O prisioneiro que se nega a abandonar Guantánamo apesar de estar livre para sair

Muhammad Bawazir passou os últimos 14 anos de sua vida recluso na prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba.

O número de detentos na prisão de Guantánamo caiu de 242 para 91 nos últimos sete anos, mas o centro continua em funcionamento

Nesta semana, ele teve a chance de pegar um avião e abandonar o centro de detenção para sempre – como fizeram outros dois detentos – mas decidiu ficar.

Esse iemenita de 35 anos recusou a oferta de recomeçar a vida em um país que havia aceitado acolhê-lo, pois não tinha parentes por lá.

A decisão surpreendeu o advogado de Bawazir, John Chandler, que disse ter passado meses tentando convencê-lo a deixar o centro de detenção.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O caso vem a público sete anos após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter assinado uma ordem para fechar a prisão de Guantánamo.

Muhammad Bawazir em foto do Departamento de Estado dos EUA divulgada pelo jornal New York Times e pela organização WikiLeaks

A base é usada por autoridades americanas desde 2002 para conter suspeitos de terrorismo, e é alvo de campanhas de entidades de defesa de direitos humanos, por indícios de tortura e maus-tratos contra os presos.

A ordem de Obama é de 22 de janeiro de 2009, mas a cadeia continua em funcionamento.

“É cara, desnecessária e serve apenas como propaganda de recrutamento para nossos inimigos”, disse Obama no último dia 12, em seu discurso anual sobre o Estado da União.

Problemas legais, oposição no Congresso e dificuldade em conseguir países para acolher os presos são fatores que impediram Obama de cumprir sua promessa.

Apesar disso, o número de presos na base caiu nos últimos anos de 242 para 91 – número que hoje seria 90 se Bawazir não tivesse se recusado a subir no avião no último momento.

Um preso teimoso

Bawazir chegou a Guantánamo aos 21 anos, após ser preso no Afeganistão.

Em 2008, ainda no governo George W. Bush (2001-2008), sua liberação foi aprovada, mas não pôde ser colocada em prática porque Washington se recusava a enviar prisioneiros ao Iêmen, temendo que alguns deles voltassem a representar ameaça aos EUA.

Hoje, não é possível enviar detentos para lá porque o Iêmen está em meio a uma guerra civil.

Nos 14 anos em Guantánamo, Bawazir protagonizou diversas greves de fome.

Em uma delas, chegou a pesar 41 quilos, o que levou autoridades a alimentá-lo à força para evitar sua morte.

“Ele está apavorado por ter que ir a um país onde não tem apoio garantido”, disse o advogado John Chandler ao explicar a decisão de seu cliente.

Ele disse ter tentado por meses convencer Bawazir a aceitar a oferta, e que ele tinha concordado na noite de terça-feira – mas voltou atrás no dia seguinte.

“Não sei explicar a lógica da posição dele. É simplesmente uma reação muito emocional de um homem que está preso há 14 anos.”

Depressão

O advogado afirmou que Bawazir estava deprimido e o comparou ao personagem do filme Um Sonho de Liberdade (1994) que não consegue acertar sua vida após passar muitos anos preso.

Problemas legais, oposição no Congresso e dificuldade em fechar acordos diplomáticos impediram o fechamento da prisão. Image copyright Getty

“Ele sempre foi muito sensível. Quando estava em greve de fome me disse: ‘Tudo que quero é morrer’. Ele não aguentava o lugar”, disse Chandler.

As autoridades americanas não informaram o nome do país que aceitou acolher o prisioneiro, mas o advogado disse ser “um país que eu iria sem pensar duas vezes”.

O desejo de Bawazir era viver em um local onde possui parentes, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita ou Indonésia, mas aparentemente o governo dos EUA não conseguiu fechar acordo com esses países para que recebessem detentos de Guantánamo.

Agora, diante da decisão, há dúvidas sobre o destino do prisioneiro. O advogado disse estar preocupado com a situação, sobretudo depois que Obama deixar a Casa Branca, no começo de 2017.

Sete sugestões de visitas para a trupe de senadores liderada por Aécio

Aécio Neves Blog do Mesquita Personalidades - Políticos - LulaO PSDB é craque em vexames internacionais. Quando FHC era presidente da República e Celso Lafer nosso ministro das Relações Exteriores, o país tirou os sapatos para entrar nos EUA.

O episódio deixou claro o quanto éramos subservientes e o quanto o governo não se dava ao respeito em nível internacional.

Liderados pelo candidato derrotado à presidência Aécio Neves, o PSDB e seus aliados fizeram o país pagar outro mico. Alguns senadores foram à Venezuela denunciar que o país vizinho é uma “ditadura”. Desceram no aeroporto por uma porta, deram uma volta de van pela cidade, fizeram cara de sérios para sair no Jornal Nacional, e voltaram pela outra porta. E uma viagem custeada com dinheiro público.

Este blogue, porém, achou que a iniciativa merece repeteco. E decidiu fazer uma lista de outros lugares pelo mundo para os senadores demo-tucanos visitarem. Mas dessa vez, detalhe, provavelmente não iriam aparecer no JN.

1 – Guantánamo: Os EUA mantêm em condições subhumanas e expostos a comprovadas sessões de tortura supostos prisioneiros de guerra sem que eles tenham direito à defesa. O governo estadunidense se recusa a tratar o assunto de forma democrática e já sofreu pressão internacional até mesmo do Vaticano, que pediu uma “solução humanitária adequada”. Nunca Aécio ou o PSDB foram aos EUA pressionar Clinton, Bush, Obama ou quem quer que seja.

2 – Palestina: com os territórios de Gaza e da Cisjordânia ocupados desde 1967, o povo palestino sofre com a restrição de direitos básicos e milhares de pessoas e crianças já foram assassinados neste período. A chacina choca a comunidade internacional e Aécio nunca fez um discurso condenando o fato. Sequer postou um tuíte em solidariedade quando a mais sangrenta operação militar israelense na última década deixou 2.205 palestinos mortos.

3 – Síria: Hoje é na Síria que se vive uma das catástrofes humanas mais eloquentes. Calcula-se em 4 milhões o número de pessoas que fogem ou fugiram do país numa guerra que foi insuflada pela chamada comunidade internacional. Ao invés de tentar buscar soluções para isso, a Europa deixa que as pessoas se afoguem no Mediterrâneo. Aécio e sua trupe poderiam ir para os portos da Itália e pressionar os países europeus a darem tratamento humanitário àqueles seres humanos.

4 – Haiti: O país que já era um dos mais pobres do continente foi arrasado por um grande terremoto em 2010 e hoje busca quase sem apoio nenhum sua reconstrução. Ao invés de buscar soluções e fazer, inclusive, as críticas que o governo brasileiro merece neste caso por integrar as tropas de paz da ONU que estão no país, a trupe de senadores faz coro e recebe para o diálogo os líderes do Revoltados on Line que recentemente agrediram um haitiano que trabalhava num posto de gasolina de Canoas, Rio Grande do Sul. A agressão não mereceu uma menção sequer do dileto senador tucano.

5 – Egito: Já que o problema de Aécio e sua trupe é com a falta de democracia na Venezuela, o Egito seria um lugar perfeito para a visita. O país viveu um golpe de Estado e centenas de pessoas que atuavam no então governo eleito ou estão condenadas à morte ou foram executadas. Entre elas, o ex-presidente Mohamed Mursi. Seria o caso de Aécio e seus amigos irem à Praça Tahir e pedir o fim do golpe.

6 – México: 43 estudantes foram assassinados na cidade de Ayotzinapa em setembro de 2014, num dos atos mais bárbaros de que se tem notícia no continente. As investigações estão sendo realizadas sem nenhum tipo de seriedade e as punições provavelmente não ocorrerão. O país, aliás, tem 26 mil cidadãos desaparecidos, segundo registros oficiais. Qual foi a ação da trupe de Aécio neste episódio?

7 – Periferia de SP: O Brasil é um dos países onde se mata mais jovens no mundo. Boa parte deles são negros e pobres, moram nas periferias das grandes cidades, em especial de São Paulo, e são executados pela polícia. Como se trata de um estado governado pelo PSDB, seria altamente eficiente um protesto do grupo de Aécio, até porque ele também conta com o senador Aloysio Nunes. Mas até hoje nem um post em rede social sequer sobre o tema. Ao contrário, a trupe de Aécio quer diminuir a maioridade penal para colocar mais jovens na cadeia.

Como a Globo não acompanharia essas visitas, a Fórum se compromete a fazê-lo.

A Venezuela tem seus problemas, mas querer transformar o país no centro dos problemas do mundo é muita patetice até para a trupe do Aécio.
Blog do Rovai

Tópicos do dia – 23/03/2012

08:58:19
Thor já atropelou outro ciclista, diz colunista de jornal
O colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, afirmou na sua coluna que Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, já havia atropelado outro ciclista antes de matar Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, que pedalava na rodovia Washington Luís na noite de sábado, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo Gois, “no dia 27 de maio de 2011, a bordo do Audi placa EBX 0001, (Thor) atropelou um senhor de 86 anos, também numa bicicleta, na avenida Sernambetiba, na Barra (da Tijuca). Uma ambulância do Samu levou o idoso ao Hospital Lourenço Jorge, que depois foi transferido para o Copa D’Or.”
O colunista disse ainda que “Thor prestou socorro ao senhor e pagou todas as despesas médicas. Segundo um filho da vítima, que prefere não aparecer, a família não registrou queixa e não pediu indenização. O senhor, hoje recuperado, fraturou o acetábulo (parte da bacia onde a cebeça do fêmur se encaixa). Pôs duas placas e cinco parafusos, fez fisioterapia, hidroterapia e teve sessões com psicólogo para se livrar do trauma.” Na quarta-feira, o filho do presidente do grupo EBX com a ex-modelo Luma de Oliveira compareceu à 61ª Delegacia de Polícia, em Xerém, para depor sobre a morte de Wanderson Pereira dos Santos.

09:10:35
Eleições 2014: Dilma sinaliza que não se importa com reeleição
A atitude de Dilma é de quem não disputará a reeleição. Suas broncas que impressionam pela ferocidade, além de ministros, atingem aliados e “eleitores” importantes. Em recente visita ao Rio, ela embarcou com o governador e o prefeito num passeio que se tornaria desagradável, no teleférico de uma favela. Fechada a porta, ela se dirigiu a Sérgio Cabral tão asperamente que Eduardo Paes, sem saber o que fazer, colou o rosto na janela oposta, insinuando não testemunhar a cena degradante.
Coluna Claudio Humberto

10:14:56
Cuba, Usa e os mentecaptos
Assim eu “nunguento”!
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), juro ainda exite esse partido, ontem na tribuna do senado, anunciou sua posição favorável a requerimento para que os USA suspendam bloqueio econômico a Cuba pode ser considerado um “atentado aos direitos humanos”.
Já a liberdade de imprensa, libertação de presos políticos, dirieto de ir e vir, eleições…a senadora, vejam só, disse que não se imiscuía, argh, nos assuntos internos de outro país! Há, há há.
E eu que imaginava ser somente o senador Suplicy o único mentecapto no parlamento da Taba dos Tupiniquins!

10:22:40
Assessores de Aécio Neves no Senado recebem jetom em estatais mineiras
Assessores do gabinete do senador Aécio Neves (PSDB-MG) estão engordando seus contracheques graças a cargos em estatais mineiras. Três servidores comissionados recebem, além do salário do Senado, remunerações por integrar conselhos de empresas do Estado, governado pelo tucano de 2003 a 2010 e agora sob o comando do aliado Antônio Anastasia (PSDB). Assim, turbinam os rendimentos em até 46%. Ninguém é obrigado a bater ponto no Senado e, nas estatais, são exigidos a ir a no máximo uma reunião por mês.
Fábio Fabrini/Estadão Online

15:04:59
Chico Anysio morre aos 80 anos
Comediante estava internado em hospital no Rio de Janeiro.
Ele começou no rádio, fez sucesso na TV e atuou em filmes.
“Não tenho medo de morrer. Tenho pena.”
Chico Anysio


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Tópicos do dia – 04/02/2012

09:18:34
Dilma, demissão de ministros e Recursos Humanos
Fosse gerente de RH em uma empresa qualquer da iniciativa privada, Dona Dilma já teria sido demitida por incompetência na seleção e recrutamento de gerentes. Ou não?
Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi, Mário Negromonte, e um Aguinaldo a caminho da lixeira da pretensa faxineira.

09:27:32
Dilma, Cuba e Guantánamo
Impressiona, na visita de Dilma a Cuba, como algumas pessoas notáveis aqui no Brasil ainda não aceitam, a esta altura do campeonato, a democracia como um valor universal. Todo mundo tem o direito de ir e vir, divergir, de se reunir, protestar ou militar num partido que não seja o único do pedaço. Além disso, o desrespeito aos direitos humanos é hediondo, seja em Guantânamo ou Havana.
Ancelmo Gois

09:47:10
Hackers e Bancos
Sistema de pagamentos da Redecard falha em dia de ataque hacker
O sistema de pagamentos da credenciadora de cartões Redecard ficou fora do ar durante parte desta sexta-feira, 3, causando transtornos e prejuízos, segundo relatos de empresas e consumidores. O dia foi marcado por mais uma onda de ataques cibernéticos a sites de instituições financeiras e entidades, todos de autoria do grupo Anonymous.

A Redecard admite que sua página na internet apresentou intermitência ao longo do dia “em função de uma sobrecarga de acessos”, mas nega que o fato tenha interferido na funcionalidade das transações da rede de pagamentos. A credenciadora afirma ainda que não houve o comprometimento da segurança dos dados dos clientes.

O site de compras coletivas Peixe Urbano foi uma das empresas afetadas. Em nota, a companhia diz que o link para pagamento via Redecard ficou intermitente nesta sexta-feira. O impacto, segundo o site, foi minimizado pelo fato de os usuários terem outras formas de transação disponíveis.

Durante a tarde, o Twitter do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do Peixe Urbano orientou os clientes a usarem outros meios de pagamento, uma vez que “toda a Redecard está fora do ar”, segundo escreveu a empresa no microblog.
Bianca Pinto Lima/Estadão.com.br 


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Cuba: Dilma repete Lula. Os Castros são uns santos!

É a economia, estúpido! A expressão é de um assessor do ex-presidente Clinton ao explicar as razões de certas decisões contraditórias tomadas pelo governo. Cuba, um Estado ditatorial, gerido há 60 anos pelos genocidas Castro, censor e que não liga a mínima para os direitos humanos, está em processo de desmonte. Quando isso acontecer, tudo por lá precisará ser reconstruído.
José Mesquita – Editor


Cacoete ideológico em Cuba
Na primeira visita a Cuba, a presidente Dilma Rousseff foi traída pelo passado. Não se esperava que abordasse o tema dos direitos humanos em público. Mas decidiu fazê-lo, numa cerimônia no Memorial José Martí, e cometeu o grave erro de tentar relativizar os fartos e conhecidos crimes cubanos nesta área, incluindo numa infeliz pensata os delitos cometidos pelos americanos na base de Guantánamo, na ilha, uma nódoa, de fato, na História dos Estados Unidos.

Mas misturou coisas diferentes, na visível tentativa de, como é praxe em parte da esquerda brasileira, passar a mão na cabeça dos irmãos Castro. Dilma pontificou que não se deve usar direitos humanos como arma política. De fato, mas, dito isto, incorreu neste mesmo erro.

Ali, logo no início da viagem oficial, transformou-se em decepção a esperança que dissidentes tinham de que Dilma não repetiria a desastrada passagem de Lula pela ilha, no mesmo dia da morte de Orlando Zapata, um dos presos políticos de Fidel e Raúl em greve de fome. De volta ao Brasil, comparou-os a prisioneiros comuns.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O fato de o Brasil ter concedido visto à dissidente Yoani Sánchez, para ela vir ao país ao lançamento de um filme sobre a resistência em Cuba, alimentou as expectativas otimistas. Não que Dilma fosse discursar a favor dos cubanos perseguidos. Mas o silêncio em público poderia até levar a supor que o tema seria tratado em contatos privados.

— Ela agiu como Lula e não se interessou pelo povo cubano — desabafou Berta Soler, porta-voz das Damas de Branco, grupo formado por mulheres e familiares em geral de presos políticos.

Foi mais forte, infelizmente, o cacoete ideológico da extrema esquerda brasileira do final da década de 60 e início dos anos 70. Há neste grupo, marcado pela luta armada apoiada por Cuba, uma paixão cega e juvenil pelo castrismo. Não importa para eles que a ilha seja, ao lado da Coreia do Norte, o último bolsão de stalinismo medieval, quase um pleonasmo.

Contaminado, também, por antiamericanismo atávico, o cacoete levou a presidente a tentar equiparar um regime brutal com uma das mais sólidas democracias do mundo, que carrega, é verdade, a mancha de Guantánamo.

É risível tentar colocar no mesmo verbete os EUA e uma ditadura de mais de meio século, com inúmeros crimes cometidos contra os direitos humanos — fuzilamentos, greves de fome e mortes, perseguições, etc. — no currículo.

O Brasil como nação e Estado pode e deve ajudar Cuba na transição para um regime mais arejado. Com a subida de Raúl Castro, na doença do irmão, ocorrem tentativas de alguma liberação na economia, mas ainda aquém do necessário a que alguns ingredientes do livre mercado possam aumentar a produção de alimentos, para livrar os cubanos de um já histórico racionamento.

Investimentos como os em curso na infraestrutura cubana, com apoio financeiro e tecnológico brasileiro, são ações também bem-vindas.

Mas de nada adianta fingir que Cuba não continua a ser uma ditadura violenta. A relativização na leitura da História é sempre perigosa. Por meio dela termina-se até “entendendo” por que Hitler fez o que fez com judeus, ciganos, homossexuais e artistas.
O Globo – Editorial 

10 anos depois: Guantánamo continua aberta, e Obama decepciona

Ao assumir a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2009, Barack Obama prometeu fechar em um ano a prisão em Guantánamo.

Guantánamo, ou Gitmo, como é chamada pelos militares, é a maior mancha na reputação dos Estados Unidos no mundo, por seu histórico de violações aos direitos humanos. A prisão abrigou alguns dos terroristas mais perigosos do mundo, envolvidos nos ataques de 11 de setembro de 2001; mas detém também muita gente inocente que não teve direito a julgamento.

Desde a promessa de Obama, uma das maiores bandeiras de sua campanha, já se passaram três anos.

A prisão americana completou 10 anos nesta quarta-feira. E está longe de ser fechada.

Ainda há 171 detentos em Guantánamo. Desses, já há ordem para soltar 80, mas em muitos casos não se consegue transferi-los para nenhum país, muito menos para solo americano. Trinta e seis serão julgados nos chamados tribunais militares. E 48 detentos estão em zona cinzenta — não há provas suficientes para julgá-los, mas eles são considerados perigosos demais para serem soltos.

Nesta foto de abril de 2007, indicação da entrada do Campo Delta na base de Guantánamo, em Cuba

Não bastasse isso, o assunto “o que fazer com Gitmo” está virtualmente ausente da campanha eleitoral americana.

E o provável candidato republicano à presidência, Mitt Romney, tampouco se mostra muito disposto a resolver o problema. Em 2007, na campanha eleitoral, Romney chegou a dizer que gostaria de “dobrar” Guantánamo.

Já Obama mantém sua declarada intenção de fechar a prisão. Segundo o porta-voz Jay Carney, “o compromisso do presidente de fechar Guantánamo é tão firme hoje quanto era durante a campanha. Mas todos nós sabemos dos obstáculos que existem para isso ser feito de forma rápida, como o presidente queria, e esses obstáculos continuam existindo. Mas o compromisso do presidente não mudou.”

Ora, isso não é grande consolo.

Desde que Obama assumiu, o Congresso conseguiu bloquear várias das tentativas do presidente de resolver alguns dos imbróglios da prisão.
O Congresso vetou que recursos públicos fossem usados para custear transferência ou julgamentos de detentos de Gitmo em solo americano e bloqueou a compra de uma prisão no Estado de Illinois, que seria usada para abrigar os 46 presos “zona cinzenta” –aqueles que não irão a julgamento, mas tampouco serão soltos.

No caso dos 80 que já foram liberados para serem soltos, o Congresso aprovou uma lei draconiana que, em última instância, responsabiliza o secretário de Defesa caso alguns desses detentos cometam atos terroristas.

A cereja do bolo foi Obama assinar a Lei de Military Authorizations, no dia 31 de dezembro —*essa lei, segundo ativistas de direitos humanos, essencialmente permite que o executivo mantenha supostos terroristas presos indefinidamente, sem direito a julgamento.

A Casa Branca contesta, dizendo que a lei apenas formalizou algo que já existia na prática.

De qualquer maneira, trata-se de uma enorme decepção.

Estive em Guantánamo em fevereiro de 2008. Naquela época, já existia o “tour” de relações públicas montado pelo governo americano. Eles chamavam jornalistas para mostrar como a prisão havia evoluído e não havia mais os abusos dos primeiros tempos — eternizados nas fotos de prisioneiros em gaiolas, de roupa laranja e saco na cabeça, acossados por cachorros.

“Bem-vindos a Guantánamo”, anunciava um sorridente sargento do Exército americano. “Aqui do lado direito temos um campo de golfe, mais para frente tem boliche, restaurantes e um pub irlandês. Muita gente aprende a pilotar barcos e mergulhar, a água é cristalina. Vocês já viram as iguanas? Seguindo aqui, vamos dar no Campo Delta, onde ficam os detentos, muitos são terroristas perigosos.”

Na época, eu escrevi, otimista: “Guantánamo, a prisão mais controversa do mundo, está com os dias contados. Os três candidatos à presidência dos Estados Unidos — o republicano John McCain, os democratas Barack Obama e Hillary Clinton — prometeram fechar os campos de detenção de Guantánamo se forem eleitos.

Eu estava enganada.

O presidente americano eleito com a plataforma da esperança deixou no limbo muitos prisioneiros de Guantánamo que vivem uma situação kafkiana. Alguns dos considerados inocentes continuam lá dentro, sem perspectiva de sair. Outros não têm previsão de julgamento.

Mais uma vez, a retórica inspiradora de Obama se provou muito distante de sua real capacidade de governar.
Folha de S.Paulo

Patrícia Campos Mello é repórter especial da Folha e escreve sobre política e economia internacional. Foi correspondente em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros “O Mundo Tem Medo da China” (Mostarda, 2005) e “Índia – da Miséria à Potência” (Planeta, 2008).

Guantánamo: a pedra no sapato da democracia norteamericana

O tempo passa, mas os Gulags permanecem.
O Editor


Novos documentos esquentam debate sobre Guantánamo

Tanto defensores quanto opositores do fechamento da prisão militar americana na Baía de Guantánamo, em Cuba, dizem ter encontrado novos argumentos para justificar suas opiniões a partir da divulgação, nesta semana, de um pacote de mais de 700 documentos secretos sobre o centro de detenção.

Apesar de a discussão sobre Guantánamo ser antiga e de os abusos cometidos na prisão já terem sido amplamente divulgados, os documentos obtidos pelo site Wikileaks e publicados pela imprensa trazem novos detalhes sobre os detentos e os métodos usados pelo governo americano para decidir sobre sua culpa ou inocência.

A Casa Branca se apressou em condenar a divulgação e em esclarecer que as conclusões sobre os detentos contidas nesses papéis – que cobrem o período de fevereiro de 2002 a janeiro de 2009, durante o mandato de George W. Bush – não necessariamente refletem a avaliação do atual governo.

Mas assim que os documentos começaram a ser publicados, o debate sobre o fechamento da prisão – prometido por Barack Obama ainda durante a campanha mas até agora sem perspectivas de ser concretizado – voltou com força na imprensa americana.

Aqueles que pedem o fechamento de Guantánamo ressaltam o fato de os documentos revelarem que dezenas de inocentes ficaram anos presos, muitas vezes submetidos a tortura e abusos, sem que nada fosse provado contra eles.

Quem é contra, porém, chama a atenção para o fato de os documentos mostrarem que muitos prisioneiros libertados por parecerem “inofensivos” acabaram envolvidos mais tarde em atividades consideradas terroristas e atos contra os Estados Unidos.

Enquanto o debate ganha fôlego, o governo americano ainda mantém 172 homens presos em Guantánamo e em breve vai retomar os julgamentos militares na prisão.

Alessandra Correa/BBC


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Nobel da Paz e Obama

Por Vasco Pulido Valente, do jornal português Público:

Antes de Obama, outros Presidentes tinham recebido o Nobel da Paz: Theodore Roosevelt, Woodrow Wilson e Jimmy Carter. Theodore Roosevelt, um homem particularmente belicoso, foi o fundador do Império; Woodrow Wilson, a influência decisiva no Tratado de Versailles, preparou o advento de Hitler e da II Guerra Mundial; e Carter, coitado, foi uma irrelevância.

Vem agora Obama, que junta o incurável “idealismo” da política externa americana à retórica populista e, sentimental, que Tony Blair inaugurou e que, infelizmente, se tornou a linguagem do tempo. A “obamania” é um triste sinal de que o Ocidente perdeu qualquer espécie de faculdade crítica.

A palavra e o gesto bastam para lhe esconder o que se passa no mundo. Como se uma grande potência pudesse de repente mudar com uma criatura simpática e uma pequena dose de persuasão e boa vontade.

Para começar alguns factos: Guantánamo não fechou; a prática de sequestrar putativos terroristas (eufemisticamente denominada”extraordinary rendition”) em países “terceiros” não acabou; e não acabou também a prática de prender suspeitos de terrorismo, dentro e fora da América, e de os tratar como “no campo de batalha”.

Pior ainda, Obama não quis condenar, nem investigar os crimes de Bush, nomeadamente a tortura; só prometeu, nos casos mais benignos, tribunais militares (regidos, como é evidente, por lei especial) e sobretudo não limitou ou diminuiu a secrecidade e o arbítrio do Estado segurança. Isto quanto aos celebrados direitos do homem e à convivência amigável entre a América e o islão, em que ele proclama acreditar.

No Iraque, Obama continuou, com pouco sucesso, a estratégia de Bush e adiou a “retirada” para 2012, ou seja, indeterminadamente. Em contrapartida, depois de consentir na eleição falsificada de Karzai, resolveu reforçar as tropas do Afeganistão (20.000 homens até Março e talvez mais 40.000 até ao fim do ano) e, principalmente, alargar a guerra ao Paquistão.

O AFPAK, como já lhe chamam para abreviar, é um Vietname multiplicado por mil, uma aventura sem sentido e sem fim, que ameaça envolver a Índia e, muito provavelmente, a China (neste momento, os taliban ocupam uma parte considerável do território do Paquistão, publicamente protegidos pelo Exército como “reserva” contra a Índia). E no Médio Oriente, Obama não avançou um milímetro e parece mesmo que há o sério risco de uma nova Intifada.

Para um prêmio Nobel da Paz não é nada mau.

Barack Obama ordena o fim das atividades em Guantánamo

O xodó da mídia mundial, o afro americano presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumpre a primeira promessa de campanha.

Obama assina ordem para fechar a prisão de Guantánamo em um ano e acabar com tortura

O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva determinando o fechamento da prisão de Guantánamo no prazo de um ano. Obama também exigiu a suspensão de interrogatórios violentos contra suspeitos de terrorismo, nos quais autoridades dos EUA já admitiram o uso de tortura. Segundo o “New York Times”, o presidente também ordenou o fechamento de prisões secretas da CIA (agência central de inteligência americana) que ainda estejam em funcionamento.

” Nós vamos fazer isso efetivamente e de maneira coerente com nossos valores e ideais.

– A mensagem que estamos mandando para o mundo é de os Estados Unidos pretendem persistir na luta em andamento contra a violência e o terrorismo e nós vamos fazer isso de modo vigilante – disse Obama na cerimônia no Salão Oval da Casa Branca em que assinou a ordem executiva. – Nós vamos fazer isso efetivamente e de maneira coerente com nossos valores e ideais.”

Obama já pediu, em seu primeiro dia de governo, a suspensão dos julgamentos em Guantánamo por 120 dias , e foi atendido por juízes militares. A ordem assinada nesta quinta inclui, segundo o “NYT”, a revisão imediata da situação dos 245 prisioneiros que ainda estão na base militar americana em Cuba. Será necessário determinar se eles serão transferidos, soltos ou se enfrentarão processos judiciais. ( Presidente despacha no Salão Oval pela primeira vez )

O jornal afirma, entretanto, que as ordens executivas ainda deixarão questões complexas sem solução. Entre elas, onde e quantos prisioneiros de Guantánamo serão julgados. ( Veja as imagens do segundo dia de Obama na Casa Branca )

A medida, segundo o “NYT”, não impedirá Obama de restabelecer os procedimentos de detenção e interrogatório de suspeitos de terrorismo no futuro. Alguns argumentam que as políticas de Bush podem vir a ser necessárias caso Osama bin Laden ou outros líderes da Al-Qaeda sejam presos.

Parentes de vítimas do 11 de Setembro criticam; europeus elogiam.

A promessa de Obama de ordenar o fechamento da prisão de Guantánamo já havia causado polêmica. Alguns parentes das vítimas do 11 de Setembro estavam consternados com a ordem de suspensão dos processos contra acusados de terrorismo que estão detidos na prisão em Cuba. Eles acreditam que os processos de comissões militares já existentes são justos e que Guantánamo fica em uma localização segura para manter os suspeitos de terrorismo. Grupos de direitos humanos, no entanto, ficaram satisfeitos com a notícia.

Aliados europeus dos EUA, que há muito tempo se preocupam com Guantánamo, elogiaram a ação de Obama. Alguns, incluindo Portugal e Alemanha, já disseeram que vão ajudar a fechar a prisão.

A prisão de Guantánamo foi aberta em 2002, como parte da “guerra contra o terrorismo” iniciada pelo governo de George W. Bush depois dos atentados de Nova York e Washington. Os tribunais de exceção foram criados em 2006 e atualmente são responsáveis por 21 casos, 14 deles já atribuídos a um juiz, em um total de 245 detentos, de acordo com dados do Pentágono.

O Globo Online

Uighures nos Estados Unidos

Uighures nos EUA
Texto de Luiz Garcia publicado no Globo

Posso apostar que você não sabe o que é um uighur. Lamentável. Mas tome nota: 17 cidadãos dessa minoria muçulmana acabam de ganhar uma parada dura contra George Bush.

Nada que deva ter qualquer influência nas eleições, mas com certeza uma derrota notável para a idéia de que a guerra do atual governo americano contra o terrorismo internacional é tão correta e urgente que justifica estratégias e métodos pouco ou nada democráticos.

Os uighures foram presos por americanos em 2001, no Afeganistão, onde se tinham refugiado fugindo de perseguições na China. Acusados de terrorismo, foram bater na base americana de Guantánamo, em Cuba, e lá estão até hoje. Há anos advogados acionados por grupos defensores dos direitos civis têm procurado libertá-los. Acabam de conseguir uma vitória que pode ser modestamente apelidada de histórica.

Um juiz federal, Ricardo Urbina, mandou que fossem soltos e levados para o continente. Bastou para convencê-lo o fato singelo de que as autoridades não conseguiram provar que tenham praticado ou planejado qualquer ato terrorista contra os EUA. Se a Casa Branca não conseguir derrubar o habeas corpus, o grupo acabará conseguindo cidadania americana.

Está certo que o futuro de 17 uighures, por maior que tenha sido a injustiça que sofreram, não nos interessa profundamente. Perdão, uighures.

Mas tem bastante importância que esteja indo por terra nos tribunais americanos a teoria do governo Bush de que a guerra ao terrorismo justifica violações das liberdades democráticas – como acontece em Guantánamo.

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