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CIA considera Wikileaks agência hostil

O Senado americano quer enquadrar a Wikileaks como “Agência de Inteligência Hostil”Julian Assange,WikiLeaks,Blog do Mesquita

Já foi fácil torcer pelo WikiLeaks. Mas, desde 2010, muitos – eu, inclusive – assistiram com um certo desânimo a derrocada do site, que foi de organização corajosa, capaz de dar guarida aos vazamentos de Chelsea Manning, a uma miscelânea de campanhas de má-fé e revelações para chamar a atenção da mídia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Chegamos ao ponto em que o WikiLeaks sustenta a teoria da conspiração conhecida como Pizzagate (segundo a qual o ex-diretor de campanha de Hillary Clinton estaria por trás de uma rede de pedofilia). Julian Assange não consegue nem mesmo escrever um tweet sobre óculos escuros sem um viés conspiracionista.

Nesse contexto, dá para entender quem pensa que o fundador do site é movido não só pelo zelo à transparência como também pelas várias contas que tem a acertar. Mas mesmo os críticos mais duros do WikiLeaks devem se opor à tentativa do Senado norte-americano de rotulá-lo como “agência de inteligência não-estatal e hostil” no projeto de lei que define o orçamento deste ano para os serviços de inteligência dos EUA.

Ron Wyden, por exemplo, não é exatamente um amigo do WikiLeaks. Em maio, o gabinete do senador de Oregon publicou no Twitter que era “um fato estabelecido” que “Trump estimulou ativamente os russos e o WikiLeaks a atacar a democracia [norte-americana]”.

Também destacou os suspeitos elogios de Trump ao WikiLeaks durante a campanha eleitoral. Assim como seus colegas democratas do Comitê de Inteligência do Senado, Wyden aderiu à linguagem dura, usada no projeto de lei, para se referir à intromissão russa.

Mas, diferentemente de seus pares, votou contra o texto por conta da seguinte frase: “O Congresso entende que o WikiLeaks e a liderança do WikiLeaks se assemelham a um serviço de inteligência não-estatal e hostil, frequentemente apoiado por agentes do Estado, e devem ser tratados como tal pelos Estados Unidos”.

Mas então, o que é exatamente um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Excelente pergunta. “Serviço de inteligência” significa agência de espionagem. E agências de espionagem, por sua vez, são ferramentas do governo – ou seja, nunca são não-estatais.

É exatamente por isso que Wyden, apesar de se opor ao WikiLeaks e de estar determinado a investigar a interferência russa no processo eleitoral, saiu em defesa do site. Resoluções oficiais são perigosas quando ninguém sabe ao certo a que se aplicam. Pode até ser que a expressão seja puramente simbólica. Mas a cláusula pode ser bem mais nociva, ameaçando muitas publicações que consideramos que não têm nada a ver com interferência externa.

O jornal “The Hill” relata que Wyden se opos ao uso da “frase heterodoxa” para definir o WikiLeaks porque o termo ambíguo “pode ter consequências legais, constitucionais e políticas, principalmente se for aplicado a jornalistas que estejam investigando assuntos sigilosos”.

Wyden afirma ainda que a ideia de que “o governo dos EUA tenha um plano de ação não declarado contra ‘serviços de inteligência não-estatais e hostis’ é igualmente perturbadora”. Quando o diretor da CIA Mike Pompeo usou essa mesma expressão para descrever o WikiLeaks durante uma palestra em um think tank, em abril, as palavras já haviam soado bem obscuras.

Nada mudou quatro meses depois, a não ser a possibilidade de esse tipo de linguagem se tornar de fato uma política de governo. Isso é muito sintomático e preocupante, mesmo que você odeie o WikiLeaks.

O assessor de imprensa de Wyden, Keith Chu, afirma que, apesar de o senador “ter reiteradamente criticado o WikiLeaks pelo papel a que se prestou na última eleição, de ferramenta da Rússia”, é fácil imaginar “como esse tipo de classificação poderia vir a ser empregado contra veículos de imprensa legítimos ou contra jornalistas que tenham usado materiais publicados pelo WikiLeaks”.

Resumindo, independentemente da opinião que alguém possa ter sobre Assange e seu site, “o precedente aberto por essa nova categoria de inimigo dos EUA é perigoso”.

O governo dos Estados Unidos abomina o WikiLeaks pelo menos desde 2010, quando o grupo divulgou mais de meio milhão de documentos que revelaram segredos de décadas da diplomacia norte-americana e das guerras do Iraque e do Afeganistão. Esse desprezo oficial não é segredo para ninguém.

O site existe para antagonizar e constranger governos do mundo inteiro, mas o poder norte-americano sempre foi seu principal alvo – e a bête noire de Assange. O ódio ao fundador do WikiLeaks e o desejo de vê-lo fracassar são comuns a políticos de todo o espectro norte-americano, eleitos ou não. São sentimentos amplamente conhecidos da opinião pública – assim como a hostilidade irredutível de Assange aos Estados Unidos.

O que permanece nas sombras é uma prova clara de que o WikiLeaks seja um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”, o que quer que isso signifique. A versão não-sigilosa do relatório da Comunidade de Inteligência dos EUA sobre a suposta interferência russa no processo eleitoral diz: “Avaliamos, com um alto grau de certeza, que a inteligência militar russa (o Departamento Central de Inteligência ou GRU) obteve material via operações cibernéticas, de maneira pública, e via veículos de mídia, de maneira reservada, e o repassou ao WikiLeaks”.

O relatório aponta que “é muito provável que Moscou tenha escolhido o WikiLeaks por conta de sua autoproclamada reputação de autenticidade”, mas não diz mais sobre a colaboração entre as duas entidades. É importante estabelecer a diferença entre endossar uma ação e fazer de fato parte dela. Se não houvesse distinção entre os dois, a redação do Breibart News, portal de notícias de extrema-direita, ficaria numa barraca no próprio Jardim Sul da Casa Branca.

Parece bem plausível que o WikiLeaks tenha em alguma medida conspirado com parte do governo russo. O hacker de pseudônimo Guccifer 2.0, considerado por analistas privados e pelo governo dos EUA como uma invenção da inteligência russa, foi transparente quanto à sua colaboração com o WikiLeaks (no verão passado, Guccifer 2.0 me disse que eles estavam prestes a repassar informações sobre o Partido Democrata para o WikiLeaks, o que de fato aconteceu pouco depois).

O alinhamento de Putin, Assange e Trump em termos de valores e objetivos também é inegável. Por essa razão, ao longo do último ano, o site angariou muitos e firmes opositores (e, para ser justo, apoiadores também). Mas nada disso descarta a possibilidade de Assange ter recebido material de hackers russos sem se preocupar com a origem, com o único objetivo de constranger e desestabilizar sua arqui-inimiga Hillary Clinton.

A partir daí, seria válido um debate público sobre se Assange está pessoalmente envolvido demais. Mas será que a simples suspeita sobre o que motiva uma publicação deveria mesmo virar lei? Assange pode até ser um picareta com um projeto bem claro e pouquíssimos escrúpulos, mas ele está longe de ser o único.

O lendário advogado Floyd Abrams, especialista em Primeira Emenda, afirmou a The Intercept que ele é “bastante crítico” do comportamento do WikiLeaks. Mas que “a questão de saber exatamente o que WikiLeaks fez, que contatos tem ou teve com adversários do país e tudo o mais” não pode se misturar à questão de uma classificação oficial por parte do governo:

A questão maior é se o governo [dos EUA] deveria classificar uma entidade como agência de inteligência não-estatal e hostil. Ainda não sei ao certo quais são as consequências pretendidas com esse tipo de classificação. Mas tenho certeza de que poderia deixar o WikiLeaks vulnerável a ameaças e talvez até à violência. Soa como se fosse uma descoberta oficial, mas não é; com um significado legal, que também não existe. Então apesar de eu não ter nenhuma objeção a oficiais de inteligência de alta patente criticarem o WikiLeaks, eu ficaria longe de falsas denominações oficiais.

Trevor Timm, diretor-executivo da Freedom of the Press Foundation, organização sem fins lucrativos que financia e apoia a liberdade de imprensa, disse a The Intercept que “Ron Wyden tem razão, a cláusula sobre o WikiLeaks é inédita, obscura e potencialmente muito perigosa”:

Não importa se você ama ou odeia o WikiLeaks. O fato de o Congresso visar uma publicação usando uma expressão tão vaga e inventada quanto “serviço de inteligência não-estatal e hostil” para potencialmente reprimir direitos previstos na Primeira Emenda, abrindo a porta para aumentar o monitoramento de fontes, deveria preocupar todos os jornalistas. É uma pena que outros membros do Congresso não consigam enxergar esse perigo tão óbvio.

(Freedom of the Press Foundation recebe recursos da empresa controladora de The Intercept.)

Para resumir, ainda que você ache que Julian Assange não passa de um sórdido, um  mentiroso, um putinista – e mesmo que de fato fosse tudo isso –, ele publica informações autênticas às quais ele não deveria ter acesso.

Por motivações políticas, sem dúvidas, mas publica. Considerar uma pessoa como essa inimiga do Estado coloca em perigo qualquer outro veículo de mídia que esteja trabalhando ou interessado em trabalhar com materiais e informações aos quais não deveria ter acesso. Em 2017, isso significa quase todos os veículos.

Do Departamento de Justiça à Casa Branca e ao Congresso, a moda é ser antivazamentos, e o uso de termos abertamente ameaçadores para definir os que publicam informações verdadeiras é sem precedentes. O WikiLeaks é o alvo perfeito para defensores de segredos de Estado porque a reputação do site está na lama fora da Trumplândia. Mas vamos pesar as consequências disso.

“Serviço de inteligência não-estatal e hostil” não significa tecnicamente nada. O que impediria um jornal como o New York Times (ou qualquer parceiro ou concorrente dele) de cair nessa definição ao fazer reportagens sobre e-mails hackeados pelo WikiLeaks?

Qual é exatamente o status legal de um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Uma doação para o WikiLeaks poderia ser considerada assistência material ao inimigo?

E quanto aos muitos e respeitáveis jornalistas que já trabalharam em parceria com o WikiLeaks, do New York Times ao Der Spiegel? Eles agora serão considerados culpados de ter colaborado com um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”?

Se o WikiLeaks vier a publicar um vazamento tão revolucionário e valioso quanto o que foi feito por Chelsea Manning, e aí? Jornalistas poderiam escrever reportagens sobre o que tiver sido obtido por essa agência espiã inimiga?

São perguntas sem respostas. A estratégia de rotular o WikiLeaks, além de arriscada, contribuirá pouco para reformar ou mudar significativamente Assange ou o próprio WikiLeaks. O mais provável é que o fundador do site veja nisso tudo mais uma prova de que ele é vítima de perseguição por parte do governo dos EUA.

A nova classificação não adiantaria muito, no entanto, para convencê-lo de que promover Marine Le Pen ou espalhar falsas teorias da conspiração sobre cozinha ritualística não são de interesse público. Mas poderia ser um balde de água fria nos que estão trabalhando para valer. Não dê a Assange, ou a Pompeo, essa vitória.

Foto em destaque: Julian Assange após conversar com a mídia da varanda da Embaixada do Equador em Londres (19/05/2017).

Tradução: Carla Camargo Fanha

Wikileaks revela o suposto método da CIA para ‘hackear’ telefones

Wikileaks - Julian Assange
Julian Assange segura um relatório da ONU na embaixada de Equador. AP

O Wikileaks, plataforma fundada por Julian Assange para divulgar informações confidenciais ou privadas, iniciou nesta terça-feira a publicação de milhares de documentos que atribui ao Centro de Inteligência Cibernética da CIA.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O material consistiria, segundo o WikiLeaks, de detalhes e ferramentas de um programa de espionagem cibernética dos serviços de inteligência norte-americanos, cuja publicação colocaria a agência federal em sérios apuros.

“O arquivo parece ter estado circulando de forma não autorizada entre ex-hackers e prestadores de serviços do Governo, um dos quais ofereceu fragmentos ao Wikileaks”, acrescenta o site em um comunicado.
Uma parte do vazamento, ao qual o Wikileaks se refere como Ano Zero, consiste de 8.761 documentos e arquivos de uma rede isolada de alta segurança, situada no chamado Centro de Inteligência Cibernética que a CIA mantém em Langley (Virgínia), que incluem esses instrumentos de espionagem.
O chamado programa Ano Zero incluiria especificamente uma série de armas informáticas para poder grampear telefones e aparelhos produzidos por companhias norte-americanas, como os iPhones da Apple, o sistema Android do Google, o Windows da Microsoft e os televisores Samsung, que assim se tornariam microfones disfarçados.

Estes documentos serão divulgados após vazamentos relativos a partidos e políticos franceses durante a campanha eleitoral de 2012. Agentes da CIA teriam recebido ordens de averiguar conversas privadas de Nicolas Sarkozy sobre outros candidatos, assim como as estratégias de François Hollande e Marine Le Pen, as dinâmicas partidárias e suas posições com relação à política econômica.

No final do ano, as agências de inteligência dos Estados Unidos acusaram Moscou de orquestrar uma campanha de espionagem durante as eleições presidenciais de novembros nos EUA, mas numa escala muito diferente deste caso, já que acusavam o Kremlin de revelar emails do Partido Democrata – publicados pelo próprio Wikileaks – e difundir notícias falsas, entre outras estratégias, a fim de prejudicar a candidatura de Hillary Clinton e favorecer a chegada de Donald Trump ao poder.

Esse episódio contrapôs Trump, então presidente-eleito, aos seus próprios serviços de espionagem, cuja credibilidade ele colocou em dúvida. Depois de tomar posse na Casa Branca, em 20 de janeiro, voltou a enfrentar esse assunto quando a imprensa divulgou as conexões de membros da sua equipe com Moscou.

As revelações desta terça-feira, se confirmadas, darão a Trump um bom trunfo para sua tese de que a CIA está infestada de fofoqueiros que não cuidam direito da informação confidencial. Jonathan Liu, porta-voz da CIA citado pela agência AP, limitou-se dizer que não faria comentários sobre a autenticidade ou conteúdo de tais documentos.

O WikiLeaks havia planejado uma entrevista coletiva via internet para apresentar seu projeto Vault 7, mas posteriormente anunciou no Twitterque suas plataformas tinham sido atacadas e que tentará se comunicar mais tarde.

Em nota, o australiano Assange, refugiado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres, disse que o vazamento desta terça-feira é “excepcional do ponto de vista legal, político e forense”.

Wikileaks: O verdadeiro Assange

Ao divulgar e-mails do Partido Democrata em um momento crucial para Hillary Clinton, WikiLeaks mostra que interesse público não é prioridade.

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Em abril de 2010, o WikiLeaks surgiu para o mundo.

A entidade, que divulga documentos governamentais e de empresas recebidos anonimamente, publicou um vídeo que mostrava pilotos americanos matando dois jornalistas da agência Reuters. Confundiram câmeras com armas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Foi o início de inúmeros vazamentos que documentaram abusos de poder americano no Iraque. A entidade ficou, desde então, num espaço ambíguo entre o jornalismo e o ativismo, representado por seu misterioso fundador, Julian Assange. Esta semana, a ambiguidade se foi.

O Wikileaks não é uma entidade jornalística.

Embora a organização de Assange só tenha se tornado conhecida em 2010, sua fundação ocorreu em 2006. O objetivo, desde o início, era construir uma plataforma tecnológica segura para que pessoas pudessem vazar documentos de forma anônima.

Lentamente, foi trazendo informações à tona. Dados sobre a fortuna de um ditador africano aqui, um escândalo político peruano ali.

Nem todo documento vazado é de interesse público. Às vezes, o vazamento pode pôr em risco a vida de pessoas. Ou propiciar o rompimento diplomático de países. Pesar interesse público e consequências é, muitas vezes, um duro dilema ético enfrentado por redações em todo o mundo.

Num momento inicial, o WikiLeaks construiu laços com empresas jornalísticas como “Guardian” e “New York Times”. Ao invés de tornar público o grande lote, abriu para que repórteres e editores pudessem escolher o que fazia sentido publicar.

Sempre houve desconforto com Julian Assange. Um hacker australiano que vive no Reino Unido há anos, se, por um lado, recebeu prêmios importantes como o de Mídia da Anistia Internacional, por outro, pesam contra ele fortes acusações.

Entre elas a do abuso sexual de duas mulheres, na Suécia. Ele nega culpa. Mas porque seria extraditado para o julgamento, em agosto de 2012 meteu-se na embaixada do Equador em Londres e, de lá, nunca mais saiu.

O grupo de Prisões Arbitrárias da ONU acusa Suécia e Reino Unido de violarem seus direitos ao não permitirem que ele deixe o país.

No último fim de semana, o WikiLeaks trouxe à tona inúmeros documentos que mostram as trocas de mensagens entre pessoas da cúpula do Partido Democrata. Provam, sem sombra de dúvidas, que o comando partidário trabalhou pela campanha de Hillary Clinton contra a de Bernie Sanders.

Não é ilegal, mas é antiético. O partido deveria ter ficado neutro. Pela primeira vez, o WikiLeaks fez a divulgação sem parceiros da imprensa tradicional. E, neste ponto, não há qualquer problema.

O problema é outro: embora já tivesse os documentos há semanas, Assange escolheu o momento em que poderia causar mais dano a Hillary. Justamente o ponto em que ela precisava consolidar o apoio de Sanders para a disputa nacional, contra Donald Trump.

O critério jornalístico é simples: se é de interesse público, publica-se. Escolher a data para causar impacto positivo ou negativo a uma candidatura não é jornalismo. É política partidária.

Piora. Os documentos, segundo uma empresa de segurança contratada pelo Partido Democrata, foram obtidos por hábeis hackers russos.

Em geral, quando hackers russos fazem ataques a grupos políticos ou governos, o fazem por ordem do Kremlin. Do presidente Vladimir Putin. Não é possível afirmar que os hackers estivessem a mando de Putin. Mas é bastante provável.

Trump tem laços de negócios com Putin. E, na quarta-feira, inacreditavelmente pediu publicamente que Putin lançasse seus hackers contra Hillary.

Assange não gosta de Hillary. Ela era secretária de Estado quando ele vazou os documentos sobre o Iraque. Ela pediu sua prisão. Calha de seus interesses, os de Putin e os de Trump serem os mesmos. E calha de ele ter feito uma escolha.

A prioridade do WikiLeaks não é o interesse público.
Por Pedro Dória

Google e Facebook coletam mais dados que EUA, diz fundador do Wikileaks

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou nesta quarta-feira (13) que o novo modelo de negócio mundial é o “capitalismo de vigilância” e que empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook, recebem mais informações do que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

Por meio de uma videoconferência realizada desde a embaixada do Equador em Londres, onde está asilado desde 2012, Assange afirmou que, no entanto, a NSA acaba vigiando as empresas e, no fim, “se inteira igualmente” de todas as informações que elas recebem.

O ativista australiano participou do seminário internacional “Liberdade de Expressão, Direito à Comunicação Universal e Imprensa Plural para as Democracias do Mundo”, que foi realizado em Santiago, parte da celebração dos 60 anos do Colégio de Jornalismo do Chile.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Assange também fez críticas ao Tratado Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), uma aliança que busca reduzir as barreiras comerciais e que estabelece padrões comuns para os 12 países-membros, entre eles o Chile.

“O TPP, o TISA e o TTIP são um triângulo que procura criar um bloco econômico para excluir a China e que como resposta aos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)”, disse o ativista.

Sobre as pressões que recebeu após os diálogos diplomáticos sigilosos vazados pelo Wikileaks, Assange afirmou que não haverá uma reforma nos EUA para deter a vigilância em massa, mas que esse deveria ser um tema de interesse mundial.

“A quantidade de espionagem pode aumentar. O modelo de negócio é o capitalismo de vigilância”, afirmou o fundador do Wikileaks, afirmando que essa espionagem é feita pelo próprio Google com informações extraídas através do Gmail, por exemplo.

“Por exemplo, o Google está tentando dominar o transporte. Por que? Porque tem uma vantagem comparativa de mapas e imagens de satélites nas ruas, pessoas com celulares sendo monitoradas pelo Google Search (mecanismo de busca)”, explicou o ativista.

Assange afirmou que isso pode ser exemplificado pelos acordos entre o Google e empresas militares que seguem a mesma lógica de rastreamento de informações.ds

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, segura cópia de documento da ONU que diz que ele foi “detido arbitrariamente” pela Suécia e pelo Reino Unido.
Assange fez pronunciamento da sacada da Embaixada do Equador em Londres. Ele pediu para poder sair do local sem correr o risco de ser presoImagem: Niklas Halle’n/AFP
UOL

Por que a navegação anônima na internet, ou navegação ‘pornô’, não é tão protegida como parece

A maioria dos navegadores mais populares oferece uma opção de navegação anônima que, supostamente, não deixa rastros. 

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Muitas pessoas podem estar espionando enquanto você navega na web
Image copyright THINKSTOCK

Pode haver muitas razões para ativar esse modo, conhecido popularmente como “navegação pornô”.

Além de ocultar provas de que você visitou sites que considera inconvenientes, a navegação incógnita também evita que os sites coletem informações do usuário. Ou, pelo menos, é o que promete.

“Podem haver ocasiões em que você não queira que as pessoas que tenham acesso ao seu equipamento vejam essa informação”, afirma o Firefox.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O Chrome também avisa ao usuário que ele pode navegar anonimamente.

Mas nos dois casos, assim como em outros navegadores populares, há um alerta, normalmente, em “letras minúsculas”, informando ao usuário que ele não ficará totalmente escondido: o registro de tudo o que ele fez ainda vai permanecer.

Informações personalizadas

A verdade é que a navegação anônima não oferece muita privacidade.

Google Chrome
O Google Chrome avisa que você não fica invisível ao entrar no modo de navegação anônima – Image copyright GOOGLE CHROME

Mas antes de entrar nesta questão, é preciso saber que tipo de informação é recolhida pelos navegadores e todos os outros envolvidos enquanto uma pessoa está na web.

“Sempre que fazemos uma busca através de um navegador da web estamos enviando dados a alguns servidores (Google, Microsoft, Apple etc)”, disse à BBC Mundo Ricardo Vega, blogueiro espanhol criador da página especializada em tecnologia ricveal.com.

“Junto com nossos dados de busca, também é enviado outro tipo de informação como a localização, navegador usado, idioma ou o dispositivo”, acrescentou.

Todos estes dados são valiosos para o gigantes do setor de tecnologia. Eles permitem, como as próprias empresas afirmam, “conhecer o usuário”.

“Permite que elas nos dividam em grupos e ofereçam publicidade muito personalizada, o que se transforma no núcleo de negócio por trás do Google ou do Bing”, afirmou Vega.

“Além disso essas informações também podem ser usadas em estudos de mercado, tendências de busca e outra classe de indicadores estatísticos que essas empresas podem explorar através de tecnologias como a do ‘Big Data’.”

Sem ser seguido

Apesar dos problemas, a navegação incógnita tem suas vantagens.

“Permite que você navegue pela web sem guardar nenhum tipo de informação sobre os sites que visita”, explica o navegador Firefox.

O navegador não guarda “um registro dos sites que visita”, segundo o Chrome.

E isso é útil para evitar que outros serviços, como o Facebook ou o próprio Google, sigam seus movimentos pela web.

Firefox
O Firefox também alerta para as ressalvas de sua navegação incógnita
Image copyright FIREFOX

Alguns especialistas em segurança afirmam que é uma boa ideia entrar no modo privado quando a pessoa está fazendo transações bancárias, por exemplo.

Mas a equipe de segurança do S2 Grupo, uma empresa especializada em segurança informática, afirma que esse modo de navegação simplesmente evita que sejam guardados dados em seu computador.

“Com certeza não manda os cookies das sessões anteriores. Mas podem continuar rastreando por outros parâmetros”, afirmou a empresa.

De acordo com o alerta do Chrome, o seu provedor de internet, os sites que você visita e o seu empregador (caso você esteja usando o computador do trabalho) podem rastreá-lo.

E, embora tenham saído da lista do Chrome, as organizações de vigilância ou “agentes secretos” e os programas de malware também podem rastrear cada passo dado na web.

O que fazer?

O blogueiro Ricardo Vega afirma que a privacidade não está a salvo quando você navega na web e para tentar mudar isso “é necessário muito trabalho da parte do usuário”.

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Casos recentes demonstraram que organismos de segurança sempre acabam encontra formas de investigar o que as pessoas fazem na web
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“Casos como de Julian Assange ou Edward Snowden mostram como podemos proteger nossa identidade tomando precauções extraordinárias”, acrescentou.

Buscadores que prometem a navegação privada, como o DuckDuckGo, tentam resolver o problema com a criptografia e com promessas de não coletar nem armazenar nenhum tipo de dado. Mas, de acordo com especialista, esse tipo de site não é infalível.

O S2 Grupo afirma que uma busca privada absoluta só seria possível “usando várias ferramentas e métodos que não estão tecnicamente ao alcance do conhecimento de qualquer usuário”.

E uma destas ferramentas, segundo Vega, é “a comunicação encriptada ponto a ponto ou o uso de VPN (Virtual Private Networks).

“No fim, acho que a privacidade, assim como no mundo físico, é uma questão de confiança entre todos os atores que participam do processo de envio e recepção da informação”, disse o blogueiro.

Assange, Snowden e você

Julian Assange Wikileaks Blog do Mesquita FaceBookO WikiLeaks voltou à sua labuta. Acabou de anunciar a divulgação de meio milhão de mensagens e outros documentos secretos do ministério do Exterior da Arábia Saudita. E também mensagens do ministério do Interior e dos serviços de inteligência. Em seu comunicado à imprensa, o WikiLeaks lembra que a divulgação coincide com o terceiro aniversário da reclusão de Julian Assange na Embaixada do Equador em Londres.

Outro que fez aniversário foi Edward Snowden, o ex-técnico contratado da CIA que colocou a público uma enorme quantidade de informações secretas dos Estados Unidos. A divulgação completou dois anos há alguns dias e Snowden assinou um artigo publicado no New York Times comemorando seus sucessos [ver “O poder de um público bem informado”].

Lembrou que graças às suas revelações foi criado um intenso debate que obrigou o governo americano a impor limites para a espionagem eletrônica de seus cidadãos realizada rotineiramente pela Agência de Segurança Nacional (NSA).

“A partir de 2013 instituições de toda a Europa declararam ilegais essas operações de espionagem e impuseram restrições a atividade similares no futuro”, escreveu Snowden, concluindo que somos testemunhas do nascimento de uma geração pós-terror que rejeita uma visão do mundo definida por uma tragédia específica.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Pode ser. Comemoro o fato de a NSA e outros espiões americanos terem mais restrições para ler meus e-mails ou escutar minhas conversas telefônicas. Mas me preocupo mais com as ameaças cibernéticas à minha privacidade que partem da Rússia, da China e de outros governos autoritários do que as que provêm de Washington.

Na mesma época em que Snowden publicou seu artigo, soubemos que piratas cibernéticos penetraram nos sistemas do departamento de pessoal do governo dos Estados Unidos e roubaram informações detalhadas de pelo menos quatro milhões de funcionários públicos federais.

As informações roubadas incluem dados pessoais e profissionais que os empregados do governo estão obrigados a fornecer para ter acesso a informações confidenciais. O principal suspeito do ataque é a China.

De acordo com reportagem do Washington Post, Pequim está construindo um enorme banco de dados com informações pessoais dos americanos, pirateando os arquivos eletrônicos de agências governamentais e seguradoras de saúde.

Como defender

Mas os ataques não se limitam à espionagem nem, necessariamente, têm um governo por trás. Há muitos hackers independentes que ganham a vida com atividade criminosa na internet.

Segundo o respeitado relatório que a empresa Verizon publica todos os anos sobre ataques cibernéticos, eles crescem a uma grande velocidade e são poucos os setores cujas defesas informáticas não tenham sido violadas. Os mais atingidos são o governo, além dos setores de saúde e financeiro.

Os especialistas também ressaltam que embora os ataques cibernéticos originados na China sejam constantes e em massa, os que provêm da Rússia não têm nada a invejar dos chineses no tocante à agressividade, frequência e sofisticação.

Seguramente os Estados Unidos não ficam atrás. Mas não devemos colocar todos no mesmo saco. Os Estados Unidos são uma democracia. Com todos os seus defeitos, ali existe uma separação de poderes e os governantes não gozam da impunidade que desfrutam seus colegas em Moscou ou Pequim.

Sim, é importante que as democracias não espionem seus cidadãos. Mas mais importante ainda é que as democracias tenham como se defender e defender seus cidadãos do perigoso mundo cibernético que está emergindo. Não é por acaso que nem na Rússia nem na China surgiram equivalentes de Assange e Snowden.

Por: Moisés Naím é ex-diretor do Banco Mundial e membro do Carnegie Endowment for International Peace

O que mudou desde o escândalo de megaespionagem da nsa?

Nem os filósofos, nem os sociólogos, nem o mais progressista dos analistas ou pensadores tidos como de esquerda ou de direita haviam visto o admitido o abissal buraco que estava tragando a nossa intimidade e os nossos direitos.

Quando alguém ousava advertir que o inimigo dormia em casa, que a Internet havia se tornado um terreno planetário de espoliação de dados, o que recebia como resposta eram qualificativos pouco amáveis ou desqualificações semelhantes a “você não entende a época”.
Inclusive, havia entre os mais incendiários antagonistas dos impérios do Ocidente, uma espécie de pacto silencioso: o brinquedo de rede valia a liberdade, os segredos e os dados que lhe entregávamos. Julian Assange soube entrar com suma coragem no quadrilátero da denúncia sobre a obscena cruzada contra nossas vidas que certos Estados e os operadores de Internet vinham realizando, mas ninguém o escutou. A propaganda se pôs em marcha e o fundador do Wikileaks passou a ser um errante que perdia sua legitimidade.
Até o dia milagroso, de inícios de junho de 2013, quando, através do jornalista norte-americano Glenn Greenwald e do jornal britânico The Guardian, a voz do ex-analista da CIA e da NSA, Edward Snowden, desfez a surdez globalizada e deixou nua a mais gigantesca vigilância mundial da história da humanidade. Por meio do programa Prism, a NSA norte-americana e seus aliados agrupados no grupo Five Eyes (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Nova Zelândia) mantinham as sociedades humanas sob um massivo e exaustivo controle.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
E não estavam sós. Google, Apple, Yahoo, Facebook, os operadores de telefonia móvel, as multinacionais especializadas em cabos submarinos também contribuíam com o fornecimento de informação. As empresas privadas, em quem depositamos nossa confiança, estavam cobrando de todos nós uma fatura secreta pelas costas. Decorreram exatamente dois anos e muitas coisas mudaram, ainda que timidamente.
Em um texto publicado no dia 6 de junho por vários jornais do Ocidente (Libéracion, The New York Times, Der Spiegel e El País), Edward Snowden recordou o que sentiu quando suas revelações foram colocadas em marcha: “Em especial, houve momentos em que temi que tivéssemos colocado nossas confortáveis existências em perigo por nada, temi que a opinião pública reagisse com indiferença e se mostrasse cínica diante das revelações. Nunca fui tão feliz por ter me equivocado”.
Como se pode saborear, Snowden, a quem os Estados Unidos retrataram como um “traidor” e as esquerdas mundiais quase como uma escória, porque era norte-americano e ex-membro de uma agência de Inteligência, conserva um sadio otimismo. Desde o seu exílio na Rússia, Snowden pensa que as coisas realmente mudaram. Em sua enumeração positiva, este ilustre exilado moderno destaca o fato do programa da Agência de Segurança Norte-Americana (NSA) para rastrear as chamadas telefônicas ter sido declarado “intrusivo” pelos tribunais e refutado pelo Congresso.
Para Snowden, “o fim da vigilância de massa das chamadas telefônicas, em virtude do USA Patriot Act (legislação fortemente permissiva adotada nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001), é uma vitória histórica para os direitos de cada cidadão e a última consequência de uma tomada de consciência mundial”.
Outros passos a mais podem ser acrescentados: a ONU declarou que a vigilância massiva constitui uma violação aos direitos humanos; o Brasil irrompeu no cenário organizando uma cúpula sobre a governabilidade digital, ao final da qual adotou a primeira declaração sobre os direitos de Internet (Marco Civil); as companhias como Google, Facebook e Yahoo introduziram dispositivos de segurança em seus sistemas para proteger melhor seus clientes e, um pouco em todas as partes do mundo, foram criados grupos de ação e de reflexão. Edward Snowden nos forçou a ver o que recusávamos olhar de frente.
Apesar do afã de Snowden, avançou-se pouco. As opiniões públicas parecem não ter integrado a profundidade do mal e os autoproclamados avançados do mundo continuaram navegando com o Google como se nada tivesse acontecido, trocando fotos e segredos pelo Facebook, em suma, presenteando as empresas do império que manobram como ninguém as tecnologias da informação, o mapa completo de suas vidas, a complexa trama de seus amores e relações. Tudo grátis.
É preciso mais ação, mais barulho, mais consciência e participação. Esses eternos privilegiados, que são os intelectuais, precisam mover seus neurônios morais e ampliar as bases de seus princípios para incluir a Internet em suas reflexões e suas lutas. É preciso que destravem os inamovíveis e admitam que a era digital e a relação assídua que mantemos com ela criaram uma espécie de democracia digital que também é preciso defender, assim o como o direito à expressão, o sindicalismo, a liberdade, a justiça, o matrimônio igualitário e a militância contra a miséria, a violência e a exploração. Porque nessa democracia digital esses princípios são violados a cada momento.
Hoje, a prerrogativa de entender o que está ocorrendo realmente no coração da rede está nas mãos de muito poucos. Seis ou sete autores – todos jovens – no mundo detêm a capacidade de pensar esse mundo virtual e as inumeráveis formas como, desde a capitalização de nossos inumeráveis clicks até o uso de algoritmos para controlar nossas vidas, um volume consequente dos direitos adquiridos no mundo real desaparece no virtual.
O Muro de Berlim veio abaixo há um quarto de século; Marx é indispensável, mas não existia Internet em sua época. É preciso repensar tudo porque, para começar, as empresas que nos oferecem laços sociais possuem um contato exclusivo com os serviços secretos. O terrorismo de corte islamista deu às agências de segurança um cheque em branco. Em seu nome, continuam nos espiando vergonhosamente. A França, por exemplo, acaba de votar uma das leis mais intrusivas e violadoras da história moderna.
Nunca como agora os Estados haviam se inserido com tantos meios entre nós e o mundo. É pura e moralmente desastroso, um ato de barbárie contra as liberdades e a intimidade humana. A Internet é uma criação fabulosa, uma chave genial para explorar os labirintos da vida, do conhecimento, dos outros. Porém, eles a estão corrompendo. É utilizada como uma arma contra nós.
Não obstante, Snowden pensa que nem tudo está perdido. Segundo escreve em seu texto, “assistimos ao nascimento de uma geração posterior (aos atentados de 11 de setembro), que rejeita uma visão do mundo definida por uma tragédia particular”. Os Estados do Ocidente, no entanto, definem suas políticas em relação com essa tragédia.
Isto equivale a controlar o planeta porque são esses Estados os que detêm as chaves da tecnologia. Não há nenhuma dúvida de que, neste preciso momento em que você, leitor, chega a estas linhas através de uma página de Internet, alguém, em algum lugar, sabe que você as está lendo.
Via UNISINOS

Julian Assange pode “se safar” de acusações dos EUA por conta de vazamentos

Wikileaks e o Império Blog do MesquitaInformações são do jornal norte-americano The Washington Post, que entrevistou ex-porta-voz do Departamento de Justiça do país.

 É muito provável que o Departamento de Justiça dos EUA não apresente acusações contra Julian Assange, fundador do Wikileaks e responsável por vazamentos de documentos secretos do Estado.
As informações são do jornal The Washington Post.

A decisão ainda não é definitiva, de acordo com a publicação, mas autoridades teriam dito que, da mesma forma que jornalistas divulgaram os mesmo documentos imprensa à fora e não foram processados por isso, o governo americano não teria motivos para processar apenas Assange.

“Se você não está processando jornalistas pela publicação de informação classificada, o que o departamento não o fez, então não há nenhum motivo para processar Assange”, disse o ex-porta-voz do Departamento de Justiça, Matthew Miller, ao Washington Post.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É o que eles apelidaram de “problema New York Times” – se processarem Assange, terão que processar também publicações, como o The New York Times e o The Guardian, que divulgaram informações secretas.

No entanto, é possível que Assange ainda tenha que enfrentar um julgamento, caso seja acusado por algum outro delito.

O Wikileaks, por sua vez, disse ao jornal que somente irá considerar a afirmação quando o DOJ liberar uma “confirmação formal, oficial e aberta de que o governo dos EUA não tem qualquer intenção de processar o Wikileaks”.

Até o momento, o fundador do polêmico site continua sobre a custódia da Baixada do Equador, em Londres, a fim de evitar sua extradição para a Suécia, onde é acusado de estupro.

Julian Assange e a Wikileaks

Entrevista com Assange: “É bom que os governos tenham medo das pessoas”

LONDRES – A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações.

O australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro “Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet”, que está sendo lançado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.

Apesar de aparentar relaxado, não escondia a palidez de sete meses dentro de um escritório. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deportação para a Suécia, onde é acusado de assédio sexual. Segundo ele, sua decisão de pedir refúgio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradição da Suécia para os EUA, onde seria julgado pela difusão de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a polícia britânica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em direção ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas essa situação não o deixou menos polêmico. Segundo ele, ao colocar informações em redes sociais, internautas pelo mundo estão fazendo um trabalho de graça para a CIA. “Hoje, o Google sabe mais sobre você que sua mãe”, disse. “Esse é o maior roubo da história”.

Assange ainda defendeu seu anfitrião, o presidente equatoriano Rafael Correa, diante de sua ação contra jornais no Equador e que chegou a ser criticado pela ONU.

Sobre o futuro do Wikileaks, Assange já prometeu que, em 2013, um milhão de novos documentos serão publicados. Ao Estado, ele garantiu: “haverá muita coisa sobre o Brasil””. Ao aparecer para a entrevista, Assange vestia uma camisa da seleção brasileira, num claro esforço de criar simpatia no Brasil e numa operação de imagem cuidadosamente trabalhada.

Eis os principais trechos da entrevista e as fotos de Joao Castelo Branco, as primeiras publicadas por um jornal brasileiro desde que o australiano pediu asilo ao Equador.

Chade – A Internet é o símbolo da emancipação para muitos e foi apresentada como a maior revolução já feita. Mas agora o sr. traz a ideia de que há uma contra-ofensiva a isso tudo. O sr. considera que a Internet está em uma encruzilhada ? 

Assange – Diferentes tecnologias produzem mais poder para estruturas existentes ou indivíduos e isso tem sido a história do desenvolvimento tecnológico, ao ponto que podemos ver a história da civilização humana como a história do desenvolvimento de diferentes armas de diferentes tipos. Por exemplo, quando rifles, que podiam ser obtidos por pequenos grupos, eram as armas dominantes em seu dia, ou navios de guerra ou bombas atômicas. E isso define a relação de poder entre diferentes grupos de pessoas pelo mundo. Desde 1945, a relação entre as superpotências dominantes tem sido definida por quem tem acesso às armas atômicas. Mas o que ocorre agora é que Internet é tão significativa que está começando a redefinir as relações de força que antes eram definidas pelos diferentes sistemas de armas que um país tinha. Isso porque todas as sociedades que tem qualquer desenvolvimento tecnológico, que são as sociedades influentes, se fundiram totalmente com a Internet. Portanto, não há uma separação entre o que nós pensamos normalmente que é uma sociedade, indivíduos, burocracia, estados e internet. A internet é o alicerce da sociedade, suas artérias, os nervos e está conectando os estados por cima das fronteiras. A Internet é um centro, se não for o centro, da nossa sociedade. Ela está envolvida na forma que uma sociedade se comunica consigo mesmo, como se comunica entre elas. Não é só simplesmente um sistema de armas ou fonte energia. Não é certo pensar como se fosse o sangue da sociedade. É o sistema nervoso central da socidade. Portanto, se há um problema na Internet, há um problema com o sistema nervoso da sociedade. Agora, víamos antes a internet como uma força liberatadora, que garantia às pessoas que não tinham informação com informação e, mais importante ainda, com conhecimento. Conhecimento é poder. Outras coisas tambem são poder. Mas ela deu muito poder a pessoas que antes não tinham poder. E não apenas mudou a relação entre os que tem poder e aquelas que não tem, dando conhecimento àqueles que não tinham conhecimento. Mas também fez todo o sistema funcionar de forma mais inteligente. Todos passaram a poder tomar decisões mais inteligentes e puderam passar a cooperar de forma mais inteligente. Agindo contrário a essa força está a vigilância em massa criada por parte do estado.

Chade – De que forma estaria ocorrendo essa vigilância em massa?

Assange – As sociedades se fundiram com a internet, diante do fato de que comunicações entre os indivíduos ocorrem pela Internet, os sistemas de telefone estão na Internet, bancos e transações usam a Internet. Estamos colocando nossos pensamentos mais íntimos na Internet, detalhes de comunicações e mesmo entre marido e muher, nossa posição geográfica. Enfim, tudo está sendo exposto na Internet. Isso signifca que grupos que estão envolvidos em vigilância em massa tem conseguido realizar uma transferencia em massa de conhecimento em sua direção. Os grupos que já tinham muito conhecimento agora tem mais. Esse é o maior roubo que de fato já ocorreu na história. Essa transferência de conhecido, de todas as comunicações interceptadas para agências nacionais de segurança e seus amigos corporativos. A tecnologia está sendo desenvolvida para essa vigilância em massa está sendo vendida por empresas de países, como a França, que vendeu um sistema de vigilância para o regime de Kadafi. Na África do Sul, há um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as ligações que entram e saem do país e as estocam por apenas US$ 10 milhões por ano. Está ficando muito barato. A população mundial dobra a cada 20 anos. O custo de vigilância está caindo pela metade a cada 18 meses.

Chade – Mas, justamente o sr. citou Kadafi. Muito acreditam que a Primavera Árabe só ocorreu graças à Internet. Não teria sido esse o caso?

Assange – Há uma série de histórias tradicionais de um longo trabalho de ativistas, de sindicatos e até de clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tunísia e no Egito, os Ultras. O que é realmente novo? Bom, algumas coisas: o ativismo pan-arábico é algo novo e potenciado pela web. Diferentes ativistas em diferentes países se conectaram entre si pela web, trocando dicas, identificando quem era bem e quem era mau. O movimento dos Ultras vieram da Itália para os clubes da Tunísia e Egito. Como? Pela Internet. E então há o Wikileaks, jogando muita informação e essa informação então foi atacada pelo regime na Tunísia e depois pelo Egito. Mas também sendo disseminada pelo Egito e Tunisia. Mais importante ainda, essa informação foi disseminada para fora desses países, a tal ponto que ficou difícil para os Estados Unidos e Europa defenderem seus tradicionais aliados.

Chade – O sr. aponta para o poder de redes como Facebook e Google. Confesso que não tenho certeza que Mark Zuckerberg (criador do Facebook) pensou nisso tudo quando estava criando o site. Como é que se tornaram tão poderosos e como é que são, como o sr. diz, usados contra civis? 

Assange – Google, essencialmente, sabe o que você estava pensando. E sabe também (o que vc pensou) no passado. Porque quando você tem algum pensando sobre algo, quer saber algum detalhe, você busca no Google. Sites que tem Google Adds, que na verdade são todos os sites, registram sua visita. Portanto, Google sabe todos os sites que você visitou, tudo o que você buscou, se você usou gmail ou email. Então ele te conhece melhor que você mesmo. Um exemplo: você sabe o que você buscou há dois dias, há três meses? Não. Mas o Google sabe. Google conhece você melhor que sua mãe. Claro, mas alguém pode dizer: Google só quer vender publicidade. Portanto, quem se importa que eles estejam fazendo isso. Mas, na realidade, todas as agências de inteligência americana e de aplicação da lei tem acesso ao material do Google. Eles acessaram isso em nosso caso.

Chade – Como fizeram isso? 

Assange – Eles usaram instrumentos como cartas da agência de segurança nacional e mandados para buscar os dados de email das pessoas envolvidas em nossa organização. Isso saiu do Google, da conta do Twitter, onde pessoas entraram para acompanhar a nossa conta. No caso do Facebook, é algo impressionante. As pessoas simplesmente estão fazendo bilhões de centenas de horas de trabalho gratuíto para a CIA. Colocando na rede todos seus amigos, suas relações com eles, seus parentes, relatando o que estão fazendo, dizendo que vi aquela pessoa naquela festa, aquela pessoa naquela loja. É um incrível instrumento de controle. Países como a Islândia tem uma penetração do Facebbok de 88%. Mesmo que você não esteja no Facebook, você pode ter certeza que teu irmão está e está relatando sobre você, ou sua namorada está relatando sobre você. Não há como escapar. Agora, quando uma organização como Facebook diz que as pessoas querem fazer isso…

Chade – Claro, essa é justamente a minha questão: como o sr. explica que pessoas de diferentes culturas e religiões estão dispostas a revelar suas vidas diante da web? 

Assange – Claro, sobre o que é que você está paranoico. Você pode dizer: bom, estou fazendo isso de forma voluntária e é mais importante estabelecer conexões sociais que se preocupar com um aparato de um estado totalitário. O problema é que isso não é verdade. As pessoas dizem que querem compartilhar algo apenas com meus amigos e amigos de meus amigos, mas não com meus amigos e com a CIA. É uma decepção o que está ocorrendo. As pessoas estão sendo enganadas em desenvolver essa atividade.

Chade – Entendo esse ponto claramente. Mas estamos vendo também censura na China, no Irã e em Cuba, países que parecem estar de fato mais temerosos da Internet. Isso não mostraria que a web é mais ameaçadora para esses regimes que para os civis?

Assange – Acho que você não pode generalizar “esses regimes”. Temos de olhar cada um deles de forma apropriada. Pessoas censuram por um motivo. Censuram porque tem medo, ou porque querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter seu poder. Porque o Irã censura?Bom, porque teme que pessoas dentro do Irã sejam influenciadas por material em persa publicado fora do Irã. E quem publica isso? Bom, alguns são de dissidentes genuínos. Mas também há empresas de fachada, criadas pelos israelenses, pelos Estados Unidos. Isso é umm fato. Inclusive pela BBC em Persa. Denunciamnos essas empresas de fachada no Wikileaks e suas estruturas de financiamento, e mesmo empresas israelenses. Agora, é algo saudável que governos estejam temerosos do que as pessoas pensam. Estranhamente, é um sinal otimista que a China, com toda sua censura e vigilância, está com medo ainda do que sua população pense. Por exemplo, a China baniu o Wikileaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro país a banir. Temos tido uma espécie de guerra para superar o firewall chinês. De alguma forma, é um sintoma positivo.

Chade – Porque? Esse raciocínio não vai contra seu princípio de liberdade no fluxo de informação?

Assange – Sim. Mas é um bom sintoma. Em um país onde as relações estão tão fiscalizadas e a vigilância está enraizada que o poder não precisa se preocupar com o que as pessoas pensam, esse é o maior problema.

Chade – Voltando à questão da liberdade do fluxo de informação. Wikileaks teve um imenso impacto em alguns países. Mas há quem ainda questione: bem, os documentos foram obtidos de forma ilegal. Qual sua avaliação sobre esse argumento de que, por eles terem sido obtidos de forma ilegal, não são informações legítimas?

Assange – Generais não definem a lei. Ou pelo menos não deveriam. Se falamos da situação ameriana, há toda uma série de leis se queremos falar de legislação e foi perfeitamente legal.

Chade – A obtenção dos documentos ? 

Assange – Sim, a forma que foram obtidos. Militares americanos não tem direitos na lei americana de encobrir crimes. De fato, isso é algo explícito. Não se pode usar apenas a classificação de documentos para manter um crime sigiloso. Mas também podemos dizer: quem é que fez a lei ? Obviamente são os interesses militares. Nós, como editores, temos de levar essas leis à sério? Nós não levamos elas a sério. Quer dizer, é um conflito em relação a onde você estabelece uma linha. Muito foi dito sobre isso e muito do que foi dito está filosoficamente falido. Há uma forma simples de entender. Não é Deus que estipula essa fronteira para todos nós. Diferentes organismos tem diferentes responsabilidades. As vezes, entidades policiais tem a responsabilidade de manter algo secreto. Uma investigação sobre a Máfia, deve ser mantida em sigilo.Outras organizações, como editores e jornais, tem a responsabilidade perante o público, que é de publicar nformação que ajude o público a decidir e entender o mundo. Essas diferentes responsabilidades não devem ser contaminadas uma pela outra.

Chade – Trazendo esse debate para a América Latina, como o sr. avalia o comportamento de governos diante da Internet e da imprensa em geral ? 

Assange – É bem variado e tem vários problemas. Acho que, comparado com o resto do mundo, comparado com Europa, EUA, Sudeste Asiático, a região está bastante bem.

Chade – Alguns dos críticos apontam para o fato de que o presidente (do Equador) Rafael Correa ataca a imprensa. Como o sr. se sente sobre isso, e porque escolheu essa embaixada (do Equador) para vir ?

Assange – Pelo amor de Deus. Eles deveriam ser atacados com muita frequência. A primeira responsabilidade da imprensa e em primeiro codifo de ética é acuracy. Tudo começa com você precisando dizer a verdade. Essa precisa ser a primeira coisa. E também ser representativa. Não é porque sua organização é de propriedade de alguma família. Há um grande problema na América Latina com a concentração na mídia. Ainda que, se há seis famílias que controlam 70% da imprensa no Brasil, o problema é muito pior em vários países. Na Suécia, 60% da imprensa é controlado por uma editora. Na Austrália é muito pior, 60% também da imprensa escrita é controlada por Murdoch. Portanto, quando falamos em liberdade de expressão, temos de incluir a liberdade de distribuição, uma distribição adequada e uma das coisas mais importantes que a Internet nos deu é a liberdade na prática de distribuição, se as pessoas estão interessadas no assunto. Não quer dizer que você pode levar algo a um milhão de pessoas com publicidade. Mas você pode montar um blog e, se as pessoas já estão interessados, podem ler.

Chade – Uma pergunta pessoal. Para alguns, o sr. é um herói, outros dizem que é um criminoso, uma ameaça internacional, outros dizem que o sr. é um ativista. Em suas próprias palavras, quem é o sr. ?

Assange – Sou apenas um cara. Todos nós vivemos só uma vez. Todos temos responsabilidades de viver nossas vidas de acordo com nossos princípios e não disperdiácas. Eu só estou tentando fazer isso. Não acho que é necessário que me defina. Na verdade, quando as pessoas se definem, na maioria das vezes estão mentindo. Mas, no lugar disso, devem olhar as ações de uma pessoa e ver se elas são consistentes no longo prazo.

Chade – Porque é que o sr. evita ir à Suécia (onde  a Justiça o busca por acusações de assédio sexual) ?

Assange – Porque eu seria extraditado aos EUA.

Chade – Por qual motivo exatamente ?

Assange – O EUA tem um procedimento contra minha pessoa e contra Wikileaks pelos últimos dois anos. O governo diz em seus próprios documentos internos que a investigação é de um tamanho e natureza “sem precedentes”, citando uma investigação “de todo o governo” americano. É algo sério e que envolve mais de uma dúzia de agências.

Chade – Quais são os próximos passos para o Wikileaks ? O sr. anunciou que vai publicar cerca de um milhão de documentos em 2013. Algo sobre o Brasil?

Assange – Sim. Publicaremos muito sobre o Brasil neste ano. Um material muito interessante.

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.
O Estado de S.Paulo

Wikileaks: Acusação contra Julian Assange na Suécia pode estar desmoronando

Não uso de camisinha ser considerado estupro, é uma coisa inacreditável!
José Mesquita – Editor


O caso contra Julian Assange, fundador de Wikileaks, parece ter chegado a ponto de colapso, depois que os advogados de defesa descobriram que o material de prova, sobre o qual se baseou toda a acusação até agora, não contém DNA de Assange.

DNA inocenta Assange

Segundo detalhes agora expostos à Defesa de Assange, constantes do relatório de 100 páginas da investigação policial, que contém os depoimentos dos interrogados e os laudos periciais, o material recolhido do preservativo apresentado como prova pela mulher que se apresentou como vítima de estupro não contém DNA de Assange.

A equipe de advogados que cuida da defesa de Asssange já encaminhou pedido para que se investigue a possibilidade de a acusadora ter encaminhado material falso à polícia, o que, se comprovado, acarretará a anulação de todo o processo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O Procurador Geral da Justiça da Suécia ainda não se manifestou sobre o relatório da investigação policial.

Assange permanece na Embaixada do Equador em Londres, depois de receber asilo político, enquanto prossegue a batalha judicial contra a ordem de extradição para a Suécia.

Novo Passaporte

Essa semana, em manifestação simbólica de apoio, uma associação que representa grupos de aborígenes australianos emitiu um passaporte para Assange.

A Associação Indígena de Justiça Social da Austrália está em disputa para ter reconhecida a soberania dos nativos em território da Austrália.

Essa semana, membros da Associação declararam irrestrita solidariedade a Assange, que não está recebendo apoio efetivo do governo da Austrália.

O passaporte, que só tem valor simbólico, foi emitido em nome do pai biológico de Assange.
Natalie Apostolou/The Register
Sergio Caldieri/Tribuna da Imprensa