Forças Armadas,Brasil,Bolsonaro,Mourão,Política

Com Mourão à frente, Governo Bolsonaro é cada vez mais tutelado por militares

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Vice-presidente vai à Colômbia tratar de Venezuela, e faz contraponto a Ernesto Araújo. Para historiador, maior presença de oficiais deixa limite entre Governo e Forças Armadas difuso aos olhos da sociedade

Os militares definitivamente voltaram para as principais manchetes dos jornais, que não raro informam sobre como os oficiais que compõem o Governo Jair Bolsonaro se articulam nos bastidores para mediar conflitos, apagar incêndios, aconselhar o presidente e expressar discordância com a postura beligerante de seus filhos. Eles vêm ocupando cada vez mais espaço no Executivo Federal, influenciando e até tutelando o governo em áreas como a de política externa, conforme evidenciou a ida do vice-presidente, o general da reserva Hamilton Mourão, para a reunião do Grupo de Lima em Bogotá para discutir a crise na Venezuela. Além de Mourão, se destaca como homem forte do Governo o general da reserva Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e uma espécie de conselheiro e guru de Bolsonaro.“O Brasil não fará nenhuma ação agressiva contra a Venezuela”, garantiu Heleno nesta manhã, contando que o Governo Bolsonaro criou um gabinete de crise para lidar com a ajuda humanitária que está chegando à fronteira.

Heleno seguiu a mesma linha das colocações de Mourão, mostrando o protagonismo de ambos para falar do conflito que alarma os brasileiros desde o fechamento da fronteira, determinada por Nicolás Maduro, nesta sexta. A ida do vice-presidente a Bogotá vem sendo interpretada como mais um sinal de que os militares estão cautelosos com relação ao ministro Ernesto Araújo. O chanceler assinou um documento do Grupo de Lima que prevê a suspensão da cooperação militar com o regime de Nicolás Maduro, mas não teria consultado os militares, segundo informou a Folha de S. Paulo. Isso teria desagradado o setor de inteligência do Exército, que se mantém informado sobre o Governo chavista a partir de seus contatos com os militares venezuelanos. Coube a Augusto Heleno e outros militares do Governo mediar o conflito com a corporação.

Os militares, com Mourão à frente, vêm tentando fazer um contraponto ao antiglobalismo de Araújo, ligado ao guru da extrema direita Olavo de Carvalho, com quem o vice-presidente já teve desavenças públicas. Apesar de ser o principal investidor externo e parceiro comercial do Brasil, a China já foi alvo de fortes críticas tanto de Bolsonaro quanto de Araújo, que já indicou querer se aproximar incondicionalmente dos Estados Unidos e isolar o país asiático, inclusive dos BRICS. Mais pragmático, o vice-presidente vem apaziguando as declarações e, nesta semana, anunciou em seu perfil do Twitter ter ficado responsável pela coordenação das comissões bilaterais com China, Rússia e Nigéria. Outra promessa de campanha que os militares vem agindo para postergar é uma possível mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mourão chegou a receber representantes da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e o embaixador palestino para, mais uma vez, apaziguar os temores. A mudança poderia gerar retaliação dos países árabes que importam produtos brasileiros, principalmente o frango Halal, além de colocar o Brasil na rota do terrorismo internacional.

Além de Mourão, que busca ter uma voz própria na vice-presidência, já são cerca de 50 militares ocupando o primeiro e segundo escalão. O último a integrar o time do Governo foi o general da reserva Floriano Peixoto Neto, que substituiu Gustavo Bebianno na Secretaria-Geral da Presidência da República nesta semana. A crise envolvendo Carlos e Jair Bolsonaro, que chamaram Bebianno de mentiroso nas redes sociais, também acabou envolvendo os militares, que tentarem interceder a favor do ex-ministro. Ao ficar claro que não havia maneira de retomar a normalidade, conseguiram emplacar o Peixoto Neto no posto. Ele foi chefe de operações das Forças de Paz da ONU no Haiti, na época comandada por Heleno, o principal patrocinador de sua recém nomeação.

Além de Heleno e Peixoto Neto, também fazem parte da equipe ministerial o outros seis militares: o general Fernando Azevedo e Silva (Defesa), o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), o tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia), o capitão da reserva Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e o capitão da reserva Tarcísio Freitas (Infraestrutura). Com a saída de Bebianno, o único civil que despacha do palácio do Planalto é Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil.

“Existe uma diferença entre militares que participam do governo e governo dos militares. Um governo dos militares significaria que a instituição militar estaria governando. Não é esse o caso, são militares convidados como indivíduos”, alerta o cientista político Eurico de Lima Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). O historiador Carlos Fico, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que não se trata de uma “militarização do Governo”. Contudo, a relevância que os militares vêm ganhando reflete “a falta de quadros no entorno de Bolsonaro”, uma vez que o presidente chegou ao poder sem “projeto ou plano” e não conta com “um partido que tenha um instituto de reflexão sobre os problemas do país”. Essa direita “xucra e despreparada”, explica o historiador, “depende dos militares porque são o grupo conservador mais bem preparado, apesar de possuir uma visão muito limitada da realidade pela perspectiva militar”.

Para ambos os especialistas, o risco é que Bolsonaro acabe sendo cada vez mais tutelado por esses membros oriundos do meio militar. E que a fronteira entre Governo e as Forças Armadas seja cada vez mais difusa aos olhos da sociedade. “O senso comum não faz essa distinção entre Forças Armadas e membros militares no Governo. E muitos eleitores do Bolsonaro acham que esses personagens vão resolver todos os problemas, o que é uma perspectiva muito preocupante”, opina Fico. O resultado, acrescenta, é uma mistura de “inexperiência e autoritarismo”.

O cientista político Figueiredo enxerga Mourão e Heleno como as duas figuras mais fortes do Governo, responsáveis pela nomeação dos demais militares. “Essa presença faz com que a forma de mundo dos militares esteja no governo. E isso é ruim para a instituição militar, porque liga o destino do governo ao destino da própria corporação. Se der certo, há uma legitimação. E se não ocorrer? Como é que fica?”, questiona.

Ele também opina que a fronteira entre a corporação e o Governo vai ficando “perigosamente fluida”, algo que, ele insiste, é ruim para as próprias Forças Armadas. “Vejo a possibilidade de uma osmose perigosa, de uma absorção dos militares pelo governo. (…) Quando temos generais fazendo parte da conversa dos cidadãos, algo não está certo”, acrescenta. O especialista acredita, contudo, esse cenário não represente o interesse das próprias corporações militares, uma vez que isso cria “o perigo da partidarização e da luta interna” dentro das Forças Armadas. “E os militares querem principalmente o fundamental, que é a manutenção da hierarquia, sem o que eles deixam de existir como instituição”, explica Figueiredo.

Que militares ocupem essas áreas significa levar todo um know-how técnico adquirido em academias e instituições militares, algumas delas conhecidas pela opinião pública por sua excelência, como o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “Possuem personalidades muito marcadas pelo ethos militar, e é impossível que abandonem essa perspectiva. O que se coloca é uma série de propostas de viés muito autoritário. Inclusive em campos que não são próprios das carreiras militares”, argumenta o historiador Fico.

Mas a influência deles não se limita a esse círculo de ministros próximos a Bolsonaro e se estende a diversas áreas que não necessariamente são comandadas por eles diretamente. No ministério da Justiça de Sergio Moro, por exemplo, o general Guilherme Teophilo é o responsável pela área de segurança pública. Na área do Meio Ambiente do ministro Ricardo Salles (NOVO), ao menos 20 superintendentes estaduais do Ibama serão substituídos por militares, segundo informou a coluna de Eliane Cantanhêde no Estado de S. Paulo. “Não se pode brincar com isso, os superintendentes é que concedem licenças e alvarás e eu não sou obrigado a conhecer gente confiável em todos os Estados, no Amapá, no Acre, em tantos lugares em que nunca fui”, disse Salles. A própria escolha do ministro teve de passar pelo crivo dos militares ligados a Bolsonaro.

Com a falta mão de obra no serviço público, mas também dinheiro para abrir novos concursos e remunerar novos servidores, o Governo também prepara uma mudança legislativa para que militares da reserva possam ser aproveitados em atividades civis de órgãos públicos. Assim, além de uma pensão de reservista, receberiam uma gratificação ou abono, segundo noticiou o Estado de S. Paulo. A medida, presente em uma minuta da Reforma da Previdência à qual o jornal teve acesso, inundaria o serviço público de militares reservistas, que hoje só podem exercer funções militares ou cargos de confiança. O Governo Bolsonaro ainda não apresentou um projeto de reforma da previdência dos militares, que representam uma importante fatia das despesas do país. A promessa é que um plano será enviado ao Congresso em um mês, durante as discussões das mudanças na aposentadoria dos civis.

Os tentáculos se estendem também à área de Educação. Durante a campanha, o general Aléssio Ribeiro Souto foi um dos responsáveis pelas diretrizes para as políticas do setor e chegou a dizer em uma entrevista que “os livros de história que não dizem a verdade [sobre o golpe militar] devem ser eliminados”. Os militares não conseguiram emplacar um ministro militar para a pasta de Educação, mas o ministro Ricardo Vélez, ligado a Olavo de Carvalho, já prometeu a volta da disciplina de moral e cívica, predominante na época da ditadura militar. “No dia 31 de março haverá divulgação de filme defendendo o golpe. E o ministro vai fazer propostas nesse sentido com material didático”, aposta Fico.

Além disso, Bolsonaro sempre explicitou que sua referência na área eram as escolas militares, tanto por sua reconhecida excelência como pela disciplina. “É uma perspectiva ingênua e equivocada achar que as escolas militares têm melhor desempenho por causa da presença de militares ou aquelas bobagens cívicas de ordem, cantar hino e hastear bandeira”, explica Fico. “Esquecem de verificar que gastam muito mais, têm recursos, instalações, equipamento, material didático, professor com dedicação exclusiva, bons salário, diretores que não são indicação política…. E o Brasil obviamente não tem condições de financiar uma estrutura dessa em escala nacional”.

Seja como for, o novo paradigma já começa a se disseminar. No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha anunciou no mês passado um convênio entre as pastas de Educação e Segurança para transformar quatro escolas estaduais em militares. A ideia é expandir o modelo para outros 36 centros de ensino até o fim do ano e criar uma espécie de gestão de compartilhada, em que policiais militares e bombeiros da reserva ficariam responsáveis por levar mais disciplina e valores morais. “Precisamos levar disciplina para dentro da educação. Temos de retornar os valores cívicos para as nossas crianças”, disse. No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel anunciou duas novas escolas militares em equipamentos públicos hoje desocupados.

Turma do Haiti e segurança pública

O setor militar mais próximo de Bolsonaro é composto principalmente por militares que lideraram as tropas da ONU no Haiti. O principal deles é, uma vez mais, o general Heleno. Sob sua influência foi nomeado recentemente o general Floriano Peixoto Neto, que participou da missão de paz no país como oficial de operações e depois como comandante das forças militares. Também esteve no Haiti o general e ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, que serviu como chefe de operações subordinado a Heleno. Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, foi engenheiro militar sênior da ONU no Haiti. E o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, liderou as tropas em 2007. Por fim, o atual comandante do Exército, o general Edson Leal Pujol, também foi comandante das Forças de Paz no país.

O historiador Fico destaca a experiência desses oficiais no Haiti como fonte de inspiração para lidar com o problema da segurança pública no Brasil. “Esses generais tiveram experiências que são muito caras ao presidente Bolsonaro. Representam essa visão de que os problemas da seguranca pública podem ser resolvidos por meio de ocupação de favelas e coisas assim”, explica.

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Existe um pacto secreto entre Bolsonaro e o Exército?

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Jair Bolsonaro atende a cerimônia de graduação na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende.- Foto PAULO WHITAKER REUTERS

Ainda se escreverá muito sobre o cara e coroa da forte presença militar no Governo de Jair Bolsonaro que pode superar a dos governos da ditadura. Por enquanto, são especulações. Será positivo ou negativo ao Brasil? Essa convergência da presença militar e religiosa, a cruz e a espada, em uma Presidência consagrada nas urnas, teria todos os elementos para aparecer como um retrocesso dos governos progressistas do Partido dos Trabalhadores. E até um perigo aos valores democráticos.

Há, entretanto, quem comece a observar que os generais presentes no Governo podem significar uma garantia democrática contra os arroubos autoritários de Bolsonaro e seus filhos que parecem querer governar com ele. É o que acha, por exemplo, Jair Krischke do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que “o equilíbrio para a observância dos princípios democráticos está vindo dos militares”.

Frente ao silêncio, por exemplo, do Presidente e do ministro da Justiça, Moro, sobre o caso da suposta corrupção que ronda o senador eleito, Flávio, o filho mais velho do Presidente, foi o general e Vice-presidente do Governo, Hamilton Mourão, que falou mais claro. Mesmo insistindo que ainda “não se trata de um caso do Governo”, e sim pessoal do senador, interrogado dias atrás pela GloboNews, foi taxativo: “Se há crime que seja julgado de acordo com a lei”. E acrescentou: “Qual é a grande glória da democracia? A lei. A lei é fundamental no sistema democrático. E mais, a lei serve para todos”.

Por sua vez, Leonardo Sakamoto, doutor em Ciências Sociais e Conselheiro da ONU na luta contra o trabalho escravo, disse ao correspondente da RFI de Genebra, Rui Martins, sobre o fato de que os militares que entraram no Governo se mostram mais preocupados com a Constituição do que os civis. Segundo ele, “se por um lado preocupa (essa grande presença do Exército), já que a sociedade elegeu um governo civil e não militar, por outro, e isso é o mais interessante, boa parte dos militares escolhidos por Bolsonaro parece mais moderada, racional e atenta em seguir a Constituição do que alguns ministros civis”. E cita entre estes últimos os da Educação e das Relações Exteriores que, afirma, “deram declarações e escreveram textos preocupante em relação aos direitos da coletividade”.

Bolsonaro sem dúvida soube jogar para chegar à presidência derrotando a esquerda com as duas preferências da sociedade como o são o Exército e a Igreja que aparecem, diante da crise da política, como as duas instituições mais confiáveis à maioria dos brasileiros. As duas realidades, a militar e a religiosa, servem por sua vez ao novo Presidente como escudo e garantia contra a mediocridade de sua biografia.

O Presidente alertou seus seguidores que seu fracasso significaria “a volta de Lula e do PT ao governo”. Para evitar esse possível fracasso, o ex-paraquedista Bolsonaro se blindou no Governo com a cúpula militar. Hoje o Exército está presente não somente em quase um terço dos ministérios como conta com 45 membros, entre eles 18 generais e 11 coronéis, espalhados em 21 áreas de infraestrutura que lidarão com bilhões de orçamento. Algo que não aconteceu sequer durante os governos da ditadura. Os militares, a partir dos governos de FHC, saíram pela primeira vez até do ministério do Exército, que passou ao controle de um civil. Eles voltaram aos quartéis.

Para Bolsonaro, a aposta arriscada de militarizar o Governo e o Estado pode ser uma faca de dois gumes. Mas também pode ocorrer o mesmo aos militares. Ao aceitar uma presença tão maciça em um governo saído das urnas, um fracasso comprometeria também sua credibilidade diante da sociedade. Eles sabem, como o Presidente, que neste caso eles também ficariam expostos e em evidência diante da sociedade. E a esquerda, muito provavelmente, voltaria a governar. Uma possibilidade tão temida por eles que, para evitá-la, apoiaram abertamente Bolsonaro para chegar ao Planalto.

Ficará, de fato, para a história a famosa publicação no Twitter de 18 de setembro de 2018, do à época comandante do Exército, Villas Boas, às vésperas de uma decisão crucial do STF sobre a possibilidade de colocar Lula em liberdade. Nela, o comandante lembrava que o Exército “repudiava a impunidade” e que “estava atento às suas missões institucionais”. O Supremo deixou Lula na cadeia e o Supremo Tribunal Eleitoral o impediu de ser candidato ao aplicar contra ele a lei da Ficha Limpa. O Presidente Bolsonaro teve o caminho aberto. Já eleito presidente, agradeceu a Villas Boas pela publicação com essas palavras: “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”. E acrescentou enigmático: “O que conversamos morrerá entre nós”.

Esse possível pacto secreto, quase de sangue, que o Presidente Bolsonaro e o Exército, dizem, levarão para a tumba, é o grande enigma do novo Governo direitista. De acordo com Bolsonaro se trata de uma “nova era” para o Brasil. Ninguém, entretanto, ainda se atreve a prognosticar seu fim e o que isso poderia significar. Será cara ou coroa?

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Meio Ambiente – Comando Militar do Oeste

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CMO – Conservação de recursos naturais no Campo de Instrução

Seja pela terra, água ou, então, pelo ar, dia e noite, não importa o horário, eles estão sempre de olhos bem abertos quando o assunto é preservação do meio ambiente. Essa é uma das principais preocupações dos militares que tem no terreno, um dos fatores preponderantes da decisão no planejamento das operações. É assim no Campo de Instrução de Betione, distante 234 km da capital sul-mato-grossense. Quem visita o local fica encantado com a vegetação preservada em uma área correspondente a 8.022 hectares.

A missão do Campo de Instrução, localizado no município de Miranda (MS), diretamente subordinado ao Comando Militar do Oeste (CMO), é manter a área e as instalações operacionais em condições de serem utilizadas a qualquer momento para treinamentos de tropas, conforme diretrizes do CMO. Só em 2018, foram realizados 21 exercícios operacionais, como Operação Ágata e exercícios de tiro real. Para se ter uma ideia, no último ano, mais de 2.600 militares da Marinha, Exército e FAB receberam treinamento no local.

As questões de proteção e conservação do meio ambiente fazem parte tanto da missão quanto da natureza da Instituição, visto que uma parte significativa das atividades desenvolvidas está voltada para esses fins. “Um grande contingente de militares passa por aqui constantemente para operações diversas, por isso as atenções com a parte verde do nosso Campo devem ser redobradas”, explicou o Tenente João Iran Costa, diretor do Campo de Instrução de Betione.

Uma das missões da tropa é realizar trabalhos de limpeza da mata e rios, recuperação de áreas verdes e, se necessário, plantio de árvores. Os militares envolvidos em operações, exercícios e manobras, assim que chegam ao Campo de Instrução, recebem normas referentes à conservação dos recursos naturais. “Realizamos sinalização e orientações adequadas quanto aos acessos, trilhas e vias dos campos e áreas de instrução, para não causar danos nas áreas não utilizadas durante as atividades. Outro ponto importante é a proteção das áreas de risco de incêndio”, enfatizou o tenente.

São inúmeras instruções realizadas para a conservação do solo, da fauna e flora e, muitas vezes, juntamente com os órgãos que cuidam da preservação ambiental, a Força Terrestre também fornece apoio logístico nas atividades de fiscalização ambiental.

É o Exercito Brasileiro com seu braço forte e mão amiga, na sensibilização quanto à responsabilidade social, na conservação de recursos naturais, colhendo frutos da utilização sustentável de seus extensos campos de instruções espalhados pelo País.

 

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A “blitzkrieg” golpista do general Rocha Paiva na tela da Globonews

 

Ao contrário do que supunham os ingênuos, não é o apregoado “profissionalismo”, mas sim a vocação intervencionista — praticada desde o final do século 19, escamoteada às vezes, mas jamais abandonada — que vem dando o tom da atuação recente da principal força armada brasileira, o Exército. 

Por recente, entenda-se desde o primeiro mandato do presidente Lula, iniciado em 2003, mas em especial a partir da criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2011 e, ganhando contornos mais ostensivos, desde 2015.

No afã de intervir na conjuntura, generais da ativa em importantes postos de comando misturam-se com generais da reserva de maior ou menor prestígio para tecer diagnósticos, vocalizar ameaças e ditar regras à sociedade civil, como nos “bons tempos” da Ditadura Militar (1964-1985).

Os protagonistas mais notórios desse intervencionismo fardado são o comandante do Exército, general Villas Boas, e o recém-reformado general Antonio Mourão, ungido candidato a vice-presidente na chapa neofascista de Jair Bolsonaro depois que outro expoente do grupo, o general Augusto Heleno, ex-comandante das tropas brasileiras no Haiti, viu-se impedido de assumir esse “posto”. 

Pois foram novas declarações de Villas Boas e Mourão — o primeiro buscando deslegitimar a eventual eleição do candidato do PT; o segundo ameaçando um “autogolpe” e uma reforma por decreto da Constituição caso Bolsonaro seja vitorioso — que serviram de pretexto para que assumisse o palco outro general reformado, o ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) Luiz Eduardo Rocha Paiva, escalado pelo programa Painel Globonews de 15 de setembro como um dos participantes de um debate sobre militares, democracia e eleições.

Os outros debatedores convidados foram José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça e ex-membro da CNV, e o professor Wanderley Messias (USP), apresentado como “especialista em segurança e defesa”, os quais, logo se veria, figurariam como coadjuvantes de Rocha Paiva.

Âncora do Painel Globonews, a jornalista Renata Lo Prete abriu o programa lembrando que a presente campanha eleitoral “deu um peso inédito aos militares desde a redemocratização”, e resumiu a situação com alguns eufemismos: “O líder das pesquisas é um capitão reformado.

Enquanto ele se recupera de um atentado, o vice na chapa, general da reserva, causa impacto com declarações sobre a hipótese de autogolpe e em defesa de uma Constituição feita à margem do Congresso.

O próprio comandante do Exército atraiu a atenção geral ao dizer em entrevista que o resultado das urnas pode carecer de legitimidade e vir a ser questionado”. Por fim, anunciou algo que, como se verá adiante, não conseguiu entregar: “Como chegamos até aqui e o que tudo isso diz sobre nossa democracia é o que vou discutir”. 

Apesar desse ponto de partida que parecia promissor, embora tão “cheio de dedos”, a mesa redonda da Globonews tornou-se mera plataforma para que o ex-comandante da ECEME expusesse, sem qualquer constrangimento, sua visão de mundo profundamente reacionária e sua concepção elitista da política, e para que agredisse as vítimas da Ditadura Militar.

Ainda que tenham feito alguns contrapontos importantes aos absurdos proferidos pelo general, a jornalista e o ex-ministro do PSDB omitiram-se na maior parte do tempo. A “narrativa” do oficial impôs-se por um misto de perplexidade, impotência e adesão ideológica dos coadjuvantes.

Antes de entrar nas declarações de Rocha Paiva, uma palavra sobre o triste papel cumprido pelo terceiro coadjuvante, o professor Messias. Chamado a abrir os trabalhos comentando as graves declarações do comandante do Exército sobre o processo eleitoral em curso, Messias desde logo patenteou sua condição de ator secundário.

“Vejo essa manifestação num contexto de uma série de manifestações do nosso comandante Villas Boas.Que é uma pessoa loquaz, que tem facilidade de pensar, discutir, uma pessoa afável, de fino trato como se diz, e que demonstrou isso recebendo todos os presidenciáveis, recebeu ao longo do mês de junho nove candidatos, entre os quais esses que estão melhor posicionados…”.

Em vez da avaliação acadêmica, o mais rasteiro senso comum, às raias da sabujice. Em vez da crítica ao fato de que candidatos à Presidência da República submeteram-se a um beija-mão de um chefe militar, uma tola e desinformada comemoração desse episódio de capitulação civil.

Mais adiante, Messias viria a tecer outras considerações simpáticas ao comandante do Exército: “Sou realista, os militares estão participando da atividade política, de uma forma institucional”.

Portanto, vejamos: seria “institucional” dar declarações que visavam intimidar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do habeas corpus de Lula. “Villas Boas é um interlocutor válido, então o que ele diz tem peso”.

Não bastasse tudo isso, ao final do programa o professor fez questão de somar-se às críticas do general Rocha Paiva à CNV, ao defender a tese sórdida de que essa comissão deveria ter investigado “os dois lados”, em vez de limitar-se a apurar os crimes cometidos por agentes do Estado a serviço do regime militar.

Isso, mesmo depois que o ex-ministro Dias realizou sua melhor intervenção no debate, ao explicar que a Ditadura já havia investigado e punido exemplarmente os opositores, fosse com condenações à prisão, fosse com torturas, execuções e desaparecimentos forçados.

Portanto, em resumo, Rocha Paiva contou com dois interlocutores que se limitaram a fazer objeções pontuais e um terceiro que agiu como linha auxiliar.

O general sentiu-se à vontade para fazer desfilar seus pontos de vista sobre diferentes tópicos, e até empreender uma blitzkrieg em auxílio a seus colegas mais graduados Mourão e Villas Boas, defendendo assim, em meio a variados subterfúgios: 1) o golpe “branco” — uma nova Constituinte elaborada por um comitê de sábios; 2) o golpe propriamente dito: a intervenção militar “em defesa dos poderes constituídos”, na versão do vice de Bolsonaro (“autogolpe”); 3) retrospectivamente, o Terrorismo de Estado implantado em 1964. Examinemos o que foi dito pelo ex-comandante da ECEME, ipsis litteris, para que se tenha noção da sua extrema gravidade. 

Sobre o que disse Villas Boas

“Tenho impressão de que […] a posição dele não pode ser só para dentro [das Forças Armadas]. Todas as manifestações do comandante do Exército têm sido no sentido de se garantir a legitimidade, [a] estabilidade e a legalidade. Interpretei que ele disse que esse futuro governo pode ser contestado por gente que está contestando desde já [e que diz] que se o Lula, ex-presidente, não concorrer a eleição será ilegítima. Então isso arrasta uma grande parcela da sociedade para protestar [contra] o futuro governo. O Brasil vive uma situação muito delicada. Sou totalmente favorável, posso dizer que as instituições militares são totalmente favoráveis à manutenção do processo democrático. Totalmente. Agora, nós temos preocupação com o futuro do país. Haja vista que de repente um segmento radical, como aconteceu na Venezuela, pode levar o país a determinadas situações que não acredito que seja muito fácil [acontecer] aqui. Muito mais difícil, mas nada impossível”. 

Ele não esclareceu o que foi que “aconteceu na Venezuela”, mesmo porque o aludido “segmento radical”, o chavismo, foi conduzido ao poder pelo voto, em eleições democráticas, e depois reeleito em pleitos sucessivos. Mais tarde, porém, ele dirá que teme “a ditadura pelo voto”, evidenciando assim a seletividade dos seus juízos de valor. 

“O chefe militar pode falar sobre muitas coisas. Não é o que ele fala que é o problema, é como ele fala. E a maneira como o general Villas Boas falou… ele não ameaçou as instituições, ele não faltou com o princípio da hierarquia e disciplina e ele obedeceu ao que está na Constituição, digamos assim, que é livre a manifestação do pensamento, não tem nenhum lugar na Constituição que diz que o militar não pode se manifestar. Mas na missão constitucional das Forças Armadas, [a Constituição] diz que são organizações regulares, permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina. Então nenhum militar pode criticar o governo, criticar uma autoridade, mas ele pode falar da situação que existe. Afinal de contas a sociedade, a nação nos paga durante trinta, quarenta anos para pensar na defesa da nação. Ela precisa ouvir o que o militar tem para dizer. E quem deve falar é o comandante”. 

É de pasmar que nenhum dos parceiros de mesa do oficial, tendo ouvido tamanhos disparates, tenha se animado a rebatê-los. Em primeiro lugar, de um ponto de vista puramente formal, legal, no serviço público só se faz o que a lei dispõe expressamente.

Não é atribuição constitucional ou legal de chefes militares emitir juízos políticos, muito menos pressionar o Judiciário ou a sociedade civil. Além disso, a condução política dos assuntos do Exército cabe ao Ministério da Defesa, ao ministro da pasta, e não ao comandante dessa força.

O mais paradoxal nesse ziguezague retórico do general Rocha Paiva é que, ao buscar justificativas para a verborragia de Villas Boas, ele tenha recorrido justamente ao preceito constitucional da liberdade de expressão, um dos mais pisoteados pelo regime militar.

Por outro lado, se aceitarmos essa tese, como excluir do exercício da liberdade de expressão todos os outros militares?

Sobre empregar a força armada e “homens vão morrer”

“Ele [Villas Boas] deve falar calcado no princípio da hierarquia e disciplina, e alertando a sociedade sobre uma possibilidade, porque quem vai ter que empregar a força armada, quem vai comandar a força armada, emprego [sic], é ele, e os homens que vão morrer são homens sob comando dele. Então é uma responsabilidade muito grande. Ele ao falar coloca em risco a sua própria posição, o seu próprio cargo, mas isso é o que eu chamo de decisão-latitude de caráter moral”. 

Esta é uma das mais sinistras declarações proferidas no Painel Globonews de 15 de setembro. Rocha Paiva passa por cima de qualquer análise prévia de situações hipoteticamente passíveis de alguma modalidade de intervenção militar, salta qualquer mediação, e vai diretamente ao ponto que lhe interessa: pintar um cenário de conflito social e guerra civil, no qual “homens vão morrer”, de modo a fornecer justificativas adicionais para a fala intervencionista do comandante do Exército e, de quebra, reiterar a narrativa golpista.

Ademais, o general debatedor acrescenta um ingrediente ácido, que parece contradizer suas alegações anteriores, quando avalia que, ao falar, “Villas Boas coloca em risco a sua própria posição, o seu próprio cargo”. O golpe já tem seu herói?

“Se a gente olhar a história do Brasil, de 1922 até 1977, nós tivemos mais de 17 crises político-militares. A partir de 1964, [por] decisão do marechal Castello Branco, os militares foram se afastando da política, política partidária, e a política deixou de ir buscar os militares.

De 1977 para cá não teve uma crise político-militar. Ou seja: os militares estão afastados da política partidária, e não participaram de nenhuma crise política no país. Agora, não entendo porque eles foram afastados do núcleo decisório do Estado.

Porque quem está lá representando as Forças Armadas é o ministro da Defesa que muitas vezes não entende de estratégia de defesa, e não tem condições sozinho de dialogar nesse nível estratégico sobre defesa nacional, segurança nacional.

Então, o que aconteceu com o país? O país agora entrou numa situação de desequilíbrio interno, e eles estão buscando exatamente as Forças Armadas por causa disso. Por isso é que ele [Villas Boas] insiste na ideia da legalidade, legitimidade, estabilidade, que é para os militares não terem que ficar sendo procurados mais”. 

A contabilidade de “crises político-militares” feita por Rocha Paiva deixou de incluir episódios importantes, como a “greve de zelo” dos controladores de vôo militares em 2007, retaliada pelo comando da Aeronáutica, após seu encerramento (acordado com o governo mediante a promessa de que não haveria punições), com dezenas de demissões e prisões; a reação das Forças Armadas à terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), em 2009, no segundo governo Lula; e os desrespeitos à CNV desde que foi criada, em 2011.

Sua “explicação” pueril sobre a decisão de Castello Branco foi contestada pela âncora Lo Prete, que teve de lembrar ao general que os militares não precisavam de política partidária porque, afinal de contas, exerciam o poder ditatorial! Seus ataques à figura do ministro da Defesa e suas queixas contra o afastamento dos militares “do núcleo decisório do Estado” são coerentes com o pensamento golpista. 

Sobre Mourão, Constituinte sem povo e autogolpe

“Se formos convocar uma Constituinte agora, eleição etc., qual vai ser o resultado com essa liderança que nós temos aí? Né? Então, temos que ter o projeto. Um projeto de Constituição. Ele vai ao  Congresso. Aí o Congresso apresenta lá as suas considerações, ele volta para o grupo que vai… que tem que ser gente, jurista… para não sair aí: “os juros tem que ser 12%”, não sei o que não sei que lá, direitos adoidado… deveres quase nada. A menção à pátria só aparece uma vez na Constituição. Então tem que ter gente que participe da elaboração do projeto… gente preparada, não pode ser como nós vemos no Congresso, muita gente despreparada para isso”. “A gente não pode afastar do projeto a elite pensante do país”. 

De modo que, para evitar uma nova Constituição com “direitos adoidado” e deveres poucos, Rocha Paiva apoia a receita de Mourão: uma Constituição elaborada por “gente preparada”, pela “elite pensante”.

Tal cuidado certamente impedirá extravagâncias, como o teto fixado na atual Constituição para os juros cobrados pelos bancos! 

“Quanto à questão do autogolpe: é outra ideia que tem que ser trabalhada. O que está escrito na Constituição: as Forças Armadas são instituições destinadas à defesa da pátria e à garantia dos poderes constitucionais, por iniciativa de algum deles, da lei e da ordem. O que o general Mourão tentou passar ali é que se esses poderes constitucionais estiverem numa situação de anomia, perderam a autoridade, a situação do país está numa convulsão social, num caos social, não é uma intervenção das Forças Armadas para assumir o governo, é: ou algum daqueles poderes que estão sem nenhuma condição de ter autoridade pedir às Forças Armadas para… ou tentarem empregar as Forças Armadas para… mas eles estão divididos por dentro, você vê que o STF está dividido por dentro, né? Pode ser uma situação que o presidente não tenha autoridade, então vai fazer o quê, vai esperar o esfacelamento da nação?”

Não há dúvidas de que, aqui, o ex-comandante da ECEME endossa totalmente os planos anunciados pelo general Mourão desde 2017, quando o país teve notícia, pela primeira vez, de que o Alto Comando do Exército vinha efetuando “planejamentos” de uma eventual intervenção militar. Nesta linha, a principal força armada reserva-se o direito de decidir se e quando intervir, afinal as instituições estão “divididas por dentro”. A ideologia da tutela persiste. 

[Mourão] “é uma pessoa muito preparada, não é um ponto fora da curva, é uma pessoa de índole democrática, quando eu digo que uma intervenção militar para restaurar os poderes constitucionais pode acontecer, haja vista o que aconteceu na Venezuela, essa ditadura pelo voto é que eu tenho medo, porque ela muda o regime. Ela mudou o regime e jogou no fundo do poço a Venezuela. [As Forças Armadas da Venezuela] foram compradas”.

A tese otimista de que Mourão é “um ponto fora da curva” foi levantada pelo professor Messias. Se a “ditadura pelo voto” venezuelana mudou o regime, cabe perguntar: a ditadura pelas armas brasileira não fez o mesmo, com o agravante de que não gozava de legitimidade alguma?

Quanto à suposta “índole democrática” do vice de Bolsonaro, devemos render homenagem ao esforço de Rocha Paiva para salvar a imagem do seu companheiro de armas. Porém, como veremos em seguida, cabe indagar da “índole democrática” do próprio Rocha Paiva. 

Sobre a Ditadura Militar e a CNV: “Que genocídio é esse?” 

“O relatório da Comissão não tem credibilidade nenhuma”. “Não defendo nem torturador, nem terrorista, nem sequestrador, nem justiçador e nem ladrão de banco etc., não defendo de nenhum dos dois lados, defendo anistia ampla, geral e irrestrita porque quando ela foi feita era condição para a pacificação nacional.

Então não se pode julgar a Lei da Anistia com visão de hoje num contexto que era outro. A intenção do legislador e o espírito da lei era geral e irrestrita [sic]. Todos os que combateram a luta armada são muito bem considerados no Exército. Alguns violaram direitos humanos? Sim.

Mas também os outros do outro lado violaram”. “Sempre que eles da luta armada tiveram alguém que não fosse um refém que tinham que devolver, eles torturavam e também matavam”. “[A Ditadura] puniu os [casos] que foram esclarecidos. Mas os que não foram esclarecidos? Eles foram anistiados.” 

Portanto, Rocha Paiva alega não defender torturador, mas os defende. A Lei da Anistia de 1979, que incluiu um dispositivo de autoanistia dos militares que sequestraram, torturaram, assassinaram militantes de esquerda e perpetraram desaparecimentos forçados, foi declarada nula pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH). 

“A gente vê: Colômbia, 50 anos de guerrilha, 200 mil mortos; América Central, 15 anos de conflito, 300 mil mortos; nos outros países da América do Sul, Uruguai, Argentina e Chile, mais de 30 mil mortos. No Brasil, 436. Que genocídio é esse?Não foram mortos na tortura, não [em resposta a Dias]. E tem uma coisa, se nós estivéssemos na guerrilha até hoje, como na Colômbia, a senhora queria que o seu filho fosse convocado pelo Exército para combater a guerrilha? O senhor gostaria de um neto seu combatendo a guerrilha no meio da selva? Então o regime militar, ao cortar o mal na raiz, preveniu um desastre no país como aconteceu na Colômbia, na América Central”.

Nem Dias, nas poucas objeções que manifestou, nem Lo Prete se deram ao trabalho de enfrentar e desmontar a narrativa falsa e escorregadia do general. Bastaria citar os centros de tortura e “casas da morte” espalhados pelo Brasil, nos quais foram martirizadas milhares de pessoas; os campos de tortura de camponeses montados pelo Exército no Araguaia; chacinas como as de Foz do Iguaçu (PR) e Chácara São Bento (PE); o monstruoso atentado ao Riocentro que permanece impune.

Quanto a “Não foram mortos na tortura, não” (referindo-se à maioria dos casos), Dias, que integrou a CNV, bem poderia ter apontado conhecidos casos, alguns de repercussão internacional, de execução de prisioneiros durante a tortura ou logo após: Manoel Raimundo Soares (“mãos amarradas”), Rubens Paiva, Aurora Furtado, Vladimir Herzog, Manoel Fiel Filho, Carlos Danielli, Stuart Angel, Sônia Moraes Angel e tantos outros, bem como a execução de dezenas de guerrilheiros do Araguaia capturados vivos. 

Sobre Herzog, há sentença recente da Corte IDH, que em 15/3/2018 condenou o Estado brasileiro a tomar providências para investigar o assassinato do jornalista. Sobre a Guerrilha do Araguaia, a sentença histórica emitida em 24/11/2010 determina a punição dos militares que praticaram atrocidades. É espantoso que nada disso tenha sido dito a propósito das tentativas bizarras de Rocha Paiva de minimizar os crimes cometidos pela Ditadura Militar. 

Sobre um eventual governo do PT e a “revolução gramcista”

“Uma coisa é o Haddad aqui em cima ou o Lula aqui em cima. Mas quem dá a linha ideológica, perigosíssima, do PT tá aqui embaixo: é Zé Dirceu, era o Marco Aurélio Garcia, o Pomar. Porque eles estão implantando no país uma revolução silenciosa que é a revolução gramcista [sic], ocupando os espaços, mobiliando [sic] todo o Estado. O fato de o PT não estar no poder não quer dizer que ele tenha perdido o poder. Então o perigo para mim… O Haddad vai estar aqui em cima, paz e amor, mas eles vão continuar mobiliando [sic] e seguindo a revolução gramcista [sic]”. 

Que não restem dúvidas: a Ideologia da Segurança Nacional continua a mover os generais do Exército. Ao que parece, à falta de inimigo externo, ocupam-se do “inimigo interno”: os partidos de esquerda, os movimentos sociais, a “revolução gramcista”.

Note-se que Rocha Paiva passou à reserva em 2007, portanto no decorrer do primeiro mandato de Lula. Estamos falando de alguém que chegou a general de brigada (duas estrelas) e exerceu cargos relativamente importantes no Exército: o comando da ECEME, por onde passa a nata do oficialato, e a secretaria-geral da força, cargo onde estava quando deixou a ativa. 

O Partido dos Trabalhadores, com toda a moderação política que o caracterizou enquanto esteve no governo, é “acusado” de possuir uma “linha ideológica perigosíssima”, qual seja a de “ocupar todos os espaços”, “todo o Estado”, inspirado no admirável pensador marxista italiano Antonio Gramsci (1891-1937).

A respeito disso, é preciso assinalar o seguinte: 1) nem os governos Lula e Dilma, eleitos pelo voto, nem o PT ocuparam “todos os espaços”, como provam o golpe de 2016 e a prisão do ex-presidente; 2) no passado, quem ocupou “todo o Estado” foi a Ditadura Militar, que tomou o poder pelas armas; 3) no presente, o melhor exemplo de ocupação “de todo o Estado” é o PSDB, especialmente em São Paulo, por décadas.  

Vale insistir: como fica a tese do “profissionalismo” do Exército? A tomar pela blitzkrieg de Rocha Paiva, ao vivo e a cores, por suas investidas contra a democracia e em favor do Terrorismo de Estado, e pelas manifestações dos seus colegas de quatro estrelas, tal “profissionalismo” será sempre utilizado contra a transformação da sociedade brasileira (ainda que pela via democrática!) e em favor de soluções golpistas e reacionárias para crises políticas como a atual. 

Pergunta final: por que razão a Globonews convidou, para um debate deste tipo, um oficial reincidente em agressões ao jogo democrático, como atestam entrevista que concedeu a Miriam Leitão em 2014, na qual atacou a CNV, e artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2017, no qual defendeu intervenção militar “mesmo sem amparo legal”?

Pedro Estevam da Rocha Pomar é jornalista (UFPA), mestre em história (Unesp), doutor em ciências da comunicação (USP) e autor dos livros Massacre na Lapa (2006) e A Democracia Intolerante (2002). Membro do Comitê Paulista por Memória, Verdade e Justiça (CPMVJ). 

Fatos & Fotos – 21/09/2017

“O PSDB caiu na vala comum”, diz deputado tucano

Por Sylvio Costa

“Se você criticava a corrupção na época do governo do PT, como você pode agora participar do governo e até apoiar o adiamento de investigação?”

Ele é um dos mais notórios “cabeças pretas”, nome usado para designar os jovens parlamentares que cobram da cúpula do seu partido novas atitudes em relação à política e ao país. Sua tônica, assim como dos colegas de bancada cuja cabeleira o tempo ainda não tornou mais branca, é a defesa da independência em relação ao governo Michel Temer.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Apesar de ser deputado federal de primeiro mandato, Daniel Coelho (PSDB-PE) – que completará 39 anos no dia 4 de novembro – circula na Câmara com a desenvoltura dos veteranos. Isso pode ser atribuído, em parte, à experiência acumulada como deputado estadual e vereador no Recife, por dois mandatos. Mas a razão principal é que sua voz passou a reverberar mais tanto entre os tucanos quanto no conjunto dos deputados.

Um dos 21 deputados do PSDB que votaram pela investigação de Temer, na análise da primeira denúncia enviada por Janot, ele já anuncia que voltará a se manifestar pelo encaminhamento favorável da segunda denúncia.

Nesta entrevista, Daniel Coelho mostra como é uma cabeça preta por dentro. Diz que todos os partidos políticos estão “destruídos”. Afirma que o PSDB caiu na “vala comum” ao adotar uma posição seletiva em relação à corrupção, condenando a de Dilma, Lula e do PT, mas aceitando a de Temer. Critica a proposta de reforma da Previdência. Defende uma agenda liberal, mas com compromisso com os mais pobres. Fala que Lula está em franco declínio popular mesmo no Nordeste, região natal tanto do líder petista quanto de Daniel. Demonstra temor quanto à candidatura de Jair Bolsonaro, que “cresce muito e cresce rápido”. E adianta que seu preferido para disputar a Presidência da República pelo partido é Geraldo Alckmin. “Acho que Doria não tá preparado, não tem ainda experiência. Precisa andar mais”, resumiu.

Congresso em Foco: A recente caravana de Lula ao Nordeste mostrou que ele continua tendo força na sua região. Por quê?
Daniel Coelho Acho que tem ali um recall de classes D e E. É exatamente aquele eleitor em que a informação chega por último. A informação chega nele, de fato, durante a eleição. Por enquanto, está muito distante. Acho que o Lula se desidrata. Ele continua sendo forte no estado, mas não tem mais o desempenho que já teve. Já perdeu A e B e está perdendo forte na C. Depois que você perde nas classes A e B, a tendência é perder nas outras também.

E por que perdeu?

“Os partidos estão completamente destruídos. Todos. Não tem nenhum partido que tenha hoje uma imagem de coerência”

Porque as pessoas hoje encaram que ele é igual aos outros na questão da corrupção. É corrupto. Não é outra coisa. Eu vi uma pesquisa em Pernambuco mostrando que nem o eleitor de Lula acredita mais que ele é honesto. Não adianta a narrativa que os caras fazem na política de que é perseguição. As pessoas não estão acreditando. O cara até pode dizer que vota nele, mas acreditar que ele é honesto não mais. Votar num cara que você sabe que é corrupto não é todo mundo que está disposto a fazer. Então o crescimento assustador do Bolsonaro, que você vê hoje no Nordeste, vem daí

Ele está crescendo no Nordeste também?

Cresce muito e cresce rápido. Essa coisa dessa radicalização e dessa polarização, que estimula a intolerância e dificulta o bom debate político, ajuda o Bolsonaro. Primeiro, porque você mistura tudo e todo mundo passa a ser corrupto, e o cara fora.  E depois ele é meio que o outro polo. O PSDB e a maioria de suas lideranças têm, historicamente, posições mais moderadas, mais de centro, e ele fica fora dessa polarização e vai ocupando espaço. Ele cresce e tem potencial de crescimento exatamente com esse eleitor que vai se decepcionando com Lula. O voto de Lula no Nordeste não é um voto ideológico, é um voto de identificação de classe. As pessoas votam em Lula no Nordeste não por identificação com a pauta da esquerda, mas porque encaram a política como a disputa do pobre contra o rico. É preocupante esse crescimento, e ele ocorre em um cenário meio de terra arrasada.

“As pessoas não acreditam em mais nada. E isso é no Brasil todo, não é só no Nordeste. Os partidos estão completamente destruídos. Todos eles”

Terra arrasada em que sentido?
No sentido de que as pessoas não acreditam em mais nada. E isso é no Brasil todo, não é só no Nordeste. Os partidos estão completamente destruídos. Todos. Não tem nenhum partido que tenha hoje uma imagem de coerência. Se quiser, a gente sai pegando as posições dos partidos um por um e aí você vê que todos os partidos no Congresso Nacional mudaram de posição sobre os mesmos temas só porque virou o governo. Então os caras que defendiam uma coisa passaram a defender outras, e vice-versa. Então você teve um descrédito completo. Isso é que é preocupante. Os partidos já estão destruídos perante a população. A grande tarefa da reforma política hoje é construir ou reconstruir os partidos porque hoje eles estão mortos.

E essa crítica o senhor estende ao PSDB?
Claro, claro. A crítica é a todos. Não tem diferença não. O PSDB está dividido, mas a análise positiva que tenho do PSDB é que metade da bancada está mantendo no governo Temer as mesmas posições que tinha no governo Dilma.

Que posições?
Do ponto de vista ético, de cobrar investigação e de ter votado para afastar Dilma, afastar Cunha e afastar Temer… o partido que mais deu votos para os três afastamentos foi o PSDB. E também na análise de temas mesmo. Se houve incoerência no PSDB foi durante o governo Dilma, quando em alguns momentos pode ter votado contra teses do próprio partido. Metade da bancada tem votado nas mesmas posições, independentemente do governo. Mas é metade. A outra metade tem sido incoerente, como todos os demais. E o partido, perdido. Quanto aos demais partidos, é aquilo. Se o governo for meu, eu apoio tudo. Se não for, eu sou contra tudo.

“Sempre fui contra o PSDB entrar no governo. Não só eu, havia outros. O grupo era pequeno, não era essa metade que tem hoje”

Ser coerente hoje seria o quê? Entregar os ministérios?
Não só isso, esse é só um fator. Na verdade, sempre fui contra o PSDB entrar no governo. Não só eu, havia outros. O grupo era pequeno, não era essa metade que tem hoje. A minha ideia era que o partido fechasse uma agenda com pautas definidas e oferecesse apoio na votação de determinados projetos, sem aceitar cargos no governo Temer. Outras questões, outros projetos a gente analisaria depois. Essa era a posição que eu considerava adequada na época. Hoje, a presença do PSDB na administração federal legitima um governo que tem as mesmas práticas que nós criticávamos no governo do PT. Se você criticava a corrupção na época do governo do PT, como você pode agora participar do governo e até apoiar o adiamento de investigação? Isso é total incoerência. É completamente sem lógica.

Quais os pontos fundamentais dessa agenda?
O primeiro ponto fundamental dessa agenda não foi nem abordado pelo governo e o governo não quer falar nele. A primeira grande questão é a reforma do Estado, a redução do Estado. Todas as reformas são importantes, mas a reforma do Estado é a mais importante de todas. Não posso pedir sacrifício à sociedade se o governo continua gastando da maneira que gasta. Uma crítica que era constante ao governo Dilma, e que o PSDB fazia com muita frequência, era ao tamanho do governo. A quantidade de cargos comissionados e de ministérios, as indicações políticas… o governo Temer continuou fazendo igual. Teve ministro que nem saiu da cadeira. Mudou o governo e ficou a mesma lógica. É essa crítica que o PSDB fez na TV, com muita polêmica, ao modelo de cooptação. A gente criticava isso lá atrás. E depois passou a participar disso? A primeira reforma a enfrentar é esta. É fazer uma redução imensa na quantidade de cargos comissionados, é reduzir ministérios, é fazer uma discussão de empresas ineficientes que precisam ser vendidas. Uma discussão não da maneira em que é feita hoje, de um governo que está com buraco de caixa e quer vender empresa pública para tapar o buraco. O custo do Congresso. A Câmara dos Deputados custa R$ 5,2 bilhões por ano, é muito dinheiro. E se você for olhar, a menor parte desse custo está ligada aos mandatos dos deputados. Está relacionada com a estrutura gigantesca que você tem aqui dentro. Depois que você discutiu tudo isso e reduziu o Estado, aí você tem condição de dizer. Olha, nós reduzimos o Estado ao máximo, não deu, e a conta não fecha. Vamos ver agora que tipo de sacrifício precisa ser discutido com a sociedade para que as contas públicas se equilibrem.

“Vejo R$ 51 milhões em mala de Geddel e ouço que vou ter que pagar a reforma da Previdência. Como? Todo mundo roubou e eu pago a conta? Não tem mais credibilidade para fazer uma reforma dessa”

Aí entraria, por exemplo, na discussão da reforma da Previdência?
Aí você poderia discutir uma reforma da Previdência, mas não da maneira como foi apresentada. Ela deve ser em parcelas. Primeiro, você reduz o tamanho do Estado, você vai no custeio. Depois, você faz uma reforma específica onde estão os privilégios inaceitáveis: aposentadoria especial de parlamentar, situações em que as pessoas trabalham menos e se aposentam com remuneração maior… aí você tem um último passo, considerando a situação específica da população. Por exemplo, idade mínima faz todo sentido para o serviço público, para quem trabalha com o intelecto, para quem tem remuneração de R$ 20 mil, R$ 30 mil. Mas idade mínima para um ajudante de pedreiro? O cara não consegue trabalhar até 62 anos de idade, é impossível. Se faço uma reforma da Previdência linear, tratando igual o rico e o pobre, estou discriminando o pobre. Está equivocada essa discussão de que a reforma da Previdência vem para acabar com o privilégio. A condição de vida das pessoas é diferente, eu preciso ter uma regra que considere que o cara que ganha salário mínimo e pega três ônibus para trabalhar não aguenta trabalhar até os 65 anos. Com 50 anos, ele está fora do mercado, acabou. Um jornalista com 50 anos está no auge da capacidade intelectual dele, da experiência, vai trabalhar muito mais. Discutir a reforma da Previdência sem discutir a reforma do Estado antes leva ao que estamos vendo. Você não tem apoio popular e não tem apoio congressual. Hoje, Temer tem maioria aqui pra tudo, não tem para a Previdência.

E não terá? Nem no ano que vem?
Não terá. Nem no ano que vem. Não consegue nem pautar. Vai ficar do jeito que está, eu acho. Não pauta a reforma da Previdência. Porque não tem credibilidade exatamente por isso. Hoje há dúvidas sobre a necessidade da reforma. Qual é a sensação que tem? Estou em casa assistindo o que está acontecendo no país e vejo R$ 51 milhões em mala de Geddel, aí vê que o cara da JBS diz que deu R$ 50 milhões pra um, 150 pra outro e aí ouço que eu vou ter que pagar a reforma da Previdência. Como é isso? Todo mundo roubou e eu pago a conta? Não tem mais credibilidade para fazer uma reforma dessa.

Das reformas em discussão, alguma tem chance de emplacar?
A tributária tem uma grande dificuldade. O governo não abre mão de receita e o Congresso não vai aprovar aumento de imposto. Então não sei como essa conta vai fechar. Não sei qual a capacidade que o relator, o Hauly, que é do nosso partido, vai ter para melhorar nossa legislação tributária sem mexer na balança. Ou seja, sem aumentar imposto nem tirar receita do governo. Não faz 308 [número mínimo de deputados para aprovar emenda constitucional] com aumento de imposto. A trabalhista acho que foi avanço, eu concordei com a reforma, acho que foi bem feita e foi boa para o país. Fora ela, não consigo ver mais nada não.

E as eleições? Podem ajudar o país a retomar o caminho da, sei lá, racionalidade política?
Espero, primeiro, que a gente não caia na ameaça do populismo, seja ele de esquerda ou de direita. O populismo de esquerda poderia vir por meio de uma candidatura Lula, embora eu ache que ele não será candidato porque não haverá condições legais. Mas acho que um governo dele seria bem mais populista do que foram os anteriores. Ele está construindo a agenda de um caminho diferente daquele que ele teve lá atrás. Hoje, um governo dele seria bem populista. Se ele não puder ser candidato, não acho que haja na esquerda um candidato com possibilidade de vitória. Agora, eu vejo uma boa dose de populismo na candidatura de Marina, na candidatura de Ciro, na candidatura de Bolsonaro. São candidaturas que têm uma dose de populismo e são os candidatos que estão colocados. Por isso defendo no PSDB a candidatura de Alckmin. Do ponto de vista da competitividade eleitoral, quem vai dizer é o tempo, se ela é competitiva ou não. Mas acho que ele foge dessa agenda populista. Não acredito que ele embarque nessa agenda de falar o que é mais fácil para absorver um dos lados da polarização.

E o Doria?
Acho que Doria não tá preparado, não tem ainda experiência. Precisa andar mais. Tem que governar São Paulo, mostrar os resultados, pode ter um papel relevante na eleição de Alckmin. Mas, simplesmente de prefeito virar candidato [a presidente] automaticamente, acho que é um caminho muito curto. Não é a melhor opção para o Brasil. Precisamos de um cara que saiba conversar com todo mundo, que tenha equilíbrio. Sempre vai haver oposição e sempre vai haver crítica, mas o momento pede uma agenda mais consensual para o país. Seria muito ruim uma agenda radical, na esquerda ou na direita, vencer e impor a sua vontade a quem perder. Isso aumenta o conflito na sociedade. A gente está precisando diminuir o conflito. Acho que o Alckmin poderia governar para todos. Não seria um candidato radicalizado que governaria apenas para os seus.

“O Nordeste não é tucano nem petista. É governista. O interior do Nordeste é muito dependente do investimento federal”

O PSDB sempre teve muita dificuldade na sua região, no Nordeste…
Muita, mas ele ganhou com Fernando Henrique…

Ganhou, com um empurrão do PFL, que era governo em vários estados, mas desde 2002 o PSDB não tem bons resultados no Nordeste, né?
É. Existem várias teses. O Nordeste não é tucano nem petista. O Nordeste é governista. Quando o PSDB governava, o Nordeste votou no PSDB. O interior do Nordeste é muito dependente do investimento federal. É muito difícil o governo federal perder no interior do Nordeste. Estamos vivendo agora um caos completo porque o governo perdeu a capacidade de investir. Isso pode alterar esse governismo histórico. Lula tem uma popularidade muito grande, mas, ele não sendo candidato, não acredito que consiga passar essa força para o PT ou para outro candidato. Com certeza, para o PSDB vai ser um desafio se posicionar no Nordeste. É uma região difícil para o PSDB. O mesmo discurso é percebido de maneira diferente no Nordeste e no Centro-Sul.

Dá um exemplo.
O Nordeste, de uma forma geral, acredita mais na intervenção estatal. É mais aceita lá essa ideia, que a esquerda defenda, de que o Estado é que vai trazer o desenvolvimento. No Centro-Sul, o eleitor tende a aceitar melhor um discurso mais liberal. Por isso o PSDB precisa aprender a se comunicar melhor no Nordeste, o que não significa mudar aquilo em que você acredita. Você fala discurso liberal, as pessoas são contra. Você explica o que é, as pessoas vão mudando de opinião. No governo Fernando Henrique, o neoliberalismo virou um xingamento. Estava na hora de o PSDB assumir a agenda econômica liberal e mostrar por que a agenda estatizante e intervencionista deu errado no Brasil e no mundo todo. Num país do nosso tamanho, com as nossas condições, a agenda estatizante deu errado. O PSDB devia ter mais coragem de peitar isso para mudar conceito, sobretudo no Nordeste.

“Esse governo é uma fábrica de escândalos. Não duvido que fatos novos apareçam. A gente sabe do histórico do PMDB”

As investigações sobre corrupção atingiram gravemente figuras do PSDB, incluindo o ex-presidente nacional Sérgio Guerra, do seu estado, e o atual presidente, hoje licenciado, Aécio Neves. Qual o tamanho do prejuízo para o partido?
Acho que o PSDB sofre com a corrupção, não dá para esconder isso, é evidente. Sofre como os demais partidos. A gente chegou num patamar que é muito ruim, que é as pessoas acharem que todos os partidos são corruptos. O PSDB, também. O PT talvez tenha tido um ganho com isso. O PT teve o primeiro desgaste com a corrupção, mas acho que hoje há uma imagem de generalização da corrupção. Até partidos pequenos, que acham que estão fora disso, acho que estão enganados. Vai falar com o povo lá na ponta, não sei as pessoas veem que partido tal tá fora. Essa posição seletiva dos partidos em relação à corrupção do PMDB e do PT nessas viradas de governo, deixou todo mundo no mesmo barco. Não sei se há um sentimento específico com o PSDB.  Mas ele talvez tenha perdido a oportunidade de se diferenciar. Se ele tivesse optado por manter agora a mesma linha crítica que teve no período Dilma, mesmo tendo pessoas do partido acusadas, ele poderia ter se diferenciado. Na hora que ele se divide e deixa de se posicionar, fica na vala comum. Mas não acho que haja alguma coisa específica de corrupção contra o PSDB. A corrupção está em todos os partidos e no PSDB, isso é um fato. E acho que é assim que as pessoas estão encarando.O senhor vê alguma possibilidade de os deputados aceitarem alguma denúncia contra Temer?
Evidente que o episódio Janot ajudou o governo porque gerou dúvidas na sociedade…

Qual dos episódios?
A soma deles, né? A coisa da JBS, a foto com o advogado são fatos que não caracterizam parcialidade, mas geram dúvidas. Se gera dúvidas, você enfraquece [a acusação]. Já não houve pressão popular aqui pelo afastamento de Temer. Votei pelo afastamento, mas não recebi pressão de ninguém. Votei porque achei que era correto. Agora, acho que está mais frágil ainda. Mas esse governo é uma fábrica de escândalos. Não duvido que fatos novos apareçam. A gente sabe do histórico do PMDB, sabe como o governo é tocado, sabe o que aconteceu anteriormente. Pode vir um fato novo e ele ser afastado. Com a segunda denúncia, não acredito que mude muito a votação da última. Poderiam aumentar os votos pelo afastamento se não houvessem ocorrido esses episódios com a JBS.

Qual a opinião sobre o conteúdo dessa segunda denúncia?
Não analisei profundamente o conteúdo jurídico, mas acho que poucos mudarão de posição. A tendência é de confirmação de votos, de ambos os lados. Não há motivo para quem já achava que ele devia ser investigado deixar de manifestar de novo o seu voto a favor das investigações. O processo tende a ser curto, mas com certeza se for mais uma vez repetida a posição de negar a investigação, só vai aumentar o descrédito do Congresso Nacional na sociedade.

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Temer embolsou US$ 11 milhões pessoalmente! via

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Estamos no penúltimo ato da Guerra Híbrida.
Eu venho escrevendo desde o mensalão que estão todos juntos, e misturados, nas bandalheiras, nas três esferas da federação – municipal, estadual e federal.
Mas, adjetivarem-me logo de petistas. E ainda irá aparecer mais, se os Bilderbergs deixarem.
Quem viver verá.
Lembre-se; não há virgem na zona.
PS. Como canta o Belchior; “nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não me enganam não”!

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Brasil: da série “só dói quando eu rioBlog do Mesquita,PSDB,Bolsa Família

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Brasil da série “um buraco chamado Braziu”Amazônia,Blog do Mesquita
“Estados Unidos fará uma base militar na Amazônia,para combater tráfico de drogas e armamentos”. Hahahahahaha.
E tem quem acredite nessa cândida intenção. Hahahahaha.
Deem uma “lidinha” aí geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente!Amazônia,Blog do Mesquita

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Brasil da série “Um buraco chamado Braziu”
Maluf discursando na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

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Arte – Pintura Thorvald Erichsen,Norwegian 1868-1939
Landscape,Oil on canvas
Blog do Mesquita,Arte,Artes Plásticas,Thorvald Erichsen,Norwegian 1868-1939, Landscape,Oil on canvas

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Brasil da série “Um buraco chamado Braziu”
Sr. Ministro Alexandre de Moraes, do STF, derrubou com liminar, mecanismo que condicionava a participação em competições à regularidade fiscal. Vergonha.Alexandre de Moraes,STF,Blog do Mesquita

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O Estadão quer o fim do Ministério Público. Nada de mensalão, nada de petrolão, nada de quadrilhão. Seríamos felizes para sempre.

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Tenho uma duvida a respeito da “cura gay”; quem for Bissexual toma meio comprimido? Como que funciona?

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Comissão de Ética – hahahaha – da Presidência da República, abre procedimento para investigar a conduta ética – hahahaha – de Moreira Franco e Elizeu Padilha.Blog do Mesquita,Gargalhada,Pato Donald

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Arte – Escultura

Arte, Escultura,Blog do Mesquita

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‘Lava Jato’ na PM de SP: coronel detalha desvio milionário e envolve outros 18 coronéis

Em carta obtida pelo EL PAÍS, ele apresenta roteiro do que pretende delatar sobre esquema que desviou mais de 200 milhões entre 2005 e 2012. Um deputado estadual é citado

‘Lava Jato’ na Polícia Militar
Cerimônia de formatura de policiais militares em São Paulo. ALEXANDRE CARVALHO A2IMG
Um tenente-coronel promete revelar as entranhas e os beneficiários de um esquema que desviou mais de 200 milhões de reais da Polícia Militar de São Paulo. Detido desde março no presídio militar Romão Gomes no Tremembé, zona norte de São Paulo, o tenente-coronel José Afonso Adriano Filho negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo. 

Nos corredores do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, o caso é apelidado de Operação Lava Jato’da PM. Isso tanto pelo valor desviado quanto pela alta patente dos beneficiários e envolvidos. Além de tentar um acordo com o Ministério Público, o tenente-coronel escreveu uma carta, enviada à Corregedoria da Polícia Militar, em que tenta demonstrar uma espécie de lealdade à corporação e dá um roteiro do que pretende delatar.

No documento, obtido pelo EL PAÍS, Adriano levanta suspeitas de que 18 coronéis e um deputado estadual receberam recursos desviados da Polícia Militar. Ao longo de 15 páginas, o coronel se diz disposto a colaborar com investigações e sugere à Corregedoria que faça determinadas perguntas a essas 19 pessoas. Informa também que parte dos “documentos comprobatórios” de suas denúncias estão em um pendrive e um CD apreendidos pela polícia quando foi preso. Diz até que “depósitos bancários foram efetuados em dezenas de vezes, para atender a demanda desses oficiais, em épocas distintas, para diversos fins”. Mas o coronel reclama do que chama de “total parcialidade” da Corregedoria da PM. Para ele, a investigação da corporação poupou oficiais mais graduados.

Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona
Em carta, o coronel José Afonso Adriano Filho menciona “depósitos bancários” para atender a demandas de coronéis que pretende delatar DANIEL HAIDAR EL PAÍS 

No fim de agosto, Adriano foi condenado pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo à perda de patente e de aposentadoria. Ainda responde a uma ação penal por peculato e é investigado em mais de 20 inquéritos. Adriano tenta uma delação premiada para receber punição mais branda em troca de revelações às autoridades.

Até se aposentar em outubro de 2012, Adriano trabalhou mais de 12 anos no Departamento de Suporte Administrativo do Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo. Fez boa parte da carreira no setor, que é responsável por compras e licitações na corporação. Esteve lá em gestões de sucessivos comandantes da PM e de vários secretários de Segurança nos governos de Geraldo Alckmin (PSDB), Alberto Goldman (PSDB) e José Serra (PSDB). Algumas aquisições do Departamento de Suporte Administrativo precisam ser aprovadas pelo comandante-geral da PM e até pelo secretário estadual de Segurança Pública. Nas investigações da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, até agora foram identificados desvios e fraudes em mais de 200 compras entre 2005 e 2012, com mais de 20 fornecedores envolvidos – incluindo empresas de fachada.

O jornal Folha de S. Paulo revelou em 2015 que as investigações começaram restritas aos anos 2009 e 2010, mas foram ampliadas depois das reportagens do jornal. Ainda assim, o único punido até agora foi o tenente-coronel Adriano.

Ele acabou preso preventivamente depois que um outro investigado disse em depoimento à Corregedoria da PM que foi ameaçado. De acordo com esse investigado, o coronel Adriano lhe falou para “ficar com o bico calado, pois estava mexendo com peixe grande”. A prisão foi decretada pelo juiz Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, que assumiu um dos inquéritos contra Adriano depois que o juiz José Álvaro Machado Marques, inicialmente responsável pelo caso, se declarou impedido para julgar o coronel. O capitão Dilermando César Silva, subordinado de Adriano no departamento de compras, também foi preso, mas responde a processo em liberdade.

Autoridades que acompanham o caso temem que o esquema não seja totalmente investigado pelo Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. Procurado, o corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, não quis dar explicações sobre o andamento das investigações das denúncias mencionadas na carta de Adriano. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que “foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos. O IPM está em segredo de Justiça, motivo pelo qual detalhes da investigação não podem ser passados”.

Como envolve pelo menos uma autoridade com foro privilegiado, um deputado estadual, a negociação da delação premiada de Adriano depende do aval do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio. O Ministério Público informou que a proposta de colaboração premiada está sendo avaliada. “No momento, as informações estão sob análise, não cabendo ao MPSP tecer qualquer tipo de consideração sobre tais tratativas”, afirmou, em nota.

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Arte – Pintura de Otto Kubel (German, 1868 – 1951)

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Mariana Aydar – Te faço um cafuné

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General Eduardo Villas Boas e o orçamento

O general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, usou seu perfil no Twitter para criticar o aperto orçamentário que a força terrestre está sofrendo; “a instituição está enfrentando um grave contingenciamento de recursos.

Conduzo seguidas reuniões sobre a gestão dos cortes orçamentários impostos ao @exercitooficial. Fazemos nosso dever de casa, mas há limites”

Segundo fontes militares, está praticamente paralisando os programas estratégicos do Exército, como o Sisfron, sistema de vigilância de fronteiras; contingenciamento de recursos é resultado do caos econômico de Henrique Meirelles e Michel Temer: enquanto Meirelles produziu um rombo anual de R$ 160 bilhões e estourou a meta, Temer gastou R$ 13,4 bilhões só pra se salvar; com isso, governo agora é obrigado a cortar em serviços básicos, como a defesa do País.

Ps, Experimentem seguir o Gal. no @exercitooficial., em vez de, por mau exemplo,o MBL..[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A vidraça de Temer

O metódico operador das sombras que virou a vidraça de Michel Temer

Amigo de TemerPresidente Michel Temer no Palácio do Planalto.
ADRIANO MACHADO/REUTERS

Coronel João Baptista Lima Filho virou atalho para movimentos sociais pressionarem o presidente.

Lava Jato aponta ex-assessor que atuou na PM e conserva armas como intermediário de propina.

Coronel reformado da Polícia Militar, João Baptista Lima Filho apareceu nas tramas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato acusado de ser um intermediário do presidente da República, Michel Temer (PMDB). Mais do que isso, um preposto para entregar vultuosos pagamentos de propina a Temer, de acordo com delatores e provas colhidas até agora pelas investigações em andamento.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

De ponte virou vidraça. Lima é hoje um atalho para movimentos sociais variados pressionarem o presidente. Como revelou reportagem do EL PAÍS, sem-terras do interior de São Paulo comemoram as tratativas do Incra para adquirir uma fazenda depois que o grupo ocupou imóvel rural do coronel para chamar a atenção do presidente. Nesta terça-feira, a mesma propriedade de Lima em Duartina, a 380 km de São Paulo, foi alvo novamente. Desta vez, foi o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que voltou mais uma vez à fazenda Esmeralda como parte de uma série de protestos contra políticos e personalidades que consideram símbolos da corrupção.

Lima virou uma das vidraças de Temer não só pelas manifestações, mas também pelas investigações em curso na Procuradoria-Geral da República. De acordo com investigadores, ele é considerado o mais antigo operador de propinas de Temer. Quando o presidente foi mencionado pela primeira vez em um escândalo de corrupção, no Porto de Santos no fim dos anos 90, Lima já estava lá, descrito como um opaco assessor.

Naquele caso, Temer e o coronel foram citados pela ex-mulher de um diretor como beneficiários de propinas desviadas de contratos do porto. O caso chegou a ser arquivado em 2001, mas teve nova análise solicitada pela Procuradoria-Geral da República no começo de julho, depois que vieram à luz  delações da JBS que citavam o envolvimento de Lima nos pagamentos de propina a Temer.

Nascido em Bauru, a 340 km de São Paulo, o coronel fez carreira na área administrativa da Polícia Militar de São Paulo. Ele e o presidente se conheceram no começo de 1984, quando Temer assumiu a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo pela primeira vez. Naquela época, Lima estava distante da rotina operacional da polícia nas ruas. Era um assessor do gabinete do secretário anterior, Miguel Reale Júnior, e por lá ficou. A relação de confiança logo ganhou força — o coronel ajudou no primeiro divórcio do presidente no fim dos anos 80.

O coronel, de 74 anos, ainda mantém autorização para porte de arma, como ex-policial. Ele goza da permissão para uso de dois revólveres calibre 38 e uma carabina calibre 20. Essa imagem, de homem armado, contribui para que moradores de Duartina tenham medo de falar do coronel. Em entrevista ao EL PAÍS, o prefeito Juninho Aderaldo (PPS) diz apenas que Lima é “metódico” e fica sem palavras ao explicar a atuação do coronel no município.

Quem conhece o amigo de Temer na pequena cidade, de 12 mil habitantes, diz que ele raramente aparece em locais públicos e que não faz reuniões com mais de uma pessoa em local fechado. “Ele é metódico, muito organizado. Sempre possui seguranças na portaria da fazenda”, afirmou o prefeito de Duartina ao EL PAÍS.

O metódico operador das sombras que virou a vidraça de Michel Temer
A fazenda de Duartina pertence ao coronel e a sua empresa de arquitetura, a Argeplan, mas moradores e movimentos sociais dizem que o imóvel, na verdade, é de Temer. Na primeira ocupação de manifestantes ao local, ainda no ano passado, ativistas do MST acharam uma correspondência endereçada ao presidente.

Reforma e confiança

Não faltam episódios ilustrativos da confiança de Temer em Lima. Foi o arquiteto Fabiano Polloni, da Argeplan, quem reformou a casa do presidente em São Paulo, na rua Bennett, em 1999, como revelam documentos obtidos pelo EL PAÍS. Na rede social Linkedin, Polloni mencionava apenas a Argeplan como lugar onde já trabalhou. Procurado, Temer informou que “pagou as reformas com recursos próprios e tem todas as notas fiscais dos serviços executados”.Funcionário de empresa de coronel assina reforma na casa de Temer em 1999

Funcionário de empresa de coronel assina reforma na casa de Temer em 1999 DANIEL HAIDAR EL PAÍS
O coronel já foi mencionado em dois acordos de delação premiada como um intermediário utilizado por Temer para receber propina. Na delação de José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, que não foi aceita pelo Ministério Público, Lima foi citado como o homem que recebeu R$ 1 milhão em outubro de 2014 destinados a Temer, para a campanha eleitoral daquele ano, como recompensa por contrato da Eletronuclear.
Embora a delação não tenha sido assinada, o pagamento foi comprovado em reportagem da revista ÉPOCA de junho do ano passado, onde foi revelado que uma fornecedora da Engevix transferiu pouco mais de 1 milhão de reais para uma conta bancária da PDA Projeto, outra empresa do coronel, naquele mês. O coronel negou que o pagamento fosse propina, mas não revelou o motivo concreto da transferência de dinheiro.

Na delação premiada da JBS, Lima também foi citado como intermediário de 1 milhão de reais para Temer. O dinheiro foi entregue em 2 de setembro de 2014 na sede da Argeplan, de acordo com Florisvaldo Oliveira, o entregador de propinas do frigorífico. Só com essa revelação Lima passou a ser oficialmente investigado pela Procuradoria-Geral da República como operador de Temer. Ele foi um dos alvos da Operação Patmos, deflagrada em 18 de maio.

Outros vínculos financeiros do coronel com o presidente foram revelados com o cumprimento de mandados de busca no apartamento de Lima e na sede da Argeplan. Policiais federais acharam nessa operação e-mails, recibos e cobranças de reformas na casa de Maristela, uma das filhas de Temer, realizadas no segundo semestre de 2014. De acordo com as investigações, enquanto recolhia propina, o coronel bancava despesas de familiares do presidente. Assim, o custeio de parentes de Temer também entrou na mira da Justiça, embora os fatos tenham ocorrido antes do mandato presidencial e haja um debate legal se eles podem ser alvo de investigação enquanto ele segue no poder.

Outra descoberta no apartamento de Lima colocou o coronel em situação delicada. No dúplex do coronel, de 446 metros quadrados, foram achados recibos da offshore Langley Trade, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Na Receita Federal, a Langley Trade é registrada como domiciliada em Montevidéu, capital do Uruguai, conhecido paraíso fiscal. E os investigadores sabem que Lima esteve em Montevidéu pelo menos em fevereiro de 2015. O curioso é que o apartamento onde ele mora já pertenceu à offshore Langley Trade. Por isso, é investigado se Lima era o verdadeiro dono da offshore.

Inquérito investigou desmoronamento causado por empresa de coronel em casa vizinha
Inquérito investigou desmoronamento causado por empresa de coronel em casa vizinha DANIEL HAIDAREL PAÍS
Procurados pelo EL PAÍS, nem o coronel nem seus advogados Sylvio Carloni e Cristiano Rego Benzota de Carvalho retornaram ligações e recados. Em 2013, Lima conseguiu se livrar de um inquérito aberto no 14º DP (Pinheiros) para investigar um desmoronamento causado pela Argeplan, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Na madrugada de 9 de fevereiro daquele ano desabaram três vigas estruturais e uma parede de uma casa vizinha após obras na sede da empresa do coronel. O imóvel prejudicado chegou a ficar interditado pela Defesa Civil e os moradores tiveram de se alojar em outro local. A empresa do amigo de Temer fez um acordo com as vítimas para encerrar o inquérito e pagou uma indenização de R$ 160 mil.

Em 2001, ele conseguiu mais uma vez passar ileso com o arquivamento do inquérito sobre suposto esquema no Porto de Santos. Mas agora seu nome, e a menção ao porto, retorna. Janot quer apurar se houve crimes em torno da  edição do decreto 9.048/2017, o “Decreto dos Portos”, por Temer em maio. Há quem aposte que pode vir dessa trama portuária uma segunda e estratégica denúncia contra o presidente – a primeira, por corrupção passiva, deve voltar aos holofotes para análise da Câmara dos Deputados a partir da semana que vem.

Globo prepara o terreno para “ataque” às Forças Armadas

Globo prepara o terreno para corte na aposentadoria militar.

Eis que o jornal O Globo descobriu, em manchete desta semana, que os militares aposentados são responsáveis, sozinhos, por 45% dos gastos da Previdência Social brasileira.
Ora, isso prenuncia decisões políticas de grandes cortes já que, para os neoliberais que estão no poder, o Brasil não precisa de militares, apenas de polícia.
Aliás, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia, deixou isso bem claro quando, há pouco, junto com Renan Calheiros e Michel Temer, convocou comandantes militares para tratar de segurança interna.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
O “desperdício” de dinheiro público que se revela no sistema previdenciário militar não para nos recursos humanos. Revela-se também, por exemplo, no virtual sucateamento do projeto do submarino nuclear brasileiro, concebido para defender o pré-sal, e que o juiz Moro está liquidando a canetadas em nome do combate à corrupção.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Lá se vão também, pelo mesmo princípio, o projeto de mísseis do Exército e a renovação da frota de jatos da Aeronáutica. O ataque às Forças Armadas é frontal. A soberania nacional que vá às favas.
Os militares se movem pela honra e pelo soldo. Pode-se dar a eles honra, sem soldo, ou soldo, sem honra. O que não pode é tirar as duas coisas ao mesmo tempo, como está acontecendo agora.
Em parte, essa ameaça de ataque do Globo ao soldo da reserva é culpa da grande maioria dos militares aposentados que não assumem sua condição de cidadania. Em geral, eles se alinham a posições de direita ou de extrema direita, indiferentes à economia política do país. Pois bem, é em nome da economia que acabarão espoliados.
Tentei uma vez fazer uma palestra sobre economia no Clube Militar, basicamente para discutir com a seleta plateia de oficiais da reserva o que significa exatamente neoliberalismo. A palestra foi cancelada na última hora.
Agora eles estão aprendendo a lição pedagógica trazida pelo risco de ficar sem soldo. Senhores oficiais superiores, senhores generais: o Brasil preparado por Temer com a PEC-55/241 é tão miserável que nele não existe espaço para remuneração adequada de militares da reserva. Contenham-se, portanto.
Dirão que não tem outra saída a não ser esta PEC da Morte. É uma falácia. Vários senadores, entre os quais Roberto Requião, apresentaram projetos alternativos. Aliás, a receita para sair da depressão, caso em que estamos, é justamente o oposto do proposto pela PEC.
Em uma palavra, em vez de cortes suicidas de gastos públicos, o que é necessário é a ampliação deles e dos investimentos deficitários a fim de criar um círculo virtuoso de aumento de demanda, do investimento, do emprego e de mais demanda. Puro keynesianismo.
Desde o Governo Dilma – na verdade, desde Lula -, os progressistas brasileiros tem se batido por uma política de desenvolvimento que complemente as importantes conquistas sociais feitas de 2002 para cá.
Fomos ignorados, exceto nos anos de 2009 e 2010, quando o Tesouro injetou R$ 180 bilhões deficitários no BNDES para reanimar a economia.
Deu certo. Fizemos um crescimentos espetacular de 7,5% em 2010. Infelizmente, daí em diante, voltamos à mediocridade. Até o desastre inédito da depressão de quase 9% em dois anos!
P.S. Um amigo me sugere tratar das consequências da eleição de Donald Trump para a América do Sul e o Brasil. Vou resumir em uma frase: será altamente salutar para nós e para a banda do Pacífico que Trump recorra ao prometido protecionismo. Isso evitará que nossas elites entreguistas sufoquem a indústria interna com a estupidez do livre-cambismo.
José Carlos de Assis

Temer e as Forças Armadas

O governo, interino, Temer caso se torne efetivo, tem pela frente o enrosco que surgirá com os militares.

A política econômica neoliberal adotada por Temer, certamente causará aumento da insegurança social.

É só olhar o currículo dos manda-chuva da economia Tapuia.
Henrique “Bank Boston” Meireles, Fazenda, e Ilan “Itau” Goldfajn, Banco Central, no comando da economia, preocupam a estabilidade política.
As diretrizes da Segurança Nacional contam com uma razoável estabilidade social.


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Rio 2016: Brasil incorpora atletas e apoio militares em busca de mais medalhas

General que comandou missão da ONU no Haiti hoje integra equipe do Comitê Olímpico do Brasil

Segundo o COB, o Brasil tem 428 vagas já garantidas para os jogos. Muitas delas se devem ao fato de o país ser o anfitrião e já ter participação assegurada em diversas modalidades. Até agora ao menos 145 delas já foram preenchidas por atletas específicos.

Segundo o Ministério da Defesa, dos atletas já garantidos 67 são militares – quase a metade do total. A estimativa do COB é que, quando os jogos começarem, os atletas das Forças Armadas representem ao menos 30% do Time Brasil.

O apoio das Forças Armadas começou durante a preparação para os Jogos Mundiais Militares, em 2011.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Como o Brasil era anfitrião dos Jogos, as Forças Armadas realizaram concursos públicos para incorporar atletas profissionais às suas fileiras.

A ideia era que esses civis se tornassem militares para representar o Brasil. Mas a partir daí passavam a receber salário, alimentação, moradia e outros benefícios da carreira militar. Era o PAAR (Programa Atletas de Alto Rendimento).

Os atletas precisavam já ter se destacado em seus esportes e, uma vez incorporados, passavam pelo treinamento militar regular – para depois se dedicar ao treinamento em suas modalidades. Nas Forças Armadas passavam também a ter acesso a instrumentos e instalações esportivas.

Foto: BBC
Investimentos em esportistas teriam sido mais focados em atletas de alto rendimento

‘Topo da pirâmide’

“É uma medida para um momento de necessidade. Dá um grande resultado, mas é mais voltada para o topo da pirâmide”, diz à BBC Brasil a ex-atleta do vôlei Ana Moser, que hoje atua em gestão esportiva. Ela preside o Instituto Esporte e Educação, que atende crianças e capacita professores na área do esporte.

“Temos que criar novos atletas, não só investir nos que existem”, prossegue.

O PAAR teve sucesso nos Jogos Militares e por isso foi mantido. No Panamericano do Canadá (2015), muitos atletas militares se destacaram – e chamaram atenção ao bater continência ao subir no pódio.

O gesto foi alvo de críticas. Mas foi explicado pelas Forças Armadas não como uma determinação, mas sim como uma deferência dos atletas às suas forças.

Na Olimpíada, o programa de treinamento de atletas de alto rendimento almeja ser uma das maiores contribuições das Forças Armadas, junto com as funções de segurança, logística e fornecimento de instalações.

Estratégias do COB

O COB montou uma estratégia para preparar o Time Brasil que tem alguns paralelos com uma operação militar – quanto ao elevado número de detalhes e fatores condicionantes –, disse à BBC Brasil o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que dirige o Instituto Olímpico (órgão educacional do COB) e o departamento de Comunicação e Educação Corporativa da entidade.

Antes de ir para a reserva, Heleno foi o primeiro brasileiro a comandar a missão de paz da ONU no Haiti e passou por uma série de postos na cúpula do Exército. Ele é um general de Exército, mas não faz parte da ajuda “oficial” das Forças Armadas ao esforço olímpico.

Ao deixar a entidade em 2011, foi convidado por Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, para trabalhar em sua equipe – o general já havia chefiado o Centro de Capacitação Física do Exército, órgão que auxilia na preparação de atletas militares.

Segundo Heleno, a Diretoria de Esportes do COB elaborou uma estratégia de treinamento de atletas que tem alguns pontos básicos.

O primeiro deles é fornecer recursos financeiros para as confederações, com o objetivo de dar aos atletas brasileiros acesso a treinamento de qualidade dentro do Brasil e a campeonatos internacionais – para ganhas vivência e vencer o nervosismo gerado pelas competições de alto nível.

Outro ponto é a estrutura de “ciência do esporte”. Ou seja, montar equipes de apoio formadas por médicos, fisioterapeutas, especialistas em sono e psicólogos – para que os brasileiros não fiquem em desvantagem em relação a equipes estrangeiras que possuem esses recursos.

De acordo com o general, outro fator da estratégia é melhorar as instalações esportivas internas – como com a construção por meio de parcerias público-privadas de instalações como o Parque Olímpico da Barra e o Parque Radical do Rio.

Gestores e técnicos

Foto: BBC
Atletas brasileiros recebem apoio de fisioterapeutas, médicos, psicólogos e treinadores internacionais

O COB identificou também uma lacuna na área da formação de treinadores gestores e equipes de apoio ao atleta. Para fortalecer essa área criou o Instituto Olímpico, o órgão dirigido por Heleno.

O órgão montou um MBA para gestores esportivos e uma academia brasileira de treinadores. Umas das principais ações é trazer ao Brasil técnicos e atletas internacionais para ministrar cursos para os membros do Time Brasil.

Segundo Heleno, essa “preparação científica” dos atletas começou há relativamente pouco tempo.

“Durante muito tempo houve uma ausência enorme de recursos (apesar de) sabermos o que tínhamos que fazer. Hoje temos recursos, estamos buscando aplicar aquilo que nós sabemos que tem que ser feito, mas temos pouco tempo”, diz.

Por outro lado, segundo ele, o treinamento tem sido intenso e o Brasil contará na Rio 2016 com a torcida favorável e uma vantagem numérica, na medida em que tem participação garantida (independentemente de índices olímpicos) em muitas modalidades.

Ausência de programa nacional

Foto: BBC
Image captionEstratégia do COB para preparar esportistas inclui envio de atletas para competições internacionais

Mas tanto Heleno como Ana Moser afirmam que embora tenha havido grande investimento nos atletas profissionais, o Brasil não possui um programa nacional de esportes que fortaleça as categorias de base dos esportes – de onde poderiam surgir novos talentos.

Segundo Moser, o investimentos voltado especialmente aos atletas profissionais aparenta vir tanto de uma necessidade de ter bons resultados nos Jogos como de uma falta de conhecimento dos gestores públicos.

“Não temos uma cultura de disseminação dos esportes, ainda não é uma área importante na visão de muitas pessoas”, disse.

Para Heleno, ao longo do tempo o Brasil subirá na escala de potências mundiais do esporte e a Olimpíada contribuirá principalmente para a formação de recursos humanos e de uma mentalidade olímpica.

Mas Moser ressalta que muitos setores do esporte temem que, após o fim da Rio 2016, os recursos para o esporte voltem a minguar.
BBC