Futebol, Romário, FIFA e o Brasil caminha para o nada. Eis que nada, absolutamente nada, acontecerá para mudar o rumo dos acontecimentos

A Copa do Mundo 2014 no Brasil rendeu US$ 4,8 bilhões (R$ 15 bilhões) em quatro anos – o evento gerou um lucro de mais de US$ 2 bilhões para a Fifa, para uma organização sem fins lucrativos – que, no entanto, mantém uma grande reserva de dinheiro, que contabilizada mais de US$ 1,5 bilhão em 2014 – baseada na Suíça, onde é isenta de impostos. 

O lucro total da organização entre 2011 e 2014, de US$ 5,7 bilhões, não é tão grande em comparação com o de megacorporações – a Coca-Cola, por exemplo, que patrocina a Fifa, lucrou US$ 46 bilhões só em 2014.
No eixo deste mega negócio surge agora personagens acusados de terem praticado crime lesivo aos seus cofres.
São: Ricardo Teixeira (indiciado pela Polícia Federal), Joseph Blatter (presidente renunciado da Fifa), Jérôme Valcke (investigado pela Justiça dos Estados Unidos), José Hawilla (réu confesso) e José Maria Marin (preso na Suíça).
A organização anticorrupção Transparência Internacional (TI) concorda e afirma, em um relatório de 2011 sobre a Fifa, que a corrupção não só prejudica na imagem do esporte como também pode comprometer seu papel de “espalhar os valores do espírito esportivo”.
Em meio às manchetes em todo mundo, a sujeira protagonizada por dirigentes relapsos e ardilosos, contrasta com a humildade de milhares de clubes de futebol que minguam o mínimo possível, para poder gerar craques e renovar a nova geração de futebol.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
São micros agremiações que disputa campeonatos miseráveis de terceira e quarta série, onde sequer dispõem de verba para o transporte dos atletas para o deslocamento entre estádios em meio a campeonatos longos e sem público, e sem renda.
Abandonado a própria sorte a base do futebol mundial, raramente tem o patrocínio de clubes maiores que mantém escolinhas de base ou utilizam esses pequenos clubes como fábrica de atletas. Não pouco, centenas de milhares de agenciadores, exploram essa mão de obra desportiva de forma melancólica e criminosa, deixando querelas para os jogadores, que são na verdade o “artista do espetáculo”.
Para se ter uma ideia, avalie quanto recebe de salário um jogador que disputa uma terceira divisão estadual ou nacional? Vejam as dívidas acumuladas por esses clubes?
Há pouco o C.R. do Flamengo contratou o atacante estrangeiro Paolo Guerrero pela milionária quantia de R$ 1 milhão e 100 mil/mês. Mas deve milhões (?) Uma distorção, que se vê ate mesmo no próprio time, onde atletas que estão lado a lado desse atacante, ganham dois por cento ou menos do que ele.
O futebol tem razões que a própria consciência desconhece, Felipão, despejado do futebol português, voltou ao Brasil e protagonizou o pior espetáculo de uma seleção em Copa da Mundo no 7 a 1 da Alemanha. Em seguida assinou contratou milionário com o combalido Grêmio, saiu, e agora está na China, enganando os mandarins do dólar/metal.
Agora Romário – o senador, posa de bom menino, na carona do “caos do futebol”, coloca o dedo na “ferida” do escândalo da FIFA, faz seu marketing para se eleger prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Mas que passado tem este craque de bola, se na vida “social”, não foi tão craque!
Raimundo, Vampeta, e tantos outros protagonizaram situações pontuais deprimentes, mas posam de “bom menino” ai nas emissoras de rádio e TV, comentando futebol, como se fossem os “mestres” dos mestres. O salário, bem este nunca foi pequeno, o português sim, “pequeníssimo”, uma agressão ao Aurélio.
É o futebol na desonra, e no momento para se rediscutir de verdade, sua nobre finalidade.
Por Roberto Monteiro Pinho/Tribuna da Imprensa

Por que Blatter continua à frente da Fifa?

As buscas policiais no luxuoso hotel Baur au Lac, em Zurique, na manhã de quarta-feira, não eram exatamente o que esperava Joseph Blatter dois dias antes de sua provável reeleição à presidência da Fifa.

Blatter (Getty)
Blatter deve vencer, praticamente sem concorrência, mais um mandato na Fifa.

Muitos veem a votação de sexta-feira mais como uma coroação cerimonial do que como um pleito democrático, mas a prisão de sete executivos da Fifa (entre eles o brasileiro José Maria Marin) lançará questionamentos sobre o processo.

A Fifa está, há anos, envolta em suspeitas de práticas duvidosas. E, ainda que Blatter não esteja diretamente implicado nas prisões desta quarta-feira, por que ele está tão determinado em permanecer no controle da entidade?

Quando o dirigente de 79 anos chegar ao Hallenstadion de Zurique para as eleições da Fifa, dificilmente ele enfrentará oposição real. Há apenas 209 eleitores, muitos deles representantes futebolísticos de pequenos países, e Blatter cultiva relações com eles há anos.

Após os candidatos Luis Figo e Michael van Praag terem abandonado a disputa, há apenas um candidato alternativo a Blatter: o príncipe jordaniano Ali Bin al-Hussein, que muito dificilmente conseguirá votos suficientes para ser considerado uma ameaça.

Ou seja, salvo eventos inesperados, Blatter conseguirá um inédito quinto mandato consecutivo, mantendo o controle sobre o bilionário esporte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que motiva um homem, próximo dos 80 anos e que chegou a dizer que não buscaria a reeleição, a tão explicitamente querer mais quatro anos em um cargo tão alto e alvo de tanto escrutínio?

“Ele claramente se considera a única pessoa capaz de liderar a Fifa”, diz o parlamentar suíço Roland Buechel, defensor de mais transparência ao comando do futebol. “Presumo que ele queira morrer na presidência.”

Em relação às prisões desta quarta-feira, Blatter disse em comunicado que este é um “momento difícil para o futebol, para os fãs e para a Fifa” que “vai impactar o modo como muitas pessoas nos veem”.

Afirmando considerar “bem-vindas as ações e investigações das autoridades dos EUA e da Suíça”, Blatter confirmou o banimento provisório dos suspeitos citados pelas autoridades.

Ele disse ainda que as ações reforçam medidas já tomadas pela FIFA para evitar ilegalidades.

Carreira

Blatter nasceu em uma família humilde na cidade alpina de Visp. Segundo relatos, ele era o “rei do playground” na escola primária, nos anos 1940, e o único menino local com talentos futebolísticos de nível profissional.

Blatter permanece sendo benquisto em sua cidade natal, na Suíça, mas é alvo de críticas diversas

Terminada a escola, Blatter seguiu um caminho comum entre homens suíços nos anos 1960 e 1970: fez o serviço militar obrigatório, chegando ao cargo de coronel. No Exército, ele fez contatos que lhe seriam úteis mais tarde.

Blatter então trabalhou na indústria de relógios e cresceu no ramo de gerenciamento esportivo, atuando na Federação Suíça de Hóquei no Gelo antes de entrar na Fifa como diretor técnico, em 1975.

Quando ele foi eleito presidente da entidade pela primeira vez, em 1998, houve – segundo Buechel – uma certa celebração nacional no país natal de Blatter.

“Ficamos orgulhosos de ter um suíço no comando de uma organização internacional tão importante”, diz ele.

Em Visp, a antiga escola de Blatter foi rebatizada em homenagem a ele. Seu retrato está pendurado na parede, e dias esportivos geralmente são batizados com seu nome. Ele costuma ser recebido afetuosamente quando visita a cidade.

Leia mais: ‘Dono do futebol brasileiro’, réu confesso J. Hawilla terá de devolver US$ 151 mi

“Ele é muito descomplicado, muito acessível”, conta Hans-Peter Berchtold, editor de esporte do jornal local Walliserbote.

No entanto, Berchtold admite que, no que diz respeito às acusações de corrupção na Fifa, até mesmo os velhos conhecidos de Blatter “não são cegos”.

“Todo o mundo sabe que há problemas na Fifa”, ele diz. “Mas eles não acham que Sepp Blatter deva ser responsabilizado por todos eles.”

Ceticismo

Berchtold argumenta que há muitos aspectos positivos na gestão de Blatter, como a promoção do futebol em países em desenvolvimento, o fato de uma primeira Copa do Mundo ter sido realizada na África e, mais recentemente, o compromisso com um processo de reforma na Fifa.

Mas é exatamente disso que alguns dos críticos de Blatter discordam. “Ele teve 17 anos para melhorar a governança na Fifa”, diz Eric Martin, chefe do setor suíço da ONG anticorrupção Transparência Internacional. “Sou cético quanto a se ele fará isso agora.”

Em 2011, um painel independente reunido pela Fifa propôs um pacote de reformas. A decisão da entidade, de ignorar as recomendações para mandatos fixos, limites de idade e divulgação total da renda obtida foi criticada pela ONG.

“Na Suíça, mudamos anualmente de presidente”, agrega Martin. “Tenho certeza que a Fifa conseguiria fazer o mesmo depois de 17 anos (de mandato para Blatter).”

E, enquanto alguns velhos amigos o descrevem como sensato e aberto, outros que trabalharam com Blatter afirmam que ele não gosta de enfrentar oposição – e citam a rápida saída de cena de colegas que ousaram questioná-lo.

Leia mais: Entenda o escândalo de corrupção na Fifa

Muitos se perguntam como presidente conseguiu se manter no poder, em meio a acusações contra a entidade

Blatter rejeitou bruscamente uma sugestão para participar de um debate televisionado ao lado dos demais candidatos à presidência da Fifa.

Questionado certa vez a respeito das críticas a seu comando da entidade – sendo as mais estridentes delas vindas de Alemanha e Inglaterra -, Blatter respondeu que ele poderia “perdoar, mas não esquecer”.

‘Don Blatterone’

Na Suíça, muitos se perguntam como Blatter conseguiu manter o controle da Fifa por tanto tempo, em meio a tantas acusações de corrupção, e ainda assim parecer intocável.

Um jornal suíço o chamou, em tom jocoso, de “Poderoso Chefão, o Don Blatterone” – mas nenhuma investigação conseguiu encontrar provas de seu eventual envolvimento em subornos.

“Ele é um sobrevivente”, diz Buechel. “Nada cola nele, sempre há alguém entre ele e (casos de) suborno.”

“Posso lhe dizer com segurança que ele não é ‘subornável'”, defende Hans-Peter Berchtold. “Dinheiro não é o que o motiva.”

O que emerge, então, é um homem que tanto críticos como simpatizantes dizem que não consegue imaginar sua vida longe da Fifa. Sua carreira foi mais longe do que seus três casamentos.

Buechel e Martin acreditam que a determinação de Blatter em manter seu cargo tornou-se prejudicial à entidade, ao não dar espaço para o surgimento de sucessores.

Até mesmo fãs, como Berchtold, lamentam que Blatter não aceite que pode ser a hora de ir embora.

“Ele poderia ter uma boa aposentadoria aqui em Visp”, diz. “Ele tem a chance de sair pela porta da frente.”

Berchtold teme que “se algo ruim acontecer na Fifa” nos próximos quatro anos, o octogenário Blatter tenha um fim de carreira ruim.

Talvez o “playground” de Blatter seja hoje a própria Fifa, e ele continua querendo ser rei. E, como se sabe, reis raramente abdicam de seus postos.
BBC

Fifa se cansa de críticas e rebate uma a uma; veja respostas

O presidente da Fifa Joseph Blatter gesticula ao lado da taça da Copa do MundoA entidade organizadora da Copa do Mundo rebateu as reclamações sobre custo dos estádios, altos preços dos ingressos e proibição de vendedores ambulantes, entre outras coisas

Fifa deu respostas às principais críticas e reclamações direcionadas à entidade

 Durante toda a organização da Copa do Mundo, a Fifa – e também o governo – foi alvo de críticas e protestos. As reclamações vão desde o custo exorbitante dos estádios em detrimento a outros gastos prioritários, a sede por lucro da entidade e uma Copa inacessível à população mais pobre do Brasil.

Nada disso é verdade, segundo a Fifa.

Em resposta a essas críticas, a entidade divulgou nesta semana um compilado de perguntas e respostas que poderia ser traduzido como “esclarecendo as coisas” ou “pondo os pingos no Is”.

Nele, responde a esses principais temas – ou acusações, dependendo do ponto de vista – que lhe têm sido dirigidos na internet ou mesmo em conversas informais.

Veja a seguir como a Fifa resolveu responder a nove desses “equívocos”, com as transcrições de alguns trechos. As respostas completas podem ser encontradas no site da entidade.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

1. A Fifa não gastou nenhum centavo com a Copa no Brasil

A entidade afirma ter coberto todos os custos operacionais do evento, de cerca de US$ 2 bilhões. “Nós não usamos nada de dinheiro público para isso, só usamos dinheiro gerado pela venda dos direitos de TV e comercialização da Copa do Mundo”, diz a Fifa.

Sobre os investimentos feitos pelo governo brasileiro, a Fifa se defende dizendo que nem todos estão relacionados à Copa e que o país vai se beneficiar por muitos anos das melhorias.

2. O  dinheiro dos estádios foi tirado da saúde e da educação 

A Fifa rebate as críticas de que os 12 estádios construídos ou reformados teriam tirado verba da educação e da saúde brasileira. “A presidente Dilma Rousseff, falando duas semanas antes da Copa do Mundo, salientou que o orçamento do Estado para a educação e a saúde não será afetado pelos empréstimos do BNDES para os estádios (apenas 0,16 por cento do PIB do Brasil)

3. A Fifa mandou o Brasil construir 12 estádios caros

Segundo a entidade, cabe a cada país escolher se quer usar 8, 10 ou 12 estádios. E o Brasil escolheu ter 12. A Fifa diz que apenas estabelece algumas diretrizes básicas a serem seguidas para que os estádios atendam às necessidades e expectativas das equipes, de segurança e dos meios de comunicação.

4. Os ingressos são tão caros que a maioria dos brasileiros não pode pagar

“Em comparação a outros grandes eventos (Jogos Olímpicos, Fórmula 1, torneios de tênis, shows de música pop, etc), há muitos ingressos baratos para a Copa do Mundo”, diz a Fifa.

A entidade diz que para os jogos da fase de grupos havia bilhetes a venda por 15 dólars. Além disso, a Fifa diz ter dado gratuitamente 100 mil bilhetes para os construtores que trabalharam nos estádios, “bem como para as pessoas socialmente desfavorecidas”.

5. FIFA exige isenção fiscal total para seus patrocinadores, o que significa que o país anfitrião não ganha nenhum dinheiro

A entidade diz não fazer nenhuma demanda de isenção fiscal geral para patrocinadores e fornecedores, ou para qualquer outra atividade comercial no país anfitrião.

“A Fifa só exige uma flexibilização dos procedimentos aduaneiros para alguns materiais que precisam ser importados para a organização da Copa do Mundo e que não estão à venda no país de acolhimento (por exemplo, computadores a serem utilizados pela Fifa), placas de publicidade eletrônica e a importação de bolas de futebol a serem utilizados durante a Copa e em seguida reexportados ou doados para uma instituição ligada ao esporte no país.”

6. A Fifa só quer lucrar e não se importa com mais nada

“A Fifa é uma associação de associações com fins não comerciais, sem fins lucrativos e que utiliza seus recursos para alcanças seus objetivos estatutários, que incluem o desenvolvimento do jogo de futebol ao redor do mundo”, diz a entidade. A Fifa diz gastar 550 mil dólares no desenvolvimento do futebol em todo o mundo.

7. O país sede é deixado sozinho para lidar com seus problemas sociais, econômicos e ambientais

A entidade diz estar “plenamente consciente da – e aceita totalmente – sua responsabilidade social como parte da Copa do Mundo”, diz.

“A Fifa anunciou uma estratégia completa de sustentabilidade há quase dois anos, com foco em estádios ecológicos, gestão de resíduos, poio da comunidade, redução e compensação de emissões de CO2, energias renováveis​​, mudanças climáticas e transferência de conhecimento. Além disso, a Fifa ainda apoia uma ampla gama de projetos sociais”.

8. A Fifa é responsável pelas remoções de famílias

“A Fifa  nunca exigiu qualquer desses despejos”, diz a entidade, que ainda afirma ter recebido por escrito do governo federal e das cidades-sede que ninguém teria que ser expulso ou removido para a construção ou reforma dos 12 estádios.

9. A Fifa expulsou os ambulantes da rua para dar exclusividade a seus patrocinadores

A Fifa nega a acusação de que estaria expulsando os vendedores ambulantes das áreas no entorno dos estádios. “Pelo contrário, a Fifa trabalha duro para assegurar que os comerciantes de rua façam parte da Copa do Mundo. No ambiente do estádio, no entanto, preocupações com a segurança implicam que só pessoas com ingressos ou credenciais possam entrar”, explica.

“Na maioria das cidades-sede, os comerciantes de rua que já estavam trabalhando em torno dos estádios foram registrados e, portanto, poderão trabalhar perto dos estádios e das Fan Fests durante a Copa do Mundo”, diz a entidade.
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Copa 2014: Como o Brasil não se preparou para a Copa em 11 anos

Operários ainda instalavam os assentos na arquibancada da Arena da Baixada, em Curitiba, no dia 21 de janeiro (AP)

“Estádios são coisas relativamente simples de se construir”, disse a presidente Dilma Rousseff em visita à Suíça na semana passada. Isso de fato nos leva a uma pergunta óbvia: então por que tantos estádios para a Copa do Mundo estão tão atrasados?

A alta procura por ingressos e pacotes de hospitalidade ajudam a explicar a falta de paciência da Fifa com os prazos assumidos e não cumpridos – e não importa o que se pense sobre o relacionamento entre a Fifa e o governo brasileiro, a Copa do Mundo foi um negócio em que o Brasil entrou (e que o Brasil aceitou) voluntariamente.

Mas uma hora as máscaras caem, como quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, comentou recentemente que, em todos os anos que esteve no comando da entidade, nunca viu uma Copa do Mundo com tantos atrasos. Ele ainda acrescentou que o Brasil foi definido como país-sede da Copa de 2014 em 2007 e, portanto, acabou se beneficiando de um ano extra para se preparar – sete, em vez dos tradicionais seis.

E aqui ele não está sendo generoso. Porque a realidade é que o Brasil não teve sete anos para se preparar. Teve 11.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Um pouco de história: Blatter tentou levar a Copa do Mundo de 2006 para a África do Sul, mas ele perdeu uma votação controversa no Comitê Executivo da Fifa. Por razões políticas, ele não poderia fracassar de novo quatro anos depois. Por isso, junto com Danny Jordaan (presidente da Confederação Sul-Africana de Futebol), ele sugeriu a ideia de revezar o torneio entre os cinco continentes. Em 2010, ele conseguiu decretar: seria a vez da África. Problema resolvido.

E para onde a Copa do Mundo iria depois? A América do Sul, que não recebia o Mundial desde 1978, era o candidato óvio. Então, em março de 2003, Joseph Blatter anunciou que em 2014 seria a vez do subcontinente. O torneio havia dobrado de tamanho desde a Copa da Argentina, em 1978. Quantos países no continente seriam capazes de sediar um Mundial com os 32 times que jogam atualmente? Na realidade, havia apenas um – e assim, alguns dias após o anúncio de Blatter, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) declarou que o Brasil era o seu único candidato.

“Nenhum outro país estava na briga com o Brasil. A disciplina da competição, então, acabou não existindo e abriu espaço para alguns velhos vícios brasileiros; muita politicagem nos bastidores, muita esperteza e pouco progresso. De fato, a consequência da experiência brasileira foi o fim da ideia de revezamento de continentes para sediar a Copa do Mundo.”

(É verdade que a Colômbia rapidamente rompeu com a Confederação e até lançou uma candidatura separada, mas nunca chegou a alimentar sérias esperanças. Ela estava apenas se protegendo contra a vizinha e rival Venezuela, que estava investindo pesado em estádios à época para sediar a Copa América de 2007. O real objetivo da Colômbia – que foi alcançado – era superar a Venezuela na disputa para sediar o Mundial Sub-20 de 2011).

Mas não dá para escapar da verdade: o Brasil sabia que iria sediar a Copa do Mundo de 2014 desde março de 2003. Não havia nenhuma tensão dramática quando, quatro anos e meio depois, a palavra “Brazil” saiu do envelope. Isso simplesmente confirmou o que todos já sabiam. Então por que outubro de 2007 foi tratado, não apenas pela mídia brasileira, como o ponto de partida?

Se tivesse havido uma disputa competitiva pela Copa de 2014, os países candidatos teriam que apresentar propostas. Uma das primeiras coisas que eles teriam quem fazer seria identificar as cidades-sede. Seria um princípio básico, necessário apenas para entrar na briga.

Mas nenhum outro país estava na briga com o Brasil. A disciplina da competição, então, acabou não existindo e abriu espaço para alguns velhos vícios brasileiros; muita politicagem nos bastidores, muita esperteza e pouco progresso. De fato, a consequência da experiência brasileira foi o fim da ideia de revezamento de continentes para sediar a Copa do Mundo.

Nenhuma decisão definitiva sobre as cidades-sede foi tomada até o fim de maio de 2009. Anos foram jogados fora. E uma vez que você fica atrás do relógio, os princípios básicos começam a valer; o custo do que você pode fazer aumenta. A escala do que você pode fazer diminui. E muitos estádios estão atrasados, com o orçamento estourado, enquanto inúmeros projetos de mobilidade urbana, a principal área que iria beneficiar realmente a sociedade, ainda não saíram do papel ou sequer têm chances de ficarem prontas a tempo.

Os estádios são bastante impressionantes. Ainda em 2007, o medo era que eles se tornassem Engenhões, versões maiores do estádio construído no Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007 que custou caro e nasceu obsoleto. Em vez disso, deixando de lado por um minuto a questão dos preços dos ingressos, os estádios são grandiosamente modernos. Eu não voltei lá depois da Copa das Confederações, mas achei a Fonte Nova, em Salvador, um lugar maravilhoso para se apreciar o futebol.

Protesto contra a realização da Copa foi retomado no dia 25 de janeiro (AP)

Os protestos contra a realização da Copa foram retomados no dia 25 de janeiro

Em termos políticos, porém, o fato de os estádios serem impressionantes cria um problema. Isso ficou implícito – e em muitas vezes explícito – na mensagem dos protestos que estouraram em junho e julho do ano passado; se os estados brasileiros foram capazes de construir essas arenas, então por que seriam incapazes de entregar os serviços públicos no chamado “padrão Fifa”?

O pentacampeão em 2002, Rivaldo, disse outro dia que “o Brasil vai passar vergonha na Copa”. Não vejo exatamente assim, embora imagino que haverá problemas e que já ficou claro que o evento não vai cumprir seu potencial para a sociedade brasileira.

Mas a “vergonha” é de quem? Do frentista ou da recepcionista que moram na periferia de uma grande cidade, acordando às 4 da manhã todo dia para chegar ao trabalho? Por que eles deveriam se sentir envergonhados? Eles não tiveram qualquer participação no processo. Não houve nenhum debate público no Brasil sobre os objetivos da Copa do Mundo, sobre quanto a sociedade estava disposta a gastar e o que queria em troca. Por anos, não havia sequer um lugar no Comitê Organizador Local para representantes eleitores pela sociedade (o que, por sinal, é um contraste gritante com a Copa da África do Sul, onde havia um envolvimento generalizado no governo). As pessoas não são porta-vozes das suas nações ou responsáveis por ações da classe dominante.

Infelizmente, todos os atrasos que afetaram a Copa do Mundo de 2014 eram previsíveis. O que não era nem um pouco previsível foi a reação do povo durante a Copa das Confederações, saindo às ruas em centenas, milhares, desafiando a noção que os brasileiros tinham – tinham, no passado – deles mesmos de ser um povo tão passivo a ponto de ser idiota.

O país estava mudando bem em frente aos nossos olhos. O Brasil que existia até maio de 2013 se foi para sempre. Ainda não está claro aonde isso vai nos levar em julho de 2014. Mas aqueles envolvidos na luta positiva para formar uma nova nação não estão passando vergonha. Estão passando para o mundo a visão de um Brasil alternativo, um Brasil mais justo e mais competente.

Tim Vickery/Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil

Tópicos do dia – 20/03/2012

09:17:39
Deputado Vieira Lima diz que redes sociais são eficientes até para pedir votos.
Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão de campanhas eleitorais pelo Twitter. A decisão revoltou alguns parlamentares, como o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) que usa diariamente a rede social “para se aproximar dos eleitores”. Em entrevista à Coluna Claudio Humberto nesta segunda (19), Lima afirmou que o uso das redes sociais ‘são eficientes até mesmo para pedir votos, pois são redes interativas’. Confira a entrevista:

Qual a sua opinião sobre a proibição do uso do Twitter nas campanhas?
Eu sou contra. Quanto maior a liberdade de expressão melhor para a sociedade e para o país. O Twitter é uma ótima ferramenta para aproximar o político da sociedade.

O PPS já entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). O PMDB pretende adotar a mesma medida?
É uma decião do presidente do partido. Porém, se eu for consultado com certeza vou fazer tudo o que for necessário para que isso caia.

O senhor já fez campanha pelo Twitter pedindo votos?
As redes sociais são eficientes até mesmo para pedir votos, pois são redes interativas. O próprio leitor se manifesta, questiona sobre o porquê que não irá votar em tal candidato. Esta é a vantagem das redes, ter uma proximidade com o eleitorado para que o se possa conhecer melhor o candidato e suas propostas. Dali [Twitter] surge até um debate e a interação do eleitorado.

09:34:30
Quinto dos infernos
No Brasil Império, o país pagava a Portugal um imposto chamado “Quinto”. Era assim: a coroa portuguesa levava 20% (1/5) sobre tudo que era produzido aqui. A taxação era considerada escorchante pelos brasileiros. Daí surgiu o apelido de… “Quinto dos infernos” para o imposto. Pois, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga tributária do brasileiro está em 38% – ou seja, quase dois quintos dos infernos.

14:23:05
Romário e a Copa do Mundo no Brasil. Artilharia do baixinho nas redes sociais:
1. “É uma pena ouvir nas rádios, ver na TV, abrir os jornais e ler que o governo federal se uniu à Fifa para que a Copa do Mundo seja a maior de todos os tempos. Uma mentira descabida! Não será a melhor e nós vamos passar vergonha”. “Se continuar acontecendo coisas erradas e estranhas como esse encontro do Blatter com pessoas que não são ligadas a Lei Geral da Copa, ela será uma merda”. “O governo federal está enganado o povo. E a presidente Dilma está sendo enganada ou se deixando enganar”. “Brasileiros, continuem cobrando e se manifestando, porque essa palhaçada vai piorar quando tiver a um ano e meio da Copa.”

2. “O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Aí vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”. “Eu quero ver se as pessoas que apareceram sorrindo na foto durante a reunião de ontem [de Dilma com Blatter] vão querer aparecer. Esse Brasil é um circo e os palhaços vocês sabem bem quem são.”

3. “O presidente da Fifa vem ao Brasil e se encontra com a presidente Dilma. Até ai perfeito!” “Nesse encontro estão presentes Aldo Rebello, ministro dos Esportes, ok; Pelé, embaixador honorário do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, ok; Ronaldo, conselheiro do Comitê Organizador Local (COL), ok. Só uma pergunta: qual dessas pessoas têm a ver com a Lei Geral da Copa? Nenhuma”. “Muitos outros que têm muito a ver com a Lei Geral da Copa não estavam presentes”. “Na minha concepção de político, a política vai de mal a pior.”


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Tópicos do dia – 08/03/2012

08:53:44
Gol! Copa do Mundo de 2014
Juca Kfouri, na Rádio CBN: “vamos para uma Copa com Dilma, que não fala com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que não fala com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, cujo secretário-geral, Jérôme Valcke, não fala com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.”

08:56:18
Câmara dos Deputados aprova mudanças na Lei Maria da Penha
O artigo reconhece o namoro como uma relação íntima de afeto. Se a proposta passar pelo Senado, casos de violência praticados por namorados também passam a ser julgados com mais rigor.

09:05:39
Sedes da Copa do Mundo de 2014
Pelo não andar da carruagem, no Ceará, obras da copa só o Castelão e pintura de meio fio.
Racional era não ter copa onde a saúde pública é uma doença crônica e a educação pública uma lição mal feita.

09:17:17
As conseqüência do uso intensivo do controle remoto.
Amaury Jr. apresentando seu programa sobre a Turquia, disparou essa pérola à entrevistada: você já é meia turca? Ao que ela respondeu: sim sou meio turca.

09:23:58
Mais um discípulo de buenices na TV brasileira.
Agora mesmo repórter, na TV diz: “…no sobrevoo aqui de cima…”
Fico imaginando um sobrevoo subterrâneo.

10:15:57
Galvão Bueno a caminho da fritura. Ave!
O gramático locutor se recusou a ser apresentador dos eventos das Olimpíadas de Londres através do Canal Esport TV, que faz parte do sistema Globo. Por menos, rodaram Armando Nogueira, Boni, Evandro Carlos de Andrade, Ricardo Boechat, e, não completamente, Fátima Bernardes.
Ps. E aquele da área de esportes, Fernando Vanucci, por ter aparecido comendo biscoito durante a exibição do programa. Certamente deveria ser um biscoito da sorte com conteúdo de azar.


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Copa do Mundo 2014: Ficção, caos e vexame?

Na semana passada postei no Twitter que ninguém ficasse surpreso se a ‘provável’ copa do mundo de 2014 migrasse para a Alemanha.

Hoje leio nos jornais “Blatter ameaça tirar Copa do Brasil”.

Coincidentemente ontem estive no Aeroporto Internacional Pinto Martins em Fortaleza, e fiquei pasmado com o que constatei.

Alguém já viu a maquete do que pretende ser o novo Aeroporto Pinto Martins? Está exposta no “hall” do aeroporto próximo às escadas rolantes.

Acredito que somente os desvairados, os amantes de estórias de ficção, e aqueles ‘que levarão algum por fora’, acreditam que aquilo “tudin” irá ficar pronto para a possível, e cada vez mais improvável, copa do vexame de 2014.

Digo do vexame, pois mesmo que algumas obras constantes do caderno de encargos da FIFA sejam executadas, o caos nos demais setores será inimaginável.

A prova? Vejam que não conseguem sequer organizar transportes para o tal do Rock in Rio.
Assisto nos noticiários o calvário dos que já haviam comprado com antecedência passes para transportes que não funcionaram ou ficaram com superlotação, filas monumentais nos portões de acesso do evento, assaltos no interior da tal cidade do rock…

A interdição das ruas que dão acesso ao evento musical provocou um caos no trânsito. Ao todo, 15 ruas e avenidas tiveram o trânsito interrompido. Os moradores dos bairros do entorno sofreram o inferno na terra para chegarem em suas casas.

Ps 1. Aliás até agora só houve mesmo o “in Rio’ porque rock com Milton Nascimento, Claudia Leite ‘et caterva’, só pode ser gozação.
Ps 2. Qual o dia da apresentações de Luan Santana e das duplas caipiras?