Volta pós-impeachment: Lugo é favorito para vencer eleição no Paraguai em 2018

Quatro anos após ser derrubado em um impeachment relâmpago, o ex-presidente Fernando Lugo deseja voltar ao comando do Paraguai em 2018.

Ex-presidente Fernando LugoApós sofrer impeachment, Fernando Lugo pode voltar à presidência paraguaia em 2018

Bastante popular, o ex-bispo desponta como favorito para vencer as eleições de 2018 em seu país, mostram pesquisas de opinião – cenário que hoje parece impossível para a presidente cassada Dilma Rousseff no Brasil.

O ex-bispo, atualmente senador, tem percorrido o país realizando “encontros ciudadanos” (reuniões cidadãs), em clara pré-campanha. Sua candidatura, porém, ainda dependerá de uma autorização da Justiça paraguaia, já que há controvérsia sobre a possibilidade de um ex-presidente concorrer novamente (veja abaixo).

Em entrevista à BBC Brasil, Lugo confirmou a intenção de se candidatar e disse que “hoje não há dúvida” de que seu julgamento “foi um “equívoco”. Embora seu processo e o de Dilma tenham tido durações bem diferentes, ele considera que em ambos os casos não se levou em conta os agumentos de defesa.

“A política não é racional. Não valem os argumentos. Tudo que nós fizemos como argumentação, resposta e defesa, não vale. O que dizem 23 (senadores – votos necessários para aprovar o impeachment no Paraguai) se faz. Acredito que algo similar ocorreu com Dilma. Na América Latina, a irracionalidade sobressai”, afirmou.

Sua candidatura é defendida pela Frente Guasú – uma aliança de partidos de esquerda – e por movimentos sociais, campesinos e estudantis. Eles apostam na mobilização popular para vencer a disputa jurídica. Alguns dizem que um eventual impedimento da candidatura pode desencadear conflitos no país.

Para Lugo, o apoio que tem hoje é “sentimental, não racional”.

“Em junho de 2012, quiseram enterrar um modelo (político) e uma pessoa. Hoje, porém, há um grande reconhecimento, afeto e carinho da população sobre o que foi o governo de 2008 a 2012”, continuou o ex-presidente.

A popularidade do senador é realçada pela baixa aprovação do atual governo de Horacio Cartes, rico empresário eleito pelo tradicional Partido Colorado que também almeja mais cinco anos como presidente.

Embora a economia paraguaia siga crescendo, descolada da crise dos vizinhos, continua alta a desigualdade social. A pobreza, pior no interior, salta aos olhos também em Assunção – as ruas são em sua maioria esburacadas, sujas, e apenas a duas quadras do palácio presidencial há uma favela, la Chacarita.

“Estamos convocando uma grande assembleia para poder desenhar um país que seja de todos e de todas e não de grupos privilegiados que excluem, como foi feito historicamente e como se está fazendo nesse momento”, crítica Lugo.

Em seu modesto gabinete, ele fala rodeado por uma Bíblia, um mapa do Paraguai, e um quadro de José Gaspar Francia, líder da independência que governou ditatorialmente de 1814 a 1840.

Questionado sobre a possibilidade de voltar a governar num momento de fortalecimento da direita em países como Brasil e Argentina, Lugo desconversa.

“Lula vai voltar (em 2018). Cristina (Kirchner, ex-presidente argentina) vai voltar. É jovencita”.

“Aprendi muito”

A eleição de Lugo em 2008 rompeu com seis décadas de hegemonia do Partido Colorado, que comandava o país desde 1947.

Eleito com o apoio de outra força política tradicional, o Partido Liberal, acabou perdendo os aliados, em meio a discordâncias sobre os rumos do governo.

Após as mortes de 16 pessoas, entre camponeses e policiais, durante ação de despejo de trabalhadores sem terra de uma propriedade no interior do país, Lugo foi responsabilizado pelo conflito e cassado pelo Congresso, em um processo que durou menos de 48 horas.

A duração bem maior do julgamento de Dilma Rousseff, que levou meses e resultou na cassação definitiva no final de agosto, é constantemente citada pelos apoiadores de Lugo para reforçar a suposta ilegalidade de sua destituição. Para esses aliados, o chamado “massacre de Curuguaty” foi armado para viabilizar um “golpe parlamentar”.

Assim como no caso de Dilma, a falta de habilidade política do ex-bispo também é apontada como um dos motivos de sua queda.

“Ele se comunicava muito bem com as pessoas comuns, mas não sentava para negociar com políticos. Sempre criticava a classe política, como se fosse um sacerdote falando em um púlpito de igreja”, observa Fernando Masi, sociólogo do Cadep (Centro de Análisis y Difusión de la Economía Paraguaya).

À BBC Brasil, Lugo disse ter “aprendido muito” com o impeachment, e que agora trabalha em uma aliança para “garantir um governo mais duradouro”.

Lugo x Cartes

A alta popularidade de Lugo contrasta com a alta rejeição do atual presidente.

Pesquisa divulgada em agosto pelo jornal paraguaio “Ultima Hora” sobre a eleição de de abril de 2018 mostrava o ex-bispo disparado na frente dos demais potenciais concorrentes, com 40% de intenções de voto em Assunção e 50% nas outras principais cidades do país. Já Cartes tinha menos de 10%. No Paraguai, a disputa se encerra em apenas um turno.

Outro levantamento recente mostrou que mais de 70% dos entrevistados avaliam o governo atual como ruim ou péssimo.

Para a senadora do Partido Colorado Blanca Ovelar, o próprio processo de impeachment fortalece o ex-bispo.

“Lugo mostrou sua humildade, aceitou sua destituição, se retirou do palácio com sandálias. Fica a ideia de um presidente vitimizado pelo julgamento político”, acredita.

Ovelar, que foi a candidata colorada contra Lugo em 2008, apoiou a eleição de Cartes em 2013, mas hoje faz parte da dissidência a ele dentro do partido.

Na sua opinião, embora Cartes discurse pela redução da pobreza, não faz o suficiente na prática. Um dos limitadores para a expansão dos gastos sociais é a baixa carga tributária do país, de menos de 13% do PIB. Apesar disso, o presidente se opõe a elevar impostos sobre a exportação de soja, setor quase isento atualmente (Paraguai é o quarto maior exportador mundial).

“No imaginário coletivo, se instalou que Lugo se importa com os pobres e que Horacio (Cartes) não. Isso está instalado”, resume Ovelar.

Dados do Ministério da Fazenda paraguaio mostram que os gastos sociais do país saltaram no governo Lugo, de 7,7% do PIB em 2008 para 11,7% em 2012, e recuaram em seguida (11,2% em 2014, dado mais recente). Segue sendo uma das taxas mais baixas da América do Sul.

O ex-bispo, que se beneficiou da alta da arrecadação em um momento de valorização das commodities exportadas, ampliou significativamente transferências de renda do Tekoporã (Bolsa Família do Paraguai) e despesas com saúde.

Ex-presidente Fernando LugoPara Fernando Lugo, tanto em seu caso quanto no de Dilma, não foram levados em conta os agumentos de defesa

Aliado de Cartes, o senador do Partido Colorado Victor Bogado minimiza o valor das consultas de opinião, lembrando o recente resultado do plebiscito sobre o acordo de Paz na Colômbia, que contrariou as pesquisas. Ele diz que o governo é marcado pela transparência e obras de infraestrutua.

O sociólogo Fernando Masi reconhece avanços nessas áreas, mas diz que estão aquém do que diz o “marketing político”, gerando insatisfação na população.

Outra crítica comum ao atual presidente é de que usaria seu dinheiro para comprar apoio político e que governaria de forma autoritária. Apesar de comandar o país, mantém ativos os negócios, tendo adquirido nos últimos anos meios de comunicação e empresas de outros setores, como hotéis.

“Assim como Lugo, Cartes não tem bom diálogo com os políticos. A diferença é que também não tem carisma. Ele não conversa com os ministros, mas ordena como um patrão”, nota Masi.

A BBC Brasil procurou a assessoria do governo Cartes para que pudesse responder às críticas, mas não obteve retorno.

“Naturalmente, quando você é uma liderança política forte, gera também uma oposição forte. O dinheiro é importante, mas não é determinante na política”, rebateu o aliado Bogado.

Reeleição é possível?

A Constituição paraguaia prevê que o presidente e seu vice “não poderão ser reeleitos em nenhum caso”.

A interpretação que tem predominado é que a proibição atinge ex-presidentes. Aliados de Lugo argumentam que a leitura literal do artigo não fala em ex-mandatários.

O plano é inscrever sua candidatura e depois enfrentar na Justiça Eleitoral e na Corte Suprema os questionamentos de opositores.

O senador Carlos Filizzola, da Frente Guasú, diz que, quando Lugo foi deposto, optou por não resistir, temendo conflitos. Ele acredita que agora a situação pode ser outra se a candidatura for impedida.

“Vai ser muito difícil barrar uma candidatura que está crescendo. Creio que dessa vez, com o apoio que tem, as pessoas vão sair às ruas para protestar. Pode haver um conflito grave”, disse à BBC Brasil.

Horacio Cartes também quer se candidatar e vem tentando convencer o Congresso a alterar a Constituição, permitindo a reeleição. Lugo, porém, tem se oposto à proposta, argumentando que a mudança só poderia ser feita com a convocação de uma Assembleia Constituinte pelo próximo presidente, em 2019.

“Tenho certeza absoluta, Lugo não será candidato se não tiver a emenda (constitucional). Ele não poderá nem inscrever a candidatura”, diz Bogado.

Questionado se acredita ser possível que o ex-bispo seja autorizado a concorrer, o sociólogo Fernando Masi ri e responde: “Tudo é possível no Paraguai”.

Ele ressaltou, no entanto, que o Judiciário do país está sujeito a muitas pressões: “A Justiça não é independente no Paraguai. Está muito ao arbítrio do que dizem os políticos mais fortes e os poderes econômicos”.

À BBC Brasil, Lugo disse que respeitará a decisão da Justiça.

Tópicos do dia – 27/06/2012

11:20:46
Paraguay, Brasil, Cuba e o princípio da não interveção em assuntos internos de outros países.

Brasil: da série “perguntar não ofende”!
1. Quando é instado sobre ‘distrupiços’ nos governos de Cuba, Venezuela, Equador, Irã e Bolívia, o governo brasileiro, na era petista, argumenta, muito acertamente, o princípio da não interferência nos assuntos internos daqueles países.
2. Por que então, no caso do golepe parlamentar que derrubou o presidente do Paraguai, o reprodutor Lugo, o Estado Brasileiro não só interferiu, deu opinião, palpites, articulou boicotes e demais manobras anti-diplomáticas, mandado aos pantanos da Laguna – lembrar a retirada da Laguna, aqui é pertinente – o princípio da não intervenção?

11:25:24
Sorvete chamado de Viagra faz sucesso na praia de Canoa Quebrada no Ceará.

A receita, do, digamos, gelado erótico, mas que promete manter o fogo acesso, leva, sem trocadilhos, por favor, mel de rapadura, giseng, catuaba, açaí, e outras misturas secretas.
Como perguntar não ofende, será que amolece ao sol?

11:33:59
Cachoeira administra crise conjugal de dentro do presídio da Papuda.

A privação da liberdade e as investigações da CPI não são os únicos problemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. Dentro do presídio da Papuda, onde está preso, o contraventor tem que administrar uma crise familiar.

Sua atual mulher, Andressa Mendoça, tem reclamado de Cachoeira sobre as frequentes visitas feitas pela ex-mulher Andréa Aprígio de Souza. Além de ser sócia de uma empresa farmacêutica ligada ao bicheiro, Andréa tem carteira da OAB e pode visitar o ex-marido na condição de advogada. Ela já esteve na Papuda pelo menos seis vezes.

Segundo interlocutores da família Cachoeira, Andressa reclamou diretamente com o bicheiro por causa da presença constante de Andréa no presídio. Isso porque desde que ele chegou à Papuda, Andréa tem tido mais acesso à Cachoeira do que a própria Andressa. Ela só pode entrar no presídio em dia permitido para visita dos familiares.
blog do Camarotti/G1

11:42:50
Ministros do STF avaliam impedimento de Toffoli no mensalão

De forma reservada, alguns ministros do próprio Supremo Tribunal Federal já avaliam que o ministro José Antônio Dias Toffoli deveria tomar a iniciativa e se declarar impedido de participar do julgamento do mensalão.
Principalmente, porque ele foi assessor direto do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto.

Toffoli tem afirmado que não decidirá agora se vai ou não se declarar impedido. Mas, segundo avaliação de um ministro do STF ao Blog, ele teria dado uma sinalização de que analisa a possibilidade de impedimento ao não participar da reunião administrativa no início do mês que marcou para o dia 1º de agosto o início do julgamento do mensalão. Só Toffoli e Ricardo Lewandowski não participaram dessa reunião.

Nos bastidores, já há pressão de procuradores da República para que o procurador-geral, Roberto Gurgel,peça o impedimento do ministro Dias Toffoli no julgamento do mensalão. Para esse ministro, isso causaria um desconforto para o STF.

18:48:28
CPI do Cachoeira: jornalista admite ter recebido dinheiro de caixa dois de Perillo.

O jornalista Luiz Carlos Bordoni admitiu há pouco, em depoimento prestado à CPI do Cachoeira, que recebeu dinheiro de caixa dois durante a campanha do governador Marcoini Perillo (PSDB-GO), em 2010. Segundo ele, parte do valor foi pago pessoalmente por Perillo. O jornalista mostrou um documento da Artmidia onde revela que não foi contratado pela empresa para a campanha do tucano.

“Se os senhores identificarem em qual lugar desse papel está escrito o meu nome eu engulo essa folha”, desafiou. A declaração vai de encontro com a de Perillo, que afirmou que o pagamento do jornalista foi feito por meio da empresa. “Acertei pessoalmente com ele, contrato verbal entre amigos”, explicou Bordoni. “O que existiu, de fato, foi um pagamento de caixa dois […] esperava ter sido pago com dinheiro limpo, não com dinheiro da contravenção, de caixa dois”, completou. Pelo depoimento do jornalista, foram pagos a ele R$ 120 mil mais R$ 40 mil de bônus pela vitória de Perillo na eleição.


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Fernando Veríssimo: 2009 ‘tchau’

O pai do ano foi o presidente do Paraguai e ex-bispo Fernando Lugo, que reconheceu a paternidade de todos os filhos que disseram que eram seus, inclusive alguns mais velhos do que ele.

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As voltas do ano: Ronaldo ao Corintians, Adriano ao Flamengo e Collor ao noticiário.

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Madonna esteve no Brasil e namorou um Jesus. A relação, imagina-se, foi ainda mais ardente pela sugestão de incesto.

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Entreouvido na Itália:

– Atiraram o Duomo de Milão no Berlusconi.

– Oba!

– Era uma miniatura.

– Ah…

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Moda do ano: meias elásticas “Dem”, para carregar propina.

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Cineasta do ano: Durval Barbosa.

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Mãe do ano: o governo americano, que deu bilhões para grandes bancos americanos não quebrarem, com a recomendação de não gastarem tudo em gratificações de fim de ano.

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Mão do ano: a do Henry Thierry.

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Ivete Sangalo engravidou. Fernando Lugo apressou-se a declarar que não esteve nem perto da cantora.

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Barack Obama tomou posse como o primeiro presidente quenio-havaio-americano dos Estados Unidos, e provavelmente o último.

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Barack Obama recebeu o premio Nobel da paz numa cerimonia em Oslo. Não é verdade que tenha sido revistado na entrada porque podia estar armado.

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O campeão de golf Tiger Woods revelou-se um sexólatra compulsivo. Pior serão as piadas sobre tacos e buracos que vem aí.

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Buuuu do ano: para os alunos que hostilizaram a menina Geisy numa universidade paulista só porque estava com um vestido curto, para os torcedores do Grêmio que hostilizaram jogadores do seu time por terem se esforçado contra o Flamengo, para o Piquet que simulou um acidente a pedido no Grand Prix de Cingapura, para o Ahmadinejad e para a gripe suina.

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Fernando Lugo, explicando seus filhos, disse que tudo se deve à restrição da sua igreja ao uso da camisinha.


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Lula, Lugo e Itaipú

Ouço aqui na CBN que o Lula, o apedeuta do agreste, assinou um pacote de bondades para o Paraguai em relação à energia de Itaipú.

Os Tupiniquins iremos fornecer bolsa família para a longa, bota longa nisso, prole do bispo papa-Lugo?

Bispo brasileiro troca a Teologia da Libertação pela Teologia da Inseminação e apóia Lugo, o fornicador de batina

Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás, é presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra). A CPT segue os ensinamentos da Escatologia da Libertação e é parceira do MST em alguns de seus crimes – além de apoiar todos os outros. A versão rural da Escatologia da Libertação é o que já batizei aqui de “Teologia Babuínica” – com todo respeito àqueles nossos parentes que têm a cara feia e o traseiro colorido.

Pois bem. Balduíno teve a coragem de enviar uma carta de solidariedade ao grande “pai” do Paraguai, o presidente rompedor Fernando Lugo. Assim, como a gente vê, Balduíno troca a Teologia da Libertação dos pobres pela Teologia da Inseminação (como disse um leitor) das “pobras”.

Acompanho política há um bom tempo. Lembro-me de poucos picaretas da estirpe deste tal Lugo. Ontem, como viram, distorceu o sentido de uma frase de Terêncio – “Sou homem: nada do que é humano me é estranho” – para tentar justificar as próprias imposturas. O dramaturgo e poeta latino nos deu um emblema de tolerância com as diferenças, não uma licença para a amoralidade. Mais: Lugo mergulhou fundo na canalhice: “pessoa humana imperfeita, resultado de processos históricos, perfil da minha cultura, assumirei com todas as responsabilidades as situações que me concernem”. Essa glossolalia quer dizer que o ex-bispo fornicador considera que todo o Paraguai – quiçá as “veias abertas” da América Latina… – é responsável por aquilo que ele faz com o seu bigolim, com a sua minhoquinha descuidada. Esse cara-de-pau, já coroa, já bispo, fez sexo com uma garota de 16 anos que ele havia crismado – ou que crismou depois… Não sei o que consegue ser pior.

A carta de Balduíno é pura pornografia moral. Elogia Lugo por ter reconhecido o filho (um deles…) e recomenda: “Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher”. Os bispos paraguaios pediram perdão à população do país pelos atos de Lugo – que, afinal de contas, era um deles. Balduíno trata assim a hierarquia católica: “receio que este pedido de perdão não se refira às omissões da Igreja com relação aos poderosos da política e ao sofrimento do povo durante os anos de tirania do governo paraguaio.” E, claro, culpa a “mídia” por tudo – sobra até para a “mídia brasileira”…

Os inimigos que estão fora de nossas fileiras inimigos são. Os que estão dentro são demônios. Balduíno se coloca como inimigo da Igreja e está dentro dela. Como se vê, as sandices do MST e da CPT no Brasil se explicam também pelas palavras de seu pastor. Essa gente corrói a Igreja por dentro. Segue a carta de Balduíno a Lugo, a quem ele abraça com “fraterna amizade” (cuidado com o estômago):

do blog do Reinaldo Azevedo

Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,

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Igreja pega leve com Fernando Lugo

Palpiteira e dogmática em todo e qualquer assunto — até dos que não entende, por não praticar, como o casamento — a igreja católica, qual um PSDB teológico, opta pela dissimulação quando é chamada a se manifestar a respeito do seu (dela) ex-bispo. Nada contra, mas até que entre em vigor algum novo decreto canônico o celibato é questão fechada na taba de Herr Ratzinger.

Os Tupiniquins, que não perdem a chance de uma gaiatice, já apelidam o país vizinho de Pairaguai.

O editor

Igreja pega leve com Lugo

Filhos fora do casamento, todos nós os temos, não é mesmo? É o tipo de “acidente de percurso” que pega até os mais cautelosos na curva e que não faz distinção entre pessoas de bom ou mau caráter. E, muitas vezes, pela graça de Deus, o rebento não planejado acaba se tornando uma bênção na vida dos pais.

Neste nosso canto de mundo, não damos muita bola para o que as pessoas fazem entre os lençóis. Arrisco dizer que, se Bill Clinton tivesse sido presidente do Brasil ou do Paraguai, seu maior problema em relação ao affair Monica Lewinsky teria sido renovar a fleuma ao abrir o jornal a cada café da manhã, a fim de digerir as piadas do Zé Simão.

Vejo em uma pesquisa informal realizada por um site de notícias que a maioria dos internautas tapuias que se dispuseram a responder não vê nada de mais no fato de o presidente do Paraguai, o ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo, 57, ser pai de um número até agora incerto de filhos bastardos.

Apenas 5,36% acham que ele deveria perder seus direitos políticos. A maioria, 34,18%, acredita que Lugo deve ser obrigado a pagar pensão e não se fala mais nisso. Bem, só faltaria o presidente, que está sendo chamado de “o pai do Paraguai”, não se ter conscientizado de que terá de fazer muita hora extra se quiser ver toda a prole na universidade.

Acontece que, além de presidente, Fernando Lugo é ex-clérigo. E que os filhos (aparentemente, existiriam até seis reivindicações conhecidas de paternidade até o momento) foram gerados quando ele ainda era representante da igreja.

Na quarta-feira, a terceira mulher veio a público para revelar que teve um filho com ele. A ex-coordenadora de uma pastoral paraguaia, Damiana Morán, 39, disse que um de seus meninos, de um ano, é fruto de “uma explosão de sentimento” perpetrada em sintonia com o ex-bispo. O nome do rebento? Juan Pablo, em homenagem ao papa João Paulo 2º.

Não é irônico que o bebê com o nome do santo padre tenha sido concebido no que a Igreja Católica define como pecado?

De minha parte, folgo em saber que um ex-bispo e uma mulher aparentemente mais devota do que a média são tão falíveis quanto o resto de nós, que, por mais que nos esforcemos, estamos sempre operando aquém das expectativas da igreja.

Essa mesma igreja que, na quarta-feira, por meio de dom Orani Tempesta, um dos porta-vozes da CNBB, emitiu a seguinte opinião sobre o caso: “Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se está sendo fiel àquilo com que se comprometeu”.

Êpa, ôpa! Sinto aí um certo corporativismo em defesa do ex-colega. Se entendi direito, o bispo que virou presidente pode errar e se arrepender e não caberá a ninguém julgá-lo. Mas, quando os africanos decidem ser fiéis à ideia de usar preservativos para se defenderem de doenças sexualmente transmissíveis, aí a danação do inferno cai sobre eles. Ou, quando a mãe de uma menina estuprada pelo padrasto decide que a filha deve abortar, ela corre o risco de ser excomungada. E, quando os gays… Bem, deixa para lá, não é preciso ser teólogo para entender que existe tratamento VIP para uns e cadeira na geral do inferno para os menos privilegiados.

blog da Barbara Gancia

Freio de arrumação na América Latina

Está o presidente Lula sendo aconselhado a aproveitar a reunião dos 34 presidentes e chefes de governo dos países da América Latina, em dezembro, em Salvador, para dar um freio de arrumação capaz de conter a agressividade de alguns de nossos “hermanos”. Não seria um ato hostil, muito pelo contrário. Outra vez o Brasil abriria os braços para o entendimento fraterno com nossos vizinhos próximos ou afastados, mas deixando claro estar o País preparado para usar as pernas, podendo dar rasteiras ou, mesmo, tiros-de-meta.

Seria um alerta, em especial para Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, Hugo Chávez, da Venezuela, e Fernando Lugo, do Paraguai. Porque, cada qual a seu modo, eles vêm espetando a onça com vara curta. Ou se acomodam ou terão muito mais a perder do que a ganhar.

A linguagem diplomática rejeita mensagens assim tão claras, mas como Lula só freqüenta o Itamaraty em dias de banquete, provavelmente será encontrado um meio termo. Isso no caso de o presidente aceitar conselhos oriundos de seus auxiliares palacianos mais próximos, com ênfase para Marco Aurélio Garcia e Dilma Rousseff.

Não se trata de ameaçar, mas de restabelecer laços com menos pirotecnia no comportamento e nas relações daqueles países com o Brasil. Afinal, não é culpa nossa se os portugueses nos legaram território tão vasto e rico enquanto os espanhóis acompanharam o esquartejador, indo por partes.

A reunião na capital baiana cuidará de temas específicos, como livre comércio, cooperação tecnológica, unidades políticas e similares, claro que em etapas ainda distantes de resultados concretos. Poderá servir para aproximar as nações situadas abaixo do rio Grande.

Apesar de Barack Obama ainda não ter assumido quando da conferência entre os diversos representantes, é provável que o novo presidente americano venha a dedicar quinze minutos de sua atenção à realidade do continente. De forma ostensiva ou velada, observadores de Washington estarão presentes.

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Fernando Lugo. Posse, mostra nova face da América Latina?

“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Lord Acton¹

Um migrante nordestino, um índio que é a cara do seu povo, a filha de um político morto numa ditadura, um bispo dos pobres…
Sei não. Esta turma não chegaria ao poder se a elite colonizada não permitisse e se o grande irmão do norte não estivesse com intenções outras. Esse filme já passou.

De Eliane Cantanhêde:
Folha de São Paulo

Lula, Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Michelle Bachelet, Tabaré Vázquez e mesmo a ainda indefinida Cristina Kirchner, juntos, são a imagem e a certeza de que algo está mudando, aliás mudado, na América do Sul. E é justo incluir nessa onda de renovação Alvaro Uribe e Alan Garcia, apesar de desgarrados “direitistas” e refratários a reuniões, cúpulas e até à posse do mais novo integrante da turma, o ex-bispo católico Fernando Lugo, que jamais vestiu um terno e usa sandálias, para “seguir o caminho da humildade”, seja lá o que isso signifique…

Goste-se mais de um, menos de outro, a foto dessa gente é infinitamente melhor do que as do baú sul-americano: Alfredo Stroessner, Augusto Pinochet, Costa e Silva. E mesmo outras mais recentes: Carlos Menem, Alberto Fujimori.

Um migrante nordestino, um índio que é a cara do seu povo, a filha de um político morto numa ditadura, agora esse “bispo dos pobres” que sonha transformar o Paraguai num país mais desenvolvido, menos corrupto e mais justo. Muito se evoluiu dos Stroessner até agora, e o Brasil é um dos melhores exemplos, passando por processos, em vez de viver rupturas.

Certos vícios, porém, não mudaram tanto, basta ver as “surpresas” do PT no poder, comprovando a regra de que a política corrompe e deforma e de que, invariavelmente, as boas intenções sucumbem à prática política, ao “sistema”.

¹John Emerich Edward Dalberg
* Nápoles, Itália – 1834 d.C
+ Tegernsee, Alemanha – 1902 d.C
Lorde Acton, uma das maiores personalidades inglesas do século XIX. Liberal católico, Acton foi professor de história moderna em Cambridge. A frase “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” consta de correspondência que ele enviou ao bispo Mandell Creighton, em 1887.

>> Biografia de Lorde Acton