Pesquisadores israelenses se gabam de ter encontrado uma maneira de roubar dados de computador ouvindo vibrações de ventiladores

Uma maneira nova e não convencional de roubar dados de computadores altamente protegidos, violando seus ventiladores do sistema de refrigeração, é possível, segundo os cientistas israelenses.

Sua pesquisa foi divulgada por Mordechai Guri, chefe de P&D da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel.

A nova técnica, chamada AiR-ViBeR, aparentemente permite que um hacker entre em qualquer computador, incluindo os chamados sistemas com falta de ar – aqueles que são desconectados de qualquer rede. Para roubar os dados, um hacker precisa ouvir atentamente o ruído emitido pelos ventiladores de refrigeração do computador.

“Observamos que os computadores vibram com uma frequência correlacionada à velocidade de rotação de seus ventiladores internos”, disse Guri.

“Essas vibrações inaudíveis afetam toda a estrutura em que o computador está colocado.”

Embora a técnica seja realmente nova, existem algumas ressalvas que a tornam não mais prática. Primeiro, o computador alvo ‘altamente protegido’ precisa ser injetado com um malware chamado Fansmitter, necessário para controlar a velocidade dos ventiladores do sistema e criar vibrações legíveis. Então o hacker precisa de um telefone inteligente com um acelerômetro que esteja próximo do alvo – de preferência na mesma mesa – para realmente ouvir os fãs e sifonar os dados.

Além disso, não é possível canalizar grandes quantidades de dados com esse novo método, admitiram os pesquisadores. Ainda assim, ele pode ser usado para roubar pequenas quantidades de dados, como nomes de usuário e senhas, bem como para arrebatar chaves de criptografia.

Os pesquisadores também ofereceram um conjunto de contramedidas para combater a técnica de hackers, desde o ajuste do computador com seu próprio acelerômetro, a detecção de comportamento anômalo do ventilador até o uso de software bloqueado. Além disso, pode-se isolar o computador altamente sensível em um ambiente à prova de vibração ou simplesmente remover todos os seus ventiladores e optar por refrigeração líquida.

Política,Blog do Mesquita 00

Entrevista – Bernie Sanders, Senador e candidato à Presidência dos Estados Unidos

A mídia “alternativa” tem medo, resiste a apoiar Sanders.

A despeito disso, e contra tudo e contra todas as probalidades, a campanha é um sucesso.

Democratas são uma espécie de “republicanos esclarecidos”, mas são também corporativos, são elite capitalista dos Estados Unidos.
Excelente momento para Sanders; porém, mesmo que ganhe, ainda terá a enfrentar o establishment político, além do econômico; sem contar a mídia corporativista! Será que os americanos acordam?

1. Uso da força


Os presidentes de ambas as partes adotaram uma visão abrangente de seus poderes como comandante em chefe, destacando tropas e ordenando ataques aéreos sem aprovação explícita do congresso e, às vezes, sem uma ameaça iminente. Os candidatos democratas frequentemente criticam tais ações, mas foram menos claros nas circunstâncias em que considerariam justificável a força militar.

Além de responder a um ataque aos Estados Unidos ou a um aliado do tratado, quais são as condições sob as quais você consideraria o uso da força militar americana?
A primeira prioridade de Bernie é proteger o povo americano. A força militar às vezes é necessária, mas sempre – sempre – como último recurso. E ameaças ofensivas da força muitas vezes podem indicar fraquezas e forças, diminuindo a dissuasão, a credibilidade e a segurança dos EUA no processo. Quando Bernie for presidente, garantiremos que os Estados Unidos busquem a diplomacia sobre o militarismo para obter resoluções pacíficas e negociadas para conflitos em todo o mundo. Se for necessária força militar, Bernie garantirá que ele atue com a devida autorização do congresso e somente quando determinar que os benefícios da ação militar superam os riscos e custos.

Você consideraria a força militar para uma intervenção humanitária?
Sim.

Você consideraria a força militar a antecipação de um teste nuclear ou míssil iraniano ou norte-coreano?
Sim.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Existe alguma situação em que você possa se ver usando tropas americanas ou ações secretas em um esforço de mudança de regime? Se sim, em que circunstâncias você estaria disposto a fazer isso?
Não.

É apropriado que os Estados Unidos ofereçam apoio não militar aos esforços de mudança de regime, como fez o governo Trump na Venezuela?
Não.

2. Irã

Em 2015, o governo Obama assinou um acordo com o Irã que suspendeu as sanções em troca de limites significativos ao programa nuclear iraniano. Muitos republicanos se opuseram ferozmente ao acordo, dizendo que não era suficientemente difícil e, em 2018, o presidente Trump o abandonou e restabeleceu as sanções. Mas o Irã manteve o fim do acordo até o mês passado, quando Trump ordenou a morte de um general iraniano, Qassim Suleimani. O assassinato do general Suleimani levou os Estados Unidos à beira da guerra com o Irã, que retaliou atacando duas bases militares que as forças americanas estavam usando no Iraque.

O que você faria com o acordo nuclear iraniano agora abandonado, como negociado em 2015?
Eu entraria novamente no acordo sem novas condições, desde que o Irã também cumprisse seus compromissos. Eu prosseguiria em negociações mais amplas para resolver questões de mísseis balísticos, apoio a grupos terroristas e direitos humanos.

Você acredita que o presidente Trump agiu dentro de sua autoridade legal ao dar a ordem para matar Qassim Suleimani? O assassinato era justificável? Foi sábio?
Não. Os EUA não estão em guerra com o Irã e o Congresso não autorizou nenhuma ação militar contra o Irã. Claramente, há evidências de que Suleimani esteve envolvido em atos de terror. Ele também apoiou ataques às tropas americanas no Iraque. Mas a pergunta certa não é “esse cara era mau”, mas sim “assassiná-lo torna os americanos mais seguros?” A resposta é claramente não. Nossas forças estão em alerta mais alto por causa disso. Enviamos ainda mais tropas para a região para lidar com a ameaça aumentada. E o Parlamento iraquiano votou em expulsar nossas tropas, depois que gastamos trilhões de dólares e perdemos 4.500 soldados corajosos lá.

Em relação a uma possível ação militar futura contra o Irã, existe algum tipo de resposta que está fora de questão para você?
Eu trabalharia com nossos aliados europeus para diminuir as tensões com o Irã e me envolveria em uma diplomacia agressiva que salvaguardaria a segurança dos EUA e de nossos parceiros, evitando uma guerra desastrosa com o Irã.

3. Coreia do Norte

O desmantelamento do programa nuclear da Coréia do Norte tem sido uma prioridade americana, e o Presidente Trump tentou fazê-lo por meios incomuns: diplomacia direta com o líder do Norte, Kim Jong-un. Tudo começou em Cingapura em 2018, mas começou a desmoronar em fevereiro passado, quando Trump e Kim saíram de uma reunião de cúpula no Vietnã de mãos vazias. Enquanto isso, as sanções permanecem, o arsenal de armas e mísseis do Norte tem se expandido constantemente, e Kim ameaçou recentemente retomar os testes com mísseis.

Você continuaria a diplomacia pessoal que o presidente Trump começou com Kim Jong-un?
Sim.

Você reforçaria as sanções até a Coréia do Norte desistir de todos os seus programas nucleares e de mísseis?
Não.

Você gradualmente levantaria as sanções em troca de um congelamento no desenvolvimento de material físsil, como o presidente Clinton tentou?
Sim.

Você insistiria em desarmamento substancial antes de liberar qualquer sanção?
Não.

Você concordaria em começar a retirar tropas americanas da península coreana?
Não, não imediatamente. Trabalharíamos em estreita colaboração com nossos parceiros sul-coreanos para avançar em direção à paz na península coreana, que é a única maneira de finalmente lidarmos com a questão nuclear norte-coreana.

Descreva sua estratégia para a Coréia do Norte.
Cada passo que tomamos para reduzir a força nuclear da Coréia do Norte, abri-la para inspeções, terminar a Guerra da Coréia de 70 anos e incentivar relações pacíficas entre as Coréias e os Estados Unidos aumenta as chances de desnuclearização completa da península. A paz e o desarmamento nuclear devem prosseguir em paralelo, em estreita consulta com nosso aliado sul-coreano. Trabalharei para negociar um processo passo a passo para reverter o programa nuclear da Coréia do Norte, construir um novo regime de paz e segurança na península e trabalhar para a eventual eliminação de todas as armas nucleares norte-coreanas.

4. Afeganistão

A guerra no Afeganistão, iniciada após os ataques de 11 de setembro, é a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, e os documentos divulgados em dezembro revelaram que três administrações presidenciais sucessivas enganaram o povo americano sobre o progresso – ou a falta dele – em andamento. . Que os Estados Unidos devam se retirar tornou-se um raro ponto de acordo entre o presidente Trump e os democratas. Mas ainda existem divergências significativas sobre quando e em que condições essa retirada deve ocorrer.

As tropas americanas estariam no Afeganistão no final do seu primeiro mandato? Nesse caso, você limitaria a missão dessas tropas ao combate ao terrorismo e à coleta de informações?
Não.

A presença americana no Afeganistão dependeria de outras nações contribuindo com tropas no terreno?
Não.

Quanto tempo você vê tropas americanas sendo exigidas, em qualquer número, no Afeganistão?
Como presidente, eu retiraria as forças militares dos EUA do Afeganistão o mais rápido possível. Eu também pretendo tirar as forças americanas do Afeganistão até o final de meu primeiro mandato. Nossos militares estão no Afeganistão há quase 18 anos. Em breve, teremos tropas no Afeganistão que nem nasceram em 11 de setembro de 2001. É hora de encerrar nossa intervenção e trazer nossas tropas para casa, de maneira planejada e coordenada, combinada com uma séria estratégia diplomática e política que ajudará a entregar ajuda humanitária necessária. A retirada de tropas não significa retirar todo o envolvimento, e meu governo permaneceria politicamente engajado nesses países e faria o possível para ajudá-los a desenvolver sua economia e fortalecer um governo que é responsável pelo seu povo.

5. Israel

Em Israel, uma solução de dois estados – há muito vista como o único fim viável do conflito entre israelenses e palestinos – parece mais distante do que nunca depois que o presidente Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotaram um plano que parecia inclinar o resultado a favor de Israel. A decisão de Trump em 2018 de transferir a Embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém foi profundamente polarizadora. Assim é o B.D.S. Movimento (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que se tornou cada vez mais proeminente e que a Câmara condenou em uma resolução bipartidária no ano passado.

Os Estados Unidos devem manter seu atual nível de ajuda militar a Israel? Caso contrário, como deve mudar o nível da ajuda?
Sim, mas essa ajuda pode estar condicionada a Israel tomar medidas para acabar com a ocupação e avançar para um acordo de paz. Bernie acredita que a ajuda dos EUA deve estar condicionada a uma série de preocupações com direitos humanos. Os contribuintes americanos não devem apoiar políticas que comprometam nossos valores e interesses, em Israel ou em qualquer outro lugar.

Você apoia o B.D.S. movimento? Caso contrário, o presidente e / ou o Congresso devem agir para impedir isso?
Não. Embora eu não seja um defensor da B.D.S. movimento, eu acredito que os americanos têm o direito constitucional de participar de protestos não-violentos.

A Embaixada dos Estados Unidos em Israel deve ser transferida de Jerusalém para Tel Aviv?
Não como um primeiro passo. Mas estaria em discussão se Israel continuar a tomar medidas, como expansão de assentamentos, expulsões e demolições de casas, que minam as chances de um acordo de paz.

Todos os refugiados palestinos e seus descendentes devem ter o direito de retornar a Israel?
O direito dos refugiados de voltarem para suas casas após a cessação das hostilidades é um direito internacionalmente reconhecido, mas essa questão será negociada entre israelenses e palestinos como parte de um acordo de paz.

Você apóia o estabelecimento de um estado palestino que inclua terras na Cisjordânia demarcadas pelas fronteiras anteriores a 1967, exceto em assentamentos israelenses de longa data?
Sim, se a questão do acordo for negociada entre israelenses e palestinos.

Se você respondeu sim à última pergunta, o que você fará para conseguir isso onde as administrações anteriores falharam? Se você respondeu não, que solução você vê para o conflito israelense-palestino?
Quando se trata do processo de paz entre israelenses e palestinos, é necessária uma liderança credível dos Estados Unidos. Sou um forte defensor do direito de Israel de existir na independência, paz e segurança. Mas também acredito que os Estados Unidos precisam adotar uma abordagem imparcial em relação a esse conflito de longa data, que resulta no fim da ocupação israelense e permite que o povo palestino tenha independência e autodeterminação em um estado soberano, independente e economicamente viável. por conta própria. Em minha opinião, esse resultado final seria do melhor interesse de Israel, do povo palestino, dos Estados Unidos e de toda a região.

6. RussiaInternet,Virus,GuerraCibernética,Armas,Espionagem,Tecnologia,Hackers,Blog do Mesquita 01

A Rússia tem sido uma força profundamente desestabilizadora no cenário mundial há vários anos, inclusive através da anexação da Crimeia da Ucrânia em 2014 e sua intromissão nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. Depois de anexar a Crimeia, foi suspenso do bloco dos oito países industrializados do Grupo dos Oito (agora, na ausência da Rússia, o Grupo dos Sete). Mas o presidente Trump se esforçou para readmitir a Rússia no G-7 e realizou várias reuniões com o presidente Vladimir Putin, cujo conteúdo não foi divulgado.

Se a Rússia continuar em seu curso atual na Ucrânia e em outros ex-estados soviéticos, os Estados Unidos devem considerá-lo um adversário ou mesmo um inimigo?
Sim.

A Rússia deve ser obrigada a devolver a Criméia à Ucrânia antes que ela seja permitida de volta ao G-7?
Sim.

7. ChinaGuerras,Tecnologia,Primeira Guerra,Mundial,Armas 3

O governo chinês tem perseguido sistematicamente as minorias muçulmanas: separando famílias, submetendo uigures e cazaques a trabalhos forçados e operando campos de internação. Também está envolvido em uma crise política em Hong Kong, uma região administrativa especial da China. Ao mesmo tempo, o presidente Trump adotou uma linha dura no comércio com a China, impondo tarifas economicamente prejudiciais. No mês passado, Estados Unidos e China assinaram um acordo comercial inicial.

O respeito pela independência política de Hong Kong, nos termos do acordo de entrega com a Grã-Bretanha, deve ser um pré-requisito para as relações normais e o comércio com a China?
Sim.

As relações e o comércio normais deveriam depender do fechamento da China de seus campos de internação para uigures e outros grupos minoritários muçulmanos?
Sim.

8. OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar entre 29 países da América do Norte e da Europa, tem sido a peça central da política externa dos Estados Unidos há décadas. Mas o presidente Trump muitas vezes criticou a aliança, argumentando que os Estados Unidos dão demais e recebem muito pouco dela. Durante sua campanha de 2016, ele se recusou a se comprometer com o compromisso central da OTAN – defender outros membros se eles forem atacados – se os membros em questão não tivessem cumprido seus compromissos de gastos, e assessores dizem que, em 2018, ele sugeriu repetidamente a retirada. No ano passado, a OTAN concordou em reduzir a contribuição dos Estados Unidos e aumentar a da Alemanha.

Os países da OTAN deveriam pagar mais pela defesa do que seu compromisso atual de pelo menos 2% do PIB.
Não.

Os países que não cumprirem seu compromisso de financiamento da OTAN ainda receberão uma garantia da ajuda dos Estados Unidos se forem atacados?
Sim.

9. Política de Segurança Cibernética

O armamento cibernético surgiu como a principal maneira pela qual as nações competem entre si e se enfraquecem em conflitos de curta guerra. No entanto, existem poucas regras internacionais que governam as batalhas diárias – ou impedem a escalada. À medida que uma guerra sombria surge no ciberespaço, o presidente Trump deu muito mais poderes ao Comando Cibernético dos Estados Unidos e à Agência de Segurança Nacional.

Uma ordem presidencial deve ser obrigar um ataque cibernético contra outro país, assim como é necessário para lançar um ataque nuclear?
Sim.

A nova estratégia do Comando Cibernético dos Estados Unidos é “envolvimento persistente”, o que significa que os EUA se aprofundam em redes de computadores estrangeiras para se envolver constantemente com adversários e dissuadir greves nos Estados Unidos. Você continuaria com esta política?
Eu realizaria uma revisão abrangente da estratégia cibernética dos EUA e trabalharia para reunir países em torno de convenções internacionais para controlar o uso dessas armas perigosas.

Você respondeu à última pergunta, você insistiria que outras nações que buscam “engajamento persistente” não poderiam estar dentro das redes de energia americanas e outras infraestruturas críticas?
Não seria aplicável nesses casos.

10. Estratégia de Segurança NacionalBlog do Mesquita,guerra,Economia,Emprego,Adam Smith

Na era pós-Guerra Fria – e especialmente após os ataques de 11 de setembro – o ponto focal da política externa americana mudou-se para o contraterrorismo, o Oriente Médio e o Afeganistão. O presidente Trump, pelo menos no papel, defendeu a mudança da política externa americana de volta para enfrentar as “potências revisionistas” da Rússia e da China.

A estratégia de segurança nacional do presidente Trump exige que o foco da política externa americana se afaste do Oriente Médio e do Afeganistão e volte ao que se refere às superpotências “revisionistas”, Rússia e China. Você concorda? Por que ou por que não?
Apesar de sua estratégia declarada, o governo Trump nunca seguiu uma estratégia coerente de segurança nacional. De fato, Trump aumentou as tensões no Oriente Médio e nos colocou à beira da guerra com o Irã, recusou-se a responsabilizar a Rússia por sua interferência em nossas eleições e violações de direitos humanos, não fez nada para resolver nosso acordo comercial injusto com a China que só beneficia empresas ricas e ignorou o internamento em massa de uigures na China e sua repressão brutal a manifestantes em Hong Kong. Claramente, Trump não é um presidente do qual devemos tomar notas.

Como a nação mais rica e poderosa do mundo, precisamos ajudar a liderar a luta para defender e expandir uma ordem internacional baseada em regras na qual a lei, e não a força, faz o que é certo. Quando for presidente, alavancaremos nossa posição como potência mundial para combater a ascensão do eixo autoritário internacional e trabalharemos para construir uma coalizão que se mobilize por trás de uma visão de prosperidade, segurança e dignidade compartilhadas para todas as pessoas.

11. Prioridade Diplomática

O próximo presidente será confrontado com uma série de desafios de política externa, desde o programa nuclear da Coréia do Norte até os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas. Não será possível abordar todos eles de uma vez. Isso torna essencial entender não apenas as políticas dos candidatos, mas também suas prioridades.

Qual seria a sua principal prioridade para o seu secretário de Estado?
Acredito há muito tempo que os EUA devem liderar o mundo na melhoria da cooperação internacional para enfrentar desafios compartilhados. É por isso que, juntamente com meu secretário de Estado, implementarei uma política externa focada na democracia, direitos humanos, justiça ambiental e justiça econômica. Liderar um esforço internacional contra a ameaça urgente das mudanças climáticas será uma prioridade.

Quando for presidente, reverteremos o ataque de Trump à diplomacia. Por exemplo, enquanto a China expande sua presença diplomática em todo o mundo, os EUA estão encolhendo. Mais de 25% das posições-chave do Departamento de Estado permanecem vagas. Tornaremos o recrutamento para o Departamento de Estado e a reconstrução de nosso corpo diplomático profissional uma prioridade. Investir mais em diplomacia, desenvolvimento e prevenção de conflitos a montante pode impedir a necessidade de intervenção militar a jusante. Agora, a falta de diplomacia e a ajuda externa resultarão em maiores necessidades de defesa militar.
Com dados do New York Times

Kobi Levi – Sapatos ou Esculturas?

Design e sapatos são a paixão de Kobi Levi desde a infância em Tel Aviv, Israel.

Seus primeiros designs de calçados foram criados durante os dias de escola. Eles eram feitos de papelão naquela época.

Seguindo sua paixão, em 2001 ele se formou na Academia de Artes e Design Bezalel, em Jerusalém.

Desde sua graduação, Kobi trabalhou como designer freelancer de calçados. Durante esse período, Kobi aprendeu os segredos comerciais do desenvolvimento e artesanato de calçados.

Para seu próprio lazer, Kobi projetou estilos de calçados exclusivos, criativos e inovadores, que desafiam as definições padrão de design, arte e moda para criar um nicho próprio.

Essas criações artísticas de calçados foram enviadas para o blog Kobi iniciado em abril de 2010.

Logo o blog ganhou vida própria e as reações surgiram de todo o mundo. Essa exposição durante a noite levou Lady Gaga a usar o design Double Boot em seu videoclipe “Born this Way”.

A atenção e as publicações em todo o mundo levaram a uma demanda crescente pelos estilos artísticos de Kobi.

Sua caixa de entrada de e-mail foi preenchida quase da noite para o dia com milhares de pedidos de todo o mundo, perguntando onde os sapatos únicos podem ser comprados.

Em julho de 2011, Kobi abriu seu estúdio em Tel Aviv e começou a oferecer seus projetos originais para venda.

No estúdio, ele cria, desenvolve e produz edições limitadas de seus projetos. Todos os pares são feitos à mão a partir de materiais de alta qualidade.

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Governo Bolsonaro: o que faz do plano de mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém algo tão polêmico

O plano do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém representa uma guinada na política externa brasileira e coloca o Brasil ao lado de somente outros dois países – Estados Unidos e Guatemala – que adotaram medida semelhantePolítica Internacional,Brasil,Diplomacia,Israel,Embaixada,BolsonaroA mudança da embaixada brasileira representaria um reconhecimento da cidade como capital de Israel, o que pode provocar não apenas atritos com palestinos e países árabes, mas também reações da comunidade internacional, cuja posição é de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

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O entendimento é de que o reconhecimento de Jerusalém Ocidental como capital de Israel só deve ocorrer ao mesmo tempo em que Jerusalém Oriental for reconhecida como capital de um futuro Estado palestino. Por isso, os países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv, a capital comercial de Israel.

Até agora, nos 70 anos desde a criação de Israel, a postura da diplomacia brasileira sempre foi de equilíbrio entre os dois lados.

Bolsonaro confirmou que pretendia transferir a embaixada no início de novembro. Nesta terça-feira, contudo, ele afirmou que a mudança ainda não estava definida.

“É uma guinada muito grande e mudará a maneira como o Brasil é visto no mundo diplomático como um todo, sobretudo no contexto da ONU”, disse à BBC News Brasil o cientista político Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Isolamento e exportações
Para Stuenkel, as implicações vão além da questão específica do conflito entre Israel e Palestina e podem resultar no isolamento diplomático do Brasil.

“Limita o papel do Brasil como um ator que defende o multilateralismo, sobretudo no sistema ONU, e pode reduzir sua capacidade de buscar apoio em relação a outras questões, como por exemplo a reforma do Conselho de Segurança, que com essa decisão se torna muito menos provável.”Política Internacional,Brasil,Diplomacia,Israel,Embaixada,Bolsonaro

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Depois que Bolsonaro anunciou a possibilidade de mudar a embaixada, Egito cancelou uma visita do ministro de Relações Exteriores brasileiro ao país.

Há também o temor de que, se levada adiante, a decisão possa afetar as exportações brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de carne bovina e de frango do Brasil, especialmente com o selo halal, que atesta técnica de abate conforme preceitos islâmicos.

Esses países apoiam a Palestina no conflito e poderiam reagir ao alinhamento do Brasil com Israel. Stuenkel acredita que o risco não é de boicote, mas sim de medidas que levem a menos acesso do produto brasileiro a esses mercados, como aumento de tarifas.

Poucos dias após o anúncio, o Egito cancelou uma visita do ministro de Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, programada para esta semana.

Disputa histórica
O status diplomático de Jerusalém é uma das questões mais polêmicas no conflito entre Israel e palestinos. Enquanto Israel a considera sua “capital eterna e indivisível”, os palestinos reivindicam uma parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado independente.

A disputa pela cidade, que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, vem desde a criação do Estado de Israel. Quando, em 1947, em sessão presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como “corpus separatum” (corpo separado), sob controle internacional.

Esse plano, porém, não chegou a ser implementado. Em 1948, foi declarada a Independência do Estado de Israel. Imediatamente após o anúncio, forças do Líbano, Síria, Iraque, Egito, Jordânia e Arábia Saudita atacaram o território, dando início à Guerra Árabe-Israelense. Ao final do conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel e a parte oriental controlada pela Jordânia.

A fundação de Israel no que então era o protetorado britânico na Palestina reconheceu o que foi visto como um direito milenar do povo judeu de retornar à terra de onde foi expulso. Os judeus retornaram após a Segunda Guerra, quando cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados no Holocausto.

Mas esse movimento levou também à expulsão de milhares palestinos de suas casas, transformando um povo que vivia sob domínio britânico em refugiados sem direito a um país.

Em 1967, Israel capturou a parte oriental de Jerusalém e, desde então, ocupa a cidade inteira e vem construindo assentamentos em Jerusalém Oriental. Esses assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, posição que é contestada pelo governo israelense.

No ano passado, quebrando décadas de tradição diplomática e cumprindo uma de suas promessas de campanha, o presidente americano, Donald Trump, anunciou o reconhecimento oficial de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada americana, até então localizada em Tel Aviv, para a cidade.Política Internacional,Brasil,Diplomacia,Israel,Embaixada,Bolsonaro

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Em maio, quando a embaixada americana foi realocada para Jerusalém, protestos na Faixa de Gaza se estenderam por semanas.

Guatemala e Paraguai
Na época, Trump argumentou que a mudança não significava “nada além do reconhecimento da realidade”. Mas a medida foi recebida com críticas pela comunidade internacional pela possibilidade de comprometer a neutralidade dos EUA na mediação do conflito e colocar em risco o já frágil processo de paz entre israelenses e palestinos.

Duas semanas após o anúncio, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução rejeitando o reconhecimento de Jerusalém por Washington. Ao todo, 128 países, inclusive o Brasil, aprovaram a resolução. Somente oito países apoiaram os EUA: Israel, Guatemala, Honduras, Micronésia, Palau, Nauru, Togo e Ilhas Marshall.

Em maio deste ano, quando a embaixada americana foi finalmente realocada para Jerusalém, protestos na Faixa de Gaza se estenderam por semanas e deixaram dezenas de palestinos mortos.

A decisão dos EUA foi seguida somente pela Guatemala. O Paraguai também chegou a transferir sua embaixada para Jerusalém, mas, poucos meses depois, com um novo presidente no poder, reverteu a medida.

Mas para James Phillips, especialista em Oriente Médio do centro de pesquisas conservador Heritage Foundation, a decisão dos EUA e, caso levada adiante, a do Brasil, representam um gesto simbólico para corrigir o que ele considera uma injustiça: o fato de Israel ser “o único país do mundo que não pode escolher em que cidade abrigar embaixadas”.

“E não há nada que impeça uma embaixada em um Estado palestino no futuro, inclusive em Jerusalém Oriental, se isso for negociado”, disse Phillips à BBC News Brasil. “Os EUA deixaram claro que transferir a embaixada para Jerusalém não impede também reconhecer um futuro Estado palestino, caso ambos os lados possam negociar isso.”

Eleitorado evangélico
Apesar do possível impacto nas relações externas, tanto a posição de Bolsonaro quanto a de Trump são vistas como questão de política doméstica, em um momento em que cresce a força do eleitorado evangélico em ambos os países.

“Os evangélicos, tanto nos EUA quanto no Brasil, tendem a ser muito pró-Israel”, disse à BBC News Brasil o cientista político Harold Trinkunas, da Universidade de Stanford, na Califórnia. “É uma maneira de demonstrar comprometimento com seus interesses.”

A defesa de Israel por parte da comunidade evangélica costuma ser baseada, entre outros fatores, na herança comum entre o Judaísmo e o Cristianismo e na crença de que a criação de Israel foi ordenada por Deus. O argumento é de que a Bíblia estabelece que os judeus são o povo prometido e que Jerusalém é a capital de Israel. Alguns cristãos também citam a profecia bíblica sobre o retorno de Jesus Cristo e o fim dos tempos, na qual é importante que os judeus estejam ali.

Pesquisas de opinião nos EUA indicam que 80% dos evangélicos acreditam que a criação de Israel em 1948 representou o cumprimento da profecia bíblica sobre o retorno de Cristo.Política Internacional,Brasil,Diplomacia,Israel,Embaixada,Bolsonaro

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Aproximação também é vista como aceno a eleitorado evangélico, que é pró-Israel.
O plano de Bolsonaro, confirmado ao jornal israelense Israel Hayom, em sua primeira entrevista exclusiva a um veículo de imprensa estrangeiro após a eleição, foi condenado por líderes palestinos e elogiado pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que indicou a intenção de viajar a Brasília para a posse do novo presidente, em 1º de janeiro de 2019.

Bolsonaro disse que pretende aprofundar a relação com Israel e que o país “pode contar” com o voto do Brasil na ONU. Em anos recentes, houve alguns episódios tensos nas relações entre os dois países.

Em 2014, depois de o Brasil ter chamado para consultas seu embaixador em Tel Aviv por conta do que condenou como “uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza”, o então porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que o Brasil era um “anão diplomático”. Em 2015, o governo de Dilma Rousseff não aceitou as credenciais do candidato a embaixador de Israel em Brasília, Dani Dayan.

Na entrevista ao jornal israelense, Bolsonaro também cogitou remover a embaixada palestina em Brasília.

O Brasil reconhece o Estado Palestino desde 2010. Mas não há reconhecimento por parte da ONU, o que depende de aprovação do Conselho de Segurança. Desde 2012, a organização reconhece a Palestina apenas como “Estado observador”.

Riscos
Para Trinkunas, a possível transferência da embaixada brasileira é uma sinalização aos EUA de um comprometimento de alinhar a política externa brasileira à do governo Trump. “Também pode impulsionar laços e conexões com outros governos de direita que estamos vendo ao redor do mundo.”

Mas o analista vê riscos. “Pode alienar outros países, na Europa e na Ásia, que apoiam a solução dos dois Estados para Israel e Palestina. Também prejudica a capacidade do Brasil de desempenhar um papel de facilitador diplomático neutro para resolver conflitos.”

Stuenkel alerta para o custo que o país pode pagar ao seguir os passos do governo americano, já que é mais fácil para a maioria dos países se afastar do Brasil do que dos EUA, que são o maior mercado consumidor do mundo e têm alianças de defesa com várias nações do Oriente Médio.

“Acho que precisamos nos preparar, isso afetará a influência diplomática brasileira muito mais do que tem sido o caso com os EUA depois dessa guinada.”

Mas ao comentar a experiência dos EUA, Phillips ressalta que, apesar de ações simbólicas que alguns governos árabes podem tomar, muitos países do Oriente Médio parecem não estar mais tão focados no conflito entre Israel e Palestina.

“Acho que, em geral, esses países tendem a estar mais preocupados com o Irã e as terríveis guerras na Síria e no Iêmen”, afirma Phillips.

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Lider Palestina: transferir embaixada brasileira para Jerusalém seria ‘irresponsável’

Teria ‘sérias consequências’Hanan Ashrawi,Palestina,Israel,Brasil,Diplomacia,Trump,Embaixada,Comércio Internacional,EconomiaUN Photo

‘Se acontecer, haverá sérias consequências; esperamos que seja apenas retórica e que não seja implementada’, disse Hanan Ashrawi

DANIELA KRESCH
 

A integrante do comitê executivo da Organização para Libertação da Palestina (OLP) e do Conselho Legislativo Palestino, Hanan Ashrawi, considera que a decisão de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém é uma decisão “irresponsável” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL-RJ). 

Líder do departamento de Cultura e Informação da OLP,  a ex-deputada palestina espera que a medida não se transforme em realidade. “Não seria bom testar as consequências”, afirma na entrevista exclusiva à RFI Brasil.

O que a senhora pensa sobre essa decisão do presidente eleito do Brasil de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém?

Esperamos que isso seja apenas conversa e não se transforme em ação, porque se trata de uma decisão ilegal e muito irresponsável. Seria um passo provocativo e ilegal.

Haverá consequências no relacionamento entre Brasil e os palestinos?

Se acontecer, haverá sérias consequências. Esperamos que seja apenas retórica e que não seja implementada. Não seria bom para o Brasil.

Como assim?

Não seria bom para as relações comerciais do Brasil com o resto do mundo. Não apenas com o mundo árabe ou o mundo islâmico, mas com todo o mundo. O Brasil seria visto como um país que dá um passo ilegal e contra as exigências da paz.

Mas a transferência foi uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro.

As pessoas dizem muitas coisas durante as campanhas. O fato de que ele prometeu não torna a promessa implementável. O [presidente norte-americano Donald] Trump prometeu muitas coisas em sua campanha, mas não implementou todas. Trump é repudiado em todo o mundo. Então, não acho que ele queira estar na companhia de Trump e de [primeiro-ministro de Israel, Benjamin] Netanyahu como violadores da lei.

O Brasil ficará isolado, caso isso aconteça?

Sim, claro. A transferência teria consequências diplomáticas e econômicas, além de outras consequências. Ainda há tempo de voltar atrás. Lembro que o Paraguai chegou a transferir a embaixada para Jerusalém e voltou atrás. Tudo é reversível.

A senhora acredita que seria uma mudança muito profunda na diplomacia brasileira no Oriente Médio?

Parece-me que o Brasil sempre teve uma posição de legalidade e moralidade e boas relações com a Palestina e com o mundo árabe, independentemente de diferenças individuais ou de quem tenha vencido eleições. Achamos que isso deveria ser uma constante e as políticas do presidente deveriam refletir essa tradição.

Há uma tentativa da liderança palestina em tentar mudar a decisão?

Estamos apenas pedindo ao Brasil para usar sabedoria e responsabilidade e não dar esse passo. Para estar do lado da justiça e não da ilegalidade. Não seria bom testar as consequências.

POR QUE SE DENUNCIA TANTO O AUTORITARISMO DE TRUMP E PUTIN, MAS NÃO O DE NETANYAHU EM ISRAEL?

OS LIBERAIS OCIDENTAIS têm se manifestado bastante, atualmente, sobre a ascensão de governos autoritários e iliberais em todo o mundo: de Putin, na Rússia, a Orbán, na Hungria; de Trump, nos EUA, a Erdogan, na Turquia; de Modi, na Índia, a Duterte, nas Filipinas.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu preside o encontro semanal do gabinete em seu escritório, em Jerusalém, em 11 de dezembro de 2016.
Foto: Abir Sultan/AFP/Getty ImagesREAD IN ENGLISH 

Não se vê tanto clamor em relação a Netanyahu, em Israel — a despeito do fato de que o país, como admitiu o ex-ministro israelense de Relações Exteriores Shlomo Ben-Ami, esteja “sucumbindo aos seus mais profundos impulsos etnocentristas” e esteja “no rumo de se juntar ao crescente clube das democracias iliberais, graças ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu”.

Alguns dirão que “no rumo” é eufemismo. Segundo Hagai El-Ad, diretor-executivo da organização B’Tselem, o Centro de Informações de Israel sobre Direitos Humanos nos Territórios Ocupados, o Estado judeu poderia ser considerado sócio-fundador desse clube por sua “ampla dianteira” em relação aos demais membros. Por exemplo, a prática de “descrever a oposição, e especificamente as organizações de direitos humanos, como traidores, e então pleitear que sejam criminalmente investigados (…) pode parecer familiar a ouvintes de vários países (…) onde governos autoritários estão em ascensão”, me diz ele, no último episódio do podcast Deconstructed, “mas, olha, Israel já fazia isso muito antes”.

Analisemos o conjunto de leis “antidemocráticas” que foram aprovadas na última década pelo Knesset, o parlamento de Israel, e que tiveram um efeito assustador sobre a liberdade de expressão. Em 2011, foi promulgada a “Lei do Boicote“, que permite que qualquer indivíduo ou organização israelense que incite um boicote contra Israel seja processado por perdas e danos. Houve também a “Lei Nakba“, que autorizou o Ministério das Finanças de Israel a interromper o financiamento a instituições que rejeitem a condição de Estado “judeu” de Israel, ou que considerem que o Dia da Independência do país seja um “dia de luto”. Em 2015, veio a “Lei das ONG’s“, que atinge organizações de direitos humanos em Israel que recebam financiamento estrangeiro, e que foi descrita por Mossi Raz, um político do partido de esquerda Meretz, como uma “lei semi-fascista que fere a democracia e silencia a divergência de uma forma que lembra a Rússia de Putin”. (Das 27 organizações ameaçadas por essa lei, 25 são de esquerda ou grupos de direitos humanos.)

Há ainda a opinião pública israelense, que apresentou uma extraordinária guinada nas últimas décadas rumo à direita autoritária e racista. Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, quase metade (48%) dos judeus israelenses atualmente apoiam expulsar os árabes de Israel, e a ampla maioria (79%) considera ter direito a “tratamento preferencial” em relação às minorias não-judaicas em Israel.

Nessa edição do Deconstructed, também conversei com Avner Gvaryahu, ex-paraquedista militar das Forças de Defesa de Israel (FDI), que hoje atua como diretor-executivo da ONG israelense Breaking the Silence [Rompendo o Silêncio], “especialmente detestada pelos israelenses de direita” porque coleciona depoimentos anônimos de veteranos militares de Israel a respeito de abusos que presenciaram ou cometeram durante seu período nos Territórios Ocupados. Segundo Gvaryahu, a direita israelense criou “um ambiente tóxico que um dia deve se voltar contra eles, mas que nesse momento está basicamente destruindo o que resta dos valores liberais em nosso país”.

Por fazer afirmações tão provocadoras e expor possíveis crimes de guerra praticados pelas FDI nos Territórios Ocupados, Gvaryahu, El-Ad e outros ativistas de direitos humanos em Israel não apenas têm sido alvo das leis antidemocráticas, mas também têm sofrido agressões verbais, assédio e ameaças de morte. Até membros de alto escalão do governo israelense entram nessa conta. Parece ruim que Donald Trump tenha chamado a CNN de “fake news”? Nehanyahu já atacou a “Breaking the Silence” por difundir “mentiras e difamar nossos soldados pelo mundo”. O ministro da Defesa Avigdor Lieberman acusou membros do B’Tselem e da Breaking the Silence de serem “completos traidores” financiados “pelas mesmas fundações que financiam o Hamas”.

Perguntei a Gvaryahu como ele reage a ataques pessoais tão maliciosos pelos funcionários mais graduados do país. “Nós meio que brincamos com isso (…) entre os membros da Breaking the Silence. Em que ponto nos tornamos traidores? Foi (…) da primeira vez que lemos um blog de esquerda quando ainda éramos soldados? Foi quando lemos (…) algum livro enquanto guardávamos [prisioneiros palestinos] e brotou em nossas cabeças uma ideia, e começamos a questionar o que estávamos fazendo — ali já éramos traidores também? Quando compartilhamos nossas experiências ao voltar para casa, conversando com pessoas da família — éramos traidores, então? Ou só nos tornamos traidores quando (…) [começamos a] romper o silêncio publicamente?”

Nas últimas semanas, atiradores de elite das FDI sofreram fortescríticas por alvejar e matar dezenas de manifestantes palestinos desarmados, inclusive crianças e jornalistas, na fronteira com Gaza. Para Gvaryahu, “a verdade é que provavelmente há soldados na fronteira agora que um dia serão parte da Breaking the Silence. Será que nesse momento eles já são traidores?”

El-Ad diz que não está surpreso com o discurso hostil. “Por 50 anos, temos definido toda oposição palestina à ocupação como incitação. Por que não poderíamos começar a definir também a oposição israelense à ocupação como incitação, e ir fechando aos poucos o cerco da Linha Verde — mas na direção errada?”

Diante do constante ataque das autoridades israelenses de direita contra El-Ad, Gvaryahu e suas organizações e veículos de notícias, não é vergonhoso que as lideranças liberais do Ocidente não estejam se manifestando ruidosamente em apoio a eles? Ou que essas lideranças estejam tão engajadas em denunciar comportamentos iliberais ou autoritários de Trump ou de Vladimir Putin, mas tão dispostas a fazer vista grossa para Netanyahu?

O ATUAL GOVERNO de Israel — o governo mais à direita e mais avesso à paz de que se tem lembrança — está determinado a demonizar e deslegitimar seus críticos internos, especialmente os ativistas de direitos humanos e as organizações da sociedade civil. E que se dane a liberdade de expressão!

Por quê? Porque as críticas de judeus ao Estado judeu sempre foram mais difíceis de ignorar ou repelir. Fossem Albert Einstein e Hannah Arendt nos anos 1940… ou Natalie Portman no começo de abril. A atriz israelense-americana causou furor em Israel ao se recusar a comparecer a uma cerimônia de premiação em Tel Aviv, dizendo que “não queria dar a impressão de que aprova Benjamin Netanyahu” e se insurgindo contra “o tratamento inadequado daqueles que sofrem pelas atuais atrocidades” em Israel. E qual foi a resposta do governo israelense? O ministro do Gabinete Yuval Steinitz afirmou que o boicote promovido por Portman “beirava o antissemitismo.”

Qualquer pessoa que se manifeste contra o comportamento repressor do governo de Israel, de ambos os lados da Linha Verde, deve ser silenciado. Essa é a mentalidade autoritária e ultranacionalista que agora domina não só o gabinete de Netanyahu, mas também o Knesset. No começo do ano, legisladores israelenses deram aprovação inicial a uma emenda que permitia ao Ministério da Educação proibir de entrarem em escolas as organizações que criticam as FDI. Membros do Knesset destacaram especificamente a Breaking the Silence enquanto discutiam a emenda.

Gvaryahu acredita que seria difícil defender judicialmente uma medida tão ampla e draconiana. “O mais interessante, porém”, ele me conta, “é que, embora tenha havido essa discussão e haja resistência nas escolas que nos convidam, ainda somos convidados. Tivemos uma experiência incrível uns meses atrás, quando alunos de ensino médio nos convidaram, mas os diretores da escola tiveram medo da reação e decidiram cancelar”.

Ainda assim, continua o líder da Breaking the Silence, “os próprios alunos disseram: ‘quer saber? Vamos encontrá-los no nosso próprio horário, em nossas próprias casas’ – adolescentes de 17, 18 anos! Quer dizer, como você motiva jovens de 17, 18 anos, nos tempos atuais, a fazer qualquer coisa? E eles, em seu próprio horário, fora da escola, disseram: ‘vamos convidar vocês’”.

Por isso, Gvaryahu afirma estar otimista e não ter planos de desistir de sua campanha contra a ocupação ilegal de Israel e contra as violações de direitos humanos — independentemente da pressão venha de cima e do apoio escasso dos liberais do Ocidente. O ex-soldado acredita que ele e os demais ativistas podem continuar a “romper o silêncio” diante de cada vez mais israelenses, especialmente os mais jovens. “Eles estão fechando uma porta”, diz ele, “vamos entrar pela janela”.

Maior torre de energia solar do mundo é construída em deserto de Israel

Usina de Ashalim ficará pronta no primeiro trimestre de 2018

A Usina de Ashalim, em construção, em Israel
Foto: Divulgação

Na paisagem das areias do deserto do Negev, no sul de Israel, uma torre de 250 metros de altura – o equivalente a um prédio de 50 andares – se destaca. Trata-se da torre da usina solar de Ashalim, parte do esforço das autoridades israelenses para produzir, até 2020, 10% de sua energia através de fontes renováveis; hoje, este porcentual é de 2,5%.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A mais alta do mundo em um projeto de energia solar térmica concentrada (Concentrating Solar Power – CSP, em inglês), a torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos controlados por computador (heliostatos), distribuídos por uma área de 3 km². Esses espelhos acompanharão a movimentação do sol de modo a refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da torre, durante o maior tempo possível ao longo do dia.

A radiação solar infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará um processo térmico de vapor que moverá enormes turbinas, gerando energia elétrica “limpa”. Quando pronta, no primeiro trimestre de 2018, a usina de Ashalim produzirá 121 megawatts de energia solar, suficientes para iluminar 125 mil casas, evitando a emissão anual de 110 mil toneladas de dióxido de carbono.

“A eletricidade será gerada a partir do vapor da mesma forma que geraria uma usina de gás ou de carvão, mas a energia não vem de combustíveis fósseis e sim do sol. É uma obra de porte para quem quer investir em energia limpa”, diz o engenheiro uruguaio Jacinto Durán-Sanchez, diretor-geral da usina solar.

Espelhos e torre da Usina de Ashalim ao fundo
Espelhos podem ser controlados remotamente e ficam próximos a torres de wi-fi, para garantir conexão sem interrupção | Foto: Felipe Wolokita

Conexão 24h

Os espelhos serão controlados remotamente até mesmo por telefones celulares dos engenheiros e diretores. Diariamente, a areia do deserto acumulada sobre eles terá de ser retirada.

“Os heliostatos vão estar inclinados, levando os raios de sol e o calor até a caldeira para levar a água a um vapor de 600 graus. Cada heliostato tem seu comando individual e remoto. Entre os espelhos há torres de wi-fi para assegurar que estejam conectados 24h por dia”, explica o engenheiro argentino Claudio Nutkiewicz, outro latino-americano envolvido no projeto.

No mundo, existem atualmente apenas 10 usinas heliotérmicas com capacidade superior a 121 MW. A maior é a de Ivanpah, no deserto do Mojave (EUA), inaugurada em 2014, com capacidade projetada de 392 MW. Mas ela conta com três torres de 190 metros de altura cada uma (40 andares), que recebem luz de 173.500 heliostatos.

As turbinas da usina solar
Usina de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões | Foto: Daniela Kresch

O projeto de Israel é mais humilde no número de espelhos (um terço), mas inova ao contar com apenas uma torre dez andares mais alta – que teria potencial maior na produção energética com custo menor do que o de erguer diversas torres. Novos megaprojetos com torres altíssimas (ao invés de várias mais baixas) estão em andamento. Uma delas, na Austrália, chegará perto da de Ashalim. A Aurora Solar Energy terá uma torre de 227 metros de altura (48 andares).

A usina solar (ou heliotérmica) de Ashalim tem custo estimado de US$ 570 milhões e, faz parte de um projeto mais amplo, o Megalim, uma joint-venture entre a General Electric (GE), a BrightSource (empresa americana de energia solar que também construiu a usina de Ivanpah) e o fundo israelense Noy (que investe em infraestrutura, com participação do Banco Hapoalim, o maior do país).

No total, o projeto é estimado, em US$ 820 milhões, incluindo mais duas obras complementares: uma para armazenamento de energia solar de noite e outra de uma usina com tecnologia fotovoltaica para produzir ainda mais energia. Juntos, os três projetos solares gerarão cerca de 310 MW – cerca de 2% das necessidades de Israel.

Mas as usinas heliotérmicas também têm críticos. Nos Estados Unidos, ambientalistas apontam para o fenômeno de aves mortas encontradas nas proximidades dessas centrais elétricas. Eles afirmam os pássaros são incinerados pela luz refletida pelos espelhos, que pode alcançar 600° centígrados.

O ciclo do ódio

Ciclo do ódio,Blog do MesquitaConta-se que Albert Einstein teria dito ser mais fácil desintegrar o átomo do que acabar com os ódios na sociedade.

Basta atentar para os primeiros sete meses de 2015 para lhe dar razão.

Sobre o tráfico de desesperados migrantes para a Europa, comove o relato do sírio Eyas Hasoun, dado ao jornal Corriere della Sera após a morte da sua filha Raghad, de 11 anos.

A menina sofria de diabetes. A esperança do pai era operá-la na Alemanha, onde ambos pretendiam chegar. Viajantes de um barco precário saído da Líbia, destinado ao tráfico de seres humanos e operado por uma das dezenas de organizações criminosas que passaram a deter parte do controle territorial e social do país depois da queda de Muammar Kaddafi, assassinado em 20 de outubro de 2011.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo programado pelos traficantes de seres humanos, o barco chegaria à ilha siciliana de Lampedusa e Hasoun e Raghad fugiriam da Itália para a Alemanha. Pai e filha enferma pretendiam manter a clandestinidade e, para isso, tentariam evitar o obrigatório registro imigratório, medida geradora de proibição de ingresso em país da União Europeia diverso daquele do desembarque.

A esperança de Hasoun virou pó ao cabo da aventura vivida para deixar uma Síria em guerra, evitar as tropas fiéis a Bashar el-Assad e as decapitação por “soldados” fanáticos do Estado Islâmico. Em alto-mar, o traficante no comando da embarcação atirou a mochila de Raghad às águas, embora sabedor de conter toda a medicação necessária a mantê-la viva. Pela falta de insulina, Raghad agonizou e morreu no curso da travessia, sem largar a mão do pai, desesperado e sem alternativas.

Nem essa tragédia conseguiu abrandar a xenofobia europeia, encabeçada por líderes populistas-fascistas, como a francesa Marina Le Pen e o italiano leghista Matteo Salvini. Em cena, na Europa de hoje, duas posturas opostas. De um lado o papa Francisco, que recomenda priorizar o ser humano.

Do outro, o odioso discurso da direita europeia pelo fim da migração continental, e a sustentar o enganoso discurso do “ajudar nas próprias casas, nos seus países”, como se fosse possível dissuadir fugitivos e enviar ajuda do Chifre da África à Guiné Equatorial e aportes à Ásia. Fora isso, até a esfinge de Gizé sabe que dirigentes africanos gostam de embolsar ajuda internacional e manter na miséria os seus povos.

Nesta semana, dois barcos saídos da Líbia, ambos à deriva e um deles a fazer água, emitiram o SOS, captado por portos italianos. Houve pronta ajuda e 700 fugitivos foram salvos. Esse episódio, na esteira da tragédia da menina Raghad, reabre, desta vez com o secretário da CEI (a CNBB da Itália), monsenhor Galantino à frente, a repisar o pensamento do papa Francisco na condenação do ódio aos imigrantes, enquanto a direita europeia, clama contra a “invasão” da Europa. No pobre e falso discurso do “salvar as pessoas nas suas casas e nos seus países”, embarcou Beppe Grillo, ex-cômico, populista e líder do Movimento 5 Estrelas.

A solução possível e realista em face do fenômeno imigratório e do combate ao tráfico e exploração de seres humanos ainda não foi encontrado pela União Europeia. O recente sistema de cotas, pelo qual cada país haveria de receber um número determinado de imigrantes, está à beira da falência pelo simples fato de que chega mais gente do que o planejado. Nada melhor para a direita radical à busca de votos. O ódio assumia uma função cada vez mais decisiva no mundo, ao sabor do preconceito e da intolerância.

Em matéria, pontifica a Alemanha, tão desmemoriada em relação ao seu próprio passado: campeão na liga, o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, de fé luterana, protagonista do episódio do “GreExit”.

E Schäuble até esqueceu ter sido a reconstrução da Alemanha pós-Hitler bancada pelos vencedores da Guerra. Para o ministro, o caso da Grécia continua sendo de simples condomínio. E a condômina da União Europeia que não cumpre as regras e deixa de pagar os débitos sujeita-se ao despejo. Enquanto isso, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, proclama o “erro histórico” do acordo com o Irã.
Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

Alerta contra a intolerância

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, ocorre algo contrário aos direitos humanos e aos preceitos constitucionais.

Com base na Lei da Transparência, sindicatos e uma associação de apoio à causa palestina exigiram da Reitoria que indicasse projetos ligados à defesa militar supostamente estabelecidos com o Estado de Israel.

Roberto Romano¹

Mas no mesmo átimo foi exigida a identificação de mestres e discentes israelitas (Memorando Circular 02/2015, Pró-Reitoria de Pós-Graduação). O requerimento proclama a “covardia” israelense e tem como base falas e atos da presidente Dilma Rousseff, que, diante do “massacre” (os próprios autores põem o termo entre aspas) dos palestinos, “chamou nosso embaixador naquele país, para consultas”.

Fosse o desejo conhecer supostos ou reais convênios bélicos entre a universidade e o Estado de Israel, o escrito enviado ao reitor limitar-se-ia aos projetos, documentos e dados. Mas o texto está embebido em ódio ideológico e conduziu o pró-reitor ao indigitamento de israelenses. Ao ler a ordem reitoral recordamos a estrela de Davi nas lapelas dos “perniciosos judeus covardes” e os massacres de hebreus aos milhões na 2.ª Guerra Mundial.

Aliás, o documento da Pró-Reitoria realiza em pequena escala o veiculado pela propaganda odienta da Rádio Islam: a nomeação dos judeus no Brasil (http://www.radioislam.org/islam/portugues/poder/lista_judeus_brasil.htm). O Ministério Público tem o dever de interpelar aquela estação de rádio, pois ela declaradamente pratica o ódio racial, com injúrias e difamação de judeus. [ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Dado o teor do requerimento, prudente seria o gabinete reitoral devolvê-lo aos signatários, exigir a retirada do viés panfletário e do grave ataque aos direitos humanos. Um texto sem aquelas marcas seria de análise possível pela autoridade acadêmica, se redigido no respeito à lei. Da maneira como agiu, a Reitoria, infelizmente, avalizou intolerantes que, em nome de causas, fazem das normas legais letra morta.

Como a vida ética não foi totalmente corroída, instituições condenaram os militantes e as autoridades universitárias que cederam ao ditado das seitas. Em nota oficial o Ministério da Educação advertiu a Universidade de Santa Maria, verberando a discriminação empreendida. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência levantou-se contra o absurdo. Parte da imprensa exigiu explicações dos responsáveis.

“O ventre imundo de onde surgiu a besta ainda é fértil.” E como, senhor Brecht! A união histórica de setores árabes com o nazismo é conhecida. O elo entre sectários de hoje e o discurso do neonazismo é patente (Gilbert Achcar, The Arabs and the Holocaust). Tais sintaxes e semânticas foram mantidas após a 2.ª Guerra para garantir a razão de Estado nas potências mundiais. Quem deseja conhecer os bastidores da infâmia pode ler dois livros importantes: de John Hawkins, The Nazy Hidra in America, e de Christopher Simpson, Blowback, the First Full Account of America’s Recruitment of Nazis. O sucedido nos Estados Unidos foi replicado na América do Sul, basta recordar o caso Mengele. Longo tempo de pregação antissemita intoxicou mentes brasileiras. Os frutos surgem agora, inclusive em grupos cristãos.

Antes da 2.ª Guerra muitos norte-americanos acreditaram em Hitler, e não nos judeus. O jornal The Christian Science Monitor, por exemplo, atacou os “que difundiam mentiras sobre a Alemanha”. No Brasil, a revista A Ordem, em editorial (Os horizontes clareiam, 1934) afirma que a caça aos judeus era “mistificação” e “conjura” contra Hitler para “impedir que o nacional-socialismo se mantivesse no poder”. Herdeiros de Gustavo Barroso e comparsas continuaram a militância, à socapa ou abertamente, contra judeus. As fontes da memória nacional estão envenenadas.

Num ambiente prenhe de antissemitismo, a imprudência da Universidade Federal de Santa Maria salta aos olhos. Se os reitores não partilham, como acredito, os dogmas dos que assinaram a petição, era seu dever exigir dos autores o respeito aos direitos constitucionais. Ao aceitar as fórmulas dos peticionários, com base nos atos da presidente Dilma Rousseff, eles abriram um precedente que pode voltar-se amanhã contra os próprios defensores da causa palestina. Se atos de terror ocorrerem no Brasil, nomes serão demandados aos reitores. Como os de Santa Maria autorizaram a devassa contra os israelenses, só lhes restará abrir nomes de reais ou supostos terroristas árabes. Eles serão magníficos auxiliares do policiamento territorial. E os defensores da causa palestina receberão o mesmo remédio que hoje tentam aplicar nos judeus.

Acima dos Poderes está a Constituição. Para definir o Estado brasileiro, ela o proclama “destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”. E também: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Exigir a Reitoria universitária a indicação de nacionais ou estrangeiros é operar em conformidade com o não direito, contra a nossa Lei Suprema. Brasileiros, judeus, palestinos ou pessoas de qualquer outra origem não podem ser alvo de indigitamento, privado ou público. Esperemos que a crise ensine aos militantes mais respeito ante outros seres humanos. E aos administradores dos câmpus, prudência no trato de questões delicadas, pois elas tocam em feridas dolorosas na consciência da humanidade.

¹Roberto Romano é professor da UNICAMP e autor de “Razão de Estado e de Outros Estados” (Perspectiva)
Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo