Uribe. Um Cháves a menos

Com uma decisão sensata o Congresso da Colômbia rejeitou a segunda reeleição de Uribe. A praga do chavismo se alastra pela sofrida latinoamérica, já infelicitada por séculos de caudilhismo ladravaz. Os mais solertes protótipos de ditadores se escudam por trás de aparente respeito ao jogo democrático. Contudo, dormita em cada um desses pulhas, a vontade cubana de perpetuação no poder.

É preciso estar ‘atento e forte’, como na música “Divino Maravilhoso” de Gilberto Gil.

Projeto aprovado autoriza referendo sobre o tema, mas para 2014. Governo colombiano quer mudar texto no Senado.

A Câmara dos Deputados da Colômbia rejeitou ontem a possibilidade de segunda reeleição do presidente Álvaro Uribe em 2010, ao aprovar um projeto de lei que autoriza um referendo sobre segundas reeleições, mas somente a partir de 2014. O referendo também decidirá se Uribe poderá concorrer às eleições de 2014 após ficar quatro anos afastado do poder.

O projeto só foi aprovado depois que o governo, em um decreto de última hora na noite de terça-feira, convocou sessão extra do Parlamento para aquela madrugada, quando obteve os votos necessários. A estratégia do governo tem uma justificativa: o projeto que veta a segunda reeleição agora vai para o Senado, onde alguns dos defensores mais fiéis de Uribe tentarão modificar o texto para abrir uma porta para a reeleição em 2010. Se fosse arquivado, as chances do presidente seriam nulas.

– Um presidente com 70% de popularidade, apoiado por milhões de assinaturas pedindo sua reeleição, não pode ser subestimado. O núcleo de seus simpatizantes vai continuar procurando os canais que lhe permitam a reeleição em 2010 – disse o analista político Mauricio Romero, da Universidade Javeriana, em Bogotá

do O Globo