Coronavírus pode causar tragédia nos campos de refugiados na Grécia

Enquanto médicos alertam para risco de tragédia se vírus se espalhar pelos campos de refugiados, Atenas parece usar situação para impor sua linha política. Há cerca de 100 mil requerentes de refúgio no país, diz governo.

Voluntários da ONG Team Humanity distribuem máscaras no superlotado campo de refugiados de Moria

A situação está de novo calma em Kastanies, um pequeno vilarejo grego perto da fronteira com a Turquia. Antes da epidemia de corona, Kastanies estava no centro dos acontecimentos na Europa.

Depois de a Turquia abrir a fronteira para a União Europeia (UE), no fim de fevereiro, milhares de refugiados se concentraram atrás da cerca na fronteira em Kastanies. Eles queriam ingressar em território europeu.

Agora reina a calma no local. “Eles queimaram as barracas”, diz o subprefeito Stavros Tzamalidis. “Não sabemos por que eles retiraram os imigrantes de uma hora para a outra. Talvez por causa do coronavírus, ou porque [o presidente Recep Tayyip] Erdogan se cansou e queria mudar de situação.”

Kastanies é um local calmo. Visitantes vindos da Turquia atravessam a fronteira por algumas horas para comer e beber bebidas alcoólicas, que ficaram caras do lado turco sob o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Para Tzamalidis, a relação entre os dois países está em crise. “É difícil voltar ao cotidiano depois de acontecimentos tão dramáticos. Mas é claro que os nossos amigos do outro lado continuam sendo nossos amigos. Nosso problema não é com as pessoas.”

Parece haver motivos para os gregos desconfiarem dessa repentina chegada em massa de refugiados na fronteira. A imprensa alemã publicou que o serviço secreto BND acredita que a ação foi organizada pelo governo em Ancara. Os ônibus que levaram os refugiados de volta foram os mesmos que os trouxeram até a cidade de Edirne, no lado turco da fronteira. Um pouco mais ao norte, na fronteira com a Bulgária, nada aconteceu.

Erdogan teria escolhido a Grécia de propósito, por esperar contar com um fortalecimento do fervor nacionalista grego que acirrasse ainda mais uma situação que já é crítica nas ilhas gregas.

O plano era evidenciar o fracasso da política comum para refugiados da União Europeia e assim chantageá-la, com o objetivo de envolver a Otan no conflito sírio, ao lado da Turquia.

A imprensa mundial foi o palco escolhido por Erdogan para a sua manobra. As tensões aumentaram entre os exércitos grego e turco. E aí veio a crise do coronavírus, que passou a dominar todas as atenções, inclusive da imprensa internacional, e a estratégia de Erdogan foi por água abaixo.

O vírus, por assim dizer, acabou com as tensões na fronteira entre a Turquia e a Grécia – ao menos por enquanto.

A Turquia tem, oficialmente, cerca de 4 milhões de refugiados. Extraoficialmente são muito mais.

Na Grécia, segundo números do governo, há cerca de 100 mil requerentes de refúgio, dos quais 41 mil nas ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Ledos e Kos.

Uma delas é Somaya, de 20 anos, natural do Afeganistão. Ele vive no campo de Moria, num alojamento resistente às intempéries. Poucos recebem esse triste luxo.

Campo de refugiados de Moria: muitos dos que vivem no local estão com medo do coronavírus

Ao redor do campo surgiu uma cidade de lona, apelidada de “selva”, onde a grande maioria dos cerca de 21 mil refugiados da ilha de Lesbos mora em barracos de lona e papelão. “Está fazendo muito frio. A vida é dura. E choveu muito”, resume Somaya.

Muitas pessoas estão com medo do coronavírus, diz ela. “Quase não temos água, e os refugiados aqui não sabem o que está acontecendo. Podemos nos infectar? Eu me preocupo.”

Somaya resolveu fazer algo e apoia, como voluntária, a organização humanitária dinamarquesa Team Humanity. Ela ajuda a distribuir comida e roupas. Mas, no momento, o foco está no combate ao novo coronavírus. Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados, além de sabão e folhetos informativos.

Há duas semanas, o governo em Atenas distribuiu um catálogo de 12 pontos sobre o comportamento nos campos de refugiados em tempos de coronavírus. Visitas ou atividades dentro do campo foram suspensas. Os moradores devem se locomover dentro do campo apenas quando realmente necessário. Saídas para compras devem ser feitas apensações por um membro da família, que é levado para os mercados num ônibus da polícia. Um toque de recolher passa a valer depois das 19h.

Novas proibições impedem os refugiados de sacarem dinheiro em caixas automáticos nos vilarejos das proximidades. O governo anunciou que vai instalar caixas automáticos dentro do campo, mas não deixou claro quando.

O quinto ponto do catálogo pede às pessoas para que se atenham às regras de higiene. O médico Apostolos Veizeis, da ONG Médicos sem Fronteiras, pergunta-se como. “Está tudo lotado. A situação é ideal para a propagação da covid-19. O lixo não é mais recolhido há meses. Mais de 1.300 pessoas dividem uma torneira. Muitas pessoas nem mesmo têm acesso à água, energia elétrica e banheiros e fazem suas necessidades ao ar livre.”

Máscaras estão sendo confeccionadas e distribuídas pelo campo de refugiados de Lesbos, além de sabão.

O governo grego silencia perante as críticas. Questionamentos feitos pela DW sobre como as medidas serão implementadas nos campos, se há planos concretos de evacuação e se as pessoas estão sendo testadas para o novo coronavírus não foram respondidos.

Veizeis diz que as medidas contra o coronavírus nos campos de refugiados são hipocrisia. Elas visam sobretudo a proteção da população local e discriminam os refugiados, que são entregues à própria sorte. Em toda a ilha de Lesbos há apenas cinco leitos de UTI, e em Samos, apenas dois. Três médicos do Ministério da Saúde precisam atender 20 mil pessoas em Moria e quase não dispõem de medicamentos e material.

O médico acredita que o governo grego usa o vírus para impor a própria linha política. “Eles dizem que é hora de ser cuidadoso, e que o mais seguro é manter os refugiados em campos fechados, um conceito que eles já tentavam impor.” Organizações de direitos humanos, a União Europeia e até a população local criticavam duramente o governo em Atenas por causa dos campos de refugiados fechados.

Veizeis faz um alerta. “Se o vírus se espalhar pelos campos de refugiados, estaremos diante de uma tragédia.” Nesta quinta-feira (02/04), o governo em Atenas comunicou que ao menos 21 pessoas foram infectadas no campo de Ritsona, nas proximidades da capital grega. O campo, onde vivem cerca de 2.200 refugiados, foi posto sob quarentena.

Levy defende volta da CPMF e cita Grécia

Ministro da Fazenda Joquim Levy participa de evento com empresários em São PauloO ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu neste sábado a volta da cobrança da CPMF e alertou que o Brasil precisa lidar com a piora do quadro fiscal para não enfrentar uma situação parecida com a da Grécia.

“Acho que ninguém concorda que o aumento da despesa sem aumento de impostos é um caminho viável”, disse Levy, durante o 7o Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, promovido pela BM&FBovespa.

“Se a gente quiser dar uma de Grécia e disser não a todo tipo de imposto, vai ter consequências”, alertou. Em junho, o ministro havia dito que não estava cogitando a volta da CPMF.

Nesta semana, o governo federal começou a discutir a possibilidade de retomada da cobrança da CPMF, um tributo que ficou conhecido como imposto do cheque.

Instituída no ano 2000, a contribuição tinha alíquota de 0,38 por cento sobre movimentação em conta corrente e foi criada com o argumento de que os recursos seriam destinados a financiar gastos com saúde. Em 2007, a renovação da CPMF foi derrubada pelo Congresso Nacional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para Levy, o principal motivo das dificuldades da Grécia, que há anos enfrenta uma grave crise fiscal e está alinhavando um novo socorro financeiro com a União Europeia, é a recusa do país em aceitar aumento de impostos. Segundo o ministro, essa é uma situação que deve ser evitada pelo Brasil.

Na sexta-feira o Banco Central anunciou que em 12 meses até julho, o setor público brasileiro registrou déficit primário equivalente a 0,89 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A meta do governo para 2015 é um superávit de 0,15 por cento do PIB.

“O que a gente tem que fazer é isso, enfrentar nossa realidade fiscal e ainda criar as bases para o crescimento”, disse Levy logo após o evento a jornalistas.

Para o ministro, se a CPMF puder ser uma fonte estável pelo menos por alguns anos para a saúde, “pode ser bom”. Ele evitou falar em alíquota para o tributo, mas disse que várias alternativas estão sendo avaliadas e que considera possível a aprovação pelo Congresso Nacional.

Porém lideranças do Congresso encaram nesta semana com ceticismo a possibilidade de um retorno da CPMF e a indústria avaliou como “absurda” a proposta em análise pelo governo de recriar o tributo.

PIB

Levy afirmou que recessão da economia brasileira reflete as incertezas dos agentes econômicos e que não decorre principalmente de medidas de ajuste das contas públicas.

“Não é o ajuste fiscal que está acabando com o PIB”, afirmou durante palestra no evento.

Em conversa com jornalistas na sequência, ele acrescentou que “se há um ambiente que não gera confiança, as pessoas obviamente vão ser mais cautelosas”.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país contraiu 1,9 por cento entre abril e junho sobre os três meses anteriores, configurando recessão técnica.

O ministro disse não acreditar em recessão por dois anos, citando principalmente o efeito de recomposição de estoques das indústrias, que vinham caindo. “Acho que a gente tem tudo para ir mais rápido…”, disse a jornalistas.

Na palestra, Levy também afirmou que as empresas vão começar a produzir de novo, exceto se houver uma grande incerteza.

“Já estamos vendo alguns setores da indústria retomando. Papel e celulose, metais não ferrosos, vidro (…) Até o final do ano, vários setores vão ter uma virada. Se não houver ruptura, uma coisa muito complicada, é isso que vai acontecer”, disse.

De acordo com o ministro, o que não pode acontecer é todo mundo ficar parado, “fazendo apostas” de quando o Brasil vai perder o rating grau de investimento, algo que, se acontecer, terá consequências muito duras para toda a população.

“Todo mundo ficar fazendo bingo do investment grade, não pode ser essa a nossa conversa”, disse Levy.
Aluísio Alves e Paula Arend Laier/Reuters

Economia: Rendição da Grécia, miséria do euro e do capitalismo

Humilhação imposta a Atenas é aviltante até nos detalhes. Mas esclarece algo: limitar-se à lógica da aristocracia financeira é o túmulo dos projetos transformadores.

Grécia,Economia,Euro,Blog do Mesquita

Os governantes da Europa que retornaram de Bruxelas a suas capitais, após a maratona de negociações que manteve a Grécia na zona do euro, com enorme custo para a soberania política do país, definiram um novo cenário político para o continente. Ele é ameaçador. Ao forçar o governo de Alexis Tripras a uma rendição abjeta – ignorando os pedidos de alguns de seus vizinhos, em particular a França – a Alemanha exerceu com estrondo, talvez pela primeira vez após a reunificação, seu poder no palco europeu.

Desde que o Syriza, partido grego de esquerda, foi eleito, em janeiro, sobre uma plataforma de acabar com as políticas de “austeridade” impostas pela União Europeia (UE), tornou-se óbvio que Angela Merkel, a chanceler alemã e governante de facto da Europa, reteve a chave que permitiria resolver a crise.

Por duas vezes nos últimos meses – primeiro em março e depois na semana passada – expressei a esperança de que a chanceler ultrapassasse a ideologia econômica conservadora alemã, uma espécie de “ordoliberalismo”, e os preconceitos germânicos contra os europeus do Sul. Ele poderia conceber uma solução que, embora obtendo concessões significativas do governo grego, preservasse os ideais de comunalidade e solidariedade que supostamente sustentam a UE. Tragicamente, a chanceler foi incapaz de corresponder ao desafio.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Ao invés de adotar o manto de uma estadista europeia, ela colocou-se ao lado de seu ministro de Finanças linha-dura, Wolfgang Schäuble, forçando Atenas a rastejar diante de seus credores, sob pena de deixar a zona do euro – uma opção à qual a sociedade grega se opunha. Agora que Tsipras voltou a Atenas, ele enfrenta a tarefa indesejável de persuadir o parlamento grego a aprovar o que talvez seja o acordo mais impositivo e invasivo entre uma nação avançada e seus credores desde a Segunda Guerra Mundial. Se o Parlamento grego recusar a ceder ao acerto, o país não receberá mais dinheiro, seu governo será forçado a dar calote em mais empréstimos, seus bancos entrarão em colapso e ele será forçado a lançar sua própria moeda.

Uma declaração de seis páginas emitida na tarde de segunda-feira pelos governantes da zona do euro estabeleceu os termos da rendição grega. O documento foi redigido em termos que parecem escolhidos para infligir humilhação máxima sobre Tsipras e seus companheiros do Syriza. Tome-se, por exemplo, o papel de um dos credores da Grécia, o Fundo Monetário Internacional (FMI), que muitos gregos culpam pelas políticas de “austeridade” impostas como condições, nos empréstimos de 2010 e 2012. Nas últimas duas semanas, à medida em ia sendo forçado a recuar em todos os pontos, Tsipras insistiu que, sob um novo acordo, a Grécia poderia ao menos ver o FMI pelas costas.

Ao contrário. A declaração frisa que quando estados-membros da zona do euro requerem assistência do Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, em inglês – um fundo de resgate, baseado em Luxemburgo e estabelecido em 2012), eles estão obrigados a pedir ajuda ao FMI. “Esta é uma pré-condição para que o eurogrupo aceite um novo programa do ESM”, diz o texto, e prossegue: “Portanto, a Grécia requerirá apoio contínuo do FMI (monitoramento e financiamento) a partir de maço de 2016”.

E sobre a reestruturação da vasta dívida grega, que Tsipras também queria tornar parte do acordo? A declaração diz que o eurogrupo (essencialmente, os ministros de Finanças da eurozona) aceitam considerar a sustentabilidade da dívidas, mas apenas após a implementação, pela Grécia, dos termos do novo empréstimo, para satisfação das “instituições” que irão supervisioná-lo – ou seja, atemida “troika”, que reúne o Banco Central Europeu (BCE), a Comissão Europeia e o FMI.

“O eurogrupo permanece pronto a considerar, se necessário, possíveis medidas adicionais, visando assegurar que as necessidades de financiamento [da Grécia] permanecerão em nível sustentável”, diz a declaração. “Estas medidas estarão condicionadas à completa implementação das medidas a serem acordadas num possível novo programa, e serão consideradas após a primeira conclusão positiva de uma revisão”. Mesmo neste caso, as ações a ser consideradas serão modestas. “O encontro do euro frisa que reduções nominais da dívida não podem ser adotadas”, prossegue o texto.

Os credores aceitaram algum recuo num único aspecto. Modificaram ligeiramente uma proposta que obrigará a Grécia a transferir ativos nacionais avaliados em 50 bilhões de euros para um novo fundo de privatização, com sede fora da Grécia, administrado por estrangeiros e encarregado de leiloar bens pela melhor oferta. Quando o tema emergiu, no sábado, num documento interno do ministro das Finanças alemão que vazou, houve quem enxergasse a imposição como um objeto de barganha, suscitado para forçar concessões do Syriza em outras áreas.

De maneira alguma. Nas negociações da madrugada, entre Merkel, Tsipras, o presidente francês François Hollande e o presidente do Conselho Europeu, Donal Tusk, a chanceler alemã teria dito que o fundo era uma das “linhas vermelhas” da qual não recuaria. Sob pressão dos franceses e gregos, os alemães aceitaram ao final que localizar o fundo de privatização fora da Grécia seria uma humilhação muito extrema. Insistiram, no entanto, no essencial. A declaração emitida na segunda esclarece que o fundo terá sede em Atenas e será “gereniado pelas autoridades gregas, sob supervisão das Instituições Europeias relevantes”.

Exceto por esta mínima concessão, os gregos foram submetidos a uma lição cruciante sobre o funcionamento de uma zona monetária que, para muitos países europeus, converteu-se em camisa de forças. Os alemães têm as chaves dos cadeados que trancam as correias. No combativo estilo que o tornou famoso, Yanis Varoufakis, o ex-ministro das Finanças grego descreveu o acordo como um “novo tratado de Versalhes” e ligou-o a um “golpe de Estado”.

Tal linguagem deveria se usada com cuidado, ao descrever um continente que assistiu a tanto conflito, extremismo e ditadura. Não houve uma guerra, e a Grécia ainda é uma democracia. Mesmo agora, o parlamento grego tem poderes para rejeitar o acordo e coordenar uma retirada grega do euro. De fato, uma das críticas que podem ser feitas a Tsipras e Varoufakis é que eles não desenvolveram mais seriamente a opção de uma saída, durante os cinco meses que gastaram em disputas com os credores da Grécia. Apesar de todos os riscos e dificuldades que acompanhariam tal escolha, ela ofereceria o perspectiva de permitir à Grécia, ao fim, libertar-se e seguir seu próprio caminho.

Mas se o que aconteceu durante o fim de semana não equivale exatamente a um golpe, foi uma exibição rude de poder, por parte da Alemanha e uma lembrança apavorante da lógica impiedosa de uma união monetária dominada por credores e economia pré-keynesiana.Nas palavras de Paul De Grawe, um conhecido economista belga que ensina na London School of Economics, um “alicerce do futuro modo de governo” da zona do euro foi cimentado no fim de semana: “Submeta-se aodomínio alemão ou saia”. Nos próximos anos e décadas, a Alemanha corre o risco de descobrir que muitos europeus preferirão a segunda opção.
Por John Cassidy | Tradução: Antonio Martins

Grécia: 3 possíveis cenários após a vitória do ‘não’

Logo após o anúncio do resultado do plebiscito de domingo, em que mais de 60% dos gregos votaram “não” ao plano europeu de conceder novos empréstimos em troca da imposição de novas medidas de austeridade, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, afirmou que o resultado não era um voto contra a Europa, mas uma permissão para que ele pudesse renegociar uma solução viável para a crise.
Grédia,Plebiscito,Blog do MesquitaAinda assim, diversos líderes europeus fizeram alertas, dizendo que o “não” significaria uma decisão de deixar a zona do euro.

Após celebrações dos partidários do “não” no centro de Atenas na noite do domingo, a segunda-feira começou com a renúncia do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis. Ele justificou sua decisão indicando que “alguns membros da zona do euro e seus parceiros” preferiam que ele saísse das negociações.
Então, o que podemos esperar agora? Os gregos continuarão usando o euro ou terão de abandonar a moeda única? Ou há ainda a possibilidade de um novo acordo?

Há pelo menos três possíveis cenários:
a Grécia deixa o euro após fracassadas tentativas de negociação com a zona do euro
bancos gregos entram em colapso levando a um resgate da zona do euro ou a uma saída da Grécia
o governo grego convence líderes da zona do euro a concordar com uma revisão do acordo

Cenário 1 – Saída da Grécia da zona do euro
Essa é vista por muitos como a opção mais provável, mesmo após Tsipras ter dito que o resultado não significava uma ruptura com a Europa.
O problema é que muitos de seus colegas europeus viram o plebiscito como o fim do caminho – e acreditam que é chegada a hora de uma decisão rápida.
Ministros alemães, assim como líderes da Itália e da França, interpretaram a votação como um referendo sobre permanecer ou não com o euro.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Possíveis cenários incluem o colapso dos bancos gregos e a reimplantação da antiga moeda do país
O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, disse, no domingo à noite, que o premiê grego havia “queimado as últimas pontes entre a Europa e a Grécia que poderiam levar a um acordo”.
Há diversas reuniões marcadas para os próximos dias entre líderes e ministros da zona do euro, mas o clima não é de otimismo.

O presidente do Eurogrupo (que reúne os ministros das Finanças dos países que usam o euro como moeda), Jeroen Dijsselbloem, disse que, “para recuperar a economia grega, reformas e medidas difíceis serão inevitáveis” e que o grupo “aguarda pelas iniciativas das autoridades gregas”.
A premiê polonesa, Eva Kopacz, disse que o referendo foi “um provável novo estágio em direção à saída de Atenas do Euro”.

Cenário 2 – Colapso dos bancos gregos
Outra grande incógnita nesses acontecimentos é o futuro dos bancos gregos, que foram fechados em 29 de junho.
O governo grego prometeu que uma vitória do “não” levaria à reabertura dos bancos, na terça-feira. Mas o Banco Central Europeu não deve abrir a torneira do apoio financeiro que dá aos bancos gregos – e a sobrevivência dos bancos é uma questão de dias.
Uma das opções é os bancos reabrirem com uma moeda paralela até a reimplantação da antiga moeda grega, o dracma.

A segunda-feira começou com a renúncia do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis
Por outro lado, a situação de queda livre da economia grega pode persuadir os europeus a recapitalizar o sistema bancário do país. Mas isso traria consequências políticas para outros países da zona do euro, como a Espanha, onde há turbulentas disputas políticas sobre o implemento de medidas de austeridade.
Mas muitos são contra a novas injeções de dinheiro aos bancos gregos, especialmente após o calote da dívida ao FMI, e com “recados” de autoridades: “A rejeição das reformas pelos gregos não pode significar que eles vão obter dinheiro mais facilmente”, disse o ministro das Finanças da Eslováquia, Peter Kazimir.

Cenário 3 – Líderes europeus entram em acordo e evitam o colapso bancário
Parece pouco provável, mas o premiê grego já forneceu detalhes sobre um novo acordo e novas reformas, que não seriam tão distantes das propostas pelos credores.

Em nova tentativa de acordo, autoridades gregas devem tentar obter o perdão da dívida e novos empréstimos.

Tsipras não quer apenas mais dinheiro. Nas mesas de negociações, ele também estará armado com um relatório do FMI, publicado três dias antes do plebiscito, que diz que a Grécia precisa de um considerável perdão da dívida e também de 50 bilhões de euros nos próximos três anos.

Além disso, para os bancos serem recapitalizados, a Grécia precisaria de acesso ao fundo permanente de resgate da zona do euro, que oferece taxas de juros mais baixas e termos de pagamento facilitados. Mas a essa altura, é difícil de se imaginar essa possibilidade.

Economia: Grécia: Tsipras e Putin fecham acordo de 2.000 milhões para prolongar gasoduto russo

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu um acordo de 2.000 milhões de euros sobre a extensão do gasoduto russo na Grécia, um acordo que não é bem visto em Bruxelas.

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O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu um acordo de 2.000 milhões de euros sobre a extensão do gasoduto russo na Grécia, um acordo que não é bem visto em Bruxelas.

Tsipras foi recebido por Vladimir Putin durante uma hora e meia, à margem do fórum económico internacional organizado pela Rússia, e disse esperar que este projeto, cujo financiamento será avançado por Moscou, abra a porta a “vastas possibilidades de cooperação”.

“Sabemos a situação difícil em que estão e em que o vosso povo se encontra”, afirmou por sua vez o chefe de Estado russo que se congratulou com o reforço “de iniciativa grega” da cooperação entre os dois países.

O protocolo, assinado pelo ministro grego da energia, Panagiotis Lafazanis, prevê prolongar o gasoduto TurkStream, entre a Rússia e a Turquia, até ao território grego a partir do próximo ano.

Se este acordo de princípio se confirmar, os trabalhos devem ser realizados por uma sociedade detida em partes iguais pela Rússia e pela Grécia mas financiada totalmente por um crédito do banco de desenvolvimento russo VEB, de acordo com o ministro russo da energia, Alexandre Novak.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A aproximação de Atenas a Moscou não se limita, no entanto, ao gás. Segundo o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, citado pelas agências russas, os dois chefes de estado discutiram também meios para organizar a importação russa da produção agrícola grega, ainda que não esteja em causa dar uma ajuda financeira direta.

Este acordo surge num momento em que Atenas está num braço-de-ferro com Bruxelas para evitar um possível incumprimento de pagamentos por parte da Grécia, depois de os ministros das Finanças da zona euro terem estado reunidos no Luxemburgo na quinta-feira, num encontro que terminou sem acordo.

A menos de duas semanas de expirar o programa de assistência financeira do país e da data limite para a Grécia pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (ambas a 30 de junho), Atenas continua longe de chegar a um compromisso com os seus credores internacionais.

As reformas que mais afastam Atenas e credores prendem-se com cortes nas pensões, sobretudo nos complementos das reformas mais baixas, e subidas no IVA (imposto sobre o consumo, especialmente nos medicamentos e eletricidade). No excedente orçamental primário (que exclui os juros da dívida) há um entendimento no valor a alcançar, mas é preciso chegar a acordo quanto às medidas para lá chegar.

O Governo grego quer ainda uma estratégia para lidar com a elevada dívida do país, o que poderia ser feito através de uma nova reestruturação, uma solução que parece ser tema ‘tabu’ na Europa.

Sem acordo, a Grécia – com os cofres públicos praticamente sem dinheiro – fica à beira do descumprimento e mesmo de uma saída da zona euro (o famoso ‘Grexit’).

Grécia, Putins e o fim da economia

Deusa Ártemis,Blog do MesquitaImagino nesse exato momento o Putin “babando” e esfregado as mãos aguardando resultado do UFC União Européia X Grécia.

Já foi servido um aperitivo:
Tsipras e Putin fecham acordo de 2.000 milhões para prolongar gasoduto russo.
A Grécia no fundo do poço pode levar o resto do mundo junto para as profundas de Hades.

Putin apenas aguarda gregos entrarem em sua sala conduzidos por Ártemis.
O atual modelo financeiro mundial faliu. É o fim do papel pintado. Não há lastro.

A sociedade consumiu o que não tinha. Não há como pagar créditos e débitos em nenhum mercado mundial. Adia-se a a agonia.


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Tópicos do dia – 15/05/2012

08:54:50
Estadão mostra que a Delta sempre foi uma empresa picareta.
Oportuna reportagem da Agência Estado mostra que a empreiteira Delta sempre foi uma empresa inidônea, que dava golpes na praça, prejudicando inclusive pequenos comerciantes do interior. Em Mauriti, uma cidade cearense de 45 mil moradores, a quase 500 quilômetros de Fortaleza, no sertão do Cariri, moram muitas vítimas da empresa, que tocava um dos principais canteiros da transposição das águas do Rio São Francisco.

Há três anos, a empresa iniciou a obra de um trecho de 39 quilômetros de canal e passou a dar o ritmo do comércio, da política e até da agricultura local. Quando o escândalo veio à tona, no começo de abril, a construtora demitiu 80% dos seus mil operários no município, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com as empresas agregadas, que saíram da cidade sem pagar as contas nas oficinas, lojas de autopeças e imobiliárias familiares.

O Estadão mostra que, por causa do calote, a Delta e suas agregadas estão com nome sujo na feira da praça central, nas farmácias, nas mercearias e no setor mecânico. Vendas para diretores das empresas, só à vista.

Na Autopeças Mauriti, o dono proibiu a entrada dos homens do consórcio. Ericon Gomes de Lima, o proprietário, diz que sofreu um calote de R$ 27,6 mil, o que o teria obrigado a demitir um dos quatro funcionários da casa.

“Não foi uma surpresa ver a Delta envolvida nessa história. Eu já tinha recebido cano no ano passado. Voltei a dar bobeira e negociar. Agora, o consórcio me deu um calote de R$ 27 mil”, relata Lima. “Todas as agregadas chegavam para comprar em nome da Delta, que se nega a nos ajudar a receber. É um absurdo porque foi a Delta que trouxe para cá esse comboio de ladrões”, diz, acentuando: “Se meu funcionário rouba, eu sou o culpado.”
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

12:33:13
Congresso vai liberar mineração em áreas indígenas
As reservas indígenas do país poderão ser liberadas para a exploração de recursos minerais, o que hoje é proibido por lei. O tema polêmico ficou no limbo durante quase duas décadas e ressurgiu no início do ano, com a retomada, pelo Congresso, do Projeto de Lei 1.610, que trata da mineração em terras indígenas. Uma Comissão Especial foi criada na Câmara para tratar exclusivamente do assunto.

A previsão é que um substitutivo do texto original seja votado e encaminhado ao Senado na primeira quinzena de julho, para depois seguir à sanção presidencial. A proposta, se for adiante como está, deve alterar radicalmente o mapa da exploração mineral no país.

Segundo o projeto, a entrada de empresas nas terras indígenas ficará condicionada ao pagamento de royalties aos índios que tiverem áreas afetadas pela lavra. A empresa que explorar o minério terá de pagar algo entre 2% e 3% da receita bruta do negócio durante todo o tempo de exploração. Para administrar esse dinheiro, será criado um fundo específico.
A proposta em andamento também altera o modelo de autorização para exploração mineral. Hoje, a permissão de lavra é dada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ao primeiro empreendedor que apresentar o estudo técnico e o pedido de exploração da área, isto é, o critério é a ordem de chegada. No caso das reservas indígenas, essa exploração ficaria condicionada à realização de leilões.
A empresa interessada teria de ganhar uma concessão para explorar a região, a qual teria a sua viabilidade exploratória atestada por levantamentos preliminares feitos pelo governo. A licitação das áreas só ocorreria após a realização de audiências com as comunidades indígenas e a emissão de laudos antropológico, ambiental e mineral, além da emissão da Licença Ambiental Prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
(Transcrito do Valor Econômico)

12:59:59
CPMI do Cachoeira: continua a cínica manobra para ocultar a verdade. Por quê?
Concluio entre governista e oposição pretende selecionar o que os Tupiniquins podem ou não podem saber sobre a lama que deságua cachoeira abaixo. O primeiro passo foi a instituição de sessões secretas. Ou nos mobilizamos, ou a pizza será reduzida a uma empada. Lewmbrem-se: um dos piazzaiolos é o Collor.

14:55:07
Brasil: da série “…e bate o bumbo!”
Dona Dilma, Projeto Carinhoso, Getúlio Vargas e Evita.
Mais um assistencialismo. Não mudou nada desde Getúlio, o famigerado ditador, – criador do execrável Filinto Müller/DIP – que com seu funesto assistencialismo, foi pranteado como o pai dos pobres, transformando o assistencialismo em política de governo. Continuam os clones de Evita. E bate o bumbo, desafinado, da política palanqueira, pra desespero dos ouvidos afinados de Pixinguinha.

15:05:39
O Euro e o Cavalo de Troia
Ah!, como a história da dominação não se alterou com os milênios.
Da Troia de Helena à Grécia do Euro, o circo, o cerco e o círculo permanecem.
Só o cavalo que mudou de forma.

17:13:56
Avião que levava Hollande a Berlim é atingido por raio e volta a Paris.
O avião que levava o novo presidente francês, François Hollande, para a Alemanha foi atingido por um raio e teve que retornar a Paris, informou nesta terça-feira a rede de TV americana CNN.

Hollande, que tomou posse na manhã de hoje, viajava a Berlim para se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel. Após o contratempo, ele já embarcou em uma segunda aeronave e está a caminho da Alemanha.

No entanto, o líder francês deve chegar a Berlim com cerca de uma hora e meia de atraso para o encontro com Merk.
Folha.com 


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Tópicos do dia – 23/02/2012

11:08:19
Alemanha: após Guderian, avança com a Blitzkrieg econômica.

A Alemanha percebeu que não dominaria a Europa, pós Versalhes, com os tanques de Guderian, e, o faz hoje com o poder do Marco Alemão, que alguns ingênuos chamam de Euro. Após os paraquedistas na segunda guerra, o potentado alemão desembarca novamente na Grécia com as seguintes “divisões” econômicas:
1. redução de 22% no salário mínimo
2. demissão de 150 mil funcionários públicos
3. aumento do desemprego nas atividades privadas
4. corte nos investimentos sociais
5. a diminuição no valor das aposentadorias
6. privatização de empresas públicas.
PS. Fraulein Merkel prepara agora a Blitzkrieg financeira para enfiá-la goela abaixo na Espanha, Portugal, França, além daquele monte de paísecos que vão do Báltico aos Balcãs e ao Mediterrâneo.

11:13:34
Planalto favorece Apple em licitações
Editais de licitação para a compra de tablets beneficiam produto da Apple. Segundo informações da Folha de SP, órgãos do governo federal copiam nos editais especificações técnicas exclusivas do iPad 2. A medida causa a exclusão automática de aparelhos fabricados por outras empresas. Atualmente, mais de dez fabricantes de tablets atuam no Brasil. Como exemplo de favorecimento, o jornal menciona uma licitação realizada pelo Planalto em outubro para a aquisição de 42 tablets para autoridades e assessores. Na época, a Presidência praticamente “copiou e colou” trechos do site da Apple. Ao ser questionada sobre o caso, a Presidência negou irregularidades,  e afirmou que as especificações correspondem à sua necessidade garantindo que a competição não foi descartada, já que existem vários fornecedores de um mesmo produto.

15:49:30
Jornalista Paulo Henrique Amorim condenado por racismo
Editor do blog Conversa Afiada e ex- estrela do jornalismo Global foi condenado a pagar a quantia de R$30 Mil – que deverá ser feita a uma instituição de caridade – conforme sentença proferida pelo juiz Daniel Felipe Machado.
Além da multa o jornalista terá que se retratar publicamente por uma publicação considerada racista em seu blog.
A ação foi movida pelo jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo. Heraldo Pereira questionava a análise feita por Amorim, na qual chamava o colega de profissão de “negro de alma branca” e insinuava que Heraldo fosse empregado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O juiz decidiu que na retratação Amorim deverá publicar nos jornais Correio Braziliense e Folha de S. Paulo, um texto com o título “Retratação de Paulo Henrique Amorim Concernente à Ação 010.01.1.043464-9”.


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