Snipers,Rio,Polícia,Favela,Crimes,Homicídios,Blog do Mesquita

Snipers são investigados por suspeita de ‘tiro ao alvo’ contra moradores de favela no Rio

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Ajudante de pedreiro tomou tiro que entrou pelas costas e saiu pela costela

“Parece até que a gente é formiga e eles lá em cima estão fazendo tiro ao alvo”, diz Vitor* (*nome fictício), de 22 anos, com um pano preto em volta da cabeça improvisando uma máscara ninja para proteger a identidade.

Ele levanta a camiseta para mostrar o curativo na sua costela*, marca do dia em que o ajudante de pedreiro “nasceu de novo”. Um tiro lhe entrou pelas costas e saiu pelas costelas, “pegando só carne” e sem atingir nenhum órgão vital, no dia 29 de janeiro – um dia depois de seu filho completar três meses de vida.

Vitor tinha ido comprar uma água de coco para o bebê, a pedido da esposa, e acabou estirado no chão em frente à vendinha de fruta, na comunidade de Manguinhos, na zona norte do Rio. Na hora não havia confronto nem operação policial, relata.

Ele acredita que o tiro tenha vindo do alto: da torre retangular branca que se avista no horizonte da Praça do Flamenguinho, na esquina da rua São Daniel, na parte de Manguinhos conhecida como Coreia.

Moradores da comunidade denunciam a atuação de snipers, ou atiradores de elite, a partir da torre – que fica dentro da Cidade da Polícia, o principal complexo da Polícia Civil, a cerca de 250 metros da praça.

Soldado armado próximo a crianças no RioDireito de imagem JÚLIA DIAS CARNEIRO/BBC NEWS BRASIL
Jovem tinha ido comprar água de coco quando foi atingido por tiro na favela de Manguinhos

Testemunhas disseram à Defensoria Pública que foi de lá que vieram os tiros que feriram Vitor – e que mataram cinco outros moradores de setembro para cá, na temida esquina da rua São Daniel. O último, Rômulo Oliveira da Silva, de 37 anos, foi morto duas horas depois que Vitor foi ferido, atingido por disparos ao passar de moto pelo mesmo local. Ele trabalhava como porteiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Ministério Público iniciou uma investigação no último dia 14 para apurar as denúncias. Na segunda-feira a Human Rights Watch cobrou uma investigação “independente e minuciosa” sobre as alegações de atuação de franco-atiradores, levantando dúvidas sobre a isenção de uma investigação que dependesse da Polícia Civil – e recomendando que o MPRJ recebesse apoio forense da Polícia Federal.

Torre vista da ruaDireito de imagem JÚLIA DIAS CARNEIRO/BBC NEWS BRASIL
Moradores dizem que snipers atiram de cima de torre contra moradores da favela

O delegado Marcelo Carregosa, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, ressalta que as investigações estão sendo conduzidas com transparência, acompanhadas pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública “justamente para evitar qualquer tipo de alegação de que estamos sendo parciais” ou “direcionando as investigações para um lado para o outro”.

Para o delegado, qualquer conclusão no momento é “achismo”. Ele ressalta que é preciso aguardar o resultado dos laudos produzidos a partir das duas perícias realizadas, tanto na torre quanto no local das mortes e ferimentos.

“Uma coisa já podemos dizer. Não existe seteira (orifício usado para sustentar canos de armas) na torre. Existe um buraco na parede que não dá visão para lá (o local dos ataques). Se há ângulo de algum local da torre para aquela localidade, isso quem vai afirmar é a perícia. Neste momento, afirmar que aconteceu ou não é achismo”, reitera.

Após os tiros que feriram Vitor e mataram Rômulo no dia 29 de janeiro, a Secretaria de Polícia Civil afirmou que “não autorizou nenhuma ação de snipers de dentro da Cidade da Polícia” e anunciou que a Delegacia de Homicídios abriu um inquérito para apurar o caso.

Clima de medo

Na segunda-feira, Vitor era o centro das atenções no exato local onde foi baleado em Manguinhos. Durante a perícia da Polícia Civil, percorreu diversas vezes os poucos passos da vendinha de frutas onde comprou água de coco, até o ponto onde caiu baleado.

Peritos fotografam área de crime no RioDireito de imagem JÚLIA DIAS CARNEIRO/BBC NEWS BRASIL
Peritos na rua São Daniel fotografando a torre branca ao fundo da comunidade

Posou pacientemente para fotos tiradas pelos peritos, em vários ângulos. Eles buscavam estabelecer uma relação entre o local onde ele foi ferido e a torre, e determinar se havia uma visada possível para que um tiro lá do alto pudesse encontrar o corpo magro do ajudante de pedreiro.

Mediram os buracos de tiros nas paredes amarelas ao lado de onde caiu. Piscaram uma lanterna insistentemente em direção à torre na Cidade da Polícia, enquanto falavam por telefone com outro perito que estava lá no alto, e cuja cabeça se avistava do local, destacando-se no alto da estrutura.

Esta foi a segunda perícia realizada pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), do MPRJ, para apurar as denúncias sobre snipers. Na semana passada, o grupo vistoriou a torre para averiguar se poderia ser usada como plataforma para um atirador de elite.

Desta vez, na visita à comunidade, a perícia foi acompanhada pela Defensoria Pública, que coletou testemunhos de moradores entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. O relatório, refletindo o pânico sentido pelos moradores, deu origem ao inquérito aberto pelo Ministério Público.

De acordo com a defensora Lívia Cásseres, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, as testemunhas repetiram a versão de que viram o sentido dos disparos, afirmando que vieram do alto, da direção da torre. A maioria, entretanto, não quis se identificar nem prestar depoimento formal. O único que topou foi Vitor, que ainda assim mantém a identidade oculta, e preferiu esconder o rosto da polícia e da imprensa durante a perícia.

Perigo na esquina

A Praça Flamenguinho estava vazia quando a perícia começou, com a chegada dos peritos escoltados por 17 policiais civis fortemente armados. Mas aos poucos grupos de moradores foram se aglomerando em volta para observar, a maioria de mulheres e crianças.

Policiais fazem segurança em favela no RioDireito de imagem JÚLIA DIAS CARNEIRO/BBC NEWS BRASIL
Em um espaço de apenas cinco dias em janeiro, dois moradores de Manguinhos foram mortos na esquina da Rua São Daniel em circunstâncias parecidas

A BBC News Brasil tentou saber a opinião de um grupo de meninos. “Eu sou cego, surdo e mudo, tia”, respondeu um deles, causando risos nos outros enquanto refletia o código de conduta, ou de sobrevivência, local.

A dona da vendinha onde Vitor comprara o coco antes de ser ferido tampouco quis falar. “Eu não vi nada não”, disse ela sobre o dia dos tiros em que tanto Vitor quanto Rômulo foram alvejados. Embora esteja ao lado da esquina que é tida como o alvo dos disparos, ela desconversa, e diz que as vendas do dia a dia continuam. “Quando tem tiro, eu corro para lá”, disse, indicando uma rota de escape.

A praça é um ponto de encontro na comunidade, com uma quadra de jogos, um chuveirão no qual as crianças se esbaldam nos dias quentes e lanchonetes e biroscas que abrem todas as noites e nos fins de semana.

Mas uma moradora diz que o lazer tem sido interrompido por episódios de disparos, que destoam de confrontos comuns em Manguinhos e em favelas dominadas por facções criminosas no Rio.

“Não tem troca de tiro, não está tendo operação, não está tendo nada. De repente vem um tiro só, e esse tiro é fatal”, diz. “Só que o Vitor agora é um sobrevivente para contar essa história.”

Apesar do medo de se expor, Vitor diz que quis falar, e participar da perícia, “para eles verem que o tiro está vindo de lá mesmo, está acertando os outros”.

“Eu não quero que ninguém passe pelo que eu passei”, afirma.

Política de ‘snipers’

Em um espaço de apenas cinco dias em janeiro, dois moradores de Manguinhos foram mortos na esquina da Rua São Daniel em circunstâncias parecidas. Eram dias calmos na comunidade, sem tiroteio nem operações policiais. Os tiros, segundo os familiares, teriam vindo de forma repentina.

Carlos Eduardo dos Santos Lontra, de 27 anos, foi baleado na barriga no dia 25 de janeiro, dias antes da morte de Rômulo e do ferimento de Vitor. Parentes acreditam que os tiros foram disparados da torre da Cidade da Polícia.

Os relatos obtidos pela Defensoria Pública apontam para outras três execuções ocorridas no mesmo local no fim do ano passado, em setembro, outubro e dezembro. As datas coincidem com o período de intervenção federal na área de segurança pública do Rio e também com o período eleitoral.

Peritos na rua São Daniel fotografando a torre branca ao fundo da favelaDireito de imagem JÚLIA DIAS CARNEIRO/BBC NEWS BRASIL
Governo diz que não há como emitir um posicionamento antes que haja uma conclusão sobre a origem dos tiros

Ao longo da campanha, o novo governador do Rio, Wilson Witzel, defendeu o uso de atiradores de elite para abater, à distância, criminosos portando fuzis ou outros armamentos de uso restrito – o que seria ilegal, não podendo se enquadrar como legítima defesa. Chegou a afirmar que o correto seria a polícia “mirar na cabecinha e… fogo!”, disparar contra bandidos com fuzis.

Questionado pela BBC News Brasil, o núcleo de imprensa do Governo do Estado ressalta que os casos estão sendo investigados de forma transparente pela Polícia Civil, e que não há como emitir um posicionamento antes que haja uma conclusão sobre a origem dos tiros.

Para a advogada Maria Laura Canineu, diretora do escritório da Human Rights Watch no Brasil, é precipitado fazer qualquer correlação entre as suspeitas as falas do governador sobre snipers. Ela considera, entretanto, que os posicionamentos de Witzel a favor de políticas de segurança linha-dura geram um ambiente mais propício a excessos policiais, isso em um contexto em que o Rio alcançou um número recorde de mortes cometidas pela polícia – foram 1.530 pessoas em 2018, o maior número desde que o Estado começou a coletar os dados em 1998.

“Quando a polícia age de forma excessiva, quando executa ou mata em circunstâncias suspeitas, isso não ajuda a conter a criminalidade, mas produz um clima de absoluta desconfiança”, afirma.

Esse efeito, considera, é nítido em Manguinhos. “Os moradores têm medo, não têm confiança e têm dificuldade de cooperar com a polícia, porque se consideram vítimas de excessos cometidos por policiais. Esse tipo de atitude é contraproducente”, lamenta.
BBC

Favela da Rocinha: além do tráfico

 

  • No estado do Rio de Janeiro, existem 1.018 favelas que concentram 22% da população, segundo dados de 2016 do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP). A Rocinha é a maior favela do Brasil, localizada na zona sul do Rio de Janeiro, para onde grande parte de seus habitantes emigrou do Nordeste em busca de oportunidades. Na comunidade da Rocinha, a densidade populacional é de 48.258 habitantes por quilômetro quadrado, nove vezes mais do que em Madri, por exemplo.
    No estado do Rio de Janeiro, existem 1.018 favelas que concentram 22% da população, segundo dados de 2016 do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP). A Rocinha é a maior favela do Brasil, localizada na zona sul do Rio de Janeiro, para onde grande parte de seus habitantes emigrou do Nordeste em busca de oportunidades. Na comunidade da Rocinha, a densidade populacional é de 48.258 habitantes por quilômetro quadrado, nove vezes mais do que em Madri, por exemplo.
  • Rocinha, Blog do Mesquita
    Na favela da Rocinha, a vida cotidiana transcorre com tranquilidade à espera de que surja alguma oportunidade de trabalho que permita aumentar a renda familiar. A falta de escolas faz com que crianças caminhem pelas ruas a qualquer hora do dia e, em muitos casos, são os menores de idade que trabalham nas pequenas lojas de produtos alimentícios.
  • De acordo com o censo de 2012, na Rocinha convivem 70.557 pessoas que são atendidas por dois centros de saúde de atenção básica e dois centros com algumas especialidades. Isso significa que, para doenças graves, a população precisa buscar atendimento fora da favela.
    De acordo com o censo de 2012, na Rocinha convivem 70.557 pessoas que são atendidas por dois centros de saúde de atenção básica e dois centros com algumas especialidades. Isso significa que, para doenças graves, a população precisa buscar atendimento fora da favela.
  • O desemprego atinge 12,5% da população brasileira (6,2 milhões de pessoas), e o Rio de Janeiro é uma das regiões com maior número de desocupados. Os mais afetados são jovens de 14 a 26 anos. A falta de escolas de ensino médio e o alto custo do aluguel de moradias em outros bairros da cidade dificultam a formação dos jovens e a possibilidade de que saiam da favela.
    O desemprego atinge 12,5% da população brasileira (6,2 milhões de pessoas), e o Rio de Janeiro é uma das regiões com maior número de desocupados. Os mais afetados são jovens de 14 a 26 anos. A falta de escolas de ensino médio e o alto custo do aluguel de moradias em outros bairros da cidade dificultam a formação dos jovens e a possibilidade de que saiam da favela.
  • A comunidade da Rocinha, apesar do caos de ruas estreitas que conectam todo seu interior, é uma das poucas favelas que busca no turismo uma alternativa para seu desenvolvimento, oferecendo visitas guiadas. Nos últimos anos, tem aumentado o número de restaurantes fast food, galerias de arte local, cybercafés e outros estabelecimentos que tentam modificar, pouco a pouco, a paisagem urbana da favela. Desta forma, criam-se oportunidades de emprego antes inexistentes.
    A comunidade da Rocinha, apesar do caos de ruas estreitas que conectam todo seu interior, é uma das poucas favelas que busca no turismo uma alternativa para seu desenvolvimento, oferecendo visitas guiadas. Nos últimos anos, tem aumentado o número de restaurantes fast food, galerias de arte local, cybercafés e outros estabelecimentos que tentam modificar, pouco a pouco, a paisagem urbana da favela. Desta forma, criam-se oportunidades de emprego antes inexistentes.
  • Entre o labirinto de vielas e prédios de vários andares, a população da Rocinha possui apenas duas praças ou áreas verdes para lazer público, de modo que a vida social acontece às portas das casas e no cruzamento de ruas onde crianças e adultos se encontram diariamente.
    Entre o labirinto de vielas e prédios de vários andares, a população da Rocinha possui apenas duas praças ou áreas verdes para lazer público, de modo que a vida social acontece às portas das casas e no cruzamento de ruas onde crianças e adultos se encontram diariamente.
  • Dentro da favela, a segurança está nas mãos de diferentes grupos de traficantes de drogas que dividem o controle dos bairros, e a polícia só aparece na entrada e na saída da favela (exceto em operações especiais, quando intervêm por algum motivo).
    Dentro da favela, a segurança está nas mãos de diferentes grupos de traficantes de drogas que dividem o controle dos bairros, e a polícia só aparece na entrada e na saída da favela (exceto em operações especiais, quando intervêm por algum motivo).
  • Com mais de 18.000 habitantes com menos de 14 anos, a favela da Rocinha conta com 16 creches, sete centros de educação pré-escolar e três escolas primárias. Para frequentar escolas de ensino médio é preciso sair da favela, onde outros bairros também oferecem cursos superiores.
    Com mais de 18.000 habitantes com menos de 14 anos, a favela da Rocinha conta com 16 creches, sete centros de educação pré-escolar e três escolas primárias. Para frequentar escolas de ensino médio é preciso sair da favela, onde outros bairros também oferecem cursos superiores.
  • A infraestrutura dentro da favela é bastante precária, e a maior parte da população tem acesso à eletricidade sem pagar, criando uma decoração única que se estende por todas vielas.
    A infraestrutura dentro da favela é bastante precária, e a maior parte da população tem acesso à eletricidade sem pagar, criando uma decoração única que se estende por todas vielas.
  • No Brasil, 40,8% das pessoas empregadas fazem parte do mercado de trabalho informal, ou seja, sem carteira assinada e sem pagar impostos para o Estado, segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitas casas foram construídas pelos próprios moradores, aproveitando ao máximo o espaço disponível e moldando a paisagem característica das favelas, que atendem suas necessidades básicas enquanto lutam para melhorar suas condições de vida.
    No Brasil, 40,8% das pessoas empregadas fazem parte do mercado de trabalho informal, ou seja, sem carteira assinada e sem pagar impostos para o Estado, segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitas casas foram construídas pelos próprios moradores, aproveitando ao máximo o espaço disponível e moldando a paisagem característica das favelas, que atendem suas necessidades básicas enquanto lutam para melhorar suas condições de vida.
    Fotos El Pais

Brasil: Imagem da elite criminosa repercute nas comunidades desempregadas como exemplo à criminalidade

Impunidade,Brasil,Crime Colarinho Branco,Blog do MesquitaTudo o que tem acontecido no Rio de Janeiro e também no Brasil é, sim, decorrência do desemprego e da crise social.

Mas é fruto, principalmente, do mau exemplo da elite brasileira, que nestes últimos anos mostrou sua cara desmascarada pelo juiz Sérgio Moro.

Os grandes corruptores, os grandes ladrões, só por delatarem, têm suas penas reduzidas e voltam para suas mansões milhardárias, que sequer foram sequestradas.

Os grandes empresários da área de construção esperam que, conquistada a redução de pena, consigam sair do país e ir para suas mansões no exterior que compraram com dinheiro roubado do Brasil.

No momento em que o Brasil enfrenta uma crise de proporções jamais vistas em sua história — hoje, em um país com 200 milhões de habitantes, 180 milhões estão à margem da dignidade –, somado a crise que o mundo enfrenta, sem qualquer referência política ou religiosa, a convulsão social parece se aproximar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os corruptos e os corruptores, cinicamente, devolvem o que talvez seja um Pixuleco do prejuízo que deram ao país. Só a Petrobras representava 60% do investimento brasileiro.

As famílias dos desempregados veem seus filhos indo para a delinquência, por falta de emprego. Outros filhos, com mais sorte, conseguiram estudar nas universidades públicas brasileiras, e agora recebem um chute quando ouvem que se deve “dar prioridade aos formados no exterior”.

Pobre dos professores brasileiros, além de não receberem os salários, são responsabilizados quando seus formandos são preteridos pelos formandos de professores no exterior.

Se olharmos um pouco pra trás, vamos ver que a crise de 2008 foi antecedida pela quebra daquele banco da Tailândia, com uma falência de $ 30 bilhões, nas mãos de jovem de 38 anos que com certeza se formou numa dessas faculdades que impressionam o poder.

A polícia do Rio, sem receber, e a de outros estados, também sem receber, têm seus policiais assassinados porque parece que o crime tem mais dinheiro do que o Estado.

O dinheiro do Estado foi roubado pelos delinquentes que, mesmo com as cabeças raspadas, recebem o privilégio que os pobres quando são presos não têm: são soltos.

O Ministério Público com seus grandes procuradores, e a Polícia Federal, com sua legião de bravos policiais, se veem humilhados quando após meses de investigação são hostilizados, como se aquilo que apuraram não estivesse correto.

Suas presas são soltas como pássaros enjaulados, porque não são pássaros, são abutres.

O que pode pensar o filho de um advogado desse Ministério Público, ou de um agente da PF, quando dizem que seus pais supostamente “não cumpriram como deveriam cumprir” as suas atividades profissionais?

Além disso, o salário deles é de um tamanho tão reduzido que seus filhos não podem ter formação no exterior.

O que deve pensar um jovem humilde, desfavorecido pela sorte, quando vê que a sorte de um criminoso de “colarinho branco” é diferente da sorte de um criminoso de sandália de dedo iguais as que ele usa? Com certeza, eles devem pensar em revolta.
JB