PEC 37: Convictos e trânsfugas

Meus respeitos aos deputados federais que mantiveram o voto favorável à PEC 37.

Não especificamente pelo voto em si, mas pela honestidade de convicção.

Entendo haver um diferença abissal entre os que mudam de posição por assimilação de argumentos, e os que são trânsfugas do oportunismo.


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Eleições, fisiologismo e políticos oportunistas

O fisiologismo oportunista dos políticos brasileiros, como sinônimo de desgraça anunciada.

O sistema político brasileiro é uma tenebrosa realidade, onde pululam grupos beneficiados pelo clientelismo explícito e o mais desavergonhado e imoral uso do erário público.

Qualquer vidente de esquina é capaz de prever a sarjeta onde chafurdam corruptos e corruptores.

A maioria da população, crédula, sabe Deus baseada em que, ainda acredita que esse ou aquele fará diferença ao chegar ao poder.

Cada dia fica mais incontestável, a partir do cinismo desfilado e desfiado nas campanhas políticas, a absurda quantidade de oportunistas políticos – ou políticos oportunistas.

Aqui, como sempre a ordem dos fatores não altera a infelicidade da população – que infernizam, escorcham e depauperam a moral e a ética, sempre entre mandatos, cargos, nomeações e demais “manobras empregatícias” em todas as esferas do poder – federal, estadual e/ou municipal.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

São políticos oportunistas na essência. Pessoas amorais que transformam o exercício da política em um grande balcão de negócios, a “res publica” é um negócio como qualquer tabuleiro de feira livre. São seres maléficos, abrigados em siglas insignificantes, com ideologias elásticas.

Melífluos e fisiológicos usam do poder político para realizar trocas, permutar favores escusos e perniciosos ao povo. Colocando interesses pessoais acima de idéias e ideais, relegando aos subterrâneos fétidos da inconsciência valores morais que deveriam, por icônicos, nortearem sua ação política.

O voto na sociedade brasileira é obrigatório, um erro fatal de nossa democracia, pois, afinal, inibe o pleno exercício da cidadania alicerçada no dever cívico.

O voto era para ser um dever natural das pessoas, e elas mesmas se motivarem ideologicamente a votar, mas é o Estado que as obriga isso é um paradoxo da nossa democracia, o qual não interessa ao fisiologista mudar.

Lá nos idos de 1984, Wanderley Reis ¹ escreveu:
“[…]dificilmente se poderia pretender que, nas condições que caracterizam o eleitorado brasileiro, a estabilização do jogo democrático viesse a ocorrer em torno de partidos ideológicos[…] o processo de agregação partidária de interesses continuará provavelmente a dar-se entre nós através de partidos que combinem o clientelismo tradicional com um apelo eleitoral de tonalidades populistas”.

¹ Fábio Wanderley Reis (Peçanha, 27 de dezembro de 1937) é cientista político brasileiro.
Lecionou durante toda sua carreira no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, do qual foi um dos fundadores, e tornou-se professor titular em 1981. Foi também presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais,[1] pesquisador visitante no Helen Kellogg Institute for International Studies[2] da Universidade de Notre Dame e no Cebrap, e professor visitante na USP.
Em 1997, tornou-se professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais.

PSDB, a geleia inodora da oposição, e as eleições de 2014

Quanto mais o tempo passa, mais me admiro com aqueles que imaginam ser a realidade política brasileira composta de partidos governistas e oposicionistas.

Nada mais ingênuo. Ou simplesmente incapacidade de ler a história dos partidos políticos na Taba dos Tupiniquins?

Tome-se, como exemplo, PT e PSDB. Nada mais siamês que tucanos emplumados e ‘vermelhinhos esquerdoides’.
Do lado da turma do PT, ‘ex-somos-contra-tudo-e-qualquer-coisa’, nenhuma surpresa.
Afinal, disse-o bem Lord Acton, “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Do lado dos emplumados do bico grande, o que esperar de um partido que abriga um ex-stalinista — ex-stalinista, parece gozação de cientista político desvairado — da liliputiana dimensão de um Alberto Goldman?
A essas alturas, mirando 2014, “certo cara” deve estar rido à socapa, como diria um literato machadiano.

José Mesquita – Editor


A alma subterrânea da oposição oficial
Blog de Augusto Nunes

Divulgado no fim de dezembro pela direção do PSDB, o “balanço crítico do primeiro ano do governo Dilma Rousseff” é dividido em 13 tópicos.

Nenhum deles trata dos seis ministros que perderam o emprego por envolvimento em grossas bandalheiras.

Tem 3.226 palavras.

Corrupção não figura entre elas. Desapareceu durante a revisão do texto original redigido por Alberto Goldman.

“A presidente é tolerante com a corrupção”, constatou o ex-vice-governador de São Paulo.
“O ex-ministro Palocci, nas palavras da presidente, saiu porque quis”, exemplificou.
Tanto a constatação quanto o exemplo foram censurados por tucanos empoleirados em galhos mais altos.

Tampouco sobreviveram ao crivo dos poltrões vocacionais três adjetivos que ajudavam a retratar o desempenho do Planalto nos últimos 12 meses: “medíocre”, “amorfo” e “insípido”.

Mais respeito com a presidenta, certamente protestou algum devoto de Geraldo Alckmin.”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A constrangedora sucessão de fracassos” fustigada por Goldman reapareceu no balanço aprovado pelos chefes do partido fantasiada de “sérios problemas em diversas áreas”.

Os censores acharam igualmente grosseiro qualificar o período de “nono ano do governo Lula”, ou registrar que Dilma age como “fantoche”.

Não se faz isso com uma dama, deve ter ponderado um discípulo de Aécio Neves.

E as duas verdades foram para o ralo.

Concebido para revelar ao Brasil a face escura dos donos do poder, o documento só serviu para escancarar a alma subalterna dos oposicionistas mais governista da história republicana.

Uns e outros vão desaparecer nos escombros da Era da Mediocridade.

Dilma e Obama têm problemas semelhantes

Até as pedras sabem que Dona Dilma está “numa sinuca de bico”. Ou no popular “ou dá ou desce” O PMDB não é PP.

Agora se há alguém que entende de quebradeiras esse alguém é o sociólogo. Ninguém tão bem como ele soube amparar banqueiros e empresários falidos.

A senilidade impede FHC de lembrar a bandalheira da privatização das teles? Ou o que teve que fazer para manter a governabilidade, com os mesmo Sarneys, Jucás, “et caterva”?

Os quatro primeiros anos do Fernando foram de nenhum superávit primário, farra fiscal, câmbio controlado engolindo a empresa nacional, e corrida ao FMI para implorar US$ 41 bilhões para o Brasil não quebrar.

Lula o outro farsante, jogou pra debaixo do tapete a maior quantidade de corrupção já vista nessa pobre e depauperada taba dos Tupiniquins.

Quanto à corrupção todos estão nivelados por baixo. Com todos. Desde Cabral.

O Editor


FHC: o ‘dilema’ de Dilma é parecido com o de Obama

“…Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama

E nós aqui nesta periferia gloriosa a quantas andamos? Longe do olho do furacão cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou.

Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas do tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas.

Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova e não a desgastada do “clube do chá” americano.

A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo.

Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá se tornar econômica.

Explico-me: a presidenta é herdeira de um sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar.

Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual troca-se governabilidade por favores, cargos e tudo mais que se junta a isso.

Esta tendência não é nova. Ela foi-se constituindo à medida em que o capitalismo burocrático (ou de estado, ou como se o queira qualificar) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo.

Na onda do crescimento econômico as acomodações foram se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção).

No início parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do sistema precisa da outra para funcionar e o próprio sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e empregos de baixo salários e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas.

É neste ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina quebram-se as peças da engrenagem toda.

Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país?

E sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, ‘desprodutividade’ da economia e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais?

É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas que para se desfazer da herança recebida será preciso não só ‘vontade política’ como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.”

–>>aqui o texto integral do artigo de FHC

Leandro Moraes/UOL

PMDB: fazemos quaisquer negócios

Na realidade o que me causa mais espanto é o fato dos analistas políticos se espantarem com o fisiologismo mercenário do PMDB.

Afinal que tipo de posicionamento político ideológico pode se esperar de um partido que ostenta em suas (dele) hostes ex-celências do calibre do soba do Maranhão e do boiadeiro das Alagoas?

Ou de outro, o PT, que tem a desfaçatez de colocar na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, o deputado João Paulo Cunha, um dos réus indiciados no processo do mensalão? Puro escárnio com tentáculos alcançando a seara do deboche.

A infelicitada democracia brasileira, exercitada com o esdrúxulo sistema político pseudo-presidencialista que torna o presidente da República, seja lá quem estiver no cargo, refém do parlamento, estabelece essa amoral prática de se trocar apoio político por cargos.

Alguns Tupiniquins, e crédulos os há em todas as esferas sociais, acreditam que essa turma irá promover a necessária reforma política, que iria por fim a tal mercantilismo fisiológico. Lêdo engano.

Nenhuma de suas (deles) ex-celências, tem a menor intenção de desmontar o rendoso balcão de negócios de há muito montado no Congresso Nacional. Todos os que ali negociam, vendem para a platéia de eleitores que tal milagre acontecerá.

Mais que a estéril discussão sobre o valor do salário mínimo, o que é pernicioso para a formação política das novas gerações é a percepção de que os interesses da nação são decididos por leilão. Tal realidade passa a quilômetros de distância do significado de política.

O Editor


Lealdade do PMDB renderá uma leva de nomeações

Ao acomodar no painel da Câmara 77 votos a favor do salário mínimo de R$ 545, a bancada do PMDB –100% fiel ao governo—, tornou-se credora do Planalto.

A lealdade está prestes a produzir efeitos. Com a aquiescência de Dilma Rousseff, o Planalto vai autorizar uma leva de nomeações requeridas pelo partido.

Sem especificar datas, auxiliares de Dilma informaram ao repórter que serão acomodados em poltronas do segundo escalão alguns grão-pemedebês.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A lista inclui náufragos das eleições de 2010. Os nomes chegaram ao Planalto antes da votação. Alguns encontravam-se bem encaminhados. Outros nem tanto. Carimbaram o passaporte:

1. Geddel Vieira Lima: Vencido na disputa pelo governo da Bahia, o ex-ministro da Integração Nacional de Lula vai à poltrona de vice-presidente de crédito para Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

2. José Maranhão: Derrotado na corrida pelo governo da Paraíba, deve ser acomodado na cadeira de vice-presidente de Loterias da Caixa.

3. Orlando Pessuti: Deve ser nomeado diretor de Agronegócios do Banco do Brasil. Ex-vice de Roberto Requião, ensaiou uma candidatura ao governo do Paraná.

Abdicou da pretensão para permitir que o PMDB-PR se coligasse à candidatura candidatura derrotada de Osmar Dias (PDT), cujo palanque Dilma frequentou.

4. Rocha Loures: ex-deputado ligado ao vice Michel Temer, foi às urnas de 2010 como candidato a vice de Osmar Dias. Deve ser guindado a uma diretoria de Itapipu Binacional.

5. Iris Rezende: Batido na disputa pelo governo de Goiás, deve comandar a Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro Oeste).

6. Elias Fernandes: Nesse caso, não se trata de nomeação, mas de confirmação no cargo.

Apadrinhado do líder pemedebê Henrique Eduardo Alves, Elias será mantido no posto de diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca).

Em entrevista concedida nesta quinta (18), o ministro petê Luiz Sérgio (Relações Institucionais) declarou:

“Não existe nenhuma relação entre votação e nomeação. O PMDB é governo e, como governo, ele correspondeu à expectativa do governo”.

Então, tá! Ficamos combinados assim. Lavrem-se as atas. E não se fala mais no assunto.

blog Josias de Souza