Hackers os piratas do século 21

Entre os cinco maiores hackers da internet, há quatro americanos e um japonês. São os ciberpiratas do século 21.
Hildeberto Aleluia

Mais parece uma luta de fantasmas travada nas sombras. Nessa história de hackers ou crackers, também parece fantasia na hora de apontar este ou aquele. Quase ninguém conhece um hacker ou um craker. Mas eles existem sim. Há até um site que os qualifica como os do bem e os do mal. E os relacionam por nome, idade e origem. É o IT Security, dos Estados Unidos. Recentemente ele listou os cinco maiores hackers éticos, aqueles que seriam os hackers do bem, e os dez maiores hackers malignos. Eu chamaria estes de crackers.

[ad#Retangulos – Anuncios – Esquerda]Os cinco maiores hackers conhecidos até hoje, desde o aparecimento da internet, fazem parte de uma lista em que se destacam os americanos Stephen Wozniak, um dos fundadores da Apple; Tim Berners-Lee, o inventor da web, Linus Torvalds, inventor do Linux, e Richard Stallman, inventor do projeto GNU de software livre. O quinto gênio da lista é o japonês Tsutomu Shimomura, tido como o homem que destruiu outro hacker famoso chamado Kevin Mitnick, considerado o maior, desde o advento da rede.

O japonês teve seu computador invadido pelo Mitnick e como vingança o denunciou ao FBI, a polícia federal americana, que o rastreou e o colocou na cadeia onde cumpriu pena.

Como já vimos aqui, nesse mundo de hackers e crackers o bem e o mal caminham juntinhos. Os hackers clandestinos são poucos, comparados à multidão que hoje opera legalmente contratada por empresas e governos, para testarem os sistemas de segurança. Outros chegam à legalidade ao invadirem sites de empresas e governos, sem permissão, e depois tentam vender seus serviços de proteção, atuando no mesmo estilo conhecido da velha máfia.

O certo mesmo é que não existe internauta imune às suas táticas e que não tenha sido vítima de seus vírus ou prejudicado pela queda de servidores que eles derrubam com seus ataques.

Aos poucos, o chamado cibercrime está deixando de ficar impune e muitos dos gênios do mal já repousaram ou repousam atrás das grades. Como a utilização da Internet ainda é muito recente, cada país busca uma legislação específica para reger e punir os criminosos da rede. Não tem sido fácil essa caminhada, desde a tipificação do que é crime no mundo cibernético até a articulação legal entre os países para fazer frente aos crimes de alcance global, como existe nos casos de crimes tradicionais.

Um bom exemplo seria a Interpol (polícia internacional). Num assalto a banco tradicional, todos sabem o que fazer para buscar, prender e punir os criminosos. Num assalto virtual, um hacker instalado em sua casa no Rio de Janeiro, Brasil, pode muito bem invadir um banco e roubar seus fundos em Portugal, na Europa ou na Tailândia, na Ásia. Ainda não existe um manual de como fazer para prender e punir esse ladrão. E também por isso é grande a onda de crimes praticados na Internet.

Nos últimos anos, diminuiu bastante o ataque solitário de um hacker. Agora eles passaram a atuar em grupos. É claro que as coisas mudaram muito desde 2005. A segurança da rede hoje é bem maior e a vigilância também.
Outro fato interessante é que mais de 90 por cento dos criminosos são homens, com idade entre 15 e 35 anos, no máximo. Cuidado com eles.

Computação em nuvem: o que é e como usar

Mesmo sem saber, usuários já aderem à computação em nuvem.
Dados publicados na web vão parar em servidores invisíveis aos usuários.
Redes sociais e até mesmo conta de e-mail estão baseados nessa estrutura.

Você já está na nuvem, mas não sabe. Toda vez que você envia uma mensagem pelo Hotmail, busca um endereço no Google ou publica uma foto no Orkut, seus dados são processados e armazenados por um sistema conhecido como computação em nuvem. É a aposta de gigantes da computação, capaz de colocar do mesmo lado a Microsoft, criadora do Windows, e Linus Torvalds, gênio inventor do Linux. Todos querem sair do seu computador pessoal e partir para as nuvens.

“O mundo da tecnologia da informação passa por várias mudanças. Estamos agora evoluindo para uma estrutura de nuvem. O Google já nasceu na nuvem”, disse Francisco Gioielli, engenheiro do Google Brasil.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]De acordo com Gioielli, existem duas características básicas para definir a computação em nuvem. Primeiro: os aplicativos são acessados pelo navegador. Ou seja, o usuário não precisa ter o programa instalado no computador, apenas o browser. A partir do navegador ele poderá acessar sites e ferramentas, como editores de texto e imagens, tudo armazenado na internet.

Depois, explica Gioielli, os dados ficam hospedados em uma infraestrutura que está invisível para os usuários, os servidores, onde as informações de várias pessoas são compartilhadas e armazenadas. Alguns usuários que acessam a nuvem frequentemente não imaginam que estão colocando informações nesses computadores.

“No momento que uma pessoa acessa um site via navegador, significa que as informações não estão rodando na máquina. O que mostra que ela já está consumindo uma nuvem”.

Nuvem na máquina local

Usuários como o publicitário Felipe Salles, de 26 anos, acreditam que computação em nuvem é apenas o que funciona remotamente por meio da internet. Salles utiliza, diariamente, sites como Facebook, Orkut, Twitter, e-mail e mensagens instantâneas. Além disso, por trabalhar em frente ao computador, ele fica on-line em torno de 12 a 14 horas por dia.

“Para mim, computação em nuvem é poder usar um programa como o ‘Microsoft Office’ sem precisar instalar nada. Ou seja, é tudo que está remoto, que você não precisa ter na sua máquina”, disse Salles.

Otávio Pêcego, arquiteto de soluções sênior da Microsoft Brasil, explica que, nesse caso, para acessar a nuvem sempre será necessário um software local trabalhando na máquina ou no celular. “Os usuários veem de vez em quando o Windows Update entrar. Esse é um exemplo de programa na máquina local que conversa com a nuvem para saber as informações que precisam ser baixadas”.

Outro exemplo de interação entre a nuvem e o sistema local é o programa Google Earth, que a empresa chama de geobrowser. “O Google Earth trabalha instalado na máquina do usuário mas, para funcionar, ele precisa se conectar aos servidores do Google”.

As empresas cada dia mais falam e apostam nessa tecnologia. Porém, Pêcego acredita que o fim dos softwares locais não está tão perto.

“A tendência está mostrando o contrário. Estamos tendo uma grande explosão de aplicações voltando. Há muitas pessoas que utilizam o Twitter por meio do navegador, mas outras preferem instalar um aplicativo para acessar o microblog”.

O que pode acontecer, segundo Pêcego, é o disco local funcionar como um lugar temporário onde os usuários podem acessar rapidamente para trabalhar e, aos poucos, transmitir e sincronizar o que está na rede. A nuvem ganharia, então, a função de “backup” (cópia de segurança).

“Por causa da demora, o usuário vai trazer a informação, trabalhar ela localmente e depois enviá-la para a nuvem”, explica Pêcego.

Como se proteger

Agora que você já sabe que está na nuvem, é importante entender que há um risco inerente de colocar todas suas informações na rede. O primeiro passo é entender o que está se usando. Ou seja, muitas vezes o internauta publica um conteúdo na rede sem saber quem pode acessá-lo.

“Precisamos educar nossos usuários para que eles saibam usar esses serviços que estão na nuvem. Mesmo assim, é importante que os internautas conheçam as políticas de cada empresa”, disse Pêcego.

Para Gioielli, não se trata apenas de como o site trabalha aquele conteúdo, mas do usuário saber o que publica nele.

“Tem o aspecto das informações pessoais, como aquelas fornecidas em sites de relacionamento. O usuário deve evitar colocar dados, como o número do cartão de crédito, e até mesmo endereços”, disse.

Laura Brentano/G1

Tecnologia: Criador do Linux prevê o fim dos sistemas operacionais

Sistema operacional para PCs vai se tornar irrelevante, diz criador do Linux

Para Linus Torvalds, computação na nuvem e celulares são nova fronteira.

Finlandês falou com exclusividade ao G1 durante sua 1ª visita ao Brasil.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O homem responsável por escrever as linhas mais influentes do mundo contemporâneo poderá, enfim, tirar férias no lugar de seus sonhos. “São apenas três dias em Fernando de Noronha, é tempo suficiente?”, pergunta o finlandês Linus Torvalds, 40 anos. As férias haviam começado oficialmente minutos antes, quando ele recebeu os aplausos das cerca de 800 pessoas que acompanharam seu discurso de abertura do LinuxCon 2010, em São Paulo. O evento reuniu programadores, distribuidores e entusiastas do sistema operacional livre Linux.

Torvalds escreveu as primeiras linhas de código de programação do núcleo do Linux em 1991, quando estudava ciências da computação na Universidade de Helsinque. “Era apenas um hobby. Ainda é um hobby, na verdade”, contou Torvalds em entrevista exclusiva ao G1. “O fato de que também é meu trabalho é, para mim, secundário. Eu ainda desenvolvo o Linux não porque me pagam, mas porque é a coisa mais interessante que eu me imagino fazendo.”

Vinte anos depois, o hobby do jovem “hacker”, que queria apenas ver se era capaz de criar seu próprio sistema operacional, é praticamente onipresente. Ele é a base da internet: mais de 50% dos computadores que armazenam e distribuem conteúdo da web utilizam o sistema.

Até quem está longe da Internet acaba tendo, mesmo que indiretamente, contato com a obra de Linus Torvalds. Há desde elevadores a cafeteiras elétricas com controle baseado em Linux. Desde 2006, o programa está nos computadores que fazem o controle do tráfego aéreo nos Estados Unidos. As transações financeiras das bolsas de valores de Nova York, Tóquio, Chicago e Londres, por exemplo, são registradas em supercomputadores rodando Linux – das 100 máquinas mais potentes em operação no mundo, apenas dez usam sistemas diferentes.

Android, do Google: sistema operacional para telefones baseado em Linux. (Foto: Divulgação)

Do outro lado do espectro de poder computacional estão os pequenos telefones celulares, que também são capazes de rodar Linux. O Android, sistema criado pelo Google, é baseado em Linux. “Nos EUA, o Android vende mais que o iPhone. Isso facilita no desenvolvimento do sistema, fica mais fácil encontrar pessoas dispostas a criar programas para este formato”, comemora Torvalds.

A telefonia celular é uma chance do Linux, enfim, ser o sistema preferido do usuário comum. Na era dos computadores pessoais, o domínio ficou, claramente, nas mãos da Microsoft. O Windows está em 91% dos PCs. “Isso não importa, em breve o sistema do computador vai se tornar irrelevante”, prevê Torvalds.

Não, Torvalds não aposta na substituição dos computadores tradicionais por máquinas como o iPad da Apple. “Acho inconveniente, é grande demais para colocar no bolso, a não ser que você tenha um bolso bem grande.”

Mas para ele,a irrelevância do sistema operacional passa pelo telefone celular e pela própria internet. “Haverá o celular, onde temos presença forte, e os programas na nuvem, pela internet, acessados pelo navegador. E quem tem mais de 50% dos servidores de web? Nós.”

Pelo modelo, o Linux está registrado sob uma licença de uso especial, conhecida como GPL (sigla para GNU Public License).

Escrita pelo ativista e “hacker de todos os hackers” Richard Stallman, a GPL estabelece que o programa deve ser livre para qualquer pessoa possa utilizá-lo e até alterá-lo – desde que, como contrapartida, essa alteração também seja disponibilizada publicamente sob a mesma licença. Pela ética hacker, programas registrados sob GLP são como um presente para a humanidade.

Richard Stallman, hacker e ativista, criou modelo de software livre. (Foto: Anders Brenna/CC-BY)

“Há pessoas do mundo inteiro que colaboram para o Linux. Dos Estados Unidos, Alemanha, México… Muita gente do Brasil, inclusive”, diz Torvalds. Da versão atual do kernel do Linux, Torvalds é autor de cerca de 2% do código. “Hoje em dia eu programo pouco, eu acabo organizando o que outras pessoas escrevem. Respondo e-mails o dia inteiro.” A ele resta o controle, a palavra final sobre cada solução de programação proposta para entrar no código do kernel.

O Linux, acredita, já estaria pronto até para continuar evoluindo sem a ajuda de seu criador. “Eventualmente, sim, eu não estarei à frente do desenvolvimento do ‘kernel’ para sempre. Posso ficar doente ou mesmo morrer mergulhando em Fernando de Noronha”, brinca. “Mas há pelo menos 10 pessoas que estão preparadas para assumir meu trabalho a qualquer momento.”

Então por que o finlandês não para e aproveita sua fortuna estimada em US$ 20 milhões para ficar mais do que três dias no arquipélago brasileiro? “Não é que o Linux não pode sobreviver sem mim, eu é que gosto de fazer isso, não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Eu sou apaixonado pelo que faço, e acho que vou continuar assim por muitos e muitos anos.”

Leopoldo Godoy/G1