Mandela e a hipocrisia

Millor Fernandes escreveu que no velório é a única vez na qual todo mundo fala bem do morto.

Assim é agora na morte de Mandela. O líder sul africano, longe ser um pai Tomas era um Pantera Negra.

Os líderes brancos da civilização cristã ocidental, jamais moveram uma palha em seu favor durante os 28 anos em que amargou um prisão draconiana de Robben Island, presídio capaz de humilhar Alcatraz e a Ilha do Diabo, durante o nazista regime racista Sul Africano.

A fina flor do conservadorismo reacionário, capitaneada pelos seus sabujos mais proeminentes, Ronald Reagan e Margaret Hilda Thatcher, o consideravam comunista e terrorista.

Agora o desfile da hipocrisia tomará conta do velório de Mandela, com líderes mundiais cantando loas ao homem que lutou com todas as armas contra a discriminação oficializada na África do Sul.

Que ele retorne do além para assombrar o cinismo dessa corja, que agora se valerá dos funerais para pousar de vestal da liberdade racial.


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Brasil – Da série “Acorda Brasil” – Lula “tá de olho na boutique dela”

O apedeuta do planalto, o grande chefe dos tupiniquins, finge que não tá nem aí com o bode que ele mesmo diz que não colocou na sala.

Na verdade sua (dele) excelência, “só pensa naquilo”. Aquilo, no caso é o  – argh! – imoral terceiro mandato.

Leiam o que escreve hoje, a esse respeito, o jornalista Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa:

Um estranho telegrama
BRASÍLIA – No último dia 17 o presidente Lula enviou ao primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, o seguinte telegrama: “Recebi com especial satisfação a notícia da vitória de Vossa Excelência no pleito eleitoral realizado dia 13 de novembro. Sei que se trata da terceira vez que o povo dinamarquês confia a Vossa Excelência a elevada tarefa de conduzir o governo da Dinamarca, fato que demonstra o sucesso de sua administração.

Antecipo a satisfação que terei de dar continuidade aos profícuos entendimentos que tivemos quando da visita de Vossa Excelência ao Brasil, em abril deste ano, bem como por ocasião de minha visita à Dinamarca em setembro último, da qual guardo as melhores recordações. Estou certo de que nosso trabalho assinala a elevação do relacionamento entre nossos países a novos patamares de excelência.

Peço-lhe receber, juntamente com minhas sinceras felicitações, os votos de sucesso e de felicidade pessoal, que estendo a todo o povo dinamarquês. Mais alta estima. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil.”

Trata-se de mensagem protocolar, em resposta a um comunicado do primeiro-ministro reeleito pela terceira vez, mas, convenhamos, que hora mais desastrada para elogiar a permanência de um governante em função do sucesso administrativo.

Pelos comentários anteriores do presidente Lula, Anders Rasmussen é mais um a integrar a lista encabeçada por Margaret Thatcher, John Major, Tony Blair, Felipe Gonzalez, Helmut Kholl, François Mitterrand e quantos mais que permaneceram à frente de governos por longos períodos, sem restrições diante de um bom desempenho administrativo. Entenda quem entender, mas se o ponto central das reeleições reside na capacidade do governante, abre-se larga avenida para a aplicação do princípio em qualquer sistema de governo, parlamentarista ou presidencialista…