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Insetos estão desaparecendo, com efeitos catastróficos

Estudo afirma que insetos podem desaparecer em um século se ritmo atual de declínio se mantiver, com consequências catastróficas para os ecossistemas. Agricultura intensiva e uso de pesticidas são principais causas.Agrotóxico,meio Ambiente,Poluição,Insetos,Blog do Mesquita

O estudo afirma que a maior causa do desaparecimento das espécies de insetos é a agricultura intensiva.

Mais de 40% das espécies de insetos em todo o mundo poderão estar extintas nas próximas décadas, e outro terço delas estão ameaçadas, revelou a primeira análise científica global sobre o tema. Segundo os autores, a taxa de extinção é oito vezes mais rápida do que as de mamíferos, répteis e aves, ameaçando um colapso dos ecossistemas da Terra.

A massa total de insetos é reduzida em 2,5% a cada ano, o que indica que eles poderão desaparecer em um século. Segundo o estudo, publicado no final de janeiro pelo jornal científico Biological Conservation, o planeta atravessa a sexta extinção em massa em sua história, com algumas perdas significativas registradas em algumas espécies de animais de grande porte, cujo desaparecimento é mais fácil de se observar. Os insetos, porém, existem em variedade e quantidade bem maior, chegando a um número 17 vezes superior ao de humanos.

“Se as perdas de espécies de insetos não forem interrompidas, haverá consequências catastróficas para os ecossistemas do planeta e para a sobrevivência da humanidade”, disse ao jornal The Guardian o pesquisador da Universidade de Sidney Francisco Sánchez-Bayo, que elaborou o estudo com seu colega da Academia Chinesa de Ciências Agrárias Kris Wyckhuys.

“Em dez anos teremos um quarto a menos [de espécies de insetos], em 50 anos, apenas a metade, e em 100 anos não teremos nenhuma”, alerta Sánchez-Bayo. Os insetos são fundamentais para o funcionamento adequado de todos os ecossistemas, atuando como polinizadores e recicladores de nutrientes e servindo de alimento para outros animais.

O colapso de algumas espécies já foi registrado em países como a Alemanha e em Porto Rico. Segundo um estudo, neste país houve uma redução de 98% dos insetos terrestres. Os indícios apontam para uma crise global. “As tendências confirmam que a sexta maior ocorrência de uma extinção em massa gera impacto profundo nas formas de vida no nosso planeta”, afirmam os autores.

Agroecologia usa insetos para evitar agressão à terra

O estudo afirma que a maior causa do desaparecimento das espécies de insetos é a agricultura intensiva, em especial o uso de pesticidas. Novos tipos de inseticidas introduzidos nos últimos 20 anos, incluindo neonicotinoides e fipronil, causam danos significativos ao serem utilizados repetidamente, permanecendo no meio ambiente. Na Alemanha, um estudo mostrou que as populações de insetos voadores em reservas de proteção natural recuaram 75% ao longo de 25 anos.

Sánchez-Bayo afirmou que a produção de alimentos em escala industrial deve ser revista, destacando que as fazendas orgânicas têm mais insetos e também que o uso ocasional de pesticidas no passado não causava o declínio observado nas últimas décadas. Outros fatores que contribuem para o quadro atual são a urbanização, as espécies introduzidas e as mudanças climáticas.

Sánchez-Bayo diz que a redução das espécies de insetos começou no início do século 20 e se acelerou nos anos 1950 e 1960, atingindo proporções alarmantes nas duas últimas décadas. O fenômeno tem impacto em muitas espécies de aves, répteis, anfíbios e peixes que se alimentam desses animais. “Se sua fonte de alimento desaparecer, eles morrerão de fome”, diz o pesquisador.

A análise global selecionou os 73 estudos mais completos realizados nos últimos 30 anos para avaliar a redução dos insetos. A maioria dos levantamentos foi realizada em países no oeste da Europa e nos Estados Unidos, além de Brasil, Austrália, China e África do Sul. Há poucos estudos sobre a redução das espécies de insetos em outras regiões.

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Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

Meio Ambiente,Animais,Mudanças,Climáticas,Insetos,Agrotóxicos,Vida SelvagemDireito de imagemGETTY IMAGES
A população de diversas espécies de borboletas está em declínio, além de abelhas e libélulas 

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Escaravelho, um tipo de besouroDireito de imagemGETTY IMAGES
Besouros também estão em declínio, segundo o estudo

Os riscos da redução do número de insetos

Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.

BaratasDireito de imagemGETTY IMAGES
Já baratas e moscas domésticas podem prosperar

Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.

O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.
BBC

Ecologia,Meio Ambiente,Agro Tóxico,Veneno,Animais,Insetos

Cadê os insetos que estavam aqui?

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As borboletas se juntam para procurar água e sal. Foto: Roberto De Nigris/Flickr.

Uma publicação de alguns dias informa, didaticamente, o que pode estar acontecendo no mundo dos insetos. E o que explica, além de ser plausível, é tão impressionante quanto assustador. Em essência, o artigo descreve que em menos de um século a biomassa, ou seja, o peso total dos insetos, foi drasticamente reduzido no nível regional, nacional e possivelmente mundial.

Todos já conhecem o caso das abelhas e suas consequências. Mas o desaparecimento maciço de insetos “benéficos”, “nocivos” ou “inócuos”**, todos juntos, é o anúncio de um desastre ecológico e, portanto, humano, de tal magnitude que nenhum economista ou sociólogo poderia ousar calcular ou prever.

Em resumo, o jornalista reviu informações científicas e entrevistou especialistas que argumentam que as populações de insetos estão diminuindo de forma alarmante em todos os lugares onde o fenômeno foi estudado. A evidência mais impressionante veio de uma sociedade de entomologistas de Krefeld (Alemanha) cujos membros, intrigados com o que parecia ser uma tendência para a redução de insetos voadores, decidiram abordar diretamente a questão graças a registros de coleções massivas muito antigas, incluindo centenários. Verificaram, em resumo, que na atualidade coletam quantidades de insetos medidas em peso, várias vezes inferiores, ao que décadas antes foi coletado, exatamente nos mesmos lugares e com as mesmas técnicas.

Outros estudos chegaram às mesmas conclusões. No artigo, o autor explica a razão pela qual este fenômeno passou tão despercebido e analisa suas implicações para a humanidade. A conclusão é que, se este processo também ocorre em outras regiões do planeta, o que parece ser o caso, todos os processos biogeoquímicos que sustentam a vida na Terra seriam afetados e, muito possivelmente, o fato teria um impacto direto e negativo sobre o futuro da humanidade. Uma ameaça que estimam ser tão grave quanto a da mudança climática, à qual pode estar associada.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 2Os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Acima, o mais conhecido desses devoradores de colheita, o gafanhoto. Foto: Wikipédia.

A primeira reação a esta nota pode ser algo como… Que boa notícia! É bem sabido que os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Os insetos consomem talvez a metade da produção agrícola mundial, tanto no campo como após a colheita. Isso obriga a se usar enormes volumes de inseticidas, o que gera a cada ano perdas e gastos de muitos bilhões de dólares.

Também é bem conhecida a enorme importância de insetos como transmissores ou vetores de doenças graves, como febre amarela, malária, doença de Chagas, doença do sono ou, para ser mais atual, dengue, Chikungunya e Zika. Milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças transmitidas direta ou indiretamente por insetos e bilhões de dólares são usados ​​para preveni-las, combatê-las ou curar os enfermos. Ou seja, se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?

Acontece que, independentemente dos impactos acima citados como “prejudiciais”, uma parte considerável dos hexápodes são “benéficos”, ou seja, são úteis para a humanidade de muitas maneiras que, quase sempre, são desconhecidas ou desconsideradas. O primeiro papel benéfico de insetos para com os humanos é impedir a proliferação de insetos e outros animais “nocivos” que comem as plantas e produtos que o ser humano quer e também, em grande medida, os insetos que são vetores de doenças.

Ou seja, sem o exército silencioso, extremamente especializado e sumamente eficiente de insetos predadores e parasitas, os “prejudiciais” proliferam tanto e tão rapidamente que a humanidade estaria entre a morte por fome e a morte por envenenamento devido ao uso excessivo de pesticidas… o que , a propósito, já está acontecendo. E, é preciso salientar que, além de seus inimigos naturais, as “pragas” são controladas por outras “pragas”, que tiram seus alimentos e limitam o seu espaço vital. Dito de outro modo, os competidores ou concorrentes das “pragas”, embora possam ser “pragas” também, podem se tornar aliados dos humanos, ou seja, “benéficos”… Isto mesmo, a ecologia é muito complicada e é dominada pela relatividade.

“Se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?”.

Outra função dos insetos que é mal compreendida é a dos “inócuos”, que, às vezes, são chamados de “inofensivos”, assim denominados apenas porque muitos não sabem para o que servem. Este enorme grupo de insetos inclui os atores iniciais e fundamentais da decomposição da matéria orgânica, que é indispensável para completar os ciclos biogeoquímicos. Sem a contribuição dos insetos, o processo seria extraordinariamente lento. Tanto que faltariam nutrientes críticos para os próximos elos nas cadeias tróficas. É difícil saber exatamente o que iria acontecer, mas provavelmente a velocidade da vida sem insetos seria muito reduzida e aconteceria em “câmera lenta”, com implicações para a produtividade dos ecossistemas, incluindo a perda de fertilidade do solo e menor crescimento de plantas. Por outro lado, os insetos são fatores-chave da seleção natural e, portanto, da evolução. Sem eles, a vida na terra não se pareceria com o que é hoje.

Mais conhecido, aliás, é o papel benéfico dos insetos na polinização. Mas esta fama existe especialmente em termos de abelhas domesticadas, que são uma pequena fração do grande número de espécies de insetos polinizadores. Deve ser lembrado que qualquer planta que tenha flores precisa ser polinizada, porque sem ela não há reprodução, nem fruto e nem sementes e, finalmente, não haveria novas plantas. E este é o trabalho de uma infinidade de insetos especialmente voadores, que, de acordo com o artigo que é comentado, são os que mais diminuíram. Em suma, um mundo sem insetos seria um mundo meio morto.

É curioso recordar que, sendo os insetos animais exagerados, tanto em diversidade como em biomassa ‒ seu peso poderia superar o de todos os vertebrados juntos ‒ houve alguém que considerou viável que se convertam em uma futura fonte de alimentos de boa qualidade para a humanidade. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e vários especialistas especularam seriamente sobre a possibilidade. A recente revelação de que os insetos estão desaparecendo do nosso mundo ataca diretamente a especulação que, apesar de sua racionalidade, não encorajou ninguém a mudar o cardápio diário.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 3Larvas de Rynchophorus sp., muito aprciadas na Amazônia. Foto: Divulgação.

Além disso, devido à sua diversidade monumental ‒ estima-se que existam de 10 a 30 milhões de espécies, das que só se registrou um milhão ‒ e, especialmente, o pouco conhecimento e quase nenhuma simpatia que por eles têm a maioria dos humanos, os insetos não foram objeto de estudos detalhados no que diz respeito aos riscos de extinção. Nas famosas listas vermelhas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) se mencionam poucas dúzias de insetos ameaçados e, apenas em poucos países, talvez algumas centenas.

Nada sequer aproximado às listas infelizmente intermináveis ​​de mamíferos, aves, répteis e anfíbios ameaçados. No entanto, como mencionado, existem apenas milhares de vertebrados no mundo versus milhões de espécies de insetos que, devido a seu pequeno tamanho e grande especiação, estão frequentemente restringidos a habitats e ecossistemas muito localizados. Ou seja, boa parte das espécies de insetos já deve ter-se extinguido antes de ser classificada, levando-se em conta a velocidade da destruição do mundo natural.

Não se sabe qual é a causa do fenômeno observado ou, de fato, sua magnitude. Obviamente, especula-se que é uma consequência da poluição ambiental geral e da destruição dos ecossistemas naturais, bem como da extrema simplificação daqueles que são antrópicos. Em estudos europeus enfatiza-se que, em quase todos os casos, os locais de coleta de dados estão inevitavelmente próximos aos campos de cultivo onde os pesticidas são usados. Mas a culpa não deve ser apenas dos pesticidas e sim também de milhares de poluentes químicos de todos os tipos produzidos pela atividade humana. O problema também está correlacionado à mudança climática, já que os insetos têm mais dificuldade em se adaptar do que os vertebrados. Muito provavelmente todas as causas estão associadas.

O que é importante notar é que, em qualquer caso, o desaparecimento de insetos não será abrupto ou facilmente percebido pelas pessoas comuns. É até provável que as pragas sejam maiores, mais frequentes e agressivas e mudem, antes que a falta global de insetos afete toda a vida na Terra. Em conclusão, o artigo não dá conclusões nem pode dá-las. É apenas um bom indicador de outra ameaça provável para o futuro humano.

*O autor é doutor em entomologia. No começo da década de 1970 foi presidente da Sociedade Entomológica do Peru.

**Os insetos não são benéficos, nocivos (daninhos ou prejudiciais) ou inócuos (inofensivos). Esses qualificadores apenas representam o ponto de vista humano. Na realidade, insetos, como todos os animais e plantas, sempre desempenham um papel importante no ecossistema. As “pragas” se formam porque os seres humanos fazem algumas plantas proliferarem anormalmente e, na natureza, essa expansão anormal deve ser controlada. Não há insetos bons e ruins. E, tampouco existem insetos inócuos… todos tem uma função na natureza.

Grilos, larvas e escorpiões serão a comida do futuro?

Cinco amigos de faculdade resolveram iniciar uma revolução em um depósito no bairro de Van Nuys, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Grilos em fazenda de insetos
Os fundadores da Coalo Valley Farms acreditam que a criação de grilos e outros insetos possa ser o futuro do setor agrícola

Os amigos trabalham com agricultura urbana na empresa Coalo Valley Farm. Mas não é uma fazenda comum: o galpão está lotado com um “microrebanho”, como um dos fundadores e diretor-executivo da companhia, Elliot Mermel, gosta de chamá-lo.

O “micro-rebanho” é formado por milhares de grilos e larvas de besouros. A Coalo Valley Farm é a primeira fazenda de insetos para consumo humano do Estado da Califórnia. E os donos do projeto têm grandes planos.

“Sabemos que insetos são uma fonte sustentável de proteína e, no momento em que o mundo já está lutando para alimentar 7 bilhões de pessoas, queremos tentar encontrar uma forma de alimentar as gerações futuras”, diz Mermel.

Cultivo de insetos na Califórnia
Instalações da fazenda californiana lembram galpões de cultivo de maconha

A fazenda buscou seguir diretrizes ecológicas e ambientais, considerando que a Califórnia sofre com clima seco e falta d’água.

O diretor-executivo se refere às operações da fazenda como um “circuito fechado”: quase tudo é gerado no local. Peixes criados lá fornecem a água residual que sustenta os brotos de alfafa e o feijão, que, por sua vez, alimentam os grilos.

As instalações da empresa também se assemelham a galpões de cultivo de maconha – os cinco amigos pegaram emprestada a tecnologia desta indústria. As barracas prateadas são aquecidas e, dentro delas, há fileiras de tonéis e prateleiras com insetos.

Eles começaram o negócio em 2015, mas já contam com fãs nos mercados de comida saudável e barras de proteína.

Elliot Mermel
Elliot Mermel defende que insetos podem colaborar para uma dieta mais sustentável
Larvas de besouroLarvas de besouros cultivadas na Coalo Valley Farm, empresa criada em 2015

Desbravando mercados

Ao sul da fronteira, no México, o cenário do mercado para esses novos empreendimentos não é tão simples.

Os insetos são consumidos no país desde antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Não há, portanto, grande aversão cultural a a comê-los. Mas a criação de insetos para consumo humano ainda não existe.

Rene Cerritos, biólogo na Universidade Nacional Autônoma do México, trabalha com fazendeiros do país para tentar estimular a produção de insetos comestíveis.

Segundo ele, o México abriga cerca de 25% das quase 2 mil espécies de insetos comestíveis do mundo, mais do que qualquer outro país no mundo. Mas a demanda ainda é baixa.

Insetos em potes plásticosMéxico tem um quarto dos cerca de 2 mil insetos comestíveis do mundo

“Os ocidentais têm um problema concreto com o consumo de insetos (…) O México está se ocidentalizando, então, muitas tradições que tínhamos desde os tempos pré-colombianos foram perdidas. Os insetos estão lá, toneladas e toneladas deles. E poderíamos cultivá-los e consumi-los, mas não fazemos isso.”

Para Silvio Nihei, professor de Zoologia no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), o número estimado pela ONU de quase 2 mil espécies de insetos comestíveis pode ser bem maior.

“Temos aproximadamente 1 milhão de espécies de insetos descritos (conhecidos) no planeta”, explicou Nihei à BBC Brasil.

O professor então cita apenas o exemplo brasileiro e elabora uma hipótese.

“Em escala nacional, só de besouros das famílias Cerambycidae e Curculionidaehá 10 mil espécies brasileiras (no mundo somam mais de 100 mil espécies), e de formigas são 2,5 mil espécies. Se restringirmos esses números para espécies de maior tamanho (e maior valor calórico e nutricional), poderíamos pensar em algo em torno de 2 a 3 mil espécies de besouros e umas 500 espécies de formigas. Isso só no Brasil.”

Praga que dá lucro

Na Califórnia, a criação é de grilos. Já no México, os novos fazendeiros se concentram nos gafanhotos. As diferenças são sutis: os grilos são onívoros (se alimentam de fontes vegetais e animais) e os gafanhotos, vegetarianos.

No México, os gafanhotos são considerados pragas, porque atacam lavouras e reduzem a produção, dando prejuízos aos fazendeiros.

Homem segura gafanhoto na mãoFazendeiro mexicano parou de lutar contra os gafanhotos e decidiu criar os insetos para consumo

José Moreno Sanchez é fazendeiro há 30 anos e decidiu mudar a relação com esses insetos.

“Os gafanhotos comeram as lavouras, e o dano financeiro foi grande, especialmente quando semeávamos verduras. Então, em vez de lutar contra eles, decidimos transformar os gafanhotos em negócio”, contou.

Agora, ele espera algum lucro com os gafanhotos de sua fazenda.

Sanchez diz que a grande maioria dos gafanhotos são capturados de maneira informal. As pessoas coletam os insetos, mas não são donas da terra – e geralmente pisoteiam lavouras para capturar os bichos, irritando os fazendeiros.

O chef e crítico gastronômico mexicano Alejandro Escalante diz que a relutância dos fazendeiros mexicanos em relação aos gafanhotos é “terrível”.

Ele faz uma lista dos insetos que usa na cozinha de seu restaurante, La Casa de los Tacos, no sul da Cidade do México, entre eles escorpiões e carrapatos.

José Moreno Sanchez em sua fazenda
José Moreno Sanchez espera conseguir lucros com a criação de gafanhotos para consumo humano

O chef afirma que todos são deliciosos. “Eles têm muita proteína, são saborosos e há uma grande variedade.”

O professor da USP Silvio Nihei afirma que no Brasil não há levantamento dos insetos usados como alimentos.

“Mas o mais comum são os seus produtos derivados – mel, geleia real, própolis. Já o consumo de insetos inteiros é incomum por aqui, mas sabemos que em muitas partes do país, principalmente no interior, consome-se o abdômen de saúvas fêmeas quando estão cheias de ovos (chamadas de içá ou tanajura).”

Para Nihei, se fosse feito um levantamento das espécies de insetos consumidas no país, “seria um número bem reduzido entre a sociedade não indígena, enquanto o número para as comunidades indígenas, onde este hábito é mais comum, seria maior.”

Iguarias finas

O mercado de San Juan, no centro da Cidade do México, é uma amostra desta variedade de insetos comestíveis.

Alejandro Escalante em sua cozinha
Alejandro Escalante prepara insetos em seu restaurante

O grande galpão é onde se pode ter uma experiência gastronômica e encontrar uma variedade incrível de tipos de carne, incluindo crocodilo e avestruz.

Mas também é possível encontrar tarântulas, escorpiões, gafanhotos e larvas de agave. Sendo que algumas espécies em exposição ainda estão vivas.

Insetos e aracnídeos, contudo, não são baratos. E o potencial de lucro é uma das razões que levaram Alessandro Spagnuolo e sua família a abrir a própria fazenda de insetos, onde coletam algo que é conhecido como o “caviar” do México, larvas das formigas Liometopium apiculatum ou “escamoles”.

Homem em busca de insetos
Muitos dos que coletam os insetos não são donos das terras onde procuram as iguarias

A companhia da família de Spagnuolo, a JC Redon, fica em uma fazenda em Hidalgo. Eles levaram a reportagem da BBC para um passeio por trilhas locais em busca de ninhos com ovas de insetos e plantas de agave, onde as larvas podem ser encontradas.

A temporada não tem sido muito boa e há poucas plantas de agave. O que pode explicar o preço da larva: cerca de US$ 100 (R$ 320) o quilo.

Exclusividade x popularidade

A exclusividade do produto é parte do charme para consumidores mais exigentes.

Fazenda Hidalgo, no México
A fazenda Hidalgo tem passado por temporadas difíceis

Mas Spagnuolo acredita que a popularidade de seus produtos aumentará em breve, tornando exportações para a Europa, por exemplo, uma realidade.

Por enquanto, as leis não permitem exportação de insetos para consumo humano do México para o continente europeu.

“É como sushi. Há 20 anos, poucas pessoas na Europa achavam que não tinha problema comer peixe cru – agora, está em toda parte. Será o mesmo com insetos”, explicou Spagnuolo.

De volta à Los Angeles, Elliot Mermel e o grupo de produtores da Coalo Valley Farm estão descobrindo que os clientes preferem os insetos sem as pernas e, frequentemente, moídos até virar pó.

Talvez a ideia de pedir um prato de insetos ou uma porção de grilos ainda é um passo muito grande para os consumidores que nunca tiveram por perto uma cultura de consumo de insetos.

Prato com escorpião fritoÉ possível encontrar uma grande variedade de insetos e aracnídeos comestíveis no mercado de San Juan 

BBC

Energia renovável tem impacto ecológico

Painéis solares podem dizimar insetos

Energia Renovãvel,Energia Colar,Meio Ambiente,Insetos,Ecologia,Blog do Mesquita

Painéis solares podem dizimar populações de insetos frágeis, de acordo com um novo estudo que levanta dúvidas sobre o impacto ambiental de algumas formas de energia renovável.

Cientistas descobriram que insetos aquáticos, como a efemérida, podem confundir painéis fotovoltaicos brilhantes com poças de água, das quais dependem para se reproduzir.

“O efeito de painéis solares em insetos aquáticos ainda não foi pesquisado”, diz Bruce Robertson, cientista do Departamento de Energia dos EUA no laboratorio de Bioenergia de Grandes Lagos, em Michigan.

“É evidente que o pior local para se colocar uma instalação solar é nas proximidades de lagos e rios, onde os insetos seriam facilmente atraídos.”

Os insetos confundem os painéis com água porque ambos refletem horizontalmente luz polarizada – um truque ótico no qual as ondas de luz vibram na mesma direção.

Muitos insetos começaram a detetar esta luz polarizada como um meio seguro de achar água, particularmente em ambientes áridos.

Eles se acasalam sobre os painéis, o que os torna vulneráveis a predadores, e colocam ovos na superfície, onde morrem, informa o Guardian.


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Energia renovável tem impacto ecológico

 Painéis solares podem dizimar insetos.

Energia Solar

Painéis solares podem dizimar populações de insetos frágeis, de acordo com um novo estudo que levanta dúvidas sobre o impacto ambiental de algumas formas de energia renovável.

Cientistas descobriram que insetos aquáticos, como a efemérida, podem confundir painéis fotovoltaicos brilhantes com poças de água, das quais dependem para se reproduzir.

“O efeito de painéis solares em insetos aquáticos ainda não foi pesquisado”, diz Bruce Robertson, cientista do Departamento de Energia dos EUA no laboratório de Bioenergia de Grandes Lagos, em Michigan.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“É evidente que o pior local para se colocar uma instalação solar é nas proximidades de lagos e rios, onde os insetos seriam facilmente atraídos.”

Os insetos confundem os painéis com água porque ambos refletem horizontalmente luz polarizada – um truque ótico no qual as ondas de luz vibram na mesma direção.

Muitos insetos começaram a detetar esta luz polarizada como um meio seguro de achar água, particularmente em ambientes áridos.

Eles se acasalam sobre os painéis, o que os torna vulneráveis a predadores, e colocam ovos na superfície, onde morrem, informa o Guardian.
Por:José Eduardo Mendonça

Arte – Cerâmica

A cerâmica de Laura Zindel, uma artista dos Estados Unidos, se contrapõe ao generalizado terror que a maioria das pessoas têm aos insetos.
A artista divide o design requintado das peças com o marido Thorsten Zindel Lauterbach.

Clique nas imagens para ampliar.



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