Ahmadinejad: Adivinhe quem não veio para o jantar

Hugo Cháves e Mahmoud Ahmadinejad

Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema: o presidente Mahmoud Ahmadinejad planejou sua viagem à América Latina, nesta semana, sem sequer consultar o Palácio do Planalto ou o Itamaraty sobre a possibilidade de uma escala em Brasília.

A viagem inclui Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua e se presta a mostrar apoio em tempos de crescente isolamento iraniano.

É palpável o alívio no governo brasileiro por escapar do constrangimento de uma eventual sondagem.

O Brasil tem uma agenda mais modesta a tratar com Teerã.

Por um breve momento, em setembro do ano passado, o Irã chegou a ultrapassar a Rússia como o maior comprador da carne bovina brasileira.

Ao fim do ano, porém, manteve a segunda posição, com compras pouco inferiores a US$ 700 milhões, uma queda de 15% em relação às vendas do ano passado.

Dessa vez não houve carta, telex, e-mail ou telefonema

Curiosamente, porém, quem tem se queixado ao governo brasileiro são os exportadores de frango. Eles terminaram o ano com vendas 9,5% maiores que em 2010, mas afirmam, em conversas reservadas, estarem enfrentando sérias dificuldades para obter licenças de importação no Irã.

O ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, aproveitou a reunião da Organização Mundial do Comércio, há um mês, em Genebra, para pedir à delegação iraniana explicações sobre o bloqueio ao frango brasileiro, iniciado por volta de setembro. Os iranianos disseram desconhecer o caso e prometeram atender às preocupações brasileiras.

O Irã segue como segundo maior comprador de carne bovina e o maior mercado para o milho do Brasil, produtos teoricamente a salvo das sanções contra o país. No caso do milho, pode se revelar mercado essencial em 2012, com o fim do subsídio nos EUA ao etanol, que traz a ameaça de um derrame do cereal americano no mercado.

A tese de que o veto ao frango seria uma retaliação à atuação menos favorável ao Irã adotada pelo Brasil nas Nações Unidas é levantada no setor privado, mas diplomatas brasileiros dizem ser mais plausível crer que as sanções econômicas contra o Irã têm criado dificuldades cambiais que se refletem nas compras externas do país.

Na importação de produtos iranianos pelo Brasil, esse reflexo é evidente, e é também explicado pela dificuldade em se encontrar bancos dispostos a fazer a operação de crédito, especialmente envolvendo remessas de dinheiro aos iranianos: o Irã caiu vinte posições, para o 85º lugar entre os fornecedores mundiais do Brasil, em 2011.

Em valor, a queda foi de 71%, para apenas US$ 35 milhões, US$ 31,5 milhões dos quais em polímeros para a indústria de plásticos. O segundo item na pauta, que teve queda de 82% nas compras pelo Brasil, são as uvas e passas, das quais o país importou US$ 1,3 milhão no ano passado.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Curiosamente, os iranianos acuados pelas sanções internacionais se revelaram em 2011 um bom mercado para certos produtos industriais brasileiros: as compras de manufaturados do Brasil pelo Irã cresceram quase 150%, puxadas, sem exagero, a trator: foram vendidos US$ 143 milhões em tratores e US$ 31 milhões em chassis para veículos, no ano passado. Milho, açúcar e produtos de soja ainda respondem, porém, pela maior parte das vendas brasileiras ao país.

O Irã passou de 23º a 25º maior mercado para as vendas brasileiras e o detalhamento da pauta de comércio com o país em 2011 mostra que o modesto crescimento de 10% nas exportações esconde oportunidades bem aproveitadas pelas empresas brasileiras.

Como o Irã desperta no mundo emoções bem mais intensas, e problemas bem mais profundos, do que os provocadas por carnes, milho e tratores, o drible de Ahmadinejad no Brasil levanta a curiosidade sobre que fim terá levado a agenda política entre os dois países, que teve seu ponto alto nas negociações promovidas por Brasil e Turquia, de um acordo com Teerã para monitoramento externo de seu programa nuclear.

O acordo, que seguiu fielmente as linhas de um esforço anterior, tentado pelas potências ocidentais e rechaçado em Teerã, hoje é visto por analistas sérios como uma oportunidade perdida para comprometer os iranianos em negociações diplomáticas.

Autoridades em Brasília dizem que essa agenda política poderia ser ressuscitada, ainda que com bem menos entusiasmo do que no governo Lula, caso houvesse algum pedido para participação do Brasil em novas negociações.

De Teerã, há dias, saiu um apelo à intermediação da Turquia, mas os tempos de engajamento com o Brasil parecem realmente passados.

Resta a questão dos direitos humanos, que, pelo jeito, também entraram no ritmo dos despachos cotidianos. Recente recusa da presidente Dilma Rousseff de receber oposicionista iraniana para falar de direitos humanos passou sem reação notável.

Mesmo as almas aflitas com o destino das vítimas da teocracia iraniana, tão ativas por aqui no ano passado, perderam o ímpeto, agora, tão longe do calor das disputas eleitorais no Brasil.
Por Sergio Leo/Valor
E-mail:; sergio.leo@valor.com.br

Brasil, direitos humanos e os Aiatolás

A presidente Dilma, como se diz na linguagem popular, parece estar iniciando um “revertério, na política externa brasileira. Apesar da ainda inexplicável presença de Marco Aurélio “Top-Top” Garcia na assessoria de D. Dilma, a ‘real politik’ prevalece sobre os desvairos ideológicos.
Mesmo antes de assumir, recentemente eleita, a presidente Dilma marcou posição sobre o controverso tema:

“Não concordo com as práticas medievais características que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu não farei nenhuma concessão em relação a isso”.
“Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição”.

Ave!

O Editor


Brasil muda de rumo, vota contra Irã na ONU e irrita regime dos aiatolás

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Após dez anos de atuação diplomática que poupou Teerã de censura em fóruns internacionais sobre direitos humanos, País dá sinal de que o Itamaraty agirá com menos condescendência em relação a Estados que promovam violações de garantias individuais

Marcando uma mudança importante na atuação da diplomacia brasileira, a representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU votou ontem em favor de uma proposta, patrocinada por EUA e Europa, que determina o envio de um relator independente para investigar a situação das garantias individuais no Irã. O regime iraniano reagiu irritado.

A diplomacia iraniana acusou o País de “dobrar-se” à pressão dos EUA e insinuou uma traição. Argélia, Paquistão e outros países islâmicos também atacaram a posição brasileira. A nova posição do Brasil – antecipada na véspera pelo Estado – , que nos últimos dez anos havia poupado o regime iraniano de censura em fóruns internacionais, foi comemorada por ONGs e países ocidentais.

A proposta foi aprovada com 22 votos a favor e 7 contra, com 14 abstenções. Entre os aliados do Irã estavam Cuba, China e Paquistão. A esperança de Teerã era de que o governo brasileiro se abstivesse, repetindo o padrão de votação durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva – que havia buscado intensificar a aproximação com o Irã para se apresentar até mesmo como mediador na questão nuclear entre Teerã e Washington.

Ontem, o mal-estar na relação com o Irã ficou explícito. “É mesmo lamentável ver o Brasil adotar essa posição”, afirmou o embaixador do Irã na ONU, Sayad Sajjadi. “Não esperávamos isso do Brasil”, disse.

Na segunda-feira, um dia depois da saída de Barack Obama do Brasil, o iraniano pediu uma reunião com a missão brasileira em Genebra, justamente para pressionar por uma mudança de posição. Seu recado foi de que Brasília não poderia fazer parte da campanha americana. Mas não foi ouvido.

Em seu discurso ontem à ONU, Sajjadi acusou a resolução de fazer parte de uma “campanha política organizada pelos EUA”. “Mais uma vez, o tema de direitos humanos tem sido manipulado para defender os interesses de alguns”, alertou. Segundo ele, são os EUA os maiores responsáveis por violações no mundo, citando o apoio a Israel, guerras no Iraque e Afeganistão e prisões secretas pelo mundo.

“Queremos manter o diálogo e esperávamos que a ONU fosse o lugar para isso. No Irã, estamos trabalhando pelos direitos da população e isso tem florescido”, alegou, contradizendo o relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon que aponta que a repressão tem sofrido uma alta preocupante no Irã.

Questionado se a relação comercial com o Brasil e a eventual participação na negociação nuclear seria afetada, o embaixador não foi otimista. “Isso é o que teremos de ver agora”, alertou.

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, minimizava o voto e se esforçava para convencer de que o voto não era contra o Irã nem uma admissão dos erros do governo Lula.

“É um voto a favor do sistema, não é um voto que é contra o Irã”, disse. Segundo ela, o voto é ainda “coerente” com as posições que o país tem defendido na ONU. “Estamos dizendo a todos os países da ONU que a abertura para o sistema, receber visitas e dialogar é importante”, apontou. Para ela, o governo Dilma insistirá que todos os países terão de ter um mesmo tratamento.

Mahmoud Ahmadinejad mantinha a relação com o Brasil como prova de que nem todo o mundo ocidental e democrático era contra o Irã. Mas nos primeiros dias do governo de Dilma – que em declarações públicas e entrevistas posicionou-se de forma contrária à sentença de apedrejamento da prisioneira iraniana Sakineh Ashtiani e deixou claro que não transigiria em temas de direitos humanos -, os iranianos já haviam se mostrado irritados com a presidente. Há um mês, em entrevista ao Estado, o chanceler iraniano confirmou atritos na relação bilateral.

Ontem, Mohammad Reza Ghaebi, negociador iraniano para temas de direitos humanos, foi ainda mais duro: “Neste momento que o Brasil deveria mostrar que é um país independente, e não um país pequeno que se curva aos interesses dos EUA”, acusou. “É lamentável. Era uma questão de princípios”, afirmou.

Orientado pessoalmente pela presidente, a ordem do Itamaraty era a de mostrar que o Brasil terá uma nova posição sobre direitos humanos. Outra constatação do País foi de que as oportunidades já foram dadas ao Irã por anos e Teerã não as aproveitou.

Do lado iraniano, porém, o sentimento de traição não vem por acaso. Na última década, o governo brasileiro se absteve ou votou contra todas as resoluções que condenavam o Irã. No ano passado, o Brasil foi um dos dois únicos países a não apoiar sanções contra Teerã por seguir com seu programa nuclear. No final de 2010, o Brasil absteve-se numa resolução que condenava o apedrejamento no Irã. Na ocasião, o ex-chanceler Celso Amorim alegou que “não votaria para agradar à imprensa”. Ontem, apenas ditaduras votaram em favor do Irã.

Países islâmicos, que durante o governo Lula foram poupados de críticas por parte do Itamaraty, também não economizaram críticas ao Brasil. “O novo governo brasileiro está votando para agradar à opinião pública interna e ao Ocidente, não para mudar a vida dos iranianos”, afirmou o embaixador da Argélia na ONU, Idriss Jazairy. Zamir Akram, embaixador do Paquistão na ONU -, falando em nome da Organização da Conferência Islâmica foi outro que criticou a diplomacia brasileira. “Vimos hoje uma mudança da visão do governo brasileiro”, lamentou.

CRONOLOGIA

As relações com o Irã

Novembro de 2008

Parceria econômica

Chanceler Celso Amorim visita Teerã acompanhado de 30 empresários

Junho de 2009

Eleições no Irã

Em campanha, Ahmadinejad cancela visita ao Brasil. Mesmo com graves indícios de fraude eleitoral, Lula qualifica protestos da oposição de “choro de perdedor” e os compara a “rixa entre vascaínos e flamenguistas”.

Setembro de 2009

Encontro

Lula reúne-se com Ahmadinejad na ONU

Novembro de 2009

Ahmadinejad no Brasil

Presidente iraniano realiza sua primeira visita oficial ao Brasil em giro pela América Latina

Dezembro e 2009

Diplomacia

Amorim visita o Irã e pede que Ahmadinejad não abandone diálogo nuclear

Abril de 2010

Crédito aos iranianos

Missão econômica liderada pelo governo brasileiro vai ao Irã para ampliar as linhas de

crédito entre os dois países

Maio de 2010

Viagem ao Irã

Lula é o primeiro presidente brasileiro a visitar o Irã. Durante a viagem, Brasil une-se à

Turquia para mediar um acordo internacional para que Teerã aceitasse discutir o seu programa nuclear. Proposta foi recusada pela ONU

Junho de 2010

Novas sanções

Brasil votou contra a imposição de uma nova rodada de sanções do Conselho de Segurança

Novembro de 2010

Caso Sakineh

Lula ofereceu asilo à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, o que foi recusado por Teerã.

Na ONU, Brasil recusa-se a apoiar resolução que condena o apedrejamento, sob a alegação de que se trata de “questão cultural”

Dezembro de 2010

Sinais de distanciamento

Dilma Rousseff diz que Itamaraty errou ao não votar contra as violações dos direitos humanos no Irã. Em telefonema, a chancelaria iraniana fez um protesto formal contra as declarações na nova administração

Janeiro de 2011

Mudança de posição

Brasil posiciona-se ao lado de potências do Conselho de Segurança e recusa-se a integrar grupo que visitaria centrais atômicas iranianas, a convite de Teerã, afirmando que o trabalho de inspeção deve ser feito pela ONU

Jamil Chade/O Estado de S.Paulo

Dilma Rousseff, Irã e direitos humanos

Europa e ONGs elogiam posição de Dilma sobre Irã

Comissão Europeia, no entanto, pede que mudança em relação à diplomacia de Lula não se limite a temas sobre direitos da mulher

Países europeus e Organizações Não-Governamentais (ONGs) na ONU comemoraram as declarações da presidente eleita, Dilma Rousseff, de que estaria disposta a mudar o padrão de votação do País em resoluções que tratem das violações aos direitos das mulheres no Irã.

Mas pediram que a mudança não se limite a temas relacionados à situação da mulher, aos direitos humanos em geral.

Na Comissão Europeia, as declarações de Dilma foram também muito bem recebidas e uma mudança na posição do Brasil era esperada há anos.

“O Brasil é uma democracia que tem um papel fundamental hoje nas relações internacionais. Estamos ansiosos para começar a trabalhar com a nova presidente”, afirmou um diplomata, em um e-mail enviado ao Estado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No domingo, Dilma declarou em uma entrevista ao Washington Post que a decisão do Itamaraty de se abster em uma resolução na ONU que condenava o apedrejamento de Sakineh Ashtiani – iraniana condenada à morte por adultério – foi um erro. Há apenas uma semana, o chanceler Celso Amorim havia defendido a opção de abstenção do Brasil, alegando que ele não votava “nem para agradar a imprensa e nem certas ONGs”.

Nos bastidores, diplomatas europeus esperam que a declaração seja o início de uma mudança no posicionamento do Brasil, admitindo não apenas a necessidade de dialogar com os iranianos, mas também a necessidade de usar esse canal aberto com Teerã para pressionar o governo por modificações na proteção de direitos humanos no país.

Mudança

Para Bruxelas, a declaração brasileira vem em um momento em que se revela o Irã mais isolado que nunca. Uma mudança na posição do Brasil seria, portanto, um golpe ainda mais duro.

Nos últimos quatro anos, o tema iraniano foi alvo de controvérsia nas relações entre Bruxelas, Washington e Brasília. Enquanto o mundo criticava a opressão contra os manifestantes que saíram às ruas para protestar em relação às eleições vencidas por Mahmoud Ahmadinejad, Lula preferiu apenas dizer que eram protestos de “torcedores” do time derrotado, comparando a eleição a um Fla-Flu.

Lula ainda criticou a interferência inicial da comunidade internacional em relação ao apedrejamento de Sakineh. Semanas depois, ofereceu asilo em um discurso de campanha para Dilma.

Mina Ahadi, presidente do Comitê Internacional contra Execuções, comemorou a declaração de Dilma e quer agora enviar uma delegação ao Brasil para discutir com a nova presidente a participação do País na defesa de direitos humanos.

“Uma mudança no padrão de votação do Brasil é muito importante. Sabemos como o Brasil é importante para o Irã e, portanto, ter o Brasil do nosso lado é fundamental” disse Mina, que atua como uma espécie de líder da campanha de apoio a Sakineh.

Para Lucia Nader, da ONG brasileira Conectas, a posição de Dilma é positiva. Mas faz seu alerta: “Recebemos com esperança as declarações da presidente eleita, pois se o Brasil quer ocupar papel de destaque no cenário internacional não pode ser ambíguo em relação a princípios e valores”, disse.

“Cabe ressaltar que a Constituição Federal é enfática ao estabelecer que o Brasil deve reger-se em relações internacionais pela prevalência dos direitos humanos”, acrescentou. “É também importante que a política externa seja mais transparente e aberta à participação da sociedade brasileira”, completou.

Na Anistia Internacional, a percepção é de que o Brasil seria o único país dos Brics que poderia de fato dar um peso maior às questões de direitos humanos na agenda internacional.

Leon Saltiel, da ONG pró-israelense UN Watch, também elogiou as declarações de Dilma, mas espera que a mudança seja mais ampla. “Só esperamos que a mudança ocorra na prática, nas votações”, disse.

Jamil Chade de Genebra/O Estado de S. Paulo

Israel tem tecnologia para atacar o Irã

O avião não tripulado Eitan.
Nova arma de Israel para possível ataque às instalações nucleares do Irã.

Israel já teria condição de atacar o Irã, mas nega que tenha intenção.

Enquanto jornalistas, políticos e acadêmicos em todo o mundo aguardam o resultado prático das novas restrições econômicas impostas ao Irã, crescem as apostas israelenses em tecnologia para conter o programa nuclear da República Islâmica. O discurso oficial adotado pelo governo de Israel garante que uma ação militar em solo iraniano está descartada num futuro próximo, mas não esconde o fato de que o temor da nuclearização de Teerã é hoje um dos únicos – senão o único – consenso nacional no país: Israel está seguro de que um Irã nuclear ameaça sua existência e crê que sanções não são obstáculo no caminho rumo à bomba.

O premier Benjamin Netanyahu vem enfrentando crescentes pressões de seu governo conservador – sobretudo do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Beitenu – por dar ao mundo a impressão de que Israel concorda em deixar a questão iraniana nas mãos de Washington, mas, internamente, a única certeza quanto ao destino das milhares de centrífugas iranianas é a de que todas as opções estão sobre a mesa.

Há três meses, entrou em operação o que Israel considera um dos atores principais de uma eventual ofensiva ao Irã: o novo avião não tripulado Eitan, com autonomia de voo de cerca de 20 horas sem reabastecimento e a capacidade de carregar dezenas de toneladas de bombas. A chegada da moderna aeronave – do tamanho de um Boeing 737 comercial e completamente controlada por computador – aumentou os rumores de que, mesmo sem apoio internacional, o país poderia ousar uma manobra para impedir que o governo de Mahmoud Ahmadinejad tenha capacidade de produzir sua primeira ogiva nuclear.

Não há sequer uma semana sem a divulgação de alguma perspectiva alarmante sobre um suposto ataque israelense às instalações nucleares, nos mesmos moldes do ocorrido em 1981, quando Israel bombardeou e destruiu a usina de Osirak, no Iraque. Mas, apesar de uma Força Aérea com tecnologia militar de ponta, o analista militar Alon Ben-David, do Canal 10 da TV de Israel, observa que um dos maiores trunfos do país pode ser o fato de que – segundo ele – governo e Exército estejam despistando a opinião pública mundial.

O coronel de reserva Zeev Raz, chefe da esquadrilha que bombardeou Osirak, tenta conter a euforia e adverte que, apesar da tecnologia de reabastecimento em voo para enfrentar o longo percurso, a empreitada exigiria participação humana. O ex-piloto lembra ainda o desafio emocional de missões de grande porte. Segundo ele, quando o governo Menachem Begin autorizou a ofensiva, todos sabiam que a missão poderia acontecer: foi um ano de treino no Mar Mediterrâneo e em cápsulas de simulação.

Globo Online

Acordo nuclear com o Irã. Oposição americana é criticada

Comportamento dos EUA é alvo de críticas sobre Irã

Analistas atribuem recuo a pressões internas

O fato de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter apresentado à ONU uma proposta de impor sanções ao Irã, um dia depois do Brasil e da Turquia terem obtido do governo iraniano um acordo de ceder à demanda daquela instituição para que enviasse urânio para ser enriquecido no exterior — num grau suficiente apenas para uso médico e energético — é visto por especialistas brasileiros em relações exteriores como uma rendição de Obama a pressões internas.

— Fica claro que o Brasil tinha uma ação responsável quando abriu as negociações com o aval dos EUA. A carta (de Obama para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de sua viagem à Teerã) prova isso — disse Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista.

Ela se referia ao fato de Obama ter afirmado à Lula, que se o Irã concordasse em enviar 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido em outro país, a um grau suficiente apenas para uso médico e energético, “geraria confiança e diminuiria as tensões regionais”. Foi exatamente isso que Brasil e Turquia obtiveram do governo iraniano.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Para Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a divulgação da carta deixa clara a divisão do governo americano.

Ele lembra que o presidente Obama já havia indicado que desejava um acordo com o Irã, mas teve que ceder às pressões da elite política e intelectual dos EUA.

Integrantes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado criticaram o recuo. O líder em exercício do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), disse que a insistência dos EUA em impor novas sanções ao Irã desmoraliza Obama. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), viu a carta de Obama como um “incentivo” a que o Brasil avançasse nas negociações.

Mas ressalvou que ela também continha um alerta de que um acerto com o presidente Mahmoud Ahmadinejad careceria de garantias.

Diante do mal-estar causado pelo recuo de Obama, o secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, enfatizou as boas relações bilaterais: — Estamos nos dando bem numa quantidade enorme de assuntos. A lista é muito longa. Estamos extremamente comprometidos em manter uma forte ligação com o Brasil. Tivemos uma diferença de avaliação em relação ao Irã — disse ele sexta-feira, em Atlanta, antes da divulgação de trechos da carta.

O Globo

Irã assina acordo nuclear mediado por Lula e Turquia

Vixe!!! Agora os “cumpanheiros” vão querer o Nobel da Paz pro chefe dos Tupiniquins. E, se, FHC se mudará para o polo sul.
O Editor

O Brasil amanhece sob o impacto de uma notícia vinda de Teerã. Uma novidade que traz as digitais de Lula.

Os brasileiros ainda dormiam quando Lula foi ao café da manhã, nesta segunda (17).

Dividiu a mesa com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Depois de se alimentar, os três foram ao encontro dos jornalistas. Trouxeram à luz um acerto esboçado na véspera.

Sob a mediação do Brasil e com a participação da Turquia, o Irã concordou em assinar um acordo para a troca de urânio por combustível nuclear.

Ao lado dos chefes e sob olhares dos repórteres, os ministros das Relações Exteriores dos três países assinaram o acordo.

Coube ao porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, esmiuçar os termos do entendimento.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pretende-se que a coisa funcione assim: O Irã enviará à Turquia 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%).

O urânio ficará guardado na Turquia, sob vigilância turca e iraniana, pelo período de um ano.

Decorridos os 12 meses, o Irã receberia em troca 120 quilos de urânio enriquecido a 20% da Rússia e da França. Material destinado a pesquisas médicas.

Trata-se de uma fórmula parecida com a que havia sido sugerida, no final do ano passado, pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU).

A diferença é a presença da Turquia como fiel depositária do urânio do Irã. O governo turco mantém boas relações com Teerã e também com o Ocidente.

Comprometeu-se a devolver o urânio a Teerã caso os russos e os franceses não cumpram com a sua parte no acordo.

O acerto será submetido agora à AIEA. Só vai ser implementado se obtiver o aval da agência da ONU.

Imagina-se que o novo cenário pode esvaziar o balão das retaliações ao Irã, soprado pelos EUA, com a ajuda da comunidade Europeia.

Se tudo correr como planejado, Lula voltará para o Brasil diferente. A barriga do presidente se converterá numa espécie de segundo peito.

Será difícil para a oposição aturá-lo. Um pedaço do petismo já falava, na noite passada, em articular a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

Proto-inimigo do regime de Teerã, Israel apressou-se em borrifar água fria na fervura diplomática.

Minutos depois do anúncio do acordo, o governo israelense mandou dizer que o Irã está apenas “manipulando” o Brasil e a Turquia.

blog Josias de Sousa

“Lula não deveria se unir a governos criminosos”, diz Nobel da Paz iraniana

Não quero transformar esse espaço em uma reprodução de matérias do jornal impresso. Mas, como o Irã é assunto recorrente no blog, coloco para discussão aqui o conteúdo da entrevista que fiz com a Nobel da Paz iraniana, Shirin Ebadi, publicada pelo Estado na edição desse domingo.

Conheci Shirin pessoalmente em Teerã, em 2007. Com seus pouco mais de 1m50 de altura, ela abriu pessoalmente a porta do seu pequeno escritório para mim. Fez sinal para que eu entrasse e a passos rápidos atravessamos uma recepção lotada de mulheres até a sua sala.

Eram iranianas a quem Shirin defende gratuitamente, com ajuda do U$ 1,3 milhão que recebeu pelo prêmio, em 2003. Para quem quiser saber um pouco mais sobre a sua história, recomendo ler o livro ainda sem tradução para o português Iran Awakening (O Despertar do Irã, na tradução livre).

As entrevistas que fiz com Shirin, em 2007 e na semana passada, constarão do livro que preparo para esse ano sobre o país dos aiatolás. Conto com vocês para me ajudar nessa tarefa com críticas, comentários, sugestões e reflexões sobre esse tão distante e controverso Irã.

Shirin Ebadi tem um recado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Diga a ele que não deveria fazer amizade com governos criminosos.” O apelo é de uma Nobel da Paz e ela se refere à aproximação do Brasil com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, selada por sua visita oficial ao País, em novembro, que deve ser reforçada com a ida de Lula ao Irã, agendada para junho.

Desde as eleições presidenciais que levaram Ahmadinejad ao segundo mandato, provocando protestos por possíveis fraudes nas urnas, Shirin está refugiada com a família na Alemanha. Em Teerã, 40 manifestantes foram mortos em confronto com a polícia, segundo números oficiais – organizações civis falam em mais de 80.

Cerca de 100 opositores foram julgados desde agosto, 5 deles condenados à morte. Na quarta-feira, o governo iraniano anunciou para o dia 7 o julgamento de sete líderes da fé bahai (leia abaixo).

“Será que ele (presidente Lula) não vê o que está acontecendo nas ruas de Teerã? Como pode fazer amizade com um governo que mata seus jovens e estudantes, sua gente?”, diz. As amizades do presidente Lula preocupam Shirin por ele ocupar uma posição de destaque cada vez maior no cenário internacional.

Em fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU discutirá novas sanções contra o programa nuclear do Irã, e o Brasil, que desde o dia 1º ocupa vaga não-permanente no órgão, terá de se posicionar. No lugar do embargo econômico, “que só faz prejudicar os iranianos”, Shirin defende o isolamento político do presidente Ahmadinejad.

Ela foi a primeira mulher muçulmana a receber um Nobel da Paz, também o primeiro concedido a um iraniano, em reconhecimento por seu trabalho na defesa dos direitos humanos em um regime que triunfou com sua ajuda e, mais tarde, quase lhe tirou a vida.

Shirin era, então, a primeira juíza e única representante feminina na corte do monarca xá Reza Pahlevi, visto pela população como corrupto, que esbanjava gastos em festas regadas a champanhe francês enquanto os iranianos empobreciam, além de impor costumes ocidentalizados demais para um povo com 2,5 mil anos de história.

Foi contra tudo isso que Shirin se colocou, motivada pela ideia de democracia islâmica estampada na figura do carismático aiatolá Ruhollah Khomeini, que prometia resgatar o orgulho iraniano e princípios de igualdade e Justiça com a Revolução de 1979.

Estava enganada. Triunfado o regime, Shirin foi impedida de exercer o cargo de juíza e viu-se em um limbo supostamente imposto pela religião. Como advogada independente passou a defender os direitos de presos políticos e mulheres contra decisões da Justiça agora sob domínio dos aiatolás, assim como a política e a economia.

Mais tarde, veria seu nome em uma lista de jurados de morte, como relata no livro, não publicado no Brasil, Iran Awakening (O Despertar do Irã, em tradução livre).

“O Nobel serviu para mim como um escudo de proteção. Mas, ainda tentam me calar, ameaçando meus parentes e colegas de trabalho”. Em entrevista ao Estado, por telefone, Shirin relata a situação no Irã, seis meses após as eleições, e pede aos brasileiros que “ouçam a voz dos iranianos”.

blog da Adriana Carranca

Israel critica Brasil por Irã, mas fala em ajuda na paz

Relações externas: No parlamento, Lula foi aplaudido e censurado

Presidente Lula e o presidente de Israel, Shimon Peres, durante cerimônia em Jerusalém: países decidiram fazer encontros de dois em dois anos

O Brasil pode ajudar Israel a negociar um tratado de paz com a Síria, disse o presidente israelense, Shimon Peres, em conversa reservada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sugeriu que o Brasil poderia fazer coincidir, em território brasileiro, visitas do presidente sírio, Bashar Al-Assad, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Al-Assad já recebeu convite para visitar o Brasil e, ontem, Netanyahu concordou em fazer uma visita ao país ainda neste ano. A aproximação do Brasil com o Irã recebeu, porém, forte e unânime desaprovação das principais forças políticas de Israel, que saudaram Lula com palavras duras sobre as relações com os iranianos.

O ministro de Relações Exteriores, o ultra-ortodoxo Avigdor Lieberman, teve a reação mais forte à insistência brasileira em evitar sanções ao Irã e negociar para que o país não use energia nuclear para fins militares. Lieberman boicotou a visita de Lula ao Knesset, o parlamento israelense, e a reunião de que participaria, com o brasileiro e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Entre as razões do boicote, o jornal israelense Haaretz citou a recusa de Lula em visitar o túmulo do ativista criador do sionismo Theodore Herzle (Lula visitará, nesta semana, o túmulo do ex-líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat). Os brasileiros argumentam que o compromisso, incluído de última hora, não fez parte de visitas recentes do presidente da França, Nicolás Sarkozy, nem do da Itália, Silvio Berlusconi.

Apesar de referências elogiosas ao presidente brasileiro, o Irã dominou os discursos no Knesset. “Os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas do regime dos aiatolás”, discursou o líder do Knesset, Reuven Rivlin, ao saudar Lula. Ele pediu a Lula para unir-se aos que reconheceram “o perigo iraniano”, e alertou que a oposição a sanções contra o Irã, pelo programa nuclear do país, seria vista como “sinal de fraqueza”.

“Creio e creio que o senhor também acredite que esse regime tem valores diferentes dos que o senhor, sua cultura, e o povo do Brasil representam”, endossou Netanyahu, do partido direitista Likud, como Rivlin. “Eles usam crueldade, são contra as minorias; odeiam a liberdade, adoram a morte e vocês adoram a vida”. Mais dura, a líder da oposição, Tzipi Livni, do Kadima, de centro, acusou o Irã, presidido por Mahmoud Ahmadinejad, de usar o conflito entre Israel e palestinos para promover a “doutrina do ódio”. Ela disse saber dos valores pacíficos de Lula, mas cobrou dele “não somente criticar, mas apoiar as sanções ao Irã nas Nações Unidas”.

Mesmo com a manifesta preocupação com o Irã e o boicote do ministro de Relações Exteriores (líder de um partido em expansão em Israel, tradicionalmente oposto a concessões aos palestinos e árabes israelenses), as autoridades israelenses mantiveram um tom elogioso a Lula e saudaram os acordos de cooperação entre os dois países. Netanyahu e Lula decidiram, por sugestão do israelense, um sistema de reuniões a cada dois anos entre os chefes de Estado e ministros de Israel e do Brasil, a começar em 2010 com uma visita do primeiro-ministro ao Brasil.

Falando ao Knesset, Lula evitou improvisos, defendeu a busca de “alternativas racionais e duradouras”, com “compaixão” e diálogo, para a paz no Oriente Médio. Sem citar o Irã, condenou o terrorismo e o holocausto, lembrou o compromisso do Brasil e da América Latina contra as armas nucleares e defendeu a coexistência de um estado de Israel, soberano, seguro e pacífico, e um Estado palestino “soberano, pacífico, seguro e viável”. Ao tocar nesse assunto, criticou o recente anúncio israelense de construção de 1,6 mil casas na região oriental de Jerusalém, reivindicada pelos palestinos como sua futura capital.

Lula foi aplaudido de pé pelos parlamentares, pouco mais de 70 dos 120 membros do parlamento. “Foi um bom discurso, muito polido”, comentou um dos principais aliados de Netanyahu, Yossi Peled, conhecido general israelense, que manteve, porém, a crítica à relação entre Brasil e Irã. “Um monte de países prefere fechar os olhos. US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões são mais fortes que qualquer ameaça”, disse, ecoando a acusação da oposicionista Livni, de que interesses econômicos garantem sustentação ao Irã. “Foi importante que ele lembrasse o direito ao estado Palestino. Teve mais palmas que George Bush”, afirmou o vice-presidente do parlamento, Ahmad Tibi, do partido minoritário que representa os árabes.

Shimon Peres publicamente pediu a Lula que aproveite seu encontro, hoje, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para garantir que Israel está comprometido com o processo de negociações e a busca da paz. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, foi evasivo ao ser consultado sobre o pedido de apoio do Brasil às negociações entre Israel e Síria. “O presidente da Síria já foi convidado ao Brasil; quem sabe o outro pode, por coincidência…”, comentou, recusando-se, depois a confirmar se há intenção de fazer coincidir as visitas de Netanyahu e Al-Assad.

Sergio Leo, de Jerusalém – VALOR

Música: quem os poderosos escutam

Playlist

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O jornal londrino “The Daily Telegraph” acaba de publicar uma reportagem sobre os gostos musicais de alguns dos homens mais poderosos do mundo.

Diz ela que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, acorda ouvindo Arctic Monkeys.

Seu antecessor, Tony Blair, é fã declarado do grupo The Darkness.

O premiê de Zimbabuê, Robert Mugabe, gosta de Cliff Richard e torce o nariz para Bob Marley (faz sentido).

Osama bin Laden não é propriamente um líder mundial, mas também está na lista. Diz o Telegraph que ele é fã da infiel Whitney Houston (ué? Sempre achei que ele tem uma cara de fã da Celine Dion!)

Segundo o poeta sudanês Kola Boof, que foi mantido como prisioneiro da al-Qaeda em 1996, o terrorista saudita também é fã de Van Halen e dos B-52s.

Já o ditador líbio Muamar Kaddafi certa vez pediu um autógrafo a Lionel Richie dizendo-se fã do The Commodores.

Outra flor de pessoa, o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu quando respondia processo por genocídio, ouvia Frank Sinatra em sua cela, com especial predileção pela música “My Way”, aquela que diz “eu fiz do meu jeito”. Parece que ele começou a ouvir Sinatra nos anos 1970, quando era banqueiro em Nova York.

Kim Jong-il, que se auto-intitula líder supremo da Coréia do Norte, é fã de Eric Clapton. O ex-guitarrista do Cream chegou a recusar um convite milionário do ditador para tocar no país.

E, veja só que amoreco: o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, gosta das músicas de Chris de Burgh, autor de “Lady in Red”. Não fossem os protestos nas eleições iranianas no ano passado, o cantor irlandês teria sido o primeiro artista ocidental a se apresentar em Teerã desde 1979, ano em que o aiatolá Khomeini tomou o poder.

blog da Barbara Gancia

A marcha da insensatez – Irã

Protesto no Irã – O povo protesta contra a ditadura teológica

Foto AFP
A polícia iraniana prendeu cerca de 300 pessoas durante protestos contra o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad neste domingo, em Teerã. Segundo o jornal americano “The New York Times”, o número de mortos no conflito já chega a dez.

Foto AFP

Nota do editor

Tenho ao longo dos 5 anos do blog recebido perguntas sobre o porquê dos títulos de algumas seções.

A marcha da insensatez é um deles.
Explico: coloco nesses ‘posts’ fotos que demonstrem a insensatez do ser humano nas mais diferentes situações, povos e países.

A minha referência para alertar sobre a estupidez das ações humanas, é o livro “A Marcha da Insensatez – De Tróia ao Vietnã” — José Olympio Editora —, da historiadora norte americana, já falecida, Barbara Tuchman. Aliás, um livro essencial em qualquer biblioteca,

Se ainda viva fosse a excepcional historiadora, talvez o subtítulo do livro fosse  ‘De Tróia à Palestina’.

“Pesquisando com rigor vasto espectro de documentos históricos, a autora traça e registra nesse livro, um dos mais estranhos paradoxos da condição humana: a sistemática procura pelos governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses.”

Considerada a mais bem sucedida historiadora dos Estados Unidos, Barbara Tuchman, ganhadora do Prêmio Pulitzer, é autora de clássicos como: The Guns of August, The Proud Tower, Stilwell and the American Experience in China, A Distant Mirror e Pratcting History.