FHC ataca Itamar Franco

Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de "egocêntrico e vingativo"Pessoas ligadas a Itamar se preocupam com a mudança de postura de FHC

Divulgando livro, ex-presidente ataca seu antecessor, a quem já elogiou em diversas oportunidades. Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de “egocêntrico e vingativo”

“Sem Itamar Franco o Plano Real não existiria”.

Essas palavras foram ditas pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), durante o sepultamento do também ex-presidente, Itamar Franco.

A frase, dita em 2011 parece ter sido esquecida por FHC, já que o mesmo, prestes a lançar seu novo livro, “Diários da presidência (1999 – 2000)”, diz em trecho da obra que Itamar Franco “não chegou a ler a proposta do Plano Real”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No livro, Fernando Henrique chama seu antecessor no Planalto de “egocêntrico e vingativo”.

A questão é o que teria feito Fernando Henrique mudar de ideia? O tempo?

O livro escrito por FHC narra os bastidores do governo do país na época em que o autor estava à frente da presidência da República. Quando vai falar sobre o Plano Real, FHC lembra de sua relação com Itamar Franco, e dispara contra o antecessor, se contradizendo do que havia falado na época em que Itamar faleceu.

“Itamar é o irresponsável de sempre. Todo mundo sabe que para fazer o Real foi uma dificuldade imensa. Sei que nem o Plano Real ele leu, ele disse isso a mim na frente do José de Castro, quanto mais leu o orçamento alguma vez na vida. Eu sempre disfarço isso, mas fui a ama-seca dele quando ele era presidente da República. Impedi mil crises, inclusive com os militares”, discorre o ex-presidente em trecho do livro.

No livro, Fernando Henrique também citou o ex-ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, dizendo que este era o principal empecilho para a aprovação do Plano Real.

O ex-ministro, hoje advogado no Rio de Janeiro rebateu a acusação de FHC, negando ter sido influência negativa para Itamar durante o Plano Real, e lembrou que o governo possuía outras prioridades quando o Itamar assumiu, chegando a classificar a situação das contas públicas herdadas por Franco como “calamitosa”.

“Eu era ministro da Justiça. Se fosse contra, teria saído do governo. A situação do Estado era calamitosa quando Itamar assumiu, estávamos em risco de não poder bancar despesas essenciais, como segurança pública e hospitais”, disse o ex-ministro da Justiça.

Dupeyrat também disse que Itamar era receoso em relação à postura de Fernando Henrique, pois, segundo o mesmo, FHC teria mudado após a oficialização de sua candidatura à presidência.

“O que estranho é que, depois que a candidatura do Fernando se consolidou, ele mudou em relação ao Itamar. Nessa época eu frequentava o gabinete quase todo dia e sentia que o Itamar tinha certo amargor com essa mudança de postura”, encerrou o advogado.

As acusações e o tom com o qual FHC trata seu antecessor, Itamar Franco, não condizem com a postura adotada pelo mesmo quando Itamar faleceu, em 2011. Durante o sepultamento do ex-presidente, Fernando Henrique não poupou elogios e disse que Itamar foi fundamental para a existência do Plano Real.

“Tivemos uma relação cordial no Senado. Sem o apoio dele, não teria feito o Plano Real. O Brasil perdeu uma grande pessoa. Ele tinha um comportamento ético irretocável. Ele era ameno no trato, mas com suas peculiaridades. No conjunto, foi essencial. Assumiu a Presidência com dignidade. Ele me apoiou até o fim, devo muito a ele e o Brasil deve também. Ele era um homem digno, simples, e não aceitava corrupção”, comentou Fernando Henrique na época da morte de Itamar.

Opinião do outros – Sobre Fidel Castro

“Toda unanimidade é burra”, afirmou com muita propriedade Nelson Rodrigues. Assim, no momento em que a história registra o fato inusitado do primeiro ditador – Fidel Castro – a anunciar que deixa o poder (sic), vou publicando aqui no blog, pontos de vista de diferentes formadores de opinião. Abaixo a opinião do jornalista Mino Carta no blog do Mino.

De Hitler a Stalin, de Mussolini a Mao, de Franco a Fidel Castro, todos eles e outros mais poderiam dizer “o Estado sou eu”. Como Luis XIV. Mesmo revoluções nascidas à sombra da bandeira da esquerda tornam-se de direita, com a economia dirigida pela máquina estatal e a repressão feroz das idéias e dos espíritos contrários. Nem por isso Fidel Castro deixa de ser uma figura histórica imponente, igual a Luis XIV (cada qual no seu tempo), e a Cuba de hoje é infinitamente mais respeitável do que a Cuba de Fulgêncio Batista, que, a bem da sacrossanta verdade, não merecia respeito algum.

Não sei o que dirá a mídia nativa a propósito da renúncia de Fidel, embora imagine as reações dos seus amigos e admiradores. Ele já vaticinou que a história o julgaria. Creio que a história não deixará de vê-lo como herói de uma revolução popular e como o líder carismático capaz de desafiar o império nas barbas do próprio, 49 anos a fio. Deste ponto de vista, a figura é única e grandiosa. Como governante, tem notáveis méritos do ponto de vista social, falhou, porém, na política macro-econômica em geral e monetária em particular.

O povo cubano conta com extraordinários avanços conseguidos nas áreas da saúde e da educação, mas vive apertos pela vida caríssima e pela falta de dinheiro, a ponto de ser obrigado a praticar o escambo em vários cantos do país.

No caso da repressão, não consigo ser fatalista ao tê-la como inevitável. Tenho medo, confesso, de quem está disposto a matar o adversário político tempo depois do advento da revolução. Não conheci pessoalmente Fidel. Não tenho simpatia, entretanto e ao menos à primeira vista, por quem usa farda por toda a existência.