Literatura,Poesia,Cultura,Filosofia,Frases,Blog do Mesquita (9)

Cesare Pavese – Reflexões na noite

A ira nunca é súbita

Nasce de um longo roer precedente, que ulcerou o espírito e nele acumulou a força reativa necessária para a explosão. Daqui resulta que um belo acesso de cólera não é, de forma alguma, sinal de uma índole franca e direta. É, pelo contrário, revelação involuntária de uma tendência para nutrir dentro de si o rancor – isto é, de um temperamento fechado, invejoso, e de um complexo de inferioridade.

O conselho de “estar em guarda contra quem nunca se irrita”, significa, portanto, que – todos os homens, acumulando inevitavelmente ódio – convém ter especial cuidado com os que nunca se traem por acessos de ira. Quanto a ti, não fazes mal em ser insicero no teu remoer interior, mas em te traíres na explosão.

Cesare Pavese

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Florbela Espanca – Poesia

O nosso livro
Florbela Espanca

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito…
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

Negacionismo que nada; o negócio é afirmar o pasto da boiada

O negacionismo climático refere-se à descrença no aquecimento global ou da relação deste com as atividades humanas.

Alguém falou em boiada? Foto: Marcio Isensee e Sá.

Portanto, seus defensores ignoram a quase totalidade de evidências científicas produzidas em todo o planeta que afirmam o nexo de causalidade entre as ações antrópicas e o câmbio climático, a ponto, inclusive, de estarmos na Era do Antropoceno.

Atualmente, um dos mais atuantes políticos negacionistas climáticos é o presidente dos EUA. Por aqui, o presidente da República e seu ministro do Meio Ambiente têm atuado fortemente à revelia das evidências científicas produzidas na área. É recorrente, desde o período eleitoral, o discurso de que a política ambiental é um empecilho ao desenvolvimento brasileiro, especificamente, ao agronegócio.

Sua rejeição à pauta ambiental e climática, inclusive, causou embaraço internacional quando decidiu por não sediar a COP-25 – a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A COP-25, presidida pelo Chile, mas realizada na Espanha, em razão das manifestações sociais em Santiago de 2019, colocou o Brasil ao lado dos EUA, tradicional adversário dos esforços mundiais diante da emergência climática. A questão climática discute dois grandes blocos de ações antrópicas: queima de combustíveis fósseis e desmatamento.
Sinistro Ricardo Salles.
O algoz da natureza no Brasil. O “passador de Boiada”

Os EUA preocupados com o lado econômico e sua inserção na geopolítica mundial do petróleo e o Brasil, agora mais do que nunca, voltado para o desmatamento. O ponto de convergência entre esses dois líderes parece, portanto, menos o negacionismo e mais a mera defesa de setores econômicos específicos.

A título de contextualização da realidade brasileira, levantamos 10 eventos nos 18 meses que transcorreram da escolha do atual Ministro do Meio Ambiente até este maio de 2020 – momento em meio à pandemia da COVID-19, doença que, até 26 de maio, contabilizava 391.222 casos confirmados e 24.512 óbitos no Brasil:

Nomeação de Ricardo Salles – dezembro de 2018: sem trajetória na área ambiental, foi uma opção política, definida no bojo das negociações com o agronegócio para manter a existência institucional do Ministério do Meio Ambiental, pasta que o recém-eleito Presidente da República anunciara que seria extinta, tamanho seu desprezo pela questão ambiental;
Reforma administrativa – janeiro de 2019: a política ambiental foi desfigurada; foram retiradas pautas fundamentais como o combate ao desmatamento e às mudanças climáticas. Além disso, a Agência Nacional de Águas foi transferida para o Ministério do Desenvolvimento Regional, e o Serviço Florestal Brasileiro foi movido para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Obstáculos à fiscalização

Em 24 de maio de 2019 o IBAMA, pela primeira vez, anunciou antecipadamente a realização de operação contra o desmatamento ilegal na região da Floresta Nacional do Jamanxim, expondo a segurança da operação e dos agentes envolvidos; vale ressaltar que a Floresta Nacional do Jamanxim foi a terceira unidade de conservação em área desmatada no ano de 2019, com um total de 10.099hectares desmatados;

Decreto n° 9760, de 11 de abril de 2019 (Presidência da República): cria a conciliação nos processos administrativos federais de apuração de infrações por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; na prática, milhares de multas emitidas desde outubro de 2019 (contra desmatamento e garimpo ilegal, por exemplo) estão sem surtir efeitos, pois aguardam audiência de conciliação; o número exato não é conhecido devido à falta de atualização – reconhecida pelo IBAMA – dos dados referentes às multas.

Exploração e produção de petróleo em Abrolhos – março de 2019: o Presidente do Ibama – fruto de indicação política e não técnica – contrariou parecer dos servidores técnicos do órgão ambiental e autorizou a inclusão de blocos de petróleo localizados próximos a Abrolhos na 16ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo; a mobilização interna e atuação de diversas instituições surtiram efeito e contribuíram para que não houvessem ofertas na licitação e, por enquanto, Abrolhos está seguro da obtusa visão de mundo do atual governo e do apetite das transnacionais do petróleo a medida beneficia diretamente a JS Manipulação de Pescados, empresa de Jorge Seif, pai do Secretário de Aquicultura e Pesca.

Blog do Mesquita,Agrotóxicos,Alimentos,Meio AmbienteLiberação de agrotóxicos em 2019: o ano registrou um recorde de agrotóxicos autorizados para comercialização no Brasil, com 503 registros, entre os quais 26 novos pesticidas, abrindo ainda mais o mercado nacional para as empresas internacionais do setor.

Relatório Anual do Desmatamento no Brasil – lançado em 26 de maio de 2020: o relatório é um produto do MapBiomas plataforma de dados mantida por universidades, ONGs e empresas de tecnologia. Os dados de 2019 revelam que foram desmatados 1.218.708 hectares ou 12.187 km² de vegetação nativa, dos quais 60% ou 770.000hectares estão na Amazônia brasileira.Em relação às unidades de conservação, também na Amazônia houve a maior concentração de unidades atingidas (12%) e de área desmatada (13%)

Censura no IBAMA – fevereiro e maio de 2020: por meio da Portaria 560/2020 e da Nota Técnica 1/2020 foi instituída uma Lei da Mordaça aos servidores do órgão, definindo condutas passíveis de sanção, com destaque para manifestações contra políticos, projetos do Executivo e decisões do Ibama, inclusive em suas redes sociais pessoais.

Destacamos que nossa lista (construída com enorme esforço de síntese, visto a variedade e multiplicidade de ofensivas contra a proteção ambiental nesse período) limitou-se aos atos materializados (e considerados principais para nossa argumentação) no âmbito do Executivo federal e não incluiu os ataques aos direitos indígenas e de comunidades tradicionais em razão da objetividade buscada nessa análise para tratar da pauta ambiental-climática.

Dos eventos listados podemos compreender que a pauta nacionalista é uma falácia, uma vez que não se sustenta diante da defesa dos interesses de um agronegócio exportador e socioambientalmente predatório e da exploração de petróleo e outros minerais (do litoral ao interior da Amazônia), que também produzem seus princípios benefícios econômicos no mercado internacional e deixam um legado de exploração de trabalhadores e de devastação ambiental.

O Brasil do atual governo, assim, segue acima de todas as evidências científicas sobre os efeitos danosos causados por agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente, os impactos do desmatamento sobre os equilíbrios ecológico e climático, os riscos das mudanças climáticas sobre a população em geral, os danos reais e potenciais da atividade petrolífera…

O anticientificismo do governo Bolsonaro procura, assim, garantir o descrédito da política ambiental, mantendo-a no lugar de empecilho ou obstáculo ao ‘seu’ Brasil, e promover sua obtusa (mas intencional e interessada) visão de mundo.

Visão, diga-se nada particular ou nova, na qual o Brasil transfere seu patrimônio natural para grandes grupos transnacionais, em benefício da pequena elite nacional que sustenta seu governo, socializa a precarização das condições de trabalho e de vida da população e promove a destruição das condições ambientais que sustentam a vida da população brasileira.

O ataque ao conhecimento, pesquisadores e instituições não é negacionismo, mas uma estratégia organizada pautada em discursos populistas, uso e aparelhamento dos órgãos públicos, disseminação de notícias falsas, desinformação, ameaças e violência, voltada para desqualificar as evidências científicas e coagir pesquisadores/as e, assim, elaborar e implementar políticas públicas sem qualquer embasamento científico. A visão de mundo do atual governo, portanto, está bem definida, é afirmativa ao setor econômico e reativa ao conhecimento científico e as saberes tradicionais.

Contudo, a resistência tem crescido em mobilização de diversos sujeitos e instituições em defesa da ciência e o fortalecimento de bases de dados e veículos como ((o))eco e tantos outros esforços multi-setoriais-institucionais, como os indicados na lista acima. Essas diversas plataformas críticas e de resistência são fundamentais para a democracia, a informação científica e o engajamento cívico. O momento atual pode contribuir para a disseminação de informações e experiências, o fortalecimento de ações e iniciativas em defesa da ciência e da sociobiodiversidade brasileira. Onde a ciência cria raízes, a boiada não consegue pastar.

Racismo nos USA; Os basileiros passamos longe do que seja protestar contra o racismo

Morte de Morte de George Floyd: confrontos com protestos espalhados pelos EUA: confrontos com protestos espalhados pelos EUA

Manifestantes entraram em conflito com a polícia em cidades dos EUA devido ao assassinato de um afro-americano desarmado pelas mãos de policiais em Minneapolis.

O governador de Minnesota disse que a tragédia da morte de George Floyd sob custódia policial se transformou em “algo muito diferente – destruição arbitrária”.

Nova York, Atlanta, Portland e outras cidades sofreram violência, enquanto a Casa Branca foi brevemente fechada.

Um ex-policial de Minneapolis foi acusado de assassinato pela morte.

Derek Chauvin, que é branco, foi mostrado em filmagens ajoelhadas no pescoço de 46 anos, na segunda-feira. Ele e três outros oficiais foram demitidos desde então.

Chauvin, 44, deve comparecer ao tribunal em Minneapolis pela primeira vez segunda-feira.

O presidente Donald Trump descreveu o incidente como “uma coisa terrível, terrível” e disse que havia conversado com a família de Floyd, a quem ele descreveu como “pessoas maravilhosas”.

O caso Floyd reacendeu a ira dos EUA por assassinatos cometidos por negros americanos pela polícia e reabriu feridas profundas devido à desigualdade racial em todo o país. Ele segue as mortes de Michael Brown, Eric Garner e outros, que ocorreram desde que o movimento Black Lives Matter foi desencadeado pela absolvição do vigia do bairro George Zimmerman na morte de Trayvon Martin em 2012.

O que há de mais recente sobre os protestos?

Minnesota continua sendo a região mais volátil, com toques de recolher encomendados para as cidades gêmeas de Minneapolis-Saint Paul das 20:00 às 06:00 na sexta e sábado à noite.

Os manifestantes desafiaram o toque de recolher na sexta-feira. Incêndios, muitos causados ​​por carros em chamas, eram visíveis em várias áreas, com bombeiros incapazes de alcançar alguns locais.

Imagens de televisão também mostraram saques em Minneapolis, com policiais no chão.

Promotor detalha acusações de assassinato e homicídio culposo.

Somente por volta da meia-noite (05:00 GMT) a polícia e as tropas da Guarda Nacional chegaram em qualquer número, informou o Star Tribune.

O governador do estado, Tim Walz, em uma coletiva de imprensa pela manhã, descreveu a situação como “caótica, perigosa e sem precedentes”.

Ele disse que assumiu a responsabilidade de “subestimar a destruição arbitrária e o tamanho da multidão” quando questionado sobre a falta de policiais nas ruas.

Ele disse que o destacamento da Guarda foi o maior da história do estado, mas admitiu que “há simplesmente mais deles do que nós”. Ele disse que os que estão nas ruas “não se importam” com a ordem de ficar em casa.

O Pentágono colocou os militares em alerta para possível deslocamento em Minneapolis.

Na noite de sexta-feira, multidões se reuniram perto da Casa Branca em Washington, acenando fotografias do Sr. Floyd e cantando “Não consigo respirar” – invocando suas últimas palavras e as de Eric Garner, um negro que morreu após ser mantido em um estrangulamento da polícia em Nova York em 2014.

A Casa Branca foi então temporariamente cercada, com o Serviço Secreto dos EUA fechando entradas e saídas.

Em Atlanta, foi declarado estado de emergência em algumas áreas para proteger pessoas e propriedades. Os prédios foram vandalizados e um veículo da polícia foi incendiado quando manifestantes se reuniram perto dos escritórios da emissora CNN.

O prefeito Keisha Lance Bottoms emitiu um apelo apaixonado, dizendo: “Isso não é um protesto. Isso não está no espírito de Martin Luther King Jr. Você está desonrando nossa cidade. Você está desonrando a vida de George Floyd”.Um carro da polícia queima enquanto manifestantes se reúnem perto dos escritórios da CNN em Atlanta, Geórgia – Reuters.

No distrito de Brooklyn, em Nova York, os manifestantes entraram em conflito com a polícia, jogando projéteis, iniciando incêndios e destruindo veículos policiais. Vários policiais ficaram feridos e muitas prisões foram feitas.

O prefeito Bill de Blasio twittou: “Nós nunca queremos ver outra noite como esta”.

O prefeito de Portland, Oregon, declarou estado de emergência em meio a saques, incêndios e um ataque a uma delegacia de polícia. Um toque de recolher imediato até às 06:00 hora local (13:00 GMT) foi imposto e será reiniciado às 20:00.Manifestantes usam leite para tratar a picada de gás lacrimogêneo na cidade de Nova York – Direito de imagem LAURA FUCHS

Em Detroit, a polícia está investigando depois que um homem de 19 anos foi morto quando um veículo estacionado contra manifestantes e tiros foram disparados contra a multidão.

Em Dallas, os policiais lançaram cartuchos de gás lacrimogêneo depois que foram atingidos por pedras, com gás lacrimogêneo também disparado em Phoenix, Indianápolis e Denver.

Os manifestantes bloquearam estradas em Los Angeles e também em Oakland, onde janelas foram quebradas e pichações “Kill Cops” foram pulverizadas.

Quais são os movimentos legais até agora?

Chauvin foi acusado de assassinato em terceiro grau e homicídio em segundo grau por seu papel na morte de Floyd.

A família de Floyd e seu advogado, Benjamin Crump, disseram que isso era “bem-vindo, mas atrasado”.

A família disse que queria uma acusação de assassinato mais grave e em primeiro grau, bem como a prisão dos outros três policiais envolvidos.Derek Chauvin deve comparecer ao tribunal em Minneapolis na segunda-feira. Reuters

O procurador do condado de Hennepin, Mike Freeman, disse que “antecipa acusações” para os outros policiais, mas não oferece mais detalhes.

Freeman disse que seu escritório “acusou o caso tão rapidamente quanto as evidências nos foram apresentadas”.

“Este é de longe o mais rápido que já acusamos um policial”, observou ele.

Segundo a denúncia criminal, Chauvin agiu com “uma mente depravada, sem considerar a vida humana”.

Enquanto isso, a esposa de Chauvin pediu o divórcio, dizem seus advogados.

Como George Floyd morreu?
O relatório completo do médico legista do condado não foi divulgado, mas a denúncia afirma que o exame post mortem não encontrou evidências de “asfixia traumática ou estrangulamento”.

O médico legista observou que Floyd tinha problemas cardíacos subjacentes e a combinação destes, “potenciais intoxicantes em seu sistema” e ser contido pelos policiais “provavelmente contribuiu para sua morte”.

Manifestações e protestos continuados desde a morte de Floyd sob custódia policial na segunda-feira – Direitos autorais da imagem Getty

O relatório diz que Chauvin estava com joelhos no pescoço de Floyd por oito minutos e 46 segundos – quase três minutos depois que Floyd ficou sem resposta.

Quase dois minutos antes de remover o joelho, os outros policiais verificaram o pulso direito do Sr. Floyd e não conseguiram encontrar-lo. Ele foi levado para o Centro Médico do Condado de Hennepin em uma ambulância e declarado morto cerca de uma hora depois.

O manual da polícia de Minnesota declara que os oficiais treinados sobre como compreender o pescoço de um detido sem aplicar pressão direta nas vias aéreas podem usar um joelho sob sua política de uso da força. Isso é considerado uma opção de força não mortal.

O que o presidente disse?Cínico

Na Casa Branca, na sexta-feira, Trump disse que pediu ao departamento de justiça para acelerar uma investigação anunciada na sexta-feira sobre se alguma lei de direitos civis foi violada pela morte de Floyd.

O presidente também disse que “os saqueadores não devem abafar a voz de tantos manifestantes pacíficos”.Os protestos continuaram do lado de fora da Casa Branca durante a noite. Antes, ele descreveu os manifestantes como “bandidos” que desonravam a memória de Floyd.
Direitos autorais da imagem – AFP

A rede de mídia social Twitter acusou Trump de glorificar a violência em um post que dizia: “Quando o saque começa, o tiroteio começa”.

O que aconteceu na prisão?

Os policiais suspeitavam que Floyd havia usado uma nota falsificada de US $ 20 e estava tentando colocá-lo em um veículo da polícia quando ele caiu no chão, dizendo que era claustrofóbico.

Segundo a polícia, ele resistiu fisicamente aos policiais e foi algemado.

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Space X – Após adiamento, foguete deve levar astronautas ao espaço neste sábado

Essa é a primeira missão da SpaceX transportando humanos, desde que a companhia foi criada há quase 20 anos pelo bilionário sul-africano Elon Musk. Desde 2012, a empresa usa uma versão de transporte de carga da cápsula Dragon para reabastecer a Estação Espacial Internacional.

O foguete Falcon 9, da SpaceX, que transportará dois astronautas americanos à Estação Espacial Internacional
Foto: Bill Ingalls/Nasa (22.mai.2020)

O risco de tempestades no Cabo Canaveral, no estado da Flórida, fez o primeiro voo espacial tripulado em quase uma década nos Estados Unidos ser adiado para a tarde deste sábado (30).

O presidente americano Donald Trump até viajou na última quarta-feira (27) para a base de lançamento no sul dos Estados Unidos para assistir de perto ao voo histórico, cancelado no último momento.

Agora, a cápsula Crew Dragon vai transportar dois astronautas americanos —Doug Hurley e Bob Behnken— até o local dentro do foguete Falcon 9. A viagem dura 19 horas e os levará a 408 km da órbita terrestre.

Hurley e Behnken devem ficar na estação por algumas semanas para conduzir pesquisas. Lá, terão a companhia de mais um americano e dois russos. A estação é um laboratório científico no espaço, um projeto de cooperação internacional entre Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão e países da Europa.

Esse lançamento marca um novo momento, em que empresas privadas passam a participar da exploração espacial. A última vez que a Nasa lançou astronautas para o espaço a bordo de um veículo novo foi há 40 anos, no início do programa de ônibus espaciais.

O Falcon 9 é parte do esforço da agência espacial estadunidense para desenvolver tecnologia e ter mais competitividade diante dos avanços da Rússia e da China no setor aeroespacial.

China

A China vem enviando uma série de missões para a Lua nos últimos anos. O país tem investido pesado em um programa espacial para fins científicos, comerciais e militares, e tem ambição de liderar a corrida espacial.

O governo de Pequim está investido na construção da sua própria estação espacial e enviar humanos para a Lua em um futuro próximo. Há seis anos, a China se tornou o terceiro país a conseguir levar para a Lua uma sonda não tripulada, algo antes só alcançado pelos Estados Unidos e pela antiga União Soviética.

Estampas Japonesas (Ukiyo-e)

As estampas japonesas, cujo nome original é ukiyo-e, são uns dos maiores legados culturais do Japão.

Acima, A Grande Onda de Kanagawa, do artista Katsushika Hokusai (1760–1849), é uma das imagens mais conhecidas do mundo.

O pintor holandês Vincent Van Gogh pendurou algumas estampas japonesas em seu quarto em Arles e fez uma versão da obra A ponte sob a chuva, do artista Hiroshige (1797-1858). Suas mais famosas pinturas — como Quarto em Arles e Autorretrato — possuem traços desta arte japonesa (cores chapadas, ondulações, etc).

O ukiyo-e também marcou o movimento impressionista. Claude Monet, fundador do movimento, inspirou-se nas cores das estampas para compor várias de suas obras; também construiu uma ponte japonesa nos jardins de sua propriedade e lhe dedicou seis quadros.

À esquerda, a obra Retrato Emile Zola, de Édouard Manet (1832-1883), exibe uma estampa ukiyo-e na parede. No lado direito, a obra La Japonaise, de Claude Monet (1840-1926): o autor retratou sua esposa em trajes japoneses.

O Japão passou três séculos isolado do ocidente, fato que favoreceu um estilo original de expressão artística. Após a abertura cultural e as exposições internacionais em Londres e Paris (entre 1862 e 1878), a influência cultural do Japão na arte ocidental foi expressiva, principalmente devido ao ukiyo-e. O crítico Jules Claretie criou o termo “japonismo” para se referir a esta influência.

Ukiyo-e: modo de produção

O ukiyo-e é um tipo de xilogravura. Por isso, a produção não se limita ao ilustrador, mas também ao gravurista, que talha a arte na madeira, e ao impressor, que a transfere para o papel ou tecido. A matriz de impressão em madeira permite criar uma linha de produção artesanal.

Ao observar A Grande Onda de Kanagawa – fot no topodo post – pode-se perceber nos traços do desenho a preocupação do ilustrador com o trabalho do gravurista (que fará a matriz de madeira) e do impressor (que irá depositar a tinta e pressionar a matriz no papel ou tecido).

Breve história do ukiyo-e

As origens estéticas do ukiyo-e estão ligadas às tradições da pintura japonesa, que remontam ao Período Heian (794 – 1185). Nessa época, o processo de xilogravura era utilizado apenas de forma religiosa para imprimir selos budistas; o ukiyo-e de fato ainda não existia. Contudo, a partir do século XVI surgiram as primeiras publicações de livros ilustrados com talha de madeira.

Gravura de Okumura Masanobu (1686 – 1764).

Inicialmente Okumura se dedicou à publicação de livros e posteriormente migrou para o ukiyo-e.

A partir do Período Edo (1603-1868), marcado pela prosperidade e surgimento de uma classe mercantil, a demanda por ilustrações impressas popularizou a xilogravura e consolidou o ukiyo-e como gênero artístico. O termo significa, literalmente, “mundo flutuante”, utilizado inicialmente para referir-se ao estilo de vida das classes abastadas da cidade de Edo, antigo nome de Tóquio.

O ukiyo-e se popularizou durante o Período Edo, marcado pela prosperidade e ascensão de uma elite econômica que desejava uma arte que retratasse seu estilo de vida.

Com o aumento da demanda e a exigência de ilustrações coloridas, os artistas passaram a dominar o uso das cores. As estampas coloridas exigiam vários blocos para impressão, entretanto, também permitiram variedade de estilos.

Ainda que o nome ukiyo-e se refira originalmente à forma de vida da elite econômica, posteriormente os artistas se dedicaram a retratar paisagens, batalhas, animais, folclore, cenas urbanas, guerras, beleza feminina e o teatro kabuki.

O trabalho do artista Kobayashi Kiyochika (1847-1915) mostra a evolução da técnica das estampas japonesas.

Durante o Período Meiji (1868-1912), marcado pela modernização e pelo contato com o Ocidente, o ukiyo-e declinou e a xilogravura voltou-se para o jornalismo, além de perder espaço para a fotografia. Assim, passou a ser visto como patrimônio cultural e arte tradicional japonesa.

Contudo, a abertura cultural ocorrida no século XIX permitiu ao Ocidente conhecer as estampas japonesas, que em grande medida foram responsáveis pelo imaginário do país mundo afora, além de influenciar artistas como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Édouard Manet, Claude Monet e o movimento impressionista na França.

Existiram movimentos contemporâneos de ukiyo-e. O movimento Sōsaku-hanga (1912-1989) é um tipo de renascimento, primando pela individualidade da expressão artística, exigindo que o artista domine todas as fases de produção (ilustração, talha em madeira e impressão). O movimento Shin-hanga (1915 – 1942) foi uma revitalização inspirada nos artistas europeus.

Atualmente, o ukiyo-e não é apenas uma das (várias) identidades culturais do Japão: sua estética também marcou a produção dos animes e mangás que atraem jovens do mundo todo. A Viagem de Chihiro, animação ganhadora do Oscar de 2003, é considerado um dos cinquenta melhores filmes animados do mundo, sendo herdeiro da beleza e do imaginário transmitido pelas estampas japonesas.