Guerra cibernética não é só ficção

Guerra Cibernética, Hackers,Iraque,Irã,USA,Blog do MesquitaGuerra cibernética deixou de ser ficção, diz empresa de segurança. Relatório da McAfee diz que muitos ataques feitos atualmente na internet têm raiz política. A guerra cibernética deixou de ser ficção e se tornou realidade, segundo um relatório da empresa de segurança em informática McAfee.

O documento baseia suas conclusões em análises de ataques recentes ocorridos na rede e sugere que vários deles tiveram motivações políticas explícitas.

Segundo o relatório, muitas nações estão nesse momento se armando para se defender e para conduzir seus próprios ataques em uma guerra cibernética – entre elas, Grã-Bretanha, China, França, Coréia do Norte e Alemanha.

O estudo prevê um futuro em que conflitos sejam travados parcialmente na internet.

Guerra no Iraque

Não há uma definição clara do que seja uma guerra cibernética, mas os especialistas dizem que entre os prováveis alvos dos ataques estão a infraestrutura de um país, como a rede elétrica ou os suprimentos de água.

Sabe-se, por exemplo, que os Estados Unidos têm um manual de operações que estabelece as regras e procedimentos para o uso de táticas de guerra cibernética.

O país teria usado ataques de hackers em conjunto com operações de terra durante a guerra no Iraque e continua a usar recursos cibernéticos para policiar a nação.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O analista de segurança da McAfee Europe, Greg Day, disse que há evidências de que vários ataques feitos nos últimos tempos poderiam ser classificados como missões de “reconhecimento” para conflitos futuros.

A facilidade com que os instrumentos usados nesses ataques podem ser acessados preocupa o analista.

“Fazer uma guerra física requer bilhões de dólares”, disse Day. “No caso de uma guerra cibernética, a maioria das pessoas pode encontrar recursos para esse tipo de ataque com facilidade”.

Segurança e privacidade

Na maioria dos países desenvolvidos, serviços básicos como transportes, finanças, distribuição de energia e telecomunicações estão conectados à rede e, segundo o relatório, não estão protegidos adequadamente.

“Em resposta a isso, muitas nações possuem hoje agências encarregadas de cuidar de redes estratégicas de infraestrutura e assegurar que estão protegidas contra ataques originados na rede”, disse o analista.

E como medida de segurança, as nações podem vir a pedir que empresas de telecomunicação façam checagens na rede para detectar programas malignos antes que um ataque ocorra.

A questão é polêmica porque envolve os direitos à privacidade.

O relatório da McAfee cita o caso do Brasil, onde está em discussão um projeto de lei que propõe que os provedores de internet mantenham registros de todo o tráfego na rede por um período de até três anos.

Segundo o relatório, legislações desse tipo já estão em vigor em alguns países.

Culpados

O diretor de tecnologia da empresa Veracode, Chris Wysopal, que trabalha com consultoria para governos sobre segurança em informática, disse que na guerra cibernética é mais difícil encontrar as causas de um ataque e identificar seus autores.

“Em guerras físicas é bem claro quem tem quais armas e como estão sendo usadas”, disse. “No mundo da rede essa atribuição é incrivelmente difícil”.

O mesmo vale para o crime cibernético, ele disse. Seguir o rastro do dinheiro pode levar os investigadores a um bando de ladrões.

“Se é alguém roubando informações ou implantando bombas lógicas, é muito mais difícil encontrá-lo”, disse Wysopal.

O especialista disse que muitos governos se conscientizaram do perigo e estão criando sistemas de proteção.

“O problema é que governos trabalham com escalas de tempo de muitos anos”, disse Wysopal. “Criminosos atuam em questão de meses”.

Guerras, governantes e órgãos de inteligência

Espionagem,NSA,Edward Snowden,Curveball,Assange,Bush,Colin Powell, Blog do MesquitaFica patente que, apesar da história ser escrita pelos vencedores, o avanço da tecnologia na divulgação mais ampla e imparcial dos fatos, vai proporcionado à humanidade a possibilidade de, mais acuradamente, formar opinião mais isenta sobre a história contemporânea.

A internet proporciona o acesso à informação não necessariamente escrita nos gabinetes das ditas agências de “inteligência”.

Nessa era de ‘Snowdens’, ‘Assanges’ e NSA, das permanentes crises e guerras infinitas, dediquei o dia de ontem para ler “Curveball” (Editora Novo Conceito, 270 páginas), do jornalista norte-americano Bob Drogin, já traduzido para o português.

Encontrei na narrativa, minuciosamente explanada, detalhe por detalhe, toda a chocante e mefistotélica maquinação de como os órgãos de segurança da turma acima do Rio Grande, manobraram Bush e Colin Powell para produzirem o desastre da guerra do Iraque. Porque desejam ser conduzidos.

Como já está comprovado; só a guerra produz o pleno emprego.


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Processo contra Bush na era pós Bush

Elio GaspariFolha de São Paulo

“- A conta: Não se sabe o que Bush pretende fazer da vida, mas perderá muito tempo explicando-se.

Charlotte Dennett, uma advogada do Vermont pretende processá-lo pelas mentiras que contou para invadir o Iraque.

Até aí, nada demais porque sempre há um alguém batalhando por 15 minutos de fama. O caso agravou-se porque o promotor Vincent Bugliosi associou-se à senhora.

Bugliosi vive na Califórnia e ganhou 105 dos 106 casos em que litigou. Pediu 21 penas de morte e ganhou todas.

Ele escreveu “O Processo contra George Bush por Assassinato”, livro boicotado pela imprensa americana, levado às listas de mais vendidos por emissoras de rádio e pela internet.

Antes que ele seja confundido com um aventureiro, vale lembrar que seu trabalho anterior, “Resgatando a História”, com 1.612 páginas e outras tantas num CD de notas, é a melhor reconstituição do assassinato do presidente John Kennedy.

A conclusão: o crime foi cometido por Lee Oswald sozinho, e o resto é conversa fiada”.

Viva a imprensa livre

Em artigo contundente, o escritor Fernando Veríssimo, com a ironia dos acostumados à dialética, desnuda os subterrâneos da Guerra do Iraque e comenta a posição da imprensa dos Estados Unidos.

Do blog do Noblat
Por Luiz Fernando Veríssimo

A imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McClellan, que foi porta-voz da Presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou – muitas vezes enganado também, diz ele agora – do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu, e cujo custo em vidas humanas continua a subir.

A imprensa americana está comentando menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McLellan tinha dito antes: a sua cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McLellan descreve uma imprensa subserviente que raramente questionava as mentiras do governo e, com poucas exceções, aceitava todas as razões da direita guerreira.

O próprio “New York Times“, besta negra dos conservadores americanos com sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas matérias de primeira página em que sua super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre armas de destruição em massa do Saddam. O “Times” depois pediu desculpas aos seus leitores mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. McLellan chama a atitude da maior parte da imprensa com relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de “reverencial”.

Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por “liberais”, o fato é que – de novo, com exceções – a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reacionários como o “Wall Street Journal” preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.

Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCain com religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleans pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. Double standards é o termo em inglês para dois pesos e duas medidas.

Como diria o Ancelmo Gois, deve ser horrível viver num país em que a imprensa age assim.