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Lama de Brumadinho deve chegar ao rio São Francisco em até três semanas

Natureza,Brasil,Brumadinho,Minas Gerais,Mineração,Vale,Blog do Mesquita,Crime Ambiental,Meio Ambiente,Poluição.BarragensFoto: Isaac Nóbrega/PR.

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) publicou um boletim de monitoramento nesta segunda-feira (28) em que afirma que a lama de rejeitos da Vale, que rompeu em Brumadinho (MG) na última sexta-feira (25), deverá chegar à hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, a partir do dia 15 de fevereiro. Segundo o boletim, a lama se desloca a uma velocidade de um quilômetro por hora.

Há três dias, a lama cobre de barro o que vê pela frente, como uma força própria, a espera de alguma barreira que a pare. Pessoas, instalações, casas e animais domésticos foram cobertos por ela e o rio Paraopeba experimenta uma morte lenta, com peixes pulando pra fora do rio nos trechos cobertos pelos rejeitos, em busca de algum oxigênio que não existe mais dentro d’água.

Duas barreiras aguardam a lama. A primeira é a hidrelétrica de Retiro Baixo, localizada ainda no rio Paraopeba, onde ela deve chegar entre os dias 05 e 10 de fevereiro. A segunda deverá ser a hidrelétrica de Três Marias, já no rio São Francisco, onde a previsão de chegada dos rejeitos é a partir do dia 15 de fevereiro, se Retiro Baixo não os impedir.

A princípio o Ministério de Minas e Energia negou a possibilidade dos rejeitos chegarem ao rio São Francisco. O boletim do CPRM é o primeiro a admitir essa possibilidade.

Aécio Neves – Eleições 2018 e a ruína do império de um político

Como o império político de Aécio ruiu em Minas Gerais

Aécio Neves JBS

Aécio: de presidenciável aclamado a rejeitado no próprio estado. REUTERS

Traições, alianças rompidas, censura e crise econômica minaram hegemonia local do ex-governador.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Há quatro anos, o maior líder político mineiro das últimas duas décadas dava sua primeira cartada para lançar-se à tão sonhada Presidência da República.

Aécio Neves acabava de ser eleito presidente nacional do PSDB, com quase 100% dos votos.

O ato simbólico de largada para assumir a cadeira que o avô Tancredo Neves esteve prestes a ocupar no período da redemocratização encobria, no entanto, a incipiente perda de força do tucano em seu reduto eleitoral.

A gravação de Joesley Batista, que flagra Aécio pedindo propina de 2 milhões de reais, é apenas o golpe de misericórdia sobre o corroído capital político que restava ao ex-presidenciável depois de ter sido engolido pelas delações da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Desde que iniciou o primeiro mandato como governador, em 2003, o neto de Tancredo adotou um perfil distinto do avô, que notabilizou-se pela liderança personalista. Embora tentasse se vender como estadista, Aécio tinha como virtude a repartição do poder em diversas frentes, sobretudo no interior de Minas Gerais.

“Aécio é um facilitador, nunca foi protagonista”, afirma o cientista político Rudá Ricci. Com maioria na Assembleia Legislativa e o controle do orçamento, o governador conseguia direcionar recursos para núcleos sob sua influência no estado, que reuniam não só a base aliada, mas também políticos identificados com o governo federal.

A afinidade com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrava puramente o estilo pacificador, mas também uma estratégia para ampliar seu campo de atuação. “O aecismo, que se formou em torno de um quebra-cabeça, tinha a capacidade de aglutinar forças antagônicas. Dava poder a partidos de oposição e conciliava famílias rivais pelo interior. Depois de sua experiência como deputado federal,

Aécio levou a pequena política do baixo clero do Congresso para o estado. Essa estrutura lhe garantiu por muitos anos um status de intocável”, analisa Ricci. A favor do tucano também pesava a juventude e a projeção nacional que ganhara como presidente da Câmara dos Deputados. “Depois de Tancredo, Aécio foi o primeiro representante do executivo mineiro com envergadura de presidenciável”, diz Bruno Reis, professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais. “Ele simbolizava as pretensões da elite e dos setores econômicos.”

Para consolidar sua força, a verve aglutinadora de Aécio alcançou proezas que o conduziram ao pedestal de um semideus. Primeiro, uniu PSDB e PT para emplacar o desconhecido Márcio Lacerda, do PSB, na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, garantiu a eleição de Antonio Anastasia, sem nenhum lastro na política, como seu sucessor no governo enquanto se lançava ao Senado. A esta altura, ele já havia protagonizado os fenômenos “Lulécio” e “Dilmécio”, em que vários prefeitos do interior apoiavam o PSDB no estado e, ao mesmo tempo, o PT, no plano nacional. As seguidas mostras de domínio nas entranhas mineiras o deixaram confiante para resgatar o ex-ministro Pimenta da Veiga do ostracismo e escolhê-lo para a sucessão de Anastasia em 2014.

Segundo antigos aliados, esse teria sido o erro capital de sua trajetória política. A escolha foi vista como uma traição ao deputado federal Marcus Pestana, regente de um importante núcleo eleitoral na Zona da Mata mineira e candidato natural ao governo. “O Aécio não traiu somente o Marcus Pestana, mas toda a rede que ele liderava no interior, que foi rapidamente desarticulada. Na campanha, havia prefeitos ligados ao Pestana posando para fotos com o Fernando Pimentel [candidato do PT que acabou superando Pimenta da Veiga no primeiro turno]. Foi um erro grosseiro de cálculo político”, afirma Ricci. Para Bruno Reis, “as conquistas que obteve em Minas subiram um pouco à cabeça de Aécio, que cedeu à tentação de tirar um nome do bolso do colete para se manter influente no governo”.

Não bastassem o esfacelamento da base no interior, o fracasso com Pimenta da Veiga e as humilhantes derrotas nos dois turnos em Minas Gerais para Dilma Rousseff na disputa presidencial, o senador teve de lidar com o acirramento da crise econômica que, ainda no governo de Anastasia, havia iniciado o processo de deterioração do aecismo. Em pouco mais de uma década à frente do executivo, a administração que propalava o famoso “choque de gestão” fez de Minas o segundo estado mais endividado do país e perdeu o fôlego para investimentos em áreas-chave como saúde, segurança e educação.

“O modelo do Aécio se restringia às relações econômicas e negligenciava as políticas. A partir do momento em que se fecha a torneira e o dinheiro acaba, essa estrutura não se sustenta mais”, avalia Ricci. Do Congresso, em meio à guerra declarada com o PT e a concentração de esforços para derrubar Dilma, Aécio tampouco conseguia atender às demandas estaduais com emendas parlamentares, o que desagradava ainda mais os apoiadores que seguiam ao seu lado após a derrota. “Aécio sempre foi um insider da política, de postura centrista”, diz Reis. “Ao partir para o ataque contra o PT, ele saiu de seu hábitat e fez do impeachment a última cartada pela presidência. Mas, como tinha retaguarda vulnerável, acabou se expondo demais.”

Nesse ponto, a corrida presidencial deixou feridas jamais escancaradas em seu berço eleitoral. Contando com a mão de ferro da irmã Andréa Neves, que desempenhou o papel informal de articuladora política durante o governo, Aécio domava a grande imprensa mineira de acordo com seus interesses. Tinha relacionamento próximo com proprietários de meios de comunicação, como Flávio Jacques Carneiro, antigo dono do jornal Hoje em Dia, que, segundo delação de Joesley Batista, teria se reunido com o empresário para tratar de propinas destinadas à campanha do tucano.

O bom trânsito na imprensa do estado, historicamente alinhada a governos de diferentes orientações partidárias, somado à dependência das verbas de publicidade estatal, construiu uma blindagem praticamente impenetrável em torno de Aécio. Vários jornalistas mineiros despedidos durante a proeminência do aecismo atribuem a demissão a exigências de Andrea Neves. De acordo com o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, ela “exercia forte controle sobre as publicações no estado e perseguia críticos de Aécio”.

Andrea Neves, irmã de Aécio, foi presa na última quinta-feira.
Andrea Neves, irmã de Aécio, foi presa na última quinta-feira. REUTERS
Horas depois da prisão de Andrea, que teria negociado pessoalmente com Joesley os 2 milhões de propina repassados por meio de Frederico Costa, primo de Aécio, dezenas de jornalistas promoveram um encontro no sindicato para celebrar o que chamaram de “Dia da Liberdade de Imprensa em Minas Gerais”. Foi justamente nesse contexto de insatisfação velada nas redações que tornou-se praxe ao longo da campanha presidencial o que repórteres apelidaram, em tom irônico, de “tráfico de matérias”.
Muitas vezes guiados pela autocensura, a fim de evitar colocar o próprio emprego em risco, profissionais repassavam informações que pudessem comprometer Aécio a veículos de outros estados. Jornais nacionais começaram, então, a publicar reportagens que dificilmente ganhariam espaço em Minas, como a história do aeroporto construído com recursos públicos em um terreno da família do senador, na cidade de Cláudio.

Fora da zona de conforto, diante de uma artilharia que nunca havia experimentado, Aécio e o clã liderado por Andrea Neves reagiam de forma pouco republicana à circulação de notícias negativas que afetavam até mesmo o lado mais íntimo do senador. No começo de 2014, por exemplo, a Justiça negou um pedido para barrar buscas na internet que relacionavam o nome de Aécio ao uso de drogas.

A imagem desgastada também comprometeu a capacidade de angariar recursos para as campanhas do PSDB no estado, tanto que o pleito à Presidência deixou uma dívida superior a 15 milhões de reais para o partido. Ainda segundo a delação de Joesley, a JBS teria repassado pelo menos 60 milhões de reais em propinas para a campanha de Aécio.

“Esse escândalo é a concretização do desgaste que se desenhava há alguns anos. O declínio de Aécio deixa um vácuo de lideranças políticas sem precedentes na história de Minas”, afirma Rudá Ricci.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves foi afastado do cargo no Senado, pode ter o mandato cassado e ainda é acusado de tentar obstruir investigações da Lava Jato. A defesa do tucano alega que o pedido a Joesley se tratava meramente de um empréstimo para fins pessoais.
BREILLER PIRES/Elpais

Saiu na mídia – Tucano também é gente, gente!

Os puros de imaginação e os crédulos contumazes, acreditam piamente que somente a turma, assumidamente do “é dando que se recebe”, tem os ouvidos sensíveis aos apelos “patrióticos” do governo. Outras aves emplumadas, também, precisam do ninho orçamentário, mesmo que a coerência seja uma mercadoria negociável.

Da Folha de São Paulo
Silvio Navarro

CPMF 3- Lula libera verbas para bancadas tucana
Por Silvio Navarro, na Folha:

Num esforço para conseguir votos tucanos para aprovar a CPMF, o governo privilegiou bancadas de Estados chefiados pelo PSDB ao destinar verbas federais para emendas dos congressistas ao Orçamento.

Das dez bancadas que mais tiveram verbas federais empenhadas em novembro, cinco são de Estados do PSDB: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Roraima e Alagoas. Dessa lista, a bancada que mais recebeu recursos, disparado, foi a de Minas: R$ 86,4 milhões.
Foram liberados R$ 350 milhões no total para emendas de bancada até o dia 23 -praticamente o triplo do que foi liberado em outubro, R$ 118 milhões.

Essa modalidade de emenda é feita em conjunto por deputados e senadores do mesmo Estado para atender os pedidos do governador -em geral grandes obras. Segundo dados do Siafi recolhidos pela assessoria de Orçamento do DEM, a bancada gaúcha obteve R$ 15,3 milhões; a de São Paulo, R$ 10,5 milhões; e a de Roraima e a de Alagoas, R$ 10 milhões cada uma.

É na interferência dos governadores que o Planalto aposta para tentar virar alguns votos. O detalhamento das emendas individuais mostra que o governo escolheu a dedo os senadores beneficiados. Na ponta do ranking estão dois senadores que têm sido assediados para votar a favor da CPMF: o ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati (CE), contemplado em R$ 2,1 milhões, e César Borges (PR-BA), com R$ 1,4 milhão.

Saiu no blog – Partido partido

Deputados do PSDB se rebelam (em termos, é claro…)
Blog do Noblat

A temperatura subirá logo mais durante reunião da Executiva Nacional do PSDB na sede do partido, em Brasília.

Quer dizer: subirá levando-se em conta o modo tucano de ser (rostos escanhoados, cheiro de alfazema no ar, lenço no bolso do alto do paletó e elegantes luvas de pelica).

Liderados por Antônio Carlos Pannunzio (SP), 57 dos 58 deputados federais do PSDB votaram contra a Medida Provisória que prorroga a CPMF até 2011. Ela foi aprovada mesmo assim na Câmara.

Como pode, agora, a bancada do PSDB no Senado votar a favor da prorrogação da CPMF? Com que cara ficarão os deputados?

Que partidinho sem-vergonha é esse que na Câmara vota em bloco contra uma matéria por considerá-la nociva à sociedade e no Senado faz o contrário?

Há pouco, Pannunzio contou a Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e a Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, como foi sua reunião desta manhã com uma dezena de vice-líderes do partido na Câmara. Os vice-líderes estavam indignados. E dispostos a fazer barulho na reunião da Executiva.

É unânime entre os deputados a opinião de que foi um tiro no próprio pé do partido o encontro da última sexta-feira em São Paulo dos governadores José Serra e Aécio Neves com Pannunzio e Arthur Virgílio. Era para ter sido um encontro secreto. A imprensa descobriu.

Serra e Aécio querem a aprovação da CPMF em troca de concessões do governo. Os dois aspiram suceder Lula a partir de 2011. E imaginam governar com a CPMF. Por ano, ela representa cerca de R$ 40 bilhões.

Se os senadores do PSDB ajudarem a derrotar a CPMF, os governadores ficarão mal na foto depoius da reunião da sexta-feira. Se ajudarem a aprovar, deixarão mal os deputados. E aí?