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A Reversal Destra

Temer-comunista
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Michel Temer comunista? Bilionários socialistas? Facebook stalinista? A Nova Direita repete diariamente que políticas socialistas não funcionam, que o comunismo não deu certo, mas aparentemente vivemos num mundo alternativo onde a URSS venceu a Guerra Fria: da ONU à Wall Street, todas as instituições do mundo contemporâneo estariam infiltradas por alguma versão da KGB.

Como tentei demonstrar no artigo das “pequenas verdades” a Nova Direita constrói seu pensamento com tomando como base uma série de falácias, de meias verdades. A mais poderosa e recorrente delas é a de que “todo mal vem da esquerda“. Um dos elementos da filosofia política Nova Direita é o da negação do princípio de igualdade dos seres humanos, por isso o insistente ataque aos Direitos Humanos universais. Uma vez que Declarações de Direitos são construções do liberalismo, das revoluções burguesas que romperam com o absolutismo, faz-se necessário ampliar o conceito de esquerda. Essa “esquerda”, apresentada da forma mais vaga e abrangente possível, passa a incluir liberais progressistas ou qualquer um que não simpatize ou não queira colaborar com a Nova Direita.

Isso permite à Nova Direita produzir conceitos alternativos para certos fenômenos do capitalismo, ou mesmo internos às dinâmicas políticas da própria direita, num processo contínuo de “transformar em esquerda” qualquer coisa que incomode seus interesses, seus fiéis, seu público, seus membros. Esse mecanismo de dissimulação permite afirmar a já clássica falácia de que “o Nazismo é de esquerda“, inventar que a queda do Império Romano teve relação com o socialismo, transformar a senadora Ana Amélia Lemos (PP) ou o apresentador Datena em cripto-socialistas – ou dizer que José Sarney tentou implantar o comunismo no Brasil.

E você, pobre mortal, não sabia que Wall Street adora o esquerdismo.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL

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A tendência de muita gente na esquerda é de tentar responder a essas maluquices com fatos, argumentar longos contrapontos, mostrar dados e notícias, chamar a outra pessoa de ignorante, dizer que ela precisa “estudar história”, ou fazer chacota. Isso tudo só faz sentido se assumirmos que a política do absurdo propaga tanta loucura de forma não-intencional.

E não é o caso. A aparente ignorância e desconexão da realidade está contida num método, numa forma de comunicação extremamente eficaz: a repetição. O método consiste em criar a mentira, em sua forma mais absurda ou abjeta, e fazê-la ser igualmente repetida por fiéis e céticos. Depois que a mentira estiver bem estabelecida por meio da repetição qualquer um que desconfie dela será tratado como um inimigo. Entre cínicos, trolls e imbecis uma pequena verdade é fabricada. Ela precisa ser confortável e triunfalista, taxativa, desprovida de nuance e, de preferência, completamente absurda.

Esse é o método que permite que Michel Temer seja chamado de “apenas mais um comunista” pelos grandes intelectuais do Instituto Liberal. Temer se aliou a toda a direita brasileira, seu partido lançou um programa de reformas extremamente liberal chamado Ponte para o Futuro, sua curta presidência foi extremamente impopular, exceto no mercado financeiro. Diante desses fatos, como Temer poderia ser um comunista? Tanto faz. Basta que digam que o mercado financeiro também é comunista, como os gênios do MBL já nos explicaram.

Esse tipo de excrescência, de maneira proposital ou não, é o que abriu caminho para o crescimento de apelos por golpe militar e também explica, em parte, o êxito da candidatura de Jair Messias Bolsonaro. Em ritmo permanente de campanha desde 2015, Bolsonaro conseguiu se firmar como o único candidato que é “direita de verdade” usando de uma lógica simples e eficaz: pega carona na quantidade imensa de material que afirma que a corrupção seria um problema da esquerda, repete incessantemente que não é corrupto (apesar de quaisquer evidências contrárias) e assim torna-se, por extensão, o único candidato de direita. Ele pode dizer que é contra mídia, contra “o sistema” mas é um fruto gerado no âmago do establishment antipetista.

Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,BolsonaroDesaprovou o General Mourão? Comunista!

Esse esforço contínuo de transformação e reafirmação não tem qualquer compromisso com nenhum nível de argumentação factual. As reformas de Maurício Macri falharam? Evite discutir a natureza delas, ou fazer uma análise mais demorada sobre os desafios da economia argentina e a relação do panorama atual com aquele do início dos anos 2000. Chamemos outro “intelectual”, o fundador do Instituto Liberdad Querida, que ele define como o “Tea Party argentino” para que ele assegure aos leitores do Antagonista que Macri nunca foi nada mais que um social-democrata…

Jornalismo de qualidade.

E nada disso é uma questão de ajuste ou coerência. É possível que governos não executem o que prometeram em campanha ou hajam em desacordo com a coalizão ou plataforma que os elegeu. Não é o caso argentino. Mas agora que Macri parece ter falhado, não por suas intenções mas por suas ações, é preciso que ele seja jogado para fora do espectro político dos bons. Agora Macri deve ser “apenas mais um social democrata”.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Stálin dançou foi pouco.

Para além da política institucional, esse tipo de estratégia é usado para falar sobre qualquer coisa: da crise dos refugiados à indústria cultural. O último sucesso do pop não se deve à combinação de consumo massificado e hiper mídia, trata-se um complô da Escola de Frankfurt – e não, não interessa que você mostre que Adorno criticava JUSTAMENTE a cultura de massas. Nunca ouviu falar que o

Esquenta era um programa de extrema-esquerda? Se o público não gosta do Esquenta e não gosta da esquerda logo o Esquenta é de esquerda. Extrema-esquerda. Regina Casé era uma extremista do funk. É o temido Marxismo cultural!Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Há algo terrivelmente eficaz nessa estratégia. Ela permitiu que Donald Trump criticasse Hillary Clinton como a “candidata de Wall Street” na campanha presidencial de 2016, muito embora boa parte de seu staff, incluindo o coordenador Steve Bannon, viessem do mundo das finanças. Desde a Crise de 2008, que aconteceu sob a batuta de um governo Republicano, a relação entre Wall Street e Washington se tornou ainda mais impopular. Movimentos como o Tea Party, que tentaram “renovar” o partido Republicano com um populismo de direita, diziam odiar Wall Street – embora sua agenda apontasse no sentido contrário. Vencida a eleição nada impediu que Donald Trump, numa ação típica de um membro do partido Republicano, aprovasse cortes em impostos que beneficiaram Wall Street, ou representasse o mercado financeiro como “vítima” de regulações governamentais que mais tarde seriam suavizadas por seu governo.

A fantasia de que o mundo é dominado por uma suposta hegemonia da esquerda também é muito útil para a extrema-direta. É uma maneira mover a Janela de Overton, o conjunto das ideias toleradas no discurso público, para a direita. Se Angela Merkel, líder do partido de direita União Democrata-Cristã, for repetidamente chamada de socialista fica bem mais fácil que para os políticos da AfD, partido de extrema-direita, se passarem por conservadores ou direitistas convencionais – mesmo que desde de sua fundação o partido tenha caminhado rumo a posturas cada vez mais extremas.

O discurso do ódio que está envenenando o Brasil

O discurso do ódio que está envenenando o Brasil

Um jovem protesta contra a feminista Judith Butler, o dia 8 de novembro passado em São Paulo.

A caça às bruxas de grupos radicais contra artistas, professores, feministas e jornalistas se estende pelo país. Mas as pesquisas dizem que os brasileiros não são mais conservadores

Artistas e feministas fomentam a pedofilia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o bilionário norte-americano George Soros patrocinam o comunismo. As escolas públicas, a universidade e a maioria dos meios de comunicação estão dominados por uma “patrulha ideológica” de inspiração bolivariana. Até o nazismo foi invenção da esquerda. Bem-vindos ao Brasil, segunda década do século XXI, um país onde um candidato a presidente que faz com que Donald Trump até pareça moderado tem 20% das intenções de voto.

 

No Brasil de hoje mensagens assim martelam diariamente as redes sociais e mobilizam exaltados como os que tentaram agredir em São Paulo a filósofa feminista Judith Butler, ao grito de “queimem a bruxa”. Neste país sacudido pela corrupção e a crise política, que começa a sair da depressão econômica, é perfeitamente possível que a polícia se apresente em um museu para apreender uma obra. Ou que o curador de uma exposição espere a chegada da PF para conduzi-lo a depor forçado ante uma comissão parlamentar que investiga os maus-tratos à infância.

“Isto era impensável até três anos atrás. Nem na ditadura aconteceu isto.” Depois de uma vida dedicada a organizar exposições artísticas, Gaudêncio Fidelis, de 53 anos, se viu estigmatizado quase como um delinquente. Seu crime foi organizar em Porto Alegre a exposição QueerMuseu, na qual artistas conhecidos apresentaram obras que convidavam à reflexão sobre o sexo. Nas redes sociais se organizou tal alvoroço durante dias, com o argumento de que era uma apologia à pedofilia e à zoofilia, que o patrocinador, o Banco Santander, ante a ameaça de um boicote de clientes, decidiu fechá-la. “Não conheço outro caso no mundo de uma exposição destas dimensões que tenha sido encerrada”, diz Fidelis.

O calvário do curador da QueerMuseu não terminou com a suspensão da mostra. O senador Magno Malta (PR-ES), pastor evangélico conhecido por suas reações espalhafatosas e posições extremistas, decidiu convocá-lo para depor na CPI que investiga os abusos contra criança. Gaudêncio se recusou em um primeiro momento e entrou com um pedido de habeas corpus no STF que foi parcialmente deferido. Magno Malta emitiu então à Polícia Federal um mandado de condução coercitiva do curador. Gaudêncio se mostrou disposto a comparecer, embora entendesse que, mais que como testemunha, pretendiam levá-lo ao Senado como investigado. Ao mesmo tempo, entrou com um novo pedido de habeas corpus no Supremo para frear o mandado de conduçãocoercitiva. A solicitação foi indeferida na sexta-feira passada pelo ministro Alexandre de Moraes. Portanto, a qualquer momento Gaudêncio espera a chegada da PF para levá-lo à força para Brasília.

“O senador Magno Malta recorre a expedientes típicos de terrorismo de Estado como meio de continuar criminalizando a produção artística e os artistas”, denuncia o curador. Ele também tem palavras muito duras para Alexandre de Moraes, até há alguns meses ministro da Justiça do Governo Michel Temer, por lhe negar o último pedido de habeas corpus: “A decisão do ministro consolida mais um ato autoritário de um estado de exceção que estamos vivendo e deve ser vista como um sinal de extrema gravidade”. Fidelis lembra que o próprio Ministério Público de Porto Alegre certificou que a exposição não continha nenhum elemento que incitasse à pedofilia e que até recomendou sua reabertura.

Entre as pessoas chamadas à CPI do Senado também estão o diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o artista que protagonizou ali uma performance em que aparecia nu. Foi dias depois do fechamento do QueerMuseu e os grupos ultraconservadores voltaram a organizar um escândalo nas redes, difundindo as imagens de uma menina, que estava entre o público com sua mãe e que tocou no pé do artista. “Pedofilia”, bramaram de novo. O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito e o próprio prefeito da cidade, João Doria (PSDB), se uniu às vozes escandalizadas.

Se não há nenhum fato da atualidade que justifique esse tipo de campanha, os guardiões da moral remontam a muitos anos atrás. Assim aconteceu com Caetano Veloso, de quem se desenterrou um velho episódio para recordar que havia começado um relacionamento com a que depois foi sua esposa, Paula Lavigne, quando ela ainda era menor de idade. “#CaetanoPedofilo” se tornou trending topic. Mas neste caso a Justiça amparou o músico baiano e ordenou que parassem com os ataques.

A atividade de grupos radicais evangélicos e de sua poderosa bancada parlamentar (198 deputados e 4 senadores, segundo o registro do próprio Congresso) para desencadear esse tipo de campanha já vem de muito tempo. São provavelmente os mesmos que fizeram pichações recentes no Rio de Janeiro com o slogan “Bíblia sim, Constituição, não”. Mas o verdadeiramente novo é o aparecimento de um “conservadorismo laico”, como o define Pablo Ortellado, filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP. Porque os principais instigadores da campanha contra o Queermuseu não tinham nada a ver com a religião. O protagonismo, como em muitos outros casos, foi assumido por aquele grupo na faixa dos 20 anos que há um ano, durante as maciças mobilizações para pedir a destituição da presidenta Dilma Rousseff, conseguiu deslumbrar boa parte do país.

Com sua desenvoltura juvenil e seu ar pop, os rapazes do Movimento Brasil Livre(MBL) pareciam representar a cara de um país novo que rejeitava a corrupção e defendia o liberalismo econômico. Da noite para o dia se transformaram em figuras nacionais. Em pouco mais de um ano seu rosto mudou por completo. O que se apresentava como um movimento de regeneração democrática é agora um potente maquinário que explora sua habilidade nas redes para difundir campanhas contra artistas, hostilizar jornalistas e professores apontados como de extrema esquerda ou defender a venda de armas. No intervalo de poucos dias o MBL busca um alvo novo e o repisa sem parar. O mais recente é o jornalista Guga Chacra, da TV Globo, agora também  classificada de “extrema esquerda”. O repórter é vítima de uma campanha por se atrever a desqualificar -em termos muito parecidos aos empregados pela maioria dos meios de comunicação de todo o mundo-, 20.000 ultradireitistas poloneses que há alguns dias se manifestaram na capital do pais exigindo uma “Europa branca e católica”.

Além de sua milícia de internautas, o MBL conta com alguns apoios de renome. Na política, os prefeitos de São Paulo, João Doria, e de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., assim como o até há pouco ministro das Cidades, Bruno Araújo, os três do PSDB. No âmbito intelectual, filósofos que se consideram liberais, como Luiz Felipe Pondé. Entre os empresários, o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, que se somou aos ataques contra os artistas com um artigo na Folha de S. Paulo no qual afirmava que esse tipo de exposição faz parte de um “plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo”. O objetivo seria conquistar a “hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo”, uma estratégia diante da qual “Lenin e companhia parecem um tanto ingênuos”, segundo escreveu Rocha em um artigo intitulado O comunista está nu.

“Não é algo específico do Brasil”, observa o professor Pablo Ortellado. “Este tipo de guerras culturais está ocorrendo em todo o mundo, sobretudo nos EUA, embora aqui tenha cores próprias”. Um desses elementos peculiares é que parte desses grupos, como o MBL, se alimentou das mobilizações pelo impeachment e agora “aproveita os canais de comunicação então criados, sobretudo no Facebook”, explica Ortellado. “A mobilização pelo impeachment foi transversal à sociedade brasileira, só a esquerda ficou à margem. Mas agora, surfando nessa onda, criou-se um novo movimento conservador com um discurso antiestablishment e muito oportunista, porque nem eles mesmos acreditam em muitas das coisas que dizem”. A pauta inicial, a luta contra a corrupção, foi abandonada “tendo em vista de que o atual governo é tão ou mais corrupto que o anterior”. Então se buscaram temas novos, desde a condenação do Estatuto do Desarmamento às campanhas morais, que estavam completamente ausentes no início de grupos como o MBL e que estão criando um clima envenenado no país. “É extremamente preocupante. Tenho 43 anos e nunca tinha vivido uma coisa assim”, confessa Ortellado. “Nem sequer no final da ditadura se produziu algo parecido. Naquele momento, o povo brasileiro estava unido.”

O estranho é que a intensidade desses escândalos está oferecendo uma imagem enganosa do que na realidade pensa o conjunto dos brasileiros. Porque, apesar desse ruído ensurdecedor, as pesquisas desmentem a impressão de que o país tenha sucumbido a uma onda de ultraconservadorismo. Um estudo do instituto Ideia Big Data, encomendado pelo Movimento Agora! e publicado pelo jornal Valor Econômico, revela que a maioria dos brasileiros, em cifras acima dos 60%, defendem os direitos humanos, inclusive para bandidos, o casamento gay com opção de adotar crianças e o aborto. “Em questões comportamentais, nada indica que os brasileiros tenham se tornado mais conservadores”, reafirma Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Os dados de seu instituto também são claros: os brasileiros que apoiam os direitos dos gays cresceram nos últimos quatro anos de 67% para 74%. Paulino explica que “sempre houve um setor da classe média em posições conservadoras” e que agora “se tornou mais barulhento”.

As investigações do Datafolha só detectaram um deslocamento para posições mais conservadoras em um aspecto: segurança. “Aí sim há uma tendência que se alimenta do medo crescente que se instalou em parte da sociedade”, afirma Paulino. Aos quase 60.000 assassinatos ao ano se somam 60% de pessoas que confessam viver em um território sob controle de alguma facção criminosa. Em quatro anos, os que defendem o direito à posse de armas cresceu de forma notória, de 30% a 43%. É esse medo o que impulsiona o sucesso de um candidato extremista como Jair Bolsonaro, que promete pulso firme sem contemplações contra a delinquência.

Causou muito impacto a revelação de que 60% dos potenciais eleitores de Bolsonaro têm menos de 34 anos, segundo os estudos do instituto de opinião. Apesar de que esse dado também deve ser ponderado: nessa mesma faixa etária, Lula continua sendo o preferido, inclusive com uma porcentagem maior (39%) do que a média da população (35%). “Os jovens de classe média apoiam Bolsonaro, e os pobres, Lula”, conclui Paulino. Diante da imagem de um país muito ideologizado, a maioria dos eleitores se move na verdade “pelo pragmatismo, seja apoiando os que lhe prometem segurança ou em alguém no que acreditam que lhes vai garantir que não perderão direitos sociais”.

Apesar de tudo, a ofensiva ultraconservadora está conseguindo mudar o clima do país e alguns setores se dizem intimidados. “O profundo avanço do fundamentalismo está criando um Brasil completamente diferente”, afirma Gaudêncio Fidelis. “Muita gente está assustada e impressionada.” Um clima muito carregado no qual, em um ano, os brasileiros deverão escolher novo presidente. O professor Ortellado teme que tudo piore “com uma campanha violenta em um país superpolarizado”.

     

 

O site Jornalivre está explorando seu computador sem você saber

Página ligada ao MBL “mineirava criptomoedas” às custas do processador de sua máquina.

Poucos dias depois de propor incendiários boicotes à arte, o site Jornalivre, mantido por simpatizantes do MBL e constantemente replicado pelo grupo, começou a apresentar problemas para quem o acessava. O motivo? Por meio de um script, o site está usando o computador alheio para minerar moedas virtuais.

O script é o mesmo que foi encontrado na última quarta-feira (4) no site da D-Link e pertence a uma empresa chamada Coinhive, conhecida por oferecer um arquivo .js para minerar a criptomoeda Monero.

Assim que abrimos o site, caso não usemos um antivírus que avise sobre o malware, a utilização de CPU do computador vai às alturas, o que indica que o script está usando recursos do seu computador para render uma verba a alguém. (Não são todos os antivírus que reconhecem o script como malware. O Kaspersky, por exemplo, não; Avast, sim.)

Em uma simples olhada dentro do código-fonte da página, podemos ver que, além de fazer o scr do script, que basicamente é a forma de carregar um arquivo de javascript dentro de uma página web, alguém configurou o script para rodar dentro do site para o usuário do Coinhive com a key jDZBZnZTPKAA7OHq40uuC80DASwwmsJv.

As maiores probabilidades são duas: 1) o administrador do site Jornalivre está usando a ferramenta para cunhar umas moedas virtuais às custas das nossas máquinas ou 2) o site foi hackeado por um terceiro que está no controle da ferramenta.

Há também uma terceira hipótese, menos provável: poderia existir um script da Coinhive dentro de um plugin do próprio WordPress, plataforma no qual o Jornalivre é feito.

Procurados pelo Motherboard, os responsáveis pelo Jornalivre não responderam o contato.

COMO FUNCIONA A MINERAÇÃO VIA SCRIPT

E como eles lucram? Bem, o processo funciona da seguinte maneira: em dados momentos, que são controlados por um programa que está administrando o sistema e distribuído por todos os nós (cada um dos computadores que entraram no Jornalivre), um hash (uma sequência de bits gerada por um algoritmo responsável pela encriptação do conteúdo) é emitido. Todos os nós dessa rede tentam quebrar a criptografia para chegar no valor guardado dentro desse hash. Quem conseguir, leva o valor em criptomoeda.

O esquema de mineração da moeda suga os recursos do seu computador porque ele precisa resolver uma operação matemática complexa. O que o script usado no site Jornalivre faz é “terceirizar” esse trabalho, ou seja, o processador do visitante é usado para fazer essa operação

É aí que mora o problema: o Jornalivre (ou, vá lá, a pessoa que botou esse script lá) está usando a capacidade do computador do usuário que entra no site para fazer a operação e ficar com a grana da criptomoeda. Por consequência, o visitante de suas enviesadas notícias pode ter o computador travando e gastando mais energia.

Ainda não há crime para essa função prevista em lei, mas, caso queira manter distância dessas armadilhas mineradoras, há algumas opções de defesa. Alguns dos bloqueadores de anúncio tradicionais, como o AdBlock, já estão adicionando atualizações que não permitem a execução do script de mineração. Além deles estão começando a aparecer plugins voltados especificamente para esse fim, como o NoCoin e o minerBlock.

Mas vale ficar atento: os próprios mineradores estão lançando anti-anti-blocks. Ao que parece, a briga irá longe.

Após a publicação da matéria, o script foi retirado.

O MBL e as novas senhoras de Santana

Nos anos 1980, senhoras católicas do bairro de Santana em São Paulo se juntaram para protestar contra o que consideravam imoral na programação da TV brasileira.

presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado pastor Marco Feliciano, preside sessão da comissão após ter trocado de sala e impedido a entrada de manifestantes. Na sessao foi debatida a situação da cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, cujos moradores estão contaminados por chumbo.
 Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência

 Ficaram conhecidas como as “Senhoras de Santana”, uma espécie de TFP formado só por velhinhas. Um dos principais alvos do grupo era o programa TV Mulher da Rede Globo, em que a sexóloga Marta Suplicy falava abertamente sobre sexo. Elas chegaram a ir até Brasília entregar pessoalmente ao ministro da Justiça um manifesto contra a pornografia na televisão. Foram tão bem recebidas pelos militares, que chegaram a ser convidadas a integrar órgãos censores do regime. Elas se chocavam mais com educação sexual na TV do que com a violência da ditadura militar.

Quase 40 anos depois, jovens do MBL reencarnaram as Senhoras de Santana e assumiram o legado da carolice organizada. Eles ficaram chocados com a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” em Porto Alegre, que tratava de temas ligados ao universo LGBT. O grupo enxergou apologia à pedofilia e à zoofilia em diversas obras e liderou, ao lado dos mais tacanhos grupos conservadores, uma campanha massiva contra a exposição e um boicote contra o Santander, banco que a patrocinou através da Lei Rouanet.

Apesar da chucrice que é enxergar apologia de qualquer coisa em obras de arte, o protesto é legítimo. A expressão da estupidez é um direito constitucional. Mas não deixa de ser curioso ver como nossos jovens ditos liberais modernos não se acanham em formar fileiras com a direita mais conservadora para atacar qualquer vulto que considerem de esquerda.

O MBL se defende da acusação de carolismo afirmando que o principal problema é o uso de dinheiro público para financiar uma exposição que agride parcelas da sociedade. É engraçado esse argumento vindo de uma turma que sistematicamente agride parcelas da sociedade e que já recebeu ajuda financeira de partidos políticos bancados pelo Fundo Partidário, criado com dinheiro público. A crítica à Lei Rouanet também é curiosa. Trata-se de uma lei essencialmente liberal, que transfere às empresas a escolha dos eventos culturais que irá patrocinar.

O atraso venceu e o Santander cedeu à pressão, encerrando a exposição. No dia seguinte, o Ministério Público enviou dois promotores para verificar se as denúncias faziam sentido. Um promotor da Infância e da Juventude e uma coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação e Família de Porto Alegre vistoriaram as obras e foram taxativos:

“Fomos examinar in loco, ver realmente quais obras que teriam conteúdo de pedofilia. Verificamos as obras e não há pedofilia.”

“Não há crianças e adolescentes em sexo explícito ou exposição de genitália de crianças e adolescentes. Também não há obras que façam com que a criança seja incentivada a fazer sexo com outra criança.”

Nas redes sociais, imagens das obras eram descontextualizadas e criminalizadas por gente que vê comunismo até na bandeira do Japão.

Não adiantaram as declarações do Ministério Público. O MBL e sua turma já haviam destampado o bueiro do conservadorismo radical. Nas redes sociais, imagens das obras eram descontextualizadas e criminalizadas por gente que vê comunismo até na bandeira do Japão.

Na Câmara, o deputado Jean Wyllys (PSOL) informou em plenário que o Ministério Público não havia encontrado referências à pedofilia nas obras e foi interrompido por Major Olimpo aos berros de “mentiroso! mentiroso!”. Ao tomar a palavra, o major disse que “não houve posicionamento do Ministério Público”.

Marco Feliciano aproveitou o revival sessentista para dizer que “não teve ditadura aqui. Foram 20 anos e apenas 300 pessoas mortas.” O pastor provavelmente concorda com Jair Bolsonaro, que disse que “tem que fuzilar” os responsáveis pela exposição. No Twitter, o filho de Bolsonaro também lançou mão de mentiras absurdas para demonizar a exposição:

Mesmo alertado, o filhote de Bolsonaro não deletou a postagem.

A estratégia vitoriosa de Donald Trump de taxar de “fake news” qualquer notícia que lhe contrarie, vem sendo utilizada em larga escala pelo MBL e seus colegas da direita brasileira. Não é à toa que Kim Kataguiri, principal expoente do grupo, demonstrou sua preferência pela candidatura Trump nas eleições dos EUA, país que considera “a polícia do mundo”.

O delírio conservador não se encerrou em Porto Alegre. Em Mato Grosso do Sul, deputados abriram um boletim de ocorrência contra uma artista plástica mineira na última quinta-feira. Eles foram capazes de enxergar apologia à pedofilia nesse quadro:

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(Foto: Reprodução/Atelier da artista)

A artista Alessandra Cunha, conhecida como Ropre, batizou a obra de “Pedofilia” e tinha a intenção denunciar o machismo e a violência sexual contra crianças. No auge da loucura coletiva, o quadro foi apreendido pela polícia, a coordenadora do museu foi intimada a depor na delegacia, e deputados solicitaram que o nome da artista fosse incluído no cadastro estadual de pedófilos. Não sei se as Senhoras de Santana seriam capazes de tamanha ignorância. É atrasado até para os padrões dos anos 1980.

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(Foto: Reprodução/Twitter @marcofeliciano)

A polêmica criada virou um dos temas centrais de um país que vive gigantesca crise política e financeira. O MBL pautou a imprensa e passou a semana inteira estimulando o assunto em suas redes sociais. Nunca se viu tamanha mobilização desses setores contra as denúncias de corrupção que assolam o governo de Michel Temer, por exemplo.Na mesma semana, outra notícia muito mais relevante passou apenas lateralmente no debate público: sete terreiros de umbanda e candomblé foram invadidos e destruídos por traficantes –  que seriam ligados à igrejas evangélicas – em Nova Iguaçu nos últimos meses, um acontecimento que não é incomum e que já aconteceu em outros lugares do Brasil. Esse grave atentado à liberdade religiosa não mereceu a mesma atenção do MBL e dos religiosos que se ofendem com obras de arte que consideram desrespeitosas ao cristianismo.

É triste ver jovens liberais, que poderiam arejar a direita brasileira com ideias mais progressistas, fazendo coro com a bancada evangélica e alimentando os setores mais retrógrados da sociedade. Assim como as Senhoras de Santana, eles escandalizam mais com um pênis exposto numa obra de arte do que com um deputado exaltando na Câmara um torturador do regime militar.
João Filho/The Itercept

MBL tira a máscara e entra na política

MBL: Deu a louca nos gerentes

Enquanto Temer se prepara para vender parte da Amazônia, a Eletrobras e transformar o país em um saldão de vendas, João Doria Jr. se prepara para anunciar o primeiro lote de leilões na capital paulista e deve vender até a estátua do Borba Gato.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Sem organizar uma única manifestação contra a corrupção do governo Temer e militando ativamente pela desastrosa gestão do prefeito paulistano, o MBL segue firme na trilha da hipocrisia dos seu ídolos privatizadores. Depois de nascer e crescer com o discurso do apartidarismo, nossos jovens liberais resolveram tirar a máscara e entrar firme na política partidária.

O MBL está prestes a formalizar uma aliança para as eleições de 2018 com os “cabeças pretas”, uma bancada de jovens deputados tucanos que entrou para política através de laços familiares. Não são jovens da ala progressista tucana, pelo contrário. São conservadores, anti-esquerdistas ferrenhos. Apresentam-se como novidade, dizem estar conectados com as ruas, com as redes sociais, mas não passam de versões mais descoladas dos filhos do Sarney.

São jovens, mas não representam nenhuma novidade na política. Quase todos levam sobrenomes de famílias tradicionais no cenário político brasileiro.

Bruna Furlan (SP) é filha de Rubens Furlan. Pedro Cunha Lima é filho de Cássio Cunha Lima. Pedro Vilela (AL) é filho de Teotônio Vilela Filho. Arthur Virgílio Bisneto (AM) é filho de Arthur Virgílio. E por aí vão os mandatários que mais parecem capitães hereditários.

A deputada Shéridan (PSDB-RR), por exemplo, teve na semana passada seus bens bloqueados pela justiça por improbidade administrativa. É que quando foi primeira-dama de Roraima, a jovem tucana utilizou um avião do estado para dar uma carona de volta ao Rio para Mc Sapão, que havia animado a sua festinha de aniversário de 26 anos.

Segundo um cabeça preta, a nova parceria tem como base “as ideias liberais de redução do Estado”, ou seja, estão unidos pela mesma velha tara privatizadora de sempre. Não há uma agenda inovadora. A aliança pretende lançar Kim Kataguiri do MBL para deputado federal, e cogitam até mesmo sair do PSDB caso for necessário. Mas, de olho em 2018, Tasso Jereissati quer segurar a rapaziada e já declarou ver com bons olhos a aproximação do MBL.

Hoje, o MBL já participa ativamente em diversas administrações tucanas, seja ocupando cargos, seja fazendo militância na internet. Em São Paulo, usa sua força nas redes sociais para defender o prefeito e atacar jornalistas que criticam a gestão, classificando todos como “esquerdistas”. O movimento já até faz pressão para que Doria abandone a prefeitura para ser candidato a presidente.

Na gestão Marchezan em Porto Alegre, o líder do MBL e empresário Renan Santos tem influência direta nas redes sociais do prefeito. A estratégia é a mesma usada em São Paulo: atacar ferozmente a esquerda, os jornalistas críticos, os sindicatos e o PT. A influência do MBL em Porto Alegre vai além das redes sociais. Lançado como “candidato oficial do MBL”, Ramiro Rosário (PSDB) foi nomeado secretário de Serviços Urbanos.

Assim como na capital gaúcha, o MBL tem abocanhado diversos cargos comissionados em outras cidades do país. Logo eles, que sempre militaram contra o loteamento de cargos públicos, passaram a aceitar as boquinhas numa boa. Parece que tudo muda quando se sai da arquibancada para entrar em campo e jogar. O grupo nega participar de cabide de empregos e garante que todos os nomeados têm perfis técnicos, mas isso é tão verdadeiro quanto as cidadanias que Doria tem recebido pelo Nordeste.

O mandato de Fernando Holiday em São Paulo, por exemplo, faz pouco além de atacar o PT e o PSOL. A principal bandeira do vereador é a promoção do famigerado Escola Sem Partido, um projeto estúpido e autoritário que já foi considerado inconstitucional pelo STF. Para não dizer que o mandato do jovem se resume a isso, destaco medidas populistas que não renovam em nada a prática política, mas bombam no Facebook, como doação de parte do salário para entidades carentes e outras tolices puramente demagógicas.

Em nota, a Juventude do PSDB, que esteve firme ao lado do MBL nas manifestações a favor do impeachment de Dilma, rechaçou a aliança dos “cabeças pretas” com o movimento:

Em nossa leitura, o MBL como movimento político teve importante papel no processo de impeachment da ex-Presidenta Dilma Rousseff, mas, hoje, tem sua agenda esgotada e não se observa mais utilidade a essa organização que, aliás, nunca deixou clara sua origem, seu funcionamento e, principalmente, seu método de financiamento. Não à toa, o movimento adota como prática a intimidação e a ridicularização dos seus adversários políticos, quando não da própria imprensa que ousa questionar suas falácias e hipocrisias.

O método de financiamento não é tão desconhecido assim. O MBL é financiado por uma rede de think tanks liberais dos EUA, obteve ajuda financeira de PMDB, PSDB e Solidariedade para bancar as manifestações pelo impeachment de Dilma e, ainda assim, passa o chapéu nas redes sociais pedindo um trocado.

A ligação com partidos políticos sempre existiu, mas havia ainda um certo pudor em assumir isso para não comprometer o discurso mentiroso do apartidarismo. Com a eleição de oito dos seus 45 candidatos nas últimas eleições, o MBL passou a integrar a política institucional aliada com o que há de mais velho nela.

Ronaldo Caiado (DEM), Pauderney Avelino (DEM), Darcísio Perondi (PMDB), Iris Rezende (PMDB), Mendonça Filho (Ministro da Educação) e Gilmar Mendes são alguns dos nomes da política – sim, Gilmar Mendes é um nome da política – com os quais o MBL tem bom relacionamento. A ligação com o ministro do STF é ainda mais próxima. Diferente dos outros ministros do Supremo, Gilmar quase nunca é criticado pelo grupo. Pelo contrário, no Twitter do movimento, há muitas postagens em defesa do ministro.

Ver imagem no Twitter
Além de o tratarem como “mito”, colocando óculos escuros no ministro, Kim Kataguiri e Fernando Holiday ganharam bolsas para estudar na IDP, de propriedade do ministro.
Nesta semana, com as estripulias de Gilmar Mendes indignando gregos e troianos, o MBL ensaiou uma crítica bastante tímida ao ministro no Facebook, mas nada significativo a ponto de estremecer essa relação bonita.
Para eles, Gilmar “parece ter perdido todo o bom senso e agora atua de maneira questionável libertando criminosos”. Para quem está acostumado com o estilo agressivo e  lacrador do MBL nas redes, isso é quase um cafuné.

Aproveitando o vácuo da crise de representatividade e sua forte presença nas redes sociais, o MBL vai aumentando a influência dentro da política partidária e pretende surfar o revival neoliberalista de Temer e Doria. O grupo já tem atuado como partido político, lançando candidatos, fazendo alianças e ocupando cargos públicos.

Tudo isso é legítimo. O problema é a hipocrisia de quem vende renovação na política, mas permanece intimamente atrelado às figuras mais jurássicas da política nacional e preso aos mesmos vícios da politicagem que tanto criticam. Portanto, não se enganem. Ali o novo já nasce velho.
João Filho/The Intercept

MBL é o maior difusor de notícias falsas, conclui pesquisa da USP

O estudou da AEPPSP utilizou os critérios do “Monitor do Debate Político no Meio Digital” – criado por pesquisadores da USP -, uma ferramenta que contabiliza compartilhamentos de notícias no Facebook e dá uma dimensão do alcance de notícias publicadas por sites que se prestam ao serviço de construir conteúdo político “pós-verdadeiro” para o público brasileiro.

Não são sites de empresas da grande mídia comercial, tampouco veículos de mídia alternativa com corpo editorial transparente, jornalistas que se responsabilizam pela integridade das reportagens que assinam, ou articulistas que assinam artigos de opinião.

Tratam-se de sites cujas “notícias” não têm autoria, são anônimos e estão bombando nas bolhas sociais criadas pelo Facebook e proliferam boatos, calúnias, difamações e até correntes de WhatsApp.

Características em comum

Todos os principais sites que se encaixam no conceito de “pós-verdade” no Brasil possuem algumas características em comum:

1. Foram registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registados no Brasil.
2. Não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página ‘Quem Somos’ não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
3. As “notícias” não são assinadas.
4. As “notícias” são cheias de opiniões — cujos autores também não são identificados — e discursos de ódio (haters).
5. Intensiva publicação de novas “notícias” a cada poucos minutos ou horas.
6. Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.
7. Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem-lhes parecer grandes sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.
8. São repletas de propagandas (ads do Google), o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por dia no Facebook).

Produtores

Os produtores de “pós-verdades” mais compartilhados nas timelines dos brasileiros são os seguintes:

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
* Implicante: http://www.implicante.org/
* JornaLivre: https://jornalivre.com/
* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/

Uma pesquisa mais profunda poderá confirmar a hipótese de que algumas destas páginas foram criadas pelas mesmas pessoas, seja por repercutirem “notícias” umas das outras, seja por utilizarem exatamente o mesmo template e formato.

Distribuição

Todos esses sites possuem páginas próprias no Facebook mas, de longe, os sites com mais “notícias” compartilhadas são o JornaLivre e Ceticismo Político, que contam com a página MBL – Movimento Brasil Livre como seu provável principal canal de distribuição, e o site Folha Política, que conta com a página Folha Política para distribuir suas próprias “notícias”. Ambas as páginas possuem mais de um milhão de curtidas e de repercussões (compartilhamentos, curtidas, etc.) por semana realizadas por usuários do Facebook.

O que é “Pós-verdade”?

O jornal eletrônico Nexo fez uma reportagem explicando o conceito de pós-verdade (https://goo.gl/iYgOSp). Seguem alguns destaques:

“Anualmente a Oxford Dictionaries”, departamento da University of Oxford responsável pela elaboração de dicionários, elege uma palavra para a língua inglesa. A de 2016 foi “pós-verdade” (“post-truth”).

Para diversos veículos de imprensa, a proliferação de boatos no Facebook e a forma como o feed de notícias funciona foram decisivos para que informações falsas tivessem alcance e legitimidade. Este e outros motivos têm sido apontados para explicar ascensão da pós-verdade.

Plataformas como Facebook, Twitter e Whatsapp favorecem a replicação de boatos e mentiras. Grande parte dos factóides são compartilhados por conhecidos nos quais os usuários têm confiança, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias.

Os algoritmos utilizados pelo Facebook fazem com que usuários tendam a receber informações que corroboram seu ponto de vista, formando bolhas que isolam as narrativas às quais aderem de questionamentos à esquerda ou à direita.” (Com informações da AEPPSP)


Nota Metodológica

A AEPPSP publicou, após o post, uma nota metodológica explicando os critérios para a aferição dos sites. Confira:

O mapeamento de sites que têm perfil de produção de notícias falsas e que contam com ampla distribuição em páginas do Facebook aqui realizado baseou-se nos oito critérios abaixo elencados e na lista de fontes utilizadas pelo Monitor (que não tem qualquer responsabilidade por estudos derivados dos dados que eles publicam, vale reforçar).

O principal critério utilizado foi o anonimato, mas não o único. Pareceu-nos um bom critério: “Constituição Federal, Art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO O ANONIMATO;”.

Catalogamos todos os sites listados pelo Monitor nas categorias imprensa e comentário alternativo de esquerda e de direita e então, dentre aqueles cuja responsabilidade pelos conteúdos publicados não é possível de ser identificada (os sites e/ou as matérias são anônimos), aplicamos os demais critérios.

Isto não quer dizer que sites autorais estejam livres de produzir notícias falsas, tampouco que sites cujos autores preferem não se identificar não possam produzir material honesto e de qualidade jornalística.

Para evitar distorções e qualquer viés neste estudo ainda inicial, preliminar, ampliaremos a listagem inicial com TODOS os sites mapeados seguindo unicamente o critério de ANONIMATO, e nenhum outro.

Deste modo, entendemos que pesquisas mais refinadas possam ter neste nosso mapeamento uma fonte de inspiração. Compartilhamos aqui uma planilha online para dar a máxima transparência deste levantamento que, reforçamos, ainda é bastante preliminar e pode ser aprimorado por qualquer pesquisador interessado no assunto.

Finalmente, lamentamos por quaisquer incompreensões e distorções derivadas deste mapeamento e estamos abertos para aprimorá-lo. Nosso objetivo é contribuir com todos aqueles que estão empenhados na luta para que a Internet brasileira seja um espaço democrático e livre — livre, inclusive, de haters, de discursos de ódio e de notícias falsas.

Lista com os 17 sites ANÔNIMOS mapeados, ordenados em ordem alfabética e sem outros filtros:

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
* Click Política: http://clickpolitica.com.br/
* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
* Implicante: http://www.implicante.org/
* JornaLivre: https://jornalivre.com/
* PassaPalavra: http://www.passapalavra.info/
* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/
* Política na Rede: http://www.politicanarede.com/
* Rádio Vox: http://radiovox.org/
* Rede de Informações Anarquista: https://redeinfoa.noblogs.org/
* Revolta Brasil: http://www.revoltabrasil.com.br/

Michel Temer e a República dos Velhacos

E assim será com todos os governos que carregarem para dentro deles essas figurinhas mais do que carimbadas.

A Folha nos presta um grande desserviço trazendo em sua página inicial de hoje as piores possibilidades para futuros presidente: Marina, Lula, Serra, Aécio, Alckmin

Pergunto, este país tem jeito com essa turma aí no poder?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Pois é. Enquanto a imprensa fica falando de Dilma, que Lula bla bla bla, assuntos já encaminhados, este grupo que tá mamando há muito tempo, inclusive na Petrobras já no governo FHC, estes senhores Jucá, o Caju, Renan o Justiça (vai ver que é porque foi ministro da Justiça do ilibado FHC), Padilha, Geddel e Temer, subiram a rampa para tentar fugir da Justiça.

A maioria da imprensa foi cúmplice disso e manifestante que saiu às ruas, com discurso de moralidade, gritando fora Dilma, se não sair agora vai revelar sua verdadeira face. Não se importa de ser roubado desde que não seja por petralhas. Estes serão a mais pura hipocrisia.

E notícias ruins de tucanos não ficam nem meia hora nas manchetes. Não são somente os políticos que são cínicos não.

E cadê a Fiesp, que tem um diretor e político citado, também, e cadê o MBL?

Brasil: Ocupação das Escolas e a Guerra Híbrida

Sindicatos, Partidos Políticos e MBL inflamam tensões nas ocupações das escolas.

mentirasverdadesblog-do-mesquita

Asnos! Com todo o respeito aos ruminantes.
A jovenzinha do discurso meloso na Assembleia Legislativa do Paraná, é filha de um militante do PT.

Decorou bem direitinho o ‘script’. Fez o que seu papai com ela ensaiou.

Enquanto os alunos das escolas públicas perdem aulas, meu neto, por exemplo, está em aula hoje, sábado, no Farias Brito – os alunos das escolas privadas se adiantam e estarão qualificados para o mercado de trabalho, – enquanto as turmas das ocupações, sem entrar no mérito das reivindicações, ficarão para trás.

E é exatamente esse “filtro” que o sistema quer. Essa estratégia de dificultar acesso ao conhecimento de uma camada específica do estrato social em países em desenvolvimento, é muito bem aplicada pelos que implementam a pouco conhecida “Guerra Híbrida“.

Estratégia definida na Convenção de Bretton Wood, 1944, e operacionalizada pelos Bilderbergs.

Acordem bobinhos. Vocês são mera massa de manobra a serviço do sistema.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]