Mantega: “não há problema na Receita Federal”

Brasil: da série “me engana que eu gosto”!

O que mais impressiona nesse “imbroglio”, nada fiscalizável — vide o inacreditável apagamento das fitas de segurança do Palácio do Planalto em meros 30 dias —, é a fantástica trajetória de Lina Vieira. De funcionária exemplar passou, na opinião velada do ministro, a funcionária ineficiente.

Uáu!

O editor

Mantega: situação na Receita está ‘na normalidade’

Humor Cartuns Mantega Crise na receita Pelicano

Desde que a sublevação da cúpula fiscal deu à crise da Receita uma aparência de incêndio, Guido Mantega vinha brincando de esconde-esconde.

O Ministro da Fazenda esguivava-se da boca do palco. Sempre tão loquaz, parecia acometido de um súbito surto de mutismo.

Pois bem. Nesta quarta (26), Mantega abandonou as coxias. Viu-se compelido a pronunciar meia dúzia de palavras.
Envolto em anormalidade, Mantega disse: “Na verdade, a Receita está funcionando na normalidade (!?!?!)”. O ex-mudo tornou-se cego.
Nas pegadas da entrevista de Mantega, mais 40 auditores que ocupavam cargos de chefia na Receita pediram exoneração –25 em SP, 15 no RS.

Os novos demissionários somam-se aos 12 que já haviam batido em retirada. No total, os rebelados já somam, portanto, 52.
Os insurretos da Receita solidarizam-se com a ex-leoa Lina Vieira, demitida por Mantega em julho, depois de uma rápida gestão de 18 meses.
O ministro dá de ombros. Alega que a Receita, agora sob Otacílio Cartaxo, mudou de comando. E a substituição de auxiliares “é normal quando entra uma nova equipe”.

Nem sempre, nem sempre. Em 2003, Antonio Palocci, primeiro ministro da Fazenda da era Lula, já havia demonstrado o oposto.

Agarrado à tese de que a virtude, por vezes, está na ausência de troca, Palocci mantivera intacta a Receita herdada de FHC.
Everardo Maciel não ficou porque não quis. Indicou a Palocci o nome de Jorge Rachid, acolhido de imediato.
Fulminado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, Palocci foi ao meio-fio. Sobreveio Mantega, que implicou com Rachid.
Mexe daqui, agita dali, Mantega mostrou o bilhete azul a Rachid. Na cadeira dele, acomodou Lina Vieira. Paga agora a fatura da insensatez.
A encrenca atual era pedra cantada: “Toca de chefia expõe Receita a risco de politização”, informara o blog, em 1º de agosto do ano passado.
Lina desmontou uma engrenagem que, por azeitada, não reclamava ajustes. Enfiou nos postos de chefia um magote de sindicalistas simpáticos ao petismo.

É essa gente que se insurge agora contra Mantega e, de quebra, contra o governo Lula.
Entre as alegações dos demissionários está a de que, sem Lina, o fisco abandonaria a fiscalização dos mega-contribuintes. Tolice.
O programa de fiscalização do tubaranato fora criado sob Everardo Maciel. Jorge Rachid o manteve.
Nas pegadas da posse de Lina, a Fazenda propalara a versão de que o leão iria aos calcanhares dos gigantes. Vendera como novidade o que não era novo.
Agora, para tentar livrar-se da armadilha que armou contra si mesmo, Mantega faz questão de dar crédito à equipe de FHC, que Palocci mantivera.

“É uma balela dizer que nós não estamos fiscalizando os grandes contribuintes”, afirma Mantega.
“Há mais de dez anos existe um programa de fiscalização de grandes contribuintes”, diz o ministro, subitamente reconciliado com a verdade.

Para não soar ridículo em excesso, Mantega diz que o programa que já existia “foi reforçado ao meu comando pela gestão anterior [Lina]”. Lorota.
Em verdade, a arrecadação do fisco definhou. Culpa da crise? A encrenca financeira, obviamente, teve influência.
Mas o país já arrostara crises antes. E a arrecadação mantivera-se em alta. A fiscalização foi destroçada, eis o diagnóstico de Everardo Maciel.

Ouça-se mais um pouco de Mantega: “Dizer que é por isso que houve substituição é uma balela. É uma desculpa para encobrir a ineficiência”. Bingo!

O diabo é que a “ineficiência” não pode ser atribuída apenas a Lina e ao time que ela montou. O nome do problema é Guido Mantega.

blog Josias de Souza

Agilizar. Afinal é imprimir rapidez ou abafar?

Continua a discussão entre os partidários da Dilma Roussef e de Lina Vieira. Cada qual interpreta ‘agilizar’ da forma que melhor serve aos seus (deles) interesses políticos. Até agora, de maneira geral e particularmente nenhum membro dessas comprometidas tropas de choque das referidas senhoras, se deu ao trabalho de consultar o Aurélio ou o Houaiss. Exceção para o artigo reproduzido abaixo.
O verbo em questão foi transformado em sinônimo de eleição.
O editor


Devagar com o andor que a ‘santa’ pode ser de barro

Hélio Chaves ¹

A língua portuguesa está sofrendo ataques e corre o risco da perda de significado de algumas palavras. Procurei no novo acordo ortográfico e não identifiquei mudanças na forma de escrever “agilizar”. Recorri ao Dicionário Aurélio para dirimir dúvidas e nada havia mudado por lá. Até minutos atrás quando o consultei – já que as interpretações são dinâmicas – o Aurélio me disse que, agilizar significaria – imprimir maior agilidade, rapidez e eficiência. Se estiver errado, corrijam!

Há algum tempo, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM-DF) mandou demitir o gerúndio do serviço público. Foi um verdadeiro Deus nos acuda no governo local. Em pânico, servidores não sabiam o que fazer com o infeliz, depois de decretada sua morte.

Visualizemos: O chefe entra na seção e pergunta: o que vocês estão fazendo? E os servidores suando em bicas e cheios de dúvidas sem saber que palavra usar como resposta – trabalhando? Executando? Laborando? Fazendo? Providenciando? Embromando? Voando, Enrolando ou …

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Não é de hoje, que uns querem tirar e outros por palavras inexistentes em nosso vocabulário. Lembrei-me do famoso “imexível” do ex-ministro do trabalho, Antonio Rogério Magri. A palavra ficou mais famosa que ele, mas Magri tirou proveito e foi notícia em várias aparições e entrevistas para explicar o tal “imexivel”.

Agora surgem variadas interpretações para o “agilizar” do Aurélio, utilizado pela ministra Dilma Rolseff, quando pediu a Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, para agilizar o processo envolvendo empresas da família Sarney.

Na boca da oposição “ágil”, de Lina e de parte da imprensa, a palavra passou a ter novos contornos e significados como: encerrar, abafar, esconder, engavetar, ascamotear, encobrir, dar fim e por ai vai. Lina foi convidada a depor no Senado, reafirmou o que disse, não disse novidades nem provou nada. Suas interpretações pareceram tão secretas quanto o encontro que afirma ter tido com Dilma.

A ex-secretária também “agilizou” o significado da palavra. Que no seu vocabulário seria sinônimo de “eleições em curso no Senado”. O prejulgamento passou a ter peso e provoca questionamentos até hoje. O episódio parece tão bizarro quanto o imexivel do Magri ou a morte do gerúndio, que foi achincalhado nas ruas do DF, por pessoas humildes, que deram apoio a Arruda por ter afastado o sujeito – digo o gerúndio – afirmando que o “dito cujo” foi demitido por não trabalhar nem cumprir com suas funções públicas. E que, por isso, era justa a demissão.

Lina disse que a justiça também havia pedido à Receita Federal para agilizar o processo contra os Sarney. Se levado ao pé da letra como no caso envolvendo Dilma, então o judiciário também deve satisfações. Ou estaria preocupado com as eleições no Senado ou queria proteger o clã Maranhense, certo? Portanto, o solicitante deveria ser convocado para dar explicações aos ilustres senadores.

Só resta esperar que o “agilizar” seja esclarecido, que a verdade prevaleça e não seja subjugada por ilações. No meio de todo esse disse e não disse é bom ter cuidado com o andor, pois, a santa pode ser de barro.

¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo

O jeito PT de governar

“Delenga Cartago”

O fecho dos discursos do  famoso do senador romano, pode ser totalmente aplicado à taba dos Tupiniquins, que sucumbe sob o tacape do Catão de Garanhuns. Sem se preocupar com a destruição da ética, conduz a boiada petista pros pastos da insensatez. Só nos resta tentar sobreviver caso a petralhada consiga mais 8 anos no comando da tribo.

Na Casa Civil, assessores faziam dossiês de cunho nitidamente político contra um ex-presidente da República.

No Banco do Brasil, o sindicalismo tomou de assalto a Previ, a Cassi, a Fundação BB e quase todas as diretorias (só escaparam a de agronegócio e a de relações internacionais, por falta de quadros com desenvoltura nessas áreas). Daí a surgirem aloprados comprando dossiês contra adversários em eleições e coisas do gênero foi um pulo.

Na Polícia Federal, por mais méritos que a maioria das operações tenha, virou cada um por si e ninguém por todos. Ao ponto de um delegado grampear os telefonemas do Planalto, rechear relatórios policiais de adjetivos “ideológicos” e no final cada um ter de ser despachado para bem longe.

Não há surpresa quando esse jeito petista de governar chega à Receita Federal. Aliás, já não era sem tempo. E foi assim que mais de dez funcionários colocaram seus cargos à disposição ontem, inclusive o subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas da Silva.

O último apague a luz. Até que o novo grupo, ligado ao PT do B, ou PT do C, venha acender as luzes, reativar a tática de ocupação e fazer tudo o que seu mestre mandar.

A debandada foi resultado direto da exoneração de Alberto Amadei Neto e de Iraneth Maria Dias Weiler, que foram assessor e chefe de gabinete de Lina Vieira, demitida em 9 de julho numa situação que ainda não ficou muito clara.

Por incompetência? Será? Ou pode muito bem ter sido por incompatibilidade de métodos -segundo Lina, a ministra Dilma queria “agilizar” as investigações contra o empresário Fernando Sarney. E “agilizar” combina mais com o vocabulário do PT no poder do que com o da técnica com 30 anos de carreira.

É assim, de órgão em órgão, de instituição em instituição, que vamos aprendendo como é uma “gestão republicana”. Sem falar na Petrobras da companheirada.

De Eliane Cantanhêde – Folha de S.Paulo

Fitas de vídeo do Palácio do Planalto são ‘apagadas’ à cada 30 dias

Brasil: da série “me engana que eu gosto”!

Os responsáveis pela segurança da Presidência da República, em resposta à solicitação oriunda da Câmara dos Deputados, informou que as imagens de segurança do Palácio são apagadas após cerca de 30 dias.

Essa é pra deixar de queixo caído até Zé Bêdêu — o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza — cidadão que é capaz de acreditar até que o Sarney não sabia de nada sobre atos secretos. Aliás ele, Zé Bêdêu, acredita que nem existiram atos secretos.

A Câmara havia solicitado as imagens para poder conferir se a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, teve ou não a tal reunião com a ministra Dilma.

O editor

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República divulgou nota nesta sexta-feira (21) informando que não há como fornecer imagens do circuito interno de vídeo do Palácio do Planalto para checar se a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, esteve no prédio em dezembro passado para uma audiência com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O pedido de acesso às imagens foi encaminhado ao GSI nesta quinta-feira (20) pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), atendendo a pedido do líder do Democratas, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O deputado quer ter acesso a vídeos do circuito interno, registro de carros que estiveram no local e cópia da agenda de compromissos da ministra nos meses de novembro e dezembro do ano passado.

O objetivo é provar que a ex-secretária da Receita fala a verdade quando diz que esteve no gabinete da ministra no final do ano passado em uma reunião em que, segundo Lina, Dilma pediu para que ela “agilizasse” a investigação sobre empresas da família Sarney. A ministra nega que o encontro tenha ocorrido. Lina reafirmou em depoimento no Senado na última terça-feira (18) que esteve com a ministra,

Segundo o GSI, pelo contrato de segurança assinado em 2004, o período médio de armazenamento das imagens registradas no Palácio do Planalto é de 30 dias. Segundo a nota, as câmeras são acionadas por sensores de movimento. Quando a capacidade de armazenamento do HD (disco rígido) se esgota, novas imagens substituem as antigas.

“Desse modo, não mais existem as imagens relativas aos meses de novembro de dezembro de 2008”, diz o GSI. Segundo o GSI, também não há registros de entrada de veículos que transportam autoridades que entram pela garagem do Palácio do Planalto. “Com relação ao ingresso de veículos, após reconhecidos, [eles] não têm suas placas anotadas”, diz a nota do governo.

O GSI informa também que não são feitos registros de autoridades que chegam pela garagem do Palácio Planalto. O governo explica que no caso “das pessoas com audiências previamente agendadas, os convidados são identificados e credenciados”. Mas não são registrados em nenhum livro ou planilha de computador.

“No caso de audiências sem agendamento prévio, feita a identificação dos convidados, os gabinetes das autoridades são consultados, oportunidade em que, após credenciamento, é autorizado seu ingresso”, diz a nota do GSI. Também nesses casos, não ficam registrados os dados dos visitantes.

Portanto, segundo a nota, mesmo que a secretária esteja falando a verdade, não é possível atestar isso por meio dos registros feito nos visitantes do Palácio do Planalto que entram pela garagem.

“Nos registros existentes, correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2008, não foi encontrado o nome da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira”, conclui a nota. Segundo a assessoria de imprensa do GSI, o costume é fazer os registros apenas de pessoas que acompanham os convidados, mas que não participam diretamente da audiência.

G1 – Jeferson Ribeiro

Senado: O Sanatório Geral

Vá lendo devagarinho, quando tiver tempo e paciência, cada uma das brilhantes observações abaixo. Ao final, se ainda tiver alguma energia, vote na enquete para a escolha do Homem Sem Visão do mês de agosto, onde o nome do Senador Paulo Duque, agora eleito o modelo da campanha educativa: “Cafajestagem não tem idade”, parece tomar um novo impulso, chegando mesmo a ameaçar ao Senador Collor de Mello, até então lider inconteste. Paulo Duque festeja promoção a velhote-propaganda e recomenda: “Fiquem de olho no Cabeleira”

Rapunzel de Bordel
20 de agosto de 2009
“A imprensa está enganando todo mundo”.

Wellington Salgado, o Rapunzel de Bordel, que nunca me enganou.

Voluntário remunerado
19 de agosto de 2009
“A crise é alimentada pela disputa política relacionada às eleições de 2010. Oriento os senadores do PT que votem pela manutenção do arquivamento das representações como forma de repelir essa tática política da oposição, que deseja estabelecer um ambiente de conflito e confusão política”.

Ricardo Berzoini, presidente do PT, na nota oficial que recomenda à companheirada vender o voto, a alma e a mãe, para garantir a governabilidade do país, a vitória de Dilma Rousseff em 2010 e a prosperidade de toda a turma da base alugada.

A canja esquentou
19 de agosto de 2009
“Considero uma prática de jornalista da imprensa marrom publicar comentários ofensivos à minha pessoa escritos por leitores que deturpam o significado de palavras ditas por mim à senhora Lina Vieira. Eu apenas quis dizer que o Senado vem sendo prejudicado pela exposição exagerada no noticiário”.

Ideli Salvatti, em mensagem à coluna, queixando-se do que vocês andam dizendo da frase internada nesta terça-feira no Sanatório Geral: “Nós ivemos aqui no Senado, já faz tempo, o cotidiano da unha do pé da galinha virar canja”.

Língua estranha
19 de agosto de 2009
“A função de cassar mandatos devia ser reservada à Justiça, até porque quase sempre a isenção política não pode ser presente em questões que importam questões de Justiça”.

José Sarney, presidindo a sessão desta terça-feira, dizendo alguma coisa que parece muito importante, mas que a coluna só vai comentar depois de receber de volta, com legendas em português, a fita gravada enviada ao serviço de tradução de línguas estranhas da Organização das Nações Unidas.

Oposição a favor
18 de agosto de 2009
“Nunca na minha vida cassei o mandato de ninguém. Acho que o Senado não é para isso, que a Câmara não é para isso, que o Parlamento não é para isso. Se for para cassar mandato, prefiro não ser senador”.

Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, ao explicar na sessão desta terça-feira por que se opõe ao afastamento de José Sarney, esquecendo de avisar que, coerentemente, fez um acerto com Severino Cavalcanti para tentar reeleger-se em Pernambuco.

Bom de serviço
18 de agosto de 2009
“O importante é que não houve pressão. É perfeitamente possível que a Lina esteja falando a verdade e a Dilma simplesmente não se lembre do encontro”.

Renato Casagrande (base alugada, guichê do Espírito Santo), permitindo ao país descobrir que ficou magoado com a perda da presidência do Conselho de Ética do Senado não por querer fazer um trabalho sério, mas por se achar melhor que Paulo Duque naquele tipo de serviço.

Classe é classe
18 de agosto de 2009
“Nós vivemos aqui no Senado, já faz tempo, o cotidiano da unha do pé da galinha virar canja”.

Ideli Salvatti, enquanto interrogava Lina Vieira, mostrando que uma senadora mantém a classe mesmo quando não sabe o que dizer.

Velhinhos da fuzarca
17 de agosto de 2009
“O Estado de S. Paulo transformou-se num jornal, que na verdade, passou a ser em vez de um jornal lido, respeitado, passou a ser um tablóide londrino daqueles que busca escândalo para vender. Minha impressão é de que vejo um velho de fraque e de brincos”.

José Sarney, decidido a mostrar que um imortal da Academia sabe espancar o idioma com a mesma ferocidade de um Lula, no trecho do improviso (reproduzido sem correções) que permitiu ao leitor Celso Arnaldo descobrir que os maranhenses idosos acham que fraque combina com brinco.

Pecador sem juízo
17 de agosto de 2009
“Sabe Deus o que tenho sofrido”.

José Sarney, em discurso no Senado nesta segunda-feira, sem se dar conta de que, se Deus sabe de tudo, não tem a menor chance de aprovação no dia do Juízo Final.

Almoçou e dirigiu
17 de agosto de 2009
“Sinceramente, acho que o país tem coisa mais séria para discutir. O Brasil tem conversas mais sérias que gostaria de fazer, tem coisas tão mais importantes que acho uma pobreza muito grande um assunto como esse estar na pauta da política brasileira”.

Lula, depois do almoço desta segunda-feira, ao comentar a última da Dilma, repetindo o mesmo falatório usado para absolver liminarmente José Sarney, José Dirceu, José Genoíno, Antonio Palocci, Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, Mathilde Ribeiro, Benedita da Silva, Renan Calheiros, todos os mensaleiros, todos os sanguessugas, todos os aloprados, a quadrilha da farra aérea, a turma do cartão corporativo, o bando dos atos secretos e demais companheiros criminosos.

Augusto Nunes

Lina Vieira, Dilma Rousseff, agendas e contradições

As contradições de Lina Vieira

A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, em seu depoimento no Senado, abriu flancos que enfraquecem sua versão e, consequentemente, fortalecem a da ministra Dilma Roussef sobre o suposto encontro que teriam tido no Palácio do Planalto para tratar do processo de investigação fiscal de Fernando Sarney.

Condensando tudo o que Lina Veira falou sobre data, é fácil concluir que o encontro teria ocorrido em dezembro. A peculiaridade desse mês permite poucas referências vagas de tempo: início, antes e depois do Natal. Só. Mas a ex-secretária não soube situar o encontro dentro dessas três referências.

Esse é o fato que chama mais a atenção, principalmente pela importância administrativa e política da sua suposta interlocutora.

A contradição marcante do depoimento foi o refrão ” eu não entro em juízo de valor sobre o comportamento da ministra”. Mas foi só o que ela fez. Aliás a confusão toda se deve à interpretação que Lina Vieira teve do suposto encontro.

Tecnicamente, o depoimento foi correto. Politicamente, o governo se atrapalhou e o senador Mercadante foi patético quando questionou como os fatos teriam chegado ao conhecimento dos repórteres, já que o encontro teria sido sigiloso. Mérito dos repórteres, senador, devido a uma coisa rara na política, mas muito comum no jornalismo: a competência profissional.

Mesmo com todas as dúvidas e contradições demonstradas por Lina Vieira, o saldo dela permanece positivo, confrontado com o histórico recente da ministra Dilma Roussef, rico de polêmicas, de dossiês versus bancos de dados, cursos inacabados e um poder muito grande delegado à assessora Erenice.

Dilma Roussef ocupa o cargo mais poderoso de todo ministério Lula e é candidata à presidência da República.

Lina Veira é uma técnica competente, imbuída de espírito público, que, como faz questão de dizer, não teria razão nenhuma para querer essa polêmica.

Comparando-se os dois currículos e as pretensões das duas personalidades desse confuso episódio, é desnecessário dizer quem já entra perdendo essa disputa.

blog do Moreno

Igreja Universal, Dilma Roussef e o capeta à solta

Tem quem acredite no capeta, em exorcismo, que não houve o mensalão dos petralhas, que o apedeuta de Garanhuns não sabia de nada, nas boiadas do Renan, e, pasmem, em Conselho de Ética para higienizar o senado.

Contudo, só mesmo nefelibatas para engolir as explicações dos senadores enrolados em atos secretos, e nas explicações dos “bispos” da Empresa Universal. Ali, e aqui, só muita água sanitária. Como dizia Zeca Diabo na novela O Bem Amado, “o chifrudo tá solto!”

O editor

Exorciza, Brasil!
por Tutty Vasquez ¹

O bispo Wagner Negrão matou a charada: tudo isso que está acontecendo por aí só pode estar associado ao “desespero do diabo”. Inteiramente descontrolado diante da imagem de Tasso Jereissati vestido de anjinho para pedir desculpas pelo bate-boca infernal no Senado, o príncipe das trevas teria procurado a Igreja Universal mais próxima para esculachar o reino do bispo Macedo com denúncias por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. No caminho, ainda arrumou uma tremenda confusão entre a ministra Dilma Roussef e a ex-secretária da Receita Lina Vieira.

O capeta está à solta! “Não dá mais para viver no Senado”, teria dito já se encaminhando para a porta de saída, ao cruzar com o fantasma de Antônio Carlos Magalhães entrando pelo ralo dos atos secretos que inundam a Casa. “A maldade virou bagunça!” Depois que o Conselho de Ética enfiou a representação contra o tucano Arthur Virgílio no mesmo saco de farinha reservado às denúncias dirigidas a José Sarney, francamente, o que parecia diabólico no parlamento foi varrido do plenário pelo cinismo generalizado.

O que o bispo Negrão chama de “desespero do diabo” com a situação ganhou mesmo um certo conforto no incômodo dispensado nos últimos dias à Igreja Universal, mas só estará inteiramente superado quando vier à tona toda a verdade ou, melhor ainda, qualquer mentira sobre o suposto encontro secreto em que Dilma Roussef teria feito uma proposta indecorosa a Lina Vieira numa salinha da Casa Civil. De histórias assim, convenhamos, o inferno está cheio!

¹ Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás no ‘Estadão’.