Fernando Henrique Cardoso e a sociologia da contradição

Levantamento de agência de checagem mostra contradições de FHCChecagem mostrou idas e vindas de Fernando Henrique Cardoso em diferentes assuntos

Um levantamento da Agência Lupa, publicado nesta quinta-feira (15), apontou as diversas contradições nas declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em curtos intervalos de dias, o tucano deu declarações favoráveis e contrárias ao posicionamento do PSDB no governo de Michel Temer. [ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

FHC chegou a afirmar que “preferiria atravessa a pinguela [governo Temer], mas se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado”, para declarar, dois dias depois, que o PSDB não tem mais condições de continuar na base aliada.

“Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade [de Temer], pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo”.

Eleições Diretas

Fernando Henrique também se contradisse ao opinar sobre a necessidade de eleições diretas, diante da crise do governo Temer. No ano passado, FHC reclamou a necessidade de “fazer uma emenda ao Congresso para a eleição direta porque eu não vejo como alguém novo, sem ter o leme na mão, legitimidade, vai fazer”.

Na semana passada, no entanto, durante o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, o ex-presidente disse que “uma emenda constitucional para antecipar eleições diretas representaria, neste caso sim, um ‘golpe constitucional'”.

Renúncia de Temer

Em meados de maio, FHC disse, sem citar Temer, que “se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar que são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia”.

Dias depois, já no início de junho, o tucano disse que não havia motivos para Temer renunciar: “Quando o presidente Temer falou e eu também quando escrevi não tinha conhecimento da gravação. Eu não creio que a gravação seja suficientemente forte para levar a destituição de um presidente (…) Não vi que houvesse um elemento decisivo”.

Reportagem da Agência Lupa

Odebretch, JBS… Conglomerados de corrupção

A Odebrecht e JBS não compraram um mandato presidencial. Compraram o próprio Lula,Temer, FHC, a classe política inteira. Comprando partidos compra-se os partidários.

Afinal o que são a Odebrecht, JBS e demais potentados? Conglomerados empresariais ou usinas de corrupção?
O povo brasileiro que trabalha e paga impostos não pode aceitar que se costure um acordão por meio do conchavo desses mafiosos – travestidos de políticos, que assaltaram o país. São partes iguais 33,33333% de um sistema político, judiciário no comando, podre.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
Estão que estejam negociando para ver quem vai dormir em cima ou embaixo no beliche lá em Curitiba. Por isso que eu não bati panelas e não como sanduíche de mortadela. Nem coxinha. Os três hábitos me fazem mal à cidadania e à saúde.
FHC, Lula, Temer e todos os políticos só querem uma coisa, poder para enriquecer. O povo é só uma marionete neste sistema proxeneta que existe no Brasil. FHC e Lula são partes iguais de um sistema político canceroso e terminal.
Todas essas “reformas” estão agradando aos empresários, que ficaram com um sorriso de orelha a orelha. Os trabalhadores estão tendo direitos retirados. Os poços do pré – sal estão sendo entregue aos americanos.
Esse governo é um governo liberal e entreguista, como foi o de FHC. Como é o de Macri, na Argentina. Governa para a elite, para os ricos e ferra com o povão. Quer mais direita que isto… ? Dá-me calafrios gente que fala em “ Verdadeira direita “, pois se não é essa que aí está, seria qual então ? Aquela direita “xucra“, das viúvas da ditadura, que vota em Bolsonaro.
Entre esses quadrilheiros o placar sempre é conhecido antes do jogo começar.
Ilustração de John Holcroft

Lula e FHC: abraço de afogados

FHC e Lula são partes iguais de um sistema político canceroso e terminal.


Por isso que eu não bati panela e não comi sanduíche de mortadela.
FHC, Lula e todos os políticos só querem uma coisa, poder para enriquecer. O povo é só uma marionete neste sistema podre que existe no Brasil.
José Mesquita – Editor


Lula propôs um encontro a FHC há dois meses

Há dois meses, quando a colaboração da Odebrecht ainda era uma bomba no arsenal da força-tarefa da Lava Jato, esperando pelo momento de explodir, Lula telefonou para Fernando Henrique Cardoso.

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O petista sugeriu que os dois se encontrassem para debater a crise. O tucano não refugou a ideia. Mas condicionou a conversa à definição prévia dos temas que seriam debatidos. Interlocutores da dupla ainda tentam promover a reunião.

Entretanto, os estilhaços da delação coletiva dos corruptores da maior empreiteira do país dificultam a iniciativa.

Lula tocou o telefone para FHC a pretexto de agradecer pelo depoimento que ele prestara ao juiz Sergio Moro, em audiência ocorrida no último dia 9 de fevereiro.

O desafeto do petismo havia sido arrolado como testemunha de defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e espécie de faz-tudo do morubixaba do PT, que é réu no mesmo processo.

FHC contou a amigos que, feitos os agradecimentos, Lula mencionou o desejo de conversar pessoalmente. Chegou a sugerir que o encontro ocorresse na casa de José Gregori.

Uma semana antes, em 2 de fevereiro, Gregori, que foi ministro da Justiça de FHC, o acompanhara na visita que fizera a Lula no Hospitral-Sírio Libanês, em São Paulo. Foram abraçá-lo depois que os médicos atestaram a morte cerebral de sua mulher Marisa Letícia.

Já nessa ocasião, Lula insinuara que queria conversar. Horas depois, manifestaria o mesmo desejo a Michel Temer, que também o visitou no hospital.

Um dos defensores da aproximação é Nelson Jobim.

Ex-ministro de FHC e de Lula, Jobim argumenta que crises políticas como a que foi produzida pela Lava Jato só se resolvem pela política.

Com a corda no pescoço, Lula endossa integralmente a tese. FHC não se opõe, mas afirmou em privado que, sem uma agenda nítida, o diálogo poderia ser confundido com um ”abraço de afogados”.

Disse isso antes mesmo da divulgação dos depoimentos tóxicos. Num deles, Emílio Odebrecht, dono da construtora pilhada no petrolão, disse ter feito doações para campanhas eleitorais de FHC no caixa dois.
Josias de Souza

FHC ataca Itamar Franco

Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de "egocêntrico e vingativo"Pessoas ligadas a Itamar se preocupam com a mudança de postura de FHC

Divulgando livro, ex-presidente ataca seu antecessor, a quem já elogiou em diversas oportunidades. Em seu novo livro, FHC atacou Itamar Franco, chamando-o de “egocêntrico e vingativo”

“Sem Itamar Franco o Plano Real não existiria”.

Essas palavras foram ditas pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), durante o sepultamento do também ex-presidente, Itamar Franco.

A frase, dita em 2011 parece ter sido esquecida por FHC, já que o mesmo, prestes a lançar seu novo livro, “Diários da presidência (1999 – 2000)”, diz em trecho da obra que Itamar Franco “não chegou a ler a proposta do Plano Real”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No livro, Fernando Henrique chama seu antecessor no Planalto de “egocêntrico e vingativo”.

A questão é o que teria feito Fernando Henrique mudar de ideia? O tempo?

O livro escrito por FHC narra os bastidores do governo do país na época em que o autor estava à frente da presidência da República. Quando vai falar sobre o Plano Real, FHC lembra de sua relação com Itamar Franco, e dispara contra o antecessor, se contradizendo do que havia falado na época em que Itamar faleceu.

“Itamar é o irresponsável de sempre. Todo mundo sabe que para fazer o Real foi uma dificuldade imensa. Sei que nem o Plano Real ele leu, ele disse isso a mim na frente do José de Castro, quanto mais leu o orçamento alguma vez na vida. Eu sempre disfarço isso, mas fui a ama-seca dele quando ele era presidente da República. Impedi mil crises, inclusive com os militares”, discorre o ex-presidente em trecho do livro.

No livro, Fernando Henrique também citou o ex-ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, dizendo que este era o principal empecilho para a aprovação do Plano Real.

O ex-ministro, hoje advogado no Rio de Janeiro rebateu a acusação de FHC, negando ter sido influência negativa para Itamar durante o Plano Real, e lembrou que o governo possuía outras prioridades quando o Itamar assumiu, chegando a classificar a situação das contas públicas herdadas por Franco como “calamitosa”.

“Eu era ministro da Justiça. Se fosse contra, teria saído do governo. A situação do Estado era calamitosa quando Itamar assumiu, estávamos em risco de não poder bancar despesas essenciais, como segurança pública e hospitais”, disse o ex-ministro da Justiça.

Dupeyrat também disse que Itamar era receoso em relação à postura de Fernando Henrique, pois, segundo o mesmo, FHC teria mudado após a oficialização de sua candidatura à presidência.

“O que estranho é que, depois que a candidatura do Fernando se consolidou, ele mudou em relação ao Itamar. Nessa época eu frequentava o gabinete quase todo dia e sentia que o Itamar tinha certo amargor com essa mudança de postura”, encerrou o advogado.

As acusações e o tom com o qual FHC trata seu antecessor, Itamar Franco, não condizem com a postura adotada pelo mesmo quando Itamar faleceu, em 2011. Durante o sepultamento do ex-presidente, Fernando Henrique não poupou elogios e disse que Itamar foi fundamental para a existência do Plano Real.

“Tivemos uma relação cordial no Senado. Sem o apoio dele, não teria feito o Plano Real. O Brasil perdeu uma grande pessoa. Ele tinha um comportamento ético irretocável. Ele era ameno no trato, mas com suas peculiaridades. No conjunto, foi essencial. Assumiu a Presidência com dignidade. Ele me apoiou até o fim, devo muito a ele e o Brasil deve também. Ele era um homem digno, simples, e não aceitava corrupção”, comentou Fernando Henrique na época da morte de Itamar.

Contra Cunha só o clamor popular

Pega ladrão, pega ladrão. Eduardo Cunha se defendeu: “Encontrar petista é sempre um problema”, declarou. “São as mesmas pessoas, é a mesma mulher.

 
Infelizmente o protesto contra Cunha não foi organizado por nenhuma força política, estudantil e social. Entretanto só quem está protegendo Cunha é a mídia, Lava Jato, MPF, PGR e STF.
Não são somente os petistas , a  ampla maioria da sociedade quer Cunha na cadeia.
O protesto, no aeroporto Santos Dumont, é um grito de alerta contra nossas instituições, principalmente a Lava Jato, que não vaza, não processa e nem prende nenhum tucano, apesar das inúmeras delações.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Aécio Neves já foi cinco vezes delatado e  nada acontece contra ele! Sete ministros do governo golpistas estão envolvidos em corrupção, na Lava Jato, inclusive o presidente Michel Temer , mas ninguém vai preso! Nem sequer investigados!
Como também não  investiga o filho de FHC, delatado pelo ex-diretor da Petrobrás, preso, Nestor Cerveró .
E nem o governo de FHC, mesmo Fernando Henrique Cardoso confessando, em seu livro, Diários da Presidência, que havia corrupção, em seu governo, na Petrobrás.
Não somente o Cunha precisa ser hostilizado, mas todos aqueles que votaram a favor da PEC 241, como da lei que entrega nosso petróleo.
E também o juiz e o procurador que não prendem o Cunha, chamado de ladrão pela sociedade, porém denunciam e querem prender o ex-presidente Lula, sem provas mas com convicção, somente para tirá-lo do páreo em 2018.
Não queremos agressões físicas, mas palavras de ordem, como a do aeroporto contra Cunha.
*Emanuel Cancella que é da coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Bresser Pereira: PEC 241, carga tributária e luta de classes inversa

Há várias maneiras de definir o neoliberalismo, mas talvez a maneira mais simples é dizer que é a ideologia da luta de classes ao inverso.

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No passado o comunismo foi a ideologia equivocada dos trabalhadores ou dos pobres contra os ricos; desde os anos 1980, no mundo, e desde os anos 1990, no Brasil, o neoliberalismo é a ideologia da luta dos ricos contra os pobres.
Por Bresser Pereira

Não de todos os ricos, porque entre eles há empresários produtivos, ao invés de meros rentistas e donos de empresas monopolistas, que ainda estão comprometidos com a nação – a associação de empresários produtivos e trabalhadores de cada país na competição com os demais países. Mas dos ricos rentistas que perderam qualquer compromisso com a ideia de nação e se sentem parte das “elites globais”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A luta de classes neoliberal tem um objetivo geral: reduzir os salários diretos e indiretos dos trabalhadores. Os salários diretos através das reformas trabalhistas; os salários indiretos através da redução do tamanho do Estado ou a desmontagem do Estado Social através de reformas como a proposta a emenda constitucional PEC 241, que congela o gasto público exceto juros.

O objetivo dessa emenda não é o ajuste fiscal, que é necessário, mas a redução do tamanho do Estado, que nada tem de necessária. Ao contrário do que afirmam os economistas liberais, a carga tributária brasileira não tem crescido e não há uma crise fiscal estrutural: apenas uma crise fiscal conjuntural. Desde 2006 a carga tributária gira em torno de 33% do PIB. Seu grande crescimento ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso: ela cresceu de 26,1% em 1996 para 32,2% em 2002.

Carga Tributária do Brasil
Ano           % do PIB
1996           26,14%
2002           32,20%
2006           33,31%
2008           33,53%
2010           32,44%
2012           32,70%
2014           32,42%
2015           32,66%
Fonte: Receita Federal (2015): “Carga Tributária no Brasil 2015” / Ministério do Planejamento (2015): “Evolução Recente da Carga Tributária Federal”.

Um capítulo impressionante dessa luta de classes de cima para baixo está hoje sendo travado no Brasil através da PEC 241, que visa a desmontagem do Estado Social brasileiro – ou seja, reduzir em termos per capita seus gastos com educação e saúde. Com o aumento da população e do PIB os recursos para esses dois fins necessariamente se reduzirão em termos percentuais do PIB e em termos per capita.

Hoje, um grande número de entidades de classe patronais postaram nos grandes jornais um manifesto a favor da PEC. Paradoxalmente, entre elas estão muitas entidades representando os empresários industriais, embora, entre 1990 e 2010, as empresas industriais tenham sido as maiores prejudicadas pela política econômica liberal-conservadora adotada nos governos FHC e Lula-Meirelles.

E também pela política desenvolvimentista populista de Dilma (2011-14). Entendo a insatisfação dos empresários industriais – uma espécie em extinção no Brasil – com o governo Dilma, mas para mim sua incapacidade de criticar o rentismo e a financeirização globalista, que tomaram conta do governo Temer, é um sinal de sua profunda alienação em relação a seus interesses e aos interesses nacionais

PF investiga corrupção em compra de termelétricas durante governo Fernando Henrique Cardoso

cerverobrasilcorrupcaoblog-do-mesquitaDe acordo com Polícia Federal, esquema envolve as empresas Alstom/GE e NRG

A Polícia Federal abriu uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção na compra de termelétricas pela Petrobras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre os anos de 1999 e 2001.

O documento que consta a abertura do inquérito foi publicado no dia 23 de setembro pela PF no sistema da Justiça Federal do Paraná.

O inquérito policial faz parte da Operação Lava Jato, envolve as empresas Alstom/GE e NRG e tem como base declarações do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, de acordo com a declaração do delegado Roberto Biasoli.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Cerveró cumpre pena em regime domiciliar desde junho. Em seu depoimento de delação premiada, ele afirmou que recebeu propina não apenas na compra das máquinas, mas também R$ 200 mil da empreiteira Camargo Corrêa, direto das mãos do lobista Afonso Pinto Guimarães.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, o valor foi pago em parcelas mensais de R$ 15 mil entre 1999 e 2000, durante o governo de FHC. O delator também afirmou que a empreiteira foi responsável pela obra da termelétrica de Nova Piratininga, em São Paulo.

Cerveró disse ter recebido R$ 300 mil dólares da NRG, pela construção da termelétrica TermoRio, que afirmou que o valor foi depositado na conta da Suíça da qual ele é proprietário, administrada por Peter Schmid. Segundo ele, o valor teria sido depositado na conta de uma vez só, em 2000 ou 2001.

Ao jornal argentino ‘Clarín’, FHC diz que Temer não se impôs como líder nacional

De passagem por Buenos Aires para um encontro privado com o presidente argentino Mauricio Macri, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista publicada neste domingo (25) pelo jornal El Clarín, que Michel Temer, no comando do país, ainda não se impôs como um líder nacional e que seu governo precisará reverter a falta de popularidade no curto tempo que resta."PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos"

“(O governo Temer) não é um governo que tenha um ponto de partida popular forte, mas sim um ponto de partida do Congresso forte porque seu poder deriva da vontade dele (do Legislativo). Então, ele terá que preencher um certo vazio de popularidade e, mas que isso, de liderança. Dilma perdeu a liderança e Temer ainda não se impôs como líder nacional. Ele terá que fazê-lo, o tempo é curto e os desafios são enormes”, analisou FHC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”

Questionado pelo jornal se Temer terá a liderança necessária para comandar o país até o final de 2018, o ex-presidente tucano disse que a questão não tem relação propriamente com a popularidade, mas com o compromisso com a História.

“Ele deve falar com o país. O assunto para ele é a história, não é a popularidade. É fazer o que se requer e ter coragem para enfrentar uma situação difícil e persistir. Veja, eu fui ministro da Fazenda sendo sociólogo, e era um desconhecido, mas obtive êxito. Tudo depende das circunstâncias, que também transformam as pessoas”, afirmou.

O Clarín quis saber se Fernando Henrique acredita que Temer terá força para levar adiante algumas reformas, como a da Previdência e a trabalhista, “reformas antipáticas”, como ressaltou o jornal. Segundo FHC, governos de esquerda em todo o mundo tendem a enxergar a condição de desequilíbrio fiscal em seus respectivos países como “progressista”, mas argumentou que a questão da previdência produz desigualdades sociais entre o setor público e o privado que devem ser atacadas por Temer.

“Há uma fixação, não somente no Brasil, com a ideia de que o desequilíbrio fiscal é progressista, de esquerda, enquanto o controle fiscal é de direita. É um erro, nem de esquerda nem de direita, é um erro que deve ser corrigido. Na luta política alguns dirão que se diluíram gastos em educação e saúde. Não necessariamente. Mas dirão para conquistar a opinião pública. Enfoque o tema da previdência: os aposentados do setor privado são 25 ou 26 milhões e o orçamento é de R$ 140 milhões. No setor público são 1 milhão e há R$ 90 milhões de reais. Quer dizer: 90 mil para um milhão e 140 mil para 26 milhões. É uma grande desigualdade. Se o governo ataca essa desigualdade, as pessoas podem aceitar melhor essa mudança”, defendeu FHC.

Indagado sobre o fato de o PMDB ter ocupado a Vice-Presidência da República e depois ter rompido com o próprio governo de Dilma Rousseff, Fernando Henrique justificou a ruptura: “O PMDB também esteve comigo, com o Lula e com Sarney”.

“A verdade é que Temer se distanciou da orientação de Dilma a partir de um certo momento. O PT, certamente, havia logrado uma espécie de hegemonia sobre o conjunto de partidos. Desde a Constituinte de 1988 o sistema político brasileiro contempla dois partidos com certa capacidade de liderança, o PT e o PSDB, e outro que estabiliza, que é o PMDB. Quando esses partidos obtêm apoio da opinião pública e a situação vai bem, como foi com o boom das commodities que beneficiou Lula, então a coisa funciona. E quando não, se perde o rumo. Foi o que aconteceu. O PMDB se deu conta que o PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”.
JB

Economia – Dívida Externa; A dívida impagável e censurada

Dívida externa. Do Prudente (de Moraes) ao imprudente (FHC). Chegando ao censurado (Meirelles). E a impossibilidade de pagar.

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 Em 120 anos de 1896 a 2016, passou de divida externa para divida publica. Mudou também de irrelevante, para degradante, aviltante, humilhante. E responsável por todas as crises brasileiras, sem que os governantes e adjacentes, percebessem. Agora dá para perceber, mas com uma conclusão lancinante: não ha possibilidade de pagar. Ou melhor: amortizar os juros, fazendo crescer assustadoramente a divida propriamente dita.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os “emprestadores” de dinheiro,como se dizia antigamente, investem muito pouco, no inicio. Mas rapidamente recuperam o investimento, passam a emprestar e reimprestar os juros. Vão acumulando lucros, que reinvestem, naturalmente garantindo parte substancial para compra de imóveis e obras de arte, por prazer e exibicionismo. O volume de dinheiro é tão grande, que sempre existe margem de negociação sem execução.

Prudente assumiu em 1894, com uma divida que parecia irrisória, mas fora agigantada pelos gastos da espantosa, estranha e extravagante Guerra do Paraguai. E pela inflação dos últimos 20 anos, insuflada pelos gastos nababescos, que palavra, da Monarquia. Rui Barbosa, o primeiro Ministro da Fazenda da Republica, sempre se queixava.

Em 1896, um dos Rotschilds, pediu audiência a Prudente, para falar sobre a divida. Mas foi tão imprudente e inábil, que em 10 minutos, Prudente tocou a campainha, apareceu um continuo, recebeu a ordem: “Acompanhe o senhor Rotschild até á porta, ele está de saída”.

O sucessor foi Campos Salles, inteiramente diferente. Aceitou convite do mesmo Rotschild, foi a Londres. Andou de carro aberto pela Old Bond Street. (O centro financeiro da capital). Renegociou a divida de forma vergonhosa. Essas renegociações foram aumentando durante toda a “republica velha”, a ditadura do Partido Republicano, 1889 a 1930. Sucedida pelo golpe que tentaram transformar em Revolução. Que redundou na ditadura Vargas, até 1945.

De 1937 a 1945, a dívida não cresceu por causa da pré-guerra e da guerra propriamente dita. Com o mundo inteiro voltado para a fabricação de armamentos, o Brasil se transformou num grande vendedor.

Não recebia, acumulava saldos, “para serem liquidados depois”. Dutra assumiu com um saldo formidável, que esbanjou desastradamente. Os americanos, mestres em vender matéria plástica como se fosse ouro, e comprar ouro pagando como se fosse matéria plástica, devoraram tudo.

10 anos depois, em 1955, Juscelino se elegeu, assumiu com uma divida já acumulada. No ultimo ano do governo inicio de 1960, chamou Roberto Campos, presidente do BNDE (não tinha o S de social, hoje tem o S mas sem se preocupar com o social) pediu para ele “consolidar” a divida.

Estava em 180 milhões de dólares, foi “consolidada” em 200 milhões. Daí foi crescendo desmesuradamente, por causa dos juros e a falta de pagamento. Ou amortização. Mas atingiu o apogeu nos governos FHC, “o retrocesso de 80 anos em 8”. (Como chamei, com ele no poder).

Foi inacreditável, incompreensível, inaceitável, mas o país aceitou. Os juros chegaram a 40 por cento ao ano. O que significa o seguinte: uma divida de 1 bilhão, em 1 ano passa a 1 bilhão e 400 milhões. No ano seguinte vai para o limite de quase 2 bilhões. E assim incontrolavelmente; (Os juros são verdadeiros, o total de 1 bilhão, singelo e simbólico, apenas para o calculo.

FHC foi tentando reduzir os juros, mas entregou a Lula com 25 por cento ao ano. Juro calamitoso para uma divida estratosférico).
Lula criou o que se chamou de “superávit primário”. Chegou a amortizar 90 bilhões no primeiro ano, depois não deu mais No entanto, reduziu os juros de 25 para 11 por cento.

Dona Dilma trouxe para 7 por cento. Mas não demorou a devastação, os juros foram crescendo, até os inimagináveis 14,25 de hoje. “Justificados” pela alta da inflação, que continuou subindo, até ultrapassar os dois dígitos. E a divida publica, chegou ao limite de hoje: 2 TRILHÕES e 900 BILHÕES.

A media dos juros é de 10 por cento ao ano, uma combinação entre a Selic, o contratado e o cobrado. Daria então 290 bilhões, rigorosamente IMPAGAVEL. Só que no vernáculo, essa palavra tem duas leituras. È o que não pode ser pago. Ou o que provoca enorme gargalhada. Que não é o caso da divida brasileira.

No primeiro dia depois de ser convidado para Ministro da Fazenda, Meirelles, por conhecimento e relacionamento, falou sobre a tragédia da divida publica. Assustado quando soube do total, de dentro para fora, comentou sobre a forma de equacionar a divida. Ha muito tempo não se falava nisso.

Imediatamente foi chamado por Temer. Que naquele estilo entre o dúbio e o melifluo comentou: “Gostaria que você não falasse mais nessa questão da divida”. Lógico, Meirelles atendeu, não quer surrupiar suas imagináveis chances presidenciais, seja quando for. Pode ou deveria ser dentro de 60 dias, se o TSE, assumir ou compreender sua enorme responsabilidade. Ou esperar que um notável documentarista como Silvio Tendler, faça um documentário, que teria o titulo obrigatório: “A divida impagável e censurada”.
Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa