Fatos & Fotos – Dia 05/01/2021

A arte inconsciente(?) de Artur Bispo do Rosário


Bolsonaro diz que nada mais pode fazer pelo Brasil, mas pesquisas indicam que quase 60% dos empresários consideram seu governo bom ou ótimo. Acham bom ou ótimo o governo de um cara que confessa não saber o que fazer.


Governo Bolsonaro dá calote no banco dos BRICs

Diante da dívida, o BRICS por determinação contratual, terá de comunicar o não pagamento às agências de classificação de risco, detentores de títulos e parceiros internacionais.

O governo brasileiro não efetuou o pagamento da penúltima parcela de US$ 292 milhões (cerca de R$ 1,54 bilhão) para o aporte de capital no NDB (Novo Banco de Desenvolvimento), a instituição financeira criada pelos cinco países do grupo do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).



Foto do dia – Marc Ferrez, Bahia,1885


Ex- libris, Dušan Kállay


Considerado um dos maiores cientistas do mundo, o brasileiro citou o lockdown decretado pelo governo inglês para fazer um apelo ao governo brasileiro: “Acabou!” Miguel Nicolelis prega lockdown nacional imediato: “Ou não daremos conta de enterrar os nossos mortos”


Líder de Bolsonaro promete plebiscito por nova Constituinte em breve. Primeiro, a destruição da CLT. Depois, veio o desmonte do Sistema de Previdência. Agora, querem revogar a Constituição de 88, a última fronteira antes da


Pintura de Suhair Sibai – Silenced


Fatos & Fotos – Dia 27/12/2020

Será que o gajo fará alguma festa no “reveillon” d’além mar para aglomerar convidados? Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor jogador do século XXI durante a premiação do Global Soccer Awards, organizada pelo Conselho de Esportes de Dubai, neste domingo (27/12). Em outras 6 edições do evento, o astro português da Juventus levou para casa o troféu de jogador do ano.


Cuno Amiet – s/t – s/d


Da série “Caminhando pelas Cidades”
Olhem OsMuros Escrituras Grafites


Design – Arquitetura – Portas


Da série:”meu ofício é incomodar”.
Alguém já viu juiz decretar prisão domiciliar para pobres e negros?


Fotografia de Talia Chetri – Hands,2012


Como faz falta um pé na bunda” desses aqui em “Southern Banânia”! Ora se faz!


“Procês,” a Valsa de Ravel ao meio do dia deste domingo. Regência de Andrés Orozco-Estrada

 


Mikoyan MiG-29 – nome de código da NATO Fulcrum

é um caça utilizado em combate aéreo. Desenvolvido no início da década de 1970, entrou ao serviço da União Soviética em 1982 e mantem-se operacional até os dias de hoje na Força Aérea Russa, bem como nos países para onde foi exportado.


Em 27 de dezembro de 1948 nascia em Châteauroux, França, Gérard Depardieu

Gérard Xavier Marcel Depardieu. Com uma extensa filmografia, a mim se destaca o filmeTodas as Manhãs do Mundo” – “Tous les matins du monde” – filme francês de 1991 dirigido por Alain Corneau baseado no livro homônimo de Pascal Quignard. Pra quem gosta de música barroca esse filme é um diamante.
Ambientado durante o reinado de Luís XIV, o filme mostra o eminente músico Marin Marais, relembrando sua jovem vida quando ele foi brevemente aluno de Monsieur de Sainte-Colombe, e apresenta muita música do período, especialmente para a viola da gamba. O título do filme é explicado no final do filme; “Todas as matas do mundo sem retorno” (“todas as manhãs do mundo nunca voltam”) ditas por Marais no capítulo XXVI do romance de Quignard, quando ele descobre a morte de Madeleine.


Pareidolia – Alpes Franceses

A palavra é originada do grego, “Para” significa “ao lado de” e “Eidolon” significa “imagem”. Assim, pareidolia é um #fenômeno #psicológico que faz com que reconheçamos padrões nas coisas… rostos, animais e formas nas nuvens.


No dia de hoje, em 27 de dezembro de 1925, em Paris, nascia Michel Piccoli, um dos meu atores favoritos. Faleceu em abril de 2020.
Entre seus filmes está La Belle de Jour, direção de Luis Buñuel, onde trabalhou, ao lado de Catherine Deneuve, interpretando Henri Husson.
No elenco também estavam:
Jean Sorel como Pierre Serizy
Geniviève Page como Madame Anaïs
Pierre Clémenti como Marcel
Françoise Fabian como Charlotte
Macha Méril como Renée
Maria Latour como Mathilde
Francisco Rabal como Hyppolite


Anel Dahlia Jewelry Designers


Giuseppe Alletto – Italian Artist

Fetish Destruction 55, 2019 – 120x200cm – Installation composed of a gold adhesive tape, an electronic circuit painted in golden color, a mouse pad attached to a polystyrene plate.


Sem vacina, sem seringa, sem agulha e sem rumo. O Brasil num verdadeiro navio à deriva, uma nau “Sem capitão”; um barco gigantesco que, “Sem comando”
“Sem uma ação coordenada de todo o país, envolvendo medidas sincronizadas de isolamento social, bloqueio sanitário das rodovias e uma campanha nacional de vacinação, o Brasil não conseguirá derrotar a covid-19.” Miguel Nicolelis


Fotografia – Cores da Índia


A Casa Grande usa toga

STF e STJ pediram 7.000 vacinas à Fiocruz. Para vacinar os homens e mulheres de toga e agregados.”
Os engravatados que não movem uma palha para coibir e penalizar a desinformação sobre vacinas são os mesmos que rapidamente movem o céu e a terra para garantir acesso VIP no camarote da imunização. Marilena Chauí jamais errou.


A grande mídia naturalizou tanto os crimes de responsabilidade do Bolsonaro que ele, de fato, pode fazer tudo. Pode boicotar a vacina, incentivar o uso de armas e usar a máquina pública para proteger a família. Tudo é noticiado como se fosse um absurdo aceitável e nada acontece.



Foto do dia – Brendan Van Son


O presidente Jair Bolsonaro anunciou que vai vetar o projeto de lei que facilita a compra e o arrendamento de terra por estrangeiros caso o projeto que trata do assunto, aprovado há duas semanas pelo Senado, passe pela Câmara. A posição do presidente coincide com a do PT e de ONGs ambientalistas, como o Greenpeace, diversas vezes atacadas pelo presidente. Em transmissão semanal ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro classificou a proposta como antipatriótica e disse que não deixará o Brasil ser vendido a estrangeiros.


Carlos Scliar – Garrafas
Técnica mista,Vinil e Colagem,37 x 56 cm


Arte – Pintura Corporal
Etnia Mendi – Papua Nova Guine
Foto de Pedro Saura


Artur Bispo do Rosário XXVI


E esse genocida” dá bola pra quê?

Os senhores da corte internacional não entenderam ainda? A corte é tão exigente em provas? São tantas que o brasileiro perde a conta.
Aliás, a conta está no número de sepulturas.


Design – Brincos


Veja a lista – não perca tempo procurando o Brasil nessa lista – dos países que começaram a imunizar sua população e as vacinas usadas em cada um deles:

Alemanha
Vacina: Pfizer/BioNTech

Arábia Saudita
Vacina: Pfizer/BioNTech

Áustria
Vacina: Pfizer/BioNTech

Bahrein
Vacina: Sinopharm

Bélgica
Vacina: Pfizer/BioNTech

Bulgária
Vacina: Pfizer/BioNTech

Canadá
Vacina: Pfizer/BioNTech

Catar
Vacina: Pfizer/BioNTech

Chile
Vacina: Pfizer/BioNTech

China
Vacinas: Sinovac, CanSino e Sinopharm

Chipre
Vacina: Pfizer/BioNTech

Costa Rica
Vacina: Pfizer/BioNTech

Croácia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Dinamarca
Vacina: Pfizer/BioNTech

Emirados Árabes Unidos
Vacina: Sinopharm

Eslováquia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Eslovênia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Espanha
Vacina: Pfizer/BioNTech

Estados Unidos
Vacinas: Pfizer/BioNTech e Moderna

Estônia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Finlândia
Vacina: Pfizer/BioNTech

França
Vacina: Pfizer/BioNTech

Grécia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Holanda
Vacina: Pfizer/BioNTech

Hungria
Vacina: Pfizer/BioNTech

Irlanda
Vacina: Pfizer/BioNTech

Israel
Vacina: Pfizer/BioNTech

Itália
Vacina: Pfizer/BioNTech

Letônia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Lituânia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Luxemburgo
Vacina: Pfizer/BioNTech

Kuwait
Vacina: Pfizer/BioNTech

Malta
Vacina: Pfizer/BioNTech

México
Vacina: Pfizer/BioNTech

Polônia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Portugal
Vacina: Pfizer/BioNTech
www.mesquita.blog.br
#José #Mesquita

Reino Unido
Vacina: Pfizer/BioNTech

República Tcheca
Vacina: Pfizer/BioNTech

Romênia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Rússia
Vacina: Sputnik V

Sérvia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Suécia
Vacina: Pfizer/BioNTech

Suíça
Vacina: Pfizer/BioNTech

Sem vacina, sem seringa, sem agulha e sem rumo

“Sem uma ação coordenada de todo o país, envolvendo medidas sincronizadas de isolamento social, bloqueio sanitário das rodovias e uma campanha nacional de vacinação, o Brasil não conseguirá derrotar a covid-19.” Miguel Nicolelis

Dezenas de pessoas caminham no centro de São Paulo no dia 18 de dezembro.SEBASTIAO MOREIRA / EFE

Apesar de assemelhar-se a um refrão de sucesso de carnavais passados, o título da minha última coluna de 2020 certamente não tem qualquer ambição de servir como inspiração para alguma futura marchinha carnavalesca. Pelo contrário, ao tentar reproduzir o estilo literário predileto do último astrofísico-poeta da humanidade, o persa Omar Khayan, que viveu entre os séculos XI e XII, esta quadra sem rima rica tem como propósito expor, de forma nua e crua, a situação trágica vivida pelo Brasil, depois de nove meses de uma pandemia que nunca esteve sob controle das autoridades governamentais e que ameaça atingir níveis ainda maiores de casos e óbitos nas próximas semanas.

Além dos quatro itens, que fazem parte da “Lista dos Sem”, como a batizei, eu poderia continuar enumerando outras várias razões que transformaram o Brasil num verdadeiro navio à deriva, uma nau “Sem capitão”; um barco gigantesco que, “Sem comando”, se contenta em vagar às cegas num vasto oceano viral, à mercê de ventos e correntes fatais, que ameaçam conduzir este nosso Titanic tupiniquim, depois da maior crise sanitária da nossa história, para dentro de um redemoinho que pode culminar na maior catástrofe socioeconômica jamais vivida abaixo da linha do equador.

O meu alarme decorre de uma simples análise de risco do cenário atual. Por exemplo, apesar de inúmeros avisos prévios, mesmo antes das festas de final e ano, o Brasil já sofre com uma nova explosão de casos e óbitos de covid-19. Esta escalada de casos, gerada pelo afrouxamento das medidas de isolamento social, abertura desenfreada do comércio e pelas aglomerações eleitorais, desencadeou uma segunda onda de superlotação hospitalar em todo país, com algumas capitais atingindo taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 90%. Sem qualquer plano de comunicação de massa para alertar a população sobre os riscos que, em razão das aglomerações geradas no período das festas de final de ano, esta nação enfrentará uma explosão ainda maior de casos e óbitos, como ocorrido no período após o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, quando o “Sem governo” ―ou seria (des)governo?― abandonou sua população à própria sorte. Não é à toa, portanto, que boa parte do país hoje se orienta através do último boato de Whatsapp a viralizar nas redes sociais. Acima de tudo, entre outros crimes lesa-pátria cometidos em 2020, há uma total falta de informações confiáveis e recomendações apropriadas para orientar a população em como proceder para se proteger contra o coronavírus, antes da chegada de uma vacina eficaz e segura.

Mas os absurdos não param aí. No país do “Sem a menor ideia”, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), depois de minuciosa auditoria, concluíram que não existe planejamento estratégico minimamente aceitável para a distribuição de equipamentos de proteção, kits de testes, bem como de seringas e agulhas, e de vacinas ―até mesmo porque ninguém sabe qual ou quais serão usadas― para todo o território nacional. Se tudo isso não fosse o suficiente para gerar alarme em Pindorama, mesmo depois de vários países terem proibido todos os voos, de passageiros e de carga, oriundos do Reino Unido, para evitar a propagação de uma nova cepa mais contagiosa de SARS-CoV- 2, que provocou o estabelecimento de novo lockdown na Inglaterra, o espaço aéreo brasileiro continua aberto, e nossos aeroportos continuam não checando os passageiros, permitindo desta forma que diariamente novos casos de viajantes infectados possam entrar no Brasil, sem qualquer tipo de controle sanitário.

Diante desta situação dantesca, o Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste publicou na última sexta-feira o seu Boletim de número 13. Nele, além da análise minuciosa da situação atual e futura de cada um dos Estados nordestinos, o comitê fez uma série de recomendações emergenciais para os nove governadores da região. Dentre elas, a mais urgente é a que os governadores nordestinos levem a seus colegas de todo o Brasil a proposta de criar, em caráter emergencial, uma Comissão Nacional de Vacinação, formada pelos principais especialistas na área, para atuar de forma independente do Ministério da Saúde e do Governo federal e criar um Plano Nacional de Imunização efetivo e seguro, a ser implementado em todo território nacional, através da ação conjunta de todos os Estados brasileiros. Esta proposta traz à luz do dia a verdade que ficou escondida em baixo do tapete durante todo o ano de 2020: sem uma ação coordenada de todo o país, envolvendo medidas sincronizadas de isolamento social, bloqueio sanitário das rodovias em todas as regiões do país, e uma campanha nacional de vacinação, o Brasil não conseguirá derrotar a covid-19 nem a curto prazo, nem a médio prazo. E o custo desta omissão será épico, em termos de centenas de milhares de vidas perdidas.

Depois de quase 200.000 mortes, não há mais nenhum tempo a perder se a sociedade brasileira deseja realmente evitar que no Natal de 2021 tenhamos mais de meio milhão de mortos como consequência daquela que já entrou para a história brasileira como a pandemia dos “Sem Noção”.

Miguel Nicolelis é um dos nomes com maior destaque na ciência brasileira nas últimas décadas devido ao trabalho no campo da neurologia, com pesquisas sobre a recuperação de movimentos em pacientes com deficiências motoras. Para a abertura da Copa de 2014, desenvolveu um exoesqueleto capaz de fazer um jovem paraplégico desferir o chute inicial do torneio. Incluiu recentemente à sua lista de atividades a participação no comitê científico criado pelos governadores do Nordeste para estudar a pandemia da covid-19. Twitter: @MiguelNicolelis

Ciêncais – Cérebro conectados

Cientistas norte-americanos colocam pesquisas de comunicação entre cérebros em novo patamar ao fazerem experimento com humanos. No estudo, pesquisador moveu o braço de colega pelo pensamento via internet sem fio.

Cérebros conectados

Rajesh Rao imaginou que movia sua mão para pressionar o teclado de um computador e Andrea Stocco cumpriu o comando, movendo sua mão direita. (foto: Universidade de Washington)
A ciência tem mostrado que transmissão de pensamento é cada vez menos um tema de ficção. Depois que pesquisadores norte-americanos e brasileiros conectaram os cérebros de dois ratos,  foi a vez de cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, repetirem a façanha com humanos.
Por meio de um experimento que vem sendo chamado de “primeira interface cérebro humano-humano”, os pesquisadores conseguiram fazer com que um deles movesse a mão direita e pressionasse um teclado sob os comandos cerebrais de outro, localizado há quilômetros de distância.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Para isso, eles usaram apenas uma máquina de eletroencefalografia (peça comum em qualquer consultório neurológico), um dispositivo de estímulo magnético (usado para tratamento de doenças psiquiátricas) e internet sem fio.
O cientista responsável por transmitir o comando, o engenheiro de computação Rajesh Rao, teve sua cabeça coberta com eletrodos ligados à máquina de eletroencefalografia, que capta os sinais elétricos cerebrais.
Do outro lado do campus da universidade, o psicólogo Andrea Stocco teve um aparelho de estímulo magnético cuidadosamente preso do lado esquerdo de seu cocuruto, na região precisa correspondente ao córtex motor direito – que curiosamente é a parte do cérebro que comanda a mão direita.
Toda essa preparação tinha a finalidade de tornar possível que Rao, o transmissor, jogasse um jogo de computador pelas mãos de Stocco, o receptor. O objetivo do jogo era defender uma cidade de um ataque pirata disparando um canhão ao apertar a teclaenter.
Infográfico
O esquema mostra cada etapa do experimento. (foto: Universidade de Washington)
Rao apenas imaginou que movia sua mão no teclado para disparar fogo. Nesse momento, o sinal elétrico de seu cérebro captado pelo eletroencefalograma foi transmitido por internet sem fio até o dispositivo acoplado a Stocco.
O aparelho então disparou um estímulo magnético no cérebro, fazendo com que sua mão se movesse contra sua vontade e lançasse fogo no navio pirata do joguinho.
“Senti meu dedo se movendo sem ter consciência disso, foi como um tique nervoso”, descreve Stocco.
Para atingir o feito, foram necessários anos de estudo. O maior desafio foi encontrar a região precisa do cérebro responsável pelo movimento da mão direita e, em seguida, dosar o estímulo para obter o movimento de dedo adequado.
A neurocientista Chatel Prat, que também integra a equipe que conduziu o experimento, conta à CH On-line que somente para a primeira etapa foram cinco anos de pesquisa.
Stocco: “Senti meu dedo se movendo sem ter consciência disso, foi como um tique nervoso”.
“Precisamos de muita prática até encontrar a estimulação mínima necessária para gerar um sinal cerebral capaz de mover o músculo do dedo”, diz. “Experimentamos (e brincamos) com diferentes configurações até encontrar a mais precisa e confortável.”
A declaração da cientista pode levar a pensar que a escolha de um jogo para o experimento foi apenas pela diversão. No entanto, o jogo teve um propósito: garantir que o sinal enviado pelo transmissor fosse intencional e não arbitrário.
“Sabendo o momento em que o canhão deveria ser disparado, pudemos garantir que o sinal enviado foi intencional”, explica Prat. “O jogo capitalizou o tipo de efeito que queríamos ter no receptor, permitindo que dois sujeitos colaborassem para desempenhar uma tarefa on-line.”

Mais do mesmo?

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que comandou o experimento em que um rato transmitiu informação para o cérebro de outro, disse não estar surpreso com o novo feito. “O que eles fizeram não foi uma verdadeira interface cérebro-cérebro com comunicação entre duas pessoas, mas apenas uma via de mão única”, diz à CH On-line.
“É muito cedo para declarar vitória na criação de uma interface humana de verdade.”
Nicolelis: “É muito cedo para declarar vitória na criação de uma interface humana de verdade”
Prat não chega a exaltar a pesquisa de sua equipe, mas destaca que o grande diferencial do experimento foi usar técnicas não invasivas para conectar os cérebros – diferentemente do que faz Nicolelis, que usa eletrodos implantados cirurgicamente no cérebro dos ratos.
“Em termos de avanço científico, o que fizemos foi criar uma nova forma de usar tecnologias que já funcionam bem independentemente”, diz a neurocientista.“O maior diferencial é que podemos implantar nossa técnica em humanos que estão cientes do seu coenvolvimento e colaboração para resolver uma tarefa complexa.”

Possibilidades futuras

A cientista acredita que a verdadeira comunicação entre cérebros, em que haja uma transmissão de pensamentos consciente por ambas as partes, ainda está longe da realidade. “Vemos essa possibilidade como uma área excitante de pesquisa no futuro, mas para isso precisamos tanto de avanços na engenharia quanto na neurociência”, afirma.
Elo mental
Apesar do sucesso do experimento, os pesquisadores ressaltam que a comunicação real entre cérebros (habilidade do personagem Spock, de ‘Jornada nas estrelas’) ainda está longe da realidade. (foto: reprodução)
Apesar disso, Prat e sua equipe já sonham com as possíveis aplicações de seu trabalho no futuro. Uma delas seria usar a técnica no treino e no controle remoto de pessoas em situações que exigem movimentos motores complexos, como conduzir uma cirurgia.
A ligação cérebro-cérebro também poderia ser usada para transferir conhecimentos complexos e para ajudar na reabilitação de pessoas com deficiências neurológicas. “Com a interface poderíamos ensinar ideias difíceis de expressar pela linguagem, como conceitos matemáticos, e até – o que me comove mais – prover o controle motor adequado a pacientes com danos cerebrais, reescrevendo seus circuitos neurais pela prática”, comenta Prat.

No controle

Por mais promissoras que sejam suas aplicações futuras, a experiência abre margem para questionamentos sobre o controle indevido sobre o outro. Não é difícil imaginar que a técnica possa ser usada para controlar pessoas a distância em situações escusas.
Prat: “Se alguém quisesse forçar outra pessoa a se comportar de certo modo contra sua vontade, seria muito mais fácil usar uma arma para ameaçá-la”
Prat acredita, no entanto, que um cenário como esse requereria uma supertecnologia. “Não consigo imaginar uma situação em que nossa técnica pudesse ser usada para o mal que não demandasse elementos tecnológicos e científicos muito mais avançados do que os necessários para os cenários bons que imaginamos”, diz.
A cientista ressalta ainda que seria difícil que a pessoa supostamente controlada não soubesse da interferência. “A participação voluntária é absolutamente necessária, pois não existe mecanismo para interferir no cérebro de alguém sem que a pessoa esteja conectada a um grande dispositivo de estímulo magnético”, comenta.
“Além do mais, se alguém quisesse forçar outra pessoa a se comportar de certo modo contra sua vontade, seria muito mais fácil usar uma arma para ameaçá-la do que usar essa cara e pouco desenvolvida tecnologia.”
Via Ciência Hoje

Copa 2014: A metáfora do exoesqueleto

Ciências Homo Sapiens Blog do MesquitaNa sexta-feira (13/6) o Brasil amanheceu com a alma lavada pela vitória de sua equipe de futebol no jogo inaugural da Copa do Mundo. A imprensa reconhece a ocorrência de um gol ilegítimo, nascido do pênalti imaginado pelo árbitro da partida, mas oferece análises ao mesmo tempo ponderadas e apaixonadas sobre o desempenho da seleção nacional.

Paralelamente, há descrições detalhadas sobre o entorno do espetáculo, com tentativas de protestos que não chegaram a prejudicar o movimento dos privilegiados que conseguiram um ingresso ou dos milhões que se reuniram para acompanhar o jogo diante da TV.

Fica claro que, desde o apito inicial, a maioria da população deixou de lado o mau humor fabricado massivamente pela imprensa nos últimos meses e se concentrou no que agora é essencial: sim, havemos Copa. Os pequenos grupos que insistiram em caminhar contra a corrente foram isolados e, em algumas cidades, hostilizados pelos torcedores.

Assim como os ocupantes da área VIP do estádio, que tomaram a iniciativa de vaiar a presidente da República e os representantes da Fifa, os objetores parecem ter se deslocado do conjunto social que se aglomera de olho na bola para algum lugar externo à festa.

A circunstância oferece uma oportunidade para refletir sobre a duplicidade presente nos grandes eventos midiáticos: o dentro e o fora do espetáculo. São muitos os casos de pessoas que, antes da abertura da Copa, gritavam sua rejeição ao sentimento de nacionalidade, com expressões típicas do “viralatismo” ideológico, e que, ao rolar a bola, se transformaram em fanáticos torcedores.

Mas talvez não haja melhor metáfora para essa dicotomia dentro-fora do que a apresentação do ex-atleta paraplégico que deveria exibir pela primeira vez em público o exoesqueleto criado pelo cientista Miguel Nicolelis e sua equipe.

A celebrada experiência conduzida por Nicolelis, que prometia fazer o jovem andar com a ajuda de um complicado aparelho ortopédico movido por ondas cerebrais, passou despercebida pela maioria dos espectadores que, na arena do Corinthians ou diante das telas, acompanhavam a festa de abertura da Copa do Mundo.

Num canto do gramado coberto, o jovem que envergava a armadura eletrônica produziu um discreto movimento com a perna direita, fazendo a bola rolar por uma rampa.

De fora para dentro

Essa cena deveria ser a expressão mais espetaculosa e a consagração pública do projeto que custou, até aqui, cerca de R$ 30 milhões. No contexto do espetáculo, a experiência equivale a quase nada, porque a imagem, por si, nada esclarece. Comparado à expectativa que se criou em torno do experimento, alardeado meses antes pela imprensa, foi um fracasso em termos de comunicação. A falta de explicações sobre como a coisa funciona, na narrativa dos locutores da televisão, esvaziou o interesse do público.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A ideia de fazer pessoas com paralisia recobrarem o controle de seus movimentos por meio de um aparelho que tenta realizar, por fora do corpo, as funções do esqueleto e do sistema nervoso, tem provocado polêmicas no mundo científico. Além disso, o excesso de exposição do coordenador do projeto acabou por transformá-lo em celebridade midiática e, como sabem muito bem os estudiosos da mídia, a condição de celebridade costuma encobrir todas as qualificações anteriores do personagem: o público passa a reconhecer a figura, mas seus méritos anteriores ficam em segundo plano.

Pode-se dizer que, quanto mais famoso fica o cientista, menor será o valor que lhe será dado como cientista. Na TV Globo, a emissora com a maior audiência, o narrador Galvão Bueno tinha um de seus ataques de verborragia quando a cena aconteceu, e se viu alertado pela direção a chamar a imagem de volta para fazer sobre ela um emocionado improviso. E, em vez do grand finale anunciado por meses, aquilo que deveria ser o coroamento de uma suposta conquista científica se perdeu no meio da festa.

O episódio, pinçado pelo observador no meio do extenso e intenso conjunto de notícias e opiniões que acompanham a abertura da Copa do Mundo no Brasil, serve como ilustração da circunstância em que se encontra a mídia tradicional no contexto da sociedade hipermediada.

Desprendida do núcleo da sociedade a que deveria servir, a mídia funciona como um esqueleto exterior ao corpo social, tentando fazer com que o organismo caminhe na direção que ela deseja. A relação da imprensa com o público lembra aqueles programas de auditório, onde assistentes erguem placas para a plateia, dizendo: “palmas”, “gritos”, “gargalhadas”. Agora, “festa”, “vaias”, “inflação”, “proteste”, “vote neste candidato”.

Mas não existe exoesqueleto capaz de fazer a sociedade andar numa mesma direção.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Brasileiro é capa da Science pela 1ª vez

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O pesquisador Miguel Nicolelis tornou-se nesta quinta-feira o primeiro brasileiro a ter uma pesquisa publicada na capa da conceituada revista Science. Ele desenvolveu um estimulador da medula espinhal que ajudou roedores com o mal de Parkinson a se moverem com mais facilidade.

O estudo de Nicolelis abre possibilidades para que, no futuro, a doença possa ser tratada em humanos de forma menos invasiva. “Vemos uma mudança quase imediata e dramática na capacidade funcional do animal quando o mecanismo estimula a medula espinhal”, disse Nicolelis, que mora nos Estados Unidos e trabalha na Universidade Duke, na Carolina do Norte.

Se funcionar em humanos, disse Nicolelis, o dispositivo poderá ser usado para um tratamento precoce da doença, beneficiando mais pessoas do que os atuais estimuladores, que são implantados no fundo do cérebro e só servem a cerca de um terço dos pacientes de Parkinson. O cientista explicou que é mais fácil e seguro instalar um estimulador na medula do que no cérebro. Ambos os estimuladores usam impulsos elétricos para controlar os tremores e a fraqueza muscular provocados pela doença.

O mal de Parkinson mata as células cerebrais que produzem a dopamina, um neurotransmissor associado ao movimento. Medicamentos de reposição de dopamina podem adiar os sintomas por algum tempo, mas não há cura definitiva. “Esta técnica é muito mais fácil e barata e pode ser feita em conjunto com uma dose muito menor de medicação”, disse Nicolelis. “Ela trata do mal de Parkinson de uma forma muito diferente.”

da Veja