Tópicos do dia – 24/06/2012

13:42:37
Egito: eleições apontam para mais um Estado teocrático?

Islamita ganha eleição no Egito, e os palestinos comemoram
A Junta Militar respeitou as pesquisas. Seu chefe, marechal Hussein Tantawi, anunciou neste domingo a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana Mohammed Mursi nas eleições presidenciais.

“O marechal Hussein Tantawi parabeniza o doutor Mohammed Mursi por conquistar a presidência da república”, afirmou a rede de televisão estatal, fazendo com que milhares de egípcios lotassem a famosa praça Tahrir, no centro do Cairo, onde se concentraram as manifestações da chamada Primavera Árabe.

Militantes comemoraram a vitória de Mursi, agitando bandeiras e cartazes do líder islâmico. Segundo as agências de notícias France Press e Associated Press, “Deus é o maior” e “abaixo o regime militar” eram alguns dos slogans entoados pelos manifestantes, enquanto fogos de artifício eram lançados, depois que a comissão eleitoral declarou formalmente o candidato da Irmandade Muçulmana como vencedor.

A vitória de Mursi também foi comemorada pelos palestinos em Gaza, e o movimento islamita Hamas afirmou que era um “momento histórico”, porque o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak colaborava com Israel no bloqueio de Gaza.

Agora, os palestinos estão otimistas de que o novo líder egípcio vai melhorar as relações com o empobrecido território de.Gaza, que tem uma faixa de 15 km de fronteira com o Egito no deserto do Sinai.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

13:51:31
Julgamento do mensalão só depende de Lewandowski, o ministro do Supremo que é amigo pessoal de Lula

Segundo o repórter Tiago Rogero, da Agência Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou  que acredita na conclusão do julgamento do processo do mensalão ainda no mês de agosto. O cronograma prevê o início do julgamento no primeiro dia do mês, desde que o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, libere a tempo os documentos para votação. Ayres Britto disse não teme nenhum tipo de atraso.
“É possível que o julgamento termine no próprio mês de agosto, se tudo correr normalmente e dentro do cronograma que estabelecemos. Aquele calendário estabelecido já levou em consideração a complexidade do caso”, disse o ministro.

A prorrogação do STF prevê sessões diárias da Côrte, de cinco horas, entre 1 e 14 de agosto, para ouvir a acusação do Ministério Público Federal e as defesas dos 38 acusados de envolvimento no principal escândalo de corrupção do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir do dia 15 começarão a ser revelados os votos dos ministros.

Ayres Britto tem motivos para estar animado, porque  o ministro-revisor Ricardo Lewandowski, que é amigo íntimo de Lula,  reafirmou que concluirá seu voto até o final deste mês, pois em julho o Supremo entra em recesso e os ministros não têm a dignidade cívica de fazer uma exceção e trabalhar extraordinariamente nesse período.
Se Lewandowski não concluir o voto em junho, só o fará em agosto, o que atrasará a votação. Mas espera-se que ele conclua. E  lembremos que no final de agosto Cezar Peluso deixa o Supremo, por completar 70 anos. Ou seja, o prazo fatal para julgar o mensalão é 30 de agosto. E depois, em outubro, quem sai é o próprio Ayres Britto, ficando o STF com apenas 9 ministros, se até lá não for nomeado o substituto de Peluso.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

14:52:49
Cavendish: pau que nasce torto…

O empresário Fernando Cavendish será julgado amanhã na CVM, num caso antigo.
O inquérito CVM 13/2005 investiga operações de “dólar futuro” do dono da Delta em sete pregões da BM&F, em 2003.

14:56:50
Ex-funcionária processa o FBI por ter sido perseguida por ser ‘sexy’.

Ex-funcionária do FBI (polícia federal americana) no estado do Novo México e cantora profissional, Erika Bonilla entrou com um processo contra o órgão, alegando que sofreu assédio e discriminação, porque vários de seus ex-colegas tinham inveja de sua aparência sexy e de sua carreira como cantora latina, segundo a emissora de TV “ABC News”.
G1

15:01:55
Ministério da Fazenda multa Banco Rural que financiou o mensalão.

O Ministério da Fazenda manteve uma multa de R$ 1,6 milhão aplicada ao Banco Rural por ocultar as evidências de lavagem de dinheiro nas transações do mensalão. A condenação administrativa, imposta em primeira instância pelo Banco Central, atingiu ainda dois ex-diretores do banco que são réus no processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Os ex-dirigentes José Roberto Salgado e Ayanna Tenório Tôrres de Jesus foram multados e proibidos de ocupar cargos de direção em instituições financeiras.
Folha.com


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

O direito de navegar na internet

A web pode ter seu lado escuro, mas, na teoria, toda pessoa que dispõe de banda larga tem o potencial de começar uma empresa on-line, fazer cursos superiores ou iluminar o mundo com um blog inovador.

Algumas poderiam até decidir começar uma revolução.

Países como França e Estônia declararam o acesso à internet um direito humano básico.

E a ONU aderiu no ano passado, declarando a internet “uma ferramenta indispensável para realizar uma série de direitos humanos”.

Como escreveu o “Times” em editorial no ano passado, “ninguém deve ser barrado da internet. É uma ferramenta fundamental para permitir a livre expressão”. Isso foi logo depois que líderes do Oriente Médio, como Hosni Mubarak, do Egito, haviam tentado –sem sucesso– conter a maré da Primavera Árabe cortando o acesso de suas populações inquietas à rede.

Esse florescimento da liberdade foi espontâneo, sem forma definida e sem líderes, e possibilitado pelas redes sociais e a tecnologia de celular.

Wael Ghonim, um executivo do Google baseado em Dubai que começou a página do Facebook que ajudou a fomentar a revolução, escreveu no “Times”: “Tenho consciência das opiniões de que esse foi um lado negativo da revolução –que ela não teve liderança para assumir depois que Mubarak saiu. Somente a história vai julgar. De qualquer modo, muitos egípcios hoje têm mais poder”.

Foto Rajash Bose N.Y.Times

Poder com a ajuda da tecnologia. Mas isso transforma a tecnologia em um direito humano?

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Vinton G. Cerf, engenheiro do Google e um dos fundadores da internet, escreveu no “Times” que “a tecnologia é um facilitador de direitos e não um direito em si.

Existe um alto padrão para que algo seja considerado um direito humano.

Colocado vagamente, deve estar entre as coisas de que nós humanos precisamos para levar vidas saudáveis e significativas, como a ausência de tortura ou a liberdade de consciência. É um engano colocar qualquer tecnologia particular nessa categoria elevada”.

Direito humano ou não, a divisão digital persiste até em países avançados e democráticos como os Estados Unidos.

Em um artigo de opinião no “Times”, Susan P. Crawford, professora na Escola de Direito Benjamin N. Cardozo, em Nova York, descreveu os EUA como “um país em que somente os ricos urbanos e suburbanos têm realmente acesso à internet em alta velocidade”.

Ela acrescentou: “Enquanto nossos empregos, política e até o atendimento à saúde se tornam on-line, milhões correm o risco de ficar para trás”.

Embora países como Finlândia e Coreia do Sul se gabem de velocidades de download muito altas e de conectividade em quase qualquer lugar –graças a uma mistura de incentivos do governo e investimento privado na estrutura da web–, os EUA ficaram em 25° lugar em estudo de velocidade da internet no ano passado.

Enquanto isso, em muitas partes do mundo a banda larga hoje é essencial.

“Você muitas vezes ouve as pessoas falarem sobre banda larga de uma perspectiva de desenvolvimento empresarial”, disse Brian Depew, diretor assistente do Centro para Assuntos Rurais, um grupo de pesquisa de Lyons, Nebraska.

“Mas é muito mais importante do que isso. Tem a ver com a possibilidade de as comunidades rurais participarem da sociedade democrática.”

Com acesso em banda larga, algumas podem até começar sua própria revolução.
Kevin Delaney/NY Times

Egito: entre a ditadura militar e a ditadura islâmica

Ninguém sabe qual das duas será a pior. Democracia plena, nem pensar?

A situação do Egito é cada vez mais grave e caótica. E não adianta acenar com a possibilidade de uma abertura democrática, porque a tal da primavera árabe não tem nada a ver com desenvolvimento político propriamente dito. Basta dizer que as manifestações agora são convocadas pelos islamitas radical, evidenciando o forte componente religioso desse movimento.

O correspondente da Folha no Cairo, Marcelo Ninio, afirma que a promessa de antecipar a eleição presidencial para o primeiro semestre de 2012 e de realizar um referendo sobre a transferência imediata do poder provisório para os civis não foi suficiente para acalmar as centenas de milhares de manifestantes que ocupam a Praça Tharir, no centro da capital, há cinco dias.

Milhares de pessoas permanecem no local para exigir a saída dos militares do governo, apesar da promessa do marechal Hussein Tantaui de entregar o poder a um presidente eleito em 2012.

Como se sabe, a junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a mesma Praça Tahrir, no Cairo.

Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia pela primeira fez um pronunciamento à nação, na noite de terça-feira. Deu o ar de sua graça para prometer transferir até julho o poder a um presidente civil e até fazer uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não adiantou nada. Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria radicais islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas. A partir daí, a praça ficou permanentemente ocupada, em meio a insistentes boatos de que o Exército iria expulsar pela força os manifestantes.

O Egito era o país árabe mais ocidentalizado. Suas forças armadas são profissionais e muito bem equipadas. A economia está destroçada. O índice de referência da bolsa local vem caindo progressivamente, a libra egípcia registrou sua menor cotação frente ao dólar desde janeiro de 2005 e o turismo sofre uma crise sem precedentes nas últimas décadas.

Nesse quadro, o país corre o risco de um retrocesso político. Pode sofrer um golpe militar pela força das armas ou um golpe político pela força das urnas, que leve os radicais islâmicos ao poder. Quanto à abertura democrática, é apenas um sonho da imprensa ocidental, que romanceou a primavera árabe sem perceber o tenebroso inverno que se aproxima.

Carlos Newton/Tibuna da Imprensa

Internet ‘derrubará’ regimes fracos mais rapidamente

A Internet demonstra agora, mais que nunca, o potencial como arma para mobilizar a opinião pública, atropelando com tecnologia avassaladora a vontade imperial e a violência praticada pelos Estados totalitários.

Apesar das ameaças a internet revela os pés de barro das ditaduras.

Quanto maior for a universalização do acesso, mais a verdade deverá se sobrepor à fúria censória e contumaz dos Estado totalitários e seus criminosos ditadores.
O Editor


Evgeny Morozov: “Graças à internet regimes fracos vão morrer mais rápido”

O jornalista bielorusso, autor do livro “The Net Delusion: the dark side of internet freedom” (“A desilusão da rede: o lado obscuro da liberdade na internet”), analisa o potencial e os limites do ativismo digital à luz dos protestos no mundo árabe

por: Letícia Sorg

QUEM É

Evgeny Morozov nasceu em Soligorsk, Belarus, em 1984. Mora desde 2008 nos EUA, atualmente em Palo Alto, Califórnia, onde é pesquisador visitante na Universidade Stanford.

O QUE ESCREVEU

O blog Net Effect, da revista Foreign Policy, e o livro The net delusion (2011)

ÉPOCA – O senhor afirma que a internet tem um poder político limitado, que pode ser usado a favor de governos ditatoriais. Os últimos eventos no mundo árabe fizeram-no mudar de opinião?

Evgeny Morozov Não muito. Os regimes fracos vão cair com ou sem a internet. Que ela tenha ajudado no caso do Egito e da Tunísia é ótimo – mas não devemos nos esquecer de que os governos que caíram não eram exatamente peritos em controlar a internet – Hosni Mubarak nem baniu sites no Egito. O triunfalismo prematuro sobre o poder da internet pode nos distrair de fazer as perguntas mais difíceis sobre o papel que as empresas e o governo americanos têm de maximizar o potencial democrático da rede. Olhando por essa perspectiva, a cyber-utopia não será muito útil.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

ÉPOCA – A idade dos líderes mais ameaçados pelos protestos – Mubarak (82 anos), Ben Ali (74) e Muamar Gadhafi (68) – pode explicar a dificuldade de seus governos de lidar com a internet?

Morozov – Certamente ajuda ter líderes mais jovens, como na Rússia e na China. Eles têm uma relação muito mais próxima com a tecnologia – o presidente russo Dmitri Medvedev, por exemplo, tem Twitter, blog, grava vídeo e podcast. A inabilidade de Tunísia, Egito e Líbia em dominar a internet não tem a ver com a idade de seus líderes, mas com natureza de seus regimes: eles não se adaptaram à globalização – e isso incluiu ignorar o poder da internet. Isso explica por que os egípcios foram tão inábeis em controlar os grupos anti-Mubarak no Facebook. Eles não poderiam imaginar a rede como uma dissidência. Estamos lidando com situações completamente diferentes na Rússia ou na China, onde os regimes são muito mais modernos, globalizados e adeptos ao controle da rede. Se houvesse um grupo semelhante na China, as autoridades estariam monitorando desde o primeiro dia. E são grandes as chances de um grupo assim não durar muito na China. No Egito, sobreviveu por sete meses ou mais, ajudando a levar as pessoas para as ruas.

ÉPOCA – Qual será o papel da juventude no poder depois da queda dos ditadores?

Morozov – É muito cedo para dizer. Certamente os novos governos democráticos do Egito e da Tunísia vão querer demonstrar sua disposição para ouvir aos jovens, ao menos porque eles derrubaram o governo anterior. Podemos, então, esperar nomeações simbólicas de blogueiros como ministros, como aconteceu na Tunísia, por exemplo. Será que isso vai mudar a forma como os governos tratam os jovens? Espero que sim. Mas, novamente, é uma mudança motivada pela demografia, não pela internet.

ÉPOCA – Até onde sabemos, os protestos na Tunísia e no Egito parecem ter sido fomentados via internet. O senhor concorda?

Morozov – Dizer que os protestos nos dois países foram “fomentados” pela internet é como dizer que a revolução bolchevique de 1917 foi formentada pelo telégrafo. Revoluções são eventos complexos que dificilmente podem ser reduzidos a uma só causa, ainda mais a uma tecnologia. Da história nós sabemos que os revolucionários se aproveitarão de quaisquer meios de comunicação à disposição – do correio ao telégrafo em 1917 na Rússia às gravações de áudio no Irã em 1979. Então, de certa forma, é normal ver um certo nível de atividade nas mídias sociais numa revolução que aconteça nos dias de hoje: o que mais nós esperaríamos quando há tantas pessoas online? Porém, argumentar que a internet seja de alguma forma o condutor ou a causa dos protestos me parece absurdo. Graças à internet regimes fracos que estão fadados à morte vão morrer mais rápido, mas é possível que regimes fortes vão usar a internet para se tornar ainda mais fortes.

ÉPOCA – O senhor se surpreendeu com a decisão do presidente egípcio Hosni Mubarak de interromper o acesso à internet e o serviço de telefonia celular durante alguns dias?

Morozov – Não. Isso é o que acontece durante a revolução: as partes contenciosas tentam ganhar o controle total dos meios de comunicação. Por que elas fazem isso varia. Algumas vezes, é para dificultar o vazamento de imagens e vídeos dos protestos para os outros países. Algumas vezes, é para dificultar a organização das manifestações. Em outros casos, ainda, é provavelmente para intimidar os manifestantes em potencial ao dizer a eles que o regime está ansioso em tomar medidas drásticas como cortar meios de comunicação. Eu não tiraria muitas conclusões sobre o papel da internet olhando para como ela é usada durante situações de emergência como revoluções; em eventos como esse, todas as mídias desempenham um papel que é bem diferente do que têm em circunstâncias normais. Isso se aplica a toda a mídia, não somente à internet.

ÉPOCA – Mubarak demorou demais para perceber o que estava acontecendo online?

Morozov – O erro de Mubarak foi negligenciar por muito tempo os grupos no Facebook. Se o seu serviço de segurança tivesse começado a prestar atenção a isso mais cedo, ele teria conseguido gerenciar o levante com mais sucesso.

ÉPOCA – O que é ativismo online?

Morozov – É importante fazer uma distinção entre “ativismo online” – pessoas que fazem abaixo-assinados, pedem doações ou mudam a foto de seu perfil para apoiar uma causa – daquelas que usam a internet para falar de protestos que estão acontecendo no mundo real. São dois tipos diferentes de ativismo. E o último é apenas o bom e velho ativismo se apropriando dos novos canais de comunicação.

ÉPOCA – Na sua opinião, o Egito provou que é possível haver um movimento político nascido nas mídias sociais?

Morozov – Não. Apenas porque os desdobramentos das mídias sociais são aqueles mais fáceis de observar não significa que não haja outras forças políticas e sociais por trás das manifestações. Se você fosse pesquisar mais a fundo veria que associações de trabalhadores, grupos civis, advogados, intelectuais e muitas outras forças se reuniram no Egito. Além disso, muitos dos grupos originais do Facebook que tiveram influência nos protestos existiam há anos e haviam sido criados para apoiar protestos organizados por trabalhadores em greve. Então seria ingênuo deixar de lado o contexto social e político e olhar com lupa a internet.

ÉPOCA – É possível que surja um líder a partir da internet?

Morozov – A web tem um grande poder de marcar as coisas. Seria fácil estabelecer a reputação de um líder usando ferramentas online. Mas é importante lembrar que 20% da população do Egito tem acesso à internet, então, não é possível esperar que esse líderes online serão naturalmente aceitos pela população como um todo.

ÉPOCA – A China decidiu censurar mensagens relacionadas ao Egito. Por quê?

Morozov – Essa é fácil: porque revoluções são contagiosas e a China gosta de censurar.

ÉPOCA – O Google e o Twitter anunciaram um serviço de mensagens de voz para permitir que os egípcios burlassem a decisão do governo de limitar o acesso à internet. Devemos ver mais ações desse tipo?

Continue lendo

A mídia e as ditaduras amigas

O que vem acontecendo no Egito mais que expor a realidade, até aqui disfarçada, de uma ditadura que já se preparava para virar dinastia, serve para demonstrar a inacreditável desfaçatez com que a mídia tradicional embota a opinião pública mundial.

Até então, a serviço das grandes negociatas transnacionais, ditaduras haviam no Irã, Líbia, Coréia do Norte, Cuba, etc., mas jamais se falou que Hosni Mubarak era um ditador, com um tempo de “reinado’ capaz de deixar, por longevo, com inveja os grandes Faraós que reinaram no Egito.

Da mesma forma cínica e manipuladora, o ditador da China, Hu Jintao, é hipocritamente chamado de presidente.

Para o professor Reginaldo Nasser da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), e especialista em relações internacionais no Oriente Médio, “falta apoio internacional para que seja derrubado de uma vez o governo ditatorial de Muhammad Hosni Said Mubarak, há 30 anos no poder.”

E continua:

“Os Estados Unidos têm papel dúbio, para não dizer hipócrita”, e o Brasil está igual aos Estados Unidos… Diz que torce para as coisas saírem bem e pronto”.

O Editor
PS 1.  Obama diz, pasmem, que Mubarak é um “patriota”! Putz! Por analogia, Fidel, Kim Jong Il, Kadafi, Rei Abdullah, Hu Jintao, Chaves…, também o são. Ou não?
PS 2. Sei que novamente levarei um ‘puxão de orelhas’ seguido do inevitável “é a economia, estúpido”!


Ignacio Ramonet/Carta Maior

Uma ditadura na Tunísia? No Egito, uma ditadura? Vendo os meios de comunicação se esbaldarem com a palavra “ditadura” aplicada a Tunísia de Bem Alí e ao Egito de Moubarak, os franceses devem estar se perguntando se entenderam ou leram bem.

Esses mesmos meios de comunicação e esses mesmos jornalistas não insistiram durante décadas que esses dois “países amigos” eram “Estados moderados”?

A horrível palavra “ditadura” não estava exclusivamente reservada no mundo árabe muçulmano (depois da destruição da “espantosa tirania” de Saddam Hussein no Iraque) ao regime iraniano? Como? Havia então outras ditaduras na região?

E isso foi ocultado pelos meios de comunicação de nossa exemplar democracia? Eis aqui, em todo caso, um primeiro abrir de olhos que devemos ao rebelde povo da Tunísia.

Sua prodigiosa vitória liberou os europeus da “retórica hipócrita de ocultamento” em vigor em nossas chancelarias e em nossa mídia. Obrigados a tirar a máscara, simulam descobrir o que sabíamos há algum tempo (1), a saber, que as “ditaduras amigas” não são mais do que isso: regimes de opressão.

Sobre esse assunto, os meios de comunicação não têm feito outra coisa do que seguir a “linha oficial”: fechar os olhos ou olhar para o outro lado confirmando a ideia de que a imprensa só é livre em relação aos fracos e aos povos isolados.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Por acaso Nicolás Sarkozy não teve a altivez de assegurar que na Tunísia “havia uma desesperança, um sofrimento, um sentimento de angústia que, precisamos reconhecer, não havíamos apreciado em sua justa medida”, ao se referir ao sistema mafioso do clã Ben Alí-Trabelsi?

“Não havíamos apreciado em sua justa medida…” Em 23 anos…Apesar de contar, neste país, com serviços diplomáticos mais prolíficos que os de qualquer outro país…Apesar da colaboração em todos os setores da segurança (polícia, inteligência…) (2).

Apesar das estâncias regulares de altos responsáveis políticos e midiáticos que estabeleciam ali descomplexadamente seus locais de veraneio…

Apesar da existência na França de dirigentes exilados da oposição tunisiana, mantidos marginalizados como pesteados pelas autoridades francesas e com acesso proibido durante décadas aos grandes meios de comunicação…

Democracia ruinosa…

Na realidade, esses regimes autoritários foram (e seguem sendo) protegidos de modo complacente pelas democracias européias, que desprezaram seus próprios valores sob o pretexto de que constituíam baluartes contra o islamismo radical (3).

O mesmo argumento cínico usado pelo Ocidente durante a Guerra Fria para apoiar ditaduras militares na Europa (Espanha, Portugal, Grécia e Turquia) e na América Latina, pretendendo impedir a chegada do comunismo ao poder.

Que formidável lição das sociedades árabes revolucionárias aqueles que, na Europa, os descreviam em termos maniqueístas, ou seja, como massas dóceis submetidas a tiranos orientais corruptos ou como multidões histéricas possuídas pelo fanatismo religioso.

E agora, de repente, elas surgem nas telas de nossos computadores e televisores (conferir o admirável trabalho da Al-Jazeera), preocupadas com o progresso social, não obcecadas pela questão religiosa, sedentas de liberdade, cansadas da corrupção, detestando as desigualdades e reclamando democracia para todos, sem exclusões.

Longes das caricaturas binárias, esses povos não constituem de modo algum uma espécie de “exceção árabe”, mas sim se assemelham em suas aspirações políticas ao resto das ilustradas sociedades urbanas modernas. Um terço dos tunisianos e quase um quarto dos egípcios navegam regularmente pela internet. Como afirma Moulay Hicham El Alaoui: “Os novos movimentos já não estão marcados pelos velhos antagonismos como anti-imperialismo, anticolonialismo ou antisecularismo.

As manifestações na Tunísia e no Egito são, até aqui, desprovidas de todo simbolismo religioso. Constituem uma ruptura geracional que refuta a tese do excepcionalismo árabe. Além disso, esses movimentos são animados pelas novas metodologias de comunicação da internet. Eles propõem uma nova versão da sociedade civil, onde o rechaço ao autoritarismo anda de mãos dadas com o rechaço à corrupção” (4).

Especialmente graças às redes sociais digitais, as sociedades da Tunísia e do Egito se mobilizaram com grande rapidez e puderam desestabilizar o poder em tempo recorde. Ainda antes de os movimentos terem a oportunidade de “amadurecer” e favorecer a emergência de novos dirigentes entre eles.

É uma das raras ocasiões onde, sem líderes, sem organizações dirigentes e sem programa, a simples dinâmica da exasperação das massas bastou para conseguir o triunfo da revolução. Trata-se de um momento frágil e, sem dúvida, as grandes potências já estão trabalhando, especialmente no Egito, para que “tudo mude sem que nada mude”, segundo o velho adágio de O Leopardo.

Esses povos que conquistaram sua liberdade devem lembrar a advertência de Balzac: “Se matará a imprensa assim como se mata um povo, outorgando-lhe a liberdade” (5).

Nas “democracias vigiadas” é muito mais fácil domesticar legitimamente um povo do que nas antigas ditaduras. Mas isso não justifica sua manutenção. Nem deve ofuscar o ardor de derrubar uma tirania.

A derrocada da ditadura na Tunísia foi tão veloz que os demais povos magrebinos e árabes chegaram à conclusão de que essas autocracias – as mais velhas do mundo – estavam na verdade profundamente corroídas e não eram, portanto, mais do que “tigres de papel”. Esta demonstração está ocorrendo também no Egito.

Daí esse impressionante levante dos povos árabes, que leva a pensar inevitavelmente no grande florescimento das revoluções européias de 1848, na Jordânia, Iêmen, Argélia, Síria, Arábia Saudita, Sudão e também no Marrocos.

Neste último país, uma monarquia absoluta, na qual o resultado das “eleições” (sempre viciado) é decidido pelo soberano, que designa segundo sua vontade os chamados ministros “da soberania”, algumas dezenas de famílias próximas ao trono continuam controlando a maioria das riquezas (6).

Os telegramas divulgados por Wikileaks revelaram que a corrupção chega a níveis de indecência descomunal, maiores que os encontrados na Tunísia de Ben Alí, e que as redes mafiosas teriam todas como origem o Palácio. Trata-se de um país onde a prática da tortura está generalizada e o amordaçamento da imprensa é permanente.

No entanto, como na Tunísia de Ben Alí, esta “ditadura amiga” se beneficia da grande indulgência dos meios de comunicação e da maior parte de nossos responsáveis políticos (7), os quais minimizam os sinais do começo de um “contágio” da rebelião. Quatro pessoas se imolaram, incendiando suas próprias vestes.

Produziram-se manifestações de solidariedade com os rebeldes da Tunísia e do Egito em Tânger, Fez e Rabat (8).

Acossadas pelo medo, as autoridades decidiram subvencionar preventivamente os artigos de primeira necessidade para evitar as “rebeliões do pão”. Importantes contingentes de tropas do Saara Ocidental teriam sido deslocados aceleradamente para Rabat e Casablanca. O rei Mohamed VI e alguns colaboradores teriam viajado a França no dia 29 de janeiro para consultar especialistas em ordem pública do Ministério do Interior francês (9).

Ainda que as autoridades desmintam as duas últimas informações, está claro que a sociedade marroquina está seguindo os acontecimentos da Tunísia e do Egito, com excitação. Preparados para unir-se ao impulso de fervor revolucionário e quebrar de uma vez por todas as travas feudais. E para cobrar todos aqueles que, na Europa, foram cúmplices durante décadas dessas “ditaduras amigas”.

NOTAS

(1) Ler, por exemplo, de Jacqueline Boucher “La société tunisienne privée de parole” e de Ignacio Ramonet “Main de fer en Tunisie”, Le Monde Diplomatique, de fevereiro de 1996 e de julho de 1996, respectivamente.

(2) Quando Mohamed Bouazizi se imolou incendiando-se em 17 de dezembro de 2010, quando a insurreição ganhava todo o país e dezenas de tunisianos rebeldes continuavam caindo sob as balas da repressão, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoé, e a ministra de Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie consideravam absolutamente normal ir festejar alegremente em Tunis.

(3) Ao mesmo tempo, Washington e seus aliados europeus, sem aparentemente medir as contradições, apoiam o regime teocrático e tirânico da Arábia Saudita, principal sede do islamismo mais obscurantista e mais expansionista.

(4) http://www.medelu.org/spip.php?article711

(5) Honoré de Balzac, Monographie de la presse parisienne, Paris, 1843.

(6) Ler Ignacio Ramonet, “La poudrière Maroc”, Mémoire des luttes, setembro 2008.
http://www.medelu.org/spip.php?article111

(7) Desde Nicolas Sarkozy até Ségolène Royal, passando por Dominique Strauss-Kahn, que possui um “ryad” em Marrakesh, os dirigentes políticos franceses não têm o menor escrúpulo em passar suas férias de inverno entre estas “ditaduras amigas”.

(8) El País, 30 de janeiro de 2011- http://www.elpais.com/../Manifestaciones/Tanger/Rabat

(9) Ler El País, 30 de janeiro de 2011 – http://www.elpais.com/..Mohamed/VI/va/vacaciones y Pierre Haski, “Le discret voyage du roi du Maroc dans son château de l´Oise”, Rue89, 29 de janeiro de 2011.

http://www.rue89.com/..le-roi-du-maroc-en-voyage-iscret…188096http://www.elpais.com/../Manifestaciones/Tanger/Rabat

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer.

Lula, Honduras, democracia e ditadores africanos

O apedeuta esteve espalhando a verborragia dos Caetés pelas plagas da desértica democracia da africana, durante a 13ª Cúpula da União Africana na Líbia do ‘democrático’ Kadafi.

Pra não perder a viagem, nem deixar a língua esfriar, na companhia dos “democratas” africanos, ver lista abaixo, bradou para que suas (deles) ex-celências se manifestassem contra o que chama de golpe em Honduras.

De Garanhuns aos desertos Líbios, Lula continua impagável. Ou imperdoável. Ou insuportável.

Pois não é que o chefe dos infelicitados Tupiniquins defendeu a democracia diante dos “Top 10 democratas africanos”.
É uma cambada que está no poder desde o cretáceo inferior. Confiram aí o tempo em que a corja tá no poder:

1. Zine El Abidine Ben Ali (Tunísia) – 21 anos no poder. ARGH!

2. Blaise Compaoré (Burkina Fasso) 21 anos. ARGH!

3. Rei Mswati 3º (Suazilândia) – 23 anos. ARGH!

4. Yoweri Museveni (Uganda) – 23 anos. ARGH!

5. Paul Biya (Camarões) – 26 anos. ARGH!

6. Hosni Mubarak (Egito) – 27 anos. ARGH!

7. Robert Mugabe (Zimbábue) – 29 anos. ARGH!

8. José Eduardo dos Santos (Angola) – 29 anos. ARGH!

9. Teodoro Obiang Nguema (Guiné Equatorial) – 29 anos. ARGH!

10. Muamar Kadafi (Líbia) – 39 anos. ARGH!

Uáu!