos de ouro ou corridas de iate”, acrescenta – o empresário gosta de correr em seu tempo livre.

John é cofundador de uma empresa de software chamada Stripe, que tem sede em San Francisco e talvez seja desconhecida para a maioria das pessoas.

Ele montou e agora administra a empresa com seu irmão mais velho, Patrick Collison, de 29 anos, o terceiro bilionário mais jovem do mundo – a segunda colocação pertence a Evan Spiegel, de 27 anos, cofundador da rede social Snapchat.

Fundada em 2011, a Stripe não é muito conhecida porque não vende nada que possa ser comprada por consumidores “normais”. A empresa produz softwares que facilitam sistemas de pagamento online para empresas e sites em todo o mundo.

Pessoal usando Apple Pay
A empresa Apple, uma das maiores do setor de tecnologia, usa o software da Stripe

Com mais de 100 mil clientes, a companhia anunciou uma nova rodada de financiamento, sendo avaliada em US$ 9 bilhões – R$ 29,3 bilhões.

Segundo a revista Forbes, cada um dos irmãos tem uma fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão – cerca de R$ 3,5 bilhões. É um valor considerável para uma dupla que começou a programar ainda na adolescência e que, mais tarde, abandonou a universidade.

Do campo ao Vale do Silício

Os irmãos cresceram em Country Tipperary, uma pequena vila rural no oeste da Irlanda.

Depois de terminar o ensino médio, os dois escolheram universidades americanas para estudar: em 2007, Patrick começou matemática no tradicional Massachusetts Institute of Technology (o famoso MIT) e, dois anos depois, John foi aceito na respeitada Universidade Harvard.

“Obviamente foi mais fácil para mim porque Patrick já tinha conseguido. Nós até consideramos estudar no Reino Unido, mas queríamos um lugar mais longe. Éramos estudiosos, e entrar em uma universidade de ponta nos Estados Unidos era tentador”, diz John.

Mas antes mesmo de ele começar os estudos em Harvard, ambos já haviam se tornado milionários graças ao primeiro negócio da dupla, uma companhia de software que ajudou empresas e consumidores a fazerem negócios mais facilmente no site de vendas eBay.

John Collison (à esquerda) e seu irmão, Patrick
John (à esquerda) e seu irmão Patrick ficaram ricos depois de abandonar a faculdade e lanças projetos próprios
Foto: Divulgação/Stripe

Em 2008, um ano depois de ter sido criada, a Auctomatic foi vendida por US$ 5 milhões (R$ 16,3 milhões, em valores atualizados).

Depois do negócio, os irmãos voltaram sua atenção para a Stripe, e continuaram a trabalhar juntos quando John começou a estudar em Harvard. Os dois acabaram desistindo da universidade para a lançar a empresa no Vale do Silício, região que concentra companhias de tecnologia na Califórnia.

“Você pode imaginar como é árduo começar um negócio na internet. Criar um produto que as pessoas querem de fato comprar, e fazer com que elas ouçam falar (da empresa), são coisas difíceis. Fazer dinheiro na internet pode ser extremamente difícil”, diz John.

“Eu lembro de perguntar para o Patrick ‘como pode ser tão difícil? Será que devemos continuar tentando?'”

Eles continuaram desenvolvendo um software que permitisse a empresas de todos os tamanhos receberem pagamentos de forma mais fácil, além de executar outras tarefas em seus sites, como armazenar dados de clientes e oferecer sistemas de segurança.

Apesar de ter vários concorrentes, a Stripe viu seus usuários crescerem rapidamente, o que garantiu financiamento e apoio de pesos-pesados do setor, como o chefe da Tesla, Elon Musk, e o fundador do Paypal, Peter Thiel.

Simples e lucrativo

O modelo de negócios é relativamente simples: a companhia cobra um percentual por transação processada pelo seu software. No Reino Unido, o índice é de 1,4% por transação.

Embora a Stripe não revela detalhes de sua receita anual, o valor da empresa (R$ 29 bilhões) sugere tratar-se de um negócio lucrativo. “Apenas 5% dos gastos dos consumidores ocorrem na internet, nós queremos aumentar isso”, diz John.

Elon Musk
Elon Musk, dono da empresa Tesla, é um dos investidores da Stripe Direito de imagemGETTY IMAGES

“Nós acompanhamos o crescimento da economia na internet. Enquanto ela crescer, a Stripe vai continuar crescendo. Não sei o que você acha, mas acredito que é um negócio seguro para se apostar”, brinca.

A Stripe tem hoje 750 funcionários, incluindo 500 em San Francisco e 150 em lugares como Dublin, Londres, Paris e Berlim.

O jornalista Martin Veitch, editor de tecnologia do site IDG Connect, afirma não ser surpresa que a companhia esteja recebendo tamanha atenção, mas que seu modelo de negócios é bastante “novo”.

“Qualquer empresa com potencial de ser grande na internet vai gerar interesse, e é isso que os irmãos Collison estão fazendo com os pagamentos online”, diz.

“Mas é um mercado competitivo. Claro que o valor da Stripes gera inveja, mas ainda é cedo para avaliar (se o negócio fará mais sucesso)”, explica.

John, que tem o título de presidente da empresa, diz que gasta mais tempo com assuntos externos como vendas e parcerias, enquanto Patrick se concentra nas questões internas, como a engenharia.

Os irmãos ainda dividem um apartamento em San Francisco. Mas não pergunte a John sobre como é ser um bilionário.

“É mais uma questão de calculadora. Essa avaliação (da empresa) é baseada em nossa capacidade de continuar lançando bons produtos em um mercado competitivo. Temos bons resultados, mas ainda há muito a fazer.”

Por que grandes marcas estão retirando sua publicidade do Google e YouTube

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O Google, “rei” das ferramentas de busca na internet, não passa pelo melhor momento após algumas das maiores marcas do mundo decidirem retirar a publicidade que faziam no YouTube, a plataforma de vídeos do gigante da tecnologia.

A baixa mais recente foi a da rede de supermercados britânica Marks & Spencer, que seguiu a decisão de outras cerca de 250 empresas, como Audi, L’Oreal, Volkswagen, Toyota, McDonald’s, os bancos Lloyds, HSBC e RBS e clientes do Havas Group UK – braço britânico da sexta maior agência de propaganda do mundo -, e a própria BBC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A razão comum tem a ver com uma investigação do jornal britânico The Times, que concluiu que anúncios publicitários dessas e de outras empresas eram promovidos em vídeos extremistas de conteúdo político e religioso, o que provocou tensão entre os anunciantes e a companhia de tecnologia.

O Google, no entanto, já se movimenta para tentar reverter os danos.

Nesta segunda-feira, o diretor do Google na Europa, Matt Brittin, participou da Advertising Week Europe, um dos principais encontros do setor do continente, e anunciou que a empresa assumiu o desafio de tentar reparar prejuízos à reputação após esse caso.

“Lamentamos que algo assim tenha ocorrido. Não queremos deixar passar e assumimos a responsabilidade”, disse ele logo no início de sua palestra.

Matt BrittinMatt Brittin, diretor do Google na Europa, afirmou que a empresa irá buscar reparar danos à reputação
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O executivo disse ainda que os anúncios em questão não tiveram visualização significativa. Afirmou que o Google leva o assunto a sério e está investindo milhões de dólares e empregando milhares de pessoas para garantir que a “má publicidade” fique longe da plataforma.

Apesar disso, Brittin foi evasivo ao ser questionado se a empresa iria contratar funcionários para a tarefa específica de eliminar vídeos extremistas. Afirmou que a melhor opção é combinar tecnologia inteligente e alertas de usuários sobre conteúdos abusivos.

O caso expõe dois problemas difíceis para o Google: identificar vídeos ilegais que deveriam ser removidos do YouTube e determinar quais são legais, mas não adequados para veiculação de publicidade.

Segundo o Times, as empresas estavam financiando, por meio de propaganda, não apenas vídeos de conteúdo extremista, religioso e político, como também conteúdo homofóbico, antissemita e apologia ao estupro.

O maior desafio será proporcionar mais transparência aos clientes sobre o processo de classificação de vídeos como “seguros para oferecer anúncios”. E delimitar isso não será tarefa fácil.

YouTubeO Google insiste que é uma plataforma de tecnologia, e não uma empresa de mídia
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Mas Brittin parece estar seguro de que o Google será capaz de recuperar a confiança das marcas, fazendo uma análise exaustiva de suas políticas e mostrando aos anunciantes como podem controlar o destino de suas mensagens publicitárias.

O Google insiste em se firmar como uma plataforma de tecnologia e não uma empresa de mídia, e encontra cada vez mais dificuldade em manter essa distinção.

Os meios de comunicação enfrentam normas estritas com relação à publicidade, e tais regulações poderiam chegar ao próprio Google caso a empresa não consiga resolver os problemas atuais.

Black Friday: tudo o que você precisa saber sobre a data no Brasil

Para esse ano, apesar da crise, a expectativa para a data é de otimismo: uma pesquisa encomendada pelo Google para a empresa Provokers apontou que três em quatro consumidores se dizem engajados ou animados com a data.

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A Black Friday, que acontece no dia 25 de novembro, é uma das datas mais esperadas do ano, tanto para os consumidores quanto para varejistas.

Somente no ano passado, o faturamento do dia foi de R$ 1,6 bilhão, valor de arrecadação igual ao da maior data do varejo brasileiro, o Dia das Mães.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para esse ano, apesar da crise, a expectativa para a data é otimista: uma pesquisa encomendada pelo Google para a empresa Provokers apontou que três em quatro consumidores se dizem engajados ou animados com a Black Friday deste ano.

Além disso, os consumidores que pretendem comprar eletroeletrônicos e eletrodomésticos nos próximos seis meses afirmaram que vão esperar a Black Friday para tal.

Alguns dos fatores que eles levam em conta no momento da compra na Black Friday são o preço (42%), possibilidade de parcelamento (21%) e custo do frete (17%). Os consumidores também dão preferência ao site mais confiável.

A data é identificada não como o final de uma temporada de compras, mas sim como o início dessa temporada: os consumidores têm interesse em comprar tanto nos dias que antecedem a Black Friday quanto nos dias posteriores.

Crescimento

Realizado pela Cielo, o estudo Índice Cielo de Varejo Ampliado aponta que a sexta-feira de descontos já é equivalente a sete sextas-feiras comuns em volume de vendas somente no comércio online. Entre 2012 e 2015, também, o número de lojas participantes da Black Friday aumentou nove vezes.

Na Black Friday de 2015, o crescimento no faturamento foi de 7% em relação ao registrado de 2014, número maior que o do Dia das Mães e Natal.

O e-commerce não é o único a se beneficiar da data: as lojas físicas também realizaram 3,6 vezes mais vendas na Black Friday do que em uma sexta-feira comum.
Com dados da Infomoney

Crise econômica passa ao largo do Ceará?

Sobre o novo Shopping em Mecejana, em Fortaleza, Ceará.

Estátua Padre Cícero,Ceará,Juazeiro do Norte,Blog do Mesquita

Investimento de R$ 80 Milhões, 182 lojas – 75% já comercializadas, Cinco salas de cinema triplex – duas 3D – e previsão de 600 Mil visitas/mês. Expansão da área construída em mais 40Mil m² nos próximos três anos!!!
Aí reflito: e a crise financeira? Ou está sendo manipulada pelos tubarões dos Bilderbergs, ou o Ceará é realmente um Oásis.
Uma terra de milagres muito além dos da Beata Maria de Araújo do Padre Cícero.

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Quatro motivos para o Facebook se preocupar com o Snapchat

O Snapchat é indiscutivelmente a estrela do debate sobre jornalismo de 2016. Lançada em 2011 por estudantes da Universidade de Stanford, a plataforma tornou-se o novo foco de atenção de publishers, jornalistas e da indústria de publicidade.

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Depois de ganhar um impulso como a primeira plataforma especificamente dirigida a audiências mais jovens, agora desempenha um papel importante como um canal de distribuição jornalística.

O Snapchat possibilita a seus usuários o envio instantâneo de conteúdo conciso, principalmente vídeos ou clipes (que desaparecem nas 24 horas seguintes) para chats privativos com usuários selecionados ou para todo o seu grupo de amigos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O Facebook ainda domina a mídia social, mas o Snapchat está se aproximando. Eis aqui quatro motivos pelos quais o Facebook devia preocupar-se.

86% dos 100 milhões de usuários do Snapchat têm entre 13 e 34 anos

O Snapchat ajuda as marcas jornalísticas a ganharem atenção entre jovens de até 16 anos. As empresas jornalísticas reconhecem a oportunidade de alcançar 100 milhões de usuários atuantes (86% dos usuários do Snapchat têm entre 13 e 34 anos) que, entre si, visitam diariamente 10 bilhões de vídeos em seus smartphones.

O público juvenil do Snapchat é particularmente admirável quando comparado ao do Facebook: uma pesquisa do site Business Insider de 2015 revelou que somente 38% dos usuários doFacebook têm idades entre 18 e 34 anos, comparados aos 71% do Snapchat.

Vários dos principais veículos de notícias norte-americanos, como o National Public Radio (NPR), e os sites Fusion e The Verge, começaram recentemente a experimentar trabalhar com o Snapchat em busca de notícias. Veículos mais tradicionais, como o New York Times e o Wall Street Journal, já vêm usando o Snapchat regularmente. Até agora, o conteúdo de notícias do Snapchat abrange vídeos com transmissão ao vivo, micro-entrevistas e comentários sobre o noticiário diário num formato visual e em geral é muito procurado.

O recente Relatório de Notícias Digitais de 2016 (DNR, na sigla em inglês), publicado pelo Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo, divulgou que o Snapchat é “uma das novas redes que cresce mais rapidamente”. Nos Estados Unidos, o Snapchat é atualmente usado para informações por 12% dos jovens entre 18 e 24 anos – no Reino Unido esse número é mais baixo: 1% dos jovens entre 18 e 24 anos usam o Snapchat para acessar notícias, segundo o DNR.

O Snapchat é um ambiente exclusivamente móvel

Como encontrar possíveis fluxos de receita para este tipo de conteúdo continua sendo um desafio para a maioria das plataformas, mas o potencial de crescimento do Snapchat parece mais promissor que o de seus concorrentes, como o Facebook, o Twitter e outros gigantes tecnológicos.

Isso se deve ao fato de que os publishers continuam obcecados pelos dispositivos móveis e o Snapchat, um ambiente exclusivamente móvel, é um paraíso para essas marcas que procuram espaços bem-sucedidos para seus anúncios. A plataforma oferece aos publishers pelo menos três coisas: uma base de usuários de até 16 anos inigualável, a oportunidade de alcançar jovens através de um canal privilegiado e a possibilidade de trabalhar com formatos publicitários de conteúdo jornalístico em dispositivos móveis.

O Snapchat Discover permite aos publishers alcançarem 100 milhões de pessoas, a maioria delas, jovem, com seu próprio conteúdo

O segredo fundamental para o sucesso da plataforma talvez seja sua característica Discover. O Discover permite que os usuários vejam o conteúdo produzido por publishers, por marcas e pela própria equipe editorial do Snapchat, ao invés de outros usuários. Esse conteúdo pode ser na forma de imagens, vídeos, textos ou aquilo que o próprio Snapchat descreve como “esplêndida publicidade”. O conteúdo é carregado em “edições” diárias que se auto-destroem após 24 horas.

O Snapchat Discover já conta com bastantes parceiros de mídia internacionais, como a CNN. O site Vie, o BuzzFeed e a revista National Geographic publicam regularmente publicidade com conteúdo jornalístico na plataforma aproveitando várias características personalizadas e as opções de design. Entre seus parceiros no Reino Unido estão o jornal The Sun, Sky News, Sky Sports e o Daily Mail.

Algumas empresas jornalísticas contrataram pessoas para construir sua presença no Snapchat: oWall Street Journal, parceiro mais recente da plataforma, criou uma equipe de cinco pessoas para dirigir o canal Discover. O site Fusion tem dez empregados no Snapchat, alguns em tempo integral e outros que fazem meio expediente.

O Snapchat está liderando o campo do vídeo vertical em dispositivos móveis

Além desse crescimento e oportunidades de lucro, o Snapchat Discover parece estar em melhor posição que seus concorrentes por um motivo: está pressionando bastante o potencial do vídeo vertical, um formato que vem mostrando ser mais eficiente em dispositivos móveis e que vem estabelecendo um novo padrão de notícias, que os outros irão inevitavelmente adotar.

Os anúncios em vídeos verticais já vem ganhando um entusiasmo cauteloso por parte das empresas britânicas, que procuram cada vez mais as plataformas de mídia para alcançar novas audiências, segundo divulgou a revista de publicidade Campaign no mês passado.

Em 2017, o jornalismo será inevitavelmente influenciado pelo Snapchat e isso parece confirmar-se pelas recentes notícias de que a plataforma estaria contratando jornalistas para trabalhar na empresa. O projeto é fazer a cobertura da próxima eleição presidencial norte-americana com vídeos, emojis e snaps.

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Philip Di Salvo é editor da versão digital italiana do European Journalism Observatory
Tradução de Jô Amad

GVT vai deixar de existir

A partir do dia 15 de abril a GVT não irá mais oferecer seus serviços para clientes de todo o Brasil. A empresa enviou um comunicado aos clientes afirmando que os serviços serão unificados com a Vivo.

A mudança estava sendo trabalhada desde o mês de maio do ano passado e tornou-se possível com a aquisição da Vivo pela Telefônica que deu-lhe mais recursos para efetuar a transação.

Em dezembro de 2014, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia aprovado a compra da GVT pela Telefônica e agora o acordo finalmente foi selado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A companhia aproveitou para informar também que o atendimento telefônico e os aplicativos e serviços prestados sofreram mudanças após a unificação.

O telefone de suporte terá um novo número (10315) assim como o código de longa distância que passará a ser o “15” e não mais o “25”.

O site também será acoplado ao da companhia de telefone, televisão e internet a partir do dia 2 de abril.

Já os pacotes contratados por clientes antes da parceria ser firmada permanecerão inalterados já que a Vivo afirmou que irá honrar os contratos firmados pela empresa comprada.

Apenas alguns nomes serão modificados, como o “GVT Freedom”, o “GVT Protege” e o “Minha GVT” para “Vivo Freedom”, “Vivo Protege” e “Meu Vivo Fixo” respectivamente.

Os clientes da GVT também terão a oportunidade de usufruir de novos serviços oferecidos pela empresa de telefonia, como o Vivo Valoriza, programa de fidelidade que dá descontos em cinemas, contratação de serviços e compra de aparelhos.
Fonte:Olhar Digital

 

O mundo chacoalha e nós caímos

Com poder moderado de reverberação (por enquanto) as dúvidas com relação à economia internacional inflaram um bocado nos últimos dias. Até então, a China monopolizava os receios com a ameaça de um menor crescimento de sua economia.

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O preço do petróleo corria por fora, caindo ao menor nível da década e incitando os grandes produtores a fecharem suas bombas para equilibrar a oferta no mercado internacional.

De repente os bancos europeus entraram na roda evidenciando o enfraquecimento persistente das economias da zona do euro depois da crise de 2008/09.

Desta vez, diferentemente do que aconteceu na quebradeira de oito anos atrás, o problema não é a exposição aos títulos podres que inundavam o mercado à época.

Agora, é o baixo crescimento aliado à taxa de juros negativa e baixíssimo apetite por consumo que coloca os bancos na linha de tiro dos investidores.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Banco ganha dinheiro emprestando dinheiro. Com o atual nível de juros na zona do euro e sem crescimento das concessões de crédito, a margem de lucro dos bancos cai. Se fosse só isso, tudo bem.

O que o investidor mais teme, e por isso está derrubando o preço das ações de instituições europeias, é quanto a retaguarda protetora do sistema.

Até agora, o Banco Central Europeu e os governos de cada país estavam bancando (literalmente) os riscos e perdas dos grandes bancos. Mas este caixa parece ter acabado.

Antes de virar uma crise de fato, a chacoalhada atual testa níveis de confiança, de eficiência das políticas econômicas e de fôlego da administração pública europeia em lidar com a letargia dos países do continente.

O chato é que esse teste pode custar caro e adiar aquela recuperação e estabilidade esperadas pelo menos para os mais ricos.

Caso até dos Estados Unidos – lá, a presidente do banco central americano (FED, Janet Yellen), corroborou a percepção de risco e alertou que a maior economia do mundo pode sentir o baque do cenário atual e suspender a trajetória de crescimento e normalização das estratégias financeiras adotadas desde 2008 – adiando também uma nova alta dos juros dos EUA e um fortalecimento do dólar.

Enquanto o mundo chacoalha, o Brasil tomba.

O mercado financeiro local segue o fluxo internacional: Bovespa cai, dólar sobe. Numa interpretação mais realista é possível dizer que o país já tombou há um tempo e agora pode ser atropelado pela boiada solta lá fora.

Na prática deveremos sentir dois efeitos diferentes pelo mesmo motivo.

O dólar, apesar de ter subido nesta quinta-feira (11), deve assumir uma trajetória de desvalorização no curto prazo. Com o dólar mais barato, diminui a pressão sobre a inflação brasileira. Por outro lado, a queda no preço da moeda americana enfraquece as exportações – uma das únicas fontes de manutenção da atividade na economia doméstica. Sem contar que, se o mundo crescer menos, quem vai comprar mais de nós?

Ainda é impossível prever se este será um novo ciclo negativo para a economia internacional ou apenas uma fase de adaptação ao mundo novo pós-crise de 2008. Qual seja, um mundo com menos dinheiro no bolso e pouca coragem para gastar.

Se eles lá estão com a carteira mais magra, aqui no Brasil nem carteira carregamos mais – o desemprego e a inflação levaram tudo.
por Thais Herédia/G1

Zika Vírus: A “midiapondria” e os interesses mercadológicos

Remédios,Negócios,Indústria Farmacêutica,Zika,Blog do MesquitaNo início desse mês, o Google News indicava a ocorrência de cerca de 38 milhões de notícias com a palavra “zika vírus”.

Se considerarmos que há uma gama de produtos midiáticos que não chegam ao buscador, esse número deve ser ainda maior.

Por Armanda Miranda – Publicado originalmente no site Objethos, 15/2/2016, sob o titulo “O sika virus e a mediopondria: três momentos de uma cobertura”

O assunto, considerado de interesse público devido aos constantes alertas emitidos pelo Estado e pelos organismos de saúde, tem ocupado também os programas de entretenimento, como os populares Encontro com a Fátima Bernardes e Domingão do Faustão. A tentativa de analisar como tais produtos desenham o fenômeno é importante por dois motivos: o jornalismo produz conhecimento e, como tal, fomenta o debate sobre o assunto.

Como forma de produção do conhecimento, o jornalismo tem um papel muito relevante nos períodos de incerteza: é ele quem se ocupa de tentar organizar as informações e levá-las ao público com uma linguagem abrangente e sem vícios do campo de origem. Se os cientistas se preocupam, agora, em tentar compreender a dinâmica do vírus, os jornais têm a missão de sintetizar isso de modo que a audiência consiga entender melhor o momento sem que para isso precise de um diploma de biologia ou medicina. Este percurso da “tradução” é tradicional no jornalismo científico e também vem sendo a tônica nos produtos do jornalismo especializado em saúde. Nas palavras de Lopes et al (2012, p.131):[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A comunicação mediática passou a ser entendida como o meio privilegiado para aumentar o conhecimento e a consciência das populações sobre os assuntos de saúde, bem como para influenciar as suas percepções, crenças e atitudes, muito para além do clássico modelo de comunicação médico-paciente.

Como campo relevante para a propagação do debate público, o jornalismo traz em seus produtos questões que podem levar à tomada de posição sobre determinados fatos. É assim, por exemplo, que se tem discutido como os agentes públicos podem orientar a prevenção da proliferação do mosquito ou mesmo como o país precisa de mais investimento em ciência e tecnologia para reagir a momentos de incerteza. Ao ter contato com os argumentos difundidos na esfera midiática, por fontes que muitas vezes revelam posições contrastantes, a audiência se sente parte do que ocorre em dimensões que transcendem sua casa, seu bairro, sua cidade.

Também é pertinente identificarmos o jornalismo como um produto cultural. Assim, se a cobertura segue um rumo alarmista, podemos considerar que os agentes públicos também emitem estes alarmes de forma sistemática. Se ela parece confusa e fragmentada, também compreendemos que é por se tratar de um fenômeno novo, em processo, incerto. Não estamos falando que o jornalismo reflete uma suposta realidade, nem isentando os seus produtos dos erros, mas é importante pensar na cobertura dentro de um contexto de indefinições. Os produtos midiáticos são frutos do seu tempo e estão a ele conectados.

Partindo dessas definições do jornalismo, elencamos três diferentes momentos da cobertura sobre o zika vírus. A perspectiva é cronológica, o que não significa que ela seja assumida como absolutamente linear. Os links foram coletados a partir de alertas do Google News para expressões como “zika vírus”, “microcefalia” e “Ministério da Saúde”.

  1. A incerteza

Consideramos o decreto de situação de emergência por conta da associação do zika vírus à microcefalia como o ponto alto do início da cobertura jornalística. Em 11 de novembro, o portal UOL publicou a notícia, em associação às estatísticas da doença divulgadas pelo estado de Pernambuco.

Trata-se de um momento de total incerteza – tanto dos órgãos públicos, quanto dos produtos jornalísticos. Há, também, a ênfase na busca de dados estatísticos, uma das formas mais recorrentes de objetivação dos fatos em textos jornalísticos. Outra preocupação é a de didatizar o fenômeno e elucidar questões que antes era restritas aos corpos médicos.

Os desencontros de informação são evidentes, algo que parece comum diante de um período de incertezas, mas que exige um movimento de análise permanente dos produtores de conteúdo a fim de identificar erros e problemas de informação. A opção por divulgar casos suspeitos também pode ser questionada, especialmente se as atualizações dos dados forem negligenciadas

Neste momento, os produtos jornalísticos tendem a assumir um tom catastrófico, alarmista e sensacionalista – o que pode eventualmente prejudicar as políticas de contenção formuladas pelos órgãos públicos ou mesmo originar uma epidemia que não existe. A ânsia em sair na frente e em produzir informações sobre algo ainda desconhecido pode resultar em prejuízos para a audiência, que não raramente tem no jornalismo sua principal fonte de informação.

  1. Adesão à ciência

Em um segundo momento da cobertura, percebeu-se a busca contínua de didatização do fenômeno, na tentativa de minimizar as sensações de riscos. Entraram, aí, as notícias que se propunham a derrubar mitos e as que se comunicavam com o leitor no sentido de fazê-lo compreender informações que antes circulavam de modo restrito. A prevenção também passou a ser pauta, com destaque para dicas práticas e utilitárias.

Foi nesta fase, também, que identificamos um movimento interessante a ser estudado: a transformação dos cientistas e pesquisadores brasileiros em definidores primários. Se no primeiro momento da cobertura os agentes públicos e organismos de saúde tinham o peso das fontes oficias, neste segundo momento os próprios cientistas passaram a ser visados pelos jornalistas. Mais do que isso: a imprensa começou a acompanhar o trabalho de centros de referência, como a Fiocruz.

Tradicionalmente, o jornalismo científico é criticado por se ater às descobertas e às certezas (sempre incertas, diga-se) produzidas pela ciência. Neste caso, o movimento pareceu diferente, voltado também aos processos, como no caso do acompanhamento de uma equipe de investigadores da Universidade de São Paulo ou até mesmo na humanização da figura dos cientistas, algo pouco comum em coberturas desse tipo.

O problema, aqui, é partir para um outro extremo: o de fortalecer a fé na ciência, como se a ela nada pudesse escapar. Em períodos de incerteza, é comum que determinadas instituições se fortaleçam. Se o poder público pode ser elevado ao posto de culpado por não conseguir conter uma suposta crise, os cientistas ganham o status de potenciais pontos de fuga dessa mesma crise. Reforça-se, assim, o estereótipo da ineficiência do Estado e da crença segura na ciência.

  1. O caminho do debate público

Identificamos, agora, um terceiro momento da cobertura da epidemia: o fortalecimento dos argumentos que constituem o jornalismo como um espaço de debate público. É o que temos acompanhado, por exemplo, nas discussões acerca da legalização do aborto para gestante com fetos diagnosticados com microcefalia.

O debate promete acirrar argumentos favoráveis e contrários à indicação da interrupção da gravidez, envolvendo o poder público e o judiciário e a religião. A cobertura também busca a humanização da temática, recorrendo a histórias de vida de jovens com microcefalia e abordando a temática social que emerge desta questão.

Trata-se, em suma, de um momento de mobilização de fontes antagônicas, da busca da racionalidade científica de um lado (ou do saber médico, como preferiria o filósofo Michel Foucault) e do apelo à religião e à política de outro. A polêmica, evidentemente, alimenta o debate e também mobiliza a audiência, gerando engajamento, cliques e compartilhamentos.

Neste mesmo momento, a ciência ainda revela suas incertezas, os agentes públicos continuam a se manifestar na tentativa de reduzir danos e de acenar para a prevenção. Por outro lado, os desencontros de informação (aqui e aqui, por exemplo) e a ênfase nas estatísticas também persistem. Ao divulgar os casos suspeitos – com números sempre altos – , o poder público e a imprensa tendem a aumentar a sensação de pânico e de incerteza, o que pode motivar na audiência uma dependência cada vez maior dessas informações, ainda que estas sejam tão duvidosas quanto é o próprio vírus.

O protagonismo do (bom) jornalismo especializado em saúde

Ao tentar  levantar a cronologia da cobertura jornalística sobre o zika vírus, podemos concluir, ao menos no estágio em que estamos hoje, que os produtos midiáticos alimentam o que chamaremos de midiapondria: uma necessidade permanente por parte da audiência de receber informações atualizadas sobre pautas da área.

Mas quem calcula essa necessidade? Como os jornalistas sabem que o leitor realmente está interessado neste volume de pautas? Por um lado, seria um interesse óbvio, considerando que o jornalismo é produto cultural e estamos sintonizados a uma era de cuidados com o corpo e com a mente, uma era da saúde perfeita, como já disse o filósofo Lucien Sfez. Por outro, não se pode desconsiderar que se trata de um interesse dos próprios veículos, de seus financiadores e da estrutura biopolítica à qual estamos integrados. Nas palavras de Kucinsky (2012), esta temática também precisa ser compreendida à luz dos interesses mercadológicos que projeta:

“Revistas como a Veja produzem capas de saúde regularmente, porque são as capas que vendem, na concepção de mercado que eles têm; mesmo quando está caindo um World Trade Center, eles fazem questão de a cada três ou quatro edições dar uma capa de saúde. (…) Então nós vemos que há uma espécie dum turbinamento: a saúde é vendida como mercadoria e, portanto, na mídia ela é mais mercadoria ainda, é dupla-mercadoria porque tem que ser muito mercadológica a forma como é apresentada, a forma como é tratada”.

Em qualquer cenário, o jornalismo especializado em saúde acaba alçado ao papel de protagonista de um tempo de indefinições. Por conta disso, é importante que ele esteja alinhado às estratégias de prevenção, sem apelar para um tom catastrófico e alarmista e buscando organizar os fatos de forma a minimizar dúvidas. Para os midiapondríacos, nenhum remédio é melhor do que a informação de qualidade.

Armanda Miranda é doutoranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do Objethos

Referências:
KUSCINSKY, Bernardo. Jornalismo e Saúde na Era Neoliberal. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v11n1/10.pdf. Acesso em: 10 de outubro de 2013.
LOPES, Felisbela et al. (org). Ebook. A saúde em notícia. Repensando práticas de comunicação. Universidade do Minho. 2013. Disponível em: <http://www.ics.uminho.pt/uploads/eventos/EV_8167/20131217286093508750.pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2013.